sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Em manifesto, psicanalistas defendem reeleição de Lula: “pela democracia, pelos direitos e pela vida”

Documento lançado para o segundo turno da eleição presidencial reúne mais de mil assinaturas em menos de 24 horas de mobilização

Lula e AlckminCrédito: Ricardo Stuckert

Mais de mil psicanalistas se mobilizaram em menos de 24 horas para assinar um manifesto em defesa da reeleição da chapa formada pelo presidente Lula (PT) e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) no segundo turno das eleições presidenciais, numa disputa contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e seu candidato a vice, o deputado federal Alfredo Gaspar (PL). O documento, intitulado “Psicanalistas pela democracia, pelos direitos e pela vida”, destaca o compromisso do grupo com a dignidade da vida, a justiça social, os direitos humanos e o fortalecimento do regime democrático, informa a organização do movimento.

A articulação fundamenta seu posicionamento na premissa de que a preservação do ambiente democrático é uma garantia civilizatória essencial para a convivência humana. De acordo com o texto, o apoio político declarado não equivale a um aval irrestrito às ações governamentais, mas sim à defesa de um modelo de país que preserve a liberdade de expressão e a capacidade crítica.

Para embasar o posicionamento, os signatários recorrem aos ensinamentos teóricos do fundador da psicanálise, Sigmund Freud. Os profissionais relembram os conceitos apresentados nas obras O Mal-estar na Civilização e Psicologia das Massas e Análise do Eu para alertar sobre os riscos do autoritarismo e da violência política:

“A psicanálise nos ensina que a vida em sociedade é atravessada por conflitos, contradições e antagonismos, afetos diversos, amor, ódio, agressividade, sublimações, que pedem tempo para processamentos, elaborações e transformação. Em ‘O Mal-estar na Civilização’, Freud nos lembra que a convivência humana exige a construção de limites à violência e à arbitrariedade do poder. A democracia não suprime os conflitos, mas cria condições para que possam ser expressos e enfrentados sem que a força se sobreponha à palavra e aos direitos”.

“Em ‘Psicologia das Massas e Análise do Eu’, Freud também nos oferece instrumentos para compreender os perigos da idealização das lideranças, das identificações alienantes e da submissão do pensamento crítico ao autoritarismo. Essa advertência vale para todas as posições políticas, inclusive para aquelas com as quais nos identificamos. Nosso apoio eleitoral, portanto, não significa adesão incondicional a governantes, mas compromisso com um projeto de sociedade que preserve a possibilidade da crítica, da participação e da transformação social”.

O documento vincula a saúde mental diretamente ao acesso a direitos sociais e econômicos básicos. O grupo argumenta que problemas como o racismo, a fome, as desigualdades sociais, a violência de gênero e o trabalho precarizado produzem dor psíquica e desgastam os laços comunitários. Por esse motivo, os profissionais sustentam que cuidar do bem-estar psicológico da população exige a defesa estrutural do Sistema Único de Saúde (SUS), da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), da educação pública, da moradia digna, da cultura e do combate a todas as formas de discriminação.

Diante do cenário político nacional, o texto enfatiza que a sustentação dos valores democráticos demanda engajamento permanente e vigilância social, ressaltando que nenhuma conquista está definitivamente garantida.

“Neste momento histórico, em que estão em disputa não apenas projetos de governo, mas as próprias condições de sustentação da vida democrática, não podemos nos omitir. Defender a democracia é defender o direito à diferença, a liberdade de pensamento, a possibilidade de discordar sem ser perseguido e a construção de um mundo em que a palavra não seja substituída pela violência. É afirmar que nenhuma autoridade está acima da lei, que nenhum projeto político justifica a supressão de direitos e que nenhuma vida pode ser considerada descartável”. - 247.


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