sábado, 12 de setembro de 2026

Pesquisa liderada por brasileiro faz paciente sobreviver 271 dias com rim de porco e indica revolução nos transplantes

Marca é o maior tempo de sobrevida já registrado com um órgão suíno em humanos e abre novas perspectivas para reduzir as filas de espera

Tim Andrews e Leonardo RiellaCrédito: Divulgação

247 – Um estudo conduzido sob a liderança do médico e pesquisador brasileiro Leonardo Riella, professor da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos, alcançou um feito histórico na medicina mundial: um paciente em estágio terminal de doença renal sobreviveu por mais de nove meses — exatamente 271 dias — com um rim de porco geneticamente modificado, sem necessitar de sessões de diálise. O resultado representa a maior sobrevida já registrada em um procedimento de xenotransplante (transplante de órgãos entre espécies diferentes) e coloca a ciência mais próxima de resolver o problema cronico da escassez de doadores humanos, informa o G1.

Antes de passar pelo procedimento inovador, o norte-americano Tim Andrews, de 66 anos, enfrentava um quadro grave de insuficiência renal que o deixou extremamente debilitado. Durante um ano e meio sob tratamento diurético e diálise, o paciente perdeu a mobilidade e passou a se locomover em cadeira de rodas, convivendo com episódios frequentes de náuseas e prostração.

Candidato ao procedimento experimental, Andrews recebeu o órgão suíno em janeiro de 2025. Pouco tempo após a cirurgia, ele apresentou uma recuperação expressiva, retomando atividades cotidianas antes impossíveis, como acampar e carregar peso, sem a limitação das máquinas de diálise. “Antes da cirurgia, me disseram que eu passaria o resto da vida fazendo diálise. Eu ficava doente o tempo todo, dormia muito, vomitava. Eu mal conseguia andar. Com o rim de porco, me senti ótimo. Assim que saí da mesa de cirurgia, eu estava sapateando. Literalmente”, declarou o paciente.

Em um ensaio anterior realizado pela equipe de Riella, em 2024, outro paciente submetido ao xenotransplante sobreviveu por 52 dias, falecendo em decorrência de complicações cardíacas não relacionadas ao órgão transplantado. Até então, nenhuma experiência científica havia ultrapassado a marca de dois meses de funcionamento contínuo de um rim animal em um organismo humano.

O rim de porco funcionou perfeitamente no corpo de Andrews por 271 dias, sendo capaz de filtrar o sangue, regular a água e manter os níveis de minerais de forma idêntica à de um órgão humano. Contudo, o órgão precisou ser retirado após o paciente contrair uma infecção bacteriana. O tratamento da infecção exigiu a redução das doses de medicamentos imunossupressores — fármacos indispensáveis para evitar a rejeição. Com a defesa do organismo reativada, o sistema imunológico passou a atacar o tecido animal, demandando a remoção cirúrgica. Oitenta e dois dias após a retirada do rim suíno, Andrews passou por um transplante com um rim humano convencional e segue saudável, sem sinais de rejeição.

Engenharia genética e a superação de barreiras imunológicas

O sucesso prolongado do transplante foi viabilizado por meio de edições genéticas avançadas no animal doador, desenvolvidas ao longo de cinco anos de pesquisas e aprovadas pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês).

O processo envolveu três modificações centrais no DNA do porco para adequar o órgão ao corpo humano:

·         Eliminação da rejeição imediata: Os cientistas desativaram os genes responsáveis pela produção de certas moléculas de açúcar na superfície das células suínas. Essas moléculas eram identificadas instantaneamente pelo sistema imunológico humano, desencadeando uma rejeição hiperaguda.

·         Inativação de vírus endógenos: Fragmentos de DNA viral presentes naturalmente no genoma dos porcos, que poderiam se reativar e infectar o paciente humano, foram completamente neutralizados em laboratório.

·         Inserção de genes humanos: Foram introduzidos sete genes humanos no código genético do animal doador. Essa alteração fez com que o órgão passasse a produzir proteínas semelhantes às humanas, melhorando o encaixe biológico e fazendo com que o sistema imunológico reconhecesse o tecido como menos estranho.

Impacto global e avanços da pesquisa no Brasil

A escassez de doadores é um gargalo global. No Brasil, o transplante de rim é um dos mais frequentes devido à possibilidade de aproveitamento de dois órgãos de um único doador falecido, além do doador vivo. Mesmo assim, dados do Ministério da Saúde apontam que mais de 45 mil pessoas aguardam atualmente por um rim na fila de espera no país.

Para especialistas, o xenotransplante surge como a alternativa mais viável a curto e médio prazo contra esse cenário, superando em cronograma o desenvolvimento de órgãos totalmente artificiais, estimados para daqui a pelo menos duas décadas. Leonardo Riella prevê que, em um horizonte de cinco anos, o xenotransplante possa se consolidar como uma ponte temporária para pacientes que aguardam órgãos humanos, com o objetivo de retirá-los da diálise. A longo prazo, a meta da comunidade científica é aperfeiçoar o manejo dos imunossupressores para que os órgãos suínos possam substituir definitivamente os transplantes humanos.

O médico especialista em transplante Rafael Pinheiro ressalta que essas pesquisas trazem uma nova perspectiva para a medicina, embora pontue que exista um intervalo de tempo entre a validação tecnológica e a aplicação em larga escala no sistema de saúde.

O Brasil também integra a vanguarda dessas pesquisas. Em abril, cientistas do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da Universidade de São Paulo (USP) anunciaram o nascimento do primeiro porco clonado do país, em Piracicaba (SP). A equipe da USP dominou a técnica de edição genética em 2022 — desativando três genes suínos de rejeição e inserindo sete genes humanos — e atingiu a etapa de clonagem para permitir a reprodução desses animais modificados em escala nacional.- 247.


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Lula chega a 39% e mantém vantagem sobre Flávio Bolsonaro, aponta Datafolha

Presidente lidera corrida ao Planalto. Levantamento também mostra votos válidos


Lula e Flávio BolsonaroCrédito: Ricardo Stuckert/PR I Agência Senado

O presidente Lula (PT) aparece com 39% das intenções de voto na disputa pela Presidência da República, à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL), que registra 35%, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (11). O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 8 e 10 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada no TSE sob o número BR-01833/2026.

Na comparação com o levantamento anterior, de 3 de setembro, Lula oscilou de 38% para 39%. Flávio Bolsonaro passou de 33% para 35%. Com isso, o presidente mantém a liderança na pesquisa estimulada, em que o instituto apresenta aos entrevistados a lista de candidatos.

O escritor Augusto Cury (Avante) aparece com 6%, ante 8% no levantamento anterior. Ronaldo Caiado (PSD) mantém 4%. Renan Santos (Missão) registra 3%, mesmo percentual da pesquisa passada. Romeu Zema (Novo) aparece com 2%, também sem variação.

Samara Martins (UP), Rui Costa Pimenta (PCO), Clariana Barão (DC) e Edmilson Costa (PCB) têm 1% cada. Veterinário Wilson Grassi (Democrata) e Hertz Dias (PSTU) aparecem com 0%.

Os eleitores que declaram voto em branco, nulo ou em nenhum candidato somam 6%, mesmo índice da pesquisa anterior. Indecisos são 4%, ante 3% no levantamento passado.

Cenário com Pablo Marçal

O Datafolha também testou um cenário com Pablo Marçal (PRTB), que está inelegível por causa de condenação na Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral formou maioria nesta sexta-feira para barrar sua candidatura.

Nesse cenário, Lula aparece com 39%, mesmo percentual registrado em agosto. Flávio Bolsonaro tem 33%, ante 32% na rodada anterior.

Augusto Cury marca 5%, abaixo dos 7% do levantamento passado. Ronaldo Caiado mantém 4%. Renan Santos tem 3%, ante 4%. Pablo Marçal aparece com 2%, mesmo percentual de Romeu Zema (Novo), que aparece com 2%, também sem variação. Samara Martins (UP) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) registram 1% cada.

Rui Costa Pimenta (PCO), Edmilson Costa (PCB), Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) aparecem com 0%. Brancos, nulos ou eleitores que não escolheriam nenhum candidato somam 6%. Indecisos são 3%.

Votos válidos

Pela primeira vez nesta eleição, o Datafolha divulgou os votos válidos na disputa presidencial. O cálculo exclui votos em branco, nulos e eleitores indecisos.

No cenário sem Pablo Marçal, Lula tem 43% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro aparece com 38%. Augusto Cury marca 6%, Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos registra 3% e Romeu Zema aparece com 2%.

Samara Martins, Rui Costa Pimenta, Clariana Barão e Edmilson Costa têm 1% cada. Veterinário Wilson Grassi e Hertz Dias aparecem com 0%.

No cenário com Pablo Marçal, Lula registra 42% dos votos válidos, contra 37% de Flávio Bolsonaro. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado tem 4%, Renan Santos marca 3%, enquanto Pablo Marçal e Romeu Zema registram 2% cada.

Samara Martins e Veterinário Wilson Grassi têm 1% cada. Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa, Clariana Barão e Hertz Dias aparecem com 0%.

Os números indicam que Lula segue à frente no primeiro turno, em meio a uma disputa concentrada entre o presidente e Flávio Bolsonaro, com os demais candidatos em patamares menores na pesquisa estimulada. – 247.


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