quinta-feira, 12 de março de 2026

‘Precisamos evitar que os efeitos das guerras cheguem ao povo brasileiro’, diz Lula

 

Pacote emergencial zera PIS e Cofins do diesel, cria subvenção de R$ 0,32 por litro e amplia poderes da ANP para combater preços abusivos nos postos


Lula (Foto: Ricardo Stuckert / PR)


O presidente Lula destacou nesta quinta-feira (12) a importância de um conjunto de medidas emergenciais destinadas a blindar a economia brasileira dos efeitos da alta internacional do petróleo. As propostas contemplam desde a zeragem de impostos federais sobre o diesel até a criação de um imposto regulatório sobre a exportação de petróleo bruto. Segundo informações divulgadas pelo Governo do Brasil, o pacote foi desenhado para proteger consumidores, caminhoneiros e setores produtivos que dependem do combustível para operar. Também foram anunciadas medidas para impedir preços abusivos - as novas regras permitem a aplicação de multas que podem chegar a R$ 500 milhões contra companhias que pratiquem aumentos injustificados.

"Estamos dizendo em alto e bom som que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica, para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro", disse Lula no Palácio do Planalto, em Brasília (DF). "Eu estou com os meus ministros para anunciar medidas de proteção ao povo consumidor brasileiro. Medidas que vão fazer com que o governo brasileiro extinga a cobrança do PIS e do Cofins, que vão fazer com que a gente cobre imposto de exportação do petróleo para garantir subvenção para evitar o aumento do preço". 

O cenário que motivou a intervenção é a forte volatilidade nos preços do petróleo, causada pelo conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, com reflexos diretos no Estreito de Ormuz — corredor por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo consumido no mundo.

A primeira medida concreta foi a assinatura do Decreto nº 12.875/2026, que zera as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, eliminando os únicos tributos federais ainda incidentes sobre o combustível. O impacto estimado pelo governo é de R$ 0,32 de redução por litro. Ao justificar o esforço fiscal, Lula reconheceu o custo da iniciativa: 

Em paralelo, o presidente assinou a Medida Provisória nº 1.340/2026, que institui uma subvenção de R$ 0,32 por litro a produtores e importadores de diesel, com obrigatoriedade de repasse ao consumidor final. Somadas à isenção tributária, as duas medidas têm o objetivo de reduzir o preço do combustível em R$ 0,64 por litro nas bombas dos postos. 

Lula aproveitou o anúncio para convocar os governadores estaduais a contribuírem com reduções no ICMS. "Nós vamos fazer tudo o que for possível e, quem sabe, esperar até a boa vontade dos governadores dos estados, que podem reduzir um pouco o ICMS também no preço do combustível", afirmou, acrescentando que o objetivo é garantir "que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro. Não chegando ao bolso do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão, da salada de alface, da cebola e a comida que o povo mais come."

Fernando Haddad e Rui Costa

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reforçou que as ações têm caráter estritamente emergencial e não alteram a política de preços da Petrobras. "Essas são medidas temporárias, que têm a ver com o estado de guerra que nós estamos vivendo, sem previsibilidade de solução de curtíssimo prazo. Todos estamos trabalhando no sentido de reivindicar a paz, reivindicar que os organismos internacionais atuem no sentido de buscar a paz", disse o ministro. 

Haddad também destacou o papel das medidas para proteger o cotidiano da população: "Com essas medidas, o fortalecimento da ANP, da fiscalização e com as medidas econômicas tomadas, nós vamos conseguir lograr êxito em, tanto quanto possível, não permitir que os efeitos da guerra afetem o dia a dia do brasileiro, o dia a dia da brasileira."

A Medida Provisória também institui um Imposto de Exportação sobre o petróleo bruto, com função regulatória voltada a estimular o refino nacional e assegurar o abastecimento interno. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias, foi enfático ao explicar a natureza do tributo: 

"Há incidência desse imposto de exportação, que é de caráter meramente regulatório. Ele não tem caráter arrecadatório. É apenas para fomentar a produção nacional, que não é pouco, é muito, e segundo, garantir o abastecimento do mercado interno." Elias também lembrou que o Brasil adota a mistura B15 — 15% de biodiesel no diesel — o que amplifica o alcance das medidas: "Isso faz com que o impacto dessas medidas de hoje seja ainda maior para a proteção do consumidor e do setor."

No campo da fiscalização, a MP amplia os poderes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para combater abusos na cadeia de distribuição, como reajustes injustificados e retenção especulativa de estoques. 

O ministro da Casa Civil, Rui Costa, detalhou as novas ferramentas previstas: "Vamos criar condições para aperfeiçoar o trabalho de monitoramento e de fiscalização dos órgãos de controle brasileiros, dar mais ferramentas e instrumentos para a ANP poder acompanhar, monitorar a prática de preços no Brasil, e também dar mais instrumentos para os órgãos de defesa do consumidor terem referências objetivas para que eles possam atuar."

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reconheceu que o combate à especulação na cadeia de combustíveis é um dos maiores desafios enfrentados pelo governo. "Um dos setores mais difíceis que temos enfrentado, em especial com a Fazenda e com a coordenação da Casa Civil, é combater a especulação de preço na cadeia dos combustíveis, que é tão fundamental na formação de preço final, em especial dos alimentos", afirmou.

Para garantir transparência ao consumidor, um decreto adicional determina que todos os postos de combustíveis adotem sinalização clara e visível, informando explicitamente o valor da redução tributária e o impacto da subvenção no preço final do litro. A medida busca impedir que os benefícios anunciados pelo governo sejam absorvidos pela cadeia de distribuição sem chegar ao motorista nas bombas.

Guerra EUA-Irã, Estreito de Ormuz e petróleo

A ofensiva militar americana contra o Irã, deflagrada em 28 de fevereiro, já deixou um rastro de destruição que ultrapassa 1,3 mil mortos em território iraniano. Quando somadas as baixas registradas em outros países arrastados para o conflito, o total de vítimas fatais se aproxima de 2 mil. Washington sustenta que a intervenção foi motivada por evidências de que Teerã avançava no desenvolvimento de armamento nuclear.

A retaliação iraniana que mais abalou a economia mundial foi o bloqueio do Estreito de Ormuz. Espremido entre o litoral iraniano e o território de Omã, o canal é a principal saída marítima do Golfo Pérsico para o Mar Arábico e drena aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta. 

Sem o estreito, gigantes da Opep como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait perdem o acesso às principais rotas de exportação para a Ásia, a Europa e as Américas. O comando central das Forças Armadas iranianas deixou claro que a passagem permanecerá vetada: declarou que não permitirá "que nem um único litro de petróleo passe pelo Estreito de Ormuz em benefício da América e de seus aliados".

As consequências para o mercado energético global são imediatas e profundas. Pela primeira vez desde a invasão russa da Ucrânia, em 2022, o barril de petróleo rompeu a barreira dos US$ 100, chegando a superar US$ 120 no momento de maior tensão. 

As cotações aliviaram para a casa dos US$ 90 quando o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizou otimismo com uma possível saída negociada para o conflito — mas o fôlego durou pouco. Na quarta-feira (11), os preços voltaram a escalar cerca de 5%: o Brent futuro fechou a US$ 91,98, e o WTI americano encerrou o pregão a US$ 87,25 por barril. Teerã já avisou que o mundo deve se preparar para o barril a US$ 200, enquanto a Agência Internacional de Energia pede liberação emergencial de reservas estratégicas para amortecer o que já é descrito como um dos choques energéticos mais graves desde os anos 1970. - 247.



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Governo anuncia multa de até R$ 500 mi em caso de aumento abusivo no preço dos combustíveis

 

Para conter a escalada dos preços dos combustíveis, governo reforça fiscalização e exige transparência sobre redução de tributos nos postos

         Conteúdo postado por: Paulo Emilio
                                              

Frentista abastece veículo com gasolina (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

O governo federal anunciou um conjunto de medidas para reforçar o controle sobre o mercado de combustíveis no Brasil. Entre as iniciativas está uma Medida Provisória que amplia os poderes de fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e estabelece punições mais severas para empresas que elevarem preços de forma considerada abusiva.

Segundo o UOL, as novas regras permitem a aplicação de multas que podem chegar a R$ 500 milhões contra companhias que pratiquem aumentos injustificados ou adotem estratégias para provocar escassez artificial de combustíveis no mercado.

Governo amplia poder de fiscalização da ANP

A Medida Provisória amplia os instrumentos de atuação da ANP para coibir práticas consideradas lesivas ao consumidor. Entre elas estão o aumento abusivo de preços e a retenção especulativa de estoques com o objetivo de provocar escassez ou vender combustíveis por valores mais altos.

Além disso, o governo deve publicar um decreto que determina que os postos adotem sinalização clara e visível para informar ao consumidor eventuais reduções de preços resultantes de cortes de tributos federais ou de subsídios.

O anúncio das medidas ocorreu em entrevista coletiva, realizada nesta quinta-feira (12), com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de integrantes do governo. Participaram do evento os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública) e Alexandre Silveira (Minas e Energia).

Medidas tentam evitar impacto da alta do petróleo na inflação

Durante a apresentação, Lula afirmou que o governo pretende impedir que fatores externos pressionem o custo de vida da população. Segundo ele, o objetivo das medidas é evitar que conflitos internacionais e a alta do petróleo acabem elevando o preço dos combustíveis e, consequentemente, de alimentos e outros produtos.

O presidente declarou que o governo fará “o possível” para que os efeitos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã não cheguem ao bolso dos motoristas brasileiros. 

Governo cobra distribuidoras sobre repasse de reduções

Ainda nesta quinta-feira, representantes do governo devem se reunir com executivos das maiores distribuidoras privadas de combustíveis do país. O encontro contará com a participação do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.

Também participarão da reunião os ministros Rui Costa, Wellington César Lima e Silva e Alexandre Silveira, além do secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo o governo, essas empresas respondem por cerca de 70% do mercado privado de combustíveis no Brasil. A intenção do encontro é cobrar que eventuais reduções de custos ou medidas anunciadas sejam efetivamente repassadas ao consumidor final.

Venda da BR Distribuidora e política da Petrobras

Durante a coletiva, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a privatização da rede de postos da BR Distribuidora reduziu a capacidade do governo de acompanhar os preços praticados no mercado.

De acordo com o ministro, quando a rede ainda pertencia à Petrobras, ela ajudava o governo a monitorar o comportamento dos preços e enfrentar reajustes considerados abusivos. A distribuidora foi vendida durante o governo Jair Bolsonaro (PL) em operações realizadas em 2019 e 2021, passando ao controle da Vibra Energia.

Haddad também destacou que a política de preços da Petrobras permanece inalterada. Segundo ele, a estratégia da empresa segue baseada em “bases sólidas de retorno”, com respeito aos acionistas minoritários. O ministro acrescentou que as medidas anunciadas para reduzir o preço do diesel não têm relação com a política de precificação adotada pela estatal. - 247.



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Após manifestação do Itamaraty, Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro na Papudinha

 

Ministro do STF afirma que pedido não tem caráter diplomático e não foi comunicado às autoridades brasileiras


Alexandre de Moraes (Foto: Rosinei Coutinho/STF)


O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu, nesta quinta-feira (12), negar a autorização para que Darren Beattie, assessor do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, visitasse o ex-presidente Jair Bolsonaro na prisão. A decisão representa uma mudança em relação a entendimento anterior do próprio ministro sobre o pedido apresentado pela defesa do ex-chefe do Executivo.

No despacho, Moraes afirmou que a solicitação não se enquadra no contexto diplomático que justificou a entrada do assessor norte-americano no Brasil. Segundo o magistrado, a visita também não foi previamente comunicada às autoridades diplomáticas brasileiras, circunstância considerada relevante na análise do caso.

Ao fundamentar a decisão, o ministro registrou que o encontro pretendido extrapola os limites das atividades relacionadas ao visto concedido ao representante do governo dos Estados Unidos.

“A realização da visita de Darren Beattie, requerida neste autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, escreveu Moraes.

Darren Beattie ocupa o cargo de assessor sênior para a política dos Estados Unidos em relação ao Brasil no governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. O encontro com Bolsonaro havia sido solicitado pelos advogados do ex-presidente. - 247.


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PF flagra suplente de Alcolumbre sacando R$ 350 mil em dinheiro vivo

 

Investigação aponta saques superiores a R$ 3 milhões e suspeita de fraude em licitações do DNIT no Amapá


Breno Chaves Pinto (Foto: Reprodução)

A Polícia Federal registrou o momento em que o empresário Breno Chaves Pinto, segundo suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP), deixou uma agência bancária carregando R$ 350 mil em dinheiro vivo no Amapá. O episódio faz parte de um relatório de monitoramento produzido durante uma investigação sobre suspeitas de fraude em licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) no estado, informa o jornal O Globo.

De acordo com o relatório da PF, agentes passaram a acompanhar os passos do empresário após um alerta do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificou movimentações financeiras consideradas atípicas, com sucessivos saques em espécie realizados pouco tempo depois do recebimento de recursos oriundos de contratos públicos. Segundo os investigadores, o padrão das retiradas pode indicar indícios de lavagem de dinheiro.

Saques monitorados pela Polícia Federal

As apurações apontam que as empresas ligadas a Breno Chaves Pinto realizaram retiradas em dinheiro que, somadas, ultrapassam R$ 3 milhões. Em relatório, a PF afirma que as movimentações ocorreram em datas próximas a pagamentos de contratos públicos firmados com o DNIT no Amapá.

“As investigações financeiras demonstraram vultosos e sucessivos saques em espécie, que ultrapassam R$ 3 milhões, das contas de suas empresas, em datas próximas a pagamentos de contratos públicos, configurando indícios de lavagem de capitais”, registra o documento da Polícia Federal.

Os investigadores também suspeitam que o empresário teria papel central em um esquema que envolveria manipulação de licitações do DNIT. Conforme o inquérito, ele atuaria como líder de um dos núcleos da organização investigada, exercendo influência sobre a superintendência do órgão no estado.

Segundo a PF, Chaves Pinto teria “exercido forte ingerência institucional no DNIT/AP, valendo-se de sua condição de suplente de senador da República para praticar, em tese, o crime de tráfico de influência”.

Episódio do saque de R$ 350 mil

Um dos episódios detalhados no relatório ocorreu em 7 de novembro de 2024, em uma agência bancária no município de Santana (AP), localizado a cerca de 20 quilômetros de Macapá. Alertados de que o empresário havia solicitado a retirada de R$ 350 mil em espécie, agentes da PF se posicionaram nas proximidades da agência para monitorar a movimentação.

De acordo com o documento, Breno Chaves Pinto chegou ao local às 13h14, no banco do passageiro de uma SUV branca. Ele entrou na agência com uma mochila azul e permaneceu no interior do estabelecimento por aproximadamente meia hora. Ao sair, retornou ao mesmo veículo, que aguardava do lado de fora, e seguiu em direção à sede de uma de suas empresas.

A Polícia Federal identificou que o automóvel utilizado estava registrado em nome da empresa Lojas 2A Ltda., que comercializa produtos importados em Macapá. A companhia pertence a Alberto Brasil Alcolumbre e André Luiz Brasil Alcolumbre, primos de primeiro grau do presidente do Senado.

Questionamentos sobre veículo

Em nota enviada posteriormente, a assessoria de Davi Alcolumbre informou que o veículo registrado em nome da empresa dos primos foi vendido oficialmente para Breno Chaves Pinto em julho de 2025, cerca de nove meses após o episódio monitorado pela PF.

Já André Alcolumbre afirmou que a venda teria ocorrido ainda em 2022 e que o pagamento foi recebido regularmente. Segundo ele, a transferência da propriedade não foi formalizada na época por “erro material”.

Pela legislação brasileira de trânsito, o comprador tem prazo de até 30 dias para registrar a transferência do veículo no órgão competente.

Defesa do empresário

Procurado pela reportagem, Breno Chaves Pinto declarou que as retiradas em dinheiro estariam relacionadas a pagamentos operacionais de sua empresa.

“O presente processo tramita sob segredo de Justiça, razão por que as manifestações da defesa ocorrem exclusivamente nos autos, em estrita observância às determinações legais”, afirmou o empresário em nota.

O senador Davi Alcolumbre também se manifestou e declarou que “não possui qualquer relação com a atuação empresarial de seu segundo suplente”.

Suspeitas de fraude em licitações

A investigação da Polícia Federal aponta a existência de um grupo que teria atuado para fraudar o caráter competitivo de licitações realizadas pela superintendência do DNIT no Amapá. Os contratos sob análise somam cerca de R$ 60,2 milhões e envolvem obras de manutenção e recuperação de trechos da BR-156.

Segundo decisão da Justiça Federal que autorizou diligências, foram identificadas conversas e troca de documentos entre representantes de empresas e dirigentes do órgão antes mesmo da publicação dos editais, o que pode indicar direcionamento dos processos licitatórios.

Uma das mensagens interceptadas mostra o então superintendente regional do DNIT agradecendo ao suplente de Alcolumbre pelo aumento de recursos destinados ao órgão. Em outro diálogo citado no processo, ele solicita que o empresário peça ao senador que pressione o governo pela liberação de pagamentos.

“Solicita a Breno que fale com o senador Davi Alcolumbre para postar uma foto, e para ‘dar uma pressão no governo para liberar nossos empenhos’”, registra trecho da investigação.

Impacto nas obras da BR-156

Auditorias da Controladoria-Geral da União identificaram lentidão na execução das obras vinculadas aos contratos investigados, além de possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos.

A BR-156 é a principal rodovia do Amapá, com aproximadamente 823 quilômetros de extensão entre Laranjal do Jari e Oiapoque. Problemas na manutenção da estrada têm impacto direto na mobilidade e no acesso da população a serviços essenciais no estado.

O DNIT informou, em nota divulgada na época da operação policial, que colabora com as investigações e que suas instâncias internas de integridade analisam os fatos para eventual adoção de medidas administrativas. O órgão declarou ainda que “repudia qualquer prática fraudulenta ou ato de corrupção”.

Histórico de investigação

Breno Chaves Pinto já havia sido alvo de outra operação da Polícia Federal em dezembro de 2022. Na ocasião, agentes apreenderam cerca de R$ 800 mil em dinheiro vivo na sede de uma de suas empresas, durante investigação relacionada às mesmas obras rodoviárias no Amapá.

Segundo a PF, a apuração começou a partir de um inquérito que investigava inserção de informações falsas no sistema do Ibama para viabilizar a movimentação de créditos florestais associados à comercialização de madeira ilegal. No decorrer da investigação, foram identificados indícios de superfaturamento de aproximadamente R$ 6,1 milhões em obras executadas pela empresa do empresário.

Ele é investigado pelos crimes de organização criminosa, peculato, corrupção ativa e passiva, fraude à licitação, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. À época, o empresário declarou que a Justiça autorizou a devolução dos bens apreendidos e afirmou que a suspeita relacionada à compra de madeira irregular teria ocorrido por erro na destinação do material.

O avanço das investigações da Polícia Federal ocorre em meio a um ambiente de tensão política em Brasília. Nas últimas semanas, Davi Alcolumbre manifestou a interlocutores insatisfação com operações policiais no Amapá que atingem pessoas ligadas ao seu entorno político. - 247.


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Líder iraniano faz ameaça direta a Trump: "tenha cuidado para não ser eliminado"

 

Ali Larijani reage às ameaças do presidente dos Estados Unidos contra o Irã e afirma que a nação iraniana não teme intimidações


Ali Larijani (Foto: Reuters)


O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, respondeu de forma contundente às ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o povo iraniano não se intimida diante da retórica de Washington. Em publicação feita nas redes sociais, Larijani dirigiu um alerta direto ao líder norte-americano, elevando o tom das tensões entre os dois países. A informação foi divulgada pela agência iraniana Tasnim News.

Ao comentar as declarações de Trump, Larijani disse que o Irã não teme ameaças e ressaltou a resistência histórica da nação iraniana. Segundo ele, o povo do país se inspira nos ensinamentos de Ashura e não se intimida diante da pressão externa. Em sua mensagem, afirmou: “Mesmo aqueles maiores do que você falharam em eliminar a nação iraniana”.

Em seguida, fez um aviso direto ao presidente norte-americano: “Tenha cuidado para não ser eliminado você mesmo!”. A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais e reflete o agravamento do confronto verbal entre Teerã e Washington.

A resposta do dirigente iraniano ocorreu após uma postagem de Trump na rede Truth Social em que o presidente dos Estados Unidos ameaçou o Irã com ataques de grande escala caso Teerã tente interromper o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas energéticas mais estratégicas do mundo.

Na publicação, Trump afirmou que os Estados Unidos reagiriam com força desproporcional. Ele escreveu: “If Iran does anything that stops the flow of Oil within the Strait of Hormuz, they will be hit by the United States of America TWENTY TIMES HARDER than they have been hit thus far. Additionally, we will take out easily destroyable targets that will make it virtually impossible for Iran to ever be built back, as a Nation, again — Death, Fire, and Fury will reign upon them — But I hope, and pray, that it does not happen!”

A troca de ameaças ocorre em meio a uma escalada militar significativa na região. Segundo a Tasnim News, os Estados Unidos e o regime sionista iniciaram uma ampla campanha militar contra o Irã após o assassinato do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Seyed Ali Khamenei, além de vários comandantes militares de alto escalão e civis, em 28 de fevereiro.

Ainda de acordo com a agência iraniana, os ataques envolveram bombardeios aéreos intensos contra diferentes áreas do país, atingindo alvos militares e também instalações civis, o que teria provocado vítimas e danos relevantes à infraestrutura iraniana.

Em resposta às ofensivas, as Forças Armadas do Irã passaram a realizar operações de retaliação contra posições dos Estados Unidos e de Israel em territórios ocupados e em bases militares na região. As ações incluíram o lançamento de ondas de mísseis e drones contra alvos considerados estratégicos.

A escalada de declarações e ações militares aumenta o risco de um confronto mais amplo no Oriente Médio. O Estreito de Ormuz, mencionado diretamente por Trump, é uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo, e qualquer interrupção em sua operação teria efeitos imediatos sobre o mercado energético e a estabilidade internacional.

Nesse contexto, a troca de ameaças entre Washington e Teerã evidencia o grau de deterioração das relações entre os dois países e reforça a percepção de que a crise regional pode se aprofundar ainda mais nas próximas semanas. - 247.


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Em 1º pronunciamento, líder supremo do Irã exige fechamento de bases dos EUA no Oriente Médio e fala em 'vingança'

 

Mojtaba Khamenei também prometeu manter o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o comércio global de petróleo


Mulher segura imagem do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e do líder anterior, o aiatolá Ali Khamenei, durante cerimônia fúnebre para comandantes militares iranianos 11 de março de 2026 Majid Asgaripour/WANA via REUTERS (Foto: Majid Asgaripour)




O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou que bases militares dos Estados Unidos no Oriente Médio poderão ser alvo de ataques e exigiu o fechamento imediato dessas instalações na região. A declaração foi divulgada nesta quinta-feira (12) por meio de uma mensagem lida por um apresentador na televisão estatal iraniana, no primeiro pronunciamento público após sua escolha como sucessor de Ali Khamenei. 

Durante a mensagem transmitida pela emissora estatal, Mojtaba fez críticas diretas à presença militar norte-americana e indicou que o Irã pretende responder aos acontecimentos recentes no conflito regional. O líder iraniano também defendeu manter o fechamento do Estreito de Ormuz como forma de pressão estratégica contra adversários.

Na mensagem divulgada pela TV estatal, Mojtaba Khamenei afirmou: "Todas as bases americanas da região devem ser fechadas imediatamente. Essas bases serão atacadas". Em outro trecho do pronunciamento, declarou que "O Irã não se absterá de vingar o sangue de seus mártires", indicando que o país pretende reagir às mortes ocorridas no início da guerra.

O líder iraniano também destacou a importância do chamado eixo político-militar alinhado ao Irã no Oriente Médio. Em sua declaração, afirmou que "A Frente de Resistência é parte inseparável dos valores da Revolução Islâmica", reforçando a retórica tradicional do governo iraniano em defesa de aliados regionais.

Mojtaba Khamenei assumiu a liderança suprema após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no primeiro dia da atual guerra, em uma ação conjunta atribuída aos Estados Unidos e a Israel, segundo informações divulgadas pela agência Reuters.

No mesmo dia em que o pronunciamento foi transmitido, a Reuters revelou que Mojtaba teria ficado ferido no início do conflito. De acordo com uma autoridade israelense de alto escalão ouvida pela agência, o novo líder supremo teria sofrido ferimentos nas pernas durante os ataques iniciais e, por esse motivo, ainda não teria aparecido publicamente.

Após a divulgação dessas informações, o governo iraniano declarou que Mojtaba Khamenei está “são e salvo”. Nos últimos dias, alguns veículos da mídia estatal iraniana também fizeram referências indiretas ao episódio, descrevendo o líder como um “veterano de guerra ferido”.

Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou a mudança na liderança iraniana durante uma visita a uma fábrica no estado de Ohio, na quarta-feira (11). Em breve conversa com jornalistas, afirmou: “Derrubamos a liderança deles duas vezes. Agora há um novo grupo assumindo. Vamos ver o que acontece com eles”.

A declaração do líder iraniano ocorre em um momento de forte escalada das tensões na região e reforça o cenário de confronto direto entre Teerã e Washington, com impactos estratégicos potenciais em rotas energéticas globais e na segurança do Oriente Médio. - 247.


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Esfcex: Exército divulga concurso com 227 vagas para todo o Brasil; confira editais e detalhes

 

Há vagas para o Recife


            Por Isabelle Barbosa

A Escola de Saúde e Formação Complementar do Exército Brasileiro (esfcex) divulgou editais de concurso para ingresso em 2027.

Ao todo, estão sendo oferecidas 227 vagas de nível superior distribuídas entre oficiais do serviço de saúde, oficiais do quadro de capelães militares e quadro complementar.

Para o serviço de saúde, estão sendo ofertadas 109 vagas de âmbito nacional nas seguintes áreas:

Anestesiologia
Cancerologia/Oncologia
Cardiologia
Cirurgia de Cabeça e Pescoço
Cirurgia Geral
Cirurgia de Mão
Cirurgia Vascular
Clínica Médica
Endocrinologia
Endoscopia Digestiva
Geriatria
Ginecologia e Obstetrícia
Hematologia e Hemoterapia
Infectologia
Mastologia
Medicina da Família - Saúde da Família
Medicina Intensiva
Medicina Intensiva Pediátrica
Nefrologia
Neurologia
Oftalmologia
Ortopedia/Traumatologia
Ortopedia/Traumatologia (cirurgia de joelho)
Ortopedia/Traumatologia (cirurgia de ombro)
Otorrinolaringologia
Patologia
Pediatria
Pneumologia
Proctologia
Psiquiatria
Radiologia
Reumatologia
Urologia
Sem especialidade.

Já de âmbito regional, há 43 vagas em diferentes áreas e locais, incluindo quatro delas para o Recife:

Cancerologia/Oncologia
Cardiologia
Cardiologia Intervencionista
(Hemodinâmica)
Psiquiatria
Endoscopia Digestiva
Hematologia e Hemoterapia
Medicina Intensiva
Neonatologia
Neurocirurgia
Proctologia
Radiologia.

Há também 8 vagas para oficiais farmacêuticos nas seguintes especialidades:
Farmácia;
Farmácia Oncológica.

O edital prevê, ainda, 8 vagas para oficiais dentistas nas seguintes áreas:
Cirurgia e Traumatologia Buco-Máxilo-Facial
Implantodontia
Dentística Restauradora
Odontologia Hospitalar.

Confira edital para as vagas citadas acima:

Já para o quadro complementar de oficiais, são 57 vagas para as seguintes áreas:
Administração
Ciências Contábeis
Comunicação Social (Jornalismo)
Direito
Economia
Enfermagem
Estatística
Informática
Psicologia
Pedagogia
Veterinária
Magistério Biologia
Magistério Geografia
Magistério História
Magistério Inglês
Magistério Matemática
Magistério Português
Magistério Química
Magistério Física
Magistério Italiano

Para o quadro de capelães militares, estão sendo oferecidas duas vagas para o cargo de padre católico apostólico romano.

Confira edital para as vagas citadas acima:

Exigências
Podem participar candidatos de ambos os sexos, brasileiros, com idade máxima de 32 anos completos até 31 de dezembro de 2027. Para o quadro de capelães militares, possuir idade de, no mínimo 30 anos e no máximo 40 anos completados até a data do término do curso.

Inscrições
As inscrições começam no dia 27 de março e seguem até o dia 12 de junho, no site da esfcex.

A taxa de inscrição custa R$ 150. A isenção do valor pode ser solicitada até o dia 3 de abril.

As provas serão aplicadas em capitais de estados de todas as regiões do Brasil. No Nordeste, os locais são:

- Recife - Comando da 7ª Divisão de Exército;
- Salvador - Comando da 6ª Região Militar;
- Fortaleza - Comando da 10ª Região Militar.

Seleção
A primeira etapa da seleção ocorrerá por meio de prova objetiva com 50 questões divididas entre conteúdos de conhecimentos gerais em língua portuguesa, história e geografia do Brasil, e também sobre assuntos específicos na área pretendida.

A avaliação está prevista para ser realizada no dia 12 de julho e será aplicada em várias capitais brasileiras.

O edital também prevê a realização de outras etapas, como inspeção de saúde, exame de aptidão física e avaliação psicológica, que devem ocorrer entre setembro e novembro deste ano.

A matrícula final deve ocorrer em 8 de março de 2027.

O edital não descreve valores para fins de remuneração e nem demais benefícios.


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