segunda-feira, 19 de outubro de 2026

BENEFÍCIO Governo Lula antecipa pagamento do Bolsa Família para antes do segundo turno

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social, trata-se de medida preventiva para mitigar os efeitos do El Niño sobre as famílias classificadas como mais vulneráveis

                                                        
                                                                                                                                                                                                                                                                                            Cartão do Bolsa Família (Lyon Santos/ MDS)

Os governo Lula antecipou os pagamentos do Bolsa Família referentes ao mês de outubro para esta segunda-feira (19), quando recebem os beneficiários com NIS terminado em 1. De acordo com o calendário do governo federal, o benefício deveria ser pago após o segundo turno das eleições, entre a segunda-feira (26) e o dia 30.

Com o novo cronograma, na terça-feira (20), será a vez de quem tem NIS terminado em 2. De acordo com a Secretaria de Comunicação Social (Secom), os demais pagamentos do mês serão unificados a partir de quarta-feira (21) como medida preventiva para mitigar os efeitos do super El Niño sobre as famílias classificadas como mais vulneráveis.

Com isso, na quarta-feira ocorrem os pagamentos de beneficiários com NIS terminado em 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9 e 0.

Em nota, a pasta reforçou que o formato de pagamento unificado valerá também para os meses de novembro e dezembro, considerados períodos críticos do El Niño.

Dados do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome indicam que, nos meses de agosto e setembro de 2026, foram registrados 518 reconhecimentos federais de situação de emergência e estado de calamidade pública – mais que o dobro do registrado no mesmo período do ano passado (253).

A alta, segundo a Secom, foi causada, sobretudo, pelas tempestades no Sul: chuva, granizo, vendaval e inundações foram responsáveis por 272 reconhecimentos este ano, contra 81 em 2025. O aumento também foi percebido no semiárido, onde reconhecimentos por estiagem e seca saltaram de 172 para 239.

A unificação de pagamentos do Bolsa Família já ocorreu em outros momentos emergenciais, como nas enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024. À época, o pagamento foi unificado para 497 municípios gaúchos, que puderam acessar o benefício no primeiro dia do calendário.

“A unificação do calendário amplia a capacidade das famílias beneficiárias de se prepararem para os efeitos da seca, da escassez hídrica, das inundações e das interrupções no abastecimento”, avaliou a Secom no comunicado, citando a medida como “instrumento de proteção social adaptativa”. - 

Situação de emergência

Beneficiários que vivem em municípios que já estão em situação de emergência ou em estado de calamidade pública reconhecidos pelo governo federal vão receber o pagamento de forma unificada já nesta segunda-feira, primeiro dia do calendário.

Para receber o benefício, as famílias devem manter o Cadastro Único (CadÚnico) atualizado, atender aos critérios do programa e cumprir condicionalidades de saúde e de educação, como frequência escolar de crianças e adolescentes, vacinação em dia e acompanhamento pré-natal das gestantes. - 247.


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PEC do passe livre está pronta e será enviada ao Congresso na próxima semana, diz Camilo

Proposta do governo Lula prevê ônibus gratuitos aos fins de semana e feriados em todo o Brasil; custo anual é estimado em R$ 20 bilhões

Presidente Lula e Camilo SantanaCrédito: Ricardo Stuckert / PR

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê a gratuidade do transporte público por ônibus aos fins de semana e feriados em todo o Brasil já está concluída e deverá ser encaminhada ao Congresso Nacional na próxima semana. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (16) pelo coordenador da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Camilo Santana.

Camilo apresentou o cronograma da iniciativa durante uma conversa com jornalistas. Apesar da expectativa de envio nos próximos dias, o coordenador avalia que a proposta não deverá ser votada antes do segundo turno das eleições presidenciais.

A medida foi anunciada por Lula na quinta-feira (15), a dez dias da votação decisiva. O objetivo é assegurar tarifa zero nos ônibus aos sábados, domingos e feriados nacionais em todos os municípios brasileiros que contam com sistemas de transporte coletivo.

A iniciativa, entretanto, dependerá de mudanças na distribuição de recursos federais e de negociações com o Congresso para garantir seu financiamento. Uma das alternativas em discussão envolve a utilização de parte das emendas parlamentares previstas no Orçamento da União.

A proposta exigirá a definição de mecanismos de repasse de recursos para custear a operação dos sistemas de transporte nos dias contemplados pela gratuidade.

De acordo com Marcos Bicalho, diretor de gestão da NTU, a União também deverá assumir os custos relacionados aos benefícios já concedidos por administrações locais. Entre os exemplos mencionados estão Brasília e São Paulo, onde existem modalidades de gratuidade no transporte coletivo.

Governo avalia utilização de emendas parlamentares

O financiamento da medida é um dos principais pontos a serem negociados com o Legislativo. Conforme a reportagem, a implementação da proposta poderá exigir a redução da parcela de recursos orçamentários controlada diretamente pelos congressistas ou uma mudança na destinação das emendas parlamentares.

A alternativa mencionada por Camilo Santana prevê direcionar parte dessas verbas ao custeio da tarifa zero, permitindo que recursos atualmente distribuídos por meio de emendas sejam utilizados para financiar o transporte público.

A mudança dependerá de entendimentos políticos e de adequações nas regras orçamentárias. O volume de emendas parlamentares, que supera R$ 60 bilhões segundo Camilo, é apontado pelo coordenador como uma possível fonte de financiamento da iniciativa.

Além disso, a implementação da gratuidade terá consequências para o planejamento das contas públicas. A ampliação das despesas federais exigirá ajustes no Orçamento de 2027, especialmente diante da necessidade de assegurar recursos permanentes para a execução da política.

Tramitação deve ocorrer após o segundo turno

Embora o texto esteja pronto para ser apresentado ao Congresso, a expectativa manifestada por Camilo Santana é de que a votação não ocorra antes do segundo turno da eleição presidencial.

Por se tratar de uma proposta de emenda à Constituição, a iniciativa precisará cumprir um processo legislativo mais rigoroso do que o previsto para projetos de lei ordinários.

Uma PEC depende de aprovação em dois turnos na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, com o apoio de pelo menos três quintos dos integrantes de cada Casa. - 247


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Lula: “fora da democracia não tem saída. É ditadura”

Presidente celebra promulgação do fim da escala 6×1 e da aposentadoria especial para agentes de saúde no Congresso


Lula chega ao Senado Federal para participar da promulgação do fim da escala 6×1Crédito: Carolina Curi/Agência Senado


O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), realizou uma sessão solene nesta sexta-feira (16) para promulgar duas novas emendas à Constituição, incluindo a proposta que determina o fim da escala de trabalho 6×1, prevista na PEC 221/2019 e aprovada no Senado na quarta-feira (14).
Além da alteração na jornada de trabalho, a solenidade formalizou a promulgação da PEC 14/2021, medida que estabelece o direito à aposentadoria especial para os agentes comunitários de saúde de todo o país. O ato contou com a participação presencial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que acompanhou a cerimônia no Congresso Nacional ao lado de parlamentares e autoridades.

Durante o seu discurso na sessão solene, Lula relembrou sua atuação na Assembleia Nacional Constituinte e destacou o impacto do momento histórico para o país. “Tive o prazer de ser constituinte, de estar no dia 5 de outubro de 1988 no plenário da Câmara quando Ulysses Guimarães fez o discurso da promulgação da Constituição Cidadã. Quem estava naquele plenário tinha noção de que estávamos aprovando uma das constituições mais modernas que o mundo conheceu. Era a cabeça da sociedade brasileira naquele instante histórico”, afirmou.

O presidente da República também criticou o ceticismo recorrente de determinados setores em relação aos avanços sociais e às garantias trabalhistas conquistadas ao longo da história. “Logo quando aprovamos, os críticos de sempre já queriam mudar. A Constituição ia ‘atrapalhar o crescimento do Brasil’, ia ‘impedir o crescimento do Brasil’, ‘aumentar o custo Brasil’. É impressionante a capacidade de alguns de participarem do processo e no dia seguinte negarem o processo. Nossa Constituição teve detalhes porque a sociedade estava exigindo, e sou testemunha de que foi o momento histórico mais importante do Congresso e nunca a sociedade teve a participação que teve naquele plenário. Foi um momento de ouro neste país”, declarou.

Lula ressaltou que as emendas promulgadas representam uma evolução necessária para os trabalhadores brasileiros. “Depois disso houve mudanças para melhor e para pior. Hoje estamos dando um passo importante para melhor. Toda vez que a sociedade conquista alguma coisa, aparece uma turma de um segmento da sociedade que não concorda dizendo que não vai dar certo. Foi assim em todas as lutas. Não tem uma conquista do povo em que não aparece aqueles dizendo ‘isso vai ser um atraso’, ‘isso vai quebrar as empresas’, ‘isso vai quebrar a economia’, ‘isso não pode dar certo’. Isso é histórico, crônico, já faz parte da literatura política deste país”, avaliou.

Para exemplificar a resistência histórica contra direitos sociais, Lula resgatou os debates ocorridos durante a implementação de pautas como as férias remuneradas e o décimo terceiro salário. “Quando se discutiu as férias de 20 dias, a classe empresarial não queria férias de 20 dias. Porque ia fazer o trabalhador ter muito ócio e o ócio levaria à bebida. Que engraçado. Para o trabalhador, as férias levavam à bebida. E para os ricos levava a Paris. Ora, por que o trabalhador fica em casa? Porque ele não tem dinheiro para viajar. Ele vai encher uma laje na casa do amigo, vai cavar um poço, fazer encanamento, fazer a parte elétrica. O povo trabalhador vive se virando o tempo inteiro. Isso não nega o direito de descansar. E depois, para [férias de] 30 dias foi o mesmo discurso. Lembro da campanha do 13º salário, a mesma coisa: ‘vai afundar as empresas’. Não quebrou. Toda vez que os trabalhadores conseguem um benefício, ele vive um pouco mais, tem um pouco mais de prazer na vida”, apontou.

O chefe do Executivo relatou ainda um caso recente que vivenciou ao visitar uma família de trabalhadores do setor de comércio atacadista, reforçando a necessidade da mudança na rotina de trabalho no país. “Essa semana fui visitar um casal. Ela com 30 e ele com 28, com dois filhos. Trabalham num atacadista. Levantam às 4h30 para começar a trabalhar às 6h. Só têm um dia de descanso por semana, em dias separados. Ele ganha R$ 1.700 por mês e paga R$ 1.600 de aluguel. Aí sobra o salário dela, e tem conta de água, de luz, internet. Sobra R$ 1 mil para comer, passear e cuidar das crianças. É humanamente impossível as pessoas não perceberem que este cidadão não pode trabalhar seis dias por semana e ficar poucas horas em casa, sobretudo a mulher. O dia que ela tem de descanso é o dia que ela mais trabalha. Não é possível que as pessoas não tenham sensibilidade”, ponderou.

Ao final do discurso, Lula enfatizou a relevância do ambiente parlamentar e a importância do regime democrático para a solução de conflitos e para a construção do progresso social. “Acho que Deus está olhando esta Casa agora. A democracia é uma coisa complicada, é a convivência na adversidade. Você ouve desaforo, as pessoas te provocam, te xingam, te ofendem, mas você também tem o direito de ofender. Isso chama-se democracia. No final, você constrói aquilo que é possível construir, sem precisar fazer nenhuma guerra. Fora da democracia não tem saída. É ditadura”, concluiu. - 247.


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Meta admite restrições a contas de Lula e recomendação irregular de Flávio Bolsonaro

Funcionários da empresa reconheceram falhas que prejudicaram o alcance da campanha do presidente e favoreceram a exposição do candidato do PL; plataforma nega interferência eleitoral

LulaCrédito: Agência Senado | Divulgação

Documentos internos da Meta revelam que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou restrições no Instagram durante a disputa eleitoral de 2026, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu recomendações automáticas consideradas irregulares pelas próprias equipes da plataforma. As mensagens mostram que funcionários reconheceram os problemas, discutiram possíveis consequências jurídicas e cobraram providências dos engenheiros responsáveis pelos sistemas. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo, que obteve conversas internas de funcionários da companhia.

Os registros apontam que Lula ficou impedido de impulsionar determinadas publicações por quase 24 horas, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro apareceu em sugestões de busca no Instagram e seu canal de apoio foi exibido em resultados do WhatsApp, contrariando restrições estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Meta atribui os episódios a falhas técnicas e nega qualquer favorecimento político.

Um dos registros mais relevantes envolve uma mensagem do funcionário identificado como A. G., que reconheceu que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro. O empregado também demonstrou preocupação com a “alta chance” de uma ação judicial em decorrência do episódio.

A avaliação ocorreu após uma falha registrada em 9 de outubro, quando o perfil oficial do presidente perdeu temporariamente a possibilidade de pagar para ampliar o alcance de publicações já disponíveis no feed do Instagram.

A restrição não interrompeu completamente a publicidade da campanha. Anúncios anteriormente contratados continuaram circulando, e a equipe de Lula ainda conseguia promover conteúdos por meio dos chamados dark posts, publicações publicitárias que não aparecem diretamente no perfil do anunciante.

Entretanto, a impossibilidade de impulsionar postagens do feed comprometeu uma das principais estratégias de divulgação eleitoral na rede social. Essa modalidade permite ampliar a distribuição de conteúdos já publicados e contribui para o desempenho das campanhas nos mecanismos de entrega da plataforma.

Segundo cálculos da própria campanha petista, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios durante o período de restrição.

Funcionários cobraram solução urgente para problema na conta de Lula

As mensagens obtidas pela Folha mostram que o episódio provocou preocupação entre os funcionários da Meta encarregados de acompanhar as operações eleitorais brasileiras.

A explicação inicialmente apresentada foi a existência de um problema técnico no gerenciador de anúncios. Engenheiros da empresa nos Estados Unidos foram acionados, mas a solução demorou várias horas.

Nas conversas, integrantes da equipe brasileira demonstraram insatisfação com o tempo de resposta e avaliaram que os responsáveis pela engenharia talvez não tivessem compreendido a urgência da situação, especialmente por envolver a conta publicitária do presidente da República durante uma campanha eleitoral.

Os funcionários relataram ter solicitado a classificação da ocorrência como SEV2, categoria utilizada para identificar problemas graves que exigem atendimento prioritário.

A preocupação também envolvia a repercussão política da falha. A funcionária identificada como M. A. afirmou que, mesmo depois de resolvido o problema, seria necessário definir como explicar o ocorrido aos integrantes da campanha de Lula.

Outro funcionário, identificado como M. V., informou que deputados envolvidos na campanha presidencial já estavam cobrando esclarecimentos sobre as restrições.

Inicialmente, a empresa relacionou a dificuldade a uma interrupção global de dados que havia afetado mais de 3 mil contas em 7 de outubro. O problema prejudicou, entre outras funcionalidades, a visualização das métricas de determinadas publicações.

Os registros, contudo, apontam diferenças entre os episódios. A falha global ocorreu no dia 7 e durou aproximadamente cinco horas, enquanto a restrição enfrentada pela campanha de Lula aconteceu no dia 9 e persistiu por quase 24 horas.

A campanha de Flávio Bolsonaro também teria sido atingida pelo problema global, com dificuldades para realizar um impulsionamento em 7 de outubro. Diante da situação, a equipe do candidato do PL teria desistido daquela operação e adotado outras formas de divulgação.

Perfil de Flávio apareceu em recomendações proibidas pelo TSE

Outro conjunto de mensagens internas revela problemas relacionados às recomendações automáticas de candidatos nas plataformas da Meta.

As regras eleitorais estabelecidas pelo TSE proíbem que perfis e canais de candidatos sejam promovidos por mecanismos de recomendação algorítmica. A finalidade é impedir que as plataformas favoreçam determinadas candidaturas por meio de seus sistemas de distribuição de conteúdo.

Apesar dessa proibição, funcionários da Meta identificaram que o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia nas sugestões de busca do Instagram no início de outubro, enquanto contas de outros candidatos não recebiam o mesmo tratamento.

As conversas mostram que os próprios empregados reconheceram a irregularidade. O perfil de Flávio não deveria ser recomendado automaticamente, mas estava sendo exibido aos usuários.

Ao mesmo tempo, a conta de Lula apresentava um problema inverso: não aparecia corretamente nem mesmo quando os usuários pesquisavam seu nome exato, situação em que a exibição deveria ser permitida.

A justificativa técnica apresentada internamente foi que o nome de Lula era excessivamente longo para o funcionamento adequado do sistema de busca. Os funcionários afirmaram que a falha havia sido corrigida, embora ainda existissem diferenças nos resultados apresentados para pesquisas relacionadas aos dois candidatos.

A recomendação indevida do perfil de Flávio foi reconhecida nas conversas como uma falha da plataforma.

Canal de apoio a Flávio também foi exibido em buscas no WhatsApp

Os problemas de recomendação não ficaram restritos ao Instagram. Registros internos apontam que o WhatsApp também apresentou resultados incompatíveis com as limitações eleitorais impostas pelo TSE.

Ao pesquisar pelo termo “Exército do Lula”, usuários recebiam resultados que incluíam o Canal do Lula, o canal “Tropa do Flávio”, de apoio ao candidato do PL, e o Partido dos Trabalhadores.

Pelas regras aplicáveis às plataformas, canais eleitorais não podem ser sugeridos automaticamente aos usuários. Sua localização nas buscas deve depender da inserção do nome exato.

O canal “Exército do Lula” é administrado pelo deputado federal André Janones. Nesta semana, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou sua retirada do ar, mas o canal posteriormente voltou a funcionar.

A decisão judicial também foi discutida por funcionários da Meta. Em uma das mensagens, M. V. relatou ter recebido reclamações de políticos de esquerda sobre a determinação.

O empregado, entretanto, afirmou enxergar “o copo meio cheio” na situação. Segundo sua avaliação, caso a mesma medida tivesse atingido o candidato Renan Santos, a reação poderia ter sido mais intensa, com um protesto diante do escritório da empresa.

Registros também apontam problemas enfrentados pela campanha de Flávio

As conversas internas indicam que as falhas nos sistemas da Meta não atingiram exclusivamente a campanha petista.

Em 23 de setembro, contas publicitárias de Lula e Flávio Bolsonaro ficaram temporariamente impedidas de publicar anúncios por aproximadamente uma hora. O bloqueio foi provocado por uma identificação equivocada de “atividade suspeita”.

Outro episódio envolvendo o candidato do PL ocorreu em 1º de outubro, quando diversos anúncios de sua campanha foram rejeitados após os sistemas da plataforma detectarem possível utilização de inteligência artificial.

Naquele período, o uso da tecnologia estava submetido a restrições estabelecidas pelo TSE. A campanha de Flávio, entretanto, contestou a identificação e afirmou que não havia utilizado inteligência artificial nos conteúdos.

Os registros mostram ainda que funcionários da Meta demonstravam preocupação com o avanço de suspeitas de interferência da empresa na eleição brasileira.

Nas conversas, integrantes da equipe avaliaram que seria importante apresentar também os episódios que afetaram Flávio Bolsonaro, diante da percepção de que ganhava força uma narrativa de possível favorecimento eleitoral.

Apesar do reconhecimento de erros e restrições, as mensagens obtidas pela Folha não apresentam admissão de interferência deliberada da Meta no processo eleitoral. As discussões se concentram principalmente na gravidade das falhas, nas diferenças de funcionamento dos sistemas e na demora para solucionar os problemas.

Meta nega favorecimento e atribui episódios a falhas técnicas

Procurada pela reportagem, a Meta rejeitou as suspeitas de que seus sistemas tenham sido utilizados para beneficiar qualquer candidatura.

Em manifestação encaminhada à Folha, a companhia afirmou que “as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer uma candidatura são falsas e não encontram respaldo nos fatos.”

A empresa sustentou que os problemas identificados tiveram origens diferentes, envolvendo interrupções técnicas de alcance internacional, erros específicos de funcionamento e mecanismos de aplicação das normas eleitorais brasileiras.

Segundo a Meta, “os episódios citados pela reportagem tiveram causas distintas: falhas técnicas globais, um erro específico prontamente corrigido e a aplicação de normas eleitorais brasileiras que valem igualmente para todas as candidaturas.”

A companhia também afirmou que parte das ocorrências não se limitou ao Brasil e atingiu anunciantes de outros países.

“Alguns desses episódios tiveram alcance amplo e afetaram diferentes contas e anunciantes em diferentes países. Não damos tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política, e nossos sistemas não são projetados ou operados para fazê-lo”, declarou a empresa.

Campanha de Flávio contesta informações sobre bloqueios

A campanha de Flávio Bolsonaro também foi procurada para comentar os registros internos referentes ao bloqueio de anúncios em setembro e à rejeição de publicações em outubro.

Em resposta, a equipe do candidato negou que os episódios tenham provocado dificuldades em seus perfis e canais oficiais.

“As informações apresentadas pela reportagem não procedem. A campanha cumpre todas as regras da plataforma e do TSE e, por isso, não registrou nenhum problema com a conta de anúncio do candidato, que segue operando de maneira adequada e sem interrupção.”

Questionada sobre a atuação da Meta no processo eleitoral brasileiro, a campanha afirmou reconhecer que as plataformas estão submetidas à regulamentação nacional e que essas exigências podem influenciar os resultados de divulgação dos candidatos.

“A campanha entende que a plataforma está sujeita às regras da eleição brasileira e que, em função disso, o alcance e outras métricas do candidato podem ser afetados, o que tem sido compensado com estudos mais profundos e com o altíssimo rigor técnico da equipe.”

Restrições ampliam debate sobre o papel das plataformas nas eleições

Os episódios ocorreram em um cenário no qual a Meta ocupa posição central no mercado brasileiro de publicidade política digital.

O Google deixou de comercializar anúncios eleitorais no país em 2024, enquanto o Kwai mantém uma oferta limitada desse tipo de publicidade. Com isso, Instagram e Facebook passaram a concentrar uma parcela relevante das possibilidades de impulsionamento pago disponíveis às campanhas.

A importância desses serviços aumentou diante das regras do TSE que impedem a recomendação algorítmica de perfis eleitorais. Nesse ambiente, a contratação de anúncios se tornou um dos principais instrumentos para ampliar o alcance de conteúdos políticos nas redes sociais.

As mensagens internas obtidas pela Folha evidenciam que erros técnicos podem produzir efeitos distintos sobre candidaturas, mesmo quando não há comprovação de interferência intencional.

No caso de Lula, a impossibilidade de impulsionar publicações por quase um dia teve impacto estimado pela própria campanha em mais de um milhão de visualizações potenciais perdidas. Já as recomendações indevidas relacionadas a Flávio Bolsonaro expuseram inconsistências nos mecanismos que deveriam assegurar o cumprimento das determinações eleitorais.

A documentação também revela dificuldades de coordenação entre as equipes responsáveis pelo atendimento político no Brasil e os engenheiros encarregados de corrigir falhas nos sistemas da empresa.

Embora a Meta sustente que aplica as mesmas regras a todos os candidatos, os registros mostram que o funcionamento de suas ferramentas e a velocidade de resposta a problemas técnicos se tornaram questões relevantes para a disputa eleitoral de 2026. - 247.


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Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa que ofereceu IA para manipular eleições, diz Intercept

Documentos revelam oferta de tecnologia para disseminar desinformação e desacreditar adversários políticos; campanha nega irregularidades

                      

Flávio BolsonaroCrédito: Carlos Moura/Agência Senado


A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou comercializar nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial desenvolvido para operações clandestinas de influência política. A ferramenta permitiria identificar grupos de eleitores, disseminar informações falsas, criar perfis fictícios nas redes sociais e executar estratégias para atingir adversários.

As informações foram reveladas nesta sexta-feira (16) pelo site The Intercept Brasil, que obteve documentos sobre a tecnologia e ouviu Vincent Edward Reed, empresário estadunidense que atuou como consultor da companhia entre 2024 e 2025. Segundo a investigação, o sistema foi apresentado a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unido em 2024, mas não há confirmação de contratação. A reportagem também observa que não existem evidências de que Flávio Bolsonaro ou o PL tenham utilizado a ferramenta nas eleições brasileiras de 2026.

Pagamentos à Elytron constam da Justiça Eleitoral

Os registros disponíveis no DivulgaCand, sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral, mostram três notas fiscais emitidas pela Elytron para a campanha de Flávio Bolsonaro. Duas delas, datadas de 16 de setembro, apresentam valores de R$ 500 mil cada, mas uma foi cancelada. A terceira, de 2 de outubro, corresponde a R$ 100 mil.

Os documentos descrevem os serviços como “consultoria em tecnologia da informação”, incluindo apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.

Embora os pagamentos identificados totalizem R$ 600 mil, a prestação de contas parcial apresentada pela campanha no fim de setembro registrou uma despesa de R$ 1 milhão com a companhia.

O PL também declarou ter desembolsado R$ 131,9 mil para a Elytron em 20 de julho, sob a descrição de “serviços técnico-profissionais”. Considerando os pagamentos informados no DivulgaCand, a campanha e o partido registraram, juntos, R$ 731,9 mil destinados à empresa.

Tecnologia previa operações psicológicas e desinformação

A documentação obtida pelo Intercept descreve um sistema capaz de cruzar grandes volumes de informações sociais, políticas e econômicas para identificar públicos específicos e direcionar campanhas digitais.

A apresentação comercial menciona a criação de contas falsas, a produção de conteúdos com inteligência artificial, a disseminação coordenada de rumores e a infiltração em comunidades virtuais. Entre as estratégias oferecidas estão “técnicas de guerra psicológica e métodos de infiltração”, destinadas a influenciar percepções e desacreditar oponentes.

O material também apresenta um modelo operacional que parte da definição de objetivos políticos, identifica os grupos que serão atingidos e estabelece mecanismos de distribuição de mensagens em redes sociais, blogs e veículos de comunicação.

Uma das possibilidades descritas envolve a utilização de informações demográficas e comportamentais para introduzir determinadas opiniões em grupos segmentados e ampliar sua circulação.

Segundo Reed, a ferramenta foi inicialmente apresentada como um sistema convencional de análise de dados. Sua avaliação mudou quando conheceu as funcionalidades disponíveis.

“Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA”, afirmou ao Intercept.

O ex-consultor também relatou que a expressão manipulação foi utilizada durante a apresentação.

“O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, declarou.

Reed afirmou ter rompido sua relação profissional com o grupo por considerar que o sistema apresentava riscos éticos e legais. Posteriormente, levou suas preocupações ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, mas as apurações não avançaram.

Especialista aponta características de operação de influência

O Intercept submeteu a documentação à análise de Beatriz Farrugia, pesquisadora da agência Lupa e especialista em desinformação e interferência estrangeira da organização Debunk, sediada na Lituânia.

Ao examinar o fluxograma que detalha as atividades previstas, Farrugia afirmou que o material correspondia a uma estrutura organizada de influência política.

“Essa tela [do plano, foto acima] é exatamente a definição de A a Z de operação de influência”, declarou.

A diferença em relação às ferramentas convencionais de marketing digital está na utilização de métodos enganosos, como identidades fictícias, distribuição artificial de conteúdos e campanhas coordenadas de desinformação.

Embora o monitoramento de redes sociais e a análise de tendências sejam práticas comuns, operações destinadas a manipular clandestinamente o comportamento dos eleitores podem violar a legislação eleitoral e as regras das plataformas digitais.

Campanha de Flávio Bolsonaro e empresa negam irregularidades

Procurada pelo Intercept, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que “não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral”.

A assessoria classificou como grave e com “claro viés político eleitoreiro” a tentativa de associar a contratação de serviços de proteção cibernética às práticas descritas na investigação. Segundo a campanha, os contratos seguiram procedimentos regulares e tiveram como finalidade proteger os sistemas de comunicação contra ataques digitais.

A Elytron também rejeitou as acusações. Em resposta enviada após a publicação inicial da reportagem, declarou que “repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”.

A companhia sustentou que atua exclusivamente com serviços defensivos de segurança da informação e negou oferecer ou executar atividades de manipulação política para qualquer cliente.

Também afirmou não ter prestado serviços à campanha de Trump nem autorizado apresentações comerciais destinadas à oferta de operações de influência eleitoral. A empresa informou que apurará eventuais responsabilidades pelo uso indevido de seu nome.

Investigação identifica conexões internacionais

Fundada em 2018 por João Lucas Melo Brasio e Felipe Garofalo, a Elytron mantém atividades no setor de segurança da informação e possui relações comerciais no Brasil e no exterior.

A investigação identificou conexões entre executivos e parceiros comerciais da companhia e pessoas próximas ao empresário e influenciador Pablo Marçal, que passou a integrar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no fim de setembro.

Entre os nomes citados estão Jorge Remígio, Ludgero de Sousa e Eric Leandri, ligados a negócios de tecnologia e inteligência artificial em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos.

Reed relatou que manteve contato com esses executivos durante sua atuação como consultor de empresas associadas à Elytron e à Aleria, companhia de tecnologia dos Emirados Árabes Unidos.

Segundo ele, integrantes do grupo se apresentavam como parceiros ou associados a estruturas empresariais relacionadas ao xeque Tahnoon bin Zayed al-Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos e figura influente no mercado internacional de inteligência artificial.

A reportagem também menciona o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, aliado da família Bolsonaro e sócio de Ludgero de Sousa e Eric Leandri na Lerco Consulting. Gracie confirmou a sociedade, mas negou qualquer vínculo com a Elytron ou a Aleria.

Remígio e Sousa reconheceram os contatos com Reed, mas negaram a realização de reuniões com representantes da campanha de Trump e contestaram a existência de serviços de manipulação política.

Em manifestação posterior, a Elytron brasileira informou que ambos atuam como parceiros comerciais independentes, responsáveis pela prospecção de negócios mediante comissões.

A companhia também confirmou possuir uma pessoa jurídica em Portugal, destinada à organização societária e tributária de possíveis operações no mercado europeu, mas ressaltou que ela não constitui uma filial da empresa brasileira.

Nota da Elytron: empresa nega ligação com deepfakes e manipulação eleitoral

“A Elytron repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública. A empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro.

A empresa não foi contratada pela campanha de Donald Trump, não prestou serviços a ela ou a intermediários a ela vinculados e não autorizou a realização de apresentações comerciais em seu nome para oferecer operações de influência política. Caso seja confirmado que parceiros comerciais ofereceram serviços irregulares em nome da Elytron, sem sua autorização, a empresa adotará as medidas contratuais e judiciais cabíveis para responsabilizar os envolvidos e resguardar sua reputação.

Importante reforçar que Vincent Reed jamais teve qualquer relação com a Elytron Do Brasil, que desconhecia sua atuação.” - 247.


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BENEFÍCIO Governo Lula antecipa pagamento do Bolsa Família para antes do segundo turno

De acordo com a Secretaria de Comunicação Social, trata-se de medida preventiva para mitigar os efeitos do El Niño sobre as famílias classif...