Presidente questiona atuação do senador na defesa de policial acusado de matar criança de 5 anos e relembra homenagem ao miliciano Adriano da Nóbrega durante debate sobre segurança pública
O embate ocorreu durante uma discussão sobre segurança pública, iniciada por Flávio Bolsonaro, que escolheu o tema “Retomada de Territórios”. O senador questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos e acusou o governo de favorecer criminosos. “Por que não coloca o interesse das vítimas à frente do interesse dos bandidos?”, perguntou.
Em resposta, Lula mencionou o assassinato de Ana Clara, atingida por um disparo de fuzil em frente de casa, segundo o relato apresentado no debate. O presidente questionou a atuação de Flávio como advogado do policial militar acusado de envolvimento na morte da criança, levando o caso para o centro do confronto.
A mãe da menina, presente na plateia e sentada ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, levantou-se quando o caso foi mencionado pelo presidente.
Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro incluiu as milícias em sua proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas. No debate ele afirmou nunca ter sido investigado por ligações com milícias, mas não faz referência ao fato de ter condecorado o miliciano Adriano da Nóbrega, empregado seus parentes e o fato de ter defendido as milícias em discursos quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro.
Flávio Bolsonaro confunde nome da mãe com o da filha morta
Ao responder às críticas, Flávio Bolsonaro procurou manifestar solidariedade à família, mas acabou chamando a mãe da menina pelo nome da filha morta, Ana Clara. O senador também contestou a responsabilidade do policial cuja defesa havia assumido. “Tenho a confiança de que não foi esse policial que deu esse tiro”, afirmou Flávio.
A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, reagiu chamando Flávio Bolsonaro de “mentiroso” em voz alta. “Ele não tem empatia nenhuma. É um monstro. Tanto quanto o assassino”, disse Cristiane durante o intervalo do debate.
Lula relembra homenagem a Adriano da Nóbrega
Na sequência, Lula voltou a questionar as relações políticas de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. “Todo mundo sabe a relação dele com muita coisa ruim no Rio de Janeiro”, declarou o presidente.
O petista mencionou a homenagem concedida por Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado em investigações como integrante de organização miliciana.
Adriano recebeu uma homenagem na Alerj por iniciativa de Flávio Bolsonaro, quando o atual senador exercia mandato de deputado estadual. Ao citar o episódio, Lula procurou contestar o discurso de enfrentamento ao crime organizado apresentado pelo adversário.
O presidente também acusou Flávio Bolsonaro de fazer apenas “bravatas” ao abordar a segurança pública e associou suas críticas às relações políticas do bolsonarismo no estado do Rio de Janeiro.
Endurecimento penal e trabalho de presos
Durante sua intervenção, Flávio Bolsonaro atribuiu a violência à atuação de grupos que classificou como “narcoterroristas” e acusou o governo Lula de protegê-los. O candidato do PL defendeu medidas mais rigorosas de combate à criminalidade, incluindo a ampliação do trabalho de pessoas privadas de liberdade.
O senador também afirmou ser favorável à castração química de condenados por crimes sexuais, mencionando estupradores e pedófilos.
“Por que você defende ladrão de celular?”, questionou Flávio, ao criticar a política de segurança pública do governo federal.
As declarações fizeram parte da defesa de uma política de maior rigor penal, apresentada pelo candidato como resposta ao avanço das organizações criminosas e à violência urbana.
Lula defende Ministério da Segurança Pública e fortalecimento da PF
Ao retomar a palavra, Lula defendeu o fortalecimento das instituições federais de segurança e voltou a criticar a atuação de grupos milicianos no Rio de Janeiro.
“Vou fortalecer a Polícia Federal e acabar com a quantidade de milicianos no Rio de Janeiro, a quem vocês se associaram”, afirmou o presidente, dirigindo a acusação ao adversário.
Lula também defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública, proposta que relacionou à aprovação da PEC da Segurança Pública, destinada a reorganizar e fortalecer a articulação entre os diferentes níveis de governo no enfrentamento à criminalidade.
O presidente ainda acusou Flávio Bolsonaro de querer entregar o território brasileiro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, introduzindo no debate uma crítica relacionada à soberania nacional.
Segurança pública marca confronto na reta final da campanha
A discussão colocou em evidência divergências entre os candidatos sobre o enfrentamento ao crime organizado, a política penitenciária e a atuação das forças de segurança.
Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das medidas penais, o trabalho de presos e ações de retomada de territórios controlados por organizações criminosas.
Lula concentrou sua resposta na atuação do adversário em episódios envolvendo policiais e milicianos no Rio de Janeiro, além de defender o fortalecimento da Polícia Federal e a criação de uma estrutura ministerial específica para a segurança pública.
O confronto ocorre a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). - 247.
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