sábado, 24 de outubro de 2026

Lula confronta Flávio Bolsonaro sobre morte de menina Ana Clara e ligação do senador com miliciano

Presidente questiona atuação do senador na defesa de policial acusado de matar criança de 5 anos e relembra homenagem ao miliciano Adriano da Nóbrega durante debate sobre segurança pública

LulaCrédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confrontou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de matar a menina Ana Clara, no Rio de Janeiro, durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23). O petista questionou por que o adversário havia assumido a defesa do agente envolvido no caso e também relembrou a homenagem concedida pelo senador ao miliciano Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O embate ocorreu durante uma discussão sobre segurança pública, iniciada por Flávio Bolsonaro, que escolheu o tema “Retomada de Territórios”. O senador questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos e acusou o governo de favorecer criminosos. “Por que não coloca o interesse das vítimas à frente do interesse dos bandidos?”, perguntou.

Em resposta, Lula mencionou o assassinato de Ana Clara, atingida por um disparo de fuzil em frente de casa, segundo o relato apresentado no debate. O presidente questionou a atuação de Flávio como advogado do policial militar acusado de envolvimento na morte da criança, levando o caso para o centro do confronto.

A mãe da menina, presente na plateia e sentada ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, levantou-se quando o caso foi mencionado pelo presidente.

Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro incluiu as milícias em sua proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas. No debate ele afirmou nunca ter sido investigado por ligações com milícias, mas não faz referência ao fato de ter condecorado o miliciano Adriano da Nóbrega, empregado seus parentes e o fato de ter defendido as milícias em discursos quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro. 

Flávio Bolsonaro confunde nome da mãe com o da filha morta

Ao responder às críticas, Flávio Bolsonaro procurou manifestar solidariedade à família, mas acabou chamando a mãe da menina pelo nome da filha morta, Ana Clara. O senador também contestou a responsabilidade do policial cuja defesa havia assumido. “Tenho a confiança de que não foi esse policial que deu esse tiro”, afirmou Flávio.

A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, reagiu chamando Flávio Bolsonaro de “mentiroso” em voz alta. “Ele não tem empatia nenhuma. É um monstro. Tanto quanto o assassino”, disse Cristiane durante o intervalo do debate.

Lula relembra homenagem a Adriano da Nóbrega

Na sequência, Lula voltou a questionar as relações políticas de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. “Todo mundo sabe a relação dele com muita coisa ruim no Rio de Janeiro”, declarou o presidente.

O petista mencionou a homenagem concedida por Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado em investigações como integrante de organização miliciana.

Adriano recebeu uma homenagem na Alerj por iniciativa de Flávio Bolsonaro, quando o atual senador exercia mandato de deputado estadual. Ao citar o episódio, Lula procurou contestar o discurso de enfrentamento ao crime organizado apresentado pelo adversário.

O presidente também acusou Flávio Bolsonaro de fazer apenas “bravatas” ao abordar a segurança pública e associou suas críticas às relações políticas do bolsonarismo no estado do Rio de Janeiro.

Endurecimento penal e trabalho de presos

Durante sua intervenção, Flávio Bolsonaro atribuiu a violência à atuação de grupos que classificou como “narcoterroristas” e acusou o governo Lula de protegê-los. O candidato do PL defendeu medidas mais rigorosas de combate à criminalidade, incluindo a ampliação do trabalho de pessoas privadas de liberdade.

O senador também afirmou ser favorável à castração química de condenados por crimes sexuais, mencionando estupradores e pedófilos.

“Por que você defende ladrão de celular?”, questionou Flávio, ao criticar a política de segurança pública do governo federal.

As declarações fizeram parte da defesa de uma política de maior rigor penal, apresentada pelo candidato como resposta ao avanço das organizações criminosas e à violência urbana.

Lula defende Ministério da Segurança Pública e fortalecimento da PF

Ao retomar a palavra, Lula defendeu o fortalecimento das instituições federais de segurança e voltou a criticar a atuação de grupos milicianos no Rio de Janeiro.

“Vou fortalecer a Polícia Federal e acabar com a quantidade de milicianos no Rio de Janeiro, a quem vocês se associaram”, afirmou o presidente, dirigindo a acusação ao adversário.

Lula também defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública, proposta que relacionou à aprovação da PEC da Segurança Pública, destinada a reorganizar e fortalecer a articulação entre os diferentes níveis de governo no enfrentamento à criminalidade.

O presidente ainda acusou Flávio Bolsonaro de querer entregar o território brasileiro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, introduzindo no debate uma crítica relacionada à soberania nacional.

Segurança pública marca confronto na reta final da campanha

A discussão colocou em evidência divergências entre os candidatos sobre o enfrentamento ao crime organizado, a política penitenciária e a atuação das forças de segurança.

Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das medidas penais, o trabalho de presos e ações de retomada de territórios controlados por organizações criminosas.

Lula concentrou sua resposta na atuação do adversário em episódios envolvendo policiais e milicianos no Rio de Janeiro, além de defender o fortalecimento da Polícia Federal e a criação de uma estrutura ministerial específica para a segurança pública.

O confronto ocorre a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). - 247.


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Ataque de Flávio Bolsonaro aos nove dedos de Lula causa rejeição entre indecisos

Eleitores que acompanharam o debate da Globo também criticaram comentários sobre a pandemia; análise aponta diferenças na avaliação dos candidatos

Flávio BolsonaroCrédito: Reprodução/Globo

A referência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos nove dedos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou reações negativas entre eleitores indecisos que acompanharam o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23). O comentário sobre os “nove dedos” do petista gerou incômodo nos grupos observados por pesquisadores, enquanto a avaliação do confronto apontou diferenças entre o desempenho dos candidatos na apresentação e no conteúdo das respostas.

Segundo informações do Metrópoles, a reação ocorreu durante uma pesquisa qualitativa realizada com dez grupos de eleitores que assistiram ao confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. O coordenador do levantamento avaliou que o senador apresentou melhor desempenho na forma de suas intervenções, enquanto o presidente teve uma atuação mais consistente em relação ao conteúdo discutido.

Comentário capacitista provoca reação dos participantes

O episódio que mais chamou a atenção dos eleitores envolveu uma referência de Flávio Bolsonaro à deficiência física de Lula. O senador fez uma provocação sobre os nove dedos do presidente, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

A declaração provocou desconforto entre os participantes da pesquisa. Segundo a avaliação relatada pelo Metrópoles, o comentário teve repercussão negativa entre os indecisos que acompanhavam o debate.

O presidente Lula retomou o episódio no início do segundo bloco e cobrou uma retratação do adversário. Diante da cobrança, Flávio Bolsonaro apresentou um pedido de desculpas durante a transmissão.

A reação dos grupos indica que a referência à deficiência física do presidente se tornou um dos pontos de maior rejeição entre os participantes, independentemente das avaliações sobre o desempenho dos candidatos nos demais temas.

Declaração sobre a pandemia também gera críticas

Outro momento que provocou reações negativas entre os eleitores indecisos envolveu uma discussão sobre a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

O senador Flávio Bolsonaro relativizou um episódio registrado em vídeo no qual seu pai ironizou pessoas que enfrentavam dificuldades para respirar durante a crise sanitária.

De acordo com o levantamento acompanhado pelo Metrópoles, participantes consideraram inaceitável a postura do candidato ao abordar o episódio.

As reações ocorreram em meio ao confronto entre Lula e Flávio sobre temas relacionados à atuação do poder público e à responsabilidade de dirigentes políticos.

Eleitores também comentam desempenho de Lula

Os participantes da pesquisa avaliaram diferentes aspectos da atuação do presidente durante o debate. Alguns consideraram que Lula demonstrava cansaço em determinados momentos, o que teria contribuído para dificuldades na organização de suas respostas.

Segundo o relato do Metrópoles, parte dos eleitores chegou a questionar se havia ocorrido algum problema com o presidente, diante da percepção sobre seu desempenho.

A avaliação do coordenador da pesquisa qualitativa, por sua vez, distinguiu a capacidade de apresentação dos candidatos do conteúdo de suas intervenções.

Nesse aspecto, Flávio Bolsonaro recebeu uma avaliação mais favorável em relação à forma, enquanto Lula apresentou, segundo o pesquisador, melhor desempenho no conteúdo.

Pesquisa acompanha dez grupos em cinco capitais

O levantamento reúne dez grupos de eleitores indecisos, divididos igualmente entre homens e mulheres, com idades entre 25 e 60 anos e pertencentes às classes C e D.

Os pesquisadores acompanham participantes de Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

Um instituto de pesquisa sediado em São Paulo recrutou os eleitores para acompanhar o debate. O Metrópoles monitora as discussões à distância, observando as reações às declarações dos dois presidenciáveis.

A metodologia qualitativa permite identificar percepções, argumentos e reações dos participantes, mas não oferece uma medida estatisticamente representativa das opiniões de todos os eleitores indecisos do país.

O debate acontece a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). As manifestações registradas nos grupos mostram que, além das propostas e do desempenho dos candidatos, a maneira como eles abordam questões pessoais e episódios da pandemia também influencia a avaliação dos participantes sobre o confronto.- 247.


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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Madonna pede voto em Lula: “pela democracia”

Estrela internacional compartilha mensagem que defende a democracia, a preservação da Amazônia e o combate à fome no país

MadonnaCrédito: Jeenah Moon/Reuters | Reprodução/Instagram/@madonna


A cantora norte-americana Madonna compartilhou, nesta sexta-feira (23), em seu perfil na rede social Instagram, uma publicação em apoio à reeleição do presidente Lula (PT). O apoio ocorre na reta final da disputa do segundo turno do pleito presidencial.

A artista compartilhou uma postagem criada pelo fotógrafo brasileiro Rafael Pavarotti. A imagem traz um texto em inglês acompanhado pela canção “Aquarela do Brasil”, interpretada por Gal Costa.

O texto replicado pela cantora lista os motivos de apoio e conclui com uma mensagem direta aos eleitores: “Pela democracia. Pelos povos indígenas. Pela Amazônia. Pela educação e ciência. Pela cultura. Pela liberdade de ser quem somos. Por um Brasil sem fome, com dignidade para todos. Pela vida e pelo nosso futuro. VOTE LULA. VOTE 13”. - 247.


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Lula já aparece numericamente à frente de Flávio Bolsonaro em nova pesquisa

 Lula tem 50,6% dos votos válidos e Flávio, 49,4%, aponta Vox

LulaCrédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registra 50,6% dos votos válidos na disputa pela Presidência, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) alcança 49,4%, segundo pesquisa Vox Brasil noticiada pelo Metrópoles. A diferença de 1,2 ponto percentual representa vantagem numérica do petista, mas configura empate técnico na margem de erro de 2,15 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O levantamento ouviu 2.100 eleitores entre 20 e 22 de outubro e tem nível de confiança de 95%. Os resultados retratam as intenções de voto na reta final da campanha para o segundo turno, marcado para domingo, 25 de outubro.

Na pesquisa estimulada, em que os entrevistados recebem os nomes dos candidatos, Lula soma 45,4% das intenções de voto no conjunto da amostra. Flávio aparece com 44,3%, uma distância de 1,1 ponto percentual. As respostas nenhum, branco ou nulo representam 6%, enquanto 4,3% não sabem ou não opinaram.

O cálculo dos votos válidos considera apenas os entrevistados que escolheram um dos concorrentes. Assim, exclui brancos, nulos e respostas sem definição de candidato, recalculando a participação de cada postulante sobre o total restante. É nesse recorte que os percentuais chegam a 50,6% para Lula e 49,4% para Flávio.

A pesquisa também mediu a rejeição aos dois candidatos. De acordo com os dados publicados pelo Poder360, 47,1% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Flávio Bolsonaro. Lula foi citado por 44,8%. Outros 3,9% rejeitam ambos, enquanto 2,2% não rejeitam nenhum dos concorrentes. Os que não souberam responder ou não opinaram somam 2%.

Na avaliação do governo federal, o levantamento registra 46,9% de aprovação e 48,1% de desaprovação. Outros 5% não souberam responder, segundo os resultados divulgados pela CartaCapital.

A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-03259/2026. Conforme a ficha técnica reproduzida pelo Poder360, o estudo custou R$ 50 mil e foi financiado com recursos próprios do instituto. - 247.


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Filhos de FHC e Mario Covas aderem a pró-Lula em São Paulo

Geraldo Alckmin e lideranças históricas do PSDB reforçam frente ampla em apoio à reeleição do presidente

Mario Covas, Lula e Fernando Henrique CardosoCrédito: Agência Senado | Ricardo Stuckert | Divulgação | Brasil 247/DALL-E

Uma mobilização política em favor da reeleição do presidente Lula (PT) reuniu, na quinta-feira (22), herdeiros políticos de grandes nomes do PSDB, além do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) – ex-tucano -, no centro da capital paulista, informa o jornal O Globo.

O encontro, batizado de ato de frente ampla pela democracia, ocupou o espaço da Casa de Portugal, no bairro da Liberdade. Entre os discursos de destaque no palco esteve o da educadora Beatriz Cardoso, filha do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ela enfatizou a importância do avanço das políticas de inclusão social e ressaltou o peso do momento político: “eu estou aqui em nome de um legado de democracia. É sobre isso que se trata essa eleição”.

O ex-vereador Mario Covas Neto, filho do falecido governador Mario Covas, fez um apelo direto à base e aos militantes históricos do PSDB para que superem rivalidades do passado e declarem apoio a Lula.

“Houve um momento que a disputa entre PT e PSDB era intensa, e algumas pessoas têm dificuldade de superar isso. Nós vivemos um momento absolutamente diferente. Flávio é filho de alguém que tentou um golpe e não conseguiu. Você, eleitor do PSDB, filiado, pense bem”, disse Covas Neto.

A articulação política também atraiu nomes de legendas de centro e centro-direita, a exemplo do deputado federal Fausto Pinato (União Brasil) e de Alda Marco Antônio, que exerceu a vice-prefeitura de São Paulo durante a administração de Gilberto Kassab (PSD). A deputada federal Tabata Amaral (PSB) e outros parlamentares da base governista marcaram presença.

No campo cultural e acadêmico, o manifesto contou com o apoio de personalidades como a antropóloga Lilia Schwarcz, a escritora Beatriz Bracher e o ator Cássio Scarpin.

Alckmin cobra transparência sobre sigilos

Em conversa com jornalistas antes de subir ao palco, o vice-presidente Geraldo Alckmin abordou o debate sobre a abertura de sigilos financeiros envolvendo Lula e Flávio Bolsonaro, tema trazido à tona no debate da TV Bandeirantes. Alckmin criticou a postura do adversário e defendeu a transparência irrestrita para ocupantes de cargos públicos:

“[Flávio] está dando desculpa para não quebrar o sigilo. Aliás, eu queria fazer uma observação. Isso nem deveria existir, porque, a rigor, quem ocupa o cargo de presidente da República, sai candidato a presidente da República, tem o dever de não ter sigilo nenhum, nem bancário, nem fiscal, nem telefônico”, disse ele. - 247.


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Joice Hasselmann faz apelo dramático às mulheres do Brasil: “não se enganem mais com esta família”

Ex-deputada afirma que até hoje faz seu mea culpa por ter ajudado a normalizar o bolsonarismo entre as mulheres.

Joice Hasselmann, em entrevista à TV 247Crédito: Brasil 247


Em um dos momentos de maior carga emocional de sua entrevista à TV 247, a ex-deputada federal Joice Hasselmann dirigiu uma mensagem direta, urgente e pessoal ao eleitorado feminino brasileiro. Recordista histórica de votos para a Câmara dos Deputados em 2018, Joice fez um contundente mea-culpa pelo papel central que desempenhou na legitimação da candidatura de Jair Bolsonaro entre as mulheres, alertando para os riscos reais e cotidianos de confiar no projeto político capitaneado pelo clã.

O mea-culpa de quem abriu as portas do eleitorado feminino

Durante a campanha eleitoral de 2018, a rejeição a Jair Bolsonaro entre o público feminino era o principal obstáculo para a sua vitória. Naquele momento, cabia a Joice percorrer o país organizando encontros, palestras e comícios voltados para desconstruir a pecha de machista e misógino que cercava o então candidato.

Com a distância do tempo e o saldo da convivência nos bastidores, a jornalista admitiu o peso na consciência por ter emprestado sua credibilidade àquela empreitada:

“Eu normalizei o Bolsonaro entre as mulheres. Me arrependo muito e me culpo muito por isso. As mulheres tinham horror a ele, com toda a razão do mundo. Eu sabia que ele era machista, homofóbico, tudo aquilo, mas estava focada na pauta da honestidade, achando ingenuamente que ele fosse incorruptível. As mulheres iam aos eventos para me ver, eu fazia a palestra, chamava ele ao palco no final e tirávamos fotos. Fiz o movimento das ‘princesas com Bolsonaro’. Isso me corrói por dentro até hoje. Eu preciso consertar esse erro para limpar a minha história.”

Joice lembrou que, naquela época, Michelle Bolsonaro sequer participava ativamente das agendas públicas e a tarefa de humanizar a imagem do candidato recaía quase exclusivamente sobre seus ombros: “Eu peguei na mão das mulheres brasileiras e disse: ‘Confiem nele, ele não é machista’. Foi o maior erro da minha vida.”

“Olhem para mim: ele tentou me matar”

Ao ser questionada sobre o que diria às eleitoras que ainda cogitam apoiar candidatos da família Bolsonaro, Joice fez um apelo dramático baseado na violência real e psicológica que vivenciou após romper com o governo:

“Pelo amor de Deus, não se enganem mais com esta família. Olhem para mim! Olhem para a mulher que foi a principal figura feminina na campanha dele, que ajudou a elegê-lo, que foi a líder do governo no Congresso. Olhem o que fizeram comigo quando eu ousei não me dobrar aos esquemas de corrupção. Eles destruíram a minha reputação, atacaram a minha família e tentaram me matar.”

A ex-parlamentar resgatou a perseguição coordenada pelo chamado Gabinete do Ódio, comandado por Eduardo Bolsonaro, que envolveu campanhas de difamação em massa, montagens pornográficas disparadas inclusive para os colegas de escola de seu filho e ameaças explícitas de estupro e morte contra sua filha.

O ápice dessa retaliação ocorreu com o espancamento sofrido dentro de seu apartamento funcional em Brasília, no ano de 2021, que resultou em cinco fraturas na coluna e no rosto totalmente desfigurado:

“Eles mandaram os ‘kids pretos’ para me quebrar inteira ou me deixar paraplégica. A polícia arquivou dizendo que caí da própria altura. Essa gente não respeita mulher nenhuma, não respeita mãe, não respeita ninguém. A violência deles não é retórica, ela é física e letal.”

A farsa do falso moralismo e a omissão da bancada feminina

Joice também criticou a blindagem hipócrita construída em torno da família através de discursos religiosos e de moralidade de fachada. Ela apontou que figuras femininas promovidas pelo grupo vendem um papel de santidade que não condiz com a conduta real observada na intimidade do poder.

Além disso, a ex-deputada lamentou a ausência de solidariedade da bancada parlamentar alinhada à direita quando os ataques misóginos e a violência física se consumaram contra ela:

“Quando começaram a me xingar de porca, de Peppa Pig, cadê a sororidade da bancada feminina? Cadê quando eu apareci ensanguentada com a coluna quebrada? Nenhuma delas se manifestou. Faltou solidariedade em toda a direita. A solidariedade que recebi naquele momento veio de mulheres da esquerda, como a Manoela D’Ávila, com quem eu sempre divergi politicamente. Na direita bolsonarista, mulher só tem valor se abaixar a cabeça e for cúmplice da bandidagem.”

O voto pela sobrevivência e pela liberdade

Para Joice Hasselmann, o engajamento das mulheres contra o bolsonarismo é o elemento decisivo para evitar que o Brasil consolide um ciclo autoritário sem retorno. Segundo ela, romper com o clã ultrapassa divergências ideológicas e partidárias, tratando-se de uma questão de dignidade e sobrevivência:

“Eu tomei calmante, perdi o sono, emagreci quilos pensando nessa eleição porque é uma decisão difícil para quem passou a vida enfrentando o PT. Mas ficar em cima do muro agora seria covardia. O voto contra essa família é um voto pela vida das mulheres, pela liberdade de expressão e pela democracia. Não se deixem enganar: se eles voltarem, serão 20 anos de tirania e vingança.”

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PT vê onda pró-Lula após Datafolha

 Campanha de Lula considera que o momento é de virada

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante ato de campanha em Juiz de Fora: o evento "Lula em Juiz de Fora: O Brasil Pronto Pra Mais", realizado na praça Riani , Juiz de Fora – MGCrédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) chegam à reta final do segundo turno empatados numericamente no Datafolha, com 50% dos votos válidos cada.

Segundo a Folha de S.Paulo, o resultado levou petistas a defender a existência de uma mobilização crescente pela reeleição. Nesse cenário, o debate da TV Globo, nesta sexta-feira (23), ganha importância nas avaliações sobre o desfecho da disputa.

Realizado entre terça-feira (20) e quinta-feira (22), o levantamento do Datafolha tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Nos votos totais, Flávio registra 47%, e Lula, 46%. Os eleitores que pretendem votar em branco ou anular somam 5%, enquanto 2% estão indecisos. Os votos válidos, utilizados pela Justiça Eleitoral para apresentar o resultado, excluem brancos e nulos.

Na pesquisa anterior, Flávio tinha 51% dos votos válidos. A passagem para 50% ocorre dentro da margem de erro, assim como as variações na avaliação do governo e na rejeição aos dois candidatos. Os números, portanto, indicam uma disputa equilibrada, embora as campanhas apresentem interpretações diferentes sobre o movimento do eleitorado.

Entre os aliados de Lula, a leitura favorável se apoia principalmente nos indicadores da gestão federal. A aprovação passou de 48% para 49%, enquanto a desaprovação variou de 50% para 48%. A parcela que considera o governo ótimo ou bom foi de 35% para 36%; a avaliação ruim ou péssima recuou de 41% para 39%; e a classificação regular passou de 23% para 24%.

O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, avaliou positivamente o conjunto dos resultados e afirmou que “o clima é de virada”. Ele também destacou os números de rejeição: a de Flávio oscilou de 44% para 46%, enquanto a de Lula passou de 46% para 45%. Todas essas mudanças ficaram dentro da margem de erro.

Vice-presidente do PT, Jilmar Tatto associou a melhora numérica na avaliação do governo à redução da vantagem que Flávio tinha nos votos válidos. Para ele, os atos de rua em apoio ao presidente e a atuação da campanha na internet contribuíram para o empate.

“A gente está ganhando nas redes, que era onde eles sempre ganhavam”, declarou Tatto.

Sergio Gabrielli, coordenador do programa de governo de Lula, atribuiu maior peso à avaliação dos eleitores sobre as consequências de uma eventual vitória do adversário. Segundo ele, o fator central seria “a percepção da sociedade do risco que seria o [Flávio] Bolsonaro”.

“Está tendo uma visão clara das pessoas que não votaram ou que estavam indecisas de que a eleição de Bolsonaro é um risco muito grande para o país. Essas pessoas estão começando a se posicionar”, afirmou.

De acordo com a Folha, integrantes do PT enxergam uma onda favorável a Lula nos últimos dias de campanha. Nessa interpretação, um desempenho sem grandes desgastes no debate da Globo poderia ajudar o presidente a transformar o empate em vitória.

Os bolsonaristas, por sua vez, apostam na capacidade de mobilização da direita. - 247.


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“Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro e será preso mais cedo ou mais tarde”, diz Joice Hasselmann, com exclusividade, (video), à TV 247

Ex-deputada mais votada da história do Brasil, que já foi símbolo do antipetismo, diz que vomitou quando se deu conta do grau de corrupção do senador

Joice Hasselmann, ex-deputada federalCrédito: Brasil 247


Em uma entrevista explosiva concedida à TV 247, a jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann expôs sem meias-palavras as entranhas do clã Bolsonaro e traçou um prognóstico sombrio sobre o futuro judicial do filho mais velho do ex-presidente. Mulher mais votada da história da Câmara dos Deputados em 2018 e ex-líder do governo no Congresso, Joice afirmou com veemência que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enfrentará a cadeia devido ao seu envolvimento em esquemas de corrupção e à sua ambição desenfreada.

A profecia da prisão: “Ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde”

Durante a entrevista, Joice relembrou que todas as previsões que fez no passado sobre prisões de aliados do bolsonarismo se confirmaram, citando nomes que acabaram no banco dos réus e atrás das grades após deixarem o poder. Ao analisar a situação de Flávio Bolsonaro, a ex-parlamentar foi enfática:

“Quando eu digo em entrevista que o Flávio vai ser preso, tem gente que duvida: ‘Como ele vai ser preso?’ Mas ele vai ser preso mais cedo ou mais tarde. Ganhando ou perdendo eleição, assim que deixar o mandato ou até no meio do caminho, ele será preso. Lembrem-se de que o Michel Temer foi preso. Tudo o que eu avisei na tribuna lá atrás aconteceu, e com o Flávio não será diferente. É bandidagem em nível de cadeia mesmo: desvio de dinheiro público, lavagem de dinheiro, corrupção.”

O choque no apartamento da Barra: “Saí dali e vomitei no aeroporto”

A ruptura moral com o primogênito de Jair Bolsonaro começou ainda em 2018, antes mesmo do primeiro turno das eleições presidenciais. Na época, Joice foi até a residência de Flávio, no Rio de Janeiro, para discutir a formação da chapa presidencial e a escolha do nome para a vice-presidência. Ao cruzar a porta do imóvel, ela conta ter sido tomada por uma repulsa física incontrolável diante da ostentação do local:

“Eu vi a corrupção escancarada. Eu vi um apartamento nababesco, móveis caríssimos, obras de arte… tudo incompatível com o salário de um funcionário público, ainda que fosse o teto. Crianças em escola particular caríssima, a esposa iniciando a carreira como dentista… Bolsonaro me cogitou para vice e eu respondi: ‘Me queira bem, não me queira mal’. Eu saí dali e vomitei no saguão do aeroporto. Não consegui segurar nem para chegar ao banheiro.”

A constatação de enriquecimento ilícito fez com que Joice rejeitasse de imediato o convite para ser candidata a vice-presidente e se afastasse dos filhos do capitão: “Minha vida pública foi combater a corrupção. Eu não ia tirar foto com corrupto, não ia estar ao lado de um corrupto, não ia defender bandido.”

“Boca de tubarão para dinheiro”

Ao dissecar as transações financeiras suspeitas de Flávio — que vão desde o caso clássico das “rachadinhas” da Alerj até as negociações imobiliárias nababescas, suspeitas de sociedade oculta em negócios empresariais e a compra de mansões milionárias em Brasília —, Joice descreveu um padrão de conduta dominado pela voracidade:

“O Flávio gosta muito de dinheiro. Muito. O que a gente está vendo de jatinho, sócio oculto de empresa e mansões é pouco. Ele vai querer sempre mais, ele é insaciável. O Flávio Bolsonaro tem boca de tubarão para dinheiro.”

A ex-deputada desafiou a matemática do patrimônio do senador, ressaltando que seus rendimentos oficiais jamais cobririam o custo de vida ostentado:

“Pensa comigo: o Flávio ganha cerca de R$ 40 mil brutos como senador. Com descontos, sobram uns R$ 35 mil limpos. Ele comprou uma mansão que dizem que foi por R$ 6 milhões, mas que na verdade vale pelo menos R$ 14 milhões. Tem piscina, jardim, funcionários, manutenção pesada, colégio de alto padrão… Quem ganha R$ 35 mil sustenta isso como? Eu sempre afirmei como jornalista: se um político entrou remediado na política e enriqueceu sem ter recebido herança, ele está roubando. Não existe mágica.”

Gabinete do ódio, atentado e a defesa da democracia

A postura independente de Joice no início de 2019 e suas recusas em acobertar os negócios da família transformaram a parlamentar no alvo número um da máquina de difamação digital bolsonarista, operada a partir do Palácio do Planalto. Joice revelou como atuou para abastecer o Supremo Tribunal Federal com provas do funcionamento do Gabinete do Ódio, o que desencadeou o Inquérito das Fake News.

A retaliação extrapolou as redes:


“Quem mandou os ‘kids pretos’ na minha casa para me matar ou me deixar paraplégica foi o próprio Jair Bolsonaro. Me espancaram, quebraram minha coluna em cinco lugares e o rosto inteiro, e a polícia do Distrito Federal, comandada pelo Anderson Torres, veio com a tese absurda de ‘queda da própria altura’. Ninguém cai no chão e quebra a coluna em cinco lugares.”

Apesar de seu longo histórico como ponta de lança da Lava-Jato e da oposição ferrenha aos governos petistas, Joice Hasselmann justificou por que decidiu cruzar o rubicão e declarar voto em Luiz Inácio Lula da Silva:

“Eu voto no Lula porque voto contra o ditador, contra o crime organizado instalado no poder e em defesa da sobrevivência da democracia. Se eu me calasse agora, faltasse o meu voto e o país caísse nas mãos dessa quadrilha por mais 20 anos, eu jamais me perdoaria. Meu compromisso é impedir a destruição do Brasil. No dia seguinte, vou para a oposição.” - 247.

Assista a íntegra da entrevista:




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Presidente questiona atuação do senador na defesa de policial acusado de matar criança de 5 anos e relembra homenagem ao miliciano Adriano d...