sexta-feira, 29 de maio de 2026

Câmara aprova o fim da escala 6x1, numa das maiores vitórias do governo Lula

 

Proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos por mudanças nas jornadas de trabalho e 19 contra o projeto


Câmara dos Deputados e o presidente Lula (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados I Ricardo Stuckert/PR)


A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (27) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da carga semanal de trabalho de 44 para 40 horas em um prazo de até 14 meses e abre caminho para encerrar a escala 6x1 no Brasil. 

A PEC recebeu no primeiro turno 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos pelo fim da escala 6x1 e 19 votos contra o projeto. Para avançar, o texto precisaria de pelo menos 308 votos favoráveis em duas votações.

O colegiado analisou duas propostas: uma apresentada pelo deputado Reginaldo Lopes (PT-MG) e outra pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). As duas defendiam jornada de 36 horas semanais, mas o acordo costurado fixou o limite em 40 horas, com duas folgas por semana, uma delas preferencialmente aos domingos.

Ainda será confirmada a data em que a proposta sobre o fim da escala 6x1 no Brasil será votada no Senado, onde são necessários 49 votos favoráveis entre os 81 senadores, também em dois turnos de votação, para que o texto seja aprovado.

A proposta

A PEC reduz semana de trabalho e mira fim da escala 6x1 ao fixar limite de oito horas diárias, 40 horas semanais, duas folgas remuneradas por semana e transição de até 14 meses para a nova jornada. A proposta altera a Constituição Federal, prevê a redução gradual da carga atual de 44 horas e determina que o novo modelo avance sem aplicação universal a todos os trabalhadores.

A mudança passa a registrar que a “duração do trabalho normal” não poderá ultrapassar oito horas por dia e 40 horas por semana. O texto também preserva a possibilidade de compensação de horários e redução de jornada por acordo ou convenção coletiva de trabalho.

A proposta organiza a queda de quatro horas na jornada semanal em duas fases. Na primeira etapa, os trabalhadores terão redução de duas horas em até dois meses após a promulgação da PEC. Na segunda etapa, o texto prevê a redução das quatro horas restantes em até 12 meses depois da primeira mudança.

O fim da escala 6x1 terá prazo próprio. A proposta estabelece que a garantia de pelo menos duas folgas semanais, preferencialmente aos domingos, começará a valer 60 dias após a promulgação do texto.

Trabalhadores com diploma de nível superior

A proposta deixa fora das novas regras um grupo específico de profissionais. Trabalhadores com diploma de nível superior e remuneração equivalente a pelo menos duas vezes e meia o teto do INSS, cerca de R$ 21,1 mil atualmente, não terão aplicação das normas de jornada e controle de ponto.

A exclusão entrou no texto sob o argumento de reduzir a “pejotização” e ampliar a autonomia de profissionais de alta renda. Para esse grupo, a proposta retira a incidência das regras gerais de jornada e registro de ponto previstas para os demais trabalhadores.

Transição

A transição concentrou o principal debate em torno da PEC nas últimas semanas. Representantes do empresariado e confederações patronais defenderam um prazo de adaptação para reorganizar escalas, contratos e rotinas produtivas.

O governo rejeitou inicialmente a adoção de uma fase de transição, mas depois aceitou um acordo para permitir uma implementação gradual da redução da jornada. O ajuste buscou viabilizar a tramitação do texto e reduzir resistências de setores econômicos.

O relator também incluiu uma regra com impacto direto sobre acordos em vigor. Após 60 dias da promulgação, convenções e acordos coletivos incompatíveis com as novas jornadas perderão validade de forma automática.

Esse dispositivo deve pressionar sindicatos e empresas a reabrirem negociações. A medida funciona como uma trava para impedir que acordos antigos mantenham jornadas em desacordo com o novo limite constitucional.

A PEC também inscreve na Constituição a obrigação de duas folgas remuneradas por semana. O texto afirma que uma delas deverá ocorrer, preferencialmente, aos domingos, e exige que o trabalhador tenha “garantido o gozo de pelo menos um dos dias dentro do período máximo de uma semana de trabalho”.

"Conquista histórica e civilizatória", afirma Lula

Em postagem publicada na rede social X, o presidente Lula afirmou que "a aprovação do fim da escala 6x1 com redução de jornada e sem redução de salário, pela Câmara, é uma conquista histórica e civilizatória". "Um compromisso assumido pelo Governo do Brasil", escreveu. 

Segundo o presidente, "mais do que horas no relógio, estamos devolvendo aos trabalhadores e trabalhadoras o direito ao convívio com a família". "Ao descanso. À vida além do trabalho. As duas folgas semanais significam mais tempo para estudar, se divertir, cuidar da saúde e ver os filhos crescerem", continuou.

"É uma vitória sobretudo das mulheres que, historicamente e injustamente, enfrentam jornada superior, desigual. Uma medida que só foi possível graças à imensa mobilização da sociedade", acrescentou Lula, que também agradeceu ao presidente da Câmara, Hugo Motta, e ao "apoio decisivo dos parlamentares que construíram ampla maioria na Câmara". "Seguiremos trabalhando intensamente pela sua aprovação definitiva".

Repercussão entre parlamentares

Líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC) afirmou que a proposta é um avanço histórico para os trabalhadores. "Vamos votar sim para ter dois dias de descanso, para a família, para a juventude estudar, para as mulheres ficarem com os filhos, para viver", disse. 

O líder da federação Psol-Rede, deputado Tarcísio Motta (Psol-RJ), disse que a PEC é um passo importante para o trabalhador ter mais tempo para sua família, sua saúde, sua vida. "Para que tenha vida além do trabalho. Não havia nenhuma justificativa para manutenção dessa escala escravocrata e extenuante, que é a 6x1".

Vice-líder da federação PT-PCdoB-PV, a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) pontuou que a votação é o momento da grande resposta do Parlamento à luta de décadas do movimento sindical, da sociedade e dos partidos de esquerda. Mais de 38 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho trabalham acima de 44 horas semanais, afirmou a parlamentar. "Isso é mais da metade dos trabalhadores com vínculo formal, fora aqueles que não têm vínculo formal e que trabalham de forma precária".

Coordenador a da bancada negra, deputada Benedita da Silva (PT-RJ) lembrou que desde a Constituinte várias lideranças saíram em defesa das 40 horas semanais, quando os trabalhadores tinham jornada de 48 horas. "Um absurdo: 38 anos para que pudéssemos chegar aqui e conseguir votar essa matéria tão importante para a mente e o descanso do trabalhador". - 247.



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Lula sanciona lei que cria Universidade Federal Indígena

Instituição representa demanda histórica do movimento indígena

                                          Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil

Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta quinta-feira (28), a lei que cria a Universidade Federal Indígena (Unind), a primeira desse tipo no país. O projeto de lei é de autoria do próprio governo federal e teve aprovação concluída pelo Congresso Nacional no início de maio.

As atividades devem começar em 2027, com dez cursos nas áreas de formação de professores, saúde coletiva e indígena, além de gestão territorial e ambiental. A instituição deve atender até 2,8 mil estudantes em quatro anos.

De acordo com o presidente Lula, tal inciativa mostra que é possível, de forma civilizada, garantir a todos “os que habitam o planeta” seus direitos e sua participação. 

“O diploma é a garantia de que esse país está preparando a sua sociedade para ser tratada como cidadã de primeira linha. Todo mundo tem direito ao conhecimento, e esse conhecimento vai permitir que as pessoas façam coisas que antes não sabiam."

A criação da universidade era um sonho das lideranças indígenas brasileiras, enfatizou o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, durante cerimônia no Palácio do Planalto.

"Será o local propício para a produção de conhecimento, que irá resultar na defesa dos direitos indígenas, no constante aperfeiçoamento da política pública para os povos indígenas e na consolidação da autoridade epistemológica indígena."

Segundo a deputada federal Sônia Guajajara (PSOL-SP), ex-ministra dos Povos Indígenas, a Unind terá sede em Brasília e, no futuro, contará com campi espalhados por diferentes regiões do Brasil. 

"Ela oferecerá ensino superior, pesquisa e extensão sob uma perspectiva cultural, valorizando saberes tradicionais, línguas ancestrais e práticas que colocam a relação entre o ser humano e a natureza no centro do saber", acrescentou a parlamentar.

De acordo com Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena, o processo de diálogo para a construção do projeto da Unind é resultado de mais de 20 seminários regionais, ocorridos em todas as regiões do país, com professores, estudantes, indígenas e especialistas.

"Nós, povos indígenas, possuímos ciências, filosofias, sistemas linguísticos, tecnologias, sistemas agrícolas, conhecimento ambientais, formas próprias de ensinar e de compreender o mundo”, destacou Rita Potiguara, representante do fórum.

Ela destaca que a Universidade Federal Indígena será um espaço onde os conhecimentos tradicionais vão dialogar com as diferentes áreas das ciências contemporâneas. “[Será] um espaço onde as línguas indígenas terão força, presença e reconhecimento institucional." 


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Eleições em Pernambuco: Raquel Lyra tem 48% e João Campos, 43%, diz Datafolha

 Ivan Moraes (PSOL) aparece com 2%


Mariana de Sousa


Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB) (Hesíodo Góes/Secom)

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (28) com intenções de voto para o governo de Pernambuco traz a governadora Raquel Lyra (PSD) com 48% no primeiro turno. O ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) tem 43%. O levantamento foi eencomendado pela TV Tribuna. 

Ivan Moraes (PSOL) aparece com 2%. Brancos, nulos e nenhum representam 4%, enquanto 2% dos entrevistados disseram não saber em quem votar. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%.

Segundo turno

Na simulação de segundo turno entre Raquel Lyra e João Campos, a governadora alcança 51% das intenções de voto, contra 44% do ex-prefeito. Brancos, nulos e nenhum somam 4%, e 1% não soube responder.

Rejeição

O levantamento também mediu a rejeição. Ivan Moraes lidera o índice, com 59% dos entrevistados afirmando que não votariam nele de forma alguma. João Campos aparece com 29% de rejeição, enquanto Raquel Lyra registra 25%.

Foram 1.022 entrevistas em 48 municípios do estado, com eleitores de 16 anos ou mais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PE-07888/2026.


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PESQUISA Datafolha em Pernambuco: Marília Arraes e Humberto Costa lideram pesquisa para o Senado

Nos cenários apontados em nova pesquisa Datafolha, os dois candidatos aparecem com maioria das intenções de voto nas eleições 2026

                            Mariana de Sousa 


Marília Arraes e Humberto Costa (Reprodução/Redes sociais | Marcelo Camargo/Agência Brasil)


A nova pesquisa Datafolha, contratada pela TV Tribuna/Band para o Senado Federal em Pernambuco, mostra a ex-deputada federal Marília Arraes (PDT) e o senador Humberto Costa (PT) liderando os dois cenários testados para a disputa de 2026.


No primeiro cenário, Marília Arraes aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Humberto Costa soma 32%. Já no segundo cenário, a pedetista sobe para 40%, e o petista registra 31%, mantendo a liderança da corrida pelas duas vagas ao Senado.


Como a eleição para o Senado permite que cada eleitor vote em dois candidatos, a soma dos percentuais pode ultrapassar 100%.


Cenário 1:


No primeiro cenário estimulado, após Marília e Humberto, aparecem o deputado federal Eduardo da Fonte (PP), com 22%, e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (UB), com 19%. Em seguida, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira (PL) registra 16%.


Também pontuam Carlos Sant’anna (NOVO), com 6%; o senador Fernando Dueire (PSD), com 4%; e Paulo Rubem Santiago (REDE), com 3%. Brancos, nulos e nenhum somam 41%, enquanto 17% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.


Cenário 2:


No segundo cenário, Marília Arraes lidera com 40%, seguida de Humberto Costa, com 31%. Eduardo da Fonte aparece com 21%, Anderson Ferreira com 17% e Miguel Coelho com 16%.

A diferença em relação ao primeiro cenário é a mudança de Dueire pelo deputado federal Túlio Gadelha, também do PSD, que registra 8% das intenções de voto. Carlos Sant’anna soma 5%, enquanto Paulo Rubem Santiago mantém 3%. Brancos, nulos e nenhum representam 41%, e 18% afirmaram não saber responder.


A pesquisa ouviu 1.022 eleitores em todas as regiões de Pernambuco entre os dias 25 e 27 de maio. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número PE-07888/2026.


SUS vai ampliar proteção vacinal contra doença pneumocócica

Guia preliminar com orientações foi divulgado pelo Ministério da Saúde

                           Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

                                        Tomaz Silva/Agência Brasil

A partir de junho, o Sistema Único de Saúde (SUS) vai começar a oferecer um imunizante mais abrangente contra a doença pneumocócica. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20 ou Pneumo 20) vai substituir a 10-valente, dobrando os sorotipos prevenidos.

O Ministério da Saúde publicou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar com orientações sobre a mudança para profissionais de saúde. Os municípios poderão começar a aplicar a vacina assim que receberem o imunizante.

A doença pneumocócica é uma infecção causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, ou pneumococo, que pode ocasionar quadros leves, como inflamação no ouvido ou sinusite, ou graves, como pneumonia bacteriana, meningite e sepse.

Estima-se que o pneumococo seja responsável por até 50% de todos os casos de meningite bacteriana em crianças. A mortalidade nesses casos é de cerca de 30%. Além das crianças pequenas, idosos e indivíduos com comorbidades ou imunossupressão também são mais vulneráveis.

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A vacinação contra a doença, com a VPC10, foi incluída no calendário básico infantil em 2010 e desde então, houve redução de 60% dos casos de doença meningocócica causada por algum dos 10 sorotipos combatidos pela vacina em crianças de até dois anos. Os casos de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também caíram 65%.

No entanto, em anos mais recentes os casos vêm crescendo. De 2013 a 2019, o Brasil registrou uma média de 164 casos anuais de meningite pneumocócica em crianças de até 5 anos. De 2022 a 2024, a média anual subiu para 211,3 casos.

A Diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, explica que esta fato é reflexo de uma mudança epidemiológica decorrente da própria efetividade da vacinação.

"A introdução da vacina 10-valente foi excelente na redução desses dez tipos, o que representou uma queda importante nas doenças graves. Mas o pneumococo tem uma característica que a gente chama de "replacement": você controlando um tipo, reduzindo a circulação, outro tipo pode começar a ganhar o espaço"

Dados da vigilância do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois tipos da bactéria não prevenidos pela VPC10, mas incluídos na formulação da VPC20.

"Além disso, nos menores de 1 ano, cerca de 11% dos casos de meningite meningocócica são causados pelos outros tipos adicionais da vacina 20-valente. Isso significa que há a possibilidade da gente voltar a reduzir a curva de incidência porque estaremos protegendo exatamente contra os sorotipos que hoje prevalecem", complementa Flávia. 

As vacinas pneumocócicas conjugadas, que são o caso tanto da VPC10 quanto da VPC20, também evitam que o pneumococo se instale na nasofaringe de pessoas vacinadas. Por isso, além de evitar que elas desenvolvam a doença, a vacina também impede a transmissão, promovendo proteção indireta às pessoas não vacinadas.

O Programa Nacional de Imunizações já oferece outras vacinas mais abrangentes contra a doença pneumocócica, a VPC13 e a VPP23, mas apenas para públicos específicos, com determinadas condições de saúde que aumentam a vulnerabilidade às formas graves da doença. Esses imunizantes também serão substituídos pela VPC20 após o fim dos estoques.

Fazem parte dos grupos de alto risco que devem tomar a vacina: pessoas vivendo com HIV/aids; pacientes oncológicos; transplantados de órgãos sólidos ou medula; imunodeficientes; pessoas com nefropatias, pneumopatias, cardiopatias e hepatopatias crônicas; asmáticos graves; diabéticos; pessoas com síndrome de down e prematuros.

O calendário básico de vacinação prevê que os bebês devem receber duas doses da vacina pneumocócica, aos 2 e aos 4 meses de idades, com mais uma dose de reforço aos 12 meses. Crianças menores de 5 anos que não tenham sido vacinadas na idade correta devem atualizar a carteira o mais breve possível.

Durante o período de transição da VPC10 para a VPC20, as crianças receberão a vacina 20-valente na primeira dose e no reforço, e a 10-valente na segunda dose. Crianças que já receberam a primeira dose da vacina 10-valente, serão vacinadas com a 20-valente na segunda dose e no reforço. Uma dose de reforço da VPC20 também será aplicada nas crianças menos de 5 anos que completaram apenas o esquema básico de duas doses com a VPC10.

A vacina só é contraindicada para pessoas com alergia grave a algum componente da fórmula, ou que apresentaram reação alérgica severa em doses anteriores. Recomenda-se também que quem estiver com febre espere melhorar antes de se imunizar.


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‘A gente não pode prescindir do conhecimento milenar dos indígenas’, diz Lula ao sancionar Unind

 

Presidente defende criação da Universidade Federal Indígena, prevista para 2027, com sede em Brasília e campi em várias localidades espalhadas pelo País


Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante sanção do Projeto de Lei n° 6132, de 2025, que cria a Universidade Federal Indígena (Unind), no Palácio do Planalto. Brasília - DF (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O presidente Lula defendeu a criação da Universidade Federal Indígena (Unind), em Brasília (DF), nesta quinta-feira (28), e destacou a importância de reconhecer o conhecimento milenar dos povos indígenas na educação superior brasileira. Ele também defendeu a valorização de direitos e criticou a exclusão histórica imposta aos povos indígenas.

"A gente não pode prescindir do conhecimento milenar que os povos indígenas acumularam ao longo do tempo. A gente vai ensinando o mundo a compreender que é possível garantir a todos terem seus direitos", afirmou. "Não poderíamos continuar vivendo com a segregação dos povos indígenas, maltratados", acrescentou.

A proposta prevê que a Unind comece a funcionar em 2027, com vínculo ao Ministério da Educação, sede na capital federal e campi distribuídos por diferentes regiões do País. A iniciativa também estabelece que indígenas ocupem obrigatoriamente os cargos de reitor e vice-reitor da instituição.

De acordo com o presidente, além da universidade, o governo precisa garantir condições adequadas aos estudantes indígenas. "Levar a sério a moradia e o refeitório dos estudantes. Custa fazer (universidade), mas quanto custa não fazer? O barato vai sair muito mais caro", complementou.

Unind terá comando indígena

Conforme a proposta, docentes indígenas ocuparão obrigatoriamente os cargos de reitor e vice-reitor da Unind. A medida busca assegurar protagonismo dos povos originários na gestão acadêmica e administrativa da nova instituição.

A universidade também poderá realizar processos seletivos próprios, com base na Lei de Cotas. O modelo abre caminho para uma política de acesso voltada às realidades sociais, culturais e territoriais dos povos indígenas.

A criação da Unind ocorre em um contexto de crescimento da presença indígena no ensino superior. Segundo o Censo do IBGE, o número de indígenas nas universidades passou de 9 mil em 2011 para 46 mil em 2022, avanço de aproximadamente 36 mil estudantes.

Guimarães fala em reparação histórica

O ministro da Secretaria de Relações Institucionais (SRI), José Guimarães, classificou o momento como histórico para o país. Ele destacou o caráter de reparação da iniciativa e afirmou que a nova universidade terá papel marcante na educação brasileira.

"É o valor da verdadeira reparação histórica que estamos fazendo. A universidade vai fazer história. Vocês (indígenas) merecem essa conquista", disse.

Guimarães também associou a criação da Unind ao compromisso do governo federal com os direitos dos povos indígenas. "É o compromisso desse homem que não se cansa de trabalhar e defender os direitos do povo", acrescentou Guimarães em referência ao presidente Lula.

Sônia Guajajara valoriza saber dos povos originários

Pré-candidata a deputada federal por São Paulo, Sônia Guajajara afirmou que a criação da Universidade Federal Indígena reconhece conhecimentos que sofreram exclusão histórica dentro do sistema educacional brasileiro.

"Durante séculos, o conhecimento dos nossos povos foi negado, tratado como inferior", disse ela, que também criticou a postura das instituições de ensino superior ao longo da história. "As universidades brasileiras deram as costas para nós. Conhecimento com força da lei e peso do Estado", continuou.

Em seu discurso, Sônia destacou que os povos indígenas têm contribuições científicas e acadêmicas decisivas para o Brasil e para o mundo, especialmente diante da crise climática. "Reconhecer que os indígenas têm conhecimento científico e acadêmico para oferecer ao mundo. Nossa sabedoria sobre florestas, biodiversidade, ciclos da vida e da natureza é fundamental em um planeta em emergência climática", complementou.

Avanços na política indígena

Sônia Guajajara deixou o Ministério dos Povos Indígenas em março deste ano para disputar a eleição. O período de sua gestão teve como um dos principais marcos a garantia de direitos territoriais.

Nesse intervalo, o governo homologou 20 territórios indígenas, que somam 2.210.468 hectares. Também assinou 21 portarias declaratórias, com área total de 1.500.800 hectares.

A gestão também avançou na proteção de Terras Indígenas por meio de ações de desintrusão. Ao todo, 12 TIs passaram por esse processo, com proteção de 27,5 milhões de hectares e garantia do usufruto exclusivo aos povos originários.

As ações de desintrusão causaram R$ 745,6 milhões em prejuízos diretos a atividades ilícitas. As medidas também resultaram em R$ 6,2 bilhões em decisões judiciais de apreensões de bens e valores, reforçando a presença do Estado em regiões historicamente vulnerabilizadas.

Na Terra Indígena Ianomâmi, a atuação coordenada pela Casa de Governo provocou queda de 98,77% do garimpo ilegal entre março de 2024 e janeiro de 2026. As ações causaram prejuízos estimados em mais de R$ 642 milhões às atividades criminosas.


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Distribuição de combustíveis garante segurança energética e sustenta a economia brasileira

 

Setor que emprega 447 mil trabalhadores e movimentou R$ 881 bilhões em 2025 exerce papel estratégico no abastecimento e na produtividade do país


Distribuição de combustíveis garante segurança energética e sustenta a economia brasileira (Foto: Agência Brasil )

Muito além do abastecimento nos postos, o setor de combustíveis ocupa uma posição estratégica para o funcionamento da economia brasileira. Responsável por conectar refinarias, importadores, bases de armazenamento e consumidores finais, a cadeia de distribuição garante o fornecimento contínuo de um insumo essencial para o transporte, a indústria, o agronegócio e diversos segmentos produtivos do país.

Em 2025, o setor de distribuição de combustíveis movimentou cerca de R$ 881 bilhões em faturamento, consolidando-se como um dos segmentos mais relevantes da economia brasileira. O segmento representa aproximadamente 7,3% do PIB do comércio brasileiro e responde pela movimentação de cerca de 137 bilhões de litros de combustíveis por ano no país.

Dados da LCA Consultoria Econômica, em estudo encomendado pelo Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e de Lubrificantes (Sindicom), mostram que o setor arrecadou cerca de R$ 232 bilhões em tributos em 2025. Desse total, R$ 165 bilhões corresponderam ao ICMS, equivalente a 24% de toda a arrecadação estadual brasileira.

A relevância econômica do segmento também se reflete na geração de empregos e na capilaridade da operação em todo o país. Segundo o levantamento, o comércio de combustíveis empregou 425 mil trabalhadores formais no ano passado, enquanto o setor de lubrificantes respondeu por outros 22 mil postos de trabalho. Ao todo, são 447 mil empregos e uma massa salarial de R$ 18,6 bilhões.

A estrutura do setor inclui atualmente cerca de 189 distribuidoras, 361 bases de distribuição e aproximadamente 45 mil postos revendedores espalhados pelo território nacional. Essa rede é responsável por abastecer cerca de 200 mil veículos por hora, sustentando o funcionamento do transporte de cargas, da mobilidade urbana e das atividades produtivas em todas as regiões do país.

Como se forma o preço dos combustíveis

A composição do preço dos combustíveis no Brasil é resultado de uma cadeia multifatorial, influenciada por fatores nacionais e internacionais. O valor pago pelo consumidor envolve custos de produção, refino, importação, logística, tributos, mistura obrigatória de biocombustíveis e oscilações do petróleo e do câmbio.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que cerca de 61% do preço final dos combustíveis ao consumidor correspondem aos custos de produção e importação, diretamente influenciados pelo mercado internacional. Os tributos federais e estaduais representam aproximadamente 16% da composição do valor, enquanto a mistura obrigatória de biocombustíveis responde por outros 10%. A parcela destinada à distribuição e revenda soma cerca de 13% do preço final.

Dentro dessa estrutura, as distribuidoras atuam em uma cadeia logística que envolve transporte a partir de refinarias e usinas, armazenagem, mistura de combustíveis, operação de bases, frete e entrega em todas as regiões do país. Além disso, assumem custos administrativos, operacionais e financeiros. Já os postos revendedores arcam com despesas ligadas à manutenção das unidades, como aluguel, equipamentos, folha de pagamento, serviços e custos operacionais necessários para garantir o abastecimento ao consumidor final.

Segundo o economista e diretor da LCA Consultoria, Gustavo Madi, os dados da pesquisa ajudam a compreender a complexidade da formação de preços no setor. “A maior parte da composição está relacionada ao custo de produção, importação, tributos e fatores internacionais.”

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Mercado internacional influencia preços no Brasil

O cenário global exerce influência direta sobre os preços dos combustíveis no país, especialmente devido à dependência brasileira da importação de parte do diesel consumido internamente. Atualmente, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil depende do mercado externo. 

Em períodos de instabilidade geopolítica ou de alta no petróleo, os custos internacionais tendem a subir, pressionando toda a cadeia de abastecimento. As oscilações cambiais também impactam diretamente os preços internos.

“A volatilidade do petróleo e do câmbio impacta diretamente os preços ao consumidor, especialmente porque o Brasil ainda depende da importação de parte relevante do diesel consumido no país”, afirma Gustavo Madi.

Nesses cenários, distribuidoras e importadoras exercem papel importante para garantir o abastecimento nacional. Além da ampliação das importações, as empresas precisam lidar com custos adicionais de logística, armazenagem e aquisição de combustível no mercado internacional.

O Brasil possui atualmente 16 refinarias em operação, porém a produção interna ainda não supre toda a demanda nacional de diesel, o que amplia a relevância das distribuidoras na manutenção do abastecimento em todas as regiões do país.

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Distribuição garante abastecimento e segurança energética

Para o presidente do Conselho de Administração do Sindicom, David Zylbersztajn, a distribuição desempenha função essencial para a segurança energética do país. Segundo ele, o setor garante que os combustíveis cheguem com qualidade, segurança e regularidade a todas as regiões brasileiras.

“A distribuição é uma infraestrutura crítica para o Brasil. São investimentos constantes em logística, armazenagem e controle de qualidade que asseguram o abastecimento mesmo em cenários adversos”, afirma.

O setor de distribuição atua no Brasil há 114 anos e já atravessou mais de 20 guerras e diversos conflitos internacionais que impactaram o suprimento global de petróleo, mantendo o abastecimento energético nacional mesmo em cenários de elevada instabilidade geopolítica.

O impacto da cadeia vai além da operação logística. Segundo o Balanço Energético Nacional (BEN) 2024, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e pelo Ministério de Minas e Energia (MME), os combustíveis líquidos e biocombustíveis representam cerca de 45% da matriz energética brasileira. Os combustíveis líquidos e biocombustíveis sustentam um sistema rodoviário responsável por cerca de 65% do transporte de cargas e 95% da movimentação de passageiros no Brasil, segundo dados do Atlas CNT do Transporte 2025, da Confederação Nacional do Transporte (CNT).

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Operação logística exige planejamento e infraestrutura

O abastecimento de um país com dimensões continentais como o Brasil demanda planejamento, armazenagem e integração entre diferentes modais de transporte.

Segundo o professor Marcio Lago Couto, superintendente de Pesquisa na FGV Energia, a distribuição atua como elo fundamental entre refinarias, importadores e consumidores finais.

“A distribuição de combustíveis é uma infraestrutura crítica porque conecta refinarias, importadores e consumidores finais, garantindo que um insumo essencial para a economia chegue de forma contínua e segura a todas as regiões do país.” 

Expansão dos renováveis exige planejamento

O avanço dos biocombustíveis e da transição energética também impõe novos desafios à cadeia de distribuição. A ampliação da mistura obrigatória de combustíveis renováveis exige investimentos em infraestrutura, adaptações operacionais e maior capacidade logística.

Para Zylbersztajn, a evolução do setor energético demanda planejamento técnico permanente. “A transição energética traz novos desafios operacionais para o setor. Cada avanço dos biocombustíveis exige adaptações logísticas, planejamento e rigor técnico para garantir eficiência e segurança.”

Em um cenário de crescente demanda energética, expansão dos biocombustíveis e maior integração ao mercado global, o setor de distribuição segue desempenhando papel decisivo para assegurar o funcionamento da economia brasileira e a estabilidade do abastecimento nacional.

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Investimentos dependem de previsibilidade regulatória

O setor de combustíveis também depende de estabilidade institucional e previsibilidade regulatória para sustentar investimentos de longo prazo. A cadeia exige aportes significativos em refinarias, logística, infraestrutura de distribuição e expansão da produção de biocombustíveis.

Segundo David Zylbersztajn, regras claras e estáveis são fundamentais para garantir segurança energética e continuidade dos investimentos. “Sem estabilidade e clareza nas regras, o risco de desabastecimento aumenta e toda a economia é impactada.”

Já na avaliação de Marcio Lago Couto, mudanças abruptas em normas tributárias, ambientais ou operacionais aumentam a percepção de risco e dificultam o planejamento das empresas.

“Previsibilidade regulatória é essencial para garantir investimentos em infraestrutura e expansão logística. Mudanças abruptas aumentam a percepção de risco e podem comprometer a eficiência e a segurança do abastecimento”, afirma. - 247.

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'Farra do uísque' promovida por Vorcaro reuniu Castro, Hugo Motta, Ciro Nogueira e líderes do Centrão nos EUA

 

PF cita degutação de uísque de US$ 1 milhão durante encontro em bar de luxo nos EUA em investigação sobre relações entre o Banco Master e o governo do Rio


'Farra do uísque' promovida por Vorcaro reuniu Castro, Hugo Motta, Ciro Nogueira e líderes do Centrão nos EUA (Foto: Banco Master / Divulgação / Lula Marques/Agência Brasil / Senado Federal / Kayo Magalhaes/Câmara dos Deputados / IA / Brasil 247)

A degustação de uísque em Nova York, avaliada em US$ 1 milhão, bancada por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, reuniu o então governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), além de lideranças do PP, Republicanos e MDB em Nova York.


Segundo o jornal O Globo, além de Cláudio Castro, o encontro ocorrido em 14 de maio de 2024 também contou com a participação do senador Ciro Nogueira (PP-PI), do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e dos deputados federais Marcos Pereira (Republicanos-SP), Isnaldo Bulhões (MDB-AL) e Doutor Luizinho (PP-RJ).

De acordo com a reportagem, duas fontes presentes no evento confirmaram a lista de participantes da reunião realizada no Carnegie Club, bar de luxo localizado próximo ao Central Park, em Manhattan. Segundo mensagens extraídas do celular de Vorcaro pela PF, o encontro teria sido reservado a apenas dez pessoas.

Ciro Nogueira negou presença no evento. "Eu não fui à degustação. Não tomo whiske (sic) puro", declarou o senador. As viagens dos parlamentares aos Estados Unidos no período constam em registros oficiais da Câmara dos Deputados e em agendas públicas de palestras realizadas naquela semana.

Cláudio Castro, Ciro Nogueira e Marcos Pereira participaram de eventos nos Estados Unidos, enquanto Hugo Motta e Doutor Luizinho cumpriram agendas oficiais no país. Além da degustação de uísque, o encontro incluiu charutos em um ambiente descrito pelo Carnegie Club como "um dos lounges mais exclusivos de Nova York".

Segundo a Polícia Federal, o custo da reunião foi de US$ 1 milhão. À época, Hugo Motta, Marcos Pereira, Isnaldo Bulhões e Doutor Luizinho eram apontados como possíveis sucessores de Arthur Lira (PP-AL) na presidência da Câmara dos Deputados. Motta acabaria eleito para o comando da Casa em fevereiro do ano seguinte.

A investigação também relaciona o encontro a operações financeiras envolvendo o Rioprevidência e o Banco Master. De acordo com a PF, um dia após a degustação em Nova York, o fundo estadual realizou aporte de R$ 80 milhões em letras financeiras do banco.

Mensagens atribuídas a Vorcaro enviadas a Cláudio Castro classificavam a reunião como um "evento pequeno", da qual participariam "só homens" e limitado a apenas dez convidados. Após pedir mais detalhes sobre o encontro, o então governador respondeu: "Eu vou."

A Polícia Federal também registrou outro episódio envolvendo reuniões entre Castro e Vorcaro. Em novembro de 2023, o governador esteve na residência do banqueiro em São Paulo cinco dias após o primeiro investimento do Rioprevidência no Banco Master. Quatro dias depois da visita, um novo aporte foi realizado. - 247.


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