domingo, 22 de março de 2026

Lula anuncia recompra de refinaria privatizada por Bolsonaro

 

"Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos", disse o presidente


Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita às instalações da Regap, no Distrito Industrial Paulo Camilo Sul (MG) (Foto: Ricardo Stuckert/PR)


Em momento em que o país lida com questões relacionadas ao aumento dos preços de combustíveis, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou nesta sexta-feira que a Petrobras poderá recomprar a Refinaria de Mataripe (antiga Refinaria Landulpho Alves - Rlam), na Bahia.

"Vamos comprar de volta a refinaria na Bahia. Pode demorar um pouco, mas nós vamos", disse Lula, ao lado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante evento na refinaria da Petrobras em Minas Gerais (Regap).

A refinaria foi vendida pela petroleira para a Acelen, do fundo Mubadala Capital, dos Emirados Árabes Unidos, durante o governo de Jair Bolsonaro.

A unidade chegou a ser objeto de interesse da Petrobras, para uma eventual recompra quando Lula voltou à Presidência, mas não houve mais notícias sobre o assunto.

Mataripe é a segunda maior refinaria do país em capacidade e deverá elevar a produção de diesel de 12,4 mil para 13,7 mil metros cúbicos por dia (m³/dia) a partir de junho, disse um executivo da companhia à Reuters em fevereiro, sinalizando também planos futuros da companhia privada.

Procuradas para comentar a declaração de Lula, a Petrobras não respondeu imediatamente, enquanto a Acelen encaminhou o pedido para o fundo Mubadala, que não quis comentar.

Os preços do diesel no Brasil, que importa cerca de 25% de suas necessidades, já subiram cerca de 20% desde o início da guerra, com impacto da alta do petróleo que disparou após os ataques dos Estados Unidos e Israel contra o Irã.

O tema é olhado com atenção pelo governo, já que pode afetar a popularidade do presidente que tentará a reeleição em outubro.

Lula afirmou ainda, no evento em Minas Gerais, que o governo e a Petrobras deveriam pensar em estoques de combustíveis, como forma de amortecer impactos de guerras e outras crises.

"Eu falei para a Magda -- isso não é uma coisa rápida, isso é uma coisa que leva tempo --, mas é uma coisa estratégica que a Petrobras e o governo têm que pensar. Nós precisamos ao longo do tempo construir um estoque regulador para a gente não ser vítima do que está acontecendo hoje", disse o presidente.

"E se essa guerra durar 30 dias? E se essa guerra durar 40 dias? E se o Irã não deixar sair nenhum barril de petróleo do Estreito de Ormuz?"

Segundo ele, um país "soberano" tem que ter um estoque de produtos básicos, como arroz e feijão. "Até para que quando tiver especulação no mercado, a gente possa liberar do nosso estoque para baratear o preço."

PARCERIA COM PEMEX

O presidente também disse nesta sexta-feira que propôs uma parceria entre as empresas estatais de energia Petrobras e Pemex, do México, para explorar petróleo no Golfo do México.

"A pedido dela (Magda) eu liguei para a presidenta do México, a companheira Claudia (Sheinbaum). Você sabia que a Pemex pode ter uma ajuda muito grande da Petrobras para explorar petróleo junto com a Pemex no Golfo do México, a 2.500 metros de lâmina d'água?"

A Petrobras, a Pemex e o gabinete de Sheinbaum não responderam imediatamente aos pedidos de comentários.

A Petrobras opera no Golfo do México por meio de uma joint venture com a Murphy Exploration & Production.

A Pemex tem tentado avançar com projetos complexos no Golfo, incluindo o desenvolvimento da exploração de gás em águas profundas de Lakach, mesmo com a produção de seus campos offshore mais antigos em queda. - Reuters.


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"Trump assinou seu atestado de óbito político com essa guerra", diz Marco Fernandes

 

Analista Marco Fernandes avalia que conflito com o Irã pode gerar crise econômica, isolamento interno e derrota eleitoral para Trump


Marco Fernandes (Foto: Reprodução)

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de intensificar o confronto com o Irã pode ter consequências diretas sobre sua sobrevivência política. A avaliação é do jornalista e analista geopolítico Marco Fernandes, que aponta riscos internos e externos decorrentes do conflito, incluindo impacto econômico, rejeição popular e instabilidade institucional.

As declarações foram feitas em entrevista publicada ao canal Opera Mundi, em que Fernandes analisa os desdobramentos da escalada militar e seus efeitos sobre a política interna norte-americana. Segundo ele, a guerra não encontra respaldo significativo na sociedade dos Estados Unidos e tende a produzir efeitos adversos ao governo.

De acordo com o analista, o movimento de Trump representa uma ruptura com a base política que o levou ao poder. “O Trump assinou o seu atestado de óbito político com essa guerra. Ele vai pagar um preço muito caro”, afirmou. Ele lembra que o presidente dos Estados Unidos foi eleito com uma plataforma contrária a intervenções militares. “Ele se elegeu com a plataforma do MAGA? Era ‘No More Wars’, não queremos mais guerra. Ele já tá fazendo, já fez mais guerra do que, enfim, já matou mais gente do que já tá ali”, declarou.

Fernandes destaca que o apoio popular ao conflito é limitado. “Segundo pesquisas nos Estados Unidos, cerca de 20 a no máximo 30%, mas algumas dizem que 20% só da população apoia essa guerra. Ou seja, não é uma guerra popular nos Estados Unidos”, disse. Para ele, mesmo uma eventual vitória militar não traria ganhos eleitorais. “Ainda que ele vença, isso não vai gerar votos para ele.”

Outro ponto central da análise é o impacto econômico da escalada militar. O jornalista aponta efeitos imediatos nos preços de energia e possíveis consequências inflacionárias. “O gás já aumentou 50%, o petróleo já aumentou 15% e a expectativa é que continue a aumentar. Isso vai gerar inflação mundial, isso vai gerar inflação nos Estados Unidos”, afirmou. Ele acrescenta que o cenário se agrava diante de um contexto já pressionado internamente. “Nós estamos falando de um povo que já está numa crise econômica, que já está com uma carga inflacionária por causa das tarifas do Trump.”

Além da economia, Fernandes menciona o custo humano do conflito como fator sensível para a opinião pública. “O público americano é muito avesso a ver caixões retornando com a bandeira dos Estados Unidos, com seus filhos e filhas mortos dentro dele”, disse. Ele ressalta que, caso a guerra se prolongue, o número de vítimas tende a crescer. “Se essa guerra se prolongar, vai morrer muita gente do lado dos Estados Unidos.”

No campo político, o analista projeta dificuldades para o governo nas eleições legislativas. “Fica quase impossível Trump ganhar as midterms em novembro”, afirmou. Ele lembra ainda que o próprio presidente dos Estados Unidos reconheceu os riscos institucionais. “Ele mesmo falou na semana passada: ‘Se eu perder as duas casas, eu devo sofrer o impeachment’.”

Para Fernandes, a decisão de avançar no conflito foi uma aposta de alto risco, com consequências ainda incertas, mas potencialmente decisivas. “Eu acho que foi uma aposta muito arriscada”, declarou, ao reforçar que o cenário atual pode consolidar Trump como “o grande perdedor dessa guerra”. - 247.


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Trump ameaça destruir instalações de energia do Irã e país persa responde à altura

 

Escalada da guerra no Oriente Médio amplia risco de choque no petróleo, agrava tensão em Ormuz e aprofunda temor de colapso nos mercados globais


Donald Trump (Foto: Molly Riley/Casa Branca)


A guerra envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã entrou em uma nova etapa de forte escalada, com ameaças explícitas contra instalações de energia e infraestrutura estratégica no Golfo, ampliando o risco de uma crise regional de grandes proporções e de novos abalos na economia mundial.

Segundo reportagem da Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “obliterar” usinas de energia iranianas caso Teerã não reabra integralmente o Estreito de Ormuz em até 48 horas. A resposta iraniana veio no mesmo tom: o país avisou que poderá atacar infraestrutura dos EUA na região, incluindo instalações de energia, tecnologia da informação e dessalinização, caso a ameaça americana seja executada.

A nova declaração de Trump representa uma mudança brusca de posição. Apenas um dia antes, ele havia sinalizado a possibilidade de reduzir a intensidade do conflito, agora em sua quarta semana. A escalada reforça a estratégia de pressão máxima sobre o Irã, com foco em pontos sensíveis da economia e da infraestrutura do país.

Em sua publicação nas redes sociais, Trump afirmou: “Se o Irã não abrir COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atingir e obliterar várias de suas USINAS DE ENERGIA, começando pela maior de todas!” A declaração explicita o grau de tensão e eleva o risco de um confronto ainda mais amplo na região.

Poucas horas depois, o representante iraniano na Organização Marítima Internacional, Ali Mousavi, afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação, exceto para embarcações ligadas aos “inimigos do Irã”. Segundo ele, o trânsito pelo estreito pode ocorrer mediante coordenação de segurança com Teerã.

Dados de rastreamento marítimo citados pela Reuters indicam que algumas embarcações conseguiram atravessar a região, como navios de bandeira indiana e um petroleiro paquistanês. O Paquistão aparece como um ator de equilíbrio, mantendo relações tanto com o Irã quanto com os Estados Unidos e a Arábia Saudita.

Mercados sob pressão e risco de colapso

A escalada já produz efeitos severos nos mercados globais. O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Sua quase paralisação já desencadeou a pior crise energética desde a década de 1970.

Os preços do petróleo dispararam e atingiram o nível mais alto em quase quatro anos. A tensão se intensificou após o Iraque declarar força maior em campos petrolíferos operados por empresas estrangeiras, Israel atacar um importante campo de gás iraniano e Teerã responder com ataques contra países vizinhos, como Arábia Saudita, Catar e Kuwait.

Na Europa, os preços do gás subiram até 35% em apenas uma semana, refletindo o temor de escassez e de interrupções prolongadas no fornecimento energético.

O analista Tony Sycamore, da IG, fez um alerta contundente: “A ameaça do presidente Trump colocou agora uma bomba-relógio de 48 horas de incerteza elevada sobre os mercados. Se o ultimato não for retirado, provavelmente veremos uma ‘segunda-feira negra’, com reabertura dos mercados globais em forte queda e os preços do petróleo subindo significativamente.”

Ele acrescentou que uma eventual retaliação iraniana poderá atingir instalações energéticas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar, ampliando o impacto global da crise e aprofundando o choque de preços.

Infraestrutura energética no centro do conflito

A estratégia americana busca tornar o bloqueio do Estreito de Ormuz “economicamente e politicamente insuportável” para o Irã, sem destruir seus campos de petróleo e comprometer o abastecimento global no longo prazo.

Ainda assim, o foco nas usinas elétricas representa um risco elevado. A rede elétrica iraniana está profundamente integrada ao setor energético. Um ataque a grandes instalações pode provocar apagões generalizados e comprometer refinarias, terminais de exportação e centros de comando.

Entre as principais usinas do país estão Damavand, próxima a Teerã, Kerman, no sudeste, e Ramin, na província de Khuzestan. Todas possuem capacidade de geração superior à da única usina nuclear iraniana, localizada em Bushehr.

O quartel-general militar iraniano Khatam al-Anbiya reagiu com firmeza, afirmando que, caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, o país responderá atingindo toda a infraestrutura americana de energia, tecnologia da informação e dessalinização na região.

Expansão militar e ameaça além do Oriente Médio

O conflito também ganhou uma nova dimensão com o uso, pelo Irã, de mísseis de longo alcance. Pela primeira vez, Teerã lançou projéteis com alcance de até 4 mil quilômetros, ampliando significativamente o raio de risco.

Segundo o chefe militar de Israel, Eyal Zamir, esses mísseis não se limitam ao Oriente Médio. Ele afirmou: “Esses mísseis não são destinados a atingir Israel. Seu alcance chega às capitais europeias — Berlim, Paris e Roma estão todas dentro do alcance direto.”

Além disso, um ataque iraniano atingiu uma área próxima ao reator nuclear israelense, nas proximidades de Dimona. Em resposta, Israel realizou ataques contra Teerã poucas horas depois.

Isolamento internacional e pressão interna sobre Trump

A condução da guerra por Trump tem gerado tensões com aliados ocidentais. O presidente dos Estados Unidos chegou a acusar países da Otan de covardia por não participarem diretamente das operações para reabrir o Estreito de Ormuz.

Embora alguns aliados considerem apoio limitado, a maioria demonstra resistência em se envolver em um conflito iniciado sem consulta prévia.

O Japão, por exemplo, sinalizou que pode enviar forças para operações de desminagem marítima, mas apenas em caso de cessar-fogo.

Internamente, Trump também enfrenta desgaste político. Pesquisa Reuters/Ipsos indica que 59% dos americanos desaprovam os ataques contra o Irã, enquanto apenas 37% apoiam a ofensiva.

O aumento dos preços da energia, que pressiona a inflação nos Estados Unidos, amplia o custo político da guerra, afetando consumidores e empresas e tornando o conflito um fator relevante nas eleições legislativas de novembro.

Guerra prolongada e impacto global

Mais de 2 mil pessoas já morreram desde o início da guerra, lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, segundo a Reuters. O conflito já provocou fortes impactos nos mercados, elevou os preços dos combustíveis e aumentou o temor de uma nova onda inflacionária global.

A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz coloca em risco um dos principais pontos de circulação de energia do mundo. A troca de ameaças entre Washington e Teerã indica que o conflito pode se aprofundar ainda mais, com consequências potencialmente devastadoras para a economia global e a estabilidade geopolítica. - 247.


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