Segundo reportagem da Reuters, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou “obliterar” usinas de energia iranianas caso Teerã não reabra integralmente o Estreito de Ormuz em até 48 horas. A resposta iraniana veio no mesmo tom: o país avisou que poderá atacar infraestrutura dos EUA na região, incluindo instalações de energia, tecnologia da informação e dessalinização, caso a ameaça americana seja executada.
A nova declaração de Trump representa uma mudança brusca de posição. Apenas um dia antes, ele havia sinalizado a possibilidade de reduzir a intensidade do conflito, agora em sua quarta semana. A escalada reforça a estratégia de pressão máxima sobre o Irã, com foco em pontos sensíveis da economia e da infraestrutura do país.
Em sua publicação nas redes sociais, Trump afirmou: “Se o Irã não abrir COMPLETAMENTE, SEM AMEAÇAS, o Estreito de Ormuz, dentro de 48 HORAS a partir deste exato momento, os Estados Unidos da América irão atingir e obliterar várias de suas USINAS DE ENERGIA, começando pela maior de todas!” A declaração explicita o grau de tensão e eleva o risco de um confronto ainda mais amplo na região.
Poucas horas depois, o representante iraniano na Organização Marítima Internacional, Ali Mousavi, afirmou que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação, exceto para embarcações ligadas aos “inimigos do Irã”. Segundo ele, o trânsito pelo estreito pode ocorrer mediante coordenação de segurança com Teerã.
Dados de rastreamento marítimo citados pela Reuters indicam que algumas embarcações conseguiram atravessar a região, como navios de bandeira indiana e um petroleiro paquistanês. O Paquistão aparece como um ator de equilíbrio, mantendo relações tanto com o Irã quanto com os Estados Unidos e a Arábia Saudita.
Mercados sob pressão e risco de colapso
A escalada já produz efeitos severos nos mercados globais. O Estreito de Ormuz é responsável por cerca de um quinto do fluxo mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Sua quase paralisação já desencadeou a pior crise energética desde a década de 1970.
Os preços do petróleo dispararam e atingiram o nível mais alto em quase quatro anos. A tensão se intensificou após o Iraque declarar força maior em campos petrolíferos operados por empresas estrangeiras, Israel atacar um importante campo de gás iraniano e Teerã responder com ataques contra países vizinhos, como Arábia Saudita, Catar e Kuwait.
Na Europa, os preços do gás subiram até 35% em apenas uma semana, refletindo o temor de escassez e de interrupções prolongadas no fornecimento energético.
O analista Tony Sycamore, da IG, fez um alerta contundente: “A ameaça do presidente Trump colocou agora uma bomba-relógio de 48 horas de incerteza elevada sobre os mercados. Se o ultimato não for retirado, provavelmente veremos uma ‘segunda-feira negra’, com reabertura dos mercados globais em forte queda e os preços do petróleo subindo significativamente.”
Ele acrescentou que uma eventual retaliação iraniana poderá atingir instalações energéticas da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Catar, ampliando o impacto global da crise e aprofundando o choque de preços.
Infraestrutura energética no centro do conflito
A estratégia americana busca tornar o bloqueio do Estreito de Ormuz “economicamente e politicamente insuportável” para o Irã, sem destruir seus campos de petróleo e comprometer o abastecimento global no longo prazo.
Ainda assim, o foco nas usinas elétricas representa um risco elevado. A rede elétrica iraniana está profundamente integrada ao setor energético. Um ataque a grandes instalações pode provocar apagões generalizados e comprometer refinarias, terminais de exportação e centros de comando.
Entre as principais usinas do país estão Damavand, próxima a Teerã, Kerman, no sudeste, e Ramin, na província de Khuzestan. Todas possuem capacidade de geração superior à da única usina nuclear iraniana, localizada em Bushehr.
O quartel-general militar iraniano Khatam al-Anbiya reagiu com firmeza, afirmando que, caso os Estados Unidos ataquem a infraestrutura energética iraniana, o país responderá atingindo toda a infraestrutura americana de energia, tecnologia da informação e dessalinização na região.
Expansão militar e ameaça além do Oriente Médio
O conflito também ganhou uma nova dimensão com o uso, pelo Irã, de mísseis de longo alcance. Pela primeira vez, Teerã lançou projéteis com alcance de até 4 mil quilômetros, ampliando significativamente o raio de risco.
Segundo o chefe militar de Israel, Eyal Zamir, esses mísseis não se limitam ao Oriente Médio. Ele afirmou: “Esses mísseis não são destinados a atingir Israel. Seu alcance chega às capitais europeias — Berlim, Paris e Roma estão todas dentro do alcance direto.”
Além disso, um ataque iraniano atingiu uma área próxima ao reator nuclear israelense, nas proximidades de Dimona. Em resposta, Israel realizou ataques contra Teerã poucas horas depois.
Isolamento internacional e pressão interna sobre Trump
A condução da guerra por Trump tem gerado tensões com aliados ocidentais. O presidente dos Estados Unidos chegou a acusar países da Otan de covardia por não participarem diretamente das operações para reabrir o Estreito de Ormuz.
Embora alguns aliados considerem apoio limitado, a maioria demonstra resistência em se envolver em um conflito iniciado sem consulta prévia.
O Japão, por exemplo, sinalizou que pode enviar forças para operações de desminagem marítima, mas apenas em caso de cessar-fogo.
Internamente, Trump também enfrenta desgaste político. Pesquisa Reuters/Ipsos indica que 59% dos americanos desaprovam os ataques contra o Irã, enquanto apenas 37% apoiam a ofensiva.
O aumento dos preços da energia, que pressiona a inflação nos Estados Unidos, amplia o custo político da guerra, afetando consumidores e empresas e tornando o conflito um fator relevante nas eleições legislativas de novembro.
Guerra prolongada e impacto global
Mais de 2 mil pessoas já morreram desde o início da guerra, lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, segundo a Reuters. O conflito já provocou fortes impactos nos mercados, elevou os preços dos combustíveis e aumentou o temor de uma nova onda inflacionária global.
A disputa pelo controle do Estreito de Ormuz coloca em risco um dos principais pontos de circulação de energia do mundo. A troca de ameaças entre Washington e Teerã indica que o conflito pode se aprofundar ainda mais, com consequências potencialmente devastadoras para a economia global e a estabilidade geopolítica. - 247.
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