Escola de Referência em Ensino Fundamental e Médio Cristiano Barbosa e Silva | EREFEM (Foto: Rafael Vieira/DP)
O garoto de 14 anos apreendido em flagrante após esfaquear três meninas em uma sala de aula, em uma escola estadual de Barreiros, na Zona da Mata Sul pernambucana, vai responder por atos infracionais análogos a tentativas de feminicídio, segundo o Ministério Público de Pernambuco (MPPE).
A informação foi divulgada nas redes sociais do MPPE nesta quarta (18), dois dias após o ataque ocorrido na Escola Cristiano Barbosa e Silva.
Por meio de nota, a Promotoria de Justiça de Barreiros informa que ofereceu “representação em desfavor do adolescente”.
O adolescente que não pode ter o nome divulgado, está internado provisoriamente, em outra cidade.
“A Promotoria segue acompanhando a investigação para o esclarecimento dos fatos gravíssimos ocorridos no dia 16 de março, em escola pública do município de Barreiros”, disse o MPPE.
Ainda segundo o MPPE, existe a preocupação a respeito de boatos sobre as motivações do ataque publicados em rdes sociais.
“A Promotoria de Justiça tomou conhecimento de que as pessoas estão especulando e publicando nas redes sociais boatos atribuindo às três vítimas a culpabilidade dos ataques, penalizado-as pelos ataques sofridos e promovendo, assim, o linchamento social’, disse o MPPE.
Ainda na nota, o MPPE disse que os fatos estão sendo apurados pelas instituições competentes, “a quem cabe fazer as investigações”.
Por fim, o Ministério Público disse que “é dever de toda a comunidade proteger e cuidar das vítimas e não expô-las à situações de constrangimentos ou a qualquer risco às suas integridades físicas e psicológicas, revitimizando-as”.
O ataque
O atraque aconteceu por volta das 7h de segunda (16), poico antes do início das aulas.
O garoto levou uma faca pequena e feriu as três meninas, que têm entre 11 e 13 anos.
Duas estão em casa e outra foi levada para o Hospital da Restauração (HR), no recife.
Segundo a família da garota, ela não consegue mexer as pernas, por causa dos ferimentos.
As aulas foram retomadas nesta quarta (18), após uma ação de acolhimento de estudantes, realizada pelos gestores.
O seu tratamento é feito através da ação conjunta de antibióticos e medicações para diminuir a secreção ácida do estômago (Marina Torres/DP Foto)
“No Brasil, temos cerca de 60% da população infectada pela H. pylori, reflexo direto da nossa deficiência na área de saneamento básico”, declara Roberto Magalhães, médico gastroenterologista do Hospital Jayme da Fonte.
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam: No país, 32 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável e mais de 90 milhões vivem sem coleta e tratamento de esgoto.
A infecção pela Helicobacter pylori ocorre, principalmente, pela ingestão de água e alimentos contaminados. Apesar de geralmente assintomática, alguns estudos sugerem que a bactéria pode causar sensação de indigestão, com dor ou queimação na parte superior do abdômen, estufamento e náuseas.
Sua presença no organismo humano está fortemente associada ao desenvolvimento de úlceras gástricas e até linfoma e câncer gástrico, sendo a principal causa da gastrite crônica ativa. Desde 1994, a H. pylori é classificada como carcinógeno pela Organização Mundial de Saúde.
Devido a sua natureza silenciosa, muitas vezes a detecção só ocorre quando há suspeita de gastrite ou úlceras, fazendo-se necessário realizar uma endoscopia com biópsia e teste da urease – enzima produzida pela bactéria – ou pesquisa de fezes para identificá-la.
O tratamento da H. pylori é feito através do uso de antibióticos em conjunto com medicações para diminuir a secreção ácida do estômago. Mas nem todos os casos possuem indicação médica para sua realização.
Atualmente, o intervenção só é iniciada quando há presença da bactéria na úlcera duodenal ou gástrica, gastrite severa, histórico de câncer gástrico em parente de primeiro grau, dispepsia, linfoma gástrico ou metaplasia intestinal. Sendo a prevenção o melhor remédio.
Para evitar o contágio, é preciso consumir apenas água devidamente tratada, lavar as mãos frequentemente, principalmente antes das refeições, e higienizar os alimentos antes do consumo.
Roberto Magalhães finaliza: “O saneamento básico é essencial para a prevenção da contaminação pela bactéria. Sendo necessário uma ampla oferta de tratamento de esgoto e água à população, para redução da sua prevalência nos habitantes de regiões onde as condições sanitárias são deficitárias”.
O Hospital Jayme da Fonte é referência na saúde pernambucana, contando com uma equipe multiprofissional especializada em diversas áreas. A unidade também possui um centro de diagnóstico por imagem, urgência e emergência 24h e consultas ambulatoriais.
O seu tratamento é feito através da ação conjunta de antibióticos e medicações
para diminuir a secreção ácida do estômago (Marina Torres/DP Foto)
Custando R$ 7,45, o preço médio do litro da gasolina em Pernambuco foi, nesta terça-feira (17), o maior do Nordeste e o terceiro mais caro do Brasil. No final de fevereiro, antes do fechamento do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, o preço médio do combustível no estado era R$ 6,42, na época o sexto mais caro do país.
Os dados foram levantados pelo Diario de Pernambuco com auxílio do painel interativo da ValeCard, que monitora em tempo real a evolução dos preços de combustíveis no Brasil.
No cenário nacional, o valor médio no estado fica atrás do Acre e Roraima, ambos na Região Norte, que registraram, respectivamente, R$ 7,78 e R$ 7,47. No entanto, o aumento em Pernambuco foi maior. Oestado teve o terceiro maior salto do país, 16,04%, ao analisar o preço do litro da gasolina entre 28 de fevereiro e 17 de março, ficando atrás do Maranhão (17,04%) e da Bahia (16,91%).
No mesmo período, o combustível no Acre encareceu 14,41%, ficando logo atrás de Pernambuco. Já Roraima, por outro lado, é apontado pelo painel como a menor variação entre as datas, uma vez que já registra um dos litros mais caros do país.
Diesel
O óleo diesel também segue em escalada. Segundo a ValeCard, também nesta terça-feira (17), Pernambuco registrou o terceiro litro mais caro do Nordeste, custando R$ 7,21. Em comparação com 28 de fevereiro, o combustível no estado custava R$ 5,89, o que significa uma alta de 22,41%.
Com a velocidade do aumento, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) instaurou um inquérito civil para investigar supostos reajustes abusivos nos preços de combustíveis do Recife. Segundo o MPPE, o procedimento analisará se postos de gasolina e distribuidoras estão praticando repasses indevidos ao consumidor nos aumentos dos preços dos combustíveis.
Para a promotoria, há indícios de que os reajustes tenham sido repassados aos consumidores mesmo quando os postos ainda possuíam combustível adquirido por valores anteriores. Em paralelo, o Procon Pernambuco já notificou, até esta terça-feira (17), 107 postos de gasolina e distribuidoras no Grande Recife, Zona da Mata e no Agreste do estado. A fiscalização continuará por tempo indeterminado na Região Metropolitana do Recife e no interior do estado, conforme o órgão.
O presidente do PSB consolidou a aliança com Republicanos, PT e PDT para disputar o governo de Pernambuco
João Campos, Humberto Costa Marília Arraes (Foto: Divulgação I Jefferson Rudy/Agência Senado I Reprodução/Redes Sociais)
O prefeito do Recife e pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos (PSB), teria definido nesta quarta-feira (18) os contornos de sua aliança eleitoral para 2026. Segundo informações publicadas pelo colunista Igor Maciel e confirmadas pelo 247, o chefe do Executivo municipal escolheu Carlos Costa (Republicanos) para compor a chapa como candidato a vice-governador.
O político escolhido para a chapa com o prefeito é irmão do ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos). Para as duas vagas do Senado Federal, os nomes indicados são o do senador Humberto Costa (PT) e o da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT).
De acordo com as mesmas fontes, o anúncio oficial da composição da chapa está previsto para acontecer na próxima quinta-feira (19), quando Campos deve formalizar publicamente as alianças construídas nos bastidores. A definição da vice e dos candidatos ao Senado sinaliza o avanço da articulação política do prefeito recifense em direção à disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.
O que dizem as pesquisas
O movimento de consolidação da chapa ocorre num momento em que João Campos aparece com folga na dianteira das pesquisas de intenção de voto para o governo estadual. Levantamento do instituto Datafolha, divulgado em 6 de fevereiro, mostrou o prefeito do Recife com 47% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 35% da atual governadora Raquel Lyra (PSD). Na sequência, Eduardo Moura (Novo) aparece com 5% e Ivan Moraes (PSOL) com 1%. Brancos e nulos somaram 10%, enquanto 2% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
Os números do instituto Real Time Big Data reforçam o favoritismo de Campos. No principal cenário estimulado, o prefeito registra 51% das intenções de voto — maioria absoluta já no primeiro turno. Raquel Lyra aparece na segunda posição, com 31%, seguida por Eduardo Moura (Novo), com 8%, e Ivan Moraes (PSOL), com 3%.
Levantamento realizado pelo instituto Datafolha em parceria com a CBN indica que Marília Arraes e Humberto Costa aparecem à frente na disputa eleitoral em todos os cenários analisados. Ela registrou 36% das intenções de voto no principal cenário estimulado, enquanto Humberto soma 24%, ambos com vantagem sobre os demais candidatos.
No mesmo cenário, Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) aparecem empatados com 18%, seguidos por Armando Monteiro (Podemos), que alcança 12%. Gilson Machado e Anderson Ferreira (PL) têm 11% cada, enquanto Silvio Costa Filho (Republicanos) registra 10%. Nas últimas posições, Jô Cavalcanti (PSOL) soma 3% e Fernando Dueire (MDB) aparece com 2%.
Xadrez político
A escolha de Carlos Costa (Republicanos) como vice sinaliza uma estratégia de ampliação da base aliada de Campos para além do campo progressista. O Republicanos, partido de perfil conservador com forte capilaridade em comunidades religiosas evangélicas, representa um ativo eleitoral relevante para uma candidatura que busca consolidar uma coalizão ampla o suficiente para vencer no primeiro turno.
Já a indicação do senador Humberto Costa (PT) para disputar uma das vagas do Senado reforça o vínculo de Campos com o campo petista — parceria estratégica que conecta a candidatura ao governo estadual ao apoio da base aliada do presidente Lula em Pernambuco.
A inclusão de Marília Arraes (PDT) na chapa senatorial, por sua vez, representa um movimento de reconciliação política relevante: ex-filiada ao PT e prima de Campos, Arraes disputou o governo de Pernambuco em 2022 em campos opostos ao do prefeito recifense, tendo apoiado Raquel Lyra naquele pleito. - 247.
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no escândalo do Banco Master, brigou na Justiça de Pernambuco, de 2021 a 2024, para esconder links no Google que o associavam a supostas irregularidades
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro. (Foto: Divulgação/Lide)
Figura central no escândalo do Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro travou uma disputa no Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), de 2021 a 2024, para que o Google removesse notícias que o associavam a irregularidades financeiras. Alvo da Polícia Federal (PF), ele está preso preventivamente desde o início do mês, suspeito de comandar um esquema que teria fraudado R$ 12 bilhões com carteiras falsas de crédito.
Para propor a ação no Tribunal pernambucano, Daniel Vorcaro, de 42 anos, e o pai, Henrique Moura Vorcaro, de 64, informaram morar em um flat em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Nos autos, aos quais o Diario de Pernambuco teve acesso, o endereço indicado aparece com imprecisões no CEP e no nome da rua.
O pedido para remover os links no Google foi feito à Justiça em 5 de abril de 2021. Os conteúdos negativos – classificados pelos Vorcaro como “fantasiosas notícias” – já os associavam a investigações e processos administrativos ligados ao mercado financeiro. À época, o Banco Master ainda se chamava Banco Máxima, do qual Daniel Vorcaro era diretor.
Nove dias após entrar com a ação, o banqueiro conseguiu uma decisão liminar favorável. As informações sobre as supostas irregularidades ficaram fora do ar até 2024, quando a decisão de primeira instância foi revertida pelo TJPE.
Conteúdos negativos
Ao todo, os Vorcaro pediam a retirada de 37 links dos resultados de busca. Entre eles, estavam páginas hospedadas nos sites do Governo Federal, da Câmara dos Deputados e do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
Também havia reportagens sobre acordo milionário da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), autarquia ligada ao Ministério da Fazenda, para encerrar um procedimento administrativo que apurava irregularidades na emissão de debêntures. Pelo acordo, Daniel Vorcaro pagou R$ 250 mil.
No site da Câmara, os Vorcaro pediam a desindexação de um link sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigava irregularidades envolvendo o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) entre 2003 e 2015. A página divulgava que um deputado federal requereu a convocação de Henrique Vorcaro para depor enquanto diretor da Multipar Empreendimentos e Participações Ltda.
A ação se estendia ainda a links que exibiam apenas as empresas e os processos judiciais dos Vorcaro. No pleito, eles dizem que têm imagens "sérias, honradas e comprometidas no mundo corporativo". "Tais conteúdos falsos e noticiosos têm causado prejuízo familiar, moral, emocional e financeiro", registra a ação, assinada pelo advogado Alexandre Alves dos Santos.
Nos autos, o advogado alegou que os conteúdos violavam a honra e a privacidade da família e invocou o chamado “direito ao esquecimento”. Segundo a defesa, a medida não impediria o acesso às páginas, apenas sua exibição no Google.
Vorcaro está detido no Penitenciária Federal de Brasília (Reprodução)
“Distorção da realidade”
O pedido do banqueiro foi acolhido pelo juiz Robinson José de Albuquerque Lima, da 7ª Vara Cível da Capital, do TJPE. A decisão liminar é de 14 de abril de 2021.
"Neste momento processual, a incontinente retirada das informações ofensivas contra a dignidade e nome do postulante, que sequer foi indiciado, da ferramenta de buscas provida pelo sítio eletrônico da empresa ré, haja vista que tais acusações carregam consigo pechas e máculas quase que indeléveis, periclitando sobremaneira não só os brios e a hombridade, como o padrão remuneratório e o sustento do acusado", escreveu o magistrado.
Ao recorrer no mês seguinte, a Google Brasil alegou não ter responsabilidade por conteúdo produzido por terceiros. A empresa também destacou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já havia pacificado que os provedores de pesquisa não podem ser obrigados a eliminar de seu sistema os resultados derivados da busca de determinados termos ou expressões.
No processo, a Google Brasil mencionou que Daniel Vorcaro e o pai não apontavam quais conteúdos seriam ofensivos e quais notícias seriam falsas. "É evidente que a remoção dos resultados de busca, na forma pretendida nesta demanda, é uma tentativa de distorção da realidade, feita em prejuízo direto da Google, dos interesses de terceiros e da liberdade de informação", assinalou.
A multinacional acrescentou: "Mostra-se imprescindível observar que o conteúdo impugnado guarda relação com processos judiciais e administrativos verdadeiros e públicos, sendo que as informações foram divulgadas pelo próprio órgão regulador e judiciário". Sobre o direito ao esquecimento, a contestação declara que o princípio não é amparado pela Constituição Federal e, ainda que fosse, "não cabe ao provedor de pesquisa a sua implementação".
Multas e sentença
Nos meses seguintes, a defesa dos Vorcaro afirmou reiteradamente que o Google não havia cumprido a liminar e os links seguiam sendo exibidos na busca. Atendendo aos pedidos, o juiz elevou a multa diária de R$ 4 mil para R$ 10 mil, depois para R$ 20 mil e, por fim, determinou o bloqueio de R$ 1,256 milhão das contas do Google.
"Essa renitência infundada e acintosa não pode ser tolerada, sob pena de se propagar desprestígio ao Poder Judiciário e se perpetuar o prejuízo que a parte autora vem sofrendo", escreve o advogado Alexandre Alves dos Santos em um dos requerimentos.
"Considerando que a majoração das astreintes [multas diárias] não vêm se mostrando eficaz e aptas a convencer o réu acerca da autoridade das decisões deste Poder Judicante, resta então adotar outras condutas a fim de se garantir a efetividade da tutela específica", escreveu o juiz em 1º de julho daquele ano ao bloquear o valor milionário.
Após o bloqueio financeiro, em 15 de julho, a Google Brasil informou "que deu imediato cumprimento à obrigado imposta, procedendo com a desindexação das 37 URLs objeto dos autos". Finalmente, em 17 de junho de 2022, o juiz assinou sentença sobre o caso, confirmando a liminar que havia concedido.
Sede do Tribunal de Justiça de Pernambuco. (crédito: Arquivo/TJPE)
"Assemelha-se a censura"
A Google Brasil apresentou apelação ao Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) após a derrota na primeira instância. "A pretensão ao esquecimento é uma tentativa absolutamente equivocada de reescrever a história", diz a multinacional no recurso. "A restrição do acesso a esse conteúdo, assemelha-se a censura e, portanto, é ato que atenta diretamente contra essa garantia constitucional".
A companhia também destrincha as 37 URLs alvo da petição para sustentar que os conteúdos são "perfeitamente lícitos". O acórdão da 4ª Câmara Cível, publicado em março de 2024, aceitou o recurso da Google Brasil e reformou a sentença. Como a liminar foi concedida ainda em abril de 2021, isso significa que os Vorcaro conseguiram manter os links inacessíveis pelo buscador por quase três anos.
Em seu voto, o relator do recurso, desembargador Humberto Vasconcelos, diz que os autores da ação pediram desindexação de "links que façam referência a notícias que alegam ferir o direito a privacidade dos requerentes, no entanto, o que há nos links dos autos são informações de interesse público sobre processos, empresas, operações policiais, etc".
Para o desembargador, os Vorcaro estarem sendo investigados não configura "fato desabonador da honra". "São fatos públicos que efetivamente ocorreram, segundo as notícias divulgados à época", escreve no voto.
Ele continua: "Não há uma notícia difamatória sequer nos links colacionados ao feito pois o fato de se relacionar o nome dos apelados em sites como o Jusbrasil, por exemplo, não é mácula alguma que não a demonstração de que o nome dos apelados está relacionado a algum processo e só".
O desembargador também determinou o cancelamento da multa imposta ao Google e condenou o banqueiro e o pai ao pagamento das despesas e custas processuais. O voto foi seguido de forma unânime pelos demais desembargadores. Sem recurso da defesa dos Vorcaro, o processo transitou em julgado em 22 de abril de 2024.
Vorcaro morava no Recife, diz defesa
Ao Diario de Pernambuco, o advogado Alexandre Alves dos Santos diz que Daniel Vorcaro morava no Recife à época, conforme consta no processo. “Você pode residir em mais de um local. Na época que me contatou, ele morava em Boa Viagem. Até encontrei ele em um shopping para conversar sobre o processo", afirma o advogado, que conta ter sido apresentado ao empresário por um “amigo de confiança” e que esse foi o único processo em que o representou.
Alexandre destaca que Vorcaro não tinha a mesma visibilidade de agora, o conhecendo apenas como um empresário bem-sucedido interessado em retirar links que “o associavam a fatos pretéritos”.
Sobre não ter apresentado recursos após o acórdão, o advogado diz que o interesse de Vorcaro com o processo “esfriou”. “Ele estava preocupado com outras coisas. O último contato que tive com ele foi na época da sentença de primeiro grau”.
A reportagem também entrou em contato com o escritório representante da Google Brasil, que preferiu não se pronunciar.
A inteligência americana concluiu
nesta quarta-feira (18) que o Irã não estava reconstruindo suas capacidades de
enriquecimento nuclear destruídas em um ataque conjunto dos Estados Unidos e Israel
em junho de 2025, contradizendo as justificativas do presidente Donald Trump
para a guerra.
Tulsi Gabbard, uma aliada de Trump e diretora de Inteligência Nacional, compartilhou esta conclusão por escrito em uma análise anual de ameaças, mas não a repetiu ao se dirigir aos senadores.
"Como resultado da Operação Martelo da Meia-Noite ("Midnight Hammer"), o programa nuclear do Irã foi aniquilado. Desde então, não houve esforços para tentar reconstruir sua capacidade de enriquecimento", afirmou Gabbard à Comissão de Inteligência do Senado.
Ao ser questionada por um senador democrata sobre por que não repetiu esta conclusão diante das câmeras, Gabbard respondeu que não teve tempo suficiente para ler o relatório completo durante a audiência, embora não tenha negado a validade da análise.
Trump afirmou reiteradamente que ordenou o ataque contra o Irã —em colaboração com Israel— em 28 de fevereiro devido a uma "ameaça iminente".
Após o bombardeio de junho de 2025, Trump declarou que os Estados Unidos haviam destruído completamente as instalações nucleares do Irã.
No entanto, desde o início do seu conflito bélico mais recente, sustenta que Teerã estava a poucas semanas de obter uma bomba atômica, uma ideia não compartilhada pela maioria dos observadores e alegada apesar das conversas em andamento sobre um acordo nuclear.
Um assessor de alto escalão de Gabbard —que, em sua época como deputada,liderou a oposição a uma guerra com o Irã— renunciou ao cargo na terça-feira (17), argumentando que não havia "ameaça iminente" e que Trump foi induzido ao erro por Israel e pela imprensa.
Gabbard destacou aos senadores que o Irã havia sofrido duros golpes durante as semanas de ataques —incluindo o assassinato do líder supremo Ali Khamenei—, mas que a República Islâmica continuava em operação.
A comunidade de inteligência americana "avalia que o regime do Irã permanece intacto, embora consideravelmente enfraquecido devido aos ataques contra sua liderança e suas capacidades militares", afirmou.
"Se um regime hostil conseguir sobreviver, é provável que empreenda um esforço de vários anos para reconstruir suas forças militares, seus arsenais de mísseis e suas unidades de veículos aéreos não tripulados", acrescentou.
A confirmação de um caso de sarampo em uma bebê de 6 meses em São Paulo, na semana passada, acendeu novamente o alerta sobre a importância de manter altas coberturas vacinais como uma barreira para proteger quem ainda não pode ser imunizado.
A bebê ainda não tinha idade para receber a vacina, já que o calendário do Sistema Único de Saúde prevê a aplicação da primeira dose da tríplice viral aos 12 meses, o que garante a proteção contra o sarampo, a caxumba e a rubéola. Aos 15 meses, as crianças devem receber uma dose da tetra viral, que reforça a imunidade contra essas três doenças e acrescenta a catapora na lista.
De acordo com o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, quando a cobertura está alta, os bebês mais novos ficam protegidos pela barreira criada por quem já se vacinou.
"A vacina do sarampo também impede a infecção e a transmissão com alta efetividade. Ela tem essa capacidade, que a gente chama de esterilizante. Além de prevenir que a pessoa contraia a doença, ela também evita que essa pessoa seja um portador e transmissor do vírus", explica Kfouri.
A bebê diagnosticada com sarampo viajou com a família para a Bolívia em janeiro. O país vizinho vive um surto de sarampo desde o ano passado, e a alta cobertura também é essencial para impedir que casos importados como esse iniciem surtos dentro do Brasil.
"O sarampo é uma doença de altíssima transmissibilidade, especialmente entre os não vacinados. A imunização em altas taxas é o que funciona como barreira na circulação do vírus. Mas se isso não acontecer, não é nem necessário que alguém viaje e contraia o vírus lá fora. Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo", alerta o vice-presidente da Sbim.
No ano passado, 92,5% dos bebês receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema na idade correta.
Proteção para toda a vida
Os bebês vacinados dentro do tempo ficam protegidos ao longo da vida, mas crianças e adultos que não têm comprovante de vacinação devem receber a vacina. Dos 5 aos 29 anos, recomenda-se duas doses, com intervalo de um mês. Dos 30 aos 59 anos, é necessária apenas uma dose. A vacina só não pode ser tomada por gestantes e pessoas imunocomprometidas.
O caso na bebê em São Paulo foi o primeiro registro da doença no país neste ano, mas, no ano passado, outras 38 infecções foram confirmadas, a maior parte com origem importada.
Ainda assim, o país segue com o certificado de área livre da doença, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, porque, felizmente, não há transmissão sustentada de sarampo no nosso território.
No entanto, o Brasil já havia conquistado esse certificado antes, em 2016, e acabou perdendo em 2019, após surtos que começaram com casos importados.
Alerta nas Américas
O continente americano vive uma situação preocupante com relação à doença. No ano passado foram registrados 14.891 casos em 14 países, com 29 mortes. Já este ano, somente até o dia 5 de março, foram 7.145 infecções confirmadas. Isso significa que, em apenas dois meses, foi detectada quase metade de todos os casos do ano passado. A situação é mais grave no México, Estados Unidos e Guatemala.
Kfouri reforça que, independentemente do país, a grande maioria dos casos ocorreu em pessoas não vacinadas, principalmente crianças menores de 1 ano. E, ao contrário do que muita gente pensa, não se trata de uma doença inofensiva da infância:
"Nos surtos, em geral, para cada 1 mil casos da doença, a gente costuma ter um óbito, mas estamos registrando uma proporção muito maior. No ano passado, foram quase 15 mil casos nas Américas, com quase 30 óbitos. As complicações mais comuns são pneumonia ou quadros neurológicos, como encefalite".
O principal sintoma da doença é o surgimento de manchas vermelhas pelo corpo e febre alta, mas ela também costuma causar tosse, coriza, irritação nos olhos e mal-estar. O vice-presidente da Sbim complementa que a infecção pelo vírus também causa um efeito secundário perigoso: a supressão do sistema imunológico.
"Durante três a seis meses após a infecção pelo sarampo, o nosso sistema de defesa não funciona corretamente, e a gente fica mais vulnerável a ter outras doenças oportunistas infecciosas, que também podem ser graves", alerta Renato Kfouri.