sábado, 16 de maio de 2026

Governo Lula amplia verba para câncer e inclui 23 medicamentos no SUS

 

Pacote de R$ 2,2 bilhões prevê novos tratamentos oncológicos, reajuste de repasses e ampliação da cirurgia robótica na rede pública


Lula e Alexandre Padilha (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

O governo federal anunciou nesta sexta-feira (15) a ampliação dos repasses para procedimentos oncológicos e a inclusão de 23 novos medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento de 18 tipos de câncer. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante evento realizado no Hospital de Amor, em Barretos, no interior de São Paulo.

As informações foram divulgadas originalmente pela Folha de S.Paulo. Segundo o Ministério da Saúde, as medidas fazem parte de um pacote de investimentos de R$ 2,2 bilhões voltado à ampliação do acesso a tratamentos contra o câncer na rede pública.

De acordo com a pasta, os valores pagos pelo SUS à rede privada para atendimentos oncológicos poderão passar dos atuais R$ 1.200 para até R$ 25 mil, dependendo do procedimento realizado. A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas, aposta do governo federal para fortalecer os atendimentos especializados no país.

Novos medicamentos serão incorporados

Durante a cerimônia, Alexandre Padilha afirmou que os 23 novos medicamentos começam a ser incorporados à nova tabela da oncologia dentro do programa federal. Segundo ele, milhares de pacientes já poderiam ser beneficiados pelos tratamentos.

“Isso significa tratamento para 18 tipos de câncer. Hoje tem 112 mil pacientes no Brasil que já poderiam ser beneficiados com esses medicamentos, que não são, porque a gente não tem ainda esse medicamento da tabela da oncologia [...] Tem medicamento que custa R$ 25 mil por mês para ele fazer o tratamento. Tem medicamento que, para concluir o tratamento de quimioterapia, [custa] R$ 630 mil, agora é de graça pelo SUS”, declarou o ministro.

O governo pretende ampliar os atendimentos especializados por meio da contratação de leitos ociosos em hospitais e clínicas privadas. Além disso, as unidades poderão utilizar atendimentos prestados ao SUS para abater dívidas junto à União.

O Hospital de Amor, considerado uma das principais referências em oncologia no Brasil, também apresentou números relacionados à pesquisa clínica realizada na instituição. Segundo dados divulgados no evento, somente em 2025 foram mais de 9.500 atendimentos nessa área.

Hospital amplia pesquisa e inovação

Ainda conforme o hospital, atualmente existem 233 protocolos ativos de pesquisa clínica na instituição, além de aproximadamente 800 pacientes acompanhados em tratamentos ligados a estudos científicos.

Durante o encontro, foi apresentado o projeto de um novo centro de pesquisa clínica e cirurgia robótica. A proposta busca ampliar a capacidade do hospital em integrar assistência oncológica, inovação médica, produção científica e formação profissional.

A cerimônia de lançamento da pedra fundamental do novo centro contou também com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho.

Cirurgia robótica terá financiamento permanente

Outra medida anunciada pelo governo foi a criação de um financiamento permanente para cirurgias robóticas de câncer de próstata no SUS. O investimento previsto para essa frente é de R$ 50 milhões.

Também foi assinada uma portaria que libera R$ 129 milhões em recursos suplementares para o Hospital de Amor. O pacote inclui ainda um acordo entre o Ministério das Comunicações e a instituição para a criação da Rede Saúde Brasil de Cibersegurança.

Segundo o governo, o investimento inicial no projeto será de R$ 2 milhões. A iniciativa pretende conectar as unidades do Hospital de Amor em Barretos e Porto Velho, permitindo a realização das primeiras telecirurgias robóticas do SUS. A expectativa da instituição é iniciar os procedimentos a partir de julho.

Hospital vê avanço no acesso ao tratamento

Para o presidente do Hospital de Amor, Henrique Prata, os anúncios representam uma mudança importante na estrutura do atendimento oncológico no país.

Segundo ele, as medidas anunciadas pelo governo federal ajudam a ampliar o acesso à cirurgia robótica para pacientes do SUS, além de fortalecer a pesquisa clínica e melhorar a capacidade de atendimento da instituição. - 247.



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Lula cresce no Datafolha em pesquisa que ainda não capta o impacto do escândalo Flávio-Vorcaro

 

Levantamento realizado antes da divulgação dos áudios mostra avanço de Lula sobre Zema e Caiado e empate com Flávio Bolsonaro




O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou crescimento em cenários da disputa presidencial de 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, mas o levantamento ainda não captou os efeitos políticos da revelação das conversas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, caso que passou a ser chamado de escândalo “Flávio-Vorcaro” ou “Dark Horse”.

As informações foram publicadas originalmente pela Folha de S.Paulo. A pesquisa foi realizada entre terça-feira (12) e quarta-feira (13), antes da ampla repercussão da divulgação dos diálogos pelo site Intercept Brasil. O instituto ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Mesmo sem registrar ainda os possíveis impactos do caso envolvendo Flávio Bolsonaro, o levantamento aponta melhora no desempenho eleitoral de Lula em comparação ao cenário de abril, especialmente nas simulações de segundo turno contra os ex-governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

Lula abre vantagem sobre Zema e Caiado

Na disputa direta contra Romeu Zema, Lula aparece agora com 46% das intenções de voto, contra 40% do ex-governador de Minas Gerais. Já no confronto com Ronaldo Caiado, o presidente registra 46%, enquanto o ex-governador de Goiás soma 39%.

Nos dois cenários, 13% afirmaram votar em branco ou nulo, e 2% disseram não saber em quem votar. Na pesquisa anterior, divulgada em abril, Lula aparecia tecnicamente empatado com ambos os adversários.

O presidente também manteve estabilidade no cenário mais competitivo da pesquisa: o eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro. Os dois aparecem empatados com 45% das intenções de voto. Outros 9% declararam voto branco ou nulo, enquanto 1% afirmou não saber.

Escândalo envolvendo Flávio ficou fora da maior parte das entrevistas

Segundo a reportagem da Folha, a maior parte das entrevistas foi realizada antes da publicação das conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. O episódio interrompeu uma sequência de acontecimentos politicamente favoráveis ao senador.

Nos últimos meses, Flávio vinha acumulando vitórias políticas importantes para o campo bolsonarista. Entre elas, a derrubada do veto presidencial ao chamado PL da Dosimetria, medida que abre caminho para redução de penas e pode beneficiar juridicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Além disso, o senador tentou explorar politicamente a rejeição, pelo Senado Federal, da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A derrota foi histórica: pela primeira vez desde 1894, um indicado à Corte foi barrado pelos senadores.

pesquisa-datafolha


Governo apostou em medidas de apelo popular

O avanço de Lula sobre parte dos adversários ocorre após o governo federal lançar medidas de forte repercussão popular nas últimas semanas. Entre elas, a revogação da chamada “taxa das blusinhas” e a medida provisória voltada à contenção do aumento do preço da gasolina.

Analistas avaliam que iniciativas com impacto direto no custo de vida ajudaram o governo a melhorar sua posição em segmentos do eleitorado mais afetados pela inflação e pelo preço dos combustíveis.

Já Romeu Zema passou a concentrar parte de seus discursos em críticas ao STF, movimento que levou o ex-governador mineiro a virar alvo de acusações da Procuradoria-Geral da República.

Primeiro turno mantém polarização

No cenário estimulado de primeiro turno, Lula lidera com 38% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 35%. Romeu Zema e Ronaldo Caiado aparecem com 3% cada.

Renan Santos (Missão) registra 2%, enquanto Cabo Daciolo (Mobiliza) soma 1%. Outros 9% afirmaram votar em branco ou nulo, e 3% disseram não saber.

Em uma segunda simulação de primeiro turno, com a presença de Ciro Gomes (PSDB), Lula aparece com 37%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 34%. Ciro soma 5%, Zema tem 4%, e Caiado, Renan Santos e Augusto Cury aparecem com 2% cada.

Apesar de figurar no levantamento, Ciro Gomes já afirmou publicamente que pretende disputar o Governo do Ceará e não o Palácio do Planalto.

Lula lidera espontânea com folga

Na pesquisa espontânea — quando o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos — Lula mantém ampla liderança. O presidente foi citado por 27% dos entrevistados, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 18%.

O ex-presidente Jair Bolsonaro, que está inelegível, foi lembrado por 3% dos entrevistados. Ronaldo Caiado registrou 1%.

O índice de indecisos ainda é elevado: 39% afirmaram não saber em quem votar.

Rejeição segue elevada entre Lula e Flávio

Lula e Flávio Bolsonaro também concentram os maiores índices de rejeição da disputa. Segundo o Datafolha, 47% afirmam que não votariam no atual presidente “de jeito nenhum” no primeiro turno.

Entre Flávio Bolsonaro, o índice de rejeição chega a 43%. Os números permanecem relativamente estáveis em relação ao levantamento de abril.

Romeu Zema registra 15% de rejeição e é desconhecido por 54% do eleitorado. Ronaldo Caiado tem rejeição de 13% e é desconhecido por 53% dos entrevistados.

Eleitorado de centro segue decisivo

O Datafolha também mediu o comportamento dos eleitores que não se identificam nem com o bolsonarismo nem com o petismo. Nesse segmento, considerado estratégico para a eleição de 2026, Flávio Bolsonaro aparece numericamente à frente de Lula.

Entre os entrevistados posicionados no centro da escala ideológica proposta pelo instituto, 38% disseram votar em Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno, enquanto 32% escolheriam Lula. Outros 27% afirmaram que votariam em branco ou nulo. = 247.



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Governo Lula lançará programa de R$ 30 bilhões para renovar carros de apps

 

Medida prevê crédito subsidiado para motoristas de aplicativo e taxistas, com incentivo à compra de veículos elétricos e participação do BNDES

Governo Lula lançará programa de R$ 30 bilhões para renovar carros de apps (Foto: Brasil 247 )

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara o lançamento de um programa de financiamento voltado à renovação da frota de veículos utilizados por motoristas de aplicativo e taxistas. A iniciativa deve ser anunciada na próxima terça-feira, 19, em São Paulo, e prevê até R$ 30 bilhões em recursos federais para concessão de crédito com juros subsidiados.

As informações foram divulgadas originalmente pela revista Exame, que revelou detalhes da proposta em elaboração pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também participará da operação financeira, enquanto as regras definitivas para adesão ao programa ainda serão regulamentadas por meio de uma Medida Provisória (MP).

A proposta faz parte da estratégia do governo federal para ampliar o acesso ao crédito e estimular setores ligados à mobilidade urbana. Segundo informações obtidas pela EXAME, o texto em discussão também prevê a possibilidade de financiamento para veículos importados, além de incluir estímulos à eletrificação da frota de carros utilizados em aplicativos de transporte.

Critérios para adesão ao programa

Nas negociações entre integrantes do governo e representantes do setor de transporte por aplicativo, um dos critérios discutidos para participação no programa é a comprovação de pelo menos 100 corridas realizadas nos últimos 12 meses. O parâmetro representa uma média aproximada de duas viagens semanais ao longo de um ano.

A exigência busca ampliar o alcance da política pública entre profissionais efetivamente ativos na atividade e, ao mesmo tempo, reduzir o risco de fraudes no acesso ao financiamento subsidiado. Ainda não foram divulgados detalhes sobre taxas de juros, prazos de pagamento ou limite de renda dos beneficiários.

Outro eixo considerado prioritário pelo governo é a modernização da frota com incentivo à adoção de veículos elétricos ou menos poluentes. Uma fonte com conhecimento da formulação da proposta afirmou à EXAME que a eletrificação faz parte das diretrizes centrais do programa.

Governo busca aproximação com motoristas de aplicativo

O lançamento da medida ocorre em meio ao esforço do governo Lula para ampliar sua presença entre categorias profissionais historicamente associadas a pautas defendidas pela direita, como motoristas de aplicativo e caminhoneiros.

Além da renovação da frota de carros de aplicativo, o Palácio do Planalto vem anunciando sucessivas linhas de financiamento voltadas ao setor de transportes e à indústria nacional. No fim de abril, o governo ampliou o programa Move Brasil, originalmente criado para a compra de caminhões, incluindo também ônibus no pacote de financiamento.

O Move Brasil possui orçamento total de R$ 21,2 bilhões, sendo R$ 14,5 bilhões oriundos do Tesouro Nacional e R$ 6,7 bilhões do BNDES. Segundo comunicado divulgado na ocasião pelo MDIC, os recursos são destinados a transportadores autônomos de cargas, cooperativas e empresas do setor de transporte rodoviário e urbano.

Programa também beneficia caminhoneiros e empresas

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, os recursos do Move Brasil “só poderão ser usados na aquisição de veículos de fabricação nacional que atendam às regras de conteúdo local do BNDES”.

A pasta informou ainda que, no caso de caminhoneiros autônomos e cooperativados, a Medida Provisória permite não apenas a compra de veículos novos, mas também de seminovos. A iniciativa foi apresentada como parte da política de estímulo à indústria automotiva e renovação da frota nacional.

Também em abril, o vice-presidente Geraldo Alckmin anunciou uma nova linha de crédito de R$ 10 bilhões voltada à modernização de máquinas e implementos agrícolas. O financiamento integra o Move Brasil e utiliza recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, administrado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). - 247.


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Flávio Bolsonaro virou zumbi e Eduardo Bolsonaro entrou na mira da PF

 

O navio do bolsonarismo começou a afundar e o naufrágio é irreversível


Flávio Bolsonaro virou zumbi e Eduardo Bolsonaro entrou na mira da PF (Foto: Brasil 247 / Dall-E)

O bolsonarismo entrou em sua fase terminal. O que se vê agora não é mais um projeto político em expansão, mas um agrupamento em decomposição, corroído por denúncias, disputas internas, dependência financeira obscura e crescente isolamento político. O vazamento das mensagens envolvendo Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro abriu uma fissura irreparável no núcleo do clã e produziu um efeito devastador: o herdeiro político escolhido por Jair Bolsonaro passou a ser visto, até mesmo entre aliados, como um cadáver eleitoral ambulante. Um zumbi político.

Mas talvez o aspecto mais explosivo dessa crise ainda esteja por vir. Uma investigação séria da Polícia Federal sobre o destino dos recursos transferidos a um fundo texano administrado pelo advogado de Eduardo Bolsonaro provavelmente caminhará para um ponto inevitável: descobrir o destino real dos recursos movimentados no entorno do clã. E há fortes razões para supor que Eduardo Bolsonaro esteja no centro dessa engrenagem.

Nos Estados Unidos, Eduardo tem mantido uma vida de luxo e não apenas atuou sistematicamente contra os interesses nacionais como também se transformou em operador de interesses estrangeiros dentro da política brasileira. Enquanto o Brasil buscava preservar relações diplomáticas minimamente equilibradas, o filho de Jair Bolsonaro fazia campanha aberta em favor de tarifas impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros. Mais grave ainda: atuou politicamente para estimular sanções internacionais contra ministros do Supremo Tribunal Federal, defendendo a aplicação da chamada Lei Magnitsky – instrumento utilizado pelos EUA para punir governos e autoridades estrangeiras.

Trata-se de um comportamento sem precedentes na história política brasileira recente. Nunca um parlamentar nacional trabalhou de maneira tão explícita para fragilizar instituições do próprio país perante potências estrangeiras. Eduardo cruzou a fronteira da oposição política tradicional e passou a atuar como agente de sabotagem institucional, podendo ter sido financiado por Daniel Vorcaro.

A nota divulgada por Eduardo Bolsonaro, longe de encerrar a crise, ampliou as suspeitas. O texto não explica adequadamente a utilização do fundo criado por seu advogado nem esclarece o destino dos recursos arrecadados. Pior: ao mencionar que o filme Dark Horse envolvia a cessão de seus direitos de imagem, Eduardo praticamente construiu um álibi preventivo para justificar movimentações financeiras que venham a ser eventualmente descobertas.

Ou seja: em vez de afastar dúvidas, a nota parece antecipar uma linha de defesa. E isso, naturalmente, tende a aumentar o interesse investigativo sobre os mecanismos financeiros utilizados pelo entorno bolsonarista.

Enquanto isso, o desespero tomou conta dos aliados de Flávio Bolsonaro. Lideranças do Centrão e setores do mercado financeiro já começaram a discutir abertamente uma alternativa eleitoral para a direita pós-Flávio. A fórmula imaginada é unir o agronegócio ao fanatismo religioso numa chapa formada por Tereza Cristina e Michelle Bolsonaro. Tereza representaria os interesses do agro e do grande capital rural. Michelle entraria como ponte com o eleitorado evangélico radicalizado. A operação revela o grau de pragmatismo – e de cinismo – das forças conservadoras brasileiras, sempre dispostas a reorganizar seus ativos eleitorais quando um projeto entra em colapso.

Mas existe um problema estrutural nessa engenharia: Jair Bolsonaro jamais confiaria plenamente nessa dupla. Porque Bolsonaro nunca enxergou a política como projeto ideológico ou partidário. Para ele, política sempre foi negócio de família. Um empreendimento patrimonial controlado pelo clã. E, nesse modelo, apenas um Bolsonaro pode ocupar o centro do poder.

É justamente aí que surge o drama de Flávio Bolsonaro. O senador vive hoje um dilema de difícil solução. Pode continuar como candidato-zumbi, e manter artificialmente uma candidatura que morreu antes de se consolidar, correndo inclusive o risco de perder o foro privilegiado – o que pode deixá-lo ainda mais vulnerável judicialmente. Ou pode desistir e contribuir, de forma definitiva, para o enterro do bolsonarismo. Nenhuma das alternativas oferece salvação.

O fato incontestável é que o navio começou a afundar. E o naufrágio é inevitável.

Confira a análise em vídeo:

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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Enquanto o bolsonarismo se desintegra, prestem atenção no sofrimento dos argentinos

 

"Javier Milei é um moribundo e a Argentina caminha para outra tragédia"”, escreve Moisés Mendes


Presidente da Argentina, Javier Milei 21/01/2026 REUTERS/Denis Balibouse (Foto: REUTERS/Denis Balibouse)


O governo de Javier Milei só continua existindo nos editoriais e artigos dos colunistas liberais dos jornais brasileiros e na cabeça dos bolsonaristas. Na imprensa argentina, e mesmo nos grandes jornais de direita, El Clarín e La Nación, o que noticiam é que Milei está morto politicamente e que a Argentina submerge em mais uma crise sem volta.

Nessa semana, as capas dos jornais têm duas informações devastadoras. A primeira notícia é sobre a quarta manifestação de rua de estudantes, professores e servidores, na terça-feira, em defesa da universidade pública, em Buenos Aires e nas grandes cidades. E a segunda sobre uma pesquisa com números inimagináveis até o início do ano.

A pesquisa, publicada com chamada de capa pelo Clarín, informa o seguinte, segundo a consultoria Sentimientos Públicos: 73,5% dos argentinos não votariam em Milei na eleição de outubro de 2027.

Apenas 26,5% dos entrevistados apoiariam sua reeleição. O cientista político Hernán Vanoli, diretor da consultoria, avisa: estamos próximos de chegar ao colapso da promessa milagrosa do Liberdade Avança, o partido de Milei.

As eleições só acontecerão daqui a 16 meses. Mas o retrato hoje é esse: Milei perdeu sua base social poucos meses depois da eleição parlamentar de meio de mandato, de outubro, que o salvou de um desastre com a ajuda do socorro de US$ 20 bilhões de Donald Trump.

A consultoria dá outra notícia ruim: Milei perdeu sustentação entre metade dos eleitores da senadora Patricia Bullrich, que foi aliada decisiva na eleição do extremista e sua ministra da Segurança e é hoje o principal nome alternativo da direita para substituí-lo e enfrentar o peronismo no ano que vem. Bullrich é uma ameaça a Milei dentro do fascismo.

Pesquisas divulgadas a partir de março indicam que Axel Kicillof, governador peronista da província de Buenos Aires, poderia derrotar Milei por até cinco pontos. Mesmo que as sondagens eleitorais na Argentina sejam inconfiáveis, por apresentarem muitas diferenças.

Kicillof, que não mantinha boas relações com Cristina Kirchner, mas tenta amenizar algumas diferenças, firma-se como o nome das esquerdas e da ressurreição do peronismo, depois do fracasso do governo de Alberto Fernández.

O consolo para Milei: ele mantém maior apoio entre os jovens de 18 a 28 anos, com 36% que votariam na sua reeleição. Entre os eleitores do setor rural, historicamente de direita, o apoio cai para 30%.

Os ricos ainda apoiam Milei. E a rejeição mais forte é observada na Região Metropolitana de Buenos Aires, entre pessoas de 29 a 44 anos. Essa é a região de maior densidade peronista em toda a Argentina e onde Kicillof se consolida como liderança da oposição.

Nessa área metropolitana, oito em cada 10 entrevistados não votariam em Milei em 2027. A pesquisa também alerta para uma perda de fidelidade: 48% dos que votaram nele em novembro de 2023 dizem que não repetiriam esse apoio.

Tem mais coisa ruim. Para 61,5% dos argentinos, não há motivo para esperança e o sentimento é de piora da situação econômica. A inflação voltou a subir em março, para 3,4%, recuou para 2,6% em abril e está acumulada em 12 meses em 32,6%. 

A desolação é generalizada. Apenas 14% afirmaram na pesquisa que mantêm expectativas positivas, e outros 12,5% entendem que não há outra saída e que o governo faz o que deve ser feito.

A economia argentina está estagnada, o arrocho fiscal desmontou programas sociais, há quebra de grandes empresas e fuga de talentos para o Exterior. Milei perdeu parte importante da base política no Congresso e continua acossado por investigações policiais, no Ministério Público e no parlamento em torno da criação da $Libra.

É a criptomoeda que ele a irmã, Karina, ajudaram a vender, no começo do ano passado, como sócios de um esquema mafioso internacional. O fascista enfrenta ainda o cerco do MP ao chefe da Casa Civil, Manuel Adorni, envolvido em corrupção e enriquecimento ilícito.

Mas, se os brasileiros lerem as edições recentes dos nossos jornalões, verão que o liberalismo está vencendo e que tudo continua normal na Argentina. Mas não há normalidade para os jornalões deles.

O La Nación informou, depois da marcha em defesa da universidade pública e das instituições dedicadas à pesquisa científica, que também sofrem cortes de verbas, que a manifestação “abalou o governo”. 

A Folha, maior entusiasta do liberalismo gângster de Milei, vai dizer que não. Mas essa é a realidade. A Argentina está em sofrimento e a caminho de mais uma tragédia política.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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Dino abre investigação sobre envio de emendas a filme de Bolsonaro

 

Nova apuração ocorre após revelações sobre pedido de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro


Processo deverá tramitar sob sigilo, segundo a decisão do ministro do STF (Foto: Reprodução)

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta sexta-feira (15) abrir uma investigação separada e sigilosa para apurar supostos direcionamentos de emendas parlamentares a projetos culturais, entre eles o filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As informações são da CNN Brasil. 

A decisão ocorre a partir de uma denúncia enviada ao STF no início do ano pela deputada federal Tabata Amaral. Segundo a parlamentar, emendas parlamentares poderiam estar sendo usadas para marketing eleitoral e para financiar a produção cinematográfica sobre Bolsonaro.

De acordo com a denúncia, haveria um grupo de empresas que, embora tenham nomes diferentes, funcionariam como uma única organização. Tabata afirma que essas companhias compartilhariam o mesmo endereço, a mesma infraestrutura e a mesma dona.

A deputada sustenta que parlamentares do PL teriam enviado R$ 2,6 milhões por meio de “emendas pix” a uma dessas empresas. Depois disso, segundo a denúncia, teriam contratado serviços de marketing eleitoral de outras companhias pertencentes ao mesmo grupo.

Entre os nomes citados como autores das emendas estão Alexandre Ramagem, Carla Zambelli, Bia Kicis e Marcos Pollonio. Mário Frias, ex-secretário de Cultura no governo Bolsonaro e produtor do longa, também teria feito aportes a outra empresa do grupo e, em seguida, contratado serviços de campanha eleitoral de uma companhia relacionada.

Segundo Tabata, a produtora responsável pelo filme sobre Bolsonaro integra esse conjunto de empresas. A denúncia foi inicialmente anexada a um processo que já tramita há anos no STF e trata da necessidade de transparência e rastreabilidade das emendas parlamentares.

Ao receber a representação, Flávio Dino pediu manifestações da Câmara dos Deputados e de três deputados do PL. Até a decisão desta sexta-feira, apenas Mário Frias ainda não havia se pronunciado.

Com a nova determinação, Dino retirou a denúncia do processo principal sobre emendas e abriu uma investigação em separado. A apuração, segundo a decisão, deverá tramitar sob sigilo.

Filme voltou ao centro da crise após revelações sobre Vorcaro

A decisão do ministro ocorre em meio à ampliação da controvérsia envolvendo o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O caso ganhou nova dimensão depois que o jornal The Intercept revelou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) teria pedido cerca de R$ 130 milhões ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar o projeto.

Inicialmente, Flávio negou a informação e classificou a acusação como mentirosa. Depois, admitiu ter solicitado recursos a Vorcaro, mas afirmou não ver irregularidade no fato de um filho buscar investimento privado para uma produção sobre o próprio pai.

Tanto Flávio Bolsonaro quanto Mário Frias defendem que o filme é financiado exclusivamente com recursos privados. Em manifestação sobre o projeto, foi afirmado que “‘Dark Horse’ é uma superprodução em padrão hollywoodiano, com 100% de capital privado, ator de primeira linha, além de diretor e roteirista de renome internacional”.

Suspeita envolve emendas, marketing e produção cultural

O ponto central da investigação aberta por Dino será verificar se houve ou não direcionamento indevido de emendas parlamentares para empresas relacionadas entre si e se parte desses recursos teve conexão com ações de marketing eleitoral ou com a produção do filme sobre Bolsonaro.

A apuração também deverá examinar a estrutura societária e operacional das empresas mencionadas na denúncia, além do caminho percorrido pelas verbas públicas enviadas por meio das emendas.

O caso se insere em um debate mais amplo no STF sobre a transparência das emendas parlamentares, especialmente as chamadas “emendas pix”, modalidade que permite a transferência direta de recursos a estados e municípios, mas que tem sido alvo de questionamentos sobre controle, rastreabilidade e fiscalização.

Com a decisão de abrir um procedimento próprio, o ministro Flávio Dino separa a apuração específica sobre os projetos culturais e o filme de Bolsonaro do processo geral sobre emendas. A medida indica que o Supremo deverá tratar o caso de forma autônoma, com análise própria dos documentos, das respostas dos parlamentares citados e de eventuais novas diligências.

A investigação passa a tramitar em sigilo e poderá esclarecer se os repasses apontados na denúncia tiveram finalidade pública regular ou se foram usados de forma indireta para beneficiar interesses políticos, eleitorais ou privados ligados ao entorno bolsonarista. - 247.


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Rio, Petrobras e concessionária fecham acordo para baixar preço do gás

 

GNV pode cair 6,5% e beneficiar 1,5 milhão de motoristas

                                Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil

Rovena Rosa/Agência Brasil

O governo do estado do Rio de Janeiro fechou um acordo com a Petrobras e com a Naturgy ─ concessionária de distribuição de gás ─ para baixar o preço do gás natural veicular (GNV) em cerca de 6,5%. A parceria se estende para redução no custo do gás de cozinha e do combustível fornecido às indústrias.

De acordo com estimativa do governo do Rio, 1,5 milhão de motoristas que usam carro a gás serão beneficiados com a queda no preço do GNV.

O percentual exato de redução será definido após um cálculo baseado em diversas variáveis, que será realizado pela concessionária Naturgy e apresentado à Agência Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro (Agenersa), a quem caberá validar as contas.

Somente após a validação, a nova tarifa entrará em vigor. A estimativa é que o gás natural fornecido às indústrias tenha recuo de 6%. O consumidor residencial deve receber o gás de cozinha 2,5% mais barato.

O governo informou que o aditivo do contrato com a Naturgy foi homologado pela Agenersa na última quinta-feira (14), e os detalhes serão publicados no Diário Oficial do Estado na próxima semana.

De acordo com a Secretaria de Estado de Energia e Economia do Mar, órgão que atuou como mediadora do aditivo ao contrato de compra e venda de gás natural entre a Petrobras e Naturgy, os novos valores “têm efeito potencial de política pública energética”.

A nota técnica da secretaria, que emitiu parecer favorável ao acordo, destaca que o Rio de Janeiro é o principal mercado de GNV no Brasil por motivos como o fato de abrigar as maiores bacias produtoras e a concessão de benefícios estaduais, como desconto no Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) para motoristas com carros a gás.

Em 2025, o Rio de Janeiro respondeu por 76,90% de toda a produção de gás natural do país, de acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, órgão federal regulador do setor.

Preço de derivados

A mudança no Rio ocorre em momento de escalada internacional do preço dos derivados de petróleo, desencadeada pela guerra no Irã

A região concentra países produtores que contam com o Estreito de Ormuz, ligação marítima entre os golfos Pérsico e de Omã, por onde passavam ─ antes da guerra ─ 20% da produção de petróleo e gás natural.

Como retaliação aos ataques americanos e israelenses, o Irã realizou bloqueios em Ormuz, de forma que a cadeia logística do petróleo enfrentou falta do produto, o que fez o preço internacional do óleo cru subir mais de 40% em poucas semanas.

Como o petróleo é uma commodity, isto é, mercadoria negociada a preços internacionais, o aumento dos derivados se refletiu até em países produtores, como o Brasil, principalmente no caso do óleo diesel.

Gás ainda de fora

Apesar dessa pressão, o gás veicular ficou de fora do conjunto de aumentos no mês de abril, de acordo com a inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Enquanto a gasolina foi o item que mais puxou os preços para cima no mês passado (subiu 1,86%), o GNV chegou a ficar 1,24% mais barato, conforme divulgado na última terça-feira (12).

Para o analista do IBGE Fernando Gonçalves, um motivo para esse comportamento de preço regressivo do gás é que “o GNV depende menos das importações”.

Mais produção, menor preço

O aumento da produção de gás no país é uma das prioridades citadas pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard, desde que assumiu à companhia, em junho de 2024. A executiva tem dito que a maior produção é o caminho que levará à redução do preço do combustível.

Na última terça-feira (12), quando detalhava para jornalistas o balanço trimestral da companhia, a presidente lembrou que, ao assumir, a empresa “colocava” 29 milhões de metros cúbicos (m³) por dia de gás no mercado, e atualmente o volume é de 50 milhões a 52 milhões de de m³.

“O que baixa o preço do gás é investir para produzir mais, porque ainda não revogaram a lei da oferta e da procura. Enquanto não revogarem a lei da oferta e da procura, quanto mais gás, menor preço”, declarou.

Gás natural e fertilizante

Também nesta semana, Magda afirmou que a reativação da fábrica de fertilizantes da estatal em Camaçari, na Bahia, só foi possível por causa do preço do gás natural mais barato. O combustível é matéria-prima para a produção de ureia, por exemplo, um dos tipos de fertilizantes mais utilizados no mundo.

Com três fábricas de fertilizante em funcionamento ─ Sergipe, Bahia e Paraná ─ a Petrobras espera produzir 20% da demanda nacional de fertilizantes.

Além disso, a Petrobras segue com a conclusão da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, que deve iniciar operação comercial em 2029. Dessa forma, a participação da Petrobras no mercado nacional de ureia subirá para 35%.

O Brasil é um dos principais consumidores de fertilizantes do mundo e importa cerca de 80% do volume que utiliza. Com amplo uso na agricultura, os fertilizantes são substâncias que levam nutrientes às plantas, favorecem o crescimento e, por consequência, a ampliação da produção de alimentos.


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PIONEIRISMO "Somos corajosos. Isso faz parte do nordestino", diz recifense que se tornou a 1ª mulher general do Exército

O Diario de Pernambuco conversou, nesta sexta-feira (15), com Claudia Lima Gusmão Cacho, a primeira mulher do Brasil a assumir a patente de General de Brigada do Exército Brasileiro

                 Cadu Silva


General Cláudia espera que sua história inspire outras mulheres (KAROL RODRIGUES/DP)

“Se essa minha história, essa minha trajetória puder inspirar outras pessoas, outras mulheres, porque muitas estão vindo aí também, isso já vai me deixar muito feliz”.

Foi assim que a General de Brigada Médica, Claudia Lima Gusmão Cacho, de 57 anos, resumiu o significado de se tornar a primeira mulher a alcançar o posto de oficial-general no Exército Brasileiro.

O Diario de Pernambuco esteve, na manhã desta sexta-feira (15), no Quartel-General do Comando Militar do Nordeste (CMNE), no bairro do Curado, na Zona Oeste do Recife. E conversou, com exclusividade, com a oficial sobre a construção da sua trajetória, o pioneirismo feminino, o papel institucional do Exército e a importância da manutenção da instituição como uma entidade de Estado e apartidária.

Natural de Pernambuco, Claudia destacou que carrega consigo características que associa à identidade nordestina: coragem, disposição para enfrentar desafios e vontade de desbravar caminhos.

“Somos corajosos. Isso faz parte do nordestino mesmo. Temos a nossa coragem, a vontade de enfrentar e superar desafios”, afirmou.

Da medicina ao generalato

Médica pediatra, Claudia Lima Gusmão Cacho ingressou no Exército Brasileiro em 30 de janeiro de 1996, como oficial temporária do 42º Batalhão de Infantaria Motorizada, em Goiânia, no estado de Goiás.

Sem tradição militar na família, ela contou que conheceu a vida militar após o casamento com um oficial do Exército e viu na carreira a possibilidade de conciliar a profissão médica com as peculiaridades das missões e movimentações da força.

“Minha família toda era civil. Eu não conhecia nada da vida militar. Foi uma oportunidade de conciliar a minha vida profissional com essa peculiaridade da carreira, das movimentações e das missões”, disse.

Após dois anos como militar temporária, a médica foi aprovada no Concurso de Admissão para a Escola de Saúde do Exército, concluindo o Curso de Formação de Oficiais Médicos em 1998, quando passou a integrar a carreira efetiva da instituição.

“A gente não entra pensando: ‘vou sair general’. A gente entra para fazer a carreira, passar pelos postos e graduações. Isso é um processo longo”, afirmou.

Ao longo de quase três décadas de serviço, a oficial atuou em organizações militares de diversas regiões do país, consolidando trajetória na área de Saúde Operacional e Hospitalar.

Entre as funções exercidas, comandou o Hospital de Guarnição de Natal, no Rio Grande do Norte, e o Hospital Militar de Área de Campo Grande, em Mato Grosso do Sul. Atualmente, ocupa o cargo de diretora do Hospital Militar de Área de Brasília.

A ascensão ao posto de General de Brigada ocorreu em 1º de abril deste ano, durante solenidade realizada no Comando do Exército, em Brasília.

Segundo o Exército, a promoção ao oficialato-general ocorre após criterioso processo conduzido pelo Alto-Comando da Força, levando em consideração tempo de serviço, mérito profissional, desempenho em funções de comando e Estado-Maior, além da conclusão de cursos obrigatórios de altos estudos militares.

Pioneirismo feminino

Ao comentar o significado de ser pioneira dentro da instituição, Claudia afirmou que a conquista representa a abertura de caminhos para outras mulheres no Exército, mas ressaltou que o avanço feminino deve estar sempre associado à competência, mérito e disciplina.

“Acho que a gente abre portas. Mas gosto sempre de ressaltar que existe mérito, competência, trajetória, dedicação e disciplina. Não é só chegar lá, é preciso olhar tudo o que levou a essa chegada”, afirmou.

A general também destacou que nunca enfrentou resistência dentro da instituição pelo fato de ser mulher e afirmou ter sido acolhida desde o início da trajetória militar.

“Eu fui extremamente bem acolhida. Nós fomos recebidas em um ambiente de muito respeito, onde pudemos mostrar nosso trabalho, apresentar ideias e sermos escutadas”, disse.

Segundo ela, a presença feminina dentro do Exército aumentou ao longo dos anos e hoje as mulheres atuam em diferentes áreas da força.

“A mulher hoje está perfeitamente integrada no Exército e atuando em todas as áreas: operacional, técnica, assistencial”, destacou.

Durante a entrevista, Claudia também falou sobre a incorporação das 75 primeiras mulheres soldados ao serviço militar em Pernambuco, que ocorre após a cerimônia de entrega das boinas na noite desta sexta (15), no Comando da 7ª Região Militar. Ela classificou o momento como histórico para a instituição.

“Mais de 30 mil jovens mulheres se inscreveram no Brasil todo para ingressar como pioneiras. Elas estão conhecendo a força e podem construir uma carreira dentro dela”, afirmou.

A oficial ainda incentivou as novas militares a seguirem carreira no Exército.

“Se elas têm amor pela farda, gostam de servir e de fazer a diferença, que se capacitem física e intelectualmente. Elas podem ser muito felizes na carreira”, declarou.

Exército apartidário

Ao abordar o cenário político nacional e os episódios recentes envolvendo as Forças Armadas, a general defendeu a manutenção do Exército como uma instituição de Estado e apartidária.

“O Exército vai se manter como uma instituição de Estado permanente e apartidária”, afirmou.

Segundo Claudia, a politização da instituição é prejudicial à missão constitucional desempenhada pelas Forças Armadas.

“A politização é ruim porque o Exército é uma instituição apartidária. Os militares têm direito ao voto e cada um tem a sua opinião, mas a instituição precisa permanecer assim”, declarou.

Ela ressaltou que o papel da força é atuar na defesa da pátria e no apoio à população, citando operações desenvolvidas em diversas regiões do país.

“O Exército está sempre em ação. Estamos no carro-pipa, em ações de saúde, educação, apoio em áreas isoladas da Amazônia, na Operação Acolhida e em diversas outras missões”, disse.

Confira, na íntegra, a entrevista da General Cláudia com a reportagem do Diario de Pernambuco:

1. O que representa para a senhora se tornar a primeira mulher general do Exército Brasileiro?
“Depois da especialização, eu comecei a percorrer as outras guarnições, frutos até do meu casamento, porque eu sou casada com militar. Então, quando aconteceu toda a indicação, para mim passa aquele filme. É um reconhecimento. São muitos passos que a gente tem que dar até chegar lá. E a gratidão por tudo, por todas as pessoas. Foi desde o comecinho, quando a gente se formou, pessoas que passaram pela sua vida fora do meio militar, dentro do meio militar também. Então, é uma mistura muito grande.”

2. Como surgiu a ideia de seguir a carreira militar?
“Foi uma oportunidade mesmo. Eu queria conciliar a minha vida profissional com essa peculiaridade da carreira, antes que era só do meu esposo, hoje é minha também, das movimentações. Faz parte da vida do militar. A gente vai por necessidade de serviço, muitas vezes realizar um curso, então você é movimentado igual à missão. Você acaba morando em vários locais diferentes.”

3. Como foi o início da sua trajetória no Exército?
“Eu entrei como aspirante quando ingressei como militar temporária. Então eu fui dois anos militar temporária, depois eu fiz o concurso, que é de âmbito nacional. Aí eu fui ser tenente-aluno e militar de carreira como tenente. E aí você vai alcançando os postos.”

4. A senhora já entrou pensando em chegar ao generalato?
“Quando eu entrei ainda não existia isso, né? Mas, a partir do momento que entramos todos juntos, homens e mulheres naquele quadro de saúde, na mesma turma, a gente sabia que haveria possibilidade de sempre um ou dois da turma chegar ao generalato. Mas a gente não entra pensando: ‘ah, eu vou sair general’. Não. É para fazer a nossa carreira, passar por todos os postos e graduações. Isso é um processo longo.”

5. Como é viver esse pioneirismo feminino dentro do Exército?
“Foi caindo aos poucos. Quando você recebe a notícia vem toda a emoção e, aos poucos, você vai sentindo até um peso, mas tem um significado de ser pioneira, até de ter essa visibilidade que aconteceu. Muitas vezes faz parte do Exército e às vezes ele não é conhecido. Até dentro da própria área de saúde existe uma carreira dentro do Exército aberta para profissionais.”

6. O fato de ser pernambucana e nordestina torna isso ainda mais simbólico?
“Somos corajosos. Isso faz parte do nordestino mesmo. Temos a nossa coragem, a vontade de enfrentar e superar desafios. Então tudo isso junta. Quando a gente faz um curso de formação, nós temos pessoas de todo o Brasil. Depois cada um vai para um lugar e faz sua carreira. À medida que o tempo foi passando, eu fui querendo, gostava da área e fui fazendo os cursos necessários. Tem isso da vontade de querer fazer, da coragem de fazer e de ter encontrado um ambiente propício para isso. Eu sempre fui muito incentivada, pela família e pelas pessoas dentro do Exército, pelos meus comandantes, a prosseguir.”

7. Qual legado a senhora gostaria de deixar?
“Eu acho que a gente abre portas. Mas eu gosto sempre de ressaltar que tem todo o mérito, a competência, a trajetória, a dedicação, a disciplina. Não é só a gente chegar. A gente tem que ver o que levou a chegar lá. Então eu gostaria de deixar essa mensagem: que é possível. Hoje temos uma porta aberta, uma integração, uma presença feminina dentro do Exército que veio aumentando ao longo do tempo. A mulher hoje está perfeitamente integrada dentro do Exército e atuando em todas as áreas, operacional, técnica, assistencial. Então eu quero que mais mulheres possam chegar lá, sempre mantendo pela competência, pelo mérito e pela trajetória.”

8. Qual proposta ou marca a senhora gostaria de deixar nesse novo momento da carreira?
“Eu sempre vejo que a oportunidade agora é mostrar um pouco mais da força. O Exército hoje apresenta oportunidades de carreira muito concretas em vários segmentos para as mulheres. Vale a pena conhecer. Eu gosto de divulgar esse trabalho dentro da mulher porque, como falei, ela está perfeitamente integrada dentro da força. Muitas vezes as pessoas não conhecem esse caminho, mas acabou sendo o caminho que me realizou. E eu acho que isso pode ser o caminho para muitas outras mulheres.”

9. A mulher ainda precisa quebrar barreiras dentro do Exército?
“Eu nunca tive nenhum problema em relação a isso. Várias vezes eu já fui perguntada como foi entrar num ambiente majoritariamente masculino. Eu sempre digo: eu fui extremamente bem acolhida. Nós fomos muito bem recebidas, num ambiente de muito respeito, onde eu pude mostrar meu trabalho, conhecer a instituição, formar laços, conhecer os valores e as entregas para a sociedade. Na área de saúde a gente atua muito em operações do Exército e ações cívico-sociais. Então eu pude trabalhar na minha área, fazer cursos em outras áreas, mostrar ideias, ter voz e ser escutada pelos meus comandantes. Isso hoje acontece em todas as áreas.”

10. Como a senhora vê as questões de preconceito e discriminação dentro das Forças Armadas?
“O Exército é um retrato da sociedade. Ele é formado por homens e mulheres, de todas as etnias, classes sociais e lugares do país. E isso sempre foi tratado com muito respeito. O Exército não admite nenhum tipo de discriminação nem assédio. Isso é muito falado e toda a força é capacitada para que a gente não tenha nenhum tipo de assédio ou discriminação. A mulher hoje está perfeitamente integrada dentro do Exército e atuando em todas as áreas: operacional, técnica, assistencial, tudo.”

11. Qual conselho a senhora dá às jovens mulheres que estão entrando agora no Exército?
“Se elas estão se identificando com a força, se preparem. Preparação física, preparação intelectual, porque a força hoje tem diversas formas de ingresso como militar de carreira. Então, se elas têm amor pela farda, gostam de servir e gostam de fazer a diferença, que se capacitem e prossigam.”

12. Como o Exército deve se posicionar diante do cenário político nacional?
“O Exército vai se manter como uma instituição de Estado permanente e apartidária. A politização é ruim porque o Exército é uma instituição apartidária. Os militares têm direito ao voto e cada um tem sua opinião, mas a instituição precisa permanecer assim.”

13. Como médica, existe algum projeto pessoal que a senhora gostaria de desenvolver?
“Hoje a gente tem focado bastante na capacitação do nosso pessoal. Nossa diretoria de saúde tem projetos na área de medicina preventiva. Hoje a população vive mais, mas também temos mais doenças crônicas. Então a gente investe em prevenção, voltar um pouquinho ao que já foi muito feito.”

14. Como a senhora gostaria de ser lembrada daqui para frente?
“Se essa minha história, essa minha trajetória puder inspirar outras pessoas, outras mulheres, porque muitas estão vindo aí também, isso já vai me deixar muito feliz. Mostrar que é possível chegar lá, sempre com competência, dedicação, disciplina e trabalho.”

 


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