Presidente relatou conversa com Donald Trump e defendeu igualdade nas relações entre Brasil e EUA
Durante a entrevista, Lula criticou a forma como os Estados Unidos enxergam países latino-americanos. "Os americanos têm uma certa mania de primeiro transformar os adversários deles em inimigos. A cara da América Latina para os americanos é droga e tráfico. Não, nós não somos assim", afirmou.
O presidente também declarou que contestou esse posicionamento diretamente a Trump. "Eu falei para ele: 'nós não somos assim'. Sabe, o Brasil quer ser tratado com respeito. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. Nós tratamos vocês com respeito e vocês nos tratam com respeito", disse.
Diplomacia
Lula afirmou que disse a Trump que divergências entre Brasil e Estados Unidos devem ser resolvidas no campo político e diplomático, e não por demonstrações de força militar. "Não adianta você ficar dizendo que tem navio de guerra, que tem avião de guerra. Eu não quero fazer guerra com você. Eu sei do meu tamanho. A minha guerra com você é na narrativa. Eu quero provar que você está errado, eu quero provar que eu estou certo", declarou.
O presidente também relatou ter tratado com Trump sobre a responsabilidade institucional dos dois países no cenário internacional. "Eu falei para o Trump uma coisa assim, é uma conversa de dois homens de 80 anos, não tem brincadeira nisso", disse Lula. Em seguida, acrescentou: "A gente precisa passar para o mundo a responsabilidade de dois estados democráticos da América Latina e da América do Norte. São as duas maiores democracias do nosso lado".
Lição do movimento sindical
Ainda durante a entrevista, Lula afirmou que recebeu tratamento respeitoso do presidente estadunidense. "Eu acho que ele concordou. Ele me trata com muito respeito", declarou. Ao comentar sua postura em negociações políticas e diplomáticas, Lula relembrou episódios do início de sua trajetória sindical.
"Eu aprendi dentro da luta sindical. A primeira reunião que eu fui com a Fiesp negociar, nos anos 79, a primeira coisa que fizeram foi colocar uma cadeira alta para os empresários e uma cadeira baixa para mim", contou.
Segundo o presidente, a experiência moldou sua posição em debates políticos e institucionais. "Eu me senti como se fosse um zé-ninguém. Então eu aprendi desde muito cedo que eu quero ser tratado de igualdade de condições. Eu não sou melhor do que ninguém, mas também não sou pior do que ninguém. Eu quero apenas ser igual nas discussões", afirmou. - 247.
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