sábado, 24 de outubro de 2026

Lula confronta Flávio Bolsonaro sobre morte de menina Ana Clara e ligação do senador com miliciano

Presidente questiona atuação do senador na defesa de policial acusado de matar criança de 5 anos e relembra homenagem ao miliciano Adriano da Nóbrega durante debate sobre segurança pública

LulaCrédito: Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confrontou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre sua atuação na defesa de um policial militar acusado de matar a menina Ana Clara, no Rio de Janeiro, durante o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23). O petista questionou por que o adversário havia assumido a defesa do agente envolvido no caso e também relembrou a homenagem concedida pelo senador ao miliciano Adriano da Nóbrega na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

O embate ocorreu durante uma discussão sobre segurança pública, iniciada por Flávio Bolsonaro, que escolheu o tema “Retomada de Territórios”. O senador questionou Lula sobre as saídas temporárias de presos e acusou o governo de favorecer criminosos. “Por que não coloca o interesse das vítimas à frente do interesse dos bandidos?”, perguntou.

Em resposta, Lula mencionou o assassinato de Ana Clara, atingida por um disparo de fuzil em frente de casa, segundo o relato apresentado no debate. O presidente questionou a atuação de Flávio como advogado do policial militar acusado de envolvimento na morte da criança, levando o caso para o centro do confronto.

A mãe da menina, presente na plateia e sentada ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, levantou-se quando o caso foi mencionado pelo presidente.

Pela primeira vez, Flávio Bolsonaro incluiu as milícias em sua proposta de classificar facções criminosas como organizações terroristas. No debate ele afirmou nunca ter sido investigado por ligações com milícias, mas não faz referência ao fato de ter condecorado o miliciano Adriano da Nóbrega, empregado seus parentes e o fato de ter defendido as milícias em discursos quando era deputado estadual pelo Rio de Janeiro. 

Flávio Bolsonaro confunde nome da mãe com o da filha morta

Ao responder às críticas, Flávio Bolsonaro procurou manifestar solidariedade à família, mas acabou chamando a mãe da menina pelo nome da filha morta, Ana Clara. O senador também contestou a responsabilidade do policial cuja defesa havia assumido. “Tenho a confiança de que não foi esse policial que deu esse tiro”, afirmou Flávio.

A mãe da criança, Cristiane Gomes da Silva, reagiu chamando Flávio Bolsonaro de “mentiroso” em voz alta. “Ele não tem empatia nenhuma. É um monstro. Tanto quanto o assassino”, disse Cristiane durante o intervalo do debate.

Lula relembra homenagem a Adriano da Nóbrega

Na sequência, Lula voltou a questionar as relações políticas de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro. “Todo mundo sabe a relação dele com muita coisa ruim no Rio de Janeiro”, declarou o presidente.

O petista mencionou a homenagem concedida por Flávio Bolsonaro a Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) apontado em investigações como integrante de organização miliciana.

Adriano recebeu uma homenagem na Alerj por iniciativa de Flávio Bolsonaro, quando o atual senador exercia mandato de deputado estadual. Ao citar o episódio, Lula procurou contestar o discurso de enfrentamento ao crime organizado apresentado pelo adversário.

O presidente também acusou Flávio Bolsonaro de fazer apenas “bravatas” ao abordar a segurança pública e associou suas críticas às relações políticas do bolsonarismo no estado do Rio de Janeiro.

Endurecimento penal e trabalho de presos

Durante sua intervenção, Flávio Bolsonaro atribuiu a violência à atuação de grupos que classificou como “narcoterroristas” e acusou o governo Lula de protegê-los. O candidato do PL defendeu medidas mais rigorosas de combate à criminalidade, incluindo a ampliação do trabalho de pessoas privadas de liberdade.

O senador também afirmou ser favorável à castração química de condenados por crimes sexuais, mencionando estupradores e pedófilos.

“Por que você defende ladrão de celular?”, questionou Flávio, ao criticar a política de segurança pública do governo federal.

As declarações fizeram parte da defesa de uma política de maior rigor penal, apresentada pelo candidato como resposta ao avanço das organizações criminosas e à violência urbana.

Lula defende Ministério da Segurança Pública e fortalecimento da PF

Ao retomar a palavra, Lula defendeu o fortalecimento das instituições federais de segurança e voltou a criticar a atuação de grupos milicianos no Rio de Janeiro.

“Vou fortalecer a Polícia Federal e acabar com a quantidade de milicianos no Rio de Janeiro, a quem vocês se associaram”, afirmou o presidente, dirigindo a acusação ao adversário.

Lula também defendeu a criação do Ministério da Segurança Pública, proposta que relacionou à aprovação da PEC da Segurança Pública, destinada a reorganizar e fortalecer a articulação entre os diferentes níveis de governo no enfrentamento à criminalidade.

O presidente ainda acusou Flávio Bolsonaro de querer entregar o território brasileiro ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, introduzindo no debate uma crítica relacionada à soberania nacional.

Segurança pública marca confronto na reta final da campanha

A discussão colocou em evidência divergências entre os candidatos sobre o enfrentamento ao crime organizado, a política penitenciária e a atuação das forças de segurança.

Flávio Bolsonaro defendeu o endurecimento das medidas penais, o trabalho de presos e ações de retomada de territórios controlados por organizações criminosas.

Lula concentrou sua resposta na atuação do adversário em episódios envolvendo policiais e milicianos no Rio de Janeiro, além de defender o fortalecimento da Polícia Federal e a criação de uma estrutura ministerial específica para a segurança pública.

O confronto ocorre a dois dias do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). - 247.


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Ataque de Flávio Bolsonaro aos nove dedos de Lula causa rejeição entre indecisos

Eleitores que acompanharam o debate da Globo também criticaram comentários sobre a pandemia; análise aponta diferenças na avaliação dos candidatos

Flávio BolsonaroCrédito: Reprodução/Globo

A referência do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos nove dedos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocou reações negativas entre eleitores indecisos que acompanharam o debate presidencial da TV Globo, nesta sexta-feira (23). O comentário sobre os “nove dedos” do petista gerou incômodo nos grupos observados por pesquisadores, enquanto a avaliação do confronto apontou diferenças entre o desempenho dos candidatos na apresentação e no conteúdo das respostas.

Segundo informações do Metrópoles, a reação ocorreu durante uma pesquisa qualitativa realizada com dez grupos de eleitores que assistiram ao confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro. O coordenador do levantamento avaliou que o senador apresentou melhor desempenho na forma de suas intervenções, enquanto o presidente teve uma atuação mais consistente em relação ao conteúdo discutido.

Comentário capacitista provoca reação dos participantes

O episódio que mais chamou a atenção dos eleitores envolveu uma referência de Flávio Bolsonaro à deficiência física de Lula. O senador fez uma provocação sobre os nove dedos do presidente, que perdeu o dedo mínimo da mão esquerda em um acidente de trabalho.

A declaração provocou desconforto entre os participantes da pesquisa. Segundo a avaliação relatada pelo Metrópoles, o comentário teve repercussão negativa entre os indecisos que acompanhavam o debate.

O presidente Lula retomou o episódio no início do segundo bloco e cobrou uma retratação do adversário. Diante da cobrança, Flávio Bolsonaro apresentou um pedido de desculpas durante a transmissão.

A reação dos grupos indica que a referência à deficiência física do presidente se tornou um dos pontos de maior rejeição entre os participantes, independentemente das avaliações sobre o desempenho dos candidatos nos demais temas.

Declaração sobre a pandemia também gera críticas

Outro momento que provocou reações negativas entre os eleitores indecisos envolveu uma discussão sobre a conduta do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19.

O senador Flávio Bolsonaro relativizou um episódio registrado em vídeo no qual seu pai ironizou pessoas que enfrentavam dificuldades para respirar durante a crise sanitária.

De acordo com o levantamento acompanhado pelo Metrópoles, participantes consideraram inaceitável a postura do candidato ao abordar o episódio.

As reações ocorreram em meio ao confronto entre Lula e Flávio sobre temas relacionados à atuação do poder público e à responsabilidade de dirigentes políticos.

Eleitores também comentam desempenho de Lula

Os participantes da pesquisa avaliaram diferentes aspectos da atuação do presidente durante o debate. Alguns consideraram que Lula demonstrava cansaço em determinados momentos, o que teria contribuído para dificuldades na organização de suas respostas.

Segundo o relato do Metrópoles, parte dos eleitores chegou a questionar se havia ocorrido algum problema com o presidente, diante da percepção sobre seu desempenho.

A avaliação do coordenador da pesquisa qualitativa, por sua vez, distinguiu a capacidade de apresentação dos candidatos do conteúdo de suas intervenções.

Nesse aspecto, Flávio Bolsonaro recebeu uma avaliação mais favorável em relação à forma, enquanto Lula apresentou, segundo o pesquisador, melhor desempenho no conteúdo.

Pesquisa acompanha dez grupos em cinco capitais

O levantamento reúne dez grupos de eleitores indecisos, divididos igualmente entre homens e mulheres, com idades entre 25 e 60 anos e pertencentes às classes C e D.

Os pesquisadores acompanham participantes de Fortaleza (CE), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG), Porto Alegre (RS) e Rio de Janeiro (RJ).

Um instituto de pesquisa sediado em São Paulo recrutou os eleitores para acompanhar o debate. O Metrópoles monitora as discussões à distância, observando as reações às declarações dos dois presidenciáveis.

A metodologia qualitativa permite identificar percepções, argumentos e reações dos participantes, mas não oferece uma medida estatisticamente representativa das opiniões de todos os eleitores indecisos do país.

O debate acontece a dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (25). As manifestações registradas nos grupos mostram que, além das propostas e do desempenho dos candidatos, a maneira como eles abordam questões pessoais e episódios da pandemia também influencia a avaliação dos participantes sobre o confronto.- 247.


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