segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Meta admite restrições a contas de Lula e recomendação irregular de Flávio Bolsonaro

Funcionários da empresa reconheceram falhas que prejudicaram o alcance da campanha do presidente e favoreceram a exposição do candidato do PL; plataforma nega interferência eleitoral

LulaCrédito: Agência Senado | Divulgação

Documentos internos da Meta revelam que a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentou restrições no Instagram durante a disputa eleitoral de 2026, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro (PL) recebeu recomendações automáticas consideradas irregulares pelas próprias equipes da plataforma. As mensagens mostram que funcionários reconheceram os problemas, discutiram possíveis consequências jurídicas e cobraram providências dos engenheiros responsáveis pelos sistemas. As informações foram divulgadas pela Folha de São Paulo, que obteve conversas internas de funcionários da companhia.

Os registros apontam que Lula ficou impedido de impulsionar determinadas publicações por quase 24 horas, enquanto o perfil de Flávio Bolsonaro apareceu em sugestões de busca no Instagram e seu canal de apoio foi exibido em resultados do WhatsApp, contrariando restrições estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Meta atribui os episódios a falhas técnicas e nega qualquer favorecimento político.

Um dos registros mais relevantes envolve uma mensagem do funcionário identificado como A. G., que reconheceu que a conta de Lula estava “limitada” em comparação à de Flávio Bolsonaro. O empregado também demonstrou preocupação com a “alta chance” de uma ação judicial em decorrência do episódio.

A avaliação ocorreu após uma falha registrada em 9 de outubro, quando o perfil oficial do presidente perdeu temporariamente a possibilidade de pagar para ampliar o alcance de publicações já disponíveis no feed do Instagram.

A restrição não interrompeu completamente a publicidade da campanha. Anúncios anteriormente contratados continuaram circulando, e a equipe de Lula ainda conseguia promover conteúdos por meio dos chamados dark posts, publicações publicitárias que não aparecem diretamente no perfil do anunciante.

Entretanto, a impossibilidade de impulsionar postagens do feed comprometeu uma das principais estratégias de divulgação eleitoral na rede social. Essa modalidade permite ampliar a distribuição de conteúdos já publicados e contribui para o desempenho das campanhas nos mecanismos de entrega da plataforma.

Segundo cálculos da própria campanha petista, aproximadamente 1,3 milhão de pessoas deixaram de receber os anúncios durante o período de restrição.

Funcionários cobraram solução urgente para problema na conta de Lula

As mensagens obtidas pela Folha mostram que o episódio provocou preocupação entre os funcionários da Meta encarregados de acompanhar as operações eleitorais brasileiras.

A explicação inicialmente apresentada foi a existência de um problema técnico no gerenciador de anúncios. Engenheiros da empresa nos Estados Unidos foram acionados, mas a solução demorou várias horas.

Nas conversas, integrantes da equipe brasileira demonstraram insatisfação com o tempo de resposta e avaliaram que os responsáveis pela engenharia talvez não tivessem compreendido a urgência da situação, especialmente por envolver a conta publicitária do presidente da República durante uma campanha eleitoral.

Os funcionários relataram ter solicitado a classificação da ocorrência como SEV2, categoria utilizada para identificar problemas graves que exigem atendimento prioritário.

A preocupação também envolvia a repercussão política da falha. A funcionária identificada como M. A. afirmou que, mesmo depois de resolvido o problema, seria necessário definir como explicar o ocorrido aos integrantes da campanha de Lula.

Outro funcionário, identificado como M. V., informou que deputados envolvidos na campanha presidencial já estavam cobrando esclarecimentos sobre as restrições.

Inicialmente, a empresa relacionou a dificuldade a uma interrupção global de dados que havia afetado mais de 3 mil contas em 7 de outubro. O problema prejudicou, entre outras funcionalidades, a visualização das métricas de determinadas publicações.

Os registros, contudo, apontam diferenças entre os episódios. A falha global ocorreu no dia 7 e durou aproximadamente cinco horas, enquanto a restrição enfrentada pela campanha de Lula aconteceu no dia 9 e persistiu por quase 24 horas.

A campanha de Flávio Bolsonaro também teria sido atingida pelo problema global, com dificuldades para realizar um impulsionamento em 7 de outubro. Diante da situação, a equipe do candidato do PL teria desistido daquela operação e adotado outras formas de divulgação.

Perfil de Flávio apareceu em recomendações proibidas pelo TSE

Outro conjunto de mensagens internas revela problemas relacionados às recomendações automáticas de candidatos nas plataformas da Meta.

As regras eleitorais estabelecidas pelo TSE proíbem que perfis e canais de candidatos sejam promovidos por mecanismos de recomendação algorítmica. A finalidade é impedir que as plataformas favoreçam determinadas candidaturas por meio de seus sistemas de distribuição de conteúdo.

Apesar dessa proibição, funcionários da Meta identificaram que o perfil de Flávio Bolsonaro aparecia nas sugestões de busca do Instagram no início de outubro, enquanto contas de outros candidatos não recebiam o mesmo tratamento.

As conversas mostram que os próprios empregados reconheceram a irregularidade. O perfil de Flávio não deveria ser recomendado automaticamente, mas estava sendo exibido aos usuários.

Ao mesmo tempo, a conta de Lula apresentava um problema inverso: não aparecia corretamente nem mesmo quando os usuários pesquisavam seu nome exato, situação em que a exibição deveria ser permitida.

A justificativa técnica apresentada internamente foi que o nome de Lula era excessivamente longo para o funcionamento adequado do sistema de busca. Os funcionários afirmaram que a falha havia sido corrigida, embora ainda existissem diferenças nos resultados apresentados para pesquisas relacionadas aos dois candidatos.

A recomendação indevida do perfil de Flávio foi reconhecida nas conversas como uma falha da plataforma.

Canal de apoio a Flávio também foi exibido em buscas no WhatsApp

Os problemas de recomendação não ficaram restritos ao Instagram. Registros internos apontam que o WhatsApp também apresentou resultados incompatíveis com as limitações eleitorais impostas pelo TSE.

Ao pesquisar pelo termo “Exército do Lula”, usuários recebiam resultados que incluíam o Canal do Lula, o canal “Tropa do Flávio”, de apoio ao candidato do PL, e o Partido dos Trabalhadores.

Pelas regras aplicáveis às plataformas, canais eleitorais não podem ser sugeridos automaticamente aos usuários. Sua localização nas buscas deve depender da inserção do nome exato.

O canal “Exército do Lula” é administrado pelo deputado federal André Janones. Nesta semana, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, determinou sua retirada do ar, mas o canal posteriormente voltou a funcionar.

A decisão judicial também foi discutida por funcionários da Meta. Em uma das mensagens, M. V. relatou ter recebido reclamações de políticos de esquerda sobre a determinação.

O empregado, entretanto, afirmou enxergar “o copo meio cheio” na situação. Segundo sua avaliação, caso a mesma medida tivesse atingido o candidato Renan Santos, a reação poderia ter sido mais intensa, com um protesto diante do escritório da empresa.

Registros também apontam problemas enfrentados pela campanha de Flávio

As conversas internas indicam que as falhas nos sistemas da Meta não atingiram exclusivamente a campanha petista.

Em 23 de setembro, contas publicitárias de Lula e Flávio Bolsonaro ficaram temporariamente impedidas de publicar anúncios por aproximadamente uma hora. O bloqueio foi provocado por uma identificação equivocada de “atividade suspeita”.

Outro episódio envolvendo o candidato do PL ocorreu em 1º de outubro, quando diversos anúncios de sua campanha foram rejeitados após os sistemas da plataforma detectarem possível utilização de inteligência artificial.

Naquele período, o uso da tecnologia estava submetido a restrições estabelecidas pelo TSE. A campanha de Flávio, entretanto, contestou a identificação e afirmou que não havia utilizado inteligência artificial nos conteúdos.

Os registros mostram ainda que funcionários da Meta demonstravam preocupação com o avanço de suspeitas de interferência da empresa na eleição brasileira.

Nas conversas, integrantes da equipe avaliaram que seria importante apresentar também os episódios que afetaram Flávio Bolsonaro, diante da percepção de que ganhava força uma narrativa de possível favorecimento eleitoral.

Apesar do reconhecimento de erros e restrições, as mensagens obtidas pela Folha não apresentam admissão de interferência deliberada da Meta no processo eleitoral. As discussões se concentram principalmente na gravidade das falhas, nas diferenças de funcionamento dos sistemas e na demora para solucionar os problemas.

Meta nega favorecimento e atribui episódios a falhas técnicas

Procurada pela reportagem, a Meta rejeitou as suspeitas de que seus sistemas tenham sido utilizados para beneficiar qualquer candidatura.

Em manifestação encaminhada à Folha, a companhia afirmou que “as alegações de que atua para interferir no processo eleitoral ou favorecer uma candidatura são falsas e não encontram respaldo nos fatos.”

A empresa sustentou que os problemas identificados tiveram origens diferentes, envolvendo interrupções técnicas de alcance internacional, erros específicos de funcionamento e mecanismos de aplicação das normas eleitorais brasileiras.

Segundo a Meta, “os episódios citados pela reportagem tiveram causas distintas: falhas técnicas globais, um erro específico prontamente corrigido e a aplicação de normas eleitorais brasileiras que valem igualmente para todas as candidaturas.”

A companhia também afirmou que parte das ocorrências não se limitou ao Brasil e atingiu anunciantes de outros países.

“Alguns desses episódios tiveram alcance amplo e afetaram diferentes contas e anunciantes em diferentes países. Não damos tratamento preferencial a candidato, partido ou posição política, e nossos sistemas não são projetados ou operados para fazê-lo”, declarou a empresa.

Campanha de Flávio contesta informações sobre bloqueios

A campanha de Flávio Bolsonaro também foi procurada para comentar os registros internos referentes ao bloqueio de anúncios em setembro e à rejeição de publicações em outubro.

Em resposta, a equipe do candidato negou que os episódios tenham provocado dificuldades em seus perfis e canais oficiais.

“As informações apresentadas pela reportagem não procedem. A campanha cumpre todas as regras da plataforma e do TSE e, por isso, não registrou nenhum problema com a conta de anúncio do candidato, que segue operando de maneira adequada e sem interrupção.”

Questionada sobre a atuação da Meta no processo eleitoral brasileiro, a campanha afirmou reconhecer que as plataformas estão submetidas à regulamentação nacional e que essas exigências podem influenciar os resultados de divulgação dos candidatos.

“A campanha entende que a plataforma está sujeita às regras da eleição brasileira e que, em função disso, o alcance e outras métricas do candidato podem ser afetados, o que tem sido compensado com estudos mais profundos e com o altíssimo rigor técnico da equipe.”

Restrições ampliam debate sobre o papel das plataformas nas eleições

Os episódios ocorreram em um cenário no qual a Meta ocupa posição central no mercado brasileiro de publicidade política digital.

O Google deixou de comercializar anúncios eleitorais no país em 2024, enquanto o Kwai mantém uma oferta limitada desse tipo de publicidade. Com isso, Instagram e Facebook passaram a concentrar uma parcela relevante das possibilidades de impulsionamento pago disponíveis às campanhas.

A importância desses serviços aumentou diante das regras do TSE que impedem a recomendação algorítmica de perfis eleitorais. Nesse ambiente, a contratação de anúncios se tornou um dos principais instrumentos para ampliar o alcance de conteúdos políticos nas redes sociais.

As mensagens internas obtidas pela Folha evidenciam que erros técnicos podem produzir efeitos distintos sobre candidaturas, mesmo quando não há comprovação de interferência intencional.

No caso de Lula, a impossibilidade de impulsionar publicações por quase um dia teve impacto estimado pela própria campanha em mais de um milhão de visualizações potenciais perdidas. Já as recomendações indevidas relacionadas a Flávio Bolsonaro expuseram inconsistências nos mecanismos que deveriam assegurar o cumprimento das determinações eleitorais.

A documentação também revela dificuldades de coordenação entre as equipes responsáveis pelo atendimento político no Brasil e os engenheiros encarregados de corrigir falhas nos sistemas da empresa.

Embora a Meta sustente que aplica as mesmas regras a todos os candidatos, os registros mostram que o funcionamento de suas ferramentas e a velocidade de resposta a problemas técnicos se tornaram questões relevantes para a disputa eleitoral de 2026. - 247.


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Flávio Bolsonaro pagou R$ 600 mil a empresa que ofereceu IA para manipular eleições, diz Intercept

Documentos revelam oferta de tecnologia para disseminar desinformação e desacreditar adversários políticos; campanha nega irregularidades

                      

Flávio BolsonaroCrédito: Carlos Moura/Agência Senado


A campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) pagou R$ 600 mil à Elytron, empresa de cibersegurança que tentou comercializar nos Estados Unidos um sistema de inteligência artificial desenvolvido para operações clandestinas de influência política. A ferramenta permitiria identificar grupos de eleitores, disseminar informações falsas, criar perfis fictícios nas redes sociais e executar estratégias para atingir adversários.

As informações foram reveladas nesta sexta-feira (16) pelo site The Intercept Brasil, que obteve documentos sobre a tecnologia e ouviu Vincent Edward Reed, empresário estadunidense que atuou como consultor da companhia entre 2024 e 2025. Segundo a investigação, o sistema foi apresentado a pessoas ligadas à campanha de Donald Trump à Presidência dos Estados Unido em 2024, mas não há confirmação de contratação. A reportagem também observa que não existem evidências de que Flávio Bolsonaro ou o PL tenham utilizado a ferramenta nas eleições brasileiras de 2026.

Pagamentos à Elytron constam da Justiça Eleitoral

Os registros disponíveis no DivulgaCand, sistema de prestação de contas da Justiça Eleitoral, mostram três notas fiscais emitidas pela Elytron para a campanha de Flávio Bolsonaro. Duas delas, datadas de 16 de setembro, apresentam valores de R$ 500 mil cada, mas uma foi cancelada. A terceira, de 2 de outubro, corresponde a R$ 100 mil.

Os documentos descrevem os serviços como “consultoria em tecnologia da informação”, incluindo apoio forense, investigação de phishing, testes de segurança e monitoramento de infraestrutura.

Embora os pagamentos identificados totalizem R$ 600 mil, a prestação de contas parcial apresentada pela campanha no fim de setembro registrou uma despesa de R$ 1 milhão com a companhia.

O PL também declarou ter desembolsado R$ 131,9 mil para a Elytron em 20 de julho, sob a descrição de “serviços técnico-profissionais”. Considerando os pagamentos informados no DivulgaCand, a campanha e o partido registraram, juntos, R$ 731,9 mil destinados à empresa.

Tecnologia previa operações psicológicas e desinformação

A documentação obtida pelo Intercept descreve um sistema capaz de cruzar grandes volumes de informações sociais, políticas e econômicas para identificar públicos específicos e direcionar campanhas digitais.

A apresentação comercial menciona a criação de contas falsas, a produção de conteúdos com inteligência artificial, a disseminação coordenada de rumores e a infiltração em comunidades virtuais. Entre as estratégias oferecidas estão “técnicas de guerra psicológica e métodos de infiltração”, destinadas a influenciar percepções e desacreditar oponentes.

O material também apresenta um modelo operacional que parte da definição de objetivos políticos, identifica os grupos que serão atingidos e estabelece mecanismos de distribuição de mensagens em redes sociais, blogs e veículos de comunicação.

Uma das possibilidades descritas envolve a utilização de informações demográficas e comportamentais para introduzir determinadas opiniões em grupos segmentados e ampliar sua circulação.

Segundo Reed, a ferramenta foi inicialmente apresentada como um sistema convencional de análise de dados. Sua avaliação mudou quando conheceu as funcionalidades disponíveis.

“Quando vi a demonstração [do sistema] e o dashboard, pude entender do que era capaz. E isso foi preocupante para mim porque vi que estava mirando eleitores e poderia atingi-los com deepfakes de IA”, afirmou ao Intercept.

O ex-consultor também relatou que a expressão manipulação foi utilizada durante a apresentação.

“O termo manipulação foi de fato usado. E qualquer vez que eu ouço a palavra manipulação humana, especialmente quando envolve IA, me preocupa”, declarou.

Reed afirmou ter rompido sua relação profissional com o grupo por considerar que o sistema apresentava riscos éticos e legais. Posteriormente, levou suas preocupações ao FBI e ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, mas as apurações não avançaram.

Especialista aponta características de operação de influência

O Intercept submeteu a documentação à análise de Beatriz Farrugia, pesquisadora da agência Lupa e especialista em desinformação e interferência estrangeira da organização Debunk, sediada na Lituânia.

Ao examinar o fluxograma que detalha as atividades previstas, Farrugia afirmou que o material correspondia a uma estrutura organizada de influência política.

“Essa tela [do plano, foto acima] é exatamente a definição de A a Z de operação de influência”, declarou.

A diferença em relação às ferramentas convencionais de marketing digital está na utilização de métodos enganosos, como identidades fictícias, distribuição artificial de conteúdos e campanhas coordenadas de desinformação.

Embora o monitoramento de redes sociais e a análise de tendências sejam práticas comuns, operações destinadas a manipular clandestinamente o comportamento dos eleitores podem violar a legislação eleitoral e as regras das plataformas digitais.

Campanha de Flávio Bolsonaro e empresa negam irregularidades

Procurada pelo Intercept, a campanha de Flávio Bolsonaro afirmou que “não contrata nenhum serviço que viole a legislação eleitoral”.

A assessoria classificou como grave e com “claro viés político eleitoreiro” a tentativa de associar a contratação de serviços de proteção cibernética às práticas descritas na investigação. Segundo a campanha, os contratos seguiram procedimentos regulares e tiveram como finalidade proteger os sistemas de comunicação contra ataques digitais.

A Elytron também rejeitou as acusações. Em resposta enviada após a publicação inicial da reportagem, declarou que “repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública”.

A companhia sustentou que atua exclusivamente com serviços defensivos de segurança da informação e negou oferecer ou executar atividades de manipulação política para qualquer cliente.

Também afirmou não ter prestado serviços à campanha de Trump nem autorizado apresentações comerciais destinadas à oferta de operações de influência eleitoral. A empresa informou que apurará eventuais responsabilidades pelo uso indevido de seu nome.

Investigação identifica conexões internacionais

Fundada em 2018 por João Lucas Melo Brasio e Felipe Garofalo, a Elytron mantém atividades no setor de segurança da informação e possui relações comerciais no Brasil e no exterior.

A investigação identificou conexões entre executivos e parceiros comerciais da companhia e pessoas próximas ao empresário e influenciador Pablo Marçal, que passou a integrar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro no fim de setembro.

Entre os nomes citados estão Jorge Remígio, Ludgero de Sousa e Eric Leandri, ligados a negócios de tecnologia e inteligência artificial em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos.

Reed relatou que manteve contato com esses executivos durante sua atuação como consultor de empresas associadas à Elytron e à Aleria, companhia de tecnologia dos Emirados Árabes Unidos.

Segundo ele, integrantes do grupo se apresentavam como parceiros ou associados a estruturas empresariais relacionadas ao xeque Tahnoon bin Zayed al-Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados Árabes Unidos e figura influente no mercado internacional de inteligência artificial.

A reportagem também menciona o lutador de jiu-jitsu Renzo Gracie, aliado da família Bolsonaro e sócio de Ludgero de Sousa e Eric Leandri na Lerco Consulting. Gracie confirmou a sociedade, mas negou qualquer vínculo com a Elytron ou a Aleria.

Remígio e Sousa reconheceram os contatos com Reed, mas negaram a realização de reuniões com representantes da campanha de Trump e contestaram a existência de serviços de manipulação política.

Em manifestação posterior, a Elytron brasileira informou que ambos atuam como parceiros comerciais independentes, responsáveis pela prospecção de negócios mediante comissões.

A companhia também confirmou possuir uma pessoa jurídica em Portugal, destinada à organização societária e tributária de possíveis operações no mercado europeu, mas ressaltou que ela não constitui uma filial da empresa brasileira.

Nota da Elytron: empresa nega ligação com deepfakes e manipulação eleitoral

“A Elytron repudia veementemente qualquer tentativa de associar seu nome à disseminação de informações falsas, ao uso de deepfakes ou à realização de operações clandestinas de manipulação da opinião pública. A empresa atua no segmento de segurança cibernética e da informação, com serviços de natureza exclusivamente defensiva, e não oferece, não executa nem autoriza esse tipo de prática para nenhum cliente, nacional ou internacional, incluindo a campanha do senador Flávio Bolsonaro.

A empresa não foi contratada pela campanha de Donald Trump, não prestou serviços a ela ou a intermediários a ela vinculados e não autorizou a realização de apresentações comerciais em seu nome para oferecer operações de influência política. Caso seja confirmado que parceiros comerciais ofereceram serviços irregulares em nome da Elytron, sem sua autorização, a empresa adotará as medidas contratuais e judiciais cabíveis para responsabilizar os envolvidos e resguardar sua reputação.

Importante reforçar que Vincent Reed jamais teve qualquer relação com a Elytron Do Brasil, que desconhecia sua atuação.” - 247.


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ELEIÇÕES 2026 Quadro de Janones é estável e há expectativa de alta nas próximas 48h, dizem os médicos

De acordo com o boletim, Janones está "clinicamente estável" e sem novos episódios de arritmia desde a internação

Janones foi internado no início da madrugada desta segunda-feira (19) (Ed Alves/CB/D.A Press)

O deputado federal André Janones (Rede-MG) permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Vila Nova Star em São Paulo, após apresentar um episódio de arritmia cardíaca, informa boletim médico do hospital divulgado nas redes sociais do deputado na tarde desta segunda-feira (19). A expectativa é de alta nas próximas 48 horas.

De acordo com o boletim, Janones está "clinicamente estável" e sem novos episódios de arritmia desde a internação. "A evolução clínica é favorável, com expectativa de alta hospitalar nas próximas 48 horas, caso sejam mantidas as atuais condições de estabilidade", diz ainda o boletim. O documento é assinado pelos médicos Ludhmila Hajjar, Paulo Marcelo Gehm Hoff e Daniel Favarão Del Negro.

Janones foi internado no início da madrugada desta segunda-feira (19) após participar do debate presidencial Band/Estadão entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e senador Flávio Bolsonaro (PL).

Janones, que coordena a criação e a administração do canal "Exército do Lula", de apoiadores do presidente, esteve com a comitiva do PT nos estúdios da emissora. Ao longo de todo o debate, o deputado enviou mensagens no canal orientando os apoiadores a como agir nas redes sociais. A última mensagem enviada pelo deputado aconteceu à 0h40 desta segunda-feira.


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saúde Agricultura confirma foco de doença de Newcastle em Santa Catarina

 

Estabelecimento avícola de perus foi interditado


                         Por Agência Brasil e Agência O Globo
Registro de um foco da doença de Newcastle aconteceu em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina. - Foto: CNA/Divulgação

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou o registro de um foco da doença de Newcastle em um estabelecimento de avicultura comercial de corte de perus no município de Nova Itaberaba, em Santa Catarina.


A existência do foco foi confirmada no domingo (18).


O ministério informou que o estabelecimento foi interditado pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, com a suspensão da movimentação de aves.

Além disso, a pasta esclareceu que medidas de controle, contenção e erradicação do foco serão executadas conforme as diretrizes do Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle.

A doença de Newcastle afeta aves domésticas e silvestres e é causada por vírus virulento do paramixovírus aviário do sorotipo 1 (APMV-1), conforme os critérios estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

A ocorrência foi identificada durante investigação epidemiológica conduzida pelo Serviço Veterinário Oficial de Santa Catarina, a cargo da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola (Cidasc), e confirmada por análise realizada no Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo (LFDA-SP). 

O laboratório é reconhecido pela OMSA como de referência internacional para o diagnóstico da doença.

“O Mapa ressalta que, apesar da necessidade de adoção de medidas sanitárias para controlar a ocorrência, o consumo de produtos avícolas submetidos à inspeção oficial permanece seguro, sem contraindicações”, disse o ministério.

Nenhuma das cerca de 6 mil aves da granja apresentou sinais clínicos. As amostras foram colhidas em 21 de setembro. Um resultado preliminar, em 14 de outubro, indicou possibilidade de infecção, e a confirmação saiu no dia 18.

O governo informou que notificou a OMSA e aos parceiros comerciais do Brasil, em cumprimento aos compromissos internacionais de transparência sanitária. 

O secretário-substituto de Comércio e Relações Internacionais do ministério, Rafael Requião, disse que não recebeu qualquer informação sobre a suspensão das exportações brasileiras por conta do foco da doença.

"Ainda não temos nada objetivo a informar [sobre suspensão de exportações]", afirmou.

Pelo protocolo sanitário firmado com a China, o Brasil é obrigado a suspender por conta própria as exportações de carne de aves ao país asiático, principal destino do frango brasileiro.

Segundo o ministério, o vírus já circula no país entre aves silvestres. A granja foi interditada e a movimentação de aves, suspensa. Os perus serão sacrificados, e as instalações passarão por limpeza e desinfecção, conforme o Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. A zona de restrição, de cerca de 10 quilômetros, abrange os quatro municípios da portaria e 133 granjas sob monitoramento.

 É o primeiro registro da doença em criação comercial no país desde julho de 2024, que ocorreu em uma granja de frangos de corte em Anta Gorda (RS). 

O governo suspendeu preventivamente a certificação de exportação para 44 países. A China reabriu o mercado ao frango brasileiro em 12 de agosto daquele ano, mas manteve o Rio Grande do Sul de fora.

Os frigoríficos gaúchos só voltaram a ser habilitados em janeiro de 2026, cerca de um ano e meio depois.

Na bolsa, a MBRF, dona da Sadia e maior exportadora de frango do país, fechou em queda de 4,43%, a R$ 18,14. As ações da JBS, dona da Seara, também caíram.


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Lula diz que vai entregar amanhã ao TSE pedido de abertura de sigilo

 Candidato participou de ato em Porto Alegre

                         Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil 

Ricardo Stuckert/Lula Oficial



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição (PT), disse que vai entregar nesta terça-feira (20) ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma autorização para quebra de seu sigilo telefônico e bancário e de sua família.

Lula também desafiou, o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), a abrir seu sigilo bancário e fiscal. O desafio foi feito nesta segunda-feira (19) em Porto Alegre onde Lula participou de um ato no Centro Histórico da cidade.

“Eu vou entregar isso amanhã, no Tribunal Eleitoral, na expectativa de que o candidato adversário apresente a abertura do seu sigilo, das suas empresas e da sua família. E por que que eu estou fazendo isso? Porque é preciso de uma vez por toda acabar com a história de ladrão ficar chamando gente honesta de ladrão”, disse.

Lula afirmou ainda que resolveu entregar o pedido de abertura dos cinco filhos – Fábio Luís, Lurian, Marcos, Sandro e Luis Claudio – devido ao fato de que em todas as disputas eleitorais ter sofrido com informações falsas e especulações a respeito da honra da sua família. "Fiz questão de colocar meus cinco filhos porque toda eleição se inventa uma coisa contra minha família e eu resolvi não ficar quieto". 

O desafio foi feito por Lula durante um pronunciamento à imprensa antes do ato, no centro de Porto Alegre. O tema surgiu durante o debate presidencial realizado no domingo (18), quando Lula questionou o patrimônio informado por Flávio Bolsonaro e propôs a abertura das contas bancárias e sigilos telefônicos dos dois candidatos para análise antes da eleição.

“A única coisa que eu estou pedindo é que ele [Flávio Bolsonaro] tenha a coragem de provar que é honesto”, emendou. “Eu vou entregar na expectativa que ele entregue a dele e eu quero que a Justiça investigue e depois divulgue, para o povo brasileiro saber quem é ladrão ou quem não é ladrão neste país”, desafiou.

O ato, na tarde desta segunda-feira, reuniu milhares de apoiadores de Lula, que se concentraram no Largo dos Açorianos, localizado entre o bairro Cidade Baixa e o Centro Histórico. De lá, Lula participou de uma caminhada pela Avenida Borges de Medeiros até o centro. Durante o percurso, Lula escreveu em um cartaz a frase "abre o sigilo Flávio".


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