Levantamento do TSE aponta reconhecimento internacional da vitória do presidente brasileiro, enquanto Trump critica eleição sem apresentar provas e Milei evita pronunciamento
Entre os países que reconheceram a reeleição de Lula estão importantes parceiros comerciais e diplomáticos do Brasil, como Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão e Coreia do Sul. O resultado também recebeu manifestações favoráveis de integrantes do BRICS, incluindo China, Rússia, Índia, África do Sul e Arábia Saudita.
A Indonésia, que integra tanto o G20 quanto o BRICS, ainda não aparecia no levantamento do TSE até esta sexta-feira. Apesar disso, o líder indonésio já havia parabenizado Lula por meio de uma publicação na rede social X, antigo Twitter.
Trump critica eleição brasileira, mas não reconhece oficialmente resultado
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump evitou fazer um pronunciamento oficial sobre a reeleição de Lula. Questionado sobre o processo eleitoral brasileiro, o republicano afirmou inicialmente que não pretendia comentar o assunto, mas acabou criticando a votação e fazendo acusações sem apresentar provas.
“Acompanhei as eleições. Não tomei partido, mas vi o que estava acontecendo no Brasil; foi uma vergonha”, declarou Trump antes de seguir para um comício eleitoral.
A manifestação ocorreu após a derrota de Flávio Bolsonaro, candidato apoiado pelo campo político alinhado ao presidente estadunidense. Embora Trump tenha expressado insatisfação com o processo eleitoral, o governo dos Estados Unidos não havia formalizado o reconhecimento da vitória de Lula até o fechamento do levantamento.
A ausência de uma manifestação oficial dos EUA contrasta com a posição adotada por outros integrantes do G20, entre eles Canadá, Alemanha, França, Itália, Japão, China e Índia, que já haviam cumprimentado o presidente brasileiro.
Milei evita manifestação e Argentina fica isolada na América do Sul
Na América do Sul, a Argentina é o único país que ainda não se pronunciou oficialmente sobre o resultado das eleições brasileiras.
Segundo o jornal argentino Clarín, o presidente Javier Milei não pretende fazer uma declaração oficial sobre a vitória de Lula. A decisão ocorre em meio às divergências políticas entre os dois chefes de Estado.
A posição argentina também se diferencia da adotada pelos demais países sul-americanos, que já reconheceram o resultado da disputa presidencial brasileira.
Assim como os Estados Unidos, a Argentina integra o G20, grupo que reúne algumas das principais economias do planeta. A ausência de manifestações oficiais dos dois governos chama a atenção diante da amplitude do reconhecimento internacional recebido por Lula.
EUA e Argentina estiveram na rota de saída de Flávio Bolsonaro
A postura dos governos de Trump e Milei ocorre em um contexto marcado pela saída de Flávio Bolsonaro do Brasil, dois dias depois de sua derrota na eleição presidencial por uma diferença superior a 4 milhões de votos.
O senador deixou o território brasileiro na terça-feira (27), acompanhado de familiares, após ter sido intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes e ser proibido de sair do país.
O grupo seguiu inicialmente para a Argentina, de onde embarcou em um jato de luxo com destino a Miami, nos Estados Unidos. Conforme a reportagem, a aeronave teria sido providenciada pelo governo norte-americano.
Flávio Bolsonaro permanece na Flórida com uma autorização temporária de entrada. Autoridades estadunidenses citadas na reportagem indicam a possibilidade de que o senador obtenha posteriormente residência permanente no país.
Investigações no STF e perda do mandato
A saída de Flávio Bolsonaro também ocorre em meio a investigações conduzidas no Supremo Tribunal Federal (STF).
O senador é investigado em dois inquéritos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e a pedidos de recursos financeiros feitos ao empresário Daniel Vorcaro para a produção de Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Com o encerramento de seu mandato no Senado, Flávio Bolsonaro ficará sem cargo eletivo em 2027 pela primeira vez em 24 anos. A mudança também terá consequências para sua situação jurídica, uma vez que deixará de contar com o foro por prerrogativa de função associado ao exercício do mandato parlamentar, ressalvadas as regras de competência aplicáveis a cada investigação. - 247.
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