sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Justiça torna réus 12 ex-diretores da Americanas por fraude bilionária

Decisão envolve rombo contábil de R$ 20 bilhões, inclui ex-CEO Miguel Gutierrez e abre ação penal por manipulação de mercado e outros crimes

Lojas Americanas e Miguel GutierrezCrédito: Divulgação

A Justiça Federal do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 ex-executivos da Americanas, acusados de participação em um esquema de fraudes contábeis que provocou um rombo de aproximadamente R$ 20 bilhões na varejista. Entre os novos réus está o ex-presidente da companhia Miguel Gutierrez, a quem os investigadores atribuem a liderança das irregularidades. A decisão da 6ª Vara Federal Criminal, tomada na quinta-feira (15), abriu uma ação penal por crimes como associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação de mercado, além de uso de informação privilegiada em parte dos casos.

A Justiça acolheu a acusação mais de um ano após o MPF apresentar a denúncia, em março de 2025. O processo tramita sob sigilo judicial e representa uma nova etapa da investigação sobre as inconsistências financeiras que levaram a Americanas a pedir recuperação judicial em janeiro de 2023. A Procuradoria inicialmente denunciou 13 antigos funcionários da empresa, mas um deles firmou acordo de colaboração premiada, reduzindo para 12 o número de acusados que passaram à condição de réus.

A decisão permite que a Justiça avance na apuração das responsabilidades criminais dos antigos dirigentes da companhia. O recebimento da denúncia não representa condenação, mas indica que o Judiciário identificou elementos suficientes para dar início à ação penal, na qual os acusados poderão apresentar suas defesas.

O ex-diretor Márcio Cruz Meirelles, que integrava a lista original de denunciados, firmou um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal em outubro de 2025. A medida alterou sua situação no processo e contribuiu para o andamento das investigações.

Ex-CEO Miguel Gutierrez está entre os acusados

O ex-presidente Miguel Gutierrez figura entre os principais investigados no caso Americanas. O Ministério Público Federal sustenta que ele comandou o esquema responsável por apresentar informações financeiras que não correspondiam à realidade econômica da companhia.

Além de Gutierrez, a denúncia inclui Anna Saicali, José Timótheo de Barros, Anna Christina Sotero, Carlos Padilha, João Guerra, Murilo Corrêa, Maria Christina Nascimento, Fabien Picavet, Raoni Lapagesse, Luiz Saraiva e Jean Pierre Lessa.

O MPF atribui aos integrantes do grupo condutas relacionadas à associação criminosa, falsidade ideológica e manipulação do mercado de capitais. Alguns acusados também responderão por suposto uso de informações privilegiadas.

De acordo com a investigação, os antigos dirigentes teriam alterado dados contábeis e apresentado resultados financeiros incompatíveis com a situação da Americanas. As informações chegavam ao conselho de administração e aos investidores, que utilizavam os números divulgados pela companhia para avaliar seu desempenho.

A acusação sustenta que a manipulação de registros e demonstrativos financeiros permitiu esconder problemas nas contas da varejista durante anos. O esquema teria afetado a transparência das informações destinadas ao mercado de capitais e dificultado a identificação das irregularidades.

Disputa sobre provas atrasou decisão da Justiça

O intervalo entre a apresentação da denúncia, em março de 2025, e sua aceitação, em outubro de 2026, decorreu, entre outros fatores, de questionamentos relacionados ao material reunido pelos investigadores.

A discussão sobre o acesso às provas ocupou parte da tramitação anterior ao recebimento da denúncia. Com a decisão da 6ª Vara Federal Criminal, o processo passa à fase de responsabilização judicial dos acusados.

O segredo de Justiça restringe a divulgação dos detalhes da ação penal, incluindo documentos apresentados pelas partes e elementos específicos da acusação.

Fraude veio à tona em janeiro de 2023

A Americanas revelou, em janeiro de 2023, inconsistências contábeis estimadas inicialmente em R$ 20 bilhões. O anúncio provocou uma crise financeira na companhia e levou a varejista a solicitar recuperação judicial.

As irregularidades levantaram dúvidas sobre a confiabilidade dos balanços financeiros e sobre os mecanismos de fiscalização utilizados pela administração da empresa.

As defesas dos ex-executivos alegaram dificuldades para acessar integralmente as provas utilizadas pelo Ministério Público Federal. O conjunto documental inclui arquivos digitais armazenados em 48 discos rígidos, que contêm informações coletadas durante a apuração.

Diante das contestações, as autoridades realizaram procedimentos para verificar a integridade do material e assegurar as condições necessárias à análise dos documentos.

A crise também afetou investidores, credores e instituições financeiras que mantinham relações comerciais com a Americanas. A revelação das inconsistências desencadeou investigações para identificar como os registros contábeis sofreram alterações e quem participou das operações.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal passaram a investigar os acontecimentos por meio da Operação Disclosure, que reúne diligências sobre a atuação dos antigos executivos e as movimentações financeiras da companhia.

A apuração procura esclarecer como os responsáveis teriam produzido e divulgado informações financeiras falsas, além de identificar os mecanismos utilizados para ocultar a situação patrimonial da varejista.

Polícia Federal amplia investigação sobre bancos e acionistas

A investigação criminal não se limita aos 12 ex-executivos que agora respondem à ação penal. Em junho de 2026, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Disclosure, com o objetivo de aprofundar a análise da participação de instituições financeiras e verificar possíveis conexões de acionistas com as irregularidades.

Essa etapa busca esclarecer o funcionamento das operações financeiras relacionadas ao caso e identificar eventuais responsabilidades de outros envolvidos. A ampliação das diligências não significa que as autoridades tenham comprovado a participação de bancos ou acionistas na fraude. 

Os investigadores continuam reunindo informações para determinar se outras pessoas ou instituições tiveram conhecimento das práticas sob investigação ou contribuíram para sua execução. As apurações seguem em andamento, paralelamente ao processo criminal que envolve os antigos integrantes da direção das Americanas.

Americanas afirma que foi vítima das irregularidades

Após a decisão judicial, a Americanas informou que ainda não havia tido acesso ao conteúdo da determinação da 6ª Vara Federal Criminal. A companhia reafirmou sua confiança no trabalho das autoridades e defendeu a responsabilização dos envolvidos no esquema que comprometeu suas demonstrações financeiras.

Em manifestação pública, a varejista afirmou que sofreu uma “fraude estruturada e de natureza dolosa”, atribuindo a prática aos antigos integrantes de sua administração. A empresa também declarou que os ex-executivos manipularam registros financeiros, mecanismos de controle e informações destinadas aos investidores.

A companhia divulgou uma nota nesta sexta-feira (16). “Ao longo de anos, ex-executivos manipularam controles internos, registros contábeis e informações relevantes ao mercado, em violação direta aos deveres fiduciários inerentes aos cargos que ocupavam e à legislação do mercado de capitais”.

A Americanas sustenta que os antigos dirigentes atuaram contra os interesses da companhia e que as irregularidades comprometeram a transparência de seus resultados.

O recebimento da denúncia abre uma nova fase do caso, com a análise judicial das acusações e das provas apresentadas pelas partes. Enquanto a Justiça conduz a ação penal contra os 12 ex-executivos, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal mantêm as investigações sobre a extensão do esquema e a possível participação de outros envolvidos. - 247


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TSE define regras para canais de WhatsApp durante a campanha

 Atualização de resolução da Corte eleitoral foi por unanimidade

                 André Richter - Repórter da Agência Brasil


Antonio Augusto/TSE


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu nesta sexta-feira (16) regras para o funcionamento de canais de WhatsApp que apoiam campanhas eleitorais. 

A decisão foi tomada após a guerra de liminares sobre o funcionamento do canal Exército do Lula, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) para apoiar a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Por unanimidade, os sete ministros da Corte aprovaram uma atualização na resolução do TSE que trata da propaganda eleitoral na internet e da fiscalização dos canais de comunicação utilizados pelas candidaturas.

Conforme a decisão, canais que receberem apoio técnico ou financeiro das campanhas deverão ser registrados na Justiça Eleitoral.

O vínculo deverá ser estabelecido a partir do recebimento de recursos, ajuda técnica, além do direcionamento para página oficial do candidato.

O apoio espontâneo ou compartilhamento de materiais de campanha não poderão ser caracterizados como vínculo direto com a campanha. 

Se as regras não forem cumpridas, os canais poderão ser desativados até que a regularização seja providenciada. 

Na terça-feira (13), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a reativação do canal Exército do Lula, após a campanha de Lula registrar o canal no tribunal, conforme determinação do ministro.

A reativação ocorreu após decisões conflitantes de Kassio e do ministro corregedor-geral do TSE, Villas Bôas Cueva, que havia liberado o canal.


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MEIO AMBIENTE Terremoto de magnitude 6,9 é registrado no Oceano Atlântico a 1,9 mil km do Recife

 

Abalo foi registrado na região da Dorsal Mesoatlântica, no meio do mar entre o Brasil e a África, mas não há indicação de ameaça de tsunami

                                  Adelmo Lucena/DP


                              Terremoto é registrado no Atlântico, a 1,9 mil km do Recife (Foto: @nasa.bra)

Um terremoto de magnitude 6,9 foi registrado na região central da Dorsal Mesoatlântica, no Oceano Atlântico, na terça-feira (13), a aproximadamente 1,9 mil quilômetros do Recife.

O tremor ocorreu em uma área de encontro entre placas tectônicas e chamou a atenção pela intensidade, mas não há indicação de ameaça de tsunami para o litoral brasileiro associada ao evento nos dados consultados. O fenômeno pode ser explicado pelas características geológicas da região, distante da costa e marcada pelo afastamento das placas tectônicas.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), o terremoto ocorreu às 9h23, no horário de Brasília, a uma profundidade estimada de 10 quilômetros. Outro tremor, de magnitude 6,7, havia sido registrado na mesma região horas antes.

Os dois eventos foram identificados na área da Dorsal Mesoatlântica, uma extensa cadeia de montanhas submarinas que atravessa o Oceano Atlântico.

Segundo o geógrafo Tiago Marinho, terremotos dessa magnitude não são os mais comuns na região, embora a atividade sísmica faça parte da dinâmica geológica da dorsal. “A ocorrência de terremotos com magnitude de 6,7, 6,9 não são tão comuns nessa região devido ao tipo de movimento da placa sul-americana. Temos um movimento divergente e orogenético. Como é uma região ativa pode provocar tremores de baixa intensidade.”

A Dorsal Mesoatlântica marca o limite entre placas tectônicas que se separam lentamente. Esse movimento provoca fraturas na crosta terrestre e libera energia acumulada, produzindo terremotos. Mesmo que a maior parte dos abalos nessa região não provoque consequências diretas para as populações, a magnitude de um evento pode variar significativamente.

“O Brasil está no meio de uma enorme placa tectônica, portanto não temos mais vulcanismo, terremoto e também não há possibilidades de tsunamis. Estamos em um local geologicamente estável”, explica Tiago.

Tremor não representa ameaça direta ao litoral

A distância entre o epicentro e a costa brasileira é um dos fatores importantes para avaliar os possíveis efeitos do terremoto. No entanto, a distância, isoladamente, não é suficiente para descartar o risco de tsunami. A avaliação depende também da profundidade do tremor, do tipo de falha geológica e, principalmente, de quanto o fundo do oceano se desloca verticalmente durante o evento.

Segundo Tiago Marinho, a dinâmica geológica da Dorsal Mesoatlântica ajuda a explicar por que terremotos nessa região não costumam gerar tsunamis de grande alcance. O movimento divergente das placas é diferente daquele observado nas zonas de subducção, onde uma placa mergulha sob outra e pode provocar grandes deslocamentos do fundo marinho.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) explica que nem todo terremoto submarino produz tsunami. Para que isso aconteça, é necessário que o evento provoque um deslocamento suficientemente grande e rápido de água, geralmente associado à elevação ou ao rebaixamento de uma extensa área do fundo oceânico.

Por isso, a magnitude, sozinha, não determina se haverá uma onda potencialmente perigosa. Terremotos de grande intensidade podem não gerar tsunamis significativos, enquanto outros, dependendo das características da ruptura, podem provocar ondas capazes de atingir regiões distantes.

Brasil está em área geologicamente estável

O território brasileiro está localizado predominantemente no interior da Placa Sul-Americana, longe dos limites tectônicos onde ocorrem alguns dos terremotos mais destrutivos do planeta. Essa posição contribui para que o país apresente, em geral, atividade sísmica menos intensa do que regiões como Japão, Chile e Indonésia.

No entanto, a estabilidade tectônica relativa não significa ausência completa de terremotos. Abalos podem ocorrer no interior das placas, em áreas de antigas falhas geológicas submetidas a tensões. No Brasil, esses eventos costumam ser menos frequentes e, na maioria dos casos, apresentam magnitudes inferiores às observadas em grandes zonas de encontro entre placas.


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