terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

FRANKLIN MARTINS: SÓ O VOTO, NUMA ELEIÇÃO LIVRE, PACIFICA O BRASIL

Brasil247 | Stuckert

Um dos mais influentes jornalistas do país, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social (Secom) entre 2007 e 2011, Franklin Martins define, em entrevista à TV 247, a situação do Brasil depois do golpe de Temer-Meirelles como um "mingau", afirma que os três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - perderam credibilidade e diz que não haverá saída para a crise sem um acordo das principais forças em torno de uma "uma repactuação democrática".

Ele esclarece: "não quero falar de conchavinho num jantar na casa de alguém, mas que o voto livre e direto volte a ser aquilo que constitui os poderes da República. Não existe democracia sem isso. O Brasil é um país grande demais para estar sem democracia. É ingovernável sem democracia. Se é difícil governar com democracia, imagine sem democracia".
Numa referência direta à articulação que patrocinou o golpe e hoje conspira à luz do dia para impedir a candidatura de Lula ("estaria eleito se a eleição fosse hoje"), Franklin afirma que a "repactuação precisa que o outro lado aceite a questão básica da democracia: o voto".
Na entrevista, o jornalista diz que a perseguição judicial à candidatura de Lula pode produzir uma reação popular semelhante à que ocorreu em agosto de 1954, quando o tiro no peito de Getúlio Vargas gerou uma gigantesca onda de protestos, de vários dias, nas grandes cidades do país. "Há um sentimento na política que é fortíssimo. Quando cresce, cresce para valer. É o sentimento de que houve uma injustiça, contra uma liderança muito forte, que foi perseguida, foi massacrada, e que eu não defendi como deveria e acreditei num monte de besteira. Fomos injustos e pequenos com alguém que foi grande com a gente".
Para Franklin, a memória de Lula pode produzir uma situação semelhante em função de "doze anos de governos democráticos-populares, inclusivos, que deixaram claro que a ideia de que não dá para governar para a maioria da população é uma grande bobagem, uma agressão aos direitos do cidadão".
Confirmando um espírito combativo que acompanha seu comportamento político desde a juventude ("a vida não é feita para receber palmas de adversários, mas para lutar pelo que se acha certo"), na entrevista Franklin Martins faz críticas diretas à atuação de Fernando Henrique Cardoso antes, durante e depois do golpe: "o que não existe ali é democracia ".
Lembrado por uma atuação, no governo Lula, marcada pelo esforço para travar uma disputa política permanente contra o oligopólio dos grandes grupos de mídia, Franklin diz que o país aprendeu uma lição a respeito. "Se há uma coisa que a gente pode dizer que foi positiva nesse golpe de Estado que estamos assistindo, neste processo terrível, é que a questão do oligopólio da imprensa, que era discutida por acadêmicos, entidades da sociedade civil, jornalistas, profissionais, tornou-se um ponto da agenda nacional. As pessoas têm claro o seguinte: o Brasil precisa ter pluralidade de pontos de vista, principalmente naquilo que é fruto de uma concessão do Estado." (247).

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