Reportagem do Fantástico revela que Menachem Booky Halevy cruzou a fronteira com a Argentina sete minutos antes de uma van que poderia transportar o senador e sua família
Ex-agente do Mossad esteve no Brasil em outubro
Menachem Booky Halevy, que aparece em fotografias ao lado de autoridades israelenses, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, teria realizado outras três viagens ao Brasil ao longo de 2026. Sua entrada mais recente no país ocorreu em 19 de outubro, poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais.
Segundo a reportagem, Halevy estava acompanhado do advogado Roberto Jorge Alexandre, que já atuou na defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dois viajaram em uma van da empresa brasileira Dallas Turismo, responsável também pelo outro veículo identificado na investigação.
O motorista Neri Luiz Dala Corte confirmou ao Fantástico que foi contratado para transportar dois homens até o aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina. Ele negou, entretanto, ter visto integrantes da família Bolsonaro durante o trajeto.
A presença dos veículos chamou a atenção de jornalistas argentinos. Nicolás Munafó, do canal C5N, relatou que havia uma movimentação de segurança nas proximidades do aeroporto.
“Na frente da comitiva vinha uma caminhonete da Polícia de Segurança Aeroportuária, que é responsável pelos aeroportos da Argentina. Depois, vimos sair duas caminhonetes brasileiras, com placas do Brasil e motoristas brasileiros. E, em seguida, mais duas caminhonetes argentinas, uma delas com placa diplomática”, afirmou.
Flávio Bolsonaro teve três registros de entrada na Argentina
Um dos elementos destacados pela Globo envolve os registros de imigração argentina atribuídos ao senador.
De acordo com a reportagem, Flávio Bolsonaro aparece em três registros de entrada no país, todos associados à mesma van.
O primeiro ocorreu às 22h37, mediante apresentação de um passaporte italiano. Três minutos depois, às 22h40, houve um novo registro, desta vez com uma carteira de motorista. Uma terceira entrada foi registrada às 23h11, com o passaporte brasileiro.
Os dois registros realizados com documentos brasileiros foram posteriormente cancelados. Apenas a entrada efetuada com o passaporte italiano permaneceu válida.
A sequência levanta questionamentos sobre as circunstâncias da passagem pela fronteira e os procedimentos adotados pelas autoridades migratórias.
Jato ligado a advogado de Flávio também é mencionado
A reportagem do Fantástico também identificou um jato executivo Cessna Citation Excel ligado ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro, como possível aeronave utilizada no deslocamento para os Estados Unidos.
Em manifestação enviada à TV Globo, Tomaz negou que a viagem tenha ocorrido.
A apuração também aponta que a mulher do senador, Fernanda Bolsonaro, e as duas filhas teriam seguido por uma rota diferente.
Segundo as informações apresentadas, elas partiram de Brasília em uma aeronave com destino a Cascavel, no oeste do Paraná. Às 20h02, embarcaram em uma van da Dallas Turismo, que atravessou a fronteira argentina algumas horas depois.
A utilização de trajetos distintos e a proximidade temporal entre os deslocamentos estão entre os elementos examinados na reconstrução da viagem.
Willer Tomaz é investigado em outros inquéritos
O advogado Willer Tomaz, mencionado na apuração sobre a possível utilização do jato, também é investigado pelo Supremo Tribunal Federal em dois inquéritos distintos.
As investigações envolvem suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao setor de apostas esportivas e a repasses realizados pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse.
Tomaz negou ao Fantástico qualquer envolvimento em práticas criminosas.
A reportagem da Globo acrescenta novos elementos à investigação sobre os deslocamentos de Flávio Bolsonaro após sua derrota na eleição presidencial de 25 de outubro. A presença de um ex-integrante do serviço de inteligência israelense, os registros migratórios e a movimentação de veículos e aeronaves são circunstâncias que ainda dependem de esclarecimentos para determinar se houve uma operação coordenada para facilitar a saída do senador do Brasil. - 247.
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