domingo, 24 de maio de 2020

Empresa não tem de pressionar governador, dizem acionistas

Já o presidente Jair Bolsonaro disse que 'é guerra' e que o setor empresarial precisa 'jogar pesado' 
com os governadores

                 Por: Bruna Narcizo, da Folhapress
Empresário Pedro Passos, cofundador da Natura
Empresário Pedro Passos, cofundador da NaturaFoto: Divulgação
Acionistas das maiores empresas do Brasil são taxativos ao dizer que não é papel dos empresários pressionar governadores pela flexibilização do distanciamento social adotado para conter o coronavírus, como sugerido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na semana passada em reunião com membros da Fiesp.

O presidente disse que "é guerra" e que o setor empresarial precisa "jogar pesado" com os governadores. "Os senhores, com todo o respeito, têm que chamar o governador e jogar pesado. Jogar pesado, porque a questão é séria, é guerra", disse Bolsonaro na ocasião.
O pedido do presidente, no entanto, não encontrou eco no setor. "Neste momento, não é guerra. É união", diz a empresária Luiza Helena Trajano, do Magazine Luiza. "Não estou contra o governo federal, eu também estou divulgando medidas que são boas."
O empresário Pedro Passos, cofundador da Natura e hoje copresidente do conselho de administração da empresa, diz que empresário não tem que pressionar governador.
"Essa é uma medida que tem ser tomada baseada na opinião de especialistas. Não faz muito sentido uma convocação para empresários pressionarem governadores. Ao contrário, os empresários deveriam estar apoiando."
Para Horácio Lafer Piva, acionista e membro do conselho de administração da Klabin, o pedido de Bolsonaro é um absurdo. "É inacreditável ele pedir para os empresários pressionarem os governadores. Está lidando com gente séria, não um bando de criança."
Lafer Piva diz ainda que não entende o pedido do presidente. "Ele parte do princípio de que governadores não sabem o que fazem e que, portanto, precisam de um puxão de orelha. Todos foram eleitos como ele foi. São gestores da máquina pública", diz.
Segundo ele, os governadores estão se comportando bem. "Não só os que liberaram [o comércio] como os que seguraram também. Tudo o que existe de malfeito está vindo do governo federal."
João Guilherme Sabino Ometto, um dos principais acionistas da usina São Martinho, diz que participou da reunião com Bolsonaro e que não sentiu necessidade de falar com o governador paulista.
Ometto, no entanto, diz que João Doria (PSDB) deveria olhar cada cidade separadamente. "Sou do interior [de São Paulo], a gente vê cidade que não tem nenhum caso e está com tudo parado, tudo fechado. Acho que isso também não está certo. Essa regras gerais são muito perigosas. O estado de São Paulo é um país de 40 milhões de habitantes."
Pedro Wongtschowski, acionista e presidente do conselho de administração da Ultrapar, discorda de Ometto. Ele diz que as medidas tomadas por Doria são adequadas, apropriadas e tecnicamente fundamentadas.
"Doria montou uma equipe de crise competente, com qualidade e quantidade de informações. As pessoas estão detalhando para preparação para uma retomada adequada."
Para Passos, a manutenção ou não da quarentena tem que ser determinada pela capacidade hospitalar e infraestrutura de saúde. "Essa é a prioridade. Ainda estamos na fase de crescimento da doença. A única saída é o isolamento para diminuir a curva. É o que funcionou na maior parte dos países do mundo", defende.
Luiza Helena também usa como exemplo a experiência de outros países acometidos pelo surto de coronavírus. "Países que entraram no isolamento horizontal foram mais bem-sucedidos no pico da doença."
Para ela, a falta de um esclarecimento adequado para a população acabou dividindo o país. "O inimigo não é o isolamento, é o vírus. O que se sabe até agora é que a proporção de contágio é muito alta. Se não fosse, não teria adiado Olimpíada ou fechado Nova York."



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sábado, 23 de maio de 2020

Bolsonaro se revoltou com diretor da PRF por ele divulgar nota de pesar a agente morto por Covid-19

Na reunião ministerial de 22 de abril, Bolsonaro disse ter repreendido o então diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Adriano Furtado, por se solidarizar com um funcionário vítima do novo coronavírus

(Foto: Congresso em Foco)

Na reunião ministerial de 22 de abril, divulgada pelo Supremo Tribunal Federal nessa sexta-feira, 22, Jair Bolsonaro afirmou ter repreendido o então diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Adriano Furtado, por ter emitido uma nota de pesar após a morte de um agente da corporação por covid-19.
“Ontem eu liguei pro Diretor-Geral da Polícia Rodoviária Federal. Chegou ao meu conhecimento, uma nota, que era dele, sobre o passamento de um patrulheiro. E ele enfatizou que era COVID-19”, disse.
Segundo o site Congresso em Foco, Bolsonaro queria do diretor era que a manifestação de pesar não focasse na contaminação por coronavírus, mas em eventuais comorbidades do agente.
“Eu liguei pra ele. Por favor, o que mais? Ele era obeso, era isso, era .. . bem, tinha ... como é que é? Comorbidades. Mas ali na nota dele só saiu COVID-19. Então vamos alertar a quem de direito, ao respectivo ministério, pode botar COVID- 19, mas bota também tinha fibrose nu ... montão de coisa, eu não entendo desse negócio não. Tinha um montão de coisa lá, pra exatamente não levar o medo à população. Porque a gente olha, morreu um sargento do exército, por exemplo. A princípio é um cara que tá bem de saúde, né? Um policial federal, né? Seja lá o que for, e isso daí não pode acontecer. Então a gente pede esse cuidado com o colegas, tá? A quem de direito, ao respectivo ministério, que tem alguém encarregado disso, né? Pra tomar esse devido cuidado pra não levar mais medo ainda pra população”, afirmou.(247)
Leia a nota divulgada pela PRF na ocasião:
Nota de falecimento de PRF por Covid-19



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Pernambuco registra 1.026 novos casos de Covid-19 e 87 mortes, nas últimas 24h

Os detalhes epidemiológicos serão repassados ao longo do dia pela Secretaria Estadual de Saúde

                 Por: Portal FolhaPE
Coronavírus
CoronavírusFoto: Shutterstock

Pernambuco contabilizou, neste sábado, mais 1.026 novos casos da Covid-19. Destes, 223 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 803 como leves. Segundo o boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE), com as confirmações, o Estado totaliza 26.786 pessoas infectadas

Após bater recorde diário de óbitos pelo coronavírus na sexta-feira (23), com 132 mortes, Pernambuco confirmou, nas últimas 24h, outras 87 vítimas da doença. Com isso, o Estado totaliza 2.144 mortes pela Covid-19.
Os detalhes epidemiológicos serão repassados ao longo do dia pela Secretaria Estadual de Saúde.

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“Show de horrores”, diz maior jornal inglês sobre reunião ministerial de Bolsonaro

O jornal britânico The Guardian destacou a perplexidade geral causada pelo vídeo da reunião ministerial do governo Bolsonaro. O periódico enunciou: “Jair Bolsonaro xingou 34 vezes durante uma reunião de gabinete de duas horas, que alguns acham que poderia ajudar a levar a cabo o mandato de quatro anos”
Bolsonaro The Guardian

Bolsonaro The Guardian (Foto: Reprodução)

A repercussão negativa da divulgação da reunião ministerial do governo Bolsonaro ganhou o mundo e foi destaque no britânico The Guardian. O jornal sublinhou as grosserias do presidente brasileiro: “‘se [a esquerda] assumisse o poder em 1964, estaríamos fodidos’, proclamou o presidente da pró-ditadura do Brasil em um ponto.”

O jornal britânico fez extensa matéria sobre o episódio que pode levar ao fim do governo: 
"Um show de terror", twittou Marina Silva, uma rival presidencial de uma só vez, depois que ela, como grande parte do Brasil, assistiu às cenas de palavrões. "Todo o Brasil já viu as entranhas sinistras que governam o país ... Isso não pode continuar."
O vídeo, que está no centro de uma investigação potencialmente letal da presidência sobre as reivindicações de Bolsonaro na Polícia Federal, foi divulgado na sexta-feira após uma decisão da suprema corte. Ele mostra uma cúpula do gabinete no palácio presidencial em 22 de abril - e um carnaval de insultos e conspiração.
Bolsonaro surge como a besta-chefe do Brasil, proferindo 34 palavrões, segundo relatos locais. “Esses bastardos estão atrás da nossa liberdade - é por isso que quero que o povo se arme”, declara a certa altura.
“Oh, vá se foder. Fui eu quem escolheu esse maldito time”, reclamou com a falta de elogios da mídia por sua liderança.
(...)
Em uma quarta ocasião, que poderia ter sérias implicações para sua presidência, fornecendo possíveis motivos para impeachment, Bolsonaro parece confirmar as alegações de seu ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, de que ele procurava proteger sua família da investigação por se intrometer na polícia federal. (247)

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Região Metropolitana Em seis dias, isolamento social cresce 10% nas cinco cidades em quarentena

 (Bruna Costa/DP Foto )
Bruna Costa/DP Foto

Uma pesquisa realizada pela empresa InLoco, especializada em tecnologia de geolocalização, revelou que a taxa de isolamento social cresceu 10% nas cinco cidades da Região Metropolitana do Recife onde foi decretada uma quarentena mais rígida. O estudo foi feito entre os dias 16 a 22 de maio.


Na sexta-feira (22), nas cinco cidades, a taxa média de isolamento social chegou aos 48,7%, contra 47,8% da última sexta-feira (15), um dia antes do início da  quarentena. Nos demais dias, os números seguem a tendência de crescimento: 60,1%, no dia 16; 63,8%, no dia 17; 53,5%, no dia 18; 52,1%, dia 19 e 52,1%, no dia 20. Percentuais que superam os dias anteriores, quando foram registrados, respectivamente, 48,1% , dia 09; 52,4%, no dia 10; 49,4%,  no dia 11; 50,1%, (12), 49,3% (13), 48,4% (14) e 50,3% (15).

Entre os dias 16 e 22 de maio, já dentro do período de quarentena estabelecido pelo decreto, a média de isolamento das cinco cidades da Região Metropolitana foi de 54,4%, contra 49,4% registrados entre os dias 09 e 15 deste mês. A pesquisa da InLoco também revelou que, no Recife, uma adesão média de isolamento social de 56,4% entre 16 e 22 de maio. Uma semana antes, essa média era de 51,1%. Em Olinda, no comparativo entre esses dois períodos, as taxas subiram de 51,3% para 56% de adesão popular às medidas da quarentena.

Em Jaboatão dos Guararapes, entre 16 e 22 de maio, foi registrado o índice médio de 53,1% de isolamento social, superior aos 47,9% auferidos na semana anterior. Camaragibe apresentou uma elevação na média de 48,8% para 53,5%, e em São Lourenço da Mata, o percentual médio aumentou de 47,7% para 52,8% na comparação entre os dois períodos avaliados.

Pernambuco:
Entre os dias 16 e 22 de maio, a pesquisa da InLoco registrou uma média de 50,5% na taxa de isolamento social em todo o estado de Pernambuco, o que representa um aumento de 3,2 pontos percentuais em relação ao período de 09 a 15 deste mês, quando o índice médio apurado pelo levantamento foi de 47,3% de pernambucanos aderindo às regras do decreto de quarentena. (DP) 





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Brasil tem 965 novas mortes por coronavírus em 24h

País teve também 16.508 novas infecções pela doença

                Por: Portal FolhaPE
Cenas da quarentena no Brasil
Cenas da quarentena no BrasilFoto: Daniel Castellano/AFP

O Ministério da Saúde divulgou neste sábado (23) novos dados sobre a Covid-19 no Brasil. Nas últimas 24h, foram registrados novos 965 óbitos, com 16.508 infecções pela doença.

Com os novos números, o Brasil, que passou a ser o segundo com maior número de casos no mundo, chegou a 22.013 mortes por coronavírus, com 347.398 infectados no total.


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Bolsonaro volta a defender cloroquina e diz que soldados já se curaram com "água de coco na veia"

Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 13/05/2020
Presidente Jair Bolsonaro em Brasília 13/05/2020 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Sputnik – O presidente Jair Bolsonaro voltou a defender o uso cloroquina neste sábado (23) e afirmou, na entrada do Palácio da Alvorada, que ou "você toma" a substância "ou não tem nada". 
"Até porque não tem outro remédio. É o que tem. Ou você toma cloroquina ou não tem nada. O que eu fico chateado também é que quem não quer tomar, não toma", disse na porta do Palácio da Alvorada, onde parou para conversar com apoiadores, segundo publicado pelo jornal Estadão. 
No local, havia um grupo de pessoas que carregava uma faixa enaltecendo o medicamente: "Graças a Deus fomos curados da COVID usando a cloroquina. Fechados com Bolsonaro". 
O chefe de Estado também voltou a citar uma suposta história da Segunda Guerra, quando soldados feridos teriam recebido água de coco na veia devido à falta de sangue. 
"Então, o cara pegou água de coco e meteu na veia dele. E deu certo. Se fosse esperar um protocolo, uma comprovação científica, iam morrer milhares", afirmou.
Governo liberou substância
Na última quarta-feira (20), o Ministério da Saúde divulgou protocolo liberando o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em pacientes com sintomas leves da COVID-19, 
A utilização das substâncias vinha sendo defendida desde o início da epidemia por Bolsonaro, apesar da resistência dos ex-ministros da Saúde Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich. 
O uso da substância não tem eficácia comprovada contra a doença causada pelo novo coronavírus. O Conselho Federal de Medicinal, embora tenha liberado a cloroquina no tratamento da COVID-19, não recomenda sua utilização. A Sociedade Brasileira de Infectologia recomenda o uso do medicamento apenas em casos estritamente controlados.
Pesquisa realizada com 96 mil pacientes sobre o uso da cloroquina para tratamento do coronavírus, publicada na sexta-feira (22) na revista The Lancet, indicou que seu uso não apresenta benefícios no combate à COVID-19. Além disso, o estudo mostrou que a substância pode provocar arritmia cardíaca durante hospitalização.

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