Aliados do líder petista acreditam na mudança de postura da governadora reeleita, que manteve discurso de neutralidade
O segundo turno da disputa presidencial provocou uma movimentação intensa nos bastidores da política pernambucana, com destaque para a busca do Partido dos Trabalhadores (PT) pelo apoio da governadora reeleita Raquel Lyra (PSD).
Desde o início da campanha eleitoral, a pessedista adotou uma postura de neutralidade no cenário nacional, apesar de agradecer de forma reiterada às parcerias com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao longo de sua primeira gestão. Após a reeleição, Raquel manteve o discurso de não se envolver no embate nacional.
Em entrevista nesta terça-feira (6), a senadora recém-eleita Marília Arraes revelou que a aproximação foi deliberada no encontro de Lula com aliados ocorrido na segunda-feira (5) em Brasília. “Foi falado na reunião que vai se buscar o apoio dela [Raquel], vai se buscar essa ajuda para que o presidente Lula tenha uma ampliação da sua margem de votação em Pernambuco”, disse à Rádio Jornal.
Já o presidente nacional do PT, Edinho Silva, argumentou que o apoio a João Campos (PSB) no primeiro turno foi deliberado a partir de um acordo nacional, mas ao longo do período eleitoral não houve nenhum tipo de agressão contra a candidatura de Raquel. Em coletiva após a reunião da coordenação da campanha do petista, Edinho ressaltou a importância da disputa presidencial.
“Espero que ela entenda esse momento da vida do nosso país, o destino do nosso país, a eleição mais importante das nossas histórias, da história das nossas gerações, porque o resultado dessas eleições vai definir qual o Brasil que nós teremos para a próxima década”, afirmou.
Ministros do PSD devem entrar na articulação
A articulação em torno do apoio da governadora Raquel Lyra à candidatura de Lula também deve envolver ministros da gestão atual petista que são correligionários da pessedista.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), participou da reunião de Lula com aliados na segunda e se comprometeu a atuar na interlocução. “Vou falar com a Raquel Lyra. Se depender de mim, ela anuncia o apoio amanhã”, declarou em entrevista ao SBT News nesta terça.
Outro ponto de diálogo vem do Ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula (PSD), que participou ativamente da campanha de Raquel e chegou a marcar presença em agendas da governadora na corrida eleitoral. Em uma caminhada no Morro da Conceição, na Zona Norte do Recife, André chegou a afirmar que seria o “comandante da chapa Luquel”, em referência ao apoio às reeleições de Raquel e Lula.
Raquel Lyra foi reeleita governadora no último domingo (4) com 53,27% dos votos válidos, enquanto João Campos, apoiado por Lula, teve 44,82%. No cenário presidencial, Pernambuco deu a Lula 63,45% dos votos válidos, contra 31,03% de Flávio Bolsonaro (PL). A vantagem foi menor do que em 2022, quando Lula teve 65,27%, contra 29,91% de Jair Bolsonaro.
Um eventual apoio de Raquel representaria um reforço político importante para Lula em Pernambuco. Além de sair das urnas fortalecida pela vitória ainda no primeiro turno, a governadora comanda uma ampla aliança no Estado e reúne em seu entorno lideranças de diferentes campos políticos.