sábado, 11 de fevereiro de 2017

O escândalo dentro do golpe


A noção de que nunca é tarde demais para se fazer justiça faz todo sentido diante da decisão de Edson Fachin em reabrir investigação sobre Renan Calheiros, Romero Jucá e José Sarney, com base nas escandalosas conversas gravadas pelo ex-senador Sérgio Machado entre janeiro e fevereiro de 2016. Elemento essencial para se compreender o que se passou no país em tempos recentes, o caso ficou adormecido por um ano em Brasília. Vou aos debates quando já não podia atrapalhar o golpe contra Dilma Rouseff.
Divulgados pela Folha de S. Paulo na última semana de maio de 2016, num conjunto de reportagens de Rubens Valente de valor histórico, os depoimentos constituem a primeira e mais vigorosa denúncia sobre a fraude que levou ao afastamento de Dilma Rousseff.
Recheadas de fatos chocantes, as  gravações permitem entender um ponto essencial. Se o golpe contra Dilma foi alimentado por interesses econômicos e políticos de vulto, como está comprovado pelo criminoso projeto de  regressão social e entrega das riquezas do país a interesses estrangeiros encaminhado pelo governo Michel Temer, o golpe parlamentar foi favorecido por uma articulação destinada a salvar a pele de grandes raposas do Congresso ameaçadas pela Lava Jata. Muito além das "pedaladas fiscais" que serviram de pretexto inicial , havia uma tentativa de "estancar a sangria", como admitiu Romero Jucá.
Num despacho de 14 de junho de 2016, o próprio ministro Teori Zavaski, responsável pela Operação Lava Jato no STF, deixou claro que acreditava que as gravações apontavam para um "dos mais graves atentados institucionais" de nossa história.
Na letra fria da lei, os fatos apontam para dois crimes, conforme esclareceu o constitucionalista Pedro Serrano, em entrevista ao 247. "O primeiro, neste caso o menos grave, é obstrução da Justiça. O segundo, mais grave: desvio de finalidade."
A gravidade deste crime, que assume um caráter absurdo quando se recorda que estava em jogo a democracia do país, consiste em  usar os poderes públicos -- a queda de uma presidente -- para obter um benefício privado, que foi escapar de investigações que batiam à porta dos interessados.
Nove meses depois da publicação das reportagens de Rubens Valente, é impossível deixar de reconhecer que as  revelações contidas nas gravações poderiam ter sido de utilidade extrema para se apurar os bastidores daquele processo que Joaquim Barbosa definiu como "encenação" do Congresso.
A primeira reportagem chegou às bancas em 23 de maio de 2016, duas semanas depois da Câmara aprovar o afastamento de Dilma. Embora o processo estivesse em fase avançada, havia prazo suficiente para o esclarecimento dos fatos antes da decisão fatídica, em 31 de agosto, quase três meses depois.
Mesmo evitando qualquer especulação sobre o que poderia ter acontecido, é obrigatório registrar algumas considerações. Caso se tivesse resolvido apurar aquilo que as gravações mostravam, o calendário original do impeachment  seria outro, obrigatoriamente mais alargado. Maestro da votação no Senado, Renan estaria na condição de suspeito e mesmo acusado, enfraquecido demais para exibir o desembaraço apresentado desde o início dos trabalhos. Não há dúvida, ainda, que uma investigação sobre o papel de Jucá, Sarney e Renan no "atentado institucional" de que falou Teori mudaria a relação de forças no Congresso, complicando o discurso moralizador de uma oposição que desde a derrota nas urnas procurava um atalho para afastar Dilma e manter o governo sob silêncio forçado
O impacto brutal das gravações pode ser medido pelo destino de um personagem, Romero Jucá. Autor do depoimento mais comprometedor, ele sobreviveu apenas 12 dias no cargo como ministro de Temer -- pois era óbvio que sua permanência, numa situação tão explosiva, seria um obstáculo pesado a transformação do então presidente interino em titular efetivo.
A decisão de Edson Fachin abre uma oportunidade bem vinda mas a herança deixada até agora não é animadora, como mostra um retrospecto do que se fez e do que não se fez para apurar os fatos já conhecidos. .
Em fevereiro e março de 2016, em busca de um acordo de delação premiada para escapar de acusações que envolviam sua gestão na Transpetro, uma das empresas da Petrobras, Sérgio Machado gravou 7 horas de conversas com o trio Jucá-Renan-Sarney, em encontros individuais e, num ocasião, numa rodada a quatro vozes. Os diálogos poderiam ter sido um bom início de investigação mas nem a Polícia Federal nem o Ministério Público nem o STF mostraram o mesmo empenho exibido em situações anteriores.  
Em novembro de 2015, três meses antes das primeiras gravações de Sérgio Machado, o senador Delcídio do Amaral (PT-MS) foi preso como alvo da Lava Jato. Com auxílio dos investigadores, um dos filhos de Nestor Cerveró, diretor da Petrobras que cumpria regime de prisão preventiva em Curitiba, gravou um diálogo com o próprio Delcídio, registrando  palavras e promessas comprometedoras. A conversa, que incluiu afirmações levianas sobre os ministros do STF, acabou servindo de principal prova para o pedido de prisão, autorizada pelo Supremo, ainda que não fosse um caso de flagrante, como exige a lei. Mesmo com essa experiência fresca na memória, as gravações de Sérgio Machado não receberam a mesma atenção.
Os diálogos não foram suplementados por gravações oficiais, controladas, de valor jurídico fora de dúvidas, e que poderiam detalhar e esclarecer os motivos daquela conspiração -- como se fez com Delcídio, num processo iniciado por uma prisão preventiva de três meses, que incluiu um prolongado isolamento numa cela da Polícia Federal em Brasília.   
Uma boa síntese do comportamento sobre Jucá-Sarney-Renan encontra-se num despacho de 14 de junho, quarenta e cinco dias antes da votação final contra Dilma. Ali, Teori Zavaski responde a vários pedidos enviados por Rodrigo Janot para prosseguir na apuração.  Logo de cara, na página 4, Teori faz aquela informação definitiva sobre as gravações. Diz que "as conversas gravadas demonstram que eram fundados todos os temores de que uma parcela relevante da classe política estivesse construindo um amplo acordo não só para paralisar a Lava Jato mas também para impedir outras iniciativas do sistema de justiça criminal." Fala de iniciativas de caráter "tático", que seriam referentes a Sérgio Machado e seus interlocutores, que envolveriam a atuação de advogados -- são citados Eduardo Ferrão e Cesar Asfor Rocha, este ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça -- com "acesso privilegiado" ou mesmo "verdadeira ascendência" junto ao próprio Teori para obter favores na "moeda de troca da prestação jurisdicional."
O despacho também se refere a uma  "vertente estratégica", de vulto maior, "num dos mais graves atentados institucionais" de que se tem notícia. Sua  finalidade seria "cortar asas" da Justiça e do Ministério Público.
No mesmo despacho, contudo, Zavaski não faz referência a qualquer possível pedido de autorização para grampear os telefones das autoridades sob suspeita -- providência banal em situações desse tipo --, lacuna que permite interpretar que a solicitação sequer tenha sido enviada ao STF.
Na página 12, o ministro responde a solicitação para autorizar uma ação de busca e apreensão na residência e nos escritórios dos senadores, numa colheita básica de informações em investigações dessa natureza. A resposta foi negativa. A explicação é que o pedido do Ministério Público se baseava "exclusivamente no conteúdo das conversas gravadas" por Sérgio Machado. Mas  não vinha acompanhado de "diligências complementares" que poderiam dar maior fundamentação ao pedido. Conforme Teori, o pedido não se "desincumbiu do ônus de demonstrar a imprescindibilidade da medida."
Uma leitura distanciada destas afirmações inspira muitas dúvidas e uma grande certeza. Considerando a importância inequívoca dos diálogos gravados em fevereiro e março de 2016, a questão é saber por que a investigação não foi adiante. Faltou empenho por parte do Ministério Público, que poderia ter insistido mais em seus pedidos ao STF? 
Havia má vontade de Teori Zavaski, o ministro que só autorizou uma investigação sobre outro personagem notório, o presidente da Câmara Eduardo Cunha, depois que este encaminhou o pedido de impeachment de Dilma?
A constatação obrigatória é que, mais uma vez, comprovou-se o caráter seletivo das investigações sobre corrupção no país -- que andam mais rápido, e atingem alvos mais importantes, quando envolvem lideranças ligadas ao Partido dos Trabalhadores, aos governos Lula e Dilma e empresas que participaram de um modelo de desenvolvimento econômico voltado para a construção de um mercado interno de massas.     
O saldo está aí, à vista de todos. Se os fatos são graves, por si, o escândalo é ainda mais preocupante quando se recorda que, mesmo depois que a trama se tornou conhecida, nada se fez para combater um dos "mais graves atentados institucionais" de nossa história. O governo Dilma foi substituído por um conjunto de personagens suspeitos, que em poucos meses se tornaram uma fonte permanente de instabilidade e conflito institucional que só poderá ser superado através de eleições diretas, que permitam o retorno a democracia e o respeito a soberania popular(247).

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PATRÍCIA PILLAR QUESTIONA: CADÊ O MINISTRO DA JUSTIÇA?


Indignada com o caos capixaba, onde 137 pessoas já morreram desde que os policiais militares entraram em greve, depois de serem impedidos de trabalhar por suas próprias mulheres, a atriz Patrícia Pillar foi às redes sociais e protestou: Cadê o ministro da justiça??? Não fala nada sobre greve da PM???.
Na realidade, Alexandre de Moraes está mais ocupado em buscar de votos de senadores para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal.
Sobre a onda de violência no Espírito Santo, só falaram neste sábado os ministros Raul Jungmann, da Defesa, e Antônio Imbassahy, da secretaria de Governo.
"O Brasil está sem ministro da Justiça", completou Patrícia Pillar, em seu Twitter. A atriz também criticou a "sabatina informal" de Moraes no "love boat", um barco-motel do senador Wilder Morais (DEM-GO), em Brasília.
Com o Espírito Santo e o Brasil à deriva, Jungmann fez um apelo para que os policiais voltem ao trabalho e Imbassahy disse que não haverá anistia aos grevistas (247).

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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Mensagem para Amiga Especial



Para este dia tão especial queria poder me expressar com as palavras mais bonitas do universo e com elas dizer quanto você é especial. Mas a verdade é que não existem palavras suficientemente perfeitas e capazes de demonstrar todas suas qualidades. Feliz aniversário, amiga!

Você é linda, por dentro e por fora, sincera, alegre e bondosa. Você é uma amiga como não há igual. Estas palavras foram escolhidas pelo meu carinho e toda a amizade que sinto por você. O mesmo carinho que me inspira a desejar-lhe toda felicidade do mundo, hoje e sempre.

Continue sendo quem é, pois eu amo você desse jeito, mas saiba que se um dia mudar, eu continuarei a amar você. Parabéns, minha amiga especial!

Amigos Sempre!!

Esta é uma Homenagem especial do 

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ZANIN: AS 27 TESTEMUNHAS INOCENTARAM LULA E A ACUSAÇÃO RUIU

Em novo vídeo, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fala sobre a nova fase da ação penal sobre o chamado "triplex do Guarujá".
"Agora começam a ser ouvidas as testemunhas de defesa depois que as 27 testemunhas de acusação selecionadas pelo Ministério Público, mesmo os notórios delatores da Lava Jato, inocentaram o ex-presidente Lula", diz ele.
Zanin afirma que a acusação apresentada no power point do procurador Deltan Dallagnol ruiu, depois de ter chocado toda a comunidade jurídica internacional.
No entanto, ele afirma que a sociedade deve se manter vigilante para impedir que Lula seja condenado sem provas pelo juiz Sergio Moro; que, segundo ele, promove "lawfare" (perseguição judicial) contra o ex-presidente Lula. (247).



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FHC INOCENTA LULA EM DEPOIMENTO A MORO


O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso depôs nesta quinta-feira (9) para o juiz de primeira instância Sérgio Moro na ação penal que a Lava Jato move contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-primeira-dama Dona Marisa Letícia e o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamoto. Fernando Henrique, elencado como testemunha de defesa, depôs em especial sobre o acervo presidencial, que a Lava Jato chama de "objetos pessoais" de Lula e coloca em sob julgamento no processo que move contra o ex-presidente petista.
FHC afirmou que a troca de presentes entre presidentes e líderes de nações são formais e acabam por gerar um acervo presidencial. De acordo com uma lei federal, cuja regulamentação foi estabelecida durante o governo do ex-presidente, o acervo pessoal é considerado de interesse público no Brasil. Assim, o fato é que, de acordo com FHC, o acervo de cada ex-presidente acaba por se tornar "um problema" para o ex-mandatário, já que este passa a possuir uma coleção de objetos que são de interesse público mas que geram demandas pessoais de depósito. "Um problema imenso. Como o acervo é de interesse público, você (qualquer ex-presidente) apela para doadores, porque você é obrigado a manter a coleção de objetos, mas não tem recurso para manter., explicou Fernando Henrique".
FHC afirmou que faz uso da Lei Roaunet para manter o acervo que lhe cabe, e que tal material pode até, se o ex-presidente quiser, ser vendido, após ser oferecido, antes, ao Tesouro Nacional.Em que pese tal opção legal, Fernando Henrique disse: "Claro, eu não vendi nada". Lula também não vendeu.
Em seu depoimento, o ex-presidente disse que seu acervo é "enorme", com milhares de documentos, muitos mantidos em locais refrigerados. Ele contou também que, em virtude de seu histórico acadêmico, é muito preocupado com a preservação desse material. O acervo de Lula, colecionado em mais de uma dezena de containers, hoje está arrestado pela Operação Lava Jato e manipulado por pessoas sem experiência em preservação ou catalogação de documentos históricos.
FHC esclareceu que o acervo não incide legalmente como patrimônio pessoal. Quando perguntado se isso é adicionado ao imposto de renda, ele esclareceu que tal material não entra na sua declaração de bens, e que o valor desses objetos é histórico, não patrimonial. E que empresas, como a Odebrecht, contribuíram para seu Instituto, não havendo nada de ilegal nessas contribuições, ao contrário do que faz crer as acusações dos procuradores da Lava Jato, feitas exclusivamente contra o ex-presidente Lula. FHC confirmou que houve uma reunião com empresários quando ainda era presidente, e que dela participou Emílio Odebrecht, mas que não se pediu doações nessa reunião, apenas foi verificado se havia espaço para a criação de um instituto. Na ação a que responde o ex-presidente petista, os procuradores do Ministério Público Federal do Paraná acusam Lula de receber vantagens indevidas da construtora OAS, já que a empreiteira pagava 21 mil reais por mês para o armazenamento do acervo presidencial em estoques na empresa Granero.
As declarações de Fernando Henrique Cardoso confirmam o que diz a defesa do ex-presidente: o acervo presidencial não são bens pessoais, não configurando vantagem indevida a sua manutenção, que é uma obrigação legal dos ex-presidentes.
Reverência
No início da sessão, o Juiz Sérgio Moro deu um "bom dia especial ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso". Moro também agradeceu FHC duas vezes pelo depoimento e se desculpou com o ex-presidente tucano em três oportunidades, pelo tipo de pergunta que FHC tinha que responder e pela duração do depoimento. Fernando Henrique Cardoso foi tratado como "excelência" e se desculpou por "falar demais". Moro disse que o depoimento foi "muito interessante".
Ainda em juízo, FHC explicou como montou sua base de apoio, o chamado "presidencialismo de coalizão", formando com aliados uma base parlamentar maior do que aquela com a qual o ex-presidente foi eleito. Ele disse não ter conhecimento nem de cartelização, nem de casos de desvios citados por Nestor Cerveró. "Um presidente não tem como saber de tudo", afirmou FHC. "Um ex-presidente ouve muita maledicência de um contra o outro que não pode levar ao pé da letra'".(247).

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Perini do Shopping RioMar sofre tentativa de furto

Investida aconteceu na tarde desta quinta. Nada foi levado da loja e ninguém foi preso


rês homens tentaram furtar bebidas na loja Perini do shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. A investida aconteceu na tarde desta quinta-feira (9) e foi impedida por um funcionário do setor de prevenção de perdas, segundo informações da assessoria de Imprensa da Perini, que fica em Salvador (BA). 

Na abordagem, os homens correram e dois deles conseguiram fugir; um foi contido pelos seguranças na entrada principal do shopping, que chamaram a polícia.

O homem detido não tinha armas e nem portava produtos da loja, por isso foi liberado em seguida. Ainda segundo a assessoria da Perini, os funcionários identificaram os três homens como “ladrões conhecidos” de supermercados. Nada foi levado.

A assessoria de Imprensa do RioMar negou que tenha havido tumulto dentro do mall (
Por: FolhaPE ).

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Moradores evitam andar em ruas específicas da Zona Sul do Recife por conta da violência

INSEGURANÇA


Além do medo que se espalhou entre trabalhadores de lojas e escritórios, os moradores também estão assustados. Ontem, pais e mães liberaram os filhos das aulas em escolas próximas ao local do “toque de recolher” ou foram buscá-los com medo. “Fui buscar meu filho bem mais cedo, diante dessas notícias ruins. Ele larga às 18h, mas passei por lá por volta das 16h30. A escola estava lotada de pais num horário atípico, e os arredores lotados de policiais. Nunca pensei em ir buscar meu filho na escola por causa de traficantes. Achei que isso só acontecia no Rio de Janeiro”, disse a mãe de um aluno de uma unidade em Boa Viagem.

PM monitora bandidos após suposto toque de recolher


Apesar de as razões do suposto toque de recolher não terem sido esclarecidas, muitos acreditam que é melhor ficar em casa ou não passar perto das ruas consideradas mais perigosas. “A Ribeiro de Brito e a Ernesto (de Paula Santos) são como campos minados. Eu evito”, contou uma moradora de um edifício de 24 andares que não quis se identificar.

Um advogado que também não quis dizer o nome e trabalha na Ribeiro de Brito mudou o trajeto na ida ao escritório e durante a volta para casa. “Não passo por algumas ruas consideradas mais perigosas, apesar de saber que o perigo pode estar em qualquer lugar”, disse. Na tarde do “toque de recolher”, ele, além de liberar o pessoal do trabalho mais cedo, cancelou um jantar em família.

“As imagens do tiroteio do dia anterior vieram imediatamente à minha cabeça e decidi ficar em casa”, revelou, referindo-se à invasão que aconteceu na noite da última segunda-feira à comunidade da Ilha do Destino. O tiroteio foi filmado do alto de prédios, e as imagens, acompanhadas  pelo som de vários tiros, viralizaram, contribuindo para uma crescente de medo que se intensifica com a troca de informações pela internet.

"Bicho acuado"

Quando caminhava, na segunda-feira, após o almoço entre o Shopping Recife e a Rua Ernesto de Paula Santos, onde trabalha, uma comerciária foi parada por uma mulher em uma das ruas da comunidade Entra Apulso. A loira misteriosa alertava sobre o toque de recolher. “Cuidado, é melhor todo mundo ir embora às 17h”, teria dito. A mensagem ficou ecoando na cabeça da comerciária durante todo o dia. Apesar disso, a loja onde ela trabalha funcionou até as 19h.

Conviver com o medo já é comum para ela. Assaltos, arrombamentos e consumo de drogas são cenas corriqueiras. “Furto e assalto à mão armada acontecem a qualquer hora do dia. De certa forma, já estamos acostumados”, relatou. Segundo ela, no caminho entre o shopping, onde almoça, e a loja onde trabalha, dezenas de jovens são vistos consumindo maconha e crack, sem se intimidar com os pedestres que lotam as calçadas.

À noite, o medo aumenta. O número de usuários cresce e os assaltos são mais constantes. “A gente anda parecendo bicho acuado, olhando para os lados, apressando o passo”, reclamou outra mulher que trabalha na Ernesto de Paula Santos. “Nossa loja já foi assaltada várias vezes. Perdi as contas do número de arrombamentos. Não temos paz”, lamentou um gerente de loja da via. (DP).


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ENDIVIDAMENTO Feirão Limpa Nome da Serasa oferece descontos em dívidas até 6 de dezembro

  Consulta e negociação podem ser feitas por meio dos canais digitais da Serasa ou pelos Correios                       Por Portal Folha de...