quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Flávio Bolsonaro recua e defende volta do “Exército do Lula” após PT pedir suspensão de canal bolsonarista no TSE

Campanha petista pediu ao TSE suspensão de 48 horas do canal “Tropa do Flávio” para garantir tratamento igual às duas candidaturas

Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio BolsonaroCrédito: Ricardo Stuckert | Vittor Sales


 O senador Flávio Bolsonaro (PL) se manifestou nesta quarta-feira (14) a favor do restabelecimento imediato do canal de WhatsApp “Exército do Lula”, criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), após a coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o grupo “Tropa do Flávio” também fosse suspenso por 48 horas.

Segundo a coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, com Diego Alejandro, Jullia Gouveia e Karina Matias, a manifestação do senador foi apresentada apenas 13 minutos depois de a coligação Brasil Pronto Pra Mais protocolar o pedido de suspensão do canal ligado à campanha bolsonarista. Flávio concordou com a reativação do grupo administrado por Janones, independentemente do cumprimento integral do prazo de 48 horas, desde que fossem observadas as condições estabelecidas pelo ministro Kassio Nunes Marques.

A movimentação ocorre em meio a uma disputa judicial sobre as regras aplicadas aos canais de mobilização eleitoral no WhatsApp. A campanha de Lula reivindica tratamento equivalente para as duas candidaturas, depois que o canal criado por Janones foi retirado do ar por determinação do TSE.

Campanha de Lula cobra tratamento igual do TSE

A coligação petista solicitou que o canal “Tropa do Flávio” fosse submetido à mesma suspensão de 48 horas imposta ao “Exército do Lula”. O objetivo é evitar que apenas uma das campanhas permaneça impedida de utilizar uma ferramenta de comunicação eleitoral durante o período.

Inicialmente, os advogados de Lula haviam solicitado o restabelecimento do canal de Janones. O endereço do grupo foi comunicado à Justiça Eleitoral no mesmo dia em que o Partido Liberal complementou as informações sobre o “Tropa do Flávio”.

Como o tribunal não havia respondido ao pedido de revogação da suspensão, a equipe jurídica petista decidiu apresentar uma nova manifestação, desta vez requerendo que a restrição fosse estendida ao canal da campanha adversária.

Flávio admite reativação do canal de Janones

Na manifestação encaminhada ao TSE, Flávio Bolsonaro sustentou que o “Exército do Lula” funcionava anteriormente sem registro e sem identificação de seu responsável.

O senador argumentou, porém, que as decisões proferidas na terça-feira (13) corrigiram essas irregularidades, ao estabelecer responsáveis pelo canal e determinar sua submissão às normas de propaganda eleitoral.

Com esse entendimento, a campanha bolsonarista passou a concordar com a retomada imediata das atividades do grupo, condicionada ao cumprimento das exigências fixadas por Nunes Marques.

A posição representa uma mudança no encaminhamento defendido pela candidatura de Flávio, que havia acionado a Justiça Eleitoral contra o canal de Janones sob a acusação de divulgação de informações falsas.

Canais reúnem milhões de participantes

A disputa envolve duas estruturas de comunicação digital com grande alcance entre os eleitores.

Criado em 6 de outubro, o “Tropa do Flávio” reúne aproximadamente 1,7 milhão de membros. O canal divulga conteúdos de apoiadores do senador, incluindo os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Júlia Zanatta (PL-SC), além de mensagens voltadas à mobilização eleitoral.

Já o “Exército do Lula” havia ultrapassado a marca de 4 milhões de integrantes antes de ser retirado do ar. O grupo, criado por Janones, tornou-se alvo de sucessivas decisões judiciais relacionadas ao seu funcionamento e à observância das regras eleitorais.

A diferença no tratamento dispensado aos dois canais passou a integrar os argumentos da campanha petista perante o TSE.

Área técnica do TSE não encontrou conteúdos denunciados

A suspensão inicial do “Exército do Lula” ocorreu após uma ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, que acusou o canal de disseminar informações falsas.

Entretanto, a análise realizada pela área técnica do Tribunal Superior Eleitoral não identificou, nas publicações examinadas entre 2 e 11 de outubro, os conteúdos mencionados na representação bolsonarista.

Na terça-feira (13), depois que a campanha de Lula informou oficialmente o endereço do canal à Justiça Eleitoral, Nunes Marques autorizou sua retomada, mas determinou uma suspensão de 48 horas, fundamentada em resolução do tribunal.

Essa decisão motivou a nova iniciativa jurídica da coligação petista, que passou a exigir a aplicação da mesma medida ao grupo vinculado à candidatura de Flávio.

Janones questiona atuação de Nunes Marques

Em meio à controvérsia, André Janones também passou a questionar a atuação do ministro responsável pelas decisões.

De acordo com a Folha, Nunes Marques tinha uma reunião marcada com o deputado para esta quarta-feira (14), às 17h, com o objetivo de discutir a situação do canal.

À coluna de Mônica Bergamo, Janones afirmou que as tentativas de retirar o grupo do ar acabaram contribuindo para ampliar seu número de participantes.

O parlamentar também disse identificar indícios de tratamento desigual nas decisões relacionadas às ferramentas digitais utilizadas pelas campanhas. - 247.


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