Dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) 27 estados e territórios registraram mais casos da bactéria do que no ano passado
Casos de uma doença sexualmente transmissível
que causa diarreia e sangue nas fezes têm aumentado nos Estados Unidos. Segundo
dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) 27 estados e
territórios registraram mais casos de shigelose na semana até 3 de outubro, em
comparação ao mesmo período do ano passado — foram cerca de 14 mil casos este
ano ao todo.
A shigelose é causada pela bactéria Shigella e é transmitida principalmente por meio de alimentos preparados por uma pessoa infectada ou pelo contato com superfícies contaminadas. Entretanto, agora, a transmissão está ocorrendo cada vez mais durante o sexo, particularmente o sexo anal, onde os parceiros entram em contato com pequenas quantidades de matéria fecal.
Os pacientes sofrem de um episódio intenso de diarreia, frequentemente acompanhado de quantidades significativas de sangue nas fezes, além de cólicas estomacais, febre e vômitos. Em casos raros, pode ser fatal, causando desidratação ou desnutrição.
Normalmente, as infecções desaparecem sozinhas em cinco dias, mas em casos graves, em que são necessários antibióticos, uma nova cepa, resistente a eles, está preocupando os médicos com sintomas mais graves e tornando os medicamentos menos eficazes.
Em um relatório divulgado em abril por pesquisadores do CDC, mostra que a cepa "superbactéria" da doença estava se espalhando. A análise de quase 17.000 casos mostrou que a proporção causada pela cepa resistente a medicamentos (XDR) aumentou de 0% durante o período de 2011 a 2015 para 8,5 por cento em 2023 — o último ano com dados disponíveis.
Mais de um terço dos pacientes diagnosticados com a cepa resistente ao medicamento foram hospitalizados. Não foram relatadas mortes.
Estima-se que cerca de 450.000 americanos sejam diagnosticados com shigelose todos os anos, enquanto cerca de 6.000 são hospitalizados e 40 morrem em decorrência da doença.
As infecções por shigelose são normalmente diagnosticadas em crianças menores de cinco anos, que apresentam maior risco de infecção grave devido ao sistema imunológico menos desenvolvido, diz o CDC.
No entanto, os novos dados mostram que casos estão sendo diagnosticados com crescente frequência entre homens gays ou bissexuais, pessoas que viajam internacionalmente e pessoas sem-teto.
Dos pacientes infectados com a cepa da superbactéria, 86% eram homens e 47% também estavam infectados com o HIV.
O Wyoming registrou o dobro de casos em relação ao ano passado, passando de sete para 14. Em Vermont, as infecções aumentaram 90%, de nove para 17 casos, e o Novo México, as infecções saltaram 75%, de 119 para 207.
No outro extremo, Dakota do Sul registrou a queda mais acentuada nos casos, com uma redução de 90% nas infecções, de 64 para cinco casos, seguida por Montana, onde os casos caíram 83%, de 12 para dois, eNo Alasca, caíram 64%, de 11 para quatro.
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Dos 52 estados e territórios, 27 registraram um aumento nas infecções este ano em comparação com o mesmo período do ano passado: Arizona, Flórida, Indiana, Iowa, Kansas, Kentucky, Louisiana, Maryland, Massachusetts, Michigan, Nebraska, Nevada, New Hampshire, Novo México, Nova York, cidade de Nova York, Carolina do Norte, Ohio, Oklahoma, Pensilvânia, Rhode Island, Carolina do Sul, Tennessee, Vermont, Virgínia, Virgínia Ocidental e Wyoming.
"É um padrão muito preocupante de cepas de Shigella XDR que está sendo observado em populações vulneráveis. Isso não é de forma alguma exclusivo dos EUA, mas faz parte de um padrão global mais amplo", afirmou Naeemah Logan, epidemiologista responsável pela pesquisa.
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