quinta-feira, 4 de novembro de 2021

Gleisi: com Lula, gasolina era barata e Petrobrás dava lucro (vídeo)

 

(Foto: Gilmar Felix/Agência Câmara)


A deputada Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, rebateu nesta quarta-feira (3) críticas de bolsonaristas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em fala durante sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Gleisi lembrou que Lula é reconhecido mundialmente e sempre foi recebido no exterior por grandes chefes de estado. "Lula jamais foi para uma reunião do G20 e ficou perdido como Bolsonaro ficou", afirmou. 

A líder petista também rebateu acusações de corrupção na Petrobrás. "O único ano que teve um prejuízo, e foi contábil, foi em 2014, porque a Pricewaterhouse, obrigada pela Lava Jato, obrigou a Petrobrás a fazer uma depreciação de ativos. Sabe para que? Para o Moro justificar que teve roubo na Petrobrás", disse. 

"Todos os outros anos a Petrobrás deu lucro e nunca praticamos um preço escorchante da gasolina, como vocês estão praticando. Foi Lula quem fez a extração do pré-sal, que fez a cadeia produtiva do petróleo e gás, dando emprego a milhares de pessoas. Foi Lula quem deu condições de ter gasolina barata, quem colocou a Petrobrás para investir", acrescentou. 247.


BLOG DO BILL NOTICIAS

Ministro do TSE adverte que ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas podem resultar em sua inelegibilidade

 

Jair Bolsonaro e Luís Felipe Salomão (Foto: REUTERS/Adriano Machado | Roberto Jayme/ Ascom/TSE)


O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão disse que o inquérito administrativo aberto no Tribunal Superior Eleitoral para apurar ataques do presidente Jair Bolsonaro ao sistema eleitoral pode ter efeitos diretos na campanha de 2022, levando até à inelegibilidade do presidente.

Em entrevista à Globonews, o ministro afirmou que,  a depender das provas colhidas, a investigação pode levar à inelegibilidade de Bolsonaro com o indeferimento do registro de sua candidatura ou, após o registro ou eleição, com a cassação de sua candidatura ou mandato.

No TSE, Salomão foi o responsável por apresentar o inquérito administrativo aberto em agosto — por unanimidade  — para apurar ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas. É essa investigação em andamento que, segundo o ministro Salomão, pode ter desdobramentos para a campanha de Bolsonaro em 2022.

“O que vai ser feito dele (inquérito) depende das provas. Um dos caminhos é converter esse inquérito administrativo em inquérito judicial e, a partir dali, se apurar o cabimento de candidatos que se apresentem com registro no momento do registro. Então, pode ser que o ministro Campbell, no futuro, converta esse inquérito administrativo em inquérito judicial e, a partir daí, ter elementos para o colegiado avaliar o indeferimento de registro de candidatura”.

Além disso, explica Salomão, o inquérito pode gerar futuros processos, como representação por propaganda fora de período eleitoral, representação por condutas vedadas e ações de investigação judicial eleitoral — o que pode levar a uma eventual cassação do mandato/chapa após o pleito de 2022, caso Bolsonaro seja reeleito.

“Outro caminho é o inquérito servir para as ações futuras que vão analisar essa conduta durante o período da pré-candidatura e que pode ensejar a cassação da candidatura no futuro. E, desse ponto, com todas as provas que estão sendo produzidas e se estiver configurado qualquer tipo de delito, pode haver a cassação da chapa do eleito se for um desses que estão sendo investigados”.

O ministro Salomão afirma que as regras existem para o prefeito, governador, deputados e presidente da República e – se qualquer um não seguir, não há a possibilidade de se viver em um regime democrático. Por isso, ele defende o papel do TSE para fixar novos limites e garantir a segurança das eleições em 2022. “Essa coisa de dizer ‘como o tribunal vai cassar 70 milhões de votos?’ Vai cassar porque se houver alguma comprovação de abuso de poder político, abuso de poder econômico, uso indevido de meios de comunicação… vai cassar porque a lei diz isso”.

Salomão, que foi responsável pelo inquérito até semana passada, apontou em relatório parcial a necessidade de se aprofundar as investigações de supostos ataques ao sistema eleitoral, das quais Jair Bolsonaro é alvo.

Ele deixou o TSE na semana passada e será substituído por Mauro Campbell Marques, que assume também a corregedoria do tribunal. Salomão segue como ministro no STJ. Do Agenda do Poder.


BLOG DO BILL NOTICIAS

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

TRF-1 derruba liminar que impedia investigação sobre a suposta facada em Bolsonaro

 

(Foto: ABR | Reuters)

O Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou nesta quarta-feira (3) decisão que impedia a retomada da investigação aberta sobre a suposta facada contra Jair Bolsonaro durante a campanha eleitoral de 2018.

Com a decisão, será retomada a investigação para apurar a existência de supostos mandantes do atentado. Segundo a revista Veja, na sessão de julgamento, os desembargadores do TRF-1 derrubaram uma liminar que proibia, entre outros pontos, a quebra do sigilo bancário do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que atuou na defesa do Adélio Bispo de Oliveira, autor da facada contra o então candidato a presidente.

"Com a decisão desta quarta, também poderão ser analisadas imagens de câmeras de segurança de um hotel frequentado por Oliveira Júnior e documentos que, em tese, poderiam trazer novos elementos ao caso, como livros-caixa e comprovantes de pagamento de honorários e do telefone do advogado", diz a reportagem. Brasil247.


BLOG DO BILL NOTICIAS

Economia está no caminho errado para 67% dos brasileiros, aponta Antonio Lavareda, que fez a pesquisa Ipespe

             


Antonio Lavareda, Bolsonaro com Paulo Guedes e Lula (Foto: Divulgação | PR | Ricardo Stuckert)

Por que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com folga a pesquisa Ipespe, divulgada nesta segunda-feira, em que ele aparece com 42% dos votos, contra 28% de Jair Bolsonaro? A resposta está na economia, segundo apontou o cientista político Antonio Lavareda, em seu perfil no Twitter. Lavareda destacou que a economia está  no caminho errado para 67% dos brasileiros, o que comprova a impopularidade do choque neoliberal de Jair Bolsonaro e Paulo Guedes. Leia abaixo sua análise completa:

SOBRE A PESQUISA IPESPE DIVULGADA HOJE (03/11) 

1. OPINIÃO DE QUE A ECONOMIA “ESTÁ NO CAMINHO ERRADO” ULTRAPASSA DOIS TERÇOS DOS BRASILEIROS (67%). No mês passado eram 64%. Os que acham que ela “está na direção certa” recuaram de 27% para 24%. Não preciso repetir que esse ponto - a percepção da economia - é um dos três vértices do triângulo que ao final do primeiro trimestre do ano que vem, a seis meses da votação, apontará o destino do projeto de reeleição do Presidente. O Governo dispõe, de fato, de cinco meses  para apresentar resultados no combate à inflação, ao desemprego, e na distribuição do Auxílio Brasil, substituindo, com valor maior (400 reais), o Bolsa Família praticado há dezoito anos. A partir de abril, a máquina pública contará cada vez menos e para conquistar os eleitores  ele só disporá, basicamente, da campanha. Necessitará mexer nesse ponteiro antes dela. Campanhas são importantes mas não fazem milagres. 

2. CONCLUSÕES DA CPI AMEAÇAM CONSOLIDAR A ELEVADA REPROVAÇÃO (57% DE “RUIM OU PÉSSIMA”) À CONDUTA DO GOVERNO NA PANDEMIA. Os que classificam seu desempenho nesse quesito como “ótimo ou bom” são 22%. Números estáveis em relação aos de setembro. Esse será o segundo vértice determinante do desempenho eleitoral do Presidente. A criação pelos senadores de um Observatório específico para acompanhar a tramitação das denúncias “fatiadas” contra ele, seus ministros, e aliados dará sobrevida ao noticiário negativo, embora em menor volume. O avanço da vacinação, a redução expressiva dos óbitos e a consequente volta à “normalidade” devem abrandar o peso desse tema. Mas se equivocará quem acreditar que a pandemia será página virada no debate eleitoral. Se o Governo deixar que a leitura atual se cristalize, e for incapaz de reduzir bastante o saldo negativo das avaliações (-35 pontos), a memória das mais de 610 mil vítimas será uma bola de chumbo amarrada a seus pés. 

3. AVALIAÇÃO GERAL DO GOVERNO SE MANTÉM ESTÁVEL, COM O “RUIM OU PÉSSIMO” (54%) OSCILANDO UM PONTO ABAIXO. A leitura positiva (“ótimo/bom”) manteve-se no mesmo patamar, 24%. A desaprovação (64%), igual a de setembro, é mais que o dobro da aprovação, que continuou em 30%. Nesse quesito entra o “conjunto da obra” durante o mandato. É o terceiro vértice do triângulo que precisará ser substancialmente alterado para viabilizar a reeleição. 

4. IMPRENSA CONTINUA SENDO A PRINCIPAL FONTE SOBRE POLÍTICA PARA 75% (TELEVISÃO, 49%; PORTAIS, BLOGS E SITES DE NOTÍCIAS, 19; RÁDIOS, 4%; IMPRESSOS, 3%). As Redes Sociais (Facebook, Instagram, Twitter) vêm em uma distante segunda colocação (19%). WhatsApp, em separado, é referido por 3%. Isso nos ajuda a entender a percepção da sociedade sobre a valência do noticiário relativo ao Governo. Em outubro, 59% disseram que predominaram nos meios de comunicação as notícias “desfavoráveis”, ao passo que apenas 7% afirmaram que elas foram mais “favoráveis”, o restante achando que foram neutras ou não sabendo responder. Essa variável afeta diretamente os números apresentados no tópico anterior. 

5. ESTABILIDADE NOS CENÁRIOS ELEITORAIS DE PRIMEIRO E SEGUNDO TURNOS, COM LULA EM PRIMEIRO E BOLSONARO EM SEGUNDO LUGAR. Lula oscilou um ponto abaixo, em relação ao mês anterior, nos dois cenários estimulados de primeiro turno (tem agora 41% e 42%). Enquanto Bolsonaro se manteve nos patamares de setembro (com 25% e 28%). Os demais candidatos ou se mantiveram estáveis ou fizeram movimentos de apenas um ponto. Não havendo nenhuma mudança de posição no ranking, no primeiro e no segundo turnos. 

6. QUANTO AO PRÓXIMO PRESIDENTE, A AGENDA DO ELEITORADO, COERENTE COM O PRIMEIRO VÉRTICE APONTADO ACIMA, ENFATIZA NO AGREGADO OS TEMAS ECONÔMICOS (44%). Nessa categoria estão a inflação (18%), o desemprego,14%, a fome/miséria,(11%) e os salários com 1% de menções. Vindo em segundo lugar a Educação, 27%, e em terceiro a Saúde, 15%. O que, de certa forma, dialoga com o arrefecimento da pandemia e as dificuldades encontradas na volta às aulas presenciais. A expectativa de que o combate à corrupção seja o carro-chefe do próximo Governo atinge apenas 6%. O que não é boa notícia, a princípio, para o possível candidato Sérgio Moro. 

7. COMO ANDA O ESPAÇO DA TERCEIRA VIA? 55% DOS ELEITORES CITAM UM DOS DOIS LÍDERES NA PERGUNTA ESPONTÂNEA (LULA, 31% e BOLSONARO, 24%). Então, teoricamente, nesse momento há 45% dos eleitores que podem ser mais “disputados” pelos candidatos alternativos, em especial o contingente que rejeita a dupla master. O problema é que o “alistamento” segue desenfreado. Já foram apresentados 10 nomes. Um denominador que inviabiliza o resultado qualquer que seja o numerador disponível. Na verdade, a dificuldade real não é o número de postulantes. Nas últimas primárias democratas, ano passado, nos EUA, foram 29 os concorrentes. Mas eram de um só partido e competiam dentro de um mecanismo do qual só um nome emergiria. Aqui não. Em um contexto partidário fragmentado pelo voto proporcional de lista aberta, tudo dependerá de uma eventual capacidade, extraordinária, de coordenação das legendas e dos pré- candidatos. Aguardemos o que ocorrerá. (247).


BLOG DO BILL NOTICIAS

INTERNET DO ESPAÇO - Boeing recebe sinal verde para satélites que proverão internet do espaço

 

O serviço será ofertado primeiro a clientes nos Estados Unidos, e depois em todo o mundo


                            Por AFP

A Boeing recebeu nesta quarta-feira (3) autorização dos Estados Unidos para o projeto de lançar uma rede de satélites que fornecerá serviços de internet do espaço. 

A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) informou em comunicado que havia aprovado uma licença para a gigante aeroespacial "construir, colocar em órbita, e operar uma constelação de satélites" que "fornecerá conexão banda-larga e serviços de comunicação para uso residencial, comercial, institucional, governamental, e profissional nos Estados Unidos e no mundo".

"Os serviços avançados de internet banda-larga via satélite terão um papel importante para oferecer conexão às comunidades mais difíceis de serem atendidas", disse Jessica Rosenworcel, diretora da FCC. 

A FCC deu luz verde para uma constelação de 147 satélites, a maioria dos quais ficará em órbita a baixa altitude: 132 poderão ser posicionados a cerca de 1.000 km de altitude, enquanto os outros 15 ficarão bem mais altos, entre 25.000 e 43.000 quilômetros.

O serviço será ofertado primeiro a clientes nos Estados Unidos, e depois em todo o mundo.

"A Boeing vê um futuro multi-órbita para tecnologias de satélite", disse a empresa aeroespacial em um comunicado.

"Conforme a demanda por comunicações por satélite cresce, a diversidade será necessária entre os regimes orbitais e as frequências para satisfazer as demandas exclusivas dos clientes, e vemos a banda V ajudando a fornecer parte dessa diversidade", acrescentou a Boeing.

Alguns projetos envolvendo constelações de satélites desenvolvidos por outras companhias já estão em curso. 

O bilionário Elon Musk, dono da companhia espacial SpaceX, já posicionou mais de 1.500 satélites em órbita para criar a rede Starlink, enquanto o fundador da Amazon, Jeff Bezos, tem um projeto similar chamado Kuiper. 


BLOG DO BILL NOTICIAS

Leia trechos da biografia de Lula sobre a primeira prisão e a criação do PT

 

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a obra sobre a biografia dele escrita por Fernando Morais (Foto: Ricardo Stuckert I Reprodução)


O jornalista Fernando Morais lançou um livro sobre a biografia do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a maneira como o petista soube de sua primeira prisão foi um dos relatos presentes na obra, editada pela Companhia das Letras e estará à venda a partir de 16 de novembro. O preço é de R$ 74,90.

De acordo com a editora, o livro é resultado de dez anos de trabalho do escritor, e retrata a trajetória do político. Um dos relatos da obra é sobre a criação do PT, que surgiu em um encontro com trabalhadores em um hotel na na cidade de Poços de Caldas (MG) em junho de 1979.

Leia trechos do livro publicados pelo portal Uol:

"Embora portassem um pequeno arsenal nas mãos, os homens estavam visivelmente nervosos, olhando para os lados, como se temessem algum enfrentamento com grupos de metalúrgicos que zanzavam entre as portas das fábricas, convocando para a assembleia que aconteceria dali a pouco. O de bigodes respondeu rispidamente:

— Viemos prender o sr. Luiz Inácio da Silva.

Geraldinho fez uma inesperada, insólita pergunta:

— O senhor tem mandado judicial para prendê-lo?

Não deixava de ser uma irônica ousadia exigir determinações da Justiça para prender alguém em plena ditadura, mas em silêncio o homem enfiou a mão no bolso interno do casaco de couro, tirou um pedaço de papel datilografado, mal o desdobrou e guardou-o de volta, sem tempo para que o deputado conseguisse ler uma só sílaba do que estava escrito ali. Podia ser uma ordem da Justiça e podia não ser nada. Tratava-se, na verdade, de um mero impresso policial preenchido às pressas e assinado apenas por alguém denominado "escrivão Nilton", porém as circunstâncias não recomendavam discussões jurídicas. Sobretudo porque a paciência do interlocutor parecia curta:

— Se ele não se entregar imediatamente, vamos entrar e prendê-lo.

Geraldinho tranquilizou-o, disse que ia acordar Lula e que em poucos minutos ele estaria pronto para ser preso. Correu para os fundos, despertou Frei Betto com a notícia de que a polícia estava na porta e pediu a ele que acordasse Lula. Enquanto isso, pegou o telefone da sala e discou o número do apartamento da jovem cientista social e líder estudantil Beatriz Tibiriçá, a "Beá", sua assistente no gabinete parlamentar, e cumpriu, com cinco palavras, a tarefa para a qual vinha se preparando fazia vários dias:

— Lula está sendo preso agora.

De calças jeans e camisa listrada, de mangas curtas, Betto bateu suavemente na porta do quarto do casal e percebeu que marido e mulher dormiam pesado. Entrou e cutucou Lula pelo ombro:

— Levanta, os homens estão aí para te prender!

Para espanto do religioso, Lula virou-se para o outro lado da cama e praguejou:

— Eles que se fodam! Eu estou dormindo, porra!

Preocupado, Betto insistiu:

— Lula, os caras estão aí! Estão gritando que vão entrar e te prender!

Ele acabou se levantando. De pés no chão e sem camisa, saiu para a rua abotoando a braguilha. Sem aparentar medo, mas bastante mal-humorado, travou com o suposto chefe do grupo um diálogo tenso:

— O que que é? O que é que o senhor quer?

— Você está preso!

— Preso por quê?

— Nós também não sabemos. Só mandaram te prender.

— Então vocês esperem um pouco, porque eu vou escovar os dentes, me vestir e tomar um café.

Reapareceu logo, com Marisa, Betto e Geraldinho. Foi colocado no banco de trás da perua, guardado por seis homens: um de cada lado dele, dois na frente e mais dois acocorados no compartimento de bagagens, todos armados. Assim como estavam armados mais quatro civis campanados em outra Veraneio, parada a poucos metros da casa. Em alta velocidade, as duas viaturas pegaram o rumo de São Paulo.

O mesmo Lula que minutos antes falara grosso com os tiras agora estava com muito medo. Não havia nenhuma garantia de que aqueles homens fossem de fato da polícia ou de outro órgão de segurança do governo. As torturas a que seu irmão, Frei Chico, fora submetido pelo DOI-Codi, cinco anos antes, não saíam da sua cabeça. Quase quarenta anos depois, já ex-presidente da República, ele ainda se lembraria do pesadelo que viveu ao ser posto no veículo clandestino:

— Começou a dar medo na hora que entrei na perua. Era eu sozinho com seis caras armados. Comecei a lembrar de gente que tinha sido assassinada e que tinham desaparecido com o corpo. Porra, ali não tinha testemunhas? Para onde aqueles caras estavam me levando? E se eles me matassem, passassem o carro por cima de mim e dissessem que eu fui atropelado?

Por sorte os macabros vaticínios duraram pouco. Minutos depois, quando passavam em frente ao restaurante Leão de Ouro, a um quilômetro da casa de Lula, o silêncio foi interrompido pelo som do rádio do veículo, ligado pelo homem que conduzia a Veraneio. O aparelho estava sintonizado em O Pulo do Gato, popular programa matutino de noticiário e variedades da Rádio Bandeirantes, dirigido pelo jornalista José Paulo de Andrade. E foi o próprio diretor quem interrompeu a programação e entrou no ar:

— Atenção, muita atenção! O sindicalista Luiz Inácio da Silva, o Lula, acaba de ser preso em São Bernardo. A informação foi transmitida por uma fonte segura, a Cúria Metropolitana de São Paulo."

***

"A 10 mil quilômetros de distância da Europa e quase mil de Brasília, trecho por onde o incansável Leonel Brizola transitava na luta pela reimplantação de seu partido trabalhista, Lula se reunia na plácida Poços de Caldas, no sul de Minas Gerais, para assentar o primeiro tijolo de sua sonhada catedral política, o Partido dos Trabalhadores.

Com certidão de nascimento lavrada apenas em 11 de fevereiro de 1982, quando o Tribunal Superior Eleitoral reconheceu oficialmente sua existência, o PT foi apresentado ao mundo como se tivesse nascido no auditório do Colégio Sion, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, no dia 10 de fevereiro de 1980, na célebre foto em que aparecem, entre outros, ao lado de Lula, os intelectuais Sérgio Buarque de Holanda, Mário Pedrosa, Antonio Candido, a atriz Lélia Abramo e o revolucionário Apolônio de Carvalho.

Mas havia só trabalhadores quando o partido veio à luz, de verdade, no dia 7 de junho de 1979, nos imponentes salões neoclássicos do Hotel Palace Casino, inaugurado na estação de águas mineira em meados dos anos 1930. Nos sete meses que separam Poços de Caldas da cerimônia do Colégio Sion, entretanto, os mais brilhantes astros da esquerda brasileira se engalfinharam como fazia muito tempo não se via.

Sem que quase ninguém soubesse, até chegar a Poços de Caldas Lula e seus companheiros do ABC tinham ruminado durante meses seguidos a ideia de criação de um partido político de raízes verdadeiramente operárias. Primeiro foi o espanto pela ausência quase absoluta de trabalhadores entre os congressistas, constatação feita naquela viagem a Brasília, onde fora discutir a abertura política com o líder do governo militar, senador Petrônio Portela.

A consciência de que havia apenas dois operários entre quase quinhentos senadores e deputados federais deixara Lula com a pulga atrás da orelha —e passou a ser tema obrigatório de todos os debates, encontros e congressos de que ele participava. Onde quer que fosse convidado para falar de questões salariais, de inflação, de desemprego, ele dava voltas, fazia circunlóquios e rodeios até que finalmente batia no alvo: boa parte da responsabilidade pela penúria vivida pelos brasileiros pobres residia na representação quase nula deles, os trabalhadores, nas Casas que faziam as leis que regiam tudo no país.

A metamorfose do Lula "detesto política e quem gosta de política", que começara a se tornar pública no tal congresso dos petroleiros de meados de 1978, na Bahia, reaparece em janeiro de 1979 na cidade de Lins, no interior paulista, durante o IX Congresso dos Trabalhadores Metalúrgicos, Mecânicos e de Material Elétrico do Estado de São Paulo.

[...]

No domingo à noite, quando Lula finalmente deu por encerrada a reunião do Pampas Palace Hotel, chegava também ao fim a longa e tortuosa gestação do PT. O sindicalista deixou para trás os políticos, artistas e ativistas em São Bernardo do Campo e enfrentou trezentos quilômetros de estrada rumo a Minas Gerais, para realizar, num encontro só de trabalhadores, em Poços de Caldas, o trabalho de parto do PT. Só no dia 10 de fevereiro de 1980, no auditório do Colégio Sion, em São Paulo, o PT seria formalmente apresentado aos brasileiros.

Como se estivesse com um olho no gato e outro no peixe, ao mesmo tempo que montava o partido, Lula preparava uma nova greve no ABC. Desde os primeiros dias do ano ele era vigiado à distância por agentes da repressão. Na madrugada de 19 de abril, no auge da greve, seria abruptamente despertado em casa e trancafiado no Dops junto com seus companheiros de diretoria do sindicato." 247.


BLOG DO BILL NOTICIAS

"Pecuária terá que se adaptar para cumprir acordo de redução de metano", diz Mourão

 

Vice-presidente Hamilton Mourão (Foto: Reprodução)

O vice-presidente Hamilton Mourão disse que o setor pecuário nacional terá que adaptar para que o país cumpra a promessa - feita de forma conjunta com outros 102 países- de reduzir em 30% as emissões de gás metano até o ano de 2030. “A questão do metano está ligada aos excrementos da pecuária, principalmente. Nós temos um rebanho bovino enorme. Vai ter que haver uma adaptação, um planejamento para isso”, disse Mourão nesta quarta-feira (3), de acordo com O Globo. O compromisso para a redução da emissão de gás metano foi anunciado durante a Conferência das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, a COP-26, realizada em Glasgow, na Escócia.

 “Temos um prazo para irmos nos adaptando. Grande parte dos produtores já trabalha no sentido de fazer a coleta dos dejetos e consequentemente depois a queima dos mesmos de forma que não contamine a atmosfera”, completou Mourão. Ainda segundo ele, “o Brasil está empenhado, o governo brasileiro, representando o Estado...É uma questão de Estado isso aí, não é só o nosso governo. Qualquer governo vai ter que encarar esse problema de frente. Está de acordo com a visão de todos os países do mundo no sentido de impedir que a temperatura na Terra suba além do 1,5 ºC”.

A meta de redução, porém, foi estabelecida mediante pressão exercida pelos Estados Unidos. O assunto foi alvo de uma discussão entre os ministérios da Agricultura, Meio Ambiente, Relações Exteriores, Energia e Ciência e Tecnologia, realizada em setembro. Todas as pastas se posicionaram de forma contrária ao compromisso global. A decisão foi revertida após pressão exercida pelo Departamento de Estado dos EUA. 247.


BLOG DO BILL NOTICIAS

INQUÉRITO - Polícia Federal vai investigar ameaças de bomba feitas antes do incêndio na UFPE

  Dias antes do incêndio, prints de mensagens envolvendo ameaças de "explosão" aos prédios da instituição circularam entre grupos ...