quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Camilo Santana passa a fazer parte da coordenação de campanha de Lula

Senador e ex-ministro da Educação dividirá a coordenação-geral com Edinho Silva

Camilo Santana e LulaCrédito: Angelo Miguel/MEC

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou uma reformulação de sua campanha à reeleição para o segundo turno das eleições presidenciais, marcado para 25 de outubro. A principal mudança é a entrada do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação e ex-governador do Ceará, na coordenação-geral da campanha, função que passará a dividir com Edinho Silva, presidente nacional do PT. As informações foram divulgadas pela CNN Brasil.

A reorganização ocorre após Lula terminar o primeiro turno atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e manifestar publicamente insatisfação com a condução da campanha. O presidente pretende ampliar a mobilização política, fortalecer a participação de lideranças regionais e modificar a estratégia de comunicação para a etapa decisiva da disputa.

Camilo Santana ganha protagonismo na campanha

Camilo Santana já participava da campanha presidencial, mas concentrou seus esforços durante o primeiro turno na reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT). Com a disputa estadual encerrada, Lula decidiu ampliar a participação do senador na coordenação nacional.

A entrada de Camilo representa um reforço político à equipe comandada por Edinho Silva, que vinha sendo alvo de críticas internas pela organização da campanha e pela articulação com os estados.

Além do ex-ministro da Educação, Lula pretende contar com maior participação de lideranças nordestinas. Entre os nomes que ganharam espaço estão os governadores reeleitos Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, e Rafael Fonteles (PT), do Piauí.

A estratégia busca aproveitar a experiência eleitoral desses dirigentes e fortalecer a articulação com lideranças estaduais e municipais na reta final da campanha.

Lula endurece discurso sobre segurança pública

As mudanças também atingem o discurso do presidente. Na quarta-feira (7), Lula deu maior destaque à segurança pública, defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e apresentou um novo lema para a campanha.

“Para o povo trabalhador, a proteção; para o bandido, a prisão”, afirmou.

A iniciativa ocorre em meio às discussões sobre a necessidade de ampliar a presença do tema na agenda eleitoral e apresentar as propostas do governo para o enfrentamento da criminalidade.

A PEC da Segurança Pública é uma das iniciativas defendidas pelo governo federal para reorganizar a cooperação entre União, estados e municípios no combate ao crime.

Campanha aposta em vídeos gravados pelo próprio presidente

Outra mudança importante envolve a comunicação digital. Após uma avaliação crítica do desempenho da campanha nas redes sociais durante o primeiro turno, o PT decidiu ampliar a produção de vídeos gravados diretamente por Lula, em formato de selfie.

Segundo a CNN Brasil, o presidente demonstrava resistência a esse modelo de comunicação, afirmando não se sentir “confortável” com as gravações. Aliados, entretanto, defendiam que o formato poderia facilitar a circulação das mensagens e aproximar o candidato do público nas plataformas digitais.

Nos primeiros vídeos, Lula convocou a militância a ir às ruas e pediu mobilização para evitar o que classificou como um retrocesso político.

O presidente também passou a abordar diretamente propostas de interesse dos trabalhadores, como o fim da escala 6×1, tema de uma proposta de emenda constitucional em discussão no Congresso Nacional.

A aposta em conteúdos mais simples e diretos faz parte da tentativa de ampliar a presença da campanha no ambiente digital, considerado estratégico para a disputa presidencial.

Presidente critica organização do primeiro turno

A reformulação foi precedida por declarações públicas de Lula sobre as dificuldades enfrentadas na primeira etapa da eleição.

Durante encontro com parlamentares na quarta-feira, o presidente afirmou que a campanha ficou abaixo de suas possibilidades e criticou a falta de organização e mobilização.

“Nós temos uma classe trabalhadora que não quer carteira, que quer trabalhar por conta própria. Temos que lidar com isso. Fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade. Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 e a gente colhe o que planta”, declarou.

A avaliação do presidente levou a novas discussões sobre a estrutura da campanha, a distribuição de responsabilidades e a necessidade de intensificar a presença de dirigentes partidários e lideranças políticas nos estados.

Parlamentares eleitos também serão mobilizados

Lula também se reuniu com parlamentares eleitos do campo da esquerda para discutir estratégias para o segundo turno.

Entre os participantes estava Ana Elisa (PT-MG), eleita deputada federal com votação expressiva e apontada como uma das novas lideranças do partido com presença nas redes sociais.

A participação de parlamentares com capacidade de mobilização digital integra a estratégia de ampliar a circulação das mensagens da campanha e estimular o envolvimento de apoiadores.

Com a entrada de Camilo Santana na coordenação-geral, o reforço de lideranças regionais e as mudanças na comunicação, a campanha de Lula procura superar as dificuldades identificadas no primeiro turno e reorganizar sua atuação política até a votação de 25 de outubro. - 247.

Cortes 247



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