quinta-feira, 7 de outubro de 2021

CONSUMO - Inflação pesa e vendas do varejo despencam no mês de agosto

 

                    Por: Fernanda Fernandes/

Por: Correio Braziliense
Foto: Minervino Júnior/CB/D.A Press

O brasileiro tem feito um verdadeiro malabarismo com as contas para tentar driblar a carestia em praticamente todos os itens de consumo, duráveis e não duráveis, devido à alta inflação. A mais recente Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é uma prova disso. Os dados referentes a agosto mostram que, da mesma forma que a produção industrial recuou 0,7% no mês, ante julho, o volume de vendas do comércio varejista no país despencou 3,1%.

De acordo com o IBGE, seis dos oito setores pesquisados tiveram taxas negativas, com destaque para a retração de 16% verificada em “outros artigos de uso pessoal e doméstico”, setor que engloba as grandes lojas de departamentos. O recuo significativo nesse segmento veio após alta de 19% em julho.

O economista da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Fábio Bentes, explica que a queda nas vendas em lojas de departamento não chama muito a atenção, uma vez que, no mês anterior, a alta foi expressiva. Já quedas em outros segmentos, especialmente aqueles que vendem itens essenciais, mostram que a inflação tornou-se uma ameaça ao setor. “A inflação, de fato, está se constituindo em um obstáculo para o comércio. Está se tornando um estrago para o crescimento das vendas”, ressaltou Bentes.

Um desses itens essenciais são os alimentos que, com energia elétrica e combustíveis, formam a tríade de vilões da inflação. Para Bentes, a queda das vendas em supermercados, por exemplo, embora não tenha sido tão expressiva em agosto, já vem de três recuos, o que causa preocupação. “Se você olhar os dados, verá que a inflação de alimentos têm subido mais que a inflação em geral. Para o comércio, isso é ruim, porque esse é o principal segmento do varejo brasileiro”, explicou o economista da CNC.

Leonardo Carvalho, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), avalia que a queda expressiva nas vendas de varejo em agosto reflete, também, a taxa ainda baixa de ocupação da população, se comparada ao período pré-pandemia. O nível de renda das famílias também está abaixo do que se verificava antes da crise sanitária. Para completar, os preços não colaboram. “A inflação tem atuado em itens que são muito importantes para definir orçamentos das famílias, principalmente as de mais baixa renda, como alimentos, energia elétrica, combustível, que têm apresentado aceleração maior que os demais itens”, pontuou Carvalho.

Consumo
O gerente da PMC, Cristiano Santos, afirma que a receita nominal de hiper e supermercados, que registrou variação quase zero (0,3%), e a queda de 0,7% em combustíveis demonstram diminuição nos gastos das famílias na passagem de julho para agosto. “Hiper e supermercados, assim como combustíveis e lubrificantes, vêm sendo impactados pela escalada da inflação nos últimos meses, o que diminui o ímpeto de consumo das famílias e empresas”, avaliou Cristiano Santos.

Apesar do recuo em agosto, o varejo está 2,2% acima do período pré-pandemia, mas esse nível, porém, não é homogêneo entre os setores, explicou Santos. “Há atividades que ainda não recuperaram as perdas, como materiais para escritório, informática e comunicação; combustíveis e lubrificantes e tecidos; e vestuário e calçados”, observou.

Mesmo com dois recuos consecutivos, em julho e agosto, o setor varejista acumula alta de 5,1% no ano e crescimento de 5% nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa. “Foi um setor que sofreu bastante no início da pandemia, mas se reinventou com a reformulação das suas estratégias de vendas pela internet”, diz nota técnica do IBGE.

Para Bentes, o volta da circulação de pessoas ao nível pré-pandemia conseguirá manter o comércio vivo, ainda que a passos lentos, uma vez que a alta inflação não tem solução a curto prazo. “O cenário de inflação não vai se resolver este ano, pois é influenciado por fatos complexos, como a alta de energia elétrica e dos combustíveis e a forte demanda por petróleo, problemas que não são solucionáveis a curto prazo. Ainda assim, as vendas devem crescer, mas em ritmo mais lento. Isso porque a circulação deve se igualar ao nível pré- pandemia. Agora, a alta dos juros e a inflação elevada manterão o freio de mão puxado”, explicou.

Montadoras: pior setembro em 16 anos
A escassez de componentes parece não ter prazo para terminar e vem causando impactos significativos na produção de veículos automotores. A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) revisou as projeções para baixo, pela segunda vez no ano, após o setor registrar, em setembro, o pior mês para a indústria automotiva em 16 anos.

Segundo a entidade, foram fabricadas 173,3 mil unidades no mês passado, o que representa uma alta de 5,6% em relação a agosto. Na comparação com o mesmo período de 2020, a produção de carros de passeio, veículos comerciais leves, ônibus e caminhões caiu 21,3%.

Cenários
A Anfavea projeta dois cenários possíveis para o futuro. No primeiro, o fornecimento de semicondutores se regulariza, o que resultaria na fabricação de mais de meio milhão de veículos até dezembro, fechando o ano com 2,2 milhões de unidades produzidas, uma alta de 10% em relação a 2020. No segundo, e mais provável, a crise de componentes se estende pelo quarto trimestre, e a produção seria de 100 mil veículos a menos. Ainda assim, haveria crescimento de 6% na comparação com o ano passado, quando o setor, um dos mais afetados pela pandemia, registrou as piores quedas.

Em ambos os casos, o volume seria bem inferior aos 2,46 milhões de veículos leves e pesados estimados pela entidade nas projeções de julho deste ano, o que representaria uma alta de 22% sobre 2020.

“Há muitos veículos incompletos, que ainda não foram incluídos no estoque. Por isso trabalhamos com dois cenários, com média entre 160 mil e 190 mil unidades produzidas por mês”, explicou Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Na avaliação de Moraes, somente no próximo ano será possível ter ideia de qual será a situação do mercado, mas apenas a resolução da escassez de componentes não resolverá a situação do setor, que enfrentará outros desafios que devem manter os custos de produção em alta. “Quando resolvermos o problema da oferta, poderemos enfrentar demanda limitada por conta do desemprego ainda alto e, mesmo com a retomada econômica após a pandemia, teremos alta de juros que pode significar menos vendas”, explicou.



Procon-SC orienta que ossos de boi sejam doados, e não vendidos: 'desumano'

 

(Foto: Reprodução)

O Procon de Santa Catarina emitiu na terça-feira (5) a recomendação para que mercados e açougues do estado não vendam ossos de boi e façam apenas doações do produto à população. O órgão disse que, de acordo com a imprensa catarinense, alguns açougues de Florianópolis, capital do estado, foram flagrados cobrando até R$ 4 por cada quilo de osso.

De acordo com o diretor do Procon-SC, Tiago Silva, em um momento de alta na inflação, a cobrança por osso representou infração no Código de Defesa do Consumidor. A cesta básica de Florianópolis aumentou 7% neste ano, chegando a R$ 659. "No momento de crise que estamos vivendo, é até desumano que (alguns) estabelecimentos estejam cobrando por ossos", afirmou.

A carne bovina está entre os itens com maior aumento de preço no ano na capital catarinense, com alta de 30,5% nos últimos 12 meses, conforme o Dieese-SC. (247).


quarta-feira, 6 de outubro de 2021

VIOLÊNCIA - Tiroteio em escola dos EUA deixa quatro feridos

 

O suspeito, Timothy George Simpkins, um aluno de 18 anos que fugiu de carro após os disparos, foi preso, afirmou o subchefe da polícia, Kevin Kolbye


             Por AFP

Tiroteio no Texas - Foto: Stewart F. House / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / Getty Images via AFP

Quatro pessoas ficaram feridas nesta quarta-feira (6) depois que um estudante abriu fogo durante uma discussão com um outro aluno dentro de uma escola de ensino médio em Arlington, Texas.

O suspeito, Timothy George Simpkins, um aluno de 18 anos que fugiu de carro após os disparos, foi preso, afirmou o subchefe da polícia, Kevin Kolbye.

"Não foi um ato de violência aleatório", disse Kolbye à imprensa. "Um aluno entrou em uma briga e sacou uma arma", acrescentou, informando que houve dois ou três tiros.

Das quatro pessoas feridas, três foram levadas para um hospital, segundo o policial. A quarta, uma mulher grávida, foi atendida no local apenas com algumas escoriações. De acordo com a mídia local, um jovem de 15 anos está em estado crítico. 

"Sabemos que este é um incidente traumático para essas crianças", disse Kolbye. "Aumentamos a segurança com policiais adicionais em todas as nossas escolas em Arlington".

A polícia foi informada por volta das 9h15, hora local, sobre disparos com arma de fogo no primeiro andar da escola Timberview, indicou o subchefe de polícia. Os tiroteios em escolas têm sido um problema persistente na sociedade americana desde o massacre de Columbine, no Colorado, em abril de 1999.

Desde esse ataque, que deixou 13 mortos, mais de 248 mil estudantes foram expostos à violência com armas de fogo nas escolas, segundo dados coletados pelo jornal The Washington Post.

O número inclui tanto os que foram atingidos quanto as testemunhas e aqueles que foram retirados das instituições educativas quando começaram os disparos. Em 2018, houve 25 tiroteios em escolas. Em 2019, foram 23.

O tiroteio escolar recente mais mortal ocorreu em 2018, com um balanço de 17 mortos durante um ataque com armas de fogo por parte de um ex-aluno de uma escola de ensino médio de Parkland, Flórida.




Fome avança no país e carcaça de peixe é vendida em mercado no Pará

 

(Foto: Reprodução)

Um supermercado de Belém, no Pará, está vendendo restos de peixe (vísceras, espinhas e cabeças) a R$ 3,90 o quilo. O “produto” é apenas mais um no rol de sobras e resíduos de baixíssima qualidade que vêm dominando as prateleiras do comércio de alimentos em todo país por conta do empobrecimento em marcha acelerada da população imposto pelo governo Bolsonaro.

Na imagem que circula nas redes sociais, um invólucro de isopor envolto em plástico filme mostra uma mescla de pele, cabeça, sangue e espinhas devidamente etiquetado, ao preço de R$ 2,01, por pouco mais de 500 gramas. Os comentários dos internautas que se deparam com a foto absurda são de indignação e protesto. Revista Fórum.

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SAÚDE - Médicos encontram pedaço de cimento em coração de homem

               Por: Correio Braziliense

O objeto tinha 10,1 centímetros de comprimento e já perfurava o coração e o pulmão do paciente, além de obstruir a passagem de sangue nas veias. Foto: The New England Journal of Medicine

É comum que pedaços de cimento sejam encontrados em vários lugares, mas não no coração de uma pessoa. Apesar de inusitado, o fato ocorreu com um homem de 56 anos que procurou um hospital após sentir dores no peito e dificuldade de respirar por dois dias. Na mesa de cirurgia, os médicos encontraram um pedaço de cimento de 10,1 centímetros de comprimento e 0,2 de diâmetro que perfurava o coração e o pulmão do paciente.


Além das perfurações, o cimento já tinha se tornado uma embolia, evento no qual um corpo estranho obstrui a passagem de sangue nos vasos sanguíneos. O caso foi publicado no último sábado (2), no The New England Journal of Medicine, pelo bacharel em medicina Gabe Weininger e o pós-doutor em medicina John A. Elefteriades, ambos da Faculdade de Medicina de Yale, mas ainda não foi avaliado por outros pares de especialistas.

No texto, os médicos explicaram o ocorrido. “Uma semana antes da entrada no hospital, o homem havia se submetido a uma cifoplastia L5 (método de reposicionamento de ossos após uma fratura ou uma lesão crônica, como a osteoporose) em que foi usado cimento médico ósseo”, introduziram. “O cimento pode vazar para o sistema venoso, endurecer e embolizar”, contam. Foi o que ocorreu com o homem.

Após a retirada do pedaço de cimento que perfurava o átrio cardíaco direito e atravessava o pericárdio, além de perfurar o pulmão direito, o coração do homem foi reparado. Ele não apresentou complicações pós-operatórias e “um mês após o procedimento, estava quase recuperado”.


Lula ao Libération: “Bolsonaro não quer sair do poder, mas o povo vai decidir o contrário”

 

(Foto: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | REUTERS/Ueslei Marcelino)

Por Chantal Rayes | Libération

Ele teria renunciado à aposentadoria após sua libertação da prisão no final de 2019. E então Lula, o sobrevivente, o animal político, voltou. Em março, o chefe da esquerda brasileira recuperou sua elegibilidade da noite para o dia com a anulação pelo Supremo Tribunal Federal de suas condenações no contexto da vasta operação anticorrupção Lava Jato. Após dois mandatos à frente do país, entre 2003 e 2010, Luiz Inácio Lula da Silva está agora na melhor posição para vencer o presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro, no ano que vem.

É um Lula em boa forma, gravata vermelha e todo sorrisos, que recebeu o Libération no dia 30 de setembro no modesto local de sua formação, o Partido dos Trabalhadores. Sem dúvida nenhuma coincidência: o ex-metalúrgico está de volta ao berço, depois de parecer se distanciar de um PT menos popular que ele. Se uma vez ele mostrou sua pata branca para seduzir a comunidade empresarial, aqui está ele recuperando seu sotaque de esquerdista. Lula nos cochichou sobre sua “linda relação com a França” . Ele pega nossa mão, paternalmente. Já em campanha, usa e abusa de seu charme.

Libération — Você é candidato às eleições presidenciais do próximo ano?

Lula — Muitos pensam que estou brincando quando digo que ainda estou pensando. É difícil para eles imaginar que alguém que todas as pesquisas dão em mente ainda não declare sua candidatura [Lula vence com 25 pontos à frente de Jair Bolsonaro]. O que posso dizer é que estou bem disposto. A probabilidade de eu ser um candidato é, portanto, muito alta. Estamos discutindo isso dentro do PT, mas também com outros partidos e organizações da sociedade civil, para construirmos uma aliança para governar o Brasil a partir de 2023 [o mandato de Bolsonaro termina no final de 2022]. Provavelmente tomaremos uma decisão em janeiro ou fevereiro.

A eleição será realizada conforme planejado? Bolsonaro deixa margem para dúvidas...

Estou convencido da capacidade de nossas instituições em garantir seu desempenho. Bolsonaro perderá e deixará o poder, como deveria. Ele, então, sem dúvida, terá que responder perante os tribunais por seus atos arbitrários.

Mil dias após a chegada ao poder, como está a democracia no Brasil?

Muito bem, a julgar pelas aspirações dos brasileiros e pelo comportamento dos partidos políticos. O que está errado é o comportamento do chefe de Estado, que desrespeitou todas as regras civilizadas que a democracia brasileira estabeleceu, que sabota as missões de instituições que deveriam proteger o meio ambiente e os índios, para citar apenas esses exemplos. Isso sem falar na crise econômica e social, com 116 milhões de brasileiros [mais da metade da população] em situação de insegurança alimentar e 33 milhões de desempregados ou condenados ao subemprego.

A imagem do Brasil no exterior talvez seja o que mais sofre com a presidência do Bolsonaro...

Este é um dos projetos que aguardam seu sucessor. Historicamente, a diplomacia brasileira sempre foi muito respeitada. Mesmo sob a ditadura militar [1964-1985], as relações do Brasil com o resto do mundo eram modernas e civilizadas. Bolsonaro jogou tudo no lixo. Tendo olhos apenas para Trump, ele falou mal da China, Rússia, Argentina, Bolívia, Chile... Ele até ofendeu pessoalmente Brigitte Macron [ao comentar um post no Facebook que zombava do físico da primeira-dama]. Com ele, o Brasil se tornou um pária internacional. Ninguém quer receber ou ser recebido lá. No final de agosto, Bolsonaro trouxe o presidente da Guiné-Bissau [Umaro Sissoco Embaló, às vezes apelidado de “Bolsonaro da África”], só para dar as boas-vindas a Brasília (sorriso divertido).

Com 600.000 mortes registradas oficialmente em breve, o Brasil é duramente atingido pela Covid-19. Você chamou o Bolsonaro de “presidente genocida”. Isso não é inapropriado?

Pode parecer extremo, mas ele merece! Um dia ou outro, ele será julgado por um tribunal internacional, por todas as mortes que poderiam ter sido evitadas se ele tivesse agido corretamente. Ele preferiu negar a periculosidade do vírus, que segundo ele só mataria idosos e seria tratável com um medicamento de eficácia não comprovada [cloroquina]. Ele poderia ter feito um protocolo oficial para orientar cidades e estados [que acabaram tomando suas próprias medidas de saúde] e adquirir, em agosto de 2020, os 70 milhões de doses que o laboratório Pfizer lhe ofereceu. Nada disso foi feito. Agora sabemos que uma verdadeira gangue estava negociando vacinas dentro do Ministério da Saúde.

O Bolsa Família, seu programa de combate à pobreza extrema, foi alvo dessa nova direita que elegeu o Bolsonaro. No entanto, não só o Chefe de Estado o manteve, como está a preparar-se para aumentar em 56% o valor desta bolsa [30 euros pagos todos os meses aos mais carenciados] no âmbito da sua ofensiva ao seu eleitorado. O que isso te inspira?

Estabelecer o Bolsa Família não foi fácil. Fomos acusados de criar inúteis que não gostariam mais de trabalhar. As críticas cessaram com o reconhecimento internacional dessa política redistributiva, adotada desde então por muitos países pobres. E foi esse reconhecimento que fez com que Bolsonaro não ousasse tocá-lo. Para receber a bolsa, você tem que vacinar seus filhos e mantê-los na escola. Esta é a chave do seu sucesso. Eu criei o programa, agora o Chefe de Estado quer mudar o nome, na esperança de convencer as pessoas a votarem nele. Mas as pessoas são inteligentes, não se deixam guiar. Dito isso, o Bolsa Família seria uma medida de transição até que a miséria fosse erradicada. Sonho com o dia em que não precisaremos mais deles. Mas dado o curso das coisas, e não só no Brasil, acho que mais cedo ou mais tarde teremos que adotar uma renda universal para aqueles que a nova economia expulsou do mercado de trabalho.

Você passou 580 dias na prisão. Qual era seu estado de espírito quando foi à polícia em 7 de abril de 2018?

Para mim, ficou claro que o objetivo final do golpe contra Dilma [Rousseff, sua sucessora, deposta em 2016] era chegar até mim, mesmo que isso significasse inventar denúncias de corrupção . Por quê? Porque nossa elite da escravidão não digeriu a ascensão social dos mais desfavorecidos sob o governo do PT, entre 2003 e 2016. Desagradou profundamente a muitos brasileiros ricos ver a juventude da periferia ingressando na faculdade, ou a empregada doméstica pegando avião ou o operário da construção que frequenta as mesmas lojas que eles.

Eu poderia ter saído do Brasil, me refugiado em uma embaixada estrangeira. Preferi mostrar que Sergio Moro [o ex-juiz anticorrupção que o condenou e acaba de ser julgado “tendencioso" pelo STF] era um impostor. Eu disse a ele durante nosso primeiro encontro cara a cara: “Você está condenado a me condenar, porque a mentira foi longe demais. Você não pode voltar”. Moro e seus promotores visitaram as redações em busca de apoio da mídia. Em nove meses, TV Globo [primeiro canal em audiência] sozinha transmitiu 13 horas de tempo de antena contra mim! A imprensa raramente nos deu direito de resposta. Às vezes me pergunto se ela não estava presa. Então fiz o possível para não ceder ao ódio. A corrente de solidariedade de que beneficiei, em particular do meu apoio em França, deu-me forças.

É este o momento de colocar a questão da regulamentação da mídia de volta à mesa, como você está fazendo? A imprensa, um ator político no Brasil, agora está ajudando você ao se posicionar firmemente contra o Bolsonaro.

(Ele se levanta da cadeira) E decididamente contra Lula também. A mídia está procurando um candidato que possa evitar a minha vitória e a do Bolsonaro. A regulamentação da mídia, prerrogativa do Congresso Nacional, está prevista na Constituição brasileira. Que crime há em discutir isso? É uma reforma que já foi feita em outros lugares, mas que semeia o pânico, sabe Deus por que, entre os chefes da imprensa brasileira. Ouvi-los, regulamentar é censurar — uma mentira. A censura, a gente sabe uma coisa no PT, há tanto tempo que somos vítimas. (Endurece o tom) Mas a censura da elite brasileira não impediu meu partido de ganhar quatro eleições consecutivas, nem impedirá de vencer em 2022 se decidir ter candidato.

Desde a volta ao sufrágio universal em 1989, o senhor é o candidato natural do PT, sob cujo rótulo já disputou cinco eleições presidenciais. Onde está o sangue novo? Onde estão as primárias neste partido que tira proveito de sua democracia interna?

Por quantos anos François Mitterrand permaneceu a figura mais importante da esquerda francesa? O mesmo vale para Felipe González na Espanha. Um líder político não surge todos os dias. No entanto, o PT está em processo de reconstrução. O partido tinha outros presidentes além de mim, e dois outros candidatos presidenciais do Brasil: Dilma Rousseff [eleita em 2010] e Fernando Haddad [que disputou a votação de 2018 no lugar de Lula, então na prisão]. Também temos governadores muito bons. Tenho muito orgulho de quem sou no PT, da minha relação com o meu partido, uma relação de compreensão, respeito e camaradagem que nunca se perdeu, mesmo quando não fui candidato a nada ou estive detido. No dia em que o PT sentir que não tenho mais um papel a cumprir, ele vai colocar outro no meu lugar.

Você não decide essas coisas?

Não. Existem debates, instituições dentro do PT. Em última análise, são as pessoas que decidem. No dia que eu passar, ele vai me dizer: “Lula, vá embora”, e eu irei.

Qual é o seu programa para um possível terceiro mandato?

Você sabe, eu não tenho que ser presidente de novo. Eu já estive. E por isso mesmo, minha responsabilidade é infinitamente maior do que a de outros candidatos que nunca governaram. Tenho a obrigação de fazer muito mais e muito melhor do que já fiz. Vou fazer 76 no final do mês. Mas sinto a energia de um homem de 30 anos. Aprendi com minha mãe a nunca desistir e que a única luta que você perde é aquela que não luta. Hoje, o Brasil precisa mais do que nunca de um partido como o PT e de alguém que tenha sensibilidade social e conheça a alma dessa gente como eu conheço.

Será possível fazer mais?

É uma questão de necessidade, porque as pessoas estão mais pobres hoje do que quando eu estava no poder. Eu vi na época: os pobres não são o problema, mas a solução. Assim que eles começam a ter algum dinheiro, eles consomem e isso faz a economia girar. Em 13 anos, aumentamos o salário mínimo em 74%, sem contar a inflação, e aumentamos a renda dos 10% mais pobres muito mais do que a dos mais ricos. Isso nos permitiu expandir o mercado consumidor e atrair investimentos estrangeiros, para os quais o Brasil se tornara um dos primeiros destinos. Na verdade, minha fórmula é bastante simples: é colocar os pobres no orçamento e os ricos no imposto de renda.

A sua esquerda o reprova por não ter formado cidadãos, mas simples consumidores, que aliás acabaram elegendo o Bolsonaro...

Um presidente não tem esse poder. Eu criei as condições necessárias para que todos os brasileiros possam fazer três refeições por dia, ter acesso ao ensino superior e manter a cabeça erguida. Além disso, sou o presidente que abriu o maior número de universidades. A formação dos cidadãos depende de instituições, escolas, partidos políticos, sindicatos, que devem incutir uma consciência de classe. Não é feito por decreto.

No entanto, alguns debates poderiam ter sido iniciados. Muitos de seus constituintes pensam, por exemplo, como Bolsonaro, que um “bandido bom é um bandido morto”, o que alimenta a violência policial já extrema em bairros pobres.

O problema da violência policial estava no cerne da política de segurança pública cidadã que meu último ministro da Justiça, Tarso Genro, havia estabelecido para os bairros. Mas por algum motivo que me escapa, Dilma não seguiu essa política. A polícia entra nas favelas para matar. É por isso que quero discutir seu papel na campanha do próximo ano. Acontece que o aparato policial está sob a alçada dos Estados federados que mantêm suas prerrogativas ... Uma coisa é certa: Bolsonaro não resolveu o problema da violência que ele tinha brandido como slogan.

Se houver uma eleição, se você for um candidato e se vencer, alguns temem que os militares não permitam que você volte ao poder. E você?

(Risos) Ouvi dizer que em 1989 [quando ele concorreu pela primeira vez], 1994, 1998 e 2002, quando finalmente fui eleito. Eu não tenho preocupações. As Forças Armadas nunca foram mais respeitadas do que sob meu mandato. Essas pessoas que estão no governo com o Bolsonaro [os soldados que têm pastas e ocupam cargos na administração] não os representam.

Os militares estão no poder hoje e não têm intenção de deixá-lo. Como você planeja levá-los de volta ao quartel?

O primeiro soldado a não querer sair do poder é o próprio Bolsonaro! (risos) Mas as pessoas decidirão o contrário. O próximo presidente não precisará de tantos soldados em seu governo. Nossa sociedade civil treinou executivos suficientes para nos ajudar a governar. A missão das Forças Armadas não é ocupar cargos reservados a civis. Tenho a certeza de que saberão cumpri-lo com o mesmo respeito com que sempre os demonstrámos.


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REDUÇÃO - Pernambuco reduz número de homicídios em 2021

              Por: Diario de Pernambuco
Foto: Divulgação/PCPE

O governador Paulo Câmara conduziu, nesta quarta-feira (6), a reunião do Pacto pela Vida (PPV) que avaliou as ações e estatísticas da segurança pública em 2021. Entre janeiro e setembro deste ano, em comparação com o mesmo período de 2020, houve um recuo de 12% no número de homicídios. Os crimes patrimoniais também apresentaram uma retração de aproximadamente 4%. Os números oficiais serão divulgados no próximo dia 15.

“Os resultados são importantes. Mas a reunião também buscou planejar os próximos três meses e pactuar ações necessárias, porque nossa meta é continuar reduzindo a violência em Pernambuco, mostrando cada vez mais que o caminho conduzido pelo Pacto Pela Vida é um caminho da paz e de salvar vidas”, pontuou Paulo Câmara.


Durante o encontro, o governador assinou autorização de orçamento, no valor de R$ 9 milhões, para aquisição de quatro mil novas pistolas Beretta 9mm, com o objetivo de renovar o armamento das polícias de Pernambuco. As pistolas, incluindo carregadores, são de fabricação italiana e serão adquiridas com recursos próprios do Estado, por meio de adesão a uma ata de registro de preços da Secretaria Nacional de Segurança Pública, vinculada ao Ministério da Justiça. A previsão é de que as armas sejam entregues no início do próximo ano.

“São equipamentos mais leves e modernos, dentro do que há de melhor sendo utilizado pelas forças de segurança no mundo. Mas é preciso esclarecer que a repressão e o enfrentamento são o último recurso. A prioridade da segurança, e de todos os que fazem o Pacto pela Vida, é a prevenção e preservação de vidas”, afirmou o secretário de Defesa Social do Estado, Humberto Freire.


Sim, o presidente Lula merece um quarto mandato e tem o apoio do Brasil 247

A reconstrução foi o primeiro passo. O próximo é transformar o país, com melhores empregos, mais igualdade, mais tecnologia e mais soberania...