domingo, 6 de dezembro de 2020

STF derrota Maia e Alcolumbre e veta chance de reeleição na Câmara e no Senado

Votação foi concluída neste domingo (6), com voto decisivo do presidente do Supremo, Luiz Fux. Antes, a maioria já havia decidido que o presidente da Câmara não poderia ser reeleito. Fux decidiu a situação de Davi Alcolumbre, que havia ficado em aberto por conta do voto de Kassio Nunes Marques

Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre (Foto: Marcelo Camardo/Ag.Brasil)

O Supremo Tribunal Federal decidiu que os atuais presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), não podem se candidatar à reeleição para os dois cargos. O julgamento foi concluído na noite deste domingo (6).

O presidente do STF, Luiz Fux, deu um voto decisivo para definir a situação de Alcolumbre, uma vez que um voto do ministro Kassio Nunes Marques havia deixado sua situação indefinida. Na avaliação do ministro, apenas Alcolumbre poderia ser reeleito, Maia não. A situação de Maia já havia sido decidida por maioria pela Corte.

Confira como ficaram os dois placares:

Sobre uma eventual reeleição de Rodrigo Maia:

7 votos contra: Nunes Marques, Marco Aurélio, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux

4 votos a favor: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski

Sobre uma eventual reeleição de Davi Alcolumbre:

6 votos contra: Marco Aurélio, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Luiz Fux

5 votos a favor: Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Ricardo Lewandowski

Últimos votos

Para o ministro Luís Roberto Barroso, que votou neste fim de semana, a reeleição tem sido questionada como fonte de instabilidade. E ressaltou que a permissão só pode vir por meio de alteração na Constituição, o que cabe ao Congresso e não ao Judiciário.

"De modo que considero legítimo que os presidentes das casas legislativas possam ser reeleitos por uma vez para legislatura subsequente, se o Congresso Nacional assim desejar. Mas deverá manifestar sua vontade pela via formal da emenda à Constituição", explicou.

"Se a reeleição amplia a autonomia do legislativo e, com isso, democratiza a República, deve a tese ganhar força no órgão que, por excelência,é a própria expressão da representação popular. Respeitar os limites do texto nada tem que ver com tolher a autonomia do Legislativo", declarou o ministro Luiz Edson Fachin. (247)


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Ódio por negros e negras, LGBTI+ e mulheres é coordenado, diz Carol Dartora

Primeira vereadora negra eleita em Curitiba diz que o pior ataque recebido por ela desde sua vitória, em 15 de novembro, veio neste sábado e é igual ao disparado contra a vereadora eleita em BH Duda Salabert. Ela também repudiou as declarações do prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca, de que não existe racismo estrutural

Carol Dartora (Foto: Carlos Costa/CMC)

A vereadora eleita Carol Dartora (PT), primeira mulher negra a compor a Câmara Municipal de Curitiba, divulgou uma nota sobre os ataques racistas e ameaças de morte que tem recebido desde a sua vitória, em 15 de novembro, em que afirma acreditar que esses ataques contra negras, negros, LGBTI+ e mulheres sejam coordenados.

No texto, ela também repudiou as declarações do prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca, de que não existe racismo estrutural, discordando dela (assista aqui). “É inadmissível que falas como a do Prefeito Rafael Greca, pronunciadas ontem em entrevista a Globo News, sejam aceitas. Negar o racismo que permeia toda nossa sociedade chancela atitudes como essas, normaliza a violência e invisibiliza nossa luta”, rebateu.

Leia a íntegra:

NOTA À IMPRENSA 

Da série "não existe racismo em Curitiba" e a dois dias de completar 1000 dias da morte de Marielle, os ataques por ocuparmos espaços que deveriam ser nossos se intensificam. 

Desde o dia 15 de novembro, quando me tornei a primeira vereadora negra da cidade de Curitiba e também a terceira mais votada no pleito deste ano, com 8874 votos, venho recebendo ataques baseados em intolerância e indignação por parte daqueles que nos desumanizam e roubam nosso direito de ter voz e disputar os espaços de poder. 

De todos os ataques o que mais me assustou foi o que recebi ontem (conforme cópia do e-mail recebido em anexo), da mesma autoria dos proferidos à Vereadora mais votada de Belo Horizonte, Duda Salabert, o que me faz crer que este ódio por negros e negras, LGBTI+ e mulheres, que em 2020 mexeram com as estruturas da sociedade disputando o poder, são coordenados.

Querem nos silenciar antes mesmo de tomarmos posse. Querem diminuir nosso grito por liberdade e justiça. Porém sigo ainda mais resoluta a lutar por um mundo onde todos e todas tenham direito e acesso a igualdade e dignidade.

Mas para que isso seja possível, é inadmissível que falas como a do Prefeito Rafael Greca, pronunciadas ontem em entrevista a Globo News, sejam aceitas. Negar o racismo que permeia toda nossa sociedade chancela atitudes como essas, normaliza a violência e invisibiliza nossa luta. Não queremos mais casos como o da Marielle. Não queremos mártires. Queremos fazer política e lutar por um presente e futuro melhores.

No mais, já entramos em contato com as autoridades competentes. O Delegado Pedro Felipe do 1° Distrito Policial de Curitiba em parceria com o NUCIBER (Núcleo de Combate aos Cibercrimes) estão acompanhando o caso. Torcemos para a solução rápida do crime e que os criminosos sejam devidamente encontrados e julgados segundo o devido processo legal. 

Combinaram de nos matar, mas nós combinamos de ocupar todos os espaços, inclusive a Câmara Municipal de Curitiba! Sigo com determinação para fazer o que me foi designado enquanto representante do povo. Não vão nos calar. Estarei lutando firme e forte ao lado da população curitibana que depositou em nosso mandato toda a esperança de uma cidade mais igualitária, sem ódio e violência.

Racistas e fascistas não passarão!

Carol Dartora

06 de dezembro de 2020.



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Prefeito de Curitiba, Rafael Greca, nega racismo estrutural e diz que cor da pele “não é diferencial” (vídeo)

Ao comentar a eleição da primeira vereadora negra, Carol Dartora, na capital do Paraná, o prefeito reeleito no primeiro turno disse discordar dela. “Pode ser que isso exista. Mas eu desejo a ela toda felicidade do mundo”

Rafael Greca, prefeito de Curitiba (Foto: Reprodução)

O prefeito reeleito de Curitiba, Rafael Greca (DEM), negou que exista racismo estrutural ao falar sobre a eleição da primeira vereadora negra da capital do Paraná, Carol Dartora (PT). A declaração foi feita em entrevista à Globonews neste sábado 5 (assista a um trecho abaixo). 

“Eu discordo da vereadora que aqui haja um racismo estrutural. Eu cresci em uma casa onde a engenheira Enedina Marques era colega do meu pai e conosco estava sempre”, disse Greca. Enedina foi a primeira mulher e a primeira negra a se formar em engenharia no país.

Em seguida, Greca recuou levemente em sua posição. “Pode ser que isso exista. Mas eu desejo a ela toda felicidade do mundo. Ela é uma boa professora, está começando o mestrado em História, dei meu livro a ela de presente”, disse. Carol está começando o doutorado.

Em outra declaração polêmica, o prefeito afirmou que “somos todos iguais” e que a cor da pele é apenas uma característica de quem cresce “mais perto do Equador, com mais sol”. “Espero que as pessoas sejam iguais pela sua esperança, pelo seu coração. Não que a cor da pele seja um diferencial. A cor da pele é apenas uma contingência de quem foi criado mais perto [da linha] do Equador, com mais sol. Quem foi criado mais longe do Equador foi criado com pele mais clara. Mas nós somos todos iguais”, afirmou.

Carol Dartora reagiu no Twitter, ao compartilhar um trecho do vídeo: “O Urbanista Historiador não sabe que o racismo existe. Eu conto ou vocês contam?”. E em nota neste domingo (6), ao rebater ameaças de morte e ataques racistas que recebeu, ela voltou a criticar duramente as declarações de Greca: “é inadmissível que falas como a do Prefeito Rafael Greca, pronunciadas ontem em entrevista a Globo News, sejam aceitas. Negar o racismo que permeia toda nossa sociedade chancela atitudes como essas, normaliza a violência e invisibiliza nossa luta”.


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Carol Dartora, primeira vereadora negra eleita em Curitiba, é alvo de racismo e recebe ameaças de morte

"Eu juro que vou comprar uma pistola 9 mm no Morro do Engenho aqui no Rio de Janeiro e uma passagem só de ida pra Curitiba e vou te matar", disse um homem, que também chamou Carol Dartora (PT) de "macaca fedorenta"

Carol Dartora (Foto: Reprodução)

A primeira vereadora negra eleita em Curitiba, Carol Dartora (PT), afirmou ter recebido um e-mail com ameaças de morte. A mensagem é assinada por Ricardo Wagner Arouxa, que diz ser do Rio de Janeiro.

"Acabo de receber ameaças de morte. As autoridades já foram contatadas e todas as providências estão sendo tomadas para que seja garantida minha segurança e da minha equipe. Eles combinaram de nos matar, combinamos de ocupar tudo", escreveu Dartora no Twitter.

Na mensagem, o autor disse não aceitar a eleição dela. Também a chama de "aberração" e "macaca fedorenta".

"Eu juro que vou comprar uma pistola 9 mm no Morro do Engenho aqui no Rio de Janeiro e uma passagem só de ida pra Curitiba e vou te matar", acrescentou. 

(247)

NOTA À IMPRENSA

Da série "não existe racismo em Curitiba" e a dois dias de completar 1000 dias da morte de Marielle, os ataques por ocuparmos espaços que deveriam ser nossos se intensificam. 

Desde o dia 15 de novembro, quando me tornei a primeira vereadora negra da cidade de Curitiba e também a terceira mais votada no pleito deste ano, com 8874 votos, venho recebendo ataques baseados em intolerância e indignação por parte daqueles que nos desumanizam e roubam nosso direito de ter voz e disputar os espaços de poder.

De todos os ataques o que mais me assustou foi o que recebi ontem (conforme cópia do e-mail recebido em anexo), da mesma autoria dos proferidos à Vereadora mais votada de Belo Horizonte, Duda Salabert, o que me faz crer que este ódio por negros e negras, LGBTI+ e mulheres, que em 2020 mexeram com as estruturas da sociedade disputando o poder, são coordenados.

Querem nos silenciar antes mesmo de tomarmos posse. Querem diminuir nossa grito por liberdade e justiça. Porém sigo ainda mais resoluta a lutar por um mundo onde todos e todas tenham direito e acesso a igualdade e dignidade.

Mas para que isso seja possível, é inadmissível que falas como a do Prefeito Rafael Greca, pronunciadas ontem em entrevista a Globo News sejam aceitas. Negar o racismo que permeia toda nossa sociedade chancela atitudes como essas, normaliza a violência e invisibiliza nossa luta. Não queremos mais casos como o da Marielle. Não queremos mártires. Queremos fazer política e lutar por um presente e futuro melhores.

No mais, já entramos em contato com as autoridades competentes. O Delegado Pedro Felipe do 1° Distrito Policial de Curitiba em parceria com o NUCIBER (Núcleo de Combate aos Cibercrimes) estão acompanhando o caso. Torcemos para a solução rápida do crime e que os criminosos sejam devidamente encontrados e julgados segundo o devido processo legal. 

Combinaram de nos matar, mas nós combinamos de ocupar todos os espaços, inclusive a Câmara Municipal de Curitiba! Sigo com determinação para fazer o que me foi designado enquanto representante do povo. Não vão nos calar. Estarei lutando firme e forte ao lado da população curitibana que depositou em nosso mandato toda a esperança de uma cidade mais igualitária, sem ódio e violência.

Racistas e fascistas não passarão!

Carol Dartora

06 de dezembro de 2020.


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“A meritocracia é uma ilusão”, diz ex-empregada doméstica que se tornou juíza

Antônia Marina Faleiros é uma das poucas mulheres autodeclaradas negras que compõem o quadro de juízes no Brasil. Conheça sua história

(Foto: Divulgação)

No Brasil, há pessoas que morrem sem nunca terem tido um registro de nascimento. Antônia Marina Faleiros, 57 anos, escapou de ser uma delas, mas vê exemplos todos os dias. Conviveu com essa realidade quando trabalhava em um canavial, aos 12 anos, em Minas Gerais, e também ao se tornar juíza em comarcas do interior da Bahia, aos 40.

“Como juíza, reconheci um misto de miséria e exclusão que eu já tinha vivido. Algumas pessoas passam toda uma vida sem acesso à educação e saúde, muitas delas nunca tiveram um documento para reafirmar sua existência. Não julgo papel, eu julgo gente como eu”, relata.

Antônia Marina Faleiros é uma das poucas mulheres autodeclaradas negras que compõem o quadro de juízes no Brasil. Segundo levantamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), há apenas 6% de mulheres pretas ou pardas na magistratura. O órgão também projeta que a equidade racial no exercício da atividade jurisdicional brasileira só será alcançada no ano de 2044.

Nesse cenário, a presença de Antônia, muitas vezes, surpreende. “Até hoje tem gente que olha para mim e diz: ‘Dona, cadê a juíza?’. O racismo de cada dia é sutil em suas práticas, ele é travestido de uma observação engraçadinha, mas que molda todo um pensamento de uma sociedade”, diz.

Ela relata o longo caminho percorrido entre o trabalho infantil, dormir na rua, trabalhar como empregada doméstica e, atualmente, ser juíza no Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA).

A mais velha entre seis filhos de trabalhadores rurais, no interior de Minas Gerais, Antônia sempre foi vista como uma “menina esforçada”, que gostava de ler. No acampamento do canavial onde ajudava os pais, ela acendia uma lamparina em uma cabana para ler na escuridão.

Foi alfabetizada pela própria mãe, aos 8 anos. Com 17, mudou-se para Belo Horizonte para ser empregada doméstica. Lá, dormiu durante 6 meses em um ponto de ônibus. “Não podia dormir na casa da patroa. Então dizia para ela que eu morava com uma tia em um bairro distante, e, para minha mãe, que morava com a patroa. Até que uma outra empregadora me estendeu a mão”, lembra a juíza.

Antônia terminou o ensino médio e se tornou oficial de Justiça. Para estudar, ela pegava do lixo as folhas descartadas por uma editora de apostilas para preparatórios de concursos jurídicos. Nessa profissão, decidiu que queria ser juíza e começou a frequentar o curso de direito. Aos 40 anos, passou em concurso do TJBA.

“Primeiro, eu queria conseguir estudar para comprar um sapato. Depois, meu sonho era conseguir um emprego em que eu trabalhasse na sombra, que não fosse na lavoura. Depois de passar no primeiro concurso, comecei a vislumbrar o nível superior”, relata.

Antônia rejeita o título de “exemplo de meritocracia”. Esse substantivo é usado para definir o predomínio numa sociedade daqueles que têm mais méritos (os mais trabalhadores, mais dedicados, mais bem-dotados intelectualmente etc.)

Para ela, no Brasil é impossível falar em meritocracia, já que nem todos têm as mesmas oportunidades e um caso individual de sucesso, apesar das adversidades, não pode ser usado como parâmetro.

“Meritocracia é só uma cortina para encobrir o remorso de quem fecha as portas para os outros. Você fecha as portas e essa pessoa não consegue nada. Então você diz: ‘Não conseguiu porque não tinha mérito’”, diz.

Antônia define a meritocracia como uma ilusão, uma figura de retórica que não se sustenta. “Eu sou exemplo da não meritocracia. Muitos como eu não conseguiram realizar seus sonhos, por diferentes fatores. Nosso horizonte é delimitado pelo nosso ponto de observação”, descreve.

“Cresci ouvindo que quem tem a cama feita pode ser uma pessoa mais ou menos. Minha mãe sempre dizia: ‘Vocês têm que ser muito bons no que fazem’. Eu tinha que dar mil quando outros dariam só 100. Era uma pessoa semianalfabeta, do interior de Minas, ao modo dela, nos falando sobre desigualdade.”

As cotas raciais, por exemplo, são instrumentos para compensar essa desigualdade, ela defende. “Esse discurso liberal de cada um por si é perverso e predatório. É preciso, para se aferir meritocracia, aferir o ponto de partida de cada competidor. Se partiram do mesmo ponto, aí podemos falar sobre isso. Se as condições foram diferentes, pode-se falar em recompensa pela luta, mas não meritocracia.”

A diversidade é enriquecedora para o corpo social. É justo ter mecanismos que compensem as desigualdades. Não se trata de facilitar as coisas para ninguém, mas que se dê condições iguais

Manual de sobrevivência

m 30 de outubro, Antônia Marina Faleiros lançou seu primeiro livro, intitulado Retalhos, colcha de histórias para Mel dormir, dedicado à neta de 1 ano e 8 meses. São lembranças da infância permeada por dificuldades, mas também repleta de memórias afetivas.

“Eu quis resgatar o olhar infantil de quem não sabia que aquilo tinha um nome: pobreza extrema. Relato quando não tinha o que comer à noite e minha mãe fazia um chá de funcho e nós tomávamos. Ela dizia que era ótimo para não gripar. Na verdade, era porque não tinha outra coisa para tomar. Quis revisitar esse sentimento que eu tinha de achar legal ter o chá, esse cuidado”, afirma.

São memórias de uma criança que precisou trabalhar, cuidar da casa, mas também relatos de como essa mesma menina via as rezas, os remédios caseiros, os saberes populares da comunidade rural, a contação de histórias que mantinham as crianças seguras em noites de chuva forte na cabana.

“Essas histórias acabaram virando um manual de sobrevivência da tia Maria, a minha tia idosa que tinha uma expressão: o passado é igual um vagalume, de longe é bonito e até brilha. De perto é um grilinho desajeitado.”(Direito News)


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Genival Lacerda volta a reagir

 

O músico paraibano Genival Lacerda, 89 anos, está reagindo bem ao tratamento contra a Covid-19. É o que diz o boletim médico de hoje. O artista segue internado em uma unidade de saúde do Recife, onde está intubado e respirando com ajuda de aparelhos.

Genival está no hospital desde a última segunda-feira (30). Por meio de nota enviada à imprensa, a família pede para que não compartilhem fake news sobre a situação do cantor. "Pedimos que mais uma vez não compartilhem as fake news e que continuem orando pela saúde de Genival. Qualquer novidade estamos aqui para avisar a todos", diz o comunicado.(por Magno Martins).



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sábado, 5 de dezembro de 2020

Criaturas da noite eterna. Vivem na escuridão, mas têm luz própria

Lagostas espinhosas, lulas neon, borboletas do mar: imagens noturnas mostram criaturas multicoloridas que compõem uma “sopa biológica” nas profundezas escuras do Oceano Pacífico. O fotógrafo profissional Jeff Milisen, 37, tirou fotos noturnas de vários tipos de vida marinha na ilha de Kona, no Havaí. Ele descobriu uma série de criaturas coloridas, muitas delas luminosas, e pouco conhecidas.

Fotos: Jeff Milisen

Uma grande quantidade de animais marinhos vive nas profundezas de uma zona chamada mesopelágica, entre os 200 e os mil metros de profundidade, onde a luz natural já não chega e tudo seria escuridão permanente se muitos desses animais não possuíssem luz própria. São capazes de manifestar um fenômeno chamado bioluminescência. E, para provar isso, um fotógrafo revelou algumas das criaturas multicoloridas que compõem uma “sopa biológica” nas profundezas negras das águas do Pacífico perto do Havaí. De lagostas espinhosas a vidraças nadadoras e lulas voadoras roxas, a impressionante coleção também inclui polvos laranja, enguias pretas e as chamadas borboletas marinhas

Abstrato

Fotos: Jeff Milisen

1 – Filossomo e pelagia: Lagosta espinhosa (direita) cavalgando uma água-viva roxa (esquerda) à noite nas águas superficiais do oceano profundo de Kailua Kona, Havaí, EUA. O crustáceo larval usa seu hospedeiro cnidário tanto como fonte de alimento quanto como arma de defesa.

A coleção, intitulada “Blackwater ID”, é obra noturna de Jeff Milisen. Ele diz: “Uma abundante camada marinha repleta de animais vive seus dias nas profundezas de uma área chamada mesopelágica, onde reina a escuridão quase total. Mas quase não há comida lá, e então todas as noites, essas criaturas sobem à superfície para se alimentar. A camada de animais chega a ser tão espessa a ponto de aparecer como um fundo falso no equipamento de sonar.

Jeff Milisen gosta de se referir ao oceano aberto noturno como uma “sopa biológica”. “Todo mundo espera que o oceano aberto seja preenchido com exemplares da megafauna como atum e tubarões. [Mas] noventa e nove por cento de tudo que foi filmado nessas águas negras é um assunto para câmeras macro. Portanto, quanto menores forem os itens que você está procurando, mais animais incríveis você encontrará.”

A imagem abaixo mostra um hipocampo: comumente conhecido como cavalo-marinho havaiano.

Hipocampo do Havaí

Fotos: Jeff Milisen

2 – Hippocampus fisheri: comumente conhecido como cavalo-marinho de Fisher, ou cavalo-marinho do Havaí, essa bela criatura é uma das mais majestosas do oceano e é uma espécie de peixe da família Syngnathidae. É nativo do Havaí.

Enguia

Fotos: Jeff Milisen

3 – Lamprogrammus: Também conhecido como Black Cusk, esta criatura – uma enguia – realmente parece azul e amarelo quando se move contra o pano de fundo preto das ondas noturnas.

Lula neon

                                                               Fotos: Jeff Milisen

4 – Brachioteuthis: É um tipo de lula dotada de bioluminescência “neon” que emite cores brilhantes quando fotografada sob certas luzes. Esta espécie está amplamente distribuída e é nativa de muitas partes dos oceanos Atlântico e Pacífico, bem como do Mediterrâneo e do mar Negro. “É um deleite raro”, diz Milisen. “Eles se parecem e agem como cavalos-marinhos, com os filhotes se desenvolvendo dentro de uma bolsa localizada na região do ventre do pai. Ao contrário dos cavalos-marinhos normais, no entanto, esses são animais que nadam livremente e migram verticalmente como muitos outros organismos mesopelágicos. Procure por eles navegando logo abaixo da superfície da água.

Borboletas do mar

                                                              Fotos: Jeff Milisen

5 – Cavolínia: Também conhecidas como Borboletas do Mar, essas criaturas são moluscos gastrópodes marinhos pelágicos da família Cavoliniidae e têm uma ampla distribuição: das águas europeias e do Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico

Peixe voador

                                                               Fotos: Jeff Milisen 

6 – Cheilopogon: Este animal jovem e brilhante é um gênero de peixe-voador. Eles podem ser reconhecidos pelas suas enormes barbatanas peitorais, que podem ser vistas na imagem que se estende por trás do seu corpo colorido.

Sifonóforo

                                                             Fotos: Jeff Milisen

7 – Physophora hydrostatica: comumente chamado de sifonóforo de saia hula, esta espécie tem um flutuador cheio de gás com uma capa pigmentada de vermelho escuro. Eles têm até 20 mm de altura, são frágeis, sem cristas aparentes. Essas criaturas são moluscos gastrópodes marinhos pelágicos da família Cavoliniidae e têm uma ampla distribuição: das águas europeias e do Mar Mediterrâneo ao Oceano Atlântico. Cheilopogons também aparecem nas fotos. Essas coisas jovens e brilhantes são um gênero de peixes voadores. Estes podem ser reconhecidos pelas suas enormes barbatanas peitorais, que podem ser vistas na imagem que se estende por trás do seu corpo colorido. A seguir estão os sifonóforos – que são enganosos, diz Milisen. “Eles podem parecer superficialmente como um único organismo quando na verdade são uma colônia de natação livre deles. Eles possuem estruturas semelhantes a tentáculos espalhadas como uma teia de células urticantes para capturar os pequenos animais pelágicos que constituem suas presas.

Lula voadora

                                                               Fotos: Jeff Milisen

8 – Sthenoteuthis oaualaniensis: Também conhecida como lula voadora roxa ou lula roxa, é uma espécie de cefalópode da família Ommastrephidae. Como muitos de seus familiares, ela mora em camadas profundas do oceano – abaixo de mil metros.

Lula diamante

                                                            Fotos: Jeff Milisen

9 – Thysanoteuthis rhombus: também conhecida como lula diamante, é uma grande espécie de lula que cresce até 1 metro de comprimento do manto e peso máximo de 30 quilos.

 

Mais uma lula voadora

                                                          Fotos: Jeff Milisen

10 – Sthenoteuthis tug o war: Este é um outro gênero de lula, parte da subfamília Ommastrephinae – e comumente referido como ‘lula voadora’ porque parece deslizar pelas águas com pouco esforço

Polvo laranja

                                                             Fotos: Jeff Milisen

11 – Callistoctopus: apropriadamente chamado de polvo laranja, esses animais são facilmente identificáveis por sua coloração avermelhada, pelas papilas brancas que revestem seus corpos, e por seus longos tentáculos – como pode ser visto nesta imagem

Linguado

                                                              Fotos: Jeff Milisen

12 – Bothus thompsoni: Este linguado juvenil é às vezes encontrado próximo à superfície à noite. Parecem vidraças, e são cativantes e estranhos.

Água viva

                                                             Fotos: Jeff Milisen

13 – Nomeide em Cephea: especialistas marinhos referem-se a esta bela espécie como uma água-viva nômade gigante, que é frequentemente vista nas águas tropicais quentes dos oceanos Índico e Pacífico. Desde 1970 passou a ser encontrada também no Mar Mediterrâneo.

Tamboril

                                                             Fotos: Jeff Milisen

14 – Lophiodes fimbriatu: Também chamados de “ganso”, são tamboris da família Lophiidae encontrados nos oceanos Ártico, Atlântico, Índico e Pacífico, onde vivem em fundos arenosos e lamacentos a mais de mil metros de profundidade

Peixe-aranha abissal

                                                            Fotos: Jeff Milisen

15 – Bathypterois longipes: O peixe-aranha abissal, Bathypterois longipes, é uma espécie de peixe tripé de mar profundo, um peixe demersal – Chamam-se demersais os animais aquáticos que, apesar de terem capacidade de natação ativa, vivem a maior parte do tempo em associação com o substrato, quer em fundos arenosos como os linguados, ou em fundos rochosos, como as garoupas – que vive no fundo do Oceano Atlântico. Eles estão amplamente espalhados por todo o Pacífico.

Por que brilham no escuro?

A maioria desses animais exibe alguma forma de bioluminescência – capacidade de produzir luz próprio através de fenômenos químicos que acontecem em seus corpos -, fenômeno que faz o mundo pelágico noturno brilhar.

“Como a maioria dessas criaturas passa os seus dias nas profundezas onde a luz não consegue chegar, e vêm à superfície apenas à noite, para se alimentar, elas precisam produzir sua própria luz para se encontrar e se identificar”, explica Jeff Milisen.

No entanto, alguns deles – especialmente os invertebrados – usam a matéria gelatinosa de seus corpos para se tornarem quase transparentes.(Por: Equipe Oásis)


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Eleições 2026 - Dani Portela (PT) é a deputada estadual mais votada de Pernambuco

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