segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Com derrota de Trump, "Bolsonaro ficou órfão de padrinho", diz jornal francês Le Figaro

Para o correspondente do Le Figaro no Brasil, Michel Leclercq, "Jair "Bolsonaro ficou órfão de seu padrinho" com a derrota eleitoral de Donald Trump nos EUA. A avaliação é de que, com Joe Biden, o Brasil deve ficar fora da prioridades de Washington

Jair Bolsonaro no Palácio do Itamaraty

Jair Bolsonaro no Palácio do Itamaraty (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Da RFI - O jornal Le Figaro desta segunda-feira (9) destaca os desafios das maiores potências e dos principais parceiros dos Estados Unidos no mundo com a eleição dos democratas Joe Biden e Kamala Harris. A matéria cita a França, Alemanha, Rússia, China, Israel e também o Brasil, já que, com os resultados das eleições americanas, "Bolsonaro ficou órfão de seu padrinho", o presidente Donald Trump.

O correspondente do Le Figaro no Brasil, Michel Leclercq, escreve que mais de 24 horas após a vitória de Biden, "o presidente brasileiro permanece estranhamente silencioso". "A esperança é a última que morre", teria dito Bolsonaro a seus apoiadores na última quarta-feira (4), quando a derrota de Trump parecia iminente.

Segundo os conselheiros do presidente, ele viveu a vitória de Biden como algo pessoal. Antes mesmo de se eleger, Bolsonaro tinha orgulho de se mostrar como um "Trump tropical". Depois, não hesitou em exibir o que considerou "gestos de amizade" por parte do bilionário americano, como o convite para jantar em Mar-a-Lago, sua suntuosa residência na Flórida. 

O sentimento de derrota não é à toa, avalia Le Figaro. Bolsonaro copiou muita coisa de seu "padrinho", diz a matéria. Desde o frenesi dos tuítes, o jornal afirma que o presidente brasileiro, se espelhando em Trump, também defende teorias da conspiração, ataca a imprensa, rejeita o multilateralismo, desdenha as instituições, nega as mudanças climáticas, despreza os direitos humanos. "Essa proximidade se revelou com grande destaque durante a pandemia de Covid-19, quando Bolsonaro fez um CRTL C + CRTL V do posicionamento de Donald Trump", afirma o jornal.

Brasil, vassalo dos Estados Unidos

Esse alinhamento total de Bolsonaro ao governo Trump - atitude que Le Figaro classifica como uma postura de "vassalo" e em ruptura com a tradição diplomática do Brasil - isolou o país do mundo. Apesar desse apoio incondicional, o Brasil teve que se dobrar, como os outros países, ao protecionismo de Trump sobre os produtos brasileiros. 

O diário prevê que, com Joe Biden, o Brasil deve ficar fora da prioridades de Washington. O democrata, aliás, já ameaçou o governo Bolsonaro de "sérias consequências econômicas", caso o desmatamento da Amazônia continue em ritmo desenfreado. 

O jornal também destaca que os brasileiros já entenderam que Bolsonaro sai enfraquecido da derrota de Trump. "Uma das hashtags mais populares no Twitter do Brasil neste fim de semana era #BolsonaroEoProximo", conclui Le Figaro. 



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Biden nomeia brasileira para integrar a força-tarefa dos EUA contra a Covid-19

O grupo buscará elaborar um plano para mitigar a pandemia nos EUA a partir da posse de Biden, em janeiro

Luciana Borio (Youtube/Divulgação)

Luciana Borio (Youtube/Divulgação)

A médica brasileira especialista em imunização, Luciana Borio, foi nomeada pelo novo presidente dos EUA, Joe Biden, a integrar a força-tarefa do país contra a Covid-19. O grupo buscará, assim que Biden tomar posse em janeiro, mitigar a situação da pandemia no país que mais acumula casos da doença.

Borio já havia integrado comitês de especialistas nos EUA, tendo participado dos times de combate ao zika e à ebola. Por dois anos, foi a cientista-chefe da Food and Drug Administration (FDA). Também trabalhou no Conselho Nacional de Segurança (NSC, em inglês).

A brasileira vive nos EUA desde 1980, tendo se formado em medicina em 1996 na Universidade de George Washington. (247)


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Inflação de outubro é a maior para o mês em 18 anos

IPCA registrou alta de 0,86% em outubro, maior alta para o mês desde 2002, quando foi de 1,31%, e também é a taxa mais elevada no ano, segundo o IBGE

(Foto: ABR)

Os preços dos alimentos voltaram a pesar com força bem como as passagens aéreas, e a inflação oficial brasileira seguiu em ritmo forte em outubro, marcando o resultado mais elevado para o mês em 18 anos.

Em outubro, o IPCA acelerou a alta a 0,86%, de 0,64% em setembro, de acordo com os dados informados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado marca a maior inflação para um mês de outubro desde 2002, quando foi de 1,31%, e também é a taxa mais elevada no ano.

No acumulado dos 12 meses até outubro, o IPCA registrou avanço de 3,92%, contra 3,14% em setembro, e com isso fica praticamente no centro da meta para este ano, que é de 4% com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

As expectativas em pesquisa da Reuters eram de alta de 0,83% em outubro, acumulando em 12 meses avanço de 3,90%.

O IBGE explicou que a maior variação e o maior impacto no índice do mês vieram do grupo Alimentação e Bebidas, cujos preços subiram 1,93%, embora tenham desacelerado sobre o avanço de 2,28% visto em setembro.

Essa desaceleração se deveu principalmente a altas menos intensas em alguns alimentos para consumo no domicílio (2,57%), como o arroz (13,36% de 17,98% no mês anterior) e o óleo de soja (17,44% de 27,54%).

Por outro lado, o avanço de 18,69% nos preços do tomate foi mais intenso do que em setembro, enquanto frutas (2,59%) a batata-inglesa (17,01%) subiram após recuo no mês anterior.

“Isso tem a ver com a oferta desses produtos e também se dá por conta do dólar mais alto, que fomenta exportações e restringe o oferta aqui”, explicou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

Tanto o pagamento do auxílio emergencial de combate ao coronavírus quanto o câmbio favorável às exportações vêm pressionando os preços dos alimentos, o que já levanta preocupações de uma alta mais disseminada dos preços.

“O auxílio emergencial ajuda a sustentar os preços nesse patamar de inflação mais elevado”, completou Kislanov.

Transportes, com alta de 1,19%, também exerceu impacto relevante em outubro depois que as passagens aéreas subiram 39,83%, sendo o maior impacto individual no índice geral.

“A alta nas passagens aéreas parece estar relacionada à demanda, já que com a flexibilização do distanciamento social algumas pessoas voltaram a utilizar o serviço, o que impacta a política de preços das companhias aéreas”, completou Kislanov.

Por sua vez, os custos de serviços subiram em outubro 0,55%, de uma alta de 0,17% em setembro.

Outubro também marcou o maior índice de difusão do ano, de 68%, o que dá a ideia de que “a inflação não é só de alimentos. As altas estão mais espalhadas pelo IPCA”, segundo o gerente da pesquisa.

O Banco Central reconheceu na semana passada uma pressão inflacionária mais forte no curto prazo, mas manteve sua mensagem de orientação futura e a porta aberta para eventual corte nos juros básicos à frente.

Depois de manter a Selic em 2%, frisou que as projeções e expectativas de inflação seguem “significativamente” abaixo da meta para o horizonte relevante.

De acordo com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, a alta recente da inflação é temporária, minimizando a duração de todas as frentes de pressão identificadas para o avanço de preços na economia, mas frisou estar “obviamente” monitorando o movimento.

O BC vê alta do IPCA de 3,1% em 2020 e 3,1% em 2021, enquanto o mercado calcula respectivamente avanços de 3,02% e 3,11% na mais recente pesquisa Focus. (Camila Moreira, Reuters)


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Joe Biden diz que vacina contra Covid-19 será gratuita e minorias serão prioridade

O presidente eleito dos EUA voltou a adotar tom conciliador e pediu que os estadunidenses usem máscaras. "Eu serei o presidente de todos os americanos, essa eleição acabou", disse Biden

(Foto: Reprodução)

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou nesta segunda-feira (9), que uma vacina contra o novo coronavírus será gratuita em todo o país. Biden voltou a adotar tom conciliador e pediu que os estadunidenses usem máscaras. 

"Eu serei o presidente de todos os americanos, essa eleição acabou", disse Biden. "Uma máscara não é uma declaração política, mas uma boa forma de unir o país. Eu imploro: usem máscara", afirmou o democrata. 

Joe Biden citou o conselho consultivo da equipe de transição para enfrentar a pandemia e disse que as minorias são uma prioridade.

"Vamos proteger populações vulneráveis, que estão mais expostas a riscos, e aqueles que têm condições médicas pré-existentes: vamos dar uma resposta às disparidades econômicas e de saúde que faz com que esse vírus atinja as comunidades de negros, latinos, asiáticos, nativo-americanos e pessoas das ilhas do Pacífico de forma mais agressiva", afirmou Biden. 


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sábado, 7 de novembro de 2020

Lula: “o mundo respira aliviado com vitória de Biden”

O ex-presidente Lula celebrou a vitória de Jeo Biden nos EUA e escreveu: “O mundo respira aliviado com a vitória de Biden”

Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula)

Alívio. Esta é a definição do ex-presidente Lula para o sentimento global com a derrota de Donald Trump e a vitória de Joe Biden na eleição dos EUA. Ele postou dois twetts pouco antes de 18h neste sábado (7).

Leia:

“Neste momento tão importante em que o povo norte-americano se manifestou contra o trumpismo e tudo o que ele representa, de rejeição de valores humanos, ódio, abandono da vida e agressões contra nossa querida América Latina.

Saúdo a vitória de Biden e manifesto a esperança de que ele não só internamente, mas também em suas relações com o mundo e com a América Latina, se paute pelos valores humanistas que caracterizaram a sua campanha”. (247)


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Kamala Harris é a primeira mulher eleita vice-presidente dos Estados Unidos

Ela foi a primeira procuradora distrital de São Francisco e a primeira mulher negra da Califórnia a ser eleita procuradora-geral

Kamala Harris (Foto: REUTERS/Elijah Nouvelage)

Kamala Harris fez história neste sábado com sua eleição como vice-presidente de Joe Biden, tornando-se a primeira mulher, a primeira negra americana e a primeira asiático-americana a ganhar o segundo maior cargo nos Estados Unidos.

Harris, de 56 anos, é amplamente vista como uma candidata natural para a indicação do Partido Democrata em 2024, caso Biden, que fará 78 anos em sua posse, em 20 de janeiro, decida não buscar um segundo mandato. Ela não se pronunciou publicamente sobre tais especulações.

A Edison Research e as principais redes de televisão dos EUA projetaram sua vitória no sábado, com base nos resultados finais não oficiais, embora o presidente em exercício, o republicano Donald Trump, tenha prometido continuar lutando nos tribunais.

Senadora norte-americana da Califórnia, Harris tem um histórico de tetos de vidro quebrados. Ela foi a primeira procuradora distrital de São Francisco e a primeira mulher negra da Califórnia a ser eleita procuradora-geral.

Sua experiência em justiça criminal pode ajudar o governo Biden a lidar com as questões de igualdade racial e policiamento depois que o país foi varrido por protestos neste ano. Ela deve ser uma das principais consultoras em nomeações judiciais.

Harris, cuja mãe e o pai emigraram da Índia e da Jamaica, respectivamente, tinha como objetivo se tornar a primeira mulher presidente dos EUA quando competiu contra Biden e outros pela indicação do partido em 2020.

Ela desistiu da disputa em dezembro passado depois de uma campanha prejudicada por suas opiniões vacilantes sobre saúde e indecisão sobre abraçar seu passado como promotora. (Reuters)

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Em vídeo, Kamala comemora vitória em ligação com Joe Biden. Assista:




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Líderes mundiais cumprimentam Biden; Bolsonaro, ainda não

Vários chefes de estados europeus, como Angela Merkel (Alemanha), Emmanuel Macron (França) e Boris Johnson (Reino Unido) parabenizaram Joe Biden pela eleição nos EUA. No Brasil, Jair Bolsonaro, que apoiou Trump, se mantém em silêncio

Diversos líderes mundiais cumprimentaram o presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, e a vice-presidente eleita, Kamala Harris, pela vitória na corrida eleitoral anunciada neste sábado, denotando um desejo por mais aproximação com a nova administração da Casa Branca.

O presidente francês, Emmanuel Macron, parabenizou Joe Biden neste sábado, pela vitória, dizendo que eles terão que enfrentar muitos desafios.

“Os norte-americanos escolheram seu presidente. Parabéns a @JoeBiden e @KamalaHarris! Temos muito o que fazer para superar os desafios atuais. Vamos trabalhar juntos!”, disse Macron no Twitter.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, disse que estava ansioso por trabalharem juntos em relação às prioridades que compartilham.

“Parabéns a Joe Biden por sua eleição como presidente dos Estados Unidos e a Kamala Harris por sua conquista histórica”, disse Johnson em comunicado.

“Os EUA são nossos aliados mais importantes e eu estou ansioso para trabalharmos juntos em relação às prioridades que compartilhamos, desde as mudanças climáticas até o comércio e a segurança.”

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchez, parabenizou Joe Biden pelo twitter neste sábado.

“O povo norte-americano escolheu seu 46º presidente dos Estados Unidos. Parabéns a @JoeBiden e @KamalaHarris. Desejamos boa sorte e tudo de melhor. Estamos ansiosos para cooperar com vocês para enfrentar os desafios ao nosso redor”, disse ele.

A chanceler Angela Merkel, primeira mulher a liderar a Alemanha, ressaltou que Kamala será a primeira vice-presidente eleita de seu país.

“Estou ansiosa por nossa futura cooperação com o presidente Biden”, ela disse, em comunicado publicado no Twitter.

“Nossa amizade transatlântica é insubstituível para que possamos vencer os grandes desafios de nossa era.” (Reuters)


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ELEIÇÕES 2026 Marília Arraes diz que campanha de Lula buscará apoio de Raquel Lyra no 2º turno

Na avaliação de Marília, a reeleição de Lula oferece melhores condições para viabilizar obras como o trecho pernambucano da Ferrovia Transno...