sábado, 22 de janeiro de 2022

Lula exalta legado de Leonel Brizola no seu centenário: "suas ideias estão nas nossas mentes e corações"

Ex-presidente Lula exaltou o papel do engenheiro Leonel Brizola, que foi um dos políticos mais combatidos pela imprensa corporativa na história do Brasil



O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou o centenário do engenheiro Leonel de Moura Brizola, que completaria 100 anos neste sábado. Lula lembrou o papel de Brizola na campanha da legalidade, em 1961, que garantiu a posse de João Goulart e sua luta por um Brasil mais justo e soberano. O ex-presidente também afirmou que pessoas como Brizola não morrem e que "suas ideias estão nas nossas mentes e nos nossos corações". Lula também lembrou que Brizola transferiu 100% dos seus votos a ele no segundo turno da campanha presidencial de 1989 e o apoiou em momentos cruciais da história brasileira. Na realidade, o trabalhismo, que encontrou em Brizola seu maior representante, nunca faltou à esquerda, nas horas decisivas. Assista, abaixo, o vídeo de Lula: 247




BLOG DO BILL NOTICIAS

"Seja o primeiro dos vencidos a apoiar Lula", disse Brizola a Ciro em 2002. "Será importante na sua trajetória para o futuro"

Às vésperas do 1º turno de 2002, Brizola abriu o coração e a cozinha do apartamento para Ciro Gomes e o aconselhou: “fique próximo do Lula”

(Foto: Reprodução/Youtube | Câmara dos Deputados)


Por Luís Costa Pinto, do 247 – Há 20 anos, na semana derradeira de uma campanha intensa que terminaria por sagrar o petista Luiz Inácio Lula da Silva enfim vitorioso depois de três derrotas consecutivas em eleições presidenciais, Leonel Brizola convocou o então candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, para um almoço reservado. Ciro fez questão de levar o jornalista que o assessorava: eu. 

O relato desse encontro só viria a público quando o 3º volume de “Trapaça – Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro” estivesse, enfim, nas livrarias físicas e virtuais (o que só acontecerá em março deste ano, em razão de atraso na produção da Geração Editorial provocado, entre outros fatores, pelas intermitências da pandemia). 

Antecipo-o aqui por causa  do centenário de Leonel de Moura Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, ex-deputado, uma das personalidades políticas mais fortes e marcantes da cena nacional. O centenário de Brizola se dá no dia seguinte ao cometimento de mais um ato de insensatez por parte de Ciro Gomes (agora no PDT, sigla que foi fundada por Brizola ao voltar do exílio).

O relato que segue sempre esteve guardado em minha memória jornalística, além de dormir por duas décadas nas cadernetas de anotações que mantenho de passagens relevantes do dia a dia. Ele revela a dimensão do personagem Brizola e o diapasão que o separa de alguém como Ciro que, mesmo com 40 anos de vida pública, como ele se jacta de ter, não compreendeu o papel que a História lhe reserva:

Eis o trecho do livro:

“Em quatro dias, depois das declarações estapafúrdias sobre o papel de Patrícia Pillar, Ciro Gomes havia perdido seis pontos percentuais de intenções de votos entre eleitoras mulheres em todo o Brasil – caindo de 25% para 19%. José Serra, por sua vez, ganhara os mesmos seis pontos e passara de 15% para 21%. A partir dali e por mais um mês, a campanha do candidato do PPS viveu pequenos momentos de grandes desencontros e, para mim, pelo menos um grande encontro.

 

No dia 2 de outubro, última quarta-feira antes do primeiro turno da eleição, tínhamos entregado os pontos. Não havia mais chance de qualquer virada de última hora contra José Serra, do PSDB, capaz de forçar um segundo turno entre Ciro e Lula do PT. O petista venceria quaisquer adversários nos ensaios de segundo turno. A meta de todos passou a ser, portanto, sair com honrosos 12% a 15% dos votos e ficar em terceiro lugar na disputa. 

No dia seguinte ocorreria o último debate entre os quatro candidatos melhor posicionados – pela ordem, Lula, Serra, Ciro e Garotinho – na TV Globo. Sem agenda eficaz de campanha, Ciro ficou no Rio. Estava um pouco deprimido. Tomei café no hotel, na Avenida Atlântica, e fui encontrá-lo na casa de Patrícia Pillar. Esperei bastante, cerca de uma hora e meia, até ser recebido. O candidato estava numa sessão de relaxamento. 

 – Tem compromisso para o almoço? – perguntou quando me viu. 

– Não – respondi. – Mas, agora que bate onze horas. Quer almoçar já? 

– Venha almoçar comigo e com o Brizola. 

Imaginei que seria um compromisso político. Fizemos o tempo passar ligando para alguns colunistas e editores de jornais, finalizando os tópicos centrais do debate do dia seguinte. Antes de uma da tarde saímos em direção a Copacabana, onde morava o ex-governador do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. Ao chegar ao prédio dele, numa esquina da Atlântica, estranhei a ausência de outras pessoas ou lideranças políticas. Tocamos a campainha. Pouco menos de um minuto depois, de calça jeans e calçando meias sem sapatos, camisa quadriculada em tons de azul, uma faca na mão e um pano de prato sobre o ombro, o engenheiro Leonel Brizola abriu a porta. 

– Entrem. Estou só, é folga da moça que me ajuda – convidou. – Seremos só nós três. Vamos comer na cozinha mesmo. Estou terminando de cozinhar... rabada com agrião. Gostam? 

Respondemos automaticamente que sim. E, mesmo que não gostássemos, as respostas não seriam diferentes. Ciro ficou conversando algo em torno de culinária e de cozinhas regionais. Eu aproveitei para observar ao redor. Não tinha dúvida do privilégio absoluto que era estar ali, na casa dele, no outono de um dos maiores políticos da História brasileira, salgando as feridas de uma campanha eleitoral em que amadurecia na derrota. 

Brizola pôs uma garrafa de vinho, rótulo uruguaio, sobre a mesa retangular da pequena copa e nos avisou que era um Tannat. Mas, se quiséssemos, mudaríamos a uva. Não ousamos fazê-lo, claro. O velho lobo de tantas crises e tantas eleições não admitiu ajuda. Enquanto provava o caldo da rabada para saber se deveria colocar mais pimenta, ou não, reservava os maços de agrião. Avisou que o acompanhamento seria apenas pão.  

– Meus amigos – começou a palestrar com o timbre gauchesco que se converteu em sua marca característica. – E não é que o sapo barbudo vai vencer? – disse aquilo e sorriu, referindo-se à piada que soltara em 1989, quando disputou palmo a palmo contra Lula a passagem ao segundo turno para enfrentar Collor. – Teremos um governo do PT, mas, não será um governo de esquerda exatamente como pensamos que podia ser, ousado; também não será um desastre como nossos adversários torcem, acusando-o de atrapalhado. Lula não tem nada de comunista, de extremista. Vai engolir a todos. Fique próximo dele, Ciro. Seja o primeiro a dar apoio incondicional a ele para o segundo turno – aconselhou. 

– Não sei se é o melhor para mim, governador. Estou muito machucado pelo tanto que apanhei – respondeu o cearense. 

– Esqueça isso. Vocês têm a mesma raiz, são do mesmo solo. Cresceram no mesmo terreno. Durante muito tempo insisti no erro de exigir posicionamentos do Jango que ele não podia assumir. Ficamos afastados por causa disso. Nossos adversários são as elites, o atraso, o Brasil conservador e arcaico defendido pela mídia, sobretudo pela Rede Globo. Se você tivesse chegado até aqui com chances de derrotar Lula, a Globo estaria com você como apóia Serra. Não fique atrás de Garotinho, e esse é o seu desafio. Cuidado com o Garotinho. Ele vai terminar inventando alguma história para dizer que você desistirá no último dia para apoiá-lo. 

– Sem chance! – protestou Ciro. 

– Sei disso. Mas ele dirá. O objetivo é desgastar você. Dou um conselho: seja o primeiro dos vencidos a apoiar Lula. Isso será muito importante na sua trajetória para o futuro. E você pode ser a voz ponderada alertando-o contra a Globo. 

Eu acompanhava a conversa enquanto destrinchava os ossinhos do rabo do boi, separando carne e gordura e reservando o resto. O agrião fora posto na panela no momento preciso – nem antes da hora, o que o deixaria amargo e excessivamente murcho, nem depois, evitando que ficasse excessivamente crocante e travoso. Havia xícaras com as quais podíamos beber apenas o caldo formado durante o lento cozimento do prato principal.  

– É para sentir o sabor exato do cozido. Os estancieiros uruguaios fazem assim. E no frio, ajuda a aquecer – explicou Brizola. Desde então, adotei como hábito pessoal beber caldos durante almoços ou jantares com carnes ensopadas ou mesmo com feijão. – Comida tem de reconfortar, não só alimentar – ainda ensinou.  

Servi-me de mais uma taça de vinho. Esvaziei a primeira garrafa. O ex-governador perguntou se Ciro mudaria a uva. Negativa aceita, ele me pediu para abrir uma segunda garrafa do ótimo Tannat do Uruguai. Apurei o ouvido.

– Cuide para não errar mais em declarações sobre a Patrícia Pillar. No dia seguinte, é ela quem estará com você. O resto, some: só perseguem o poder. Não se intimide com essas pancadas. Elas são feitas para intimidá-lo – seguiu aconselhando Brizola. 

– Sei disso, governador. Foi uma grande trapaça que fizeram comigo. 

– Ciro, Ciro: se não há trapaça, não há política. A história da humanidade e a vida de cada um de nós é uma coleção de trapaças. O segredo é a forma como as superamos e quão vivo estaremos para contar a nossa versão. 

Seguiram-se digressões sobre o caráter de Anthony Garotinho, sobre o erro que Brizola admitia ter cometido ao se conservar distante de Miguel Arraes, ex-governador de Pernambuco deposto e perseguido pela ditadura militar, exilado entre 1964 e 1979.  

– Juntos, teríamos vencido o Fernando Collor em 1989 e o Lula e o PT teriam amadurecido melhor – disse ele. Ainda lamentou a forma como Ciro fora triturado no Jornal Nacional depois da declaração sobre Patrícia Pillar. 

– Até ali, a Globo tinha dúvidas sobre a viabilidade de apoiar Serra ou você. Naquele episódio, emboscaram-no na esquina e atiraram. Só tinham uma forma de fazer o serviço: bem feito. Destruíram você, para evitar riscos de uma volta por cima.  

Ciro Gomes encheu os olhos d’água e mudou de assunto. Servi três xícaras de café que Brizola tinha acabado de coar. Olhei o relógio redondo, azul, sobre o portal da copa. Faltavam cinco minutos para três horas. Chegara a nossa hora. Teríamos de fazer, ainda, um media training para o debate do dia seguinte.  

– Estarei sempre aqui. Tenha-me como um amigo – disse o ex-governador gaúcho e fluminense, tocando carinhosamente as costas de Ciro e conduzindo-o até a porta.”
Trecho do capítulo 2 (“Reencarnações”) do volume 3 de Trapaça - Saga Política no Universo Paralelo Brasileiro, que está no prelo e em produção pela Geração Editorial. Será lançado em março de 2022 e haverá pré-venda na Internet


BLOG DO BILL NOTICIAS

SAÚDE - Reforço de marca diferente é mais eficaz para vacinados com CoronaVac

 

Estudo avaliou concentração de anticorpos 28 dias após dose de reforço


                         Por Agência Brasil

Petrolina registra mais 184 novos casos; ocupação de UTI é de 65,8%

                         Via:Carlos Britto 

Ascom PMP/SMS divulgação

O boletim epidemiológico dessa sexta-feira (21) informa que Petrolina registrou, nas últimas 24 horas, 184 casos do novo coronavírus (Covid-19). Assim, o município está com 39.673 infectados. Desse total, 37.566 já estão recuperados, o que representa 94,7% de cura clínica. O município tem 1.487 casos ativos da doença.

Não há registro de óbitos, permanecendo as 620 mortes em decorrência da doença. Dos 120 leitos de UTI disponíveis para a Rede PEBA, 79 estão ocupados. Dessa forma, a taxa de ocupação está em 65,8%. Outras informações sobre a pandemia estão disponíveis no site.



BLOG DO BILL NOTICIAS

Pernambuco registra 3.358 novos casos de Covid-19 e sete mortes nas últimas 24h

                           Por Portal Folha de Pernambuco

Pernambuco registrou, nas últimas 24h, mais 3.358 casos de Covid-19. De acordo com o boletim da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) deste sábado (22), ainda foram notificadas sete mortes.

Do total de novos casos confirmados, 3.313, equivalente a 98,7%, são leves. Os demais 45 (1,3%) são casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag). 

Agora, Pernambuco totaliza  667.212 casos confirmados da doença, sendo 55.685 graves e 611.527 leves.

As mortes ocorreram entre os dias 19 de março de 2021 e a última quinta-feira (20). Com isso, o Estado totaliza 20.581 mortes pela Covid-19.

Os detalhes epidemiológicos serão repassados ao longo do dia pela SES-PE.


BLOG DO BILL NOTICIAS

FAMOSOS - Glória Maria é internada com Covid-19 e precisou usar dreno no pulmão

 

                              Por: Correio Braziliense/

Por: Pedro Grigori - Correio Braziliense
Foto: Reprodução/Instagram

A jornalista e apresentadora Glória Maria está internada com complicações causadas pela covid-19 desde a última quarta-feira (19/1). A informação é da colunista Fábia Oliveira. A apresentadora do Globo Repórter está em um hospital localizado em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Segundo a coluna, os médicos precisaram utilizar um dreno no pulmão da apresentadora. No momento, o quadro de saúde de Glória é estável. Ela recebeu as duas doses da vacina contra covid-19 no ano passado.
 
Luta contra o câncer

Glória Maria venceu recentemente uma grande batalha pela vida. Em novembro de 2019, após ter sofrido uma queda em casa, a jornalista descobriu um tumor no cérebro em estágio avançado. Ela precisou passar por uma cirurgia de emergência para remover o tumor, e durante a recuperação ainda foi diagnosticada com uma infecção pulmonar.

"Depois do tumor no cérebro, eu não vivo mais de sonhos. Eu vivo de realidade. Tenho muita coisa para realizar. Ganhei mais um 'prazo de validade'. E estou aproveitando de todas as maneiras. Eu tinha 30% de chance de sobreviver, e 20% de viver sem sequela", contou a jornalista em uma entrevista à Revista Garotas Estúpidas.

Após dois anos fora da TV para tratar da doença, Glória Maria voltou ao Globo Repórter em maio de 2021.


Aos 100 anos de Leonel Brizola, país ainda tenta resgatar a democracia e a legalidade

Socióloga e historiador falam da importância do legado do homem que liderou a Campanha da Legalidade pela posse de João Goulart em 1961

Exilado por 15 anos no Uruguai durante o período da ditadura, Brizola voltou ao Brasil em 1979 (Foto: Divulgação/PDT)

Por Eduardo Maretti, da Rede Brasil Atual - Neste sábado completam-se 100 anos do nascimento de Leonel de Moura Brizola, um dos mais importantes líderes da história da esquerda brasileira. Nascido no povoado de Cruzinha (RS), ele morreu no Rio de Janeiro, em 21 de junho de 2004. Foi deputado estadual (RS) e federal, prefeito de Porto Alegre, governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Não conseguiu chegar ao Palácio do Planalto, que disputou como candidato a presidente (em 1989 e 1994) e como vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva (em 1998).

Exilado por 15 anos no Uruguai durante o período da ditadura (1964-1985), voltou ao Brasil em 1979. Depois de perder a histórica legenda do PTB getulista para a deputada Ivete Vargas, sobrinha-neta de Getúlio Vargas, que “roubou” a sigla num golpe judicial, fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT), que hoje tem Ciro Gomes como pré-candidato à presidência.

Herdeiro do trabalhismo de Getúlio Vargas, Brizola liderou, em 1961, a histórica Campanha da Legalidade, mobilização civil e militar deflagrada para garantir a posse de João Goulart como presidente do país, após a renúncia de Jânio Quadros. Jango não era aceito por parcela importante das Forças Armadas.

Para comentar o centenário, a RBA ouviu a socióloga Maria Victoria Benevides e o historiador Chico Alencar, ex-deputado federal pelo Psol do Rio de Janeiro. Brizola é classificado como “o último getulista” pela socióloga da Universidade de São Paulo. Para o historiador, o legado talvez mais importante de Brizola “é a política com valores, a partir de princípios, de concepções, de afirmação, de convicções e da preocupação com a nossa gente”. 

Leia os depoimentos de Maria Victoria Benevides e Chico Alencar sobre os 100 anos de Leonel Brizola

“A força de Brizola pela educação pública” (Maria Victoria Benevides)

“Eu o considerava o último getulista. Mas o que mais me impressionava nele era o patriotismo, muito diferente de patriotadas, no sentido da defesa radical da soberania nacional, desde o governo estadual no Rio Grande do Sul. Dois tópicos importantes na biografia política de Brizola são a soberania nacional e o impulso que ele deu, no Rio Grande do Sul, no Rio de Janeiro, na sua vida parlamentar, à educação pública. Mesmo as pessoas que não gostam das posições políticas dele são obrigadas a reconhecer isso.

Ele sofreu uma oposição muito pesada, e acho que uma das maiores tristezas de Brizola foi perder a sigla PTB, que identificava o trabalhismo fortemente ao nacionalismo desenvolvimentista, que ele enfatizava. Nunca se conformou de perder o PTB para Ivete Vargas, que destruiu o PTB. E o PDT, até hoje, custa a identificar Brizola nas suas origens.

A história foi injusta com ele. Não se reconhece nele as características que eu aponto. Ele sofreu uma oposição muito grande também porque, em termos externos, foi ligado à Internacional Socialista, ao socialismo da social-democracia, não ao comunismo. É um erro grave identificar Brizola com o pensamento e doutrina comunista. Podia até fazer alianças eleitorais, não iria recusar apoio dos comunistas, mas era ligado à internacional socialista, que o apoiou no tempo do exílio.

Uma ligação política muito importante dele foi com Darcy Ribeiro. A força de Brizola pela educação pública deve muito a Darcy Ribeiro. Defendia, sempre defendeu, algo hoje considerado uma meta a se alcançar: o ensino integral na escola pública. Defendia também as escolas técnicas. Achava importante que os mais pobres chegassem ao ensino superior, mas muito importante também que o Brasil, a exemplo dos europeus, desse impulso às escolas técnicas, exigência para o desenvolvimento nacional.

Na época das ‘Diretas Já’, a presença de Brizola era muito importante. Ulysses, Brizola, Montoro e Tancredo, que estava longe de ser brizolista, mas achava que Brizola tinha que fazer parte daquela frente. E é importante dizer isso para lembrar a necessidade de uma frente antibolsonaro hoje. Uma frente ampla. Não a gente ficar só nós, e não sair da nossa bolha. Brizola faz muita falta.”

“O Brizola incandescente agitador popular” (Chico Alencar)

“Impossível, para mim, falar de Brizola sem misturar saudavelmente a memória de ordem pessoal com a memória política. Brizola e política formam uma identidade, uma unidade inquebrantável.

Jovem professor de história nas lutas pela redemocratização e lutas contra a ditadura, eu sabia de Brizola, das reformas de base, do Brizola governador do Rio Grande do Sul, deputado mais votado pela Guanabara, do Brizola dito radical, à esquerda de Jango. Do Brizola da reforma agrária “na lei ou na marra” (lema da época de João Goulart), do Brizola incandescente agitador popular, grande tribuno. E eis que, com a anistia, que não foi tão ampla como queríamos, nem tão geral como devia ser, acabou sendo irrestrita para perdoar torturadores, elogiados por Bolsonaro.

Mas, de alguma maneira a anistia nos traz de volta muitos companheiros. Estavam no exílio e Brizola falava com aquele sotaque inconfundível: “Estar no exílio, não é verdade, é como uma árvore com as raízes arrancadas de ponta cabeça. Fenece, com o tempo.”

Pois bem. Então encontrei Brizola, ao vivo, em cores e verve, na campanha de 1982 para o governo do estado do Rio. Ele tinha então 3% de intenção de voto. Disse uma vez, para espanto geral, na UFRJ: “sinto que vou vencer”. Houve um misto de aplauso e riso com aquela ousadia de apostas. Pois não é que deu Brizola na cabeça?! Uma beleza! Me lembro de um comício na minha Tijuca, na (Praça) Saens Peña, no finalzinho da campanha: Brizola, Darcy, Saturnino (Braga), que euforia, que bonito! E Brizola com suas falas longas, sempre magnetizando e atraindo a atenção.

Depois o Brizola governador, o programa Mãos à obra na escola, uma nova concepção de polícia… Tentativas difíceis – o governador promete, mas o sistema diz “não”.

As sinuosidades de Brizola, as dificuldades aqui e ali não tiram a grandeza histórica da sua figura, do seu partido trabalhista de verdade, cuja legenda, PTB, foi tomada por um golpe judicial e eleitoreiro. E o PTB hoje é de Roberto Jefferson. Uma vergonha.

Talvez o que Brizola tenha deixado de legado mais importante, não como um ser infalível – ninguém é  –, com suas contradições, que todos temos, é a política com valores, a partir de princípios, de concepções e afirmação, de convicções e da preocupação com a nossa gente.

O Niemeyer na arquitetura com seu traço ousado, futurista, sempre pensando no povo, na amplitude; Darcy com sua verve antropológica, preocupado com os brasileiros afundados na “ninguendade”, como ele dizia, lembrando que somos um povo feito de povos desfeitos. Isso tudo é somatório de uma ambiência, de uma cultura, que nos deu como liderança política essa figura ímpar de Leonel Brizola. Cem anos de nascimento! Perenidade na vida política do Brasil.”


BLOG DO BILL NOTICIAS

Sim, o presidente Lula merece um quarto mandato e tem o apoio do Brasil 247

A reconstrução foi o primeiro passo. O próximo é transformar o país, com melhores empregos, mais igualdade, mais tecnologia e mais soberania...