segunda-feira, 19 de julho de 2021

Agência Brasil explica as vacinas contra covid-19 usadas no Brasil

 

Especialistas garantem que todos os imunizantes são eficazes

Reuters/Siphiwe Sibeko

Seis meses depois da primeira dose de vacina contra covid-19 aplicada no país, em 17 de janeiro, os benefícios da vacinação no combate à pandemia são claros em hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS), e, pela primeira vez desde dezembro de 2020, nenhum estado brasileiro está com mais de 90% dos leitos de unidade de terapia intensiva ocupados. A proteção conferida pelas vacinas já tinha sido observada quando o percentual de idosos em relação ao total de internados caiu após a vacinação dessa faixa etária, e o cenário atual confirma novamente que as vacinas produzem níveis elevados de proteção contra casos graves da doença, que já matou mais de 500 mil pessoas no país.

Os mais de 82 milhões de brasileiros que receberam ao menos uma dose tiveram seus sistemas imunológicos estimulados por três diferentes tecnologias - duas delas inéditas em campanhas de vacinação no país e no mundo até a pandemia. A Agência Brasil explica as diferenças entre CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen, e por que todas são consideradas seguras e eficazes para se proteger da covid-19.

Todas protegem contra casos graves

Apesar dos mal compreendidos percentuais de eficácia de cada uma dessas vacinas, a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Mônica Levi, explica que as quatro foram submetidas a rigorosos protocolos de testagem, com resultados checados por agências reguladoras de credibilidade reconhecida, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O processo de desenvolvimento de uma vacina inclui testes em laboratório e três etapas de testes em humanos, envolvendo milhares de voluntários, e os resultados são analisados pela comunidade científica e por órgãos reguladores de diferentes países.

Diante disso, a médica ressalta que recusar uma vacina específica ou atrasar a aplicação para esperar outra vacina são decisões que não fazem sentido e ameaçam a saúde individual e coletiva.

“Qualquer um de nós pode ter uma forma grave e pode ir a óbito. Não dá para negar uma vacina que vai te proteger principalmente desses desfechos. Todas as vacinas utilizadas no país estão mostrando efetividade para formas graves e para mortes, o que, nesse momento, é o que a gente mais se preocupa. Esse é o objetivo principal, e todas estão cumprindo o seu papel”, afirma a diretora da SBIm. “A escolha de recusar e adoecer não é só sua. Você vai fazer outros adoecerem também.”

Vacina eficaz

Mônica Levi desmistifica a taxa de eficácia da CoronaVac, cuja interpretação errada tem levado pessoas a preferirem outras vacinas e até a recusarem a vacinação. Segundo estudos de fase 3 realizados pelo Butantan, a vacina tem eficácia de 50,38% contra infecções do SARS-CoV-2. O percentual pode parecer baixo frente a imunizantes que tiveram mais de 90% de eficácia na fase três, mas os mesmos estudos conduzidos pelo instituto paulista também mostraram que a vacina protegeu 100% dos voluntários contra casos graves e teve uma eficácia de 78% contra casos leves de covid-19. A proteção da vacina "no mundo real", chamada de efetividade, foi confirmada pelo estudo realizado em Serrana, em que a aplicação em massa da CoronaVac fez os casos sintomáticos de covid-19 caírem 80%, as internações, 86%, e as mortes, 95%.

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A diretora da SBIm explica que o percentual que resulta dos estudos clínicos de fase 3 não pode ser usado para classificar as vacinas, porque o número também sofre impacto do desenho desses estudos, como os critérios para a testagem dos voluntários e o perfil da população analisada. Como os testes clínicos da vacina no Brasil tiveram como principal público os profissionais de saúde da linha de frente na pandemia, ela explica que é natural que o percentual de eficácia calculado tenha sido menor que o de outros imunizantes, já que seus voluntários estavam mais expostos.

Caixas com vacinas experimentais contra Covid-19 da Sinovac em Pequim. coronavac
Caixas com vacinas experimentais contra Covid-19 da Sinovac em Pequim. coronavac - REUTERS/Thomas Peter/Direitos Reservados

“Se você pega um grupo de 100 pessoas que todos os dias estão em contato com a covid-19, e um grupo de 100 pessoas que estão mantendo distanciamento em casa, obviamente o grupo que está mais exposto vai ter índices maiores de infecção, independentemente de que vacina for”, afirma a pesquisadora, que exemplifica que testes em diferentes países chegaram a percentuais diferentes para as mesma vacinas porque, além disso, há diferenças de contexto epidemiológico, faixas etárias pesquisadas e comportamento da população estudada.

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“É um erro comparar [taxas de eficácia]. Os desenhos dos estudos, as populações estudadas e os riscos de infecção eram muito diferentes. Se você colocasse a Pfizer, a AstraZeneca e a Janssen com a mesma população em que foi estudada a CoronaVac aqui no Brasil, os resultados delas não seriam os mesmos [que os publicados após a fase 3]”, pondera ela, que esclarece que esses percentuais são, sim, importantes, porque são necessários para a avaliação dos órgãos regulatórios, que exigem um mínimo de 50% de eficácia. Apesar disso, o mais importante é a efetividade da vacina no mundo real, verificada na vacinação em massa e em experimentos como o da CoronaVac em Serrana e da AstraZeneca em Botucatu e Paquetá.

Além da efetividade contra casos graves, outra semelhança entre as vacinas usadas no país e no mundo de modo geral é o alvo dos imunizantes: a proteína S, que forma os espinhos usados pelo coronavírus na hora de se ligar às células humanas. Ainda que com mecanismos diferentes, Pfizer, Janssen e Oxford/AstraZeneca estimulam nossas células a conhecerem essa proteína e a se prepararem para neutralizá-la, enquanto a CoronaVac apresenta ao nosso organismo todo o vírus, já inativado por reações químicas, fazendo com que nossas defesas reconheçam a proteína S e outras estruturas.

Infográfico mostra os diferentes tipos de vacinas oferecidas no Brasil.
Infográfico mostra os diferentes tipos de vacinas oferecidas no Brasil. - Arte - Agência Brasil


CoronaVac

A primeira vacina contra o SARS-CoV-2 aplicada no Brasil fora dos testes clínicos foi a CoronaVac. A vacina foi desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, que foi parceiro do Instituto Butantan nos testes e na produção da vacina.

Como foi a primeira a ser entregue em grande quantidade, somando mais de 36 milhões das 44 milhões (82%) de doses recebidas pelo Ministério da Saúde até o fim de março, a vacina do Butantan atendeu aos primeiros da fila das prioridades e protegeu grupos de maior risco no segundo pico da pandemia, quando a média móvel de mortes superou 3 mil vítimas diárias.

“Salvou muitas vidas, e a gente viu baixar a idade média das internações em UTIs e mortes para os 40 e 50 anos, porque um percentual muito grande dos idosos já estavam vacinados”, lembra Mônica Levi.

Desde então, mais de 44 milhões de doses da CoronaVac foram aplicadas no país, o que equivale a cerca de 40% de todas as aplicações realizadas. O Ministério da Saúde continua a receber e a distribuir a vacina, já que contratou 100 milhões de doses junto ao Instituto Butantan.

O imunizante é o único dos utilizados até o momento no país que se baseia em uma tecnologia que já era usada no Programa Nacional de Imunizações. Trata-se de uma vacina de vírus inativado, que contém o microorganismo "morto", para que nossas defesas consigam conhecê-lo e se preparar para uma infecção. 

A CoronaVac requer duas doses, que devem ser aplicadas em um intervalo de duas a quatro semanas, segundo a bula, que foi aprovada com autorização de uso emergencial pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

AstraZeneca
AstraZeneca - REUTERS/Henry Nicholls/Direitos Reservados


Oxford/AstraZeneca

Ainda em janeiro, o Brasil também aplicou a primeira dose da vacina Oxford/AstraZeneca contra covid-19. As primeiras doses usadas no país vieram do Instituto Serum, na Índia, mas, a partir de março, chegaram aos postos de vacinação as doses produzidas no Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz). 

Também chamada de vacina de Oxford, Covishield e vacina covid-19 (recombinante), a Oxford/AstraZeneca foi uma das primeiras vacinas de vetor viral a serem usadas em campanhas de vacinação no mundo, junto da Janssen e da Sputnik V. O nome vetor viral significa que outro vírus é usado para transportar as informações genéticas do SARS-CoV-2, que farão nossas defesas reagirem. No caso dessa vacina, o vetor usado é um adenovírus de chimpanzé que não é capaz de se replicar e foi modificado em laboratório.

Com mais de 52 milhões de doses aplicadas, a Oxford/AstraZeneca era a vacina mais usada no país, segundo dados consultados em 15 de julho no vacinômetro do LocalizaSUS. Isso equivale a 46% das doses aplicadas. O Brasil contratou 100,4 milhões de doses dessa vacina por meio de um acordo de encomenda tecnológica assinado no ano passado com a farmacêutica europeia, montante que deve terminar de ser produzido em Bio-Manguinhos em agosto, a partir de ingrediente farmacêutico ativo (IFA) importado do laboratório chinês WuXi Biologics.

Segundo a Fiocruz, o país acrescentou à encomenda mais 70 milhões de doses que devem ser produzidas ainda este ano com mais lotes de IFA importado. Além disso, cerca de 50 milhões de doses dessa vacina devem ser inteiramente fabricadas no país até o fim de 2021. Por fim, mais 14 milhões de doses dessa vacina devem chegar ao Brasil por meio do consórcio internacional Covax Facility, ao qual o governo encomendou vacinas para cerca de 10% da população. Desse modo, a vacina de Oxford responde por mais de um terço das  mais de 660 milhões de doses previstas pelo Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19 para 2021.

A Oxford/AstraZeneca também foi testada em voluntários brasileiros no ano passado e recebeu registro definitivo da Anvisa neste ano. O esquema vacinal proposto prevê duas doses, aplicadas com intervalos de quatro a 12 semanas. Entre janeiro e junho, a vacina foi administrada com 12 semanas de intervalo, mas, a partir de julho, alguns estados e municípios decidiram encurtar esse período para oito semanas, diante da chegada da variante Delta do SARS-CoV-2 ao Brasil.

FILE PHOTO: Vials of the Pfizer-BioNTech vaccine against COVID-19
Frascos da vacina ComiRNAty, da Pfizer/BioNTech, que usam a tecnologia de RNA mensageiro - Reuters/Denis Balibouse/ Direitos Reservados


Pfizer/BioNTech

A terceira vacina contra covid-19 aplicada nos brasileiros foi a da Pfizer/Biontech, que começou a ser usada no país em maio, mas também foi testada em brasileiros no ano passado. A plataforma tecnológica por trás dessa vacina é considerada inovadora, já que as doses contêm apenas partículas de RNA mensageiro do coronavírus produzidas sinteticamente. Esse ácido nucleico sintético leva informações que permitem que nossas células repliquem a proteína S e a reconheçam para preparar as defesas do organismo.

O governo brasileiro contratou junto à Pfizer a importação de 200 milhões de doses, sendo 100 milhões até setembro e mais 100 milhões no último trimestre do ano. Além disso, 842 mil doses chegaram ao Brasil via Covax Facility.  Até 15 de julho, 11 milhões de doses dessa vacina haviam sido aplicadas, o que corresponde a cerca de 10% do total de vacinas contra covid-19 administradas no país.

A vacina da Pfizer também requer a aplicação de duas doses, cujo intervalo sugerido pelo fabricante é de 21 dias. Apesar disso, países como o Brasil, o Reino Unido e o Canadá decidiram estender esse prazo, com base em pesquisas que apontam que a vacina já produz imunidade na primeira dose. Mesmo assim, a segunda dose continua a ser necessária para que a vacina atinja a proteção ideal, e, no caso do Brasil, o prazo para recebê-la é 12 semanas depois da primeira.

A shipment of the Johnson and Johnson Janssen Covid-19 vaccine arrived at the Oakland County Health Division North Oakland
Lote de vacinas da Janssen, o único imunizante disponível no Brasil que tem recomendação de dose única - Reuters/Eric Seals/Direitos reservados

Janssen

Assim como a Oxford/AstraZeneca, a vacina da Janssen foi testada no Brasil e em outros países e apresenta a tecnologia de vetor viral, com base em um adenovírus de humanos, em vez do vírus de chimpanzés. A principal diferença dessa vacina em relação às demais é o seu esquema vacinal, que prevê uma dose única, em vez de duas doses. Além disso, a Janssen não é produzida no Brasil e chega ao país já pronta para aplicação.

O imunizante começou a ser usado no PNI em junho, sob autorização de uso emergencial concedida pela Anvisa.

Mais de 3,6 milhões de doses foram aplicadas até 15 de julho, segundo o LocalizaSUS, o que faz da vacina a menos usada no país até agora, respondendo por 3% das doses aplicadas. O Brasil recebeu no mês passado de 3 milhões de doses que foram doadas pelo governo dos Estados Unidos, e, até o fim do ano, devem chegar 38 milhões de doses compradas pelo governo brasileiro. (Por Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro).

Edição: Pedro Ivo de Oliveira


BLOG DO BILL NOTICIAS

Bolsonaro defende voto impresso e diz que 'só Deus' o tira da presidência

         Por: Correio Braziliense/Por: Hellen Leite


Ao deixar o hospital na manhã deste domingo (18), o presidente Jair Bolsonaro defendeu o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, criticou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disse que só uma intervenção divina pode o tirar da presidência da República. As declarações foram dadas na saída do Hospital Vila Nova Star, onde o presidente estava internado havia quatro dias para o tratamento de uma obstrução intestinal.

"Querem derrubar o governo? Já disse: só Deus me tira daquela cadeira. Será que não entenderam que só Deus me tira daquela cadeira? Se aparecer corrupção em meu governo, serei o primeiro a buscar maneiras de apurar e deixar na mão da Justiça para que esse possível responsável seja punido", disparou.

Embora tenha dito respeitar a Constituição Federal, o mandatário voltou a defender o voto impresso na eleição de 2022 e garantiu que um homem, ainda isolado por causa da covid-19, fará suposta "apresentação" capaz de provar fraudes nas urnas eletrônicas.

Segundo Bolsonaro, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso, faz "ativismo eleitoral" contra o voto impresso. O presidente pleiteia que os eleitores possam ver, em um papel, comprovante das escolhas feitas na urna.

"Queremos transparência nas eleições. Não existem eleições sem transparência. Isso é fraude. Não queremos isso", falou.

"Brasília é paraíso de picaretas"
O presidente ainda minimizou as denúncias de irregularidades envolvendo negociações para a compra de vacinas contra a covid-19 e defendeu o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Segundo ele, Brasília é o paraíso de "lobistas e picaretas".

"Brasília é o paraíso dos lobistas, de picaretas. Todos pressionavam por vacinas. Muitas pessoas foram recebidas no ministério. O próprio traje do Pazuello, ele está sem paletó. Aquele pessoal se reuniu com diretor responsável por possível compra lá no ministério e na saída conversou. Agora, se fosse algo secreto, algo superfaturado, ele estaria dando entrevista ou estaria escondido no porão do ministério?", disse Bolsonaro.

"Agora, acredita quem quiser. O nosso governo não gastou um centavo com picareta. Parabéns ao Pazuello", disse Bolsonaro, também parabenizando o coronel Elcio Franco, que ocupou o cargo de secretário-executivo da pasta. E acrescentou: "Se eu tivesse na Saúde teria apertado a mão daqueles 'cara tudo'. O receber, ele não tava sentado na mesa. E se fosse propina não daria entrevista", comentou.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Pazuello negociou a compra da Coronavac com uma intermediária pelo triplo do preço oferecido pelo Instituto Butantan.

Alta do hospital
Bolsonaro recebeu alta médica neste domingo (18/7) após quatro dias internado em São Paulo. O chefe do Executivo foi transferido do Hospital das Forças Armadas (HFA), em Brasília, para o Hospital Vila Nova Star, na Zona Sul da capital paulista, na quarta-feira (14) para tratar uma obstrução intestinal.

De acordo com o boletim médico divulgado neste domingo, Bolsonaro continuará recebendo acompanhamento ambulatorial em casa.

"O Senhor Presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, teve alta hoje do Hospital Vila Nova Star, da Rede D’Or. Ele estava internado desde a quarta-feira, 14 de julho, para tratar um quadro de suboclusão intestinal. Ele seguirá com acompanhamento ambulatorial pela equipe médica assistente", diz a nota.


CPI da Covid investiga suspeita de mensalão de propinas no Ministério da Saúde, envolvendo líder do governo

 

Ricardo Barros (Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados)

A denúncia de pagamentos irregulares mensais de até R$ 296 mil a políticos e servidores ligados ao Ministério da Saúde será o foco de uma nova linha de investigação da CPI da Covid.

O suposto mensalão da propina, denunciado por uma ex-servidora da pasta, foi discutido em uma reunião de senadores independentes e da oposição feita em 6 de julho,  na casa de Omar Aziz (PSD-AM), presidente da comissão.

Um dos beneficiados seria o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), ex-ministro e atual líder do governo na Câmara. 

De acordo com a denúncia, o suposto esquema de repasses de valores começou em 2018, durante a gestão de Barros no Ministério da Saúde, informaram ao UOL senadores da comissão. (247).


sábado, 17 de julho de 2021

Manifestação reúne 100 mil em defesa do governo cubano contra o golpe (fotos)

 

(Foto: Reprodução)

Cerca de 100 mil pessoas, segundo o governo de Cuba, participam, desde as primeiras horas deste sábado (17/07), de uma manifestação no Malecón de Havana em defesa da Revolução Cubana. Entre os presentes, estão o presidente Miguel Díaz-Canel e o ex-mandatário Raúl Castro.

Os primeiros participantes começaram a chegar à região por volta das 5h30 locais (6h30 em Brasília), e o ato começou às 7h (8h em Brasília). Segundo o Cubadebate, atos similares acontecem em diversas outras cidades do país.

Díaz-Canel discursou no início do evento e afirmou que a reunião não acontecia ali “por capricho”. Ele pediu o fim do que chamou de “mentiras, infâmias e ódio”. 

“Cuba é profundamente alérgica ao ódio, e nunca será terra de ódio. Não se constrói nada bom a partir do ódio. Experimentamos [o ódio] nestes dias nas redes sociais, que acompanharam esta campanha [de desestabilização] permanente”, disse.

“Uma mãe me contava ontem que sua filha adolescente perguntou se isso era Cuba, ao ver com lágrimas nos olhos as imagens dos atos de violência que alguns de seus amigos compartilharam no Facebook. Os donos destas redes, os donos de seus algoritmos, abriram caminho para o ódio sem o mínimo controle ético das portas de suas poderosas plataformas”, prosseguiu Díaz-Canel.

O presidente cubano voltou a acusar grupos dos EUA de envolvimento, nesta semana, nos episódios que considera serem de desestabilização.

“Aconteceu uma ‘infoxicação’ midiática financiada a partir da Flórida, nos EUA. Seu objetivo era incentivar distúrbios e instabilidade no país, aproveitando a crise da pandemia, o bloqueio recrudescido e as mais de 240 medidas impostas por Trump contra Cuba”, afirmou.

Gerardo Hernández, que fazia parte do grupo que ficou conhecido como Cinco Cubanos (agentes da inteligência da ilha que foram presos nos EUA no final dos anos 90 sob a acusação de conspiração para homicídio, mas que, segundo Havana, estavam em Miami para investigar organizações terroristas), também discursou no evento e falou em “orgulho nacional”. (Opera Mundi).

 

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Volta às aulas presenciais em todo o país é urgente, diz presidente do Conselho Nacional de Educação

Essa é a orientação do Conselho Nacional de Educação (CNE)

Maria Helena Guimarães  - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A volta às aulas presenciais em todo o país é ação prioritária, urgente e imediata. Essa é a orientação do Conselho Nacional de Educação (CNE) que consta da resolução recém-aprovada para regulamentar o ensino nas escolas brasileiras no contexto da pandemia.

O documento, que seguirá para homologação do ministro da Educação, faz uma análise do que considera "a maior crise educacional já enfrentada pelo Brasil", listando prejuízos impostos à educação em decorrência do prolongado fechamento das escolas, como retrocessos de aprendizado, problemas socioemocionais dentre estudantes e professores, explosão da evasão escolar e aprofundamento da desigualdade.

Relatora da resolução e presidente do conselho, a socióloga Maria Helena Guimarães de Castro, 74, alerta para o risco de que essa "situação de extrema gravidade" se traduza em "perdas socioeconômicas gigantescas para uma geração inteira de crianças e jovens brasileiros" e, consequentemente, para o país.

Ao jornal Folha de S.Paulo ela fala das novas regras e defende enfaticamente a presença dos alunos nas escolas não só para o aprendizado do conteúdo, mas também para a sociabilização e para o contato com a diversidade e o pluralismo de ideias. Mesmo no caso do ensino híbrido fora do contexto da pandemia, que deve ser regulamentado pelo conselho até o final deste ano, as atividades com mediação da tecnologia podem acontecer nas escolas, ressalta.

Maria Helena é, portanto, contrária à aprovação do ensino domiciliar, que está em discussão no Congresso Nacional e conta com o apoio do governo Bolsonaro. "Não consigo imaginar um aprendizado efetivo sem o ambiente da escola."

Pergunta - A sra. foi firme ao apontar que é ilegal o ensino 100% online na educação básica fora do contexto da pandemia quando a Avenues anunciou que lançará uma escola remota para alunos a partir do 4º ano do ensino fundamental. Até quando as escolas terão respaldo legal para seguir com aulas à distância?
Maria Helena Guimarães de Castro - A Lei de Diretrizes e Bases da Educação [LDB] prevê que a educação fundamental deve ser obrigatoriamente presencial durante 200 dias letivos. Na pandemia, temos uma excepcionalidade que, no caso de 2020, foi regulamentada pela lei 14.040 e por uma resolução do Conselho Nacional de Educação, prevendo que as aulas pudessem ser remotas. Em 2021, o conselho terá a nova resolução para regulamentar a educação no período de contágio, permitindo atividades remotas complementando as presenciais, quando elas forem possíveis. Mas sempre considerando essa situação como excepcional.

A resolução indica como prioridade absoluta a volta às aulas presenciais, com o cumprimento dos protocolos e vacinação prioritária dos profissionais da educação. Também amplia a flexibilização dos currículos. Já havíamos definido o contínuo curricular 2020/2021. Isso significa que, em 2021, as escolas deveriam estar repondo os objetivos de aprendizagem de 2020 não oferecidos em decorrência da pandemia. Mas, com o fato de a maioria das escolas estar abrindo só no segundo semestre, criou-se a possibilidade de se entender até o final de 2022.

Isso não significa atividade remota. Significa que as escolas vão retornar às aulas presenciais, algumas ainda mantendo atividades não presenciais complementares, com a possiblidade de flexibilizar o currículo. Também orientamos a realização de avaliações diagnósticas presenciais, com recuperação que pode ser remota ou em conjunto com presencial.

O conselho tem defendido enfaticamente o retorno às aulas presenciais, ressaltando o aumento da desigualdade gerado pelo ensino remoto.
MHGC - Sabemos que nosso sistema de ensino é muito desigual, a maioria das escolas não está tendo atividade online por falta de estrutura e dificuldade de acesso de professores e alunos; 85% da educação básica brasileira é pública. Pesquisas apontam que as desigualdades aumentaram e muito [com o fechamento das escolas]. É preciso utilizar recursos do Fust [Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações] para ampliar o acesso à internet. Tem de haver uma política nacional, o que não temos, e uma articulação dos três níveis de governo, federal, estadual e municipal.

Imagine como estarão os alunos que vão fazer o Enem. No ensino médio, 87% são de escola pública. A maioria não teve acesso à conectividade. Alunos de escolas particulares terão condições muito melhores. A maior parte das vagas do ensino superior público acabará preenchida por alunos de escolas privadas. Isso já fazia parte da nossa realidade e agora piorou.

Nesse sentido, na hipótese de uma escola particular obter autorização para o ensino 100% online fora da pandemia, corre-se o risco de se aprofundar a desigualdade no país, uma vez que governos estaduais e municipais poderiam optar por oferecer ensino remoto?
MHGC - O primeiro ponto: não há a menor possiblidade de se autorizar [ensino 100% online]. A LDB [Lei de Diretrizes e Bases da Educação] estabelece que a educação básica é presencial. E é assim no mundo inteiro. O segundo ponto é que o ensino remoto ampliou a desigualdade em todos os lugares, inclusive em países ricos. Vários estudos recentes, como os de Stanford e Harvard [duas das melhores universidades norte-americanas], mostram que as escolas, mesmo nos EUA, tiveram uma dificuldade enorme em se adaptar às atividades remotas.

E não é somente uma questão de conectividade, o ensino remoto tem limitações. Na Holanda e na Bélgica, por exemplo, países com alto desempenho no Pisa [Programa Internacional de Avaliação de Estudantes], há pesquisas mostrando que, quando as escolas ficaram fechadas no ano passado, por dois meses, as crianças do ensino primário não aprenderam nada. Se não aprenderam nada lá, imagine no Brasil.

Há ainda estados e municípios que não retomaram as aulas presenciais. Pode-se pensar em um prazo limite?
MHGC - O Conselho Nacional de Educação é absolutamente a favor do retorno às aulas presenciais, mas não pode determinar um prazo porque estados e municípios têm autonomia. Muitos estão voltando. São Paulo, que já retornou gradualmente e tem a maior rede pública do país, vai voltar 100% presencial no segundo semestre. Outros estados, como Minas e Paraná, começaram a voltar.

Isso não significa que atividades online complementares deixarão de existir. Elas poderão ter um papel importante na recuperação. Na volta às aulas presenciais, os alunos poderão, por exemplo, ter atividades no contraturno com tecnologia. Isso não quer dizer que estarão fora da escola. Podem estar nos laboratórios. A aprendizagem híbrida, com atividades presenciais e com a mediação tecnológica, veio para ficar.

O conselho irá regulamentar o ensino híbrido fora do contexto da pandemia. Discute-se a flexibilização da carga horária presencial?
MHGC - O conselho não tem legitimidade para isso. Teria que haver uma discussão no Congresso Nacional. Eu, particularmente, sou contra qualquer mudança nessa direção. A educação híbrida, contudo, não depende só do número de dias presenciais. Pode, inclusive, ampliar a carga horária, compondo o tempo com atividades online ou offline. A BNCC [Base Nacional Comum Curricular; que estabelece diretrizes para a renovação pedagógica no país] prevê a ampliação da carga horária, e isso pode ser facilitado pelo ensino híbrido.

A partir de 2022, haverá o novo ensino médio, e as escolas terão que implementar no mínimo mil horas anuais, e não 800 horas com atualmente, sendo que 25% podem ser não presenciais. Pode-se ampliar a carga horária com o apoio da tecnologia, com o aluno eventualmente em casa, mas também no ambiente escolar.

Mais uma vez, a sra. reforça o papel do ambiente escolar e já deixou claro ser contrária ao ensino domiciliar, que tem apoio do governo Bolsonaro.
MHGC - A escola é um espaço de sociabilidade da criança e do adolescente, onde interagem com amigos, professores, conhecem pessoas diferentes, têm acesso ao pluralismo de ideias, à diversidade. Não consigo imaginar um aprendizado efetivo sem o ambiente da escola. O ensino domiciliar existe em mais de 80 países, e pouquíssimas famílias optam por isso. Os pais querem seus filhos na escola, com educação de qualidade.

RAIO-X Maria Helena Guimarães de Castro, 74
É presidente do Conselho Nacional de Educação. Possui graduação em ciências sociais e mestrado em ciência política pela Unicamp. Fez especialização em Avaliação de Políticas Públicas na Universidade de Grenoble, na França. Já atuou como secretária-executiva do Ministério de Educação (2016-2018), presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) no governo Fernando Henrique Cardoso e como secretária de Educação de São Paulo (2007-2009). É embaixadora do Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes) para escolas no Brasil. (Por Hugo Viana).


Socialistas já não descartam costura com FBC para 2022

                 
Foto: Folha/PEGovernador Paulo Câmara recebeu Miguel Coelho após ligação de FBC

Foi o próprio senador Fernando Bezerra Coelho quem telefonou para o governador Paulo Câmara e agendou visita de Miguel Coelho ao Palácio das Princesas. Em duas semanas, o prefeito de Petrolina foi à mesa com o chefe do Executivo estadual em duas ocasiões diferentes, tratar de temas também diversos. Esses encontros seriam naturais, dizem os próprios socialistas, não fosse o fato de os Coelho serem apontados, no partido, como os maiores adversários do PSB no Estado. Apesar disso, socialistas e Miguel andam com discurso alinhado em um sentido: ambos definem as pautas comuns como estritamente administrativas. O detalhe é que, na prática, não há em curso uma construção política, mas uma fonte governista que acompanha as movimentações palacianas, em reserva, à coluna, adverte: "Não há ainda!". Na esteira, essa mesma fonte admite que a possibilidade de uma recomposição do grupo dos Coelho, liderado por FBC, com a Frente Popular é tema que se "comenta muito". E emenda: "Isso está descartado? Acho que não, até porque matava a eleição".

Em outras palavras, se os Coelho, tidos como maiores opositores, dessem um passo maior na direção de uma recomposição, visando a 2022, a Oposição amargaria esse desfalque e o jogo para o PSB poderia se tornar menos duro. A referida conta leva em consideração a possibilidade de Fernando concorrer à reeleição para o Senado, eventualmente, em chapa encabeçada pelo PSB. A tese também ganha algum eco na direção nacional do MDB, onde se avalia que, em reduto lulista, no Nordeste, armar um palanque bolsonarista pode se configurar em projeto arriscado, a despeito de Miguel Coelho ter apresentado disposição para isso. Ter FBC numa vaga do Senado na chapa seria ainda uma variável para garantir a permanência do MDB na Frente popular. Em paralelo, o partido trataria da chapa proporcional para reconduzir o deputado federal Raul Henry à Câmara Federal. O cálculo, então, não é descartado nem no PSB, nem no MDB. Há bolsa de apostas dando conta de que o presidente nacional do MDB, Baleia Rossi, não faria objeção.

Um pé e meio
Nos corredores da Assembleia Legislativa de Pernambuco, o que se diz é que o presidente da Casa, Eriberto Medeiros, está "com um pé e meio fora do PP". No PSB, há quem admita que está "se conversando" sobre iminente travessia do mandatário para as hostes socialistas.

Malas prontas > Parlamentares atentos anotam que três deputados não estiveram na convenção do PP essa semana: Fabíola Cabral, Fabrizio Ferraz e o próprio Eriberto Medeiros. As ausências, dizem, denotam as malas prontas para o PSB.

Vice > Com a divisão do MDB no foco, há uma corrente minoritária na Frente Popular que defende o nome do deputado federal Raul Henry para vice em 2022. "É minoritário, mas há quem comente, seria uma forma de segurar o MDB, resolveria o problema de Raul. Ele seria o novo Luciano Siqueira", diz uma liderança da Frente Popular em reserva à coluna.

Guru >  Entrevistado das páginas amarelas de Veja, o governador do Piauí, Wellington Dias, fala sobre as eleições presidenciais de 2022. Há quase dois anos, o petista vem mantendo encontros semanais, em Teresina, para aconselhamento político com o estrategista pernambucano Paulo Moura.

Celulares >  Por unanimidade, a Câmara de Vereadores do Recife decidiu acatar a recomendação do Ministério Público de Contas (MPCO) e suspendeu o edital para aquisição de aparelhos de celular e contratação de serviços de telefonia. (Por Renata Bezerra de Melo).

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Gleisi afirma que CPI já reúne provas que sustentam o impeachment de Bolsonaro

 

Gleisi Hoffmann, Bolsonaro e vacina Covaxin (Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados | Reuters/Adriano Machado | Reprodução)

Em entrevista ao grupo Prerrogativas, neste sábado (17), transmitido pela TV 247, a presidente nacional do PT e deputada Gleisi Hoffmann, defendeu uma alteração na Constituição sobre a análise de pedidos de impeachment e reforçou que a CPI da Covid já reúne um conjunto de provas que responsabilizam o governo Bolsonaro e sustentam o afastamento

A presidente nacional do PT reforçou que o processo para afastar Bolsonaro foi fortalecido pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Covid no Senado e que as acusações de corrupção que vieram à tona com a CPI precisam ser investigadas, mas já há provas de que o governo não foi apenas omisso na pandemia. As ações tinham objetivos corruptos.

“É crime mesmo, era o objetivo de ter esse resultado, não pode ser outra coisa. Sabiam o que estava acontecendo e mesmo assim as medidas não eram tomadas“. Para Gleisi, as ações do governo federal em relação à pandemia levaram o Brasil ao “caos de 500 mil mortes” e à situação econômica atual. “Hoje estamos vivendo uma tragédia“, afirmou citando a fome no país.

Segundo Gleisi, é preciso um mecanismo que obrigue o presidente da Câmara dos Deputados a pautar o afastamento do presidente quando há “objetivamente os crimes descritos, fundamentados, públicos“.

“Hoje, no Congresso Nacional, a base do Bolsonaro tem um tratamento por parte do governo muito VIP, com recursos do Orçamento sem limites, cargos no governo. Então temos que ter um mecanismo para que o país não fique refém, como está ficando de um governo que destrói o país", afirmou a deputada.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), já afirmou que não irá analisar pedidos de impeachment. Para Gleisi, Lira “chega ao nível da irresponsabilidade” ao continuar “do lado de Bolsonaro“.

Gleisi afirma que o superpedido de impeachment mostrou “que há um movimento grande, que vem se formando na sociedade brasileira, para enfrentar essa descontração que Bolsonaro traz para o Brasil“. (247).

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