Governadora chegou ao dia da eleição em empate técnico com João Campos nas principais pesquisas e conquistou novo mandato no primeiro turno
A governadora Raquel Lyra (PSD) foi reeleita para comandar Pernambuco por mais quatro anos neste domingo (4), após uma das disputas mais acirradas da eleição estadual. Com quase 90% das seções apuradas, Raquel tinha 53,04% dos votos válidos, contra 44,93% do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB).
Em números absolutos, naquele estágio da apuração, a candidata do PSD somava 2.419.446 votos, enquanto João contabilizava 2.049.536 votos. Em terceiro lugar, Ivan Moraes (PSOL) alcançou 1,58% dos votos.
A vitória garante a Raquel um segundo mandato à frente do Palácio do Campo das Princesas e encerra uma campanha marcada pela polarização entre a governadora e João Campos, que concentraram a ampla maioria das intenções de voto ao longo da disputa.
Primeira mulher eleita governadora de Pernambuco, em 2022, Raquel chegou à eleição deste domingo após quatro anos de gestão e uma campanha baseada principalmente na defesa das entregas do governo e na promessa de continuidade de projetos nas áreas de infraestrutura, abastecimento de água, educação, segurança e saúde.
Do outro lado, João deixou a Prefeitura do Recife para disputar o governo estadual e tentou reconduzir o PSB ao comando de Pernambuco, dois anos depois de completar duas décadas consecutivas de governos socialistas no estado, entre 2007 e 2022.
Disputa chegou aberta ao domingo
Apesar da vantagem registrada durante a apuração, Raquel e João chegaram ao dia da votação separados por apenas um ponto percentual na última pesquisa Datafolha.
O levantamento divulgado na véspera da eleição apontava Raquel com 49% dos votos válidos, ante 48% de João. Ivan Moraes (PSOL) e Renan Hallais (Missão) tinham 1% cada. Com margem de erro de dois pontos percentuais, o cenário era considerado de empate técnico.
A Quaest também indicava uma corrida apertada, embora com uma distância maior entre os dois principais candidatos. Na pesquisa divulgada na sexta-feira (3), Raquel aparecia com 52% dos votos válidos, enquanto João tinha 47%.
O equilíbrio não surgiu apenas nos últimos dias. Em setembro, diferentes levantamentos já apontavam uma disputa voto a voto. Pesquisa RealTime Big Data divulgada no dia 15 chegou a mostrar João com 44% e Raquel com 43%, em empate técnico. No Datafolha de 11 de setembro, a governadora tinha 47%, contra 42% do adversário.
Campanha de confronto
A disputa também ganhou temperatura nas últimas semanas com uma sequência de ataques entre as duas principais campanhas.
Raquel apostou na comparação entre os quatro anos de sua gestão e os 16 anos consecutivos em que o PSB governou Pernambuco, além de explorar críticas à administração de João na Prefeitura do Recife. A governadora também manteve distância da polarização nacional e não declarou apoio a um candidato à Presidência.
João, por sua vez, concentrou parte da campanha nas críticas às áreas de segurança pública, saúde e abastecimento de água e buscou associar sua candidatura ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na reta final, os dois protagonizaram embates mais duros nos debates televisionados e nas propagandas eleitorais.
A campanha também foi atravessada por judicializações e acusações entre os dois grupos políticos, enquanto candidatos como Ivan Moraes buscaram confrontar a polarização estabelecida entre PSD e PSB.
Segundo mandato
Aos 47 anos, Raquel Lyra iniciou a trajetória eleitoral como deputada estadual e posteriormente comandou a Prefeitura de Caruaru por dois mandatos. Em 2022, tornou-se a primeira mulher eleita governadora de Pernambuco. Com a reeleição, ela permanecerá no comando do Executivo estadual até 2030, novamente ao lado da vice-governadora Priscila Krause (PSD).
A vitória também impede o retorno do PSB ao Palácio do Campo das Princesas. O partido governou Pernambuco de 2007 a 2022, período iniciado com Eduardo Campos e seguido pelas duas gestões de Paulo Câmara.