terça-feira, 18 de abril de 2023

Convocação de Lula em defesa das escolas teve presença massiva de governadores

Discussão no Planalto sobre violência contra escolas também contou com chefes dos Poderes e ministros de Estado; confira quem esteve presente.

Reunião no Palácio do Planalto sobre ataques às escolas (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

Não foi um dia para se medir ou levar em conta colorações partidárias. Atendendo ao convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, praticamente todos os governadores de Estado – a exceção ficou com São Paulo, que enviou o vice -, acorreram ao Palácio do Planalto, para discutir uma questão que tem afligido e assustado todo o país: os ataques às escolas. Para Lula, nós ainda estamos diante de um fato desconhecido. “Estamos diante de um fato novo”, disse. Invadiram um espaço que sempre, para nós, é sinônimo de segurança. Isso ruiu”. 

Também os chefes de poderes, como a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), não se furtaram ao debate, bem como o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco. Weber se colocou à disposição para ajudar, disponibilizando a estrutura do Conselho Nacional de Justiça. Foram vários os ministros afeitos ao tema, que deram as suas contribuições. Desde o ministro Rui Costa, da Casa Civil, passando pela ministra da Saúde, Nísia Trindade, e o da Justiça, Flávio Dino, que tem desde o primeiro momento, buscado soluções e verbas para que os estados façam frente à ameaça ao terror. 

Presente ao evento, o ministro Alexandre de Moraes atribuiu ao incentivo ao discurso de ódio nas redes sociais, que ganham “em cima da violência e do discurso de ódio”. E pediu maior transparência nos algoritmos. Também Rodrigo Pacheco contribuiu no debate dizendo que é preciso ter uma ação contundente de proteção às escolas. Para o ministro da Justiça, Flávio Dino, imagens de pedofilia, de incentivo ao neonazismo não são “liberdade de expressão”. Ele citou 1224 casos sob investigações sobre ameaças de ataques e 7773 denúncias. Confira abaixo a lista dos governadores presentes ao evento. (Por Denise Assis, 247).

Lista de governadores presentes na reunião sobre proteção do ambiente escolar:

JERÔNIMO RODRIGUES, DA BAHIA

THIAGO PAMPOLHA, DO RIO DE JANEIRO EM EXERCÍCIO

CARLOS BRANDÃO, DO MARANHÃO

HELDER BARBALHO, DO PARÁ

RAQUEL LYRA, DE PERNAMBUCO

ROMEU ZEMA, DE MINAS GERAIS

RONALDO CAIADO, DE GOIÁS

MAURO MENDES, DO MATO GROSSO

EDUARDO LEITE, DO RIO GRANDE DO SUL

ELMANO DE FREITAS, DO CEARÁ

WALTER PEREIRA ALVES, DO RIO GRANDE DO NORTE EM EXERCÍCIO

RAFAEL FONTELES, DO PIAUÍ

PAULO DANTAS, DE ALAGOAS

JORGINHO MELLO, DE SANTA CATARINA

WILSON LIMA, DO AMAZONAS

FÁBIO MITIDIERI, DO SERGIPE

GLADSON CAMELI, DO ACRE

CARLOS MASSA RATINHO JÚNIOR, DO PARANÁ

ANTÔNIO DENARIUM, DE RORAIMA

IBANÊIS ROCHA, DO DISTRITO FEDERAL

CLÉCIO LUÍS, DO AMAPÁ

VICE-GOVERNADORES DE ESTADO

FELÍCIO RANUTH, DE SÃO PAULO

LUCAS RIBEIRO, DA PARAÍBA

JOSÉ CARLOS BARBOSA (BARBOSINHA), DO MATO GROSSO DO SUL

LAUREZ MOREIRA, DO TOCANTINS

SÉRGIO GONÇALVES, DE RONDÔNIA



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Governo Lula anuncia medidas de combate a atentados a escolas; confira lista

Convocada por Lula, reunião no Palácio do Planalto nesta terça teve ministros de Estado, governadores e chefes dos Poderes para discutir segurança nas escolas após onda de ataques

Ministro Camilo Santana (Foto: Divulgação/TV Brasil)

Na reunião com o presidente Lula (PT) nesta terça-feira (18) sobre segurança das escolas, o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou medidas de apoio financeiro do governo federal para prevenir e combater ataques às escolas e pediu por cooperação nacional. "Não há solução fácil, mas é necessário todos os entes federados unidos", destacou.

Vale ressaltar que os Ministérios, governos de Estado e municípios, além da presidência da República, seguirão trabalhando para propor novas providências e reforçar as já idealizadas. Confira medidas já anunciadas:

  • Apoio para rondas escolares, do Ministério da Justiça, com previsão de R$ 150 milhões;
  • Fortalecimento de Guardas Municipais, de R$ 100 milhões;
  • Estão no ar, também, canais de denúncia no site http://mj.gov.br/escolasegura, pelo WhatsApp (61)99611-0100, além do Disque 100;
  • Na Saúde, haverá recursos financeiros para a Assistência Primária a municípios que aderirem ao Saúde na Escola, com orçamento previsto de R$ 90 milhões;
  • Também está previsto um edital para um programa de formação continuada de professores e profissionais da educação que será desenvolvido por universidades;
  • Haverá, ainda, uma parceria com o Conselho Nacional de Justiça para implementar o Programa Territórios de Convivência e Cultura da Paz. (247).


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Policia Federal cumpre 38 mandados em 8 estados, em operação sobre atos golpistas

 

São 16 mandados de prisão preventiva e 22 de busca e apreensão

Joedson Alves/Agência Brasil

A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (18) mais uma etapa da Lesa Pátria. A décima fase da operação busca identificar pessoas que “participaram, financiaram, omitiram-se ou fomentaram” os ataques golpistas do dia 8 de janeiro, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro, inconformados com o resultado das eleições de outubro de 2022. 

Segundo a PF, 16 mandados de prisão preventiva e 22 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em oito estados – Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo e no Distrito Federal –, por determinação do Supremo Tribunal Federal.

“Os fatos investigados constituem, em tese, os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado, associação criminosa, incitação ao crime, destruição e deterioração ou inutilização de bem especialmente protegido”, informou, em nota, a PF.

A Operação Lesa Pátria segue em curso, com atualizações periódicas sobre o número de mandados judiciais expedidos, pessoas capturadas e foragidas.

Denúncias

A PF abriu um canal de denúncias para identificar pessoas ligadas aos atos golpistas. As denúncias podem ser enviadas para o e-mail denuncia8janeiro@pf.gov.br. (Publicado em 18/04/2023 - 08:51 Por Pedro Peduzzi – Repórter da Agência Brasil - Brasília).


Edição: Denise Griesinger



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Se cuide sempre! ! Check-up regular protege as mulheres de cânceres, doenças do coração e osteoporose

 

Prevenir é sempre a melhor alternativa. Para as mulheres, o check-up regular, que auxilia na prevenção de várias doenças, principalmente ginecológicas, deve acontecer a partir da primeira menstruação e seguir até a terceira idade.



Cânceres de mama e de colo uterino, doenças cardiovasculares e osteoporose são os problemas de saúde que mais atingem as mulheres e estão relacionados aos maus hábitos e ausência de exames preventivos.

De acordo com o médico obstetra e clínico geral Juan Carlos Boado, que atua no Hospital Bom Pastor, essas doenças podem ser evitadas com a realização de exames periódicos que permitem diagnosticar possíveis alterações precocemente, aumentando as chances de sucesso nos tratamentos.

“Independentemente da ausência de sintomas, as mulheres precisam fazer avaliação médica completa todos os anos. A indicação é ainda mais importante para grávidas ou portadoras de doenças crônicas. Para elas, o check-up não pode ser adiado de maneira nenhuma e precisa ser constante”, recomenda o profissional.

O Hospital Bom Pastor, única maternidade do município de Guajará-Mirim (RO), pertence à entidade filantrópica Pró-Saúde, e é referência assistencial em obstetrícia, pediatria, ginecologia, clínica médica e cirúrgica. O hospital presta atendimento gratuito por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma população indígena de 54 aldeias na região Norte do país.

Pacientes durante atendimento no Hospital Bom Pastor

(Imagem registrada antes da pandemia/Foto: Pró-Saúde)

·         O médico explica que no check-up feminino básico precisam constar os seguintes exames:

·         – Exames laboratoriais para avaliar níveis de colesterol, glicose, ferro, hormônios;

·         – Exames de urina para identificar se há infecções urinárias, doenças renais e doenças sistêmicas (que afetam todo o corpo);

·         – Exames de fezes para investigar problemas no sistema digestivo, infecções e intolerâncias alimentares;

·         – Exames para detectar Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

·         – Papanicolau para investigação de câncer do colo uterino;

·         – Ultrassom transvaginal para avaliar os ovários.

“Pode ocorrer uma variação de acordo com a idade. Por exemplo, a partir dos 20 anos, além dos citados, é incluído o exame de ultrassonografia mamária, entre 31 e 40 anos deve se buscar detecção do vírus HPV e fazer o controle da tireoide. A partir dos 41 anos é fundamental adicionar o exame de mamografia para investigar profundamente câncer de mama, e a partir dos 51 anos, as mulheres devem ficar atentas aos riscos de osteoporose”, complementa o clínico geral.

O check-up pode ser feito pelo SUS. O primeiro passo é procurar uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A equipe médica fará a abordagem preventiva e solicitação de exames de acordo com a necessidade do paciente.

“Inclua a avaliação médica anual na sua rotina e mantenha sua saúde em dia. Os exames preventivos podem salvar a sua vida”, alerta o médico.

Comunicação – Pró-Saúde


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Enem: estudantes já podem pedir isenção de taxa de inscrição do enem

 
Bill Art´s

Pedidos devem ser feitos até 28 de abril na página do participante

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Estudantes que forem fazer o Enem 2023 – o Exame Nacional do Ensino Médio – podem pedir a isenção da taxa de inscrição a partir desta segunda feira, dia 17.  Os pedidos devem ser feitos na página do participante. 

Podem solicitar a isenção, estudantes que estejam cursando o último ano do ensino médio em escolas da rede pública, ou que tenham sido bolsista integral em rede privada; que tenham renda familiar per capita inferior a 1 salário mínimo e meio; ou ainda, estudantes com declaração de vulnerabilidade econômica e inscritos no cadúnico do governo federal. 

Para assegurar a acessibilidade, além da versão tradicional, este ano o Inep disponibilizou duas versões do edital de isenção da taxa de inscrição e da justificativa voltadas a participantes com deficiência. Uma em Libras – a Língua Brasileira de Sinais – e outra com adaptações para pessoas com deficiências visuais. 

O prazo para fazer o pedido é até o dia 28 de abril. 

Esse prazo vale também para os estudantes que ganharam a isenção e não compareceram na prova do ano passado devem apresentar justificativa. 

Caso não apresente justificativa ou ela seja recusada, o estudante terá que pagar a taxa de inscrição. O resultado da análise das justificativas sairá no dia 08 de Maio. 

As provas do Enem 2023 estão marcadas para os dias 5 e 12 de novembro. (Publicado em 17/04/2023 - 11:52 Por Nelson Lin - Repórter da Rádio Nacional - São Paulo).

Edição: Samia Mendes e Luiz Claudio




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quinta-feira, 13 de abril de 2023

Norma obriga redes sociais a retirar conteúdo de apologia à violência

 

Ministério da Justiça cria regulação de plataformas e prevê punições

Reuters

Em meio ao ambiente de pânico envolvendo ameaças e casos de violência no ambiente escolar, o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) anunciou nesta quarta-feira (12) a edição de uma nova portaria com uma série de obrigações para as plataformas de redes sociais. De acordo com o ministro Flávio Dino, a norma assinada por ele traz "medidas práticas e concretas" de regulação do serviço prestado pelo setor, com foco específico na prevenção de violência contra escolas. Nas últimas semanas, ocorreram dois atentados desse tipo e ameaças de ataques têm se propagado no país inteiro.

"Pela primeira vez temos um regramento claro de como combater condutas a partir da responsabilização das empresas, que, durante anos, disseram que elas eram neutras e que, portanto, elas não eram responsáveis. E são. O que a portaria afirma é que são responsáveis politicamente, socialmente e juridicamente. Porque essas empresas são prestadoras de serviços, eles selecionam conteúdo que nós visualizamos, eles impulsionam conteúdos, eles influenciam, portanto, no conteúdo que circula na internet", afirmou em coletiva de imprensa para anunciar a medida.

A portaria prevê, por exemplo, que a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), órgão do Ministério da Justiça, instaure processos administrativos para apuração de responsabilidade de cada empresa em relação à eventual violação do que o ministro chamou de "dever de segurança e de cuidado" das plataformas em relação a conteúdos violentos contra comunidades escolares. É no âmbito desses processos que as plataformas deverão atender a diversas requisições da pasta prevista na norma, como, por exemplo, a obrigação de apresentar relatórios de avaliação de riscos sistêmicos sobre propagação de conteúdos ilícitos, informações sobre risco de acesso de crianças e adolescentes a conteúdos inapropriados para idade, além de conteúdos considerados ilegais, nocivos e danosos, segundo a portaria.

A Senacon também poderá requerer informações sobre risco de propagação e viralização de conteúdos e perfis que exibam extremismo violento, incentivem ataques ao ambiente escolar ou façam apologia e incitação a esses crimes ou a seus perpetradores.

O descumprimento das medidas, segundo o ministro Flávio Dino, poderá acarretar aplicação de multas que podem chegar a R$ 12 milhões ou, nos casos mais graves, até mesmo na suspensão administrativa dos serviços das redes sociais no país.

"O que desejamos é a adequação desses serviços. Mas, o processo administrativo estará instaurado e, claro, se não houver o atendimento dessa normatividade ditada sobre violência contra escolas, o processo administrativo vai adiante para que haja aplicação dessas sanções, que vão desde multas até, eventualmente, a suspensão das atividades", ressaltou Dino. Apesar de ser editada em contexto de crise, a portaria tem prazo indeterminado.

Identificação de autores

Outra determinação da portaria exige o compartilhamento, entre as plataformas de redes sociais e as autoridades policiais, de dados que permitam a identificação do usuário ou do terminal da conexão com a internet que o usuário disponibilizou o conteúdo considerado violento contra escolas. Este trabalho ficará sob coordenação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), também vinculada ao MJSP.

Também segundo a portaria, a Senasp poderá determinar às plataformas que impeçam a criação de novos perfis a partir dos endereços de protocolo de internet (endereço IP) em que já foram detectadas atividades ilegais, danosas e perigosas.

Ainda de acordo com a portaria, a Senasp vai instituir um banco de dados de conteúdos ilegais, contendo links, imagens, vídeos, entre outros, com o objetivo de facilitar a identificação pelos sistemas automatizados das plataformas, para que sejam rapidamente removidos.

A portaria não determine prazos específicos de remoção, mas o ministro da Justiça disse que deverá adotar como padrão o prazo máximo de duas horas, o mesmo usado pela Justiça Eleitoral, durante as eleições de 2022, para a retirada de conteúdos ilegais nas redes sociais.

Preocupação

A decisão de regular redes sociais por meio de uma portaria ministerial, e não uma lei, levantou preocupações de especialistas e entidades da sociedade civil, apesar da situação de emergência envolvendo atos e ameaças de violência nas escolas. A própria regulação ampla das redes sociais está em discussão atualmente no Congresso Nacional, e é defendida pelo atual governo, que apresentou sugestões ao Projeto de Lei 2.630/2020 ainda no mês passado.

"O Estado deve sim olhar para essa questão das escolas com a urgência que ela merece, mas me parece preocupante que, em meio a esse processo de discussão regulatória no Congresso, uma única pasta do governo federal adote uma portaria que prevê medidas muito duras, como a possibilidade de sanções com bloqueio do serviço", aponta a jornalista e pesquisadora Bia Barbosa, representante do terceiro setor no Comitê Gestor da Internet (CGI.br) e integrante do coletivo DiraCom - Direito à Comunicação e Democracia.

Para Bia Barbosa, o maior problema é a escolha do instrumento legal de regulação. "Hoje temos um governo comprometido com a democracia, mas se a gente muda de contexto, um governo autoritário poderia usar esse tipo de instrumento com sérias ameaças à democracia", pondera. Segundo a pesquisadora, o ideal teria sido o envolvimento de outros órgãos, incluindo o próprio Poder Judiciário, a quem deveria caber ordens de remoção. "Acho que essa seria uma tarefa para a Procuradoria de Defesa do Estado Democrático de Direito, da Advocacia Geral da União, que poderia acionar a Justiça para dar ordens de remoção num curtíssimo prazo, sem ser um ato administrativo unilateral e sem prazo determinado".

A pesquisadora defende ainda que o Brasil crie, assim como a União Europeia - citada por Flávio Dino como referência regulatória -, um órgão com atribuição legal para orientar as plataformas no âmbito da moderação de conteúdos. "Em um contexto de crise como este, um órgão regulador poderia adotar medidas excepcionais de definição moderação de conteúdo, num determinado contexto e intervalo de tempo, mas não o governo de plantão. Os padrões internacionais restringem esse tipo de atuação por parte de governantes do Poder Executivo por entender que isso causa um risco excessivo ao exercício da liberdade de expressão", observa.      

A proposta de regulação das plataformas de redes sociais apresentada pelo governo prevê a criação de uma autoridade supervisora independente, nos moldes de outras experiências internacionais.

Rondas escolares

Nesta terça-feira (11), o ministro Flávio Dino assinou um edital de chamamento público para ampliar o programa de segurança nas escolas. Ao todo, serão investidos R$ 150 milhões com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). As secretarias de segurança de estados e municípios, ou equivalentes, poderão apresentar projetos em seis diferentes áreas temáticas.

Canais

Denúncias sobre ameaças de ataques podem ser feitas ao canal Escola Segura, criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com a SaferNet Brasil. As informações enviadas ao canal serão mantidas sob sigilo e não há identificação do denunciante.

Acesse o site para fazer uma denúncia.

Em caso de emergência, a orientação é ligar para o 190 ou para a delegacia de polícia mais próxima.

* Matéria alterada para esclarecer que o atual governo apresentou apenas sugestões ao Projeto de Lei 2.630/2020, e não o próprio projeto, como havia sido informado anteriormente. (Por Pedro Rafael Vilela - Repórter da Agência Brasil - Brasília).

Edição: Aline Leal



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Sociólogo defende ações emergenciais para conter violência nas escolas

 

Confira entrevista com o pesquisador Rudá Ricci

Fernando Frazão/Agência Brasil

Ataques a escolas, gravações com boatos, desinformação e ameaças, que “antes pareciam atitudes descoordenadas, têm se mostrado uma onda perigosa”, diz o sociólogo Rudá Ricci, pesquisador dos temas educação e cidadania.

Nessa quarta-feira (12), ele participou e foi um dos articuladores de encontro com entidades ligadas ao setor para encontrar caminhos contra a situação que tem gerado temor no Brasil. O cientista social defende a necessidade de três medidas emergenciais, que incluem “desbaratar e prender os núcleos propagadores das ameaças”, o que, para as instituições, já está sendo tratado pelo Ministério da Justiça.

As outras são “criar protocolos de orientação para pais e professores sobre como agir em casos de ameaça,  violência,  agressividade e incivilidade” e “criar serviço de apoio e escuta de psicólogos e assistentes sociais” para pais e profissionais da educação.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista do sociólogo:

Agência Brasil: Essas ameaças são coordenadas?
Rudá Ricci: Não podemos negar que há uma inteligência por trás disso. Há mensagens, por exemplo, sobre eventuais ataques em universidades. Ouvi áudios de uma jovem que diz ter recebido uma notícia e uma alusão aos ataques em Columbine (Estados Unidos, em 20 de abril de 1999). Essas mensagens se alastraram como ameaça a universidades brasileiras. Essas organizações extremistas no país estão querendo construir um novo 8 de janeiro de 2023 (dia de atos terroristas contra os Três Poderes). Agora, envolvendo a educação.

Agência Brasil: Quais são os principais pontos de cuidado?
Rudá Ricci: Nós temos que ter cuidado com três questões pelo menos. Em primeiro lugar, com o ambiente criado no Brasil. Temos que debelar essa ideia de que a gente resolve os problemas com as próprias mãos e que temos que ser intolerantea com quem é diferente. É preciso debelar esse clima de violência e intolerância. É a primeira medida que eu sugiro, ou seja, devemos ter uma inteligência policial e da sociedade civil articulada para identificar a origem dessas ameaças e colocar todos na cadeia.

Agência Brasil: O Estado tem agido nesse campo, certo?
Rudá Ricci: Essa é uma primeira ação urgentíssima. O Ministério da Justiça iniciou o processo com o disque-denúncia. Temos que mergulhar na Deep Web (parte da internet não encontrada pelos mecanismos de buscas). É aí que eles estão se articulando. Temos que identificar as ramificações e redes que se formaram. Temos ainda que deixar claro, inclusive para esses adolescentes que estão ameaçando, que eles vão responder por isso. Nós temos que coibir. E isso não se faz com guarda armado na frente da escola. Essa é a outra coisa que é preciso deixar claro e que nos preocupa. Temos a experiência dos Estados Unidos, onde há guarda armada no seu interior e não debelaram a violência. 

Agência Brasil: Por quê?
Rudá Ricci: Porque há uma interpretação equivocada de achar que adolescentes que estão propensos a atacar se intimidam com guarda, com policiamento. É o contrário. O que sabemos hoje é que há adolescentes que estão imbuídos dessa intenção de aparecer pela violência. Eles veem a presença do guarda como desafio e, então, buscam outros tipos de estratagemas como colocar bomba em banheiro e, assim, tentar desmoralizar a segurança. 

Nos Estados Unidos, as guardas armadas dentro das escolas aumentaram e até estimularam atos de violência. Nós queremos outro tipo de abordagem, que seja por meio da inteligência e não dos atos de retenção. Assim a gente pode desbaratar essa rede de ameaças nas escolas que agora, parece, está sendo objeto da extrema direita no Brasil.

Agência Brasil: Como apoiar pais e professores assustados com a situação?
Rudá Ricci: O segundo ponto é que nós temos que dar suporte aos pais e professores. Para isso, é preciso elaborar protocolos.

Agência Brasil: O que significa o protocolo?
Rudá Ricci: Significa o seguinte: diante de um boato de ameaça a uma escola, é necessária uma orientação nacional. Não pode ser um voluntarismo de um diretor de escola. Isso não resolve a onda que está se formando no Brasil ou que está se tentando formar. É preciso ter protocolo, se houver ameaça de violência, ou mesmo violência, atos de agressividade ou de incivilidade. Definir quando é motivo para fechar a escola ou suspender aula, ou quando não é.

Agência Brasil: Professor, os protocolos seriam formulados pelo Estado?
Rudá Ricci: Eu acho que quem tem que formular é a sociedade civil. E não em disputa entre políticos nas mais variadas cidades. O conhecimento para enfrentar problemas educacionais e violência envolvendo a educação está na sociedade civil. 

Agência Brasil: Qual o objetivo dessas reuniões entre as entidades? É a formulação de sugestões?
Rudá Ricci: Fizemos a primeira reunião com 20 entidades e pesquisadores nacionais, de todos os estados do país. A gente precisa mapear essas ameaças, que é um dos objetivos. 

Agência Brasil: O terceiro ponto é apoio psicológico, certo?
Rudá Ricci: É o seguinte: nós temos alguns países como a França que já tem, há muito tempo, serviço de apoio psicológico e assistencial, até pedagógico, também a professores. Estou sugerindo que a gente crie um serviço nacional de apoio envolvendo, por exemplo, os mais de 2,5 mil Caps (centros de Atenção Psicossocial), os Cras (centros de Referência de Assistência Social) e também as universidades, organizações não governamentais (ONG), para que pais e profissionais da educação possam ser atendidos. 

É o que internacionalmente se chama política do cuidado. Há um contexto relevante a ser considerado. Ou seja, a gente cuidar de quem cuida. A Cultiva (ONG ligada à educação e cidadania que o pesquisador coordena) mostra, por exemplo, que 40% dos professores dessas redes registraram aumento de conflito intrafamiliar durante a pandemia. 

Quando temos uma sociedade dessocializada, aumentamos a violência. Isso envolve angústia e a solidão. Espera-se que as escolas mudem o cenário. Quando voltamos da pandemia, pensou-se que seria necessário correr atrás dos conteúdos perdidos. Mas era muito importante que nos voltássemos mais para a humanização.

Denúncias

Informações sobre ameaças de ataques podem ser comunicadas ao canal Escola Segura, criado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, em parceria com SaferNet Brasil. As informações enviadas ao canal serão mantidas sob sigilo e não há identificação do denunciante.

Acesse o site para fazer uma denúncia.

Em caso de emergência, a orientação é ligar para o 190 ou para a delegacia de polícia mais próxima. (Por Luiz Claudio Ferreira - Repórter da Agência Brasil - Brasília).

Edição: Graça Adjunto.




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Sim, o presidente Lula merece um quarto mandato e tem o apoio do Brasil 247

A reconstrução foi o primeiro passo. O próximo é transformar o país, com melhores empregos, mais igualdade, mais tecnologia e mais soberania...