sábado, 9 de setembro de 2017

Procurador Janot denuncia senadores do PMDB por propinas de R$ 864 mi


O Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, apresentou nesta sexta-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) denúncia contra a cúpula do PMDB do Senadopelo crime de organização criminosa no âmbito da Operação Lava Jato. Janot acusa os senadores peemedebistas Edison Lobão (MA), Jader Barbalho (PA), Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Valdir Raupp (RO), além do ex-senador José Sarney (MA) e do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, de receberem 864 milhões de reais em propinas e gerarem prejuízos da ordem de 5,5 bilhões de reais à Petrobras e de 113 milhões de reais à subsidiária da estatal.
Além das condenações dos denunciados, cujas penas podem variar de 3 a 8 anos de prisão, Janot pede ao STF a perda dos mandatos dos senadores e que os acusados paguem 200 milhões de reais, sendo 100 milhões de reais a título de ressarcimento aos cofres públicos e os outros 100 milhões de reais como indenização por danos morais.
Segundo a acusação apresentada hoje pelo procurador-geral da República, a suposta organização criminosa do PMDB do Senado  foi “constituída e estruturada” em 2002, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, e passou a receber propinas na Petrobras a partir de 2003, quando o petista tomou posse e buscou apoio de PMDB e PP no Congresso. “Em comum, os integrantes do PT, do PMDB e do PP queriam arrecadar recursos ilícitos para financiar seus projetos próprios. Assim, decidiram se juntar e dividir os cargos públicos mais relevantes, de forma que todos pudessem de alguma maneira ter asseguradas fontes de vantagens indevidas”, afirma o procurador-geral da República.
O dinheiro sujo destinado aos peemedebistas, conforme Rodrigo Janot, foi retirado de contratos da Transpetro, comandada por Machado entre 2003 e 2015, e das diretorias Internacional e de Abastecimento da Petrobras. A denúncia se baseia nos relatos das delações premiadas de Sérgio Machado, Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional apoiado pelo PMDB a partir de 2006, e Paulo Roberto Costa, que comandou a diretoria de Abastecimento e passou a ser sustentado politicamente pelo partido quando seu cargo esteve ameaçado, também em 2006.
A delação de Machado já havia sido considerada por Janot na denúncia que ele apresentou no final de agosto contra Renan, Jucá, Raupp, Sarney e o senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em supostas propinas recebidas de contratos da Transpetro.(VEJA),(C.Geral).

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GEDDEL, BRAÇO DIREITO DE TEMER, É PRESO PELA PF


A Polícia Federal prendeu o ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB). A PF chegou ao prédio, em Salvador, no bairro Jardim Apipema, por volta de 5h40, em dois carros.
Um vendedor ambulante foi escolhido para subir ao apartamento do ex-ministro como testemunha. Pessoas que andavam na rua gritavam em apoio à PF contra o político: "Vai para a Papuda".
A decisão que a polícia está em mãos é da 10ª Vara Federal de Brasília, mas ainda está em sigilo. O pedido acontece após a PF ter encontrado na terça (5) R$ 51 milhões em espécie escondidos em caixas e malas em um "bunker" ligado ao peemedebista, também em Salvador.
Leia,abaixo reportagem da Agência Brasil sobre o assunto: 
Geddel é preso em Salvador e está a caminho de Brasília
O ex-ministro Geddel Vieira Lima voltou a ser preso, na manhã desta sexta-feira (8), em Salvador, três dias após a Polícia Federal encontrar mais de R$ 51 milhões, atribuídos a ele, em um apartamento. Duas viaturas da PF estiveram no condomínio residencial onde Geddel cumpria prisão domiciliar, no Bairro da Barra, região nobre da capital baiana. A prisão ocorreu pouco antes das 7h.
O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi encaminhado para o Aeroporto de Salvador, de onde viaja a Brasília e ficará à disposição da Justiça.
O Ministério Público Federal (MPF) faz parte da força-tarefa denominada Greenfield, que cumpre dois mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão. Todos ocorrem em Salvador e fazem parte de mais uma fase da Operação Cui Bono, que investiga desvios de recursos em vice-presidências na Caixa Econômica Federal. O MPF não detalhou os nomes e endereços dos mandados.
O pedido de prisão de Geddel argumenta a necessidade de medidas para evitar "a destruição de elementos de provas imprescindíveis à elucidação dos fatos". Após a solicitação, o juiz federal Wallisney Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, autorizou o cumprimento dos mandados, para recolher provas de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na última terça-feira (5), a Polícia Federal apreendeu malas e caixas de dinheiro, em um apartamento na Graça, em Salvador. O proprietário, Sílvio Silveira, confirmou em depoimento, que emprestou o imóvel a Geddel, que teria pedido para guardar pertences do pai, que morreu no ano passado. Até a manhã de hoje, Geddel cumpria prisão domiciliar.
Operação Cui Bono
A primeira fase da Operação Cui Bono foi deflagrada pela PF em 13 de janeiro deste ano e investigou esquema de fraude na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal no período entre 2011 e 2013. De acordo com a investigação, entre março de 2011 e dezembro de 2013, a vice-presidência de Pessoa Jurídica da instituição era ocupada por Geddel Vieira Lima.
A investigação da Operação Cui Bono – expressão latina que em português significa "a quem beneficia?" – é um desdobramento da Operação Catilinárias, deflagrada em dezembro de 2015, no âmbito da Operação Lava Jato, quando policiais federais encontraram um telefone celular na residência do então presidente da Câmara dos Deputados, o ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que revelou intensa troca de mensagens eletrônicas entre Cunha e Geddel. A operação tinha a finalidade de evitar que provas importantes fossem destruídas por investigados da Lava Jato.(247).

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APÓS PRESTAR DEPOIMENTO À PF, GEDDEL É TRANSFERIDO PARA A PAPUDA

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Kariane Costa, repórter do Radiojornalismo da Agência Brasil -O ex-ministro Geddel Vieira Lima concluiu seu depoimento na Superintendência da Polícia Federal (SPF), em Brasília, na noite desta sexta-feira, e, após fazer exame de corpo de delito, foi levado para o Complexo Penitenciário da Papuda, também na capital federal.
Geddel foi preso preventivamente hoje (8) de manhã, na casa em que mora e onde cumpria prisão domiciliar em Salvador. A prisão foi determinada pelo juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, em uma nova fase da Operação Cui Bono, que investiga fraudes na Caixa Econômica Federal.
A prisão do ex-ministro ocorreu após a Polícia Federal encontrar R$51 milhões de reais em dinheiro em um apartamento de um amigo do político. O dinheiro apreendido já foi depositado em conta judicial.
Além dele, também foi preso preventivamente o chefe da defesa civil de Salvador, Gustavo Ferraz, que foi exonerado do cargo.
A defesa do ex ministro informou por meio de nota que só vai se manifestar quando que tiver acesso aos autos e documentos que embasaram a prisão.(247).

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SINDSEMP avança na negociação com o Executivo, sobre os professores readaptado


A Secretaria Municipal de Educação de Petrolina publica a Instrução Normativa 11/2017, corrigindo as cargas-horárias dos professores readaptados, determinadas pela Lei em vigor, desde o ano de 2015. Este é mais um avanço na negociação do SINDSEMP com o Executivo, que tendo à frente da SEDUC a professora Maéve Melo, tem se mostrado sensível às soluções dos problemas referentes aos servidores. Várias reuniões, com muito diálogo, aconteceram entre a secretária e sindicato, até chegar a essa Instrução Normativa.
De acordo com a Lei vigente, o servidor que viesse se readaptar, deveria trabalhar em serviços inerentes à função, apoio pedagógico ou auxiliando nas funções administrativas das escolas, totalizando 08h diárias para quem tem 200 h, o que trouxe sérios danos, prejudicando consideravelmente os tratamentos de saúde, por não ter tempo para as fisioterapias, hidroterapias e até consultas médicas.
Com a Instrução Normativa 11/2017, os professores, que são readaptados, passarão a trabalhar 06 h diárias para quem tem 200 h, 04 h para100 h e 05h para 150 h. Esta é uma luta do sindicato desde a gestão anterior, na qual não foi possível reverter esse quadro de injustiça em que os professores se viram obrigados a cumprir, sendo orientado pela própria gestão, que o sindicato judicializasse, uma vez que administrativamente não seria possível resolver.
O SINDSEMP tomou as providências judiciais, enquanto servidor continuava exposto a situação danosa de sobrecarga de trabalho e desrespeito a sua condição de saúde, o que de acordo com a vice-presidente do sindicato, professora Inês Silva, é desumano, mas acredita que a mudança de governo venha trazer uma nova visão. “Eu não posso, em nenhum momento, desqualificar a importância da atual secretária de educação no processo. Ela é professora, já esteve em sala de aula, já trabalhou na rede quando o professor readaptado trabalhava 06 h. A chance que a gente tem de ter Maéve frente à secretaria de educação, sensível e conhecedora das causas, é de reverter essa situação, e ela está revertendo, com a aprovação do gestor municipal”, complementa com a afirmação de que “professor é que tem que tomar conta da secretaria de educação, pelo perfil, conhecimento e visão”.
A secretária de educação, Maéve Melo, cumprindo mais uma ação “Dialogando com a secretária”, agendará uma reunião para a próxima semana, com todos os professores readaptados, quando se compromete em ouvir a todos para fazer os ajustes, apresentando sugestões de mudanças, tudo democraticamente, o que é bom para a gestão e para o servidor. (Ascom),(C.Geral).

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quinta-feira, 7 de setembro de 2017

LULA AO 247: SE TIVESSE CULPA, NÃO OLHARIA NA CARA DO POVO BRASILEIRO

Ricardo Stuckert

No dia em que encerrou sua caravana pelo Nordeste, em São Luís (MA), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu uma entrevista exclusiva ao 247, em que fez um balanço da viagem e também falou sobre a preparação para o encontro do dia 13, com juiz Sergio Moro.
"A única coisa que eu tenho a oferecer ao povo brasileiro é a minha inocência. Se eu tivesse alguma culpa, eu não teria a coragem de olhar nos olhos do povo brasileiro e de uma velhinha de 90 anos que vem de longe me ver", disse ele, na entrevista concedida aos jornalistas Leonardo Attuch, Paulo Moreira Leite e Leonardo Stoppa.
Sobre o depoimento judicial, que vem logo depois uma avalanche de carinho do povo brasileiro, Lula soltou uma ironia. "Espero que o Moro me abrace", afirmou. 
Confira, abaixo, o vídeo da entrevista e também a transcrição do depoimento, concedido na terça-feira 5, antes do depoimento de Antônio Palocci: (247).

Como nosso tempo  é curto, presidente, gostaria de pedir um balanço da caravana. O que foi mais marcante?
Lula – A caravana atendeu as expectativas que eu tinha quando pensei em fazer a caravana. Primeiro, para medir o nível de vida que as pessoas estão vivendo hoje depois de passar por um período em que houve a maior inclusão social do país. E o que me deixou muito satisfeito é que diferentemente das pessoas que não viveram, que não receberam as políticas sociais ou que não participaram delas, o povo mais humilde deste país tem a nítida noção do que serviu cada política pública que nós fizemos. Seja o Bolsa Família, seja o Luz para Todos, seja o PAA, seja o Prouni, seja o Pronatec... as pessoas têm na cabeça e ninguém vai apagar isso. Essa é a primeira coisa. A segunda coisa que eu queria provar é que a grande imprensa não faz a falta que eles pensam que faz.
247 – Não passou no Jornal Nacional...
Lula – Já não tinha passado a primeira que eu fiz, essa também não passou, e certamente muita gente, muita gente assistiu a caravana, participou da caravana, compartilhou notícias da caravana, sem precisar dos meios de comunicação. Ou seja, aos poucos a gente vai mostrando que se os meios de comunicação quiserem ser respeitados eles tem que ser sérios, ter muita seriedade.
PML – Vi vários comícios e o que o sr. sempre falou foi do ânimo e da esperança. O sr. falou no comício: 'a única coisa que quero dizer a vocês é não desanimem'. Em outro comício: 'vou lutar até o fim da minha vida para provar que o povo pode ser feliz'. O sr. já fez muita caravana aqui. Por que neste ano a mensagem da questão da esperança era tão importante?
Lula – Primeiro, você não participou de nenhum comício. Você participou de manifestações públicas. Veja, não acho que seja possível alguém viver se não tiver esperança, se não tiver um sonho. E eu não quero que o povo desanime. Acho que o povo tem que acreditar que da mesma forma que ele conseguiu conquistar muitas coisas no período de 2003 a 2014, ele pode conquistar, ah estamos num momento difícil, economia, política e tal. Mas isso é passageiro. A gente pode levantar a cabeça e conquistar. E acho que este povo do Nordeste tem disposição de continuar lutando para que a gente mantenha a esperança acesa, que a gente possa reconquistar a cidadania que já tivemos um dia.
247 – Hoje, ao que tudo indica, se for pela vontade pública, o sr. poderá assumir novamente a presidência. Como o sr. vai fazer para trazer de volta aquele Brasil dos seus oito anos de governo?
Lula – Penso que fazer o óbvio é a coisa que mais dá certo em um governo. Ou seja, você tem que fazer aquilo que é preciso fazer. Precisamos fazer com que o povo volte a sonhar, que o povo volte a ter expectativa de trabalho, que o povo volte a ter perspectiva de ganhar um salário, que o povo volte com a perspectiva de que com pequenas medidas econômicas a gente possa voltar a movimentar a chamada macroeconomia.
Quando eu estava na Presidência eu dizia nos debates aí fora, estava o Meirelles, Dilma, Guido e eu, e eu dizia que a macroeconomia brasileira só deu certo porque tinha uma microeconomia funcionando fortemente. Muito financiamento, muito crédito, muito dinheiro para inclusão social. Bolsa Família, Luz Para Todos eram programas que colocava dinheiro na veia para que as pessoas pudessem ter acesso as coisas.
Tem gente que ainda fala que não, que o Lula fez uma política econômica baseada no consumo e é preciso fazer uma política econômica baseada no desenvolvimento industrial. De vez em quando eu vejo isso. Quero saber se haverá política industrial se não houver consumo. Ou seja, qualquer investimento industrial parte do pressuposto de que o povo vai consumir o produto produzido. Portanto, as duas coisas caminham juntas.
247 – Para não fugir da caravana, quais foram os momentos mais emocionantes que o senhor viu nestes 20 dias?
Lula – Uma das coisas mais emocionantes para mim, hoje de manhã aqui, no prédio, eu ia descendo e tinha uma médica e ela disse pra mim: 'olha presidente, queria lhe dizer que eu sou médica e antes do Senhor chegar no governo eu dava atestado médico para criança que morria de fome e durante o seu governo eu nunca dei um atestado para criança que morria de fome'. Isso para mim valeu a pena de ter governado o país. Outras coisas que mais ouço são os agradecimentos que as pessoas tem pela possibilidade de subirem um degrau na escala social.
Seja o Prouni, o FIES, seja o Pronatec, ou seja, as pessoas são agradecidas aquilo que possibilitou eles evoluírem um pouco. Então fico muito sensível, emocionado. Às vezes choro porque é muito gratificante você saber que uma pessoa te diga na tua cara assim ó: 'eu passava fome e por sua causa eu parei de passar fome'.
247 – O sr. fazia questão de aparecer, parava na estrada. O senhor chegava, tinha cem pessoas reunidas, o sr. saía e pelo menos saudava a população, mesmo quando os médicos, quando a médica dizia “não faça isso porque a voz está ruim”. Como foi isso? 
Lula – Foi para isso que fiz a caravana. Para ter contato direto com o povo. Ou seja: não é possível que passe numa estrada e tenha 50 pessoas, dez pessoas, e eu não pare para cumprimentar, pelo menos para falar um bom dia. É o mínimo de respeito que tenho que ter pelas pessoas que foram... Tem pessoas que andaram 200 quilômetros para estar na beira da estrada só pra pegar na mão. Isso para mim vale tanto quanto um comício de 1 milhão de pessoas porque minha relação com a sociedade não é de quantidade, é de qualidade. É ver os olhos das pessoas, sentir o coração das pessoas. Uma coisa que me impressiona muito são as mulheres, as velhinhas de 80 anos, de 85 anos dizerem que me ama. É um amor de respeito, um amor de gratidão, sabe?
247 – O sr. foi recebido por uma onda de carinho inédita, poucas vezes vista na história do país. Mas semana que vem, de certa forma, o sr. tem um encontro com o Judiciário, tem um depoimento. Como é que vai ser este contraste do Lula que foi abraçado pela população e agora tem mais um depoimento, todo aquele stress?
Lula – Eu espero ser abraçado pelo Moro. Eu trato isso tranquilo, porque eu tenho consciência da minha inocência. O Ministério Público criou uma nave-mãe monstruosa, com aquele power point. Eu vou lá com a mesma tranquilidade que fui no primeiro, sabendo que vou dizer a verdade, mesmo que eles não queiram ouvir. Eu to como naquela música do Zeca Pagodinho: deixa a vida me levar.
247 – A internet hoje mostra uma verdade diferente daquela que a Globo e outros meios transmitem. Que mensagem o sr. mandaria para quem o assiste agora?
Lula – A internet vai fazer com que os meios de comunicação deixem de achar que são os donos da verdade e deixem de agir como donos da verdade. São milhões de pessoas que conseguem ter acesso a informação e estão interagindo com a informação. Aos poucos, a televisão vai percebendo que não dá mais para fazer televisão mentirosa. Essa caravana provou que é o possível o povo ter informação sem precisar da Rede Globo.
247 – Muita gente avalia que o objetivo dessa caçada é banir o sr. da vida pública deste país. Se isso vier a acontecer, como o sr. acha que o povo brasileiro vai reagir e como acha que deve reagir?
Lula – Eu não posso dizer como o povo deveria reagir. O povo deve reagir de acordo com a sua consciência. Eu espero que as pessoas possam se informar e acompanhar para fazer o meu julgamento e o do juiz. Eu tenho dito o seguinte sempre: o que tenho a oferecer ao povo brasileiro é a minha inocência. Eu não teria coragem de olhar nos olhos do povo brasileiro e de beijar uma velhinha chorando se tivesse alguma culpa. Eu não vou mentir para o povo brasileiro. (247).


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Retomada a ofensiva contra Lula para fechar o roteiro do golpe


São redundantes e ociosas as considerações morais sobre o que fez Antonio Pallocci, o primeiro petista a delatar o ex-presidente Lula em busca da salvação numa delação premiada. Há algum tempo circula no PT um diagnóstico atribuído a José Dirceu: "Pallocci já virou cachorro". Na ditadura, cachorros eram os militantes que se tornavam colaboradores da repressão, levando companheiros à prisão e à morte. Certo é que a Lava Jato, Janot e Moro retomaram a ofensiva contra o PT e o ex-presidente, apesar das lambanças envolvendo Temer, Geddel e outros partidos da coalizão governista, e pode estar em curso uma ação coordenada para fechar o cerco com a prisão de Lula. E Pallocci, com seu depoimento, forneceu uma das peças mais importantes para o roteiro que começou a ser montado esta semana. Um roteiro de filme de ação vertiginosa, em que o telespectador perde o encadeamento das cenas e o significado da narrativa.
É preciso que o telespectador se confunda e permaneça assistindo passivamente ao filme, sem compreender claramente o papel dos personagens, até que venha o desfecho.
Até à semana passada, tudo apontava para a apresentação de uma segunda denúncia contra Temer que tinha chances de vingar. Base rachada, tucanos em crise, munição esgotada para comprar votos, Rodrigo Maia sendo tentado a tornar-se condutor alternativo (e mais eficiente) da agenda neoliberal. Eis que esta semana ocorre uma reviravolta no enredo, numa sequência vertiginosa que parece levar a um final já programado.
Segunda-feira, 4 - O dia havia sido pasmacento e de poucas notícias em Brasília mas o início da noite foi agitado pela informação de que Janot daria um coletiva para fazer revelações graves e urgentes. Era a confissão das trapalhadas da PGR na condução do acordo de delação da JBS, que forneceu oxigênio a Temer e deixou o procurador fragilizado e exposto. Lula chega neste dia a São Luis (MA) para o encerramento de sua caravana pelo Nordeste, onde foi recebido por multidões em clima de reencontro.
Terça-feira, 5 - Janot, humilhado em todas as manchetes do dia, volta seu arcabuz contra o PT e denuncia o partido, Lula, Dilma e outros por formação de organização criminosa. Na mesma terça-feira a Polícia Federal estoura o depósito de dinheiro de Geddel Vieira Lima, com R$ 51 milhões, mas o fato gravíssimo, envolvendo um dos arqueiros do golpe, acabou servindo foi à ofensiva contra Lula. A manchete do jornal O Globo – Janot denuncia Lula, Dilma e PT por organização criminosa – foi ilustrada por foto das malas de dinheiro de Geddel. Para quem apenas olha, lá estava o fruto da roubalheira petista. No mesmo dia começou a circular nas redes um vídeo assinado pela Polícia Federal, mas que pode ser fake. OPTesouro perdido, é o título. As cenas mostram apenas a contagem da dinheirama de Geddel. O título remete ao nome da Operação Tesouro Perdido mas a montagem gráfica, juntanto P e T sem espaço, é de uma má fé repugnante. Nesta altura deve ter gente pensando que o tesouro de Geddel era mesmo do PT.
Quarta-feira, 6 – Janot volta a denunciar Lula, agora por obstrução da Justiça, por conta de fatos já desidratados e inconsequentes, como sua nomeação frustrada para o ministério de Dilma. Em Curitiba, Moro chama novamente Pallocci a depor em momento estratégico, faltando uma semana para o depoimento de Lula. Pallocci faz o que se esperava dele: muda o depoimento anterior, em que defendeu Lula, capricha na retórica, falando num "pacto de sangue" que Lula teria feito com a Odebrecht, e que teria garantido ao PT, a partir de 2010, uma conta-propina de R$ 300 milhões. O caso JBS e o dinheiro de Geddel perdem evidência e crescem os sinais de que o cerco a Lula está se fechando.
Quinta-feira, 7 – As manchetes do jornais são sobre o "pacto de sangue" Lula-Odebrecht. No desfile da Independência, um Temer agora reoxigenado pelas trapalhadas da JBS e de Janot, consegue ficar diante do público sem receber vaias nem aplausos. Ele é um morto-vivo mas agora tem chances efetivas de ficar no cargo até o final do mandato.
O golpe segue seu roteiro com a eficiência de sempre. Para completar-se com pleno êxito, é preciso que Lula seja logo preso ou inabilitado para disputar a Presidência no ano que vem. É preciso fazer isso logo, antes que estas caravanas comecem a reunir multidões em outras regiões. Antes que a candidatura torne-se um bode de remoção complicada. Inabilitar Lula talvez seja pouco, pois não sendo candidato ele ainda pode ser um cabo eleitoral decisivo. Já elegeu dois postes, todos se lembram. Então, prendê-lo pode ser a solução. As condições estão sendo criadas. Vá tratando o PT de ter mesmo um plano B para o caso de haver eleições, pois nem isso parece certo nesta altura. Estamos em pleno avanço da exceção mas queremos continuar acreditando em normalidade.
Conversando com um diplomata estrangeiro esta semana ele riu-se do que chama nossa inocência. Só nós (brasileiros desolados com o descarrilhamento nacional) achamos que o golpe, a Lava Jato, a demonização da política e a caçada a Lula são tramas conduzidas apenas por gente do Brasil, como Moro, Janot, Temer, parte do Judiciário, mídia, Polícia Federal etc. Enquanto o filme passa, as transnacionais avançam sobre o petróleo, o pré-sal, o sistema elétrico, o subsolo e a Amazônia. O mesmo filme, diz ele, que está em cartaz em outros países da América Latina, inclusive no Equador, onde o sucessor de Rafael Corrêa, tal como Pallocci, passou-se para o outro lado. Talvez tenha razão, talvez seja paranoico, mas a precisão do roteiro e a impotência geral diante de seu avanço são impressionantes.(247).

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‘LULA ESTÁ TRANQUILO E MANTERÁ VIAGENS PELO PAÍS’

Ricardo Stuckert | Reprodução Youtube

 O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 7, a interlocutores que manterá sua agenda de viagens pelo País, a despeito do depoimento do ex-ministro Antonio Palocci ao juiz Sérgio Moro, no qual Palocci acusou Lula de ter feito um "pacto de sangue" com a Odebrecht. 
A agenda política do ex-presidente inclui uma segunda edição da caravana que fez pelo Nordeste, desta vez em Minas. Há também a previsão da edição de uma caravana no Pontal do Paranapanema.
O ex-ministro Gilberto Carvalho afirma que Lula está bem. "E disse que, depois desta caravana, nada consegue abatê-lo", disse Carvalho à Folha de S. Paulo, que foi secretário-geral da Presidência da República. 
Segundo o vice-presidente do PT, Alexandre Padilha, o depoimento não "mexe em nada em relação ao que estava programado". "Nossa agenda ofensiva é a caravana. Não vamos ficar reféns da agenda do Judiciário", afirmou Padilha.
Negando o teor das declarações de Palocci, Lula se queixou, em conversas, de expressões usadas em seu depoimento, como "pacto de sangue" e "propina". Segundo petistas, já havia a expectativa de que Palocci buscasse viabilizar um acordo de delação premiada. Mas Lula ficou "muito decepcionado" com o antigo colaborador.
Sobre a delação de Palocci, Lula disse que o ex-ministro "não teve compromisso com a verdade" sobre supostas irregularidades referente a um terreno para a construção do Instituto Lula. "Palocci repete o papel de réu que não só desiste de se defender como, sem o compromisso de dizer a verdade, valida as acusações do Ministério Público para obter redução de pena e que no processo do tríplex foi de Léo Pinheiro", disse Lula (leia mais).(247).

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Após reeleição, Raquel Lyra afirma que vai desmontar palanques e agradece a Lula

  A governadora afirmou que continuará buscando recursos do governo federal para investimentos em Pernambuco                      Por Antho...