Triunfo da paz e da diplomacia pode ter impacto nas eleições presidenciais e, quem sabe, até em São Paulo, desde que a população seja conscientizada
Por:Leonardo Attuch
Em poucas horas, Trump, que ameaçava eliminar do mapa a civilização iraniana, após ser impelido a entrar numa guerra desastrosa por Netanyahu, se viu forçado a recuar e aceitar a mediação paquistanesa para um cessar-fogo que mantém o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz, abre o caminho para o fim das sanções e consolida a ascensão do mundo multipolar. Uma vitória da Humanidade, mas também de Lula, que desde o primeiro dia condenou o genocídio promovido por Netanyahu em Gaza e a guerra inútil de Trump no Golfo Pérsico, que já pressionava os preços dos combustíveis no Brasil e poderia provocar uma depressão econômica global.
A vitória da paz contra a escalada bélica impulsionada pelo eixo Washington–Tel Aviv não apenas reposiciona o tabuleiro geopolítico global, como também escancara um desafio interno decisivo para o Brasil: a necessidade de elevar o nível de consciência da sociedade sobre o tema da política internacional. E esse é um terreno no qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá, cada vez mais, que atuar como educador político.
Num ambiente midiático profundamente marcado pela desinformação, simplificações ideológicas e alinhamentos automáticos ao Ocidente, temas como multipolaridade, soberania energética ou sanções econômicas são frequentemente tratados de forma superficial — ou distorcida. Isso cria um descompasso entre a realidade do mundo em transformação e a percepção de parcelas relevantes da população brasileira.
É justamente nesse ponto que Lula se diferencia. Ao fazer a leitura correta do momento histórico e defender sempre soluções diplomáticas, o presidente não apenas reafirma sua liderança moral, como também pode atuar pedagogicamente, explicando ao Brasil que o mundo já não é mais unipolar, que o Sul Global emergiu como força decisiva e que o interesse nacional passa, necessariamente, por relações equilibradas com diferentes centros de poder.
Esse esforço de “educação geopolítica” será cada vez mais necessário, uma vez que os impactos dos conflitos promovidos pelo imperialismo são sempre sentidos diretamente no cotidiano dos brasileiros. A pressão sobre os preços dos combustíveis, por exemplo, não era um fenômeno abstrato – ela decorria da agressão contra o Irã, ontem interrompida pelo histórico acordo mediado por Islamabad.
Ao mesmo tempo, os adversários de Lula seguem presos a uma visão ultrapassada e subordinada. Flávio Bolsonaro, dias atrás, estava num evento da extrema-direita internacional, afirmando que poderia ajudar Trump a usar o Brasil para resolver os problemas dos Estados Unidos na disputa contra a China. Caiado, por sua vez, chegou a posar ao lado de Netanyahu, no auge do genocídio em Gaza, assim como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Por isso, a débâcle do eixo da barbárie poderá ter impactos não apenas no âmbito nacional, como também em São Paulo. E o pré-candidato Fernando Haddad deverá sempre recordar, na campanha eleitoral, da cena patética de Tarcísio com seu boné do movimento MAGA – Make America Great Again – uma cena que o hoje o governador de São Paulo gostaria de apagar de seu passado.
A “vergonha silenciosa” de antigos trumpistas não é casual. Ela reflete uma mudança objetiva no equilíbrio de forças internacional. Defender hoje a escalada militar, o unilateralismo e a política de sanções como instrumento de dominação passou a ser sinônimo de atraso histórico. Em contraste, defender o diálogo, a soberania e a multipolaridade tornou-se não apenas uma posição ética, mas também pragmática.
Nesse contexto, a vitória diplomática que evitou uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio reforça a narrativa de Lula como estadista global. Mais do que isso: evidencia que o Brasil, sob sua liderança, pode desempenhar um papel relevante na construção de um mundo mais equilibrado, pacífico e promissor para os brasileiros e brasileiras.
* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.