Trump nega que os ataques de Israel ao Líbano façam parte do acordo de cessar-fogo. Teerã vê violação por parte de Tel Aviv e fecha o Estreito de Ormuz
Em entrevista por telefone ao programa PBS News Hour, Trump afirmou que a ofensiva israelense contra o Hezbollah no Líbano não integra o acordo de trégua. “Sim, eles não foram incluídos no acordo. Por causa do Hezbollah. Eles não foram incluídos no acordo. Isso também será resolvido. Está tudo bem”, disse.
Apesar de um alto funcionário da Casa Branca ter informado à CNN que Israel concordou em suspender sua campanha de bombardeios enquanto as negociações avançam, a fala de Trump indica que os ataques ao território libanês podem continuar durante esse período.
A reação iraniana ganhou força nas últimas horas. De acordo com uma fonte de segurança ouvida pela agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica, Teerã avalia medidas de dissuasão contra alvos militares israelenses. “O Irã está trabalhando em sua resposta para realizar operações de dissuasão contra posições militares israelenses nos territórios ocupados”, afirmou a fonte.
Outra fonte, citada pela agência estatal Tasnim, disse que as forças armadas iranianas já estão “identificando alvos” e podem abandonar o cessar-fogo caso os ataques persistam. “Se os EUA não conseguirem controlar seu agente de vigilância na região, o Irã, excepcionalmente, os ajudará nessa questão! E isso, pela força. Em tom mais incisivo, a Embaixada do Irã na África do Sul publicou mensagem nas redes sociais criticando diretamente os Estados Unidos e Israel: “Ei, Trump, se você não tem uma coleira para o cachorro raivoso, Israel, devemos conseguir uma para você?”.
No campo diplomático, há divergências sobre o alcance do cessar-fogo. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou anteriormente que o Líbano estaria incluído no acordo entre Israel, Estados Unidos e Irã. Já as forças militares israelenses indicaram que as operações contra o Hezbollah no território libanês continuarão.
A escalada também impacta o cenário energético global. Segundo a agência Fars, o Irã interrompeu o tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz após os ataques israelenses ao Líbano, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. Ainda de acordo com a agência, apenas dois petroleiros conseguiram atravessar o estreito desde a entrada em vigor do cessar-fogo.
Israel, por sua vez, intensificou sua ofensiva e realizou o que classificou como os maiores ataques aéreos contra o Líbano desde o início do conflito, ampliando o risco de agravamento da crise no Oriente Médio. - 247.