Objetivo é dar resposta institucional à insurreição fascista de bolsonaristas neste domingo
Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou os 27 governadores de estados e do DF para uma reunião de emergência em Brasília nesta segunda-feira
A reunião tem como pauta a reação institucional aos ataques à democracia cometidos por terroristas bolsonaristas em Brasília neste domingo (8). 247.
Alvos serão autuados por crimes contra o estado democrático; 40 ônibus também foram apreendidos por terem deslocado terroristas para Brasília
Por Agência O Globo
Polícia Civil diz que 260 terroristas já foram presos em
flagrante por invasão aos Poderes - Foto: Ton Molina/AFP
Ao menos 300 pessoas foram presas por invadirem os prédios do Congresso, Planalto e Supremo Tribunal Federal (STF) neste domingo (8), informou a Polícia Civil. Todos os detidos são levados para a sede da Polícia Civil para serem identificados e ouvidos no inquérito que vai investigar os atos terroristas que culminaram na invasão e depredação de prédios públicos e na agressão a profissionais de imprensa.
Mais cedo, o ministro da Justiça Flávio Dino afirmou na noite deste domingo que cerca de 200 terroristas já foram presos em flagrante pelos atos de invasão aos Três Poderes. Disse ainda que cerca de 40 ônibus foram apreendidos por terem sido usados para deslocar os manifestantes de outros estados para Brasília.
De acordo com o ministro, esse número ainda pode crescer porque os detidos ainda estão sendo contabilizados. Mais cedo, a Polícia Civil do Distrito Federal havia estimado que cerca de 170 terroristas foram presos em flagrante.
"Temos aproximadamente 40 ônibus apreendidos. Porque esses ônibus são instrumento de perpetuação de crimes. Já identificamos todos os ônibus que se dirigiram a Brasília e todos os financiadores de tais ônibus", disse.
Os presos devem ser autuados por crimes contra o estado democrático, que preveem punição de prisão de quatro a doze anos. Quem é indiciado por esse crime fica detido e só poderá ser liberado após audiência de custódia.
Os detidos foram inicialmente conduzidos ao Departamento de Polícia Especializada da Polícia Civil, que vai lavrar os flagrantes. Depois, devem ser encaminhados ao Complexo Penitenciário da Papuda.
O Globo acompanhou o momento em que a Polícia Militar entrou no Palácio do Planalto para desocupar o prédio e prendeu os manifestantes que estavam lá dentro. Foram ao menos 20 pessoas presas no local. Eles foram revistados, para verificar se possuíam artefatos perigosos, e colocados em um ônibus da PM, que os encaminhou para uma delegacia.
No domingo (8), milhares de bolsonaristas romperam barreiras policiais e invadiram as sedes do três poderes em Brasília
Por AFP
Atos terroristas no Distrito Federal - Foto: TON MOLINAAFP
A China "se opõe firmemente ao ataque violento" contra as sedes do poder no Brasil, invadidas no domingo (8) por apoiadores do ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro — declarou um porta-voz do Ministério chinês das Relações Exteriores nesta segunda-feira (9).
"A China acompanha de perto e se opõe firmemente ao ataque violento contra as autoridades federais no Brasil em 8 de janeiro", disse o porta-voz Wang Wenbin, em uma entrevista coletiva.
Wenbin disse ainda que Pequim "apoia as medidas tomadas pelo governo brasileiro para acalmar a situação, restaurar a ordem social e preservar a estabilidade nacional".
No domingo, milhares de bolsonaristas romperam barreiras policiais e invadiram o Congresso, o palácio presidencial e o Supremo Tribunal Federal em Brasília, quebrando janelas, vandalizando gabinetes e destruindo obras de arte.
As autoridades brasileiras rapidamente iniciaram suas investigações, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assumiu o cargo em 1º de janeiro, prometendo que os "golpistas" serão "punidos".
"Acreditamos que, sob a liderança do presidente Lula, o Brasil manterá a estabilidade nacional e a harmonia social", reforçou Wang, referindo-se ao país como um "parceiro estratégico" de Pequim.
Moraes determinou ainda a desocupação e dissolução total, em 24 horas, dos acampamentos bolsonaristas
Ibaneis Rocha (Foto: Marcelo Camargo - ABR)
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes decidiu na madrugada desta segunda-feira (9) afastar o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), do cargo por 90 dias. A decisão vem após as invasões de terroristas bolsonaristas às sedes do Supremo, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto, no domingo (8).
Segundo Moraes, "o descaso e conivência" de Anderson Torres "com qualquer planejamento que garantisse a segurança e a ordem" no Distrito Federal "só não foi mais acintoso do que a conduta dolosamente omissiva do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha".
Ibaneis, escreveu Moraes, "não só deu declarações públicas defendendo uma falsa 'livre manifestação política em Brasília' —mesmo sabedor por todas as redes que ataques às instituições e seus membros seriam realizados— como também ignorou todos os apelos das autoridades para a realização de um plano de segurança semelhante aos realizados nos últimos dois anos em 7 de setembro, em especial, com a proibição de ingresso na esplanada dos Ministérios pelos criminosos terroristas; tendo liberado o amplo acesso".
Moraes determinou ainda:
A desocupação e dissolução total, em 24 horas, dos acampamentos nas imediações dos quartéis-generais e outras unidades militares e prisão em flagrante de seus participantes;
A apreensão e bloqueio de todos os ônibus identificados pela PF que trouxeram os terroristas para o Distrito Federal;
A desocupação em até 24 horas de todas as vias e prédios públicos estaduais e federais de todo o país;
A proibição imediata, até o dia 31 de janeiro, de ingresso de qualquer ônibus e caminhões com manifestantes no Distrito Federal;
Manda a Agência Nacional de Transportes Terrestres manter e enviar os registros de todos os veículos, inclusive telemáticos, que entraram no Distrito Federal entre 5 a 8 de janeiro;
Manda a PF obter todas as câmeras de segurança do Distrito Federal que possam auxiliar na identificação dos terroristas e obter, junto a hoteis e hospedarias, a lista e identificação de manifestantes que chegaram a Brasília desde quinta-feira passada (5);
Requisita ao TSE que utilize o acesso a dados de identificação civil mantidos no tribunal para contribuir na identificação e localização dos envolvidos nos atos terroristas;
Manda o Facebook, TikTok e Twitter bloquearem cerca de 18 perfis nas redes sociais. (247).
A polícia divulgou imagens de golpistas presos dentro do Palácio do Planalto durante atos terroristas em Brasília
(Foto: Reprodução)
Imagens registradas neste domingo (8), mostram diversos terroristas bolsonaristas que foram presos por policiais, após depredarem e destruírem s sede dos três Poderes, em Brasíia..
Deitados no chão e sob os olhares de policiais federais, os policiais mantém os golpistas deitados ou sentados. 247.
"Ultrapassaram todos os limitaes ao atacarem os Três Poderes", afirmou José Mucio sobre os terroristas bolsonaristas
O futuro ministro da Defesa, José Múcio, durante anúncio de ministros no CCBB Brasília. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O ministro da Defesa, José Mucio Monteiro, afirmou que determinou ao comando do Exército o desmonte imediato de todos os acampamentos de bolsonaristas golpistas que existem no País.
Medida foi anunciada pelo ministro após os atos de terrorismo promovidos e financiados por bolsonaristas, que invadiram e depredaram os prédios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional. "Ultrapassaram todos os limitaes ao atacarem os Três Poderes", afirmou Mucio durante entrevista à GloboNews.
Leita também matéria da Reuters sobre o assunto:
BRASÍLIA, (Reuters) - A invasão das sedes dos Três Poderes por bolsonaristas que pedem um golpe contra Luiz Inácio Lula da Silva vinha sendo planejada há pelo menos duas semanas em grupos no aplicativo Telegram e até em redes abertas como o Twitter --ainda assim, não houve efetiva ação das forças de segurança para abortar a ofensiva.
Mensagens encontradas pela Reuters ao longo da semana mostravam locais de concentração em várias cidades, de onde sairiam ônibus fretados para Brasília, com a intenção de trazer bolsonaristas para a capital e ocupar a Esplanada dos Ministérios e invadir os prédios públicos.
Um "comunicado" foi publicado em vários grupos de Telegram convocando para uma "tomada de poder pelo próprio povo", em frente ao Congresso, nos dias 7 e 8 de janeiro. Mensagens anteriores também faziam referência a 6 de janeiro, a data em que há 2 anos apoiadores de Donald Trump invadiram o Capitólio em protesto contra diplomação de Joe Biden --Trump é uma referência para Jair Bolsonaro e seus seguidores.
Nos grupos, a ordem era agir em três frente: fechar distribuidoras de combustíveis, sitiar Brasília e, quem não pudesse ir para a capital federal, mantivesse os acampamentos na frente dos quartéis --desde a eleição, grupos permanecem diante de instalações das Forças Armadas pelo país, incluindo Brasília, pedindo uma ilegal intervenção militar contra Lula.
Apesar da movimentação clara dos manifestantes pró-golpe, nada foi feito pela segurança do Distrito Federal para impedir a entrada de dezenas de ônibus em Brasília. A Esplanada dos Ministérios foi fechada para trânsito com grades, mas praticamente não havia policiamento. As grades foram facilmente derrubadas.
No início da tarde, quando começaram a chegar os invasores, o grupo numeroso que descia pelo eixo monumental em direção a Esplanada foi acompanhado por policiais militares, que não impediram a entrada.
Apesar da declaração à Reuters do governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha de que teria colocado na rua todas as forças policiais, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) só chegou a Esplanada mais de duas horas depois dos invasores terem ocupado os três palácios.
Com a crise instalada, Ibaneis demitiu Anderson Torres, o ex-ministro da Justiça de Bolsonaro que havia sido acomodado no comando da Segurança do DF. Depois, a Advocacia Geral da União (AGU) pediu a prisão de Torres, que, segundo o portal no UOL, está nos EUA.
A caça de responsáveis pelas falhas de segurança não devem se circunscrever ao Distrito Federal, onde Lula decretou intervenção federal. O presidente sugeriu em seu discurso que também pretende buscar as omissões nas forças sob comando do novíssimo governo federal.
No guarda-chuva do governo federal, está a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e também a Polícia Federal, sob o comando de Flávio Dino no Ministério da Justiça, duas corporações oficialmente independentes, mas que estiveram sob pesada influência bolsonarista nos últimos anos.
“A Polícia do Distrito Federal tem muita tecnologia, tem experiência em controle de distúrbios civis”, disse Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da FGV, para quem a corporação tinha todas as condições de ter evitado o desfecho violento.
“Aconteceu por uma falha. Uma falha de diálogo entre todos os envolvidos. Aconteceu por problemas no planejamento, análise de riscos, por informações truncadas das inteligências e, eventualmente, por descoordenação entre Ministério da Justiça, Ministério da Defesa, Governo do Distrito Federal, Polícia Militar”, analisou.
Lima afirma que a tarefa nos próximos dias será separar o que foi erro, das omissões e do que foi "deliberadamente pensado". Segundo ele, não se trata apenas de um problema de hierarquia, mas também de base, porque vê na atuação falha das forças de segurança um sintoma do grau de contaminação ideológica das polícias pelo bolsonarismo.
“Pesquisa do Fórum (Brasileiro de Segurança) mostrou que 42% dos policiais militares interagiam em ambientes bolsonarizados radicais, que defendiam exatamente o que aconteceu”, diz Lima, com afirma que a reforma das polícias deve voltar à pauta.
FINANCIAMENTO
Outra frente que deve crescer nos próximos dias é a investigação sobre financiamento dos atos deste domingo. Lula mencionou isso no discurso. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, à frente de um inquérito que há dois anos investiga os chamados atos antidemocráticos ligados a bolsonaristas, disse no Twitter que os culpados pelos atos "serão responsabilizados, assim como os financiadores, instigadores" e agentes públicos "anteriores e atuais" envolvidos.
Em uma das mensagens no Telegram vistas pela Reuters, os bolsonaristas que pedem golpe convocavam o maior número possível de pessoas para ir a Brasília e davam contatos por celular de pessoas que estariam organizando ônibus.
Os articuladores do movimento golpista convocaram, ainda, Caçadores, atiradores e Colecionadores (CACs) para ir à capital e também para distribuidoras de combustíveis para "dar suporte".
"Nós somos a sociedade civil organizada e nosso mote é disciplina, hierarquia, organização, trabalho árduo e duro, principalmente a união", era uma das mensagens distribuídas.
Uma das convocações deixou claro que tudo seria pago para que os bolsonaristas radicais fossem para Brasília.
"Pessoas que tenham disponibilidade para ir a Brasília de ônibus, sairá no domingo e volta na quinta-feira. Tudo pago. Água, café, almoço, Janta... Lá ficará acampado no Planalto. Por favor nos ajudem a divulgar e conseguir patriotas", dizia a convocatória.
As mensagens ocuparam também o Twitter, abertamente. Em uma tentativa de disfarçar a movimentação nas redes abertas, os manifestantes mudaram a palavra "Selva" --usada como um grito de guerra por militares-- para "Selma", e o movimento de invasão da capital federal era chamada de "festa da Selma". 247.
A polícia divulgou imagens de golpistas presos dentro do Palácio do Planalto durante atos terroristas em Brasília
(Foto: Reprodução)
Imagens registradas neste domingo (8), mostram diversos terroristas bolsonaristas que foram presos por policiais, após depredarem e destruírem s sede dos três Poderes, em Brasíia..
Deitados no chão e sob os olhares de policiais federais, os policiais mantém os golpistas deitados ou sentados. 247.