terça-feira, 24 de agosto de 2021

PF desarticula associação criminosa suspeita de invadir site do TSE

Diligências ocorrem na capital paulista e em Araçatuba, no interior

                        Por Agência Brasil

Sede da Polícia Federal em Brasília  - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal (PF) foi às ruas na manhã desta terça-feira (24) para cumprir um mandado de prisão preventiva e dois de prisão temporária na operação Script Kiddie. Os alvos são suspeitos de participação em um ataque hacker contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

São cumpridos também cinco mandados de busca e apreensão. As diligências foram deflagradas nas cidades de São Paulo e Araçatuba (SP). Todas as medidas foram autorizadas pela 10ª Vara Federal de Brasília, a pedido da PF.

Os envolvidos podem responder pelos crimes de invasão de dispositivo eletrônico e associação criminosa. Segundo a PF, foram apreendidos na casa de um dos investigados presos R$ 22 mil em espécie, além de uma arma de fogo ilegal e uma mídia eletrônica de interesse da investigação.

A operação é fruto de um inquérito instaurado a pedido do presidente do TSE, Luís Roberto Barroso, após o portal do tribunal ter sido invadido, e a página inicial ter sido alterada, em 1º de junho. “Não foram identificados quaisquer elementos que possam ter prejudicado a segurança do sistema eleitoral”, afirmou a PF em nota.

Com o termo Script Kiddie, a PF faz referência a hackers menos experientes e habilidosos, que se utilizam de ferramentas e esquemas já utilizados por outros hackers para realizar ataques cibernéticos.

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PF intima ministro de Bolsonaro e Ramagem, da Abin, para depor sobre live do voto impresso

O presidente Jair Bolsonaro também foi incluído no inquérito das fake news a pedido do TSE

                    Por Camila Mattoso/Folhapress

Luiz Eduardo Ramos, Ministro-chefe da Secretaria do Governo - Foto: Alan Santos/PR

O ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretária-Geral da Presidência) e o diretor-geral da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Alexandre Ramagem, foram intimados pela Polícia Federal para prestar depoimento no inquérito das fake news.
Os dois serão ouvidos na investigação que mira Jair Bolsonaro e a live de 29 de julho em que o presidente atacou sem provas as urnas eletrônicas.
Além do ministro e do chefe da inteligência, a PF também intimou o militar da reserva Eduardo Gomes da Silva, que apresentou a transmissão ao vivo feita naquela data.
As oitivas devem ocorrer ao longo desta semana e, embora sejam em uma apuração no âmbito criminal, também serão compartilhadas com o inquérito administrativo aberto pelo Tribunal Superior Eleitoral e que também investiga a live e os ataques ao sistema eleitoral.
A PF quer saber qual foi a participação de Ramos e Ramagem nos preparativos, na organização e na obtenção de informações utilizadas pelo presidente para atacar o sistema eleitoral durante a live.
O presidente Jair Bolsonaro foi incluído no inquérito das fake news a pedido do TSE.

No despacho em que aceitou o pedido e encaminhou a apuração para a PF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, cita a possível prática de 11 crimes por Bolsonaro durante a live.
Segundo o ministro, o presidente pode ter praticado, entre outros, os crimes de calúnia, injúria, difamação, incitação ao crime, apologia ao crime, associação criminosa e denunciação caluniosa.
O inquérito das fake news foi aberto de ofício, sem pedido da Procuradoria-Geral da República, em março de 2019 pelo então presidente do STF, o ministro Dias Toffoli.
Em um primeiro momento, a investigação mirava notícias falsas, vazamento de informações sigilosas sobre ministros e ameaças a integrantes da corte.
Em junho de 2020, o Plenário do STF referendou a abertura e manutenção do inquérito.
Há cerca de dois meses, Moraes enviou todo o material colhido desde 2019 para a PF e solicitou a análise e proposição de medidas a serem tomadas para a conclusão da apuração.

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segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Brasil está secando e perde 15% da superfície de água em 35 anos

 

(Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasi)

Um novo estudo aponta que o Brasil está literalmente secando, em razão da exploração predatória da terra e da devastação da Amazônia. "Análises de imagens de satélite do território brasileiro entre 1985 e 2020 mostram que, em apenas 35 anos, há perda de superfície de água em oito das 12 regiões hidrográficas, em todos os biomas do Brasil. A redução de água doce no país entre 1991 e 2020 foi de 15,7%", aponta reportagem de Daniela Chiaretti, publicada no Valor.

"Os dados são dos pesquisadores do MapBiomas, iniciativa que envolve ongs, universidades e empresas de tecnologia. É hoje a plataforma com base de dados mais atualizada sobre as transformações da cobertura e uso da terra no Brasil. Lançado agora, o MapBiomas Água faz o mapeamento territorial da dinâmica da água superficial para todo o Brasil. Foram processadas mais de 150 mil imagens de satélite ao longo de 36 anos, entre 1985 e 2020, distinguindo o que está acontecendo com os corpos hídricos naturais (rios, lagos, lagoas) dos feitos pelo homem, como reservatórios de hidrelétricas, açudes, barragens de mineração ou em propriedades privadas. O estudo aponta um cenário crônico, que se agrava nas últimas três décadas", alerta. 247.


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Bolsonaro une todos contra ensaio golpista

 

Palácio do Planalto e um ato contra Jair Bolsonaro (Foto: Pedro França - Agência Senado / Midia Ninja)

Por Helena Chagas, do Jornalistas pela Democracia

"O presidente da República precisa ser contido", ouvimos agora pela manhã o governador do Maranhão, Flávio Dino, dizer em entrevista à GloboNews. Uma afirmação pública surreal na boca de qualquer governador, em qualquer dos governos republicanos desde o fim da ditadura militar. Mas lamentavelmente real sob Jair Bolsonaro. Dino se preparava para entrar na reunião  de governadores marcada para hoje, mais um gesto institucional de aviso ao navegante Bolsonaro de que, se ele quer golpe, que o faça sozinho.

Conseguirá? O ensaio de golpe para o Sete de Setembro vem encontrando obstáculos. Roberto Jefferson foi preso por ordem de Alexandre de Moraes - gesto que inclusive  está na origem do pedido de impeachment que o ministro sofreu do presidente da República. O sertanejo Sérgio Reis e outros bolsonaristas estão proibidos de aparecer na Praça dos Três Poderes.

O comandante da PM do interior de SP que convocou seus companheiros e subordinados para o ato bolsonarista do Sete de Setembro na Paulista acaba de ser destituído por João Doria - e outros governadores se preparam para fazer o mesmo com seus rebeldes. 

A pergunta que não quer calar é se os bolsominions vão conseguir criar a confusão que o presidente espera no aniversário da Independência, a ponto de dar a ele o desejado pretexto para convocar uma hipotética intervenção dos militares para conter uma suposta quebra da ordem. Difícil. Por mais que coloque a militância barulhenta nas ruas, fazendo e acontecendo, todo mundo sabe que ali não se trata de povo - são extremistas de direita que têm até direito de ir às ruas, mas não de defender golpes contra a democracia. 

Estranhamente, Bolsonaro anunciou que estará na manifestação da Paulista no Sete de Setembro - até porque não haverá parada em Brasília. Tanto pode ser um jeito de evitar confronto na capital, onde estão o STF e o Congresso, quanto de botar lenha na fogueira no lugar onde há mais chances de haver gente.

O mais importante, porém, é que no plano político-institucional, vai estar sozinho: já ficou claro que o presidente da República conseguiu unir todo mundo contra ele.

(Conheça e apoie o projeto Jornalistas pela Democracia)

Este artigo não representa a opinião do Brasil 247 e é de responsabilidade do colunista.


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Em reunião, governadores dizem que não podem "silenciar" diante das "ameaças" à democracia

 

João Doria durante Reunião virtual do Fórum de Governadores (Foto: Sergio Andrade/Governo do Estado de São Paulo)

Governador de São Paulo, João Doria (PSDB) defendeu, nesta segunda-feira (23), a criação de um "Pacto pela Democracia” e afirmou que os gestores não podem "se silenciar" diante das "ameaças" constantes contra a democracia feitas por Jair Bolsonaro e seus seguidores. A declaração foi feita três dias após Jair Bolsonaro enviar ao Senado um pedido de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

De acordo com o UOL, a criação do "Pacto pela Democracia” foi feita pelo coordenador do Fórum dos Governadores e governador do Piauí, Wellington Dias (PT) em patamares semelhantes aos do "Pacto pela Vida” no enfrentamento à pandemia de Covid-19.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), ressaltou que a "postura autoritária" de Bolsonaro e a sua insistência em "atacar o STF , a Justiça e a todos os defensores da democracia", prejudicam a retomada dos investimentos externos no Brasil. 

De acordo com reportagem do Metrópoles, parte dos governadores defende que o grupo apenas emita uma carta ou nota pública rebatendo as ameaças e cobrando uma mudança de postura do chefe do Executivo. Outros governadores, como Ronaldo Caiado (DEM), de Goiás, e Flávio Dino (PSB), do Maranhão, defendem que seja feita uma reunião com Bolsonaro para tratar da crise institucional. 247.




“Volta de Lula seria menos traumática do que reeleição de Bolsonaro”, diz FHC

 

(Foto: Ricardo Stuckert)

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) disse, em entrevista ao jornal Correio Braziliense, que uma eventual volta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à presidência da República seria 'menos traumática' do que a reeleição de Jair Bolsonaro (sem partido). A informação é do portal UOL. 

FHC reforçou que trabalha para que uma candidatura do PSDB se viabilize, mas que uma vitória de Lula seria melhor para o Brasil do que a de Bolsonaro caso a polarização persista até 2022.

"No momento, eu penso que a [reeleição] de Lula é menos traumática para o Brasil, de forma direta. Isso não quer dizer que eu não queira uma via pelo PSDB. Claro que eu desejo. Mas uma coisa é você desejar e trabalhar neste sentido, e outra coisa é analisar a realidade. Assim, por ora, entre Lula e Bolsonaro, acredito que o Lula seja melhor", disse.

Ainda de acordo com a reportagem, na última semana, FHC declarou apoio à pré-candidatura de João Doria (PSDB), atual governador de São Paulo. Para o ex-presidente, é importante o partido se afirmar nas eleições de 2022.

"Se depender de mim, é importante ter candidatura própria, é assim que os partidos se afirmam. Tem que ter uma liderança que afirme um sentimento que bata no coração das pessoas", disse. 247.

Governadores propõem encontro com Bolsonaro para tentar diminuir crise institucional

 

9° Fórum Nacional de Governadores, no Palácio do Buriti (Foto: Renato Alves/Agência Brasília)

Por Lisandra Paraguassu

Em reunião na manhã desta segunda-feira, em Brasília, os governadores decidiram pedir um encontro com o presidente Jair Bolsonaro para tentar a abertura de um diálogo que melhore o ambiente no país, diante do clima de tensão entre o Executivo e Judiciário e as constantes ameaças de ruptura por parte de Bolsonaro.

"A intenção é solicitar uma agenda com o presidente onde o objetivo é demonstrar a importância de o Brasil ter um ambiente de paz, de serenidade, onde possamos garantir uma forma de valorização da democracia, mas principalmente criar um ambiente de confiança que permita atração de investimentos, geração de empregos e renda", disse Wellington Dias (PT) em entrevista depois da reunião.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que tem um bom relacionamento com Bolsonaro, reafirmou a intenção de que os governadores sejam recebidos.

"Espero que o presidente, pelo nível que o país chegou nesse momento, com essa disputa institucional, receba os governadores. O que procuramos é o bem comum e vamos levar isso ao presidente. Dizer a ele que não tem ninguém contra ou a favor dele, mas queremos um ambiente de normalidade e discutir os reais interesses do povo", afirmou o governador, apesar da animosidade declarada de Bolsonaro com alguns, como João Doria (PSDB), de São Paulo.

O encontro em Brasília já estava marcado e tinha como pauta temas econômicos, mas passou a incluir a última crise institucional causada pelos ataques mais recentes aos demais Poderes. Na semana passada, 13 governadores já haviam divulgado uma carta em defesa do Supremo Tribunal Federal (STF), mas sem citar Bolsonaro.

Na reunião, a tônica foi a necessidade de reagir aos constantes ataques de Bolsonaro a outras instituições, inclusive aos próprios governadores, mas a carta que deverá ser divulgada pelos 27 deve ter um tom mais ameno do que era esperado por alguns, já que governadores mais alinhados com o bolsonarismo não concordaram com uma carta mais crítica.

Ronaldo Caiado (DEM), governador de Goiás, foi um dos que defendeu a reunião com Bolsonaro, apesar do ceticismo de alguns governadores, que não prevêem sucesso em fazer com que o presidente reduza o tom.

"Tem todo meu apoio a insistência ao diálogo para com o presidente para que possamos parar com essas interpretações que só provocam cizânia e desentendimentos", disse Caiado.

Apesar do ceticismo de alguns com a possibilidade de mudança do comportamento de Bolsonaro, todos concordaram em pedir uma audiência com o presidente, assim como encontros com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e do STF, Luiz Fux.

A crise entre Executivo e Judiciário piorou ainda mais com o pedido de impeachment do ministro do Supremo Alexandre de Moraes, apresentado por Bolsonaro na último sexta-feira.

7 DE SETEMBRO

Alguns governadores mostraram preocupação com as manifestações marcadas para o 7 de Setembro e incentivadas por Bolsonaro, que pretende comparecer a encontros em Brasília e São Paulo.

"Esse tipo de manifestação que está se anunciando para 7 de setembro não se insere nas fronteiras legítimas da democracia. Pessoas armadas? Pessoas armadas na rua não é passeata, é motim. Agiu bem o governador Doria ao enquadrar desde logo porque há sim esse risco. Alguns acham maior, outros menor, mas o risco existe", disse o governador do Maranhão, Flávio Dino (PSB), citando o fato de Doria ter afastado nesta segunda o chefe do Comando de Policiamento do Interior-7 da Polícia Militar de São Paulo, coronel Aleksander Lacerda.

Em postagens nas suas redes sociais, Lacerda convocava as pessoas para as manifestações de 7 de setembro e distribuía xingamentos ao governador, ministros do STF e presidente do Senado.

"Se já não bastassem as ameaças cada vez mais crescentes à democracia nas últimas semanas, teremos nesse mês de setembro manifestações, não apenas exercendo direito de se manifestar contra ou a favor. Mas manifestações ruidosas, para colocar em risco a democracia", afirmou o governador de São Paulo.

"Há estímulo pelas redes sociais para que militantes do movimento bolsonarista utilizem armas e saiam às ruas armados. Isso não é defender a democracia. Não é defender o diálogo. Isso é desrespeitar o país. É desrespeitar a vida. Quero enfatizar que nós estamos diante de um momento gravíssimo da vida nacional. Não é o momento de nós silenciarmos", acrescentou Doria. (BRASÍLIA (Reuters).

(Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo)


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