domingo, 8 de março de 2026

SP: ato das mulheres pede fim da violência e defende fim da escala 6x1

 Instalação com sapatos lembra das vítimas de feminicídio

                                       Elaine Patrícia Cruz - Repórter da Agência Brasil

 Elaine Patrícia Cruz/ABr

Apesar da forte chuva que caiu na tarde deste domingo (8) em São Paulo, milhares de mulheres se reuniram na Avenida Paulista em ato que marca o Dia Internacional da MulherNa capital paulista, elas saíram em caminhada da Avenida Paulista até a Praça Roosevelt, segurando sombrinhas e muitas faixas que pediam pelo fim da violência contra as mulheres no país. O ato ocorreu simultaneamente em várias cidades brasileiras.

“Ô abre alas, que as mulheres vão passar. Com esta marcha muitas coisas vão mudar”, cantavam as manifestantes.

Por causa da intensa chuva, algumas das mulheres preferiram não seguir em caminhada, permanecendo embaixo do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp).

“[Estamos aqui pelo] combate efetivo do feminicídio e da violência contra a mulher como um todo, porque não basta só pacto, palavras, nota de apoio, a gente quer orçamento público e medidas efetivas. E isso a gente não viu avançar em nenhuma das esferas do executivo, do judiciário e do legislativo”, disse Alice Ferreira, uma das fundadoras e coordenadoras do Levante Mulheres Vivas.

Durante o ato na Avenida Paulista, as mulheres também fizeram algumas intervenções independentes. Em uma delas, posicionaram diversos sapatos femininos pela avenida, representando vítimas de feminicídio do país.

Sapatos representam vítimas de feminicídio em instalação na Avenida Paulista - Elaine Patrícia Cruz/ABr

“Tem também a das bonecas, que foi instalada em frente ao Fórum Pedro Lessa e que fala das crianças que também sofrem com toda essa misoginia, inclusive por conta do escândalo da quase legalização da pedofilia no judiciário, ressaltou Alice Ferreira, se referindo ao caso de um desembargador que absolveu homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12 anos em Minas Gerai.

Segundo a coordenadora do Levante Mulheres Vivas, o ato também pretende reforçar a importância da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional que pretende tipificar a misoginia, que é conduta de ódio contra as mulheres, como crime.

“Enquanto o discurso feminista é boicotado pelas big techs, o discurso red pill [movimento de homens que usam a internet para promover discursos misóginos] é impulsionado. Então, criminalizar é o primeiro passo para começarmos a reverter essa lógica”, disse Alice Ferreira.

Só no estado de São Paulo, foram mortas 270 mulheres em 2025,  alta de 96,4% na comparação com 2021. Esse foi um número recorde de feminicídios desde que teve início a série histórica, em 2018.

Outras pautas

Além do fim da violência e do feminicídio, as mulheres também protestaram pelo fim da escala 6x1, pelo fim da violência política e pelo fim do extremismo que busca controlar corpos e vozes femininas.

“O mote de São Paulo é pela vida das mulheres, pelo fim da escala 6 por 1 e em defesa da soberania e autodeterminação dos povos”, explicou Luana Bife, da direção da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de São Paulo.

Ato pelo dia 8M em São Paulo - Elaine Patrícia Cruz/ABr

Em entrevista à Agência Brasil, Luana Bife defendeu que o fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho são temas extremamente importantes para as mulheres, principalmente porque muitas são responsáveis pelo cuidado e renda das famílias.

“A mulher tem uma escala 7 por 0. Então hoje, para a mulher trabalhadora, o fim da escala 6x1 resulta não só em um período de descanso e autocuidado, mas também para ela decidir como quer estar no mundo”.

Para a ativista, problemas como a violência contra as mulheres e relacionados à falta de garantia de direitos devem ser enfrentados com políticas públicas.

“Tem que ser uma pauta permanente de defesa da vida das mulheres. E para isso são necessárias políticas públicas, que independem dos governos. A gente tem que ter firmes as políticas públicas e sociais que se destinam ao combate das violências contra as mulheres e as meninas”, ressaltou.

O ato, que recebeu o nome de Em Defesa da Vida das Mulheres, teve a participação de diversos movimentos sociais e sindicais entre eles, a União Nacional por Moradia Popular, o Movimento de Mulheres Camponesas, a União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial das Mulheres, Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), entre outros.


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Mulheres se reúnem em Copacabana contra a violência e o feminicídio

 Milhares foram às ruas para pedir paz e igualdade de direitos


                          Por:Tâmara Freire - Repórter da Agência Brasil

 Tomaz Silva/Agência Brasil

No Rio de Janeiro, o Dia Internacional das Mulheres foi marcado por uma marcha na Praia de Copacabana. Milhares de mulheres protestaram contra o feminicídio e as diversas formas de violência de gênero. Elas também exigiram mais orçamento para as políticas públicas voltadas à igualdade.

No carro de som, diversas representantes de coletivos feministas se revezaram na leitura do manifesto do movimento. As reivindicações abordavam áreas diversas, como a criminalização dos grupos que promovem o ódio às mulheres, o aumento das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito para mulheres empreendedoras e de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes. Outra demanda bastante lembrada foi o fim da escala 6x1 de trabalho.

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2026 – Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Um grupo de pernaltas participou do ato em defesa dos direitos das mulheres neste 8 de março, no Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Fim da Violência

Mas a tônica principal do protesto foi o fim da violência de gênero.

Muitas participantes lembraram de casos recentes como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo cometido contra uma adolescente, ocorrido na mesma Copacabana onde o ato ocorria.

Acompanhando o carro de som, as participantes cantaram uma paródia da música “Eu quero é botar meu bloco na rua” de Sérgio Sampaio: “Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver! Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!”

À frente da marcha, um grupo de pernaltas carregava uma faixa com a frase: “Juntas somos gigantes”. As artistas fizeram uma performance deitando no chão de olhos fechados, para lembrar as mulheres mortas nos crimes de violência de gênero. Depois se levantaram e se posicionaram em círculo gritando as palavras de ordem: “Todas vivas!”

Diferentes Gerações

O protesto reuniu várias gerações de mulheres. Rachel Brabbins, por exemplo, participou da marcha ao lado da filha Amara, de sete anos. A pequena carregava um cartaz com os dizeres: “Lute como uma menina”. “Eu acho super importante, pra ela aprender que tem direitos, tem voz e pode falar. Aqui também ela vê a nossa luta, e que estamos todas juntas”, disse Rachel.

E não faltaram inspirações para a pequena Amara. Como Silvia de Mendonça, que milita em coletivos feministas desde a década de 80, e fez questão de comparecer à marcha vestindo uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.

“A Marielle foi vítima de um crime brutal, que pretendia o silenciamento e o apagamento dela. É uma dor muito entranhada, que se reflete também em outras mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, de estupro… E a Marielle se tornou um símbolo de resistência, de que nós temos que nos unir cada vez mais”.

Rio de Janeiro (RJ), 08/03/2026 – Ato do Dia Internacional da Mulher ocupa a praia de Copacabana, na zona sul do Rio, pedindo o fim das violências contra as mulheres. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Mulheres de diferentes gerações estiveram presentes, pedindo o fim das violências. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

As organizadoras do ato deste domingo também convocaram os homens para se juntar à luta pelo fim das violências. Thiago da Fonseca Martins atendeu ao chamado e participou do protesto junto com o filho Miguel, de 9 anos. Ele concorda que os homens devem contribuir de forma ativa, inclusive na criação dos filhos.

“Obviamente, a gente não pode promover violência contra a mulher, mas também temos que promover a igualdade sempre que a gente puder. A gente vive numa sociedade machista, e temos que entender que tivemos uma criação machista, então precisamos sempre ficar atentos, discutir e demover essas ideias”.

Para Rita de Cássia Silva, também presente nesta manhã em Copacabana, a educação contra a violência de gênero também é essencial: “Essa cultura misógina é geracional. Ao longo de gerações, muitas mulheres achavam que era normal as violências que elas sofriam, e os filhos assistiam aquilo e achavam que era normal”, disse.

“É ótimo que nós estamos conscientizando a população adulta, mas é importante uma iniciativa, com apoio dos governos, para ajudar as famílias a mudar essa cultura, desde as crianças”, completou.


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Ataque a escola de meninas no Irã expõe horrores da guerra

 Mulheres e meninas iranianas sofrem o impacto do conflito


                   Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

O ataque a uma escola de meninas iranianas causou a morte de 168 crianças ( AFPAMIRHOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP)

O ataque a uma escola de meninas iranianas, que causou a morte de 168 crianças, marcou o primeiro dia da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último sábado (28). A tragédia expõe os horrores que o conflito no Oriente Médio pode produzir e seus impactos na vida de menina e mulheres nestes países. 

Uma multidão vestida de preto compareceu ao velório das crianças, ocorrido na terça-feira (3). As imagens das valas abertas para receber os caixões enfileirados, acompanhados por milhares de pessoas, correu o mundo.

Durante décadas, as violações de direitos humanos no Irã, inclusive contra as mulheres, foram usadas por potências ocidentais para justificar o isolamento internacional de Teerã, alvo de sanções econômicas que contribuíram para fragilizar sua economia

Em nome de uma suposta "libertação" do povo iraniano do regime dos aiatolás, um dos primeiros alvos de EUA e Israel nesta nova ofensiva foi justamente uma escola de educação infantil feminina na cidade de Minab, no sul do país persa. Além das dezenas de meninas mortas, mais de 90 crianças ficaram feridas. O caso aconteceu pela manhã, enquanto as alunas estavam em aula, segundo a agência de notícias.


Ataque contra uma escola primária para meninas no sul do Irã — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O ataque a uma escola de meninas iranianas causou a morte de 168 crianças (AFP PHOTO / IRANIAN PRESS CENTER)


A socióloga Berenice Bento, professora da Universidade de Brasília (UnB) que estuda as relações de gênero no mundo muçulmano, afirma que o ataque revela justamente que a guerra não tem relação com direitos humanos ou democracia.

Em razão do regime do país, as mulheres sofrem uma série de restrições no Irã, como o uso obrigatório do véu (hijab) para cobrir os cabelos, além de impedimentos para viagem e mobilidade, que geralmente precisam de autorização dos pais ou maridos. O desrespeito aos códigos é duramente punido pela chamada polícia da moralidade, ou Patrulha de Orientação da República Islâmica do Irã.

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que mulheres iranianas lutam há décadas por seus direitos e destaca, em especial, o movimento Mulher, Vida e Liberdade. Ele foi criado em 2022 após a morte da estudante Mahsa Amini, detida em um protesto e espancada pela Patrulha de Orientação,

“Mulheres iranianas organizaram um grande movimento, em 2022, o Mulher, Vida e Liberdade e seguem em luta há décadas. O povo iraniano, os povos árabes, o povo palestino devem decidir seu destino, não os EUA e Israel”, comentou.

A história de luta das mulheres iranianas inclui vítimas de prisões e condenações por sua militância. Uma delas é a advogada e ativista Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023 “pela sua luta contra a opressão das mulheres”.

Narges está atualmente presa no Irã, condenada a 7 anos e meio de reclusão por “conspiração”, segundo seu advogado. Mas, a socióloga Berenice Bento reafirma que a mobilização das mulheres no Irã não pede intervenção externa.

“Quando você analisa as manifestações que aconteceram, nenhuma está dizendo que quer a volta da monarquia, ou que os Estados Unidos  e Israel vá libertá-las. Nunca. O que você tem é uma sociedade que está lutando”, ponderou.

Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações do Mundo Árabe, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Natália Ochôa explica que há um olhar do mundo Ocidental para a necessidade de salvar a mulher muçulmana que, no episódio da escola, foi o alvo. 

"Mulheres muçulmanas vistas e retratadas como oprimidas e sem capacidade de agência precisariam da salvação de mulheres ocidentais, sendo estas últimas o grande exemplo de liberdade a ser seguido. Ora, se um desses pilares é a educação, por que então logo uma escola de meninas, onde elas são alfabetizadas e aprendem sobre seus direitos, é um dos primeiros espaços a se tornarem alvos desses ataques? Se elas precisam de salvação, por que a última coisa que tem sido feita é salvá-las?", questiona a pesquisadora em artigo

Mulher durante o funeral das vítimas da escola de Minab. - Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA/ Reuters/ reprodução

Apesar dos problemas da República Islâmica, a especialista pondera que houve avanços sociais nos últimos 47 anos. Dados do Banco Mundial e da Unesco apontam que a alfabetização das mulheres passou de cerca de 30%, nos anos 1970, para cerca de 85%, nos anos 2000.

A participação das mulheres iranianas nas universidades subiu de 33%, na década de 1970, para cerca de 60%, nos anos 2000. Por outro lado, a participação delas no mercado de trabalho segue reduzida, algo em torno de 15% a 20% do total das pessoas empregadas.

Autoria do ataque

O ataque à escola de meninas de Minab foi condenado pela comunidade internacional e o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do ocorrido.

Estados Unidos e Israel não reconheceram ainda a autoria do ataque. A Casa Branca diz que está investigando o caso. Já Israel informou que não encontraram “nenhuma ligação” do ataque com as operações militares de Tel Aviv.

Berenice Bento cita a chamada Doutrina Dahiya, do exército israelense, que se baseia na destruição em larga escala de habitações e estrutura, para argumentar que o ataque deve ter sido intencional.

“Com o ataque à escola, eles estão querendo dizer não vão deixar pedra sob pedra. É destruir tudo. Para que a própria população civil, diante daquela destruição, se coloque contra o poder local. Eles destruíram Gaza inteira para fazer com que a população de Gaza se posicione contra o Hamas”, avaliou.

O nome da doutrina faz referência ao bairro Dahiya, zona densamente povoada de Beirute, no Líbano, onde o Hezbollah tinha uma das suas bases, e que foi amplamente bombardeado por Israel na guerra do Líbano de 2006.

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), avalia que o ataque às escolas, hospitais e infraestrutura civil em Gaza abriu espaço para novos crimes em outros países do Oriente Médio.Para Misleh, as mulheres da região não precisam ser “salvas”, e sim de apoio e solidariedade.

O jornal norte-americano New York Times (NYT), após analisar imagens de satélites, publicações nas redes sociais e vídeos verificados, indica que a escola foi severamente danificada por ataque de precisão, que ocorreu simultaneamente a ofensivas dos EUA a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica. 

“As declarações oficiais de que as forças americanas estavam atacando alvos navais perto do Estreito de Ormuz, onde está localizada a base da Guarda Revolucionária Islâmica, sugerem que eles provavelmente foram as responsáveis ​​pelo ataque”, avaliou o NYT.

Levando em consideração a proximidade da escola em relação ao objetivo militar, o major-general português Agostinho Costa avalia que o bombardeio pode ter sido um erro de alvo.

“Já estive em locais submetidos a ataques com mísseis Tomahawk podendo constatar que a margem de erro existe”, comentou o especialista em segurança e geopolítica.

 

O que o novo Datafolha mostra realmente

 

Leitura mais cuidadosa da pesquisa indica que Lula mantém liderança estrutural e entra na disputa de 2026 com vantagem política e eleitoral consistente

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A nova pesquisa do instituto Datafolha sobre a eleição presidencial de 2026, publicada neste sábado, foi rapidamente apresentada por alguns analistas e pelo “mancheteiro” do UOL/Folha como sinal de alerta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O argumento é simples: o senador Flávio Bolsonaro teria crescido e agora aparece tecnicamente empatado com Lula em um eventual segundo turno. Mas uma leitura mais cuidadosa dos números aponta para uma interpretação bem diferente — e, na verdade, bastante positiva para o atual presidente.

No cenário de segundo turno testado pelo Datafolha, Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro. A diferença de três pontos configura empate técnico dentro da margem de erro, mas o dado central permanece: Lula continua numericamente à frente.

Mais importante do que isso é observar a estrutura da disputa. No primeiro turno, Lula mantém liderança consistente em todos os cenários testados, com 38% e 39% das intenções de voto, conforme o cenário, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 32% e 34%. Ou seja: mesmo após a consolidação de sua candidatura no campo bolsonarista, o senador ainda aparece alguns pontos atrás.

Quando se olha para a dinâmica eleitoral brasileira, esse tipo de quadro costuma indicar algo bastante claro: o jogo já está majoritariamente definido.

Se Lula parte de algo próximo a 40% e o principal adversário da direita aparece pouco acima de 30%, o espaço real de disputa eleitoral fica restrito a uma faixa relativamente pequena do eleitorado. Em termos práticos, significa que algo em torno de 20% dos eleitores está efetivamente em disputa entre os dois polos políticos.

É justamente nesse terreno que as campanhas eleitorais produzem seus efeitos.

E nesse ponto o presidente Lula possui uma vantagem estrutural importante. Para uma parcela significativa desses eleitores ainda indecisos ou voláteis, o atual presidente representa algo muito valorizado em períodos de incerteza: estabilidade na vida cotidiana. Em um país marcado por crises políticas recentes, essa percepção tende a pesar mais do que discursos de confronto permanente.

Enquanto isso, o campo bolsonarista enfrenta um desafio mais complexo. O senador Flávio Bolsonaro tenta construir uma imagem própria, menos marcada pelos conflitos que caracterizaram o período do governo de seu pai. Mas campanhas eleitorais raramente permitem reinvenções completas de biografia. Esse verniz que está sendo buscado impor à imagem de Flávio será trincado.

À medida que o debate eleitoral avançar, as tentativas de reconstrução de imagem inevitavelmente serão confrontadas com episódios do passado político do senador. As rachadinhas, Queiroz e imóveis comprados com dinheiro vivo virão à tona. Em disputas polarizadas, a narrativa sobre trajetória e credibilidade, que sustentam a história que está sendo vendida, pesa mais do que propostas programáticas.

Nesse contexto, a atual diferença registrada pela pesquisa tende a ganhar outro significado. Se hoje Lula aparece três pontos à frente dentro da margem de erro, é plausível imaginar que, com a campanha em andamento e com maior exposição das biografias dos candidatos, essa vantagem se consolide.

Historicamente, eleições brasileiras mostram que, quando um candidato chega à campanha com liderança consistente e base eleitoral consolidada, a tendência é que a disputa se estabilize com pequena vantagem para quem já ocupa a dianteira.

Por isso, longe de indicar fragilidade, os números do Datafolha devem ser lidos como sinal de um cenário relativamente favorável ao atual presidente. O campo oposicionista conseguiu organizar um nome (ou melhor, sobrenome) competitivo, mas ainda precisa demonstrar capacidade de ampliar seu eleitorado para além do núcleo bolsonarista. E não vejo que isso acontecerá.

Se a campanha seguir essa lógica, não seria surpreendente que a disputa termine com uma diferença semelhante à registrada em outras eleições recentes: algo em torno de cinco pontos percentuais de vantagem para Lula.

Em política, pesquisas não são fotografia do resultado. Mas elas indicam tendências. E a tendência que emerge dessa nova rodada do Datafolha é a de uma eleição disputada — porém ainda com o atual presidente chegando alguns passos à frente.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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Em pronunciamento, Lula anuncia medidas contra feminicídio e defende mais proteção às mulheres no Brasil

 

Presidente apresenta ações de segurança, igualdade salarial e combate à violência doméstica no país


Em pronunciamento, Lula anuncia medidas contra feminicídio e defende mais proteção às mulheres no Brasil (Foto: PR/Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (7) um pronunciamento em razão do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8). Na fala, o chefe de Estado destacou a gravidade da violência contra mulheres no Brasil, anunciou novas medidas de enfrentamento ao feminicídio e defendeu avanços em direitos sociais e trabalhistas.

Lula afirmou que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios do país e citou dados alarmantes sobre assassinatos de mulheres.

“O Brasil precisa começar encarando a realidade, por mais dura que ela seja. A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil”, afirmou o presidente. Segundo ele, cada feminicídio resulta de uma sequência de violências cotidianas. “Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas”, disse.

O presidente também ressaltou que a maioria dessas agressões ocorre dentro do ambiente doméstico. “A maioria esmagadora dessas agressões acontece dentro de casa, no ambiente que deveria ser de proteção”, afirmou.

Pacto contra o feminicídio e operações policiais

Durante o discurso, Lula mencionou o lançamento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, assinado em fevereiro com participação dos três Poderes. O objetivo é ampliar ações de prevenção e repressão à violência de gênero.

Entre as medidas anunciadas está um mutirão nacional para cumprimento de mandados de prisão contra agressores. “Um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos estados, para prender mais de dois mil agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade”, declarou Lula.

O presidente também indicou novas operações e reforçou o compromisso do governo com a responsabilização dos agressores. “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher”, afirmou.

Entre as iniciativas previstas estão o rastreamento eletrônico de agressores com vítimas sob medida protetiva, ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e fortalecimento das Procuradorias da Mulher.

O governo também anunciou a criação do Centro Integrado da Segurança Pública, que reunirá dados e sistemas de monitoramento de agressores.

“A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido”, disse o presidente.

Ampliação de serviços de proteção

Lula afirmou ainda que o governo pretende ampliar a rede de atendimento às vítimas de violência doméstica. A proposta inclui a expansão de unidades dos Centros de Referência e das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem acolhimento, assistência jurídica e serviços sociais para mulheres e seus filhos.

O presidente também abordou desigualdades no mercado de trabalho e destacou a lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

“Para as mulheres, todo dia é um dia de luta”, afirmou. Ele citou ainda a necessidade de discutir mudanças nas condições de trabalho. “Está na hora de acabar com a escala 6x1, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver.”

Programas sociais e impacto nas famílias

No pronunciamento, Lula mencionou políticas públicas que, segundo ele, têm impacto direto na vida das mulheres. Entre elas, citou o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida e novos programas como Pé-de-Meia, Gás do Povo e Luz do Povo.

Também destacou a ampliação do programa de distribuição gratuita de absorventes e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

O presidente ainda criticou o avanço de plataformas de apostas digitais no país, apontando consequências para as famílias.

“Embora a maioria dos viciados sejam homens, a conta recai sobre as mulheres. É o dinheiro da comida, do aluguel, da escola das crianças que desaparece na tela do celular”, disse.

Ele defendeu medidas contra esse tipo de atividade on-line. “Os cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular.”

Segurança de mulheres na internet

Lula também abordou a violência contra mulheres nas redes sociais e o impacto do discurso de ódio no ambiente digital.

“O discurso de ódio nas redes violenta, difama, incentiva a agressão contra as mulheres e meninas e afasta lideranças femininas da vida pública”, afirmou.

Segundo o presidente, o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes (ECA Digital) entrará em vigor na próxima semana, ampliando a proteção de menores na internet. Ele também indicou que novas medidas voltadas à segurança digital de mulheres e meninas serão anunciadas ao longo do mês.

Ao encerrar o pronunciamento, Lula defendeu mudanças estruturais na sociedade brasileira. “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar.”

O presidente concluiu com um apelo sobre a gravidade da violência de gênero no país. “Porque quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio.” (247)

Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho


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sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Incêndio de grandes proporções atinge colégio centenário em Santa Maria (RS)

 

Em rede social, o prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo (PSD), afirmou que está acompanhamento o caso.


                                Por Estadão Conteúdo


Um incêndio de grandes proporções atinge o centenário Colégio Marista Santa Maria, no município homônimo do interior do Rio Grande do Sul. Por enquanto, não há informações sobre feridos e se pessoas estavam dentro do imóvel no momento do início do fogo.

Vídeos compartilhados em redes sociais mostram que o incêndio pode ser visto a quadras de distância, com uma grande nuvem escura. O combate às chamas está em andamento.

Em rede social, o prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo (PSD), afirmou que está acompanhamento o caso. "A Prefeitura já colocou toda a sua estrutura à disposição, incluindo a Defesa Civil, para auxiliar no que for necessário. Nossa prioridade é a segurança de todos", destacou.

Fundada há 120 anos, a tradicional escola é localizada na Rua Floriano Peixoto, no centro da cidade.

Políticos gaúchos lamentaram o caso. O deputado federal Paulo Pimenta (PT) destacou que envolve uma "escola que faz parte da história da cidade e da formação de gerações de santa-marienses" "Que todos estejam bem e que a situação seja plenamente controlada o quanto antes", completou.

A deputada federal, Fernanda Melchionna (PSOL) também lamentou a situação. "É fundamental que as investigações sobre as causas do incêndio sejam conduzidas com agilidade, transparência e rigor, para que se esclareçam os fatos, se apurem responsabilidades e se evitem novas ocorrências semelhantes", defendeu.


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Polícia do Paraguai entrega Silvinei Vasques à PF

Ex-diretor da PRF e condenado pelo STF será transferido para Brasília

                           André Richter - Repórter da Agência Brasil

 Polícia do Paraguai/Divulgação


ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques já está sob custódia da Polícia Federal (PF)

Vasques foi detido nesta sexta-feira (26), no Paraguai, ao tentar embarcar para El Salvador com um passaporte falso.

Por volta das 20h, o ex-diretor foi levado pela polícia paraguaia para a fronteira com o Brasil e entregue a agentes da PF na Ponte da Amizade, que liga Foz do Iguaçu, no Paraná, a Ciudad del Leste. Ele deve ser transferido para Brasília nas próximas horas. 

Condenado a 24 anos e 6 meses de prisão na ação penal do Núcleo 2 da trama golpista, o ex-diretor cumpria prisão domiciliar, mas rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o país vizinho para evitar o cumprimento da pena. A fuga ocorreu na madrugada de Natal.

Após ser informado sobre a fuga, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a prisão preventiva do ex-diretor.

De acordo com a PF, a tornozeleira parou de emitir sinal de GPS por volta das 3h da madrugada de quinta-feira (25). Em seguida, agentes foram ao apartamento do ex-diretor, localizado em São José (SC), e constataram que ele não estava na residência. 

Após verificarem o sistema de câmeras do prédio, os agentes concluíram que ele esteve no apartamento até as 19h22 da véspera de Natal, na quarta-feira (24).

As imagens do circuito interno de TV mostraram Vasques colocando bolsas no porta-malas de um carro. Ele usava uma calça de moletom preta, camiseta cinza e um boné preto.

Ele também levou um cachorro da raça Pitbull, ração e tapetes higiênicos durante a fuga. 


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ACIDENTE Avião de Rey Vaqueiro cai em pista particular e pega fogo no Rio Grande do Norte

  Não houve feridos com quadro grave; cantor cancelou dois shows que faria em Pernambuco                                   Por Agência O Gl...