quinta-feira, 31 de outubro de 2019

ESTADOS UNIDOS Câmara formaliza processo de impeachment de Trump

A votação sobre o processo de impeachment ocorreu no fim da manhã desta quinta-feira (31)

  Por: AFP
Câmara de Representantes formaliza processo de impeachment de Trump
Câmara de Representantes formaliza processo de impeachment de TrumpFoto: Win McNamee / POOL / AFP / CP

A Câmara de Representantes dos Estados Unidos votou, nesta quinta-feira (31), a favor de avançar no processo de investigação para um processo de impeachment do presidente Donald Trump, estabelecendo um marco legal que permitirá aos congressistas interrogar publicamente as testemunhas convocadas.

"Hoje a Câmara tomou o seguinte passo, estabelecendo os processos para audiências abertas, conduzidas pela Comissão de Inteligência da Câmara, para que o público possa ver os dados por si mesmo", declarou, antes da votação, a presidente da Casa, a democrata Nancy Pelosi.



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Grave! Morte de motociclistas aumenta de 8% para 33% em 17 anos, diz pesquisa

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O percentual de mortes de motociclistas em acidentes de trânsito no Brasil subiu de 8,3% em 2000 para 24,8% em 2008, ano da implantação da Lei Seca, e continuou subindo, mais lentamente, até 33,4% em 2017, segundo o Boletim Proadess (Projeto de Avaliação de Desempenho do Sistema de Saúde), elaborado pelo Laboratório de Informação em Saúde (ICICT) da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Segundo o levantamento, as regiões Norte e Nordeste apresentaram as maiores taxas de mortes em acidentes em 2017, 44,5% e 43,4%, respectivamente.  Em 2000, esses índices alcançavam 13,6% e 12,1% em cada região.
O médico Josué Laguardia, pesquisador do ICICT e responsável pelo estudo, disse hoje (30) que vários fatores influenciam em um maior risco de morte em acidentes com motocicletas. São veículos que apresentam menor proteção para o motorista e o passageiro, do que um veículo automotor, como carro, caminhão ou ônibus, “que oferecem mais proteção do que uma moto, na qual o motorista tem maior exposição”. Segundo Laguardia, isso piora se ele não está usando capacete, luvas, botas, jaqueta adequada. “Tudo isso pode agravar o risco de um acidente ser fatal”, disse.
Laguardia acrescentou que uma via em que falta sinalização coloca em risco tanto motoristas como pedestres. A questão da velocidade e da qualidade da infraestrutura também influenciam em termos de maior risco de acidente e de lesão grave ou óbito. “É um conjunto de fatores que, inter-relacionados, pode aumentar o risco de acidente. E, no caso do motociclista, esse acidente pode ser mais grave por ele estar menos protegido. Assim como ocorre com o pedestre também”.
Gastos do SUS
A elevação da taxa de mortes em acidentes com motociclistas repercute também em termos de aumento de gastos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Josué Laguardia disse que além de ter profissionais para assistência no local do acidente e para fazer o atendimento adequado às vítimas no estabelecimento hospitalar, bem como no período de internação, os acidentados exigem muitas vezes uma equipe de profissionais para fazer sua reabilitação.
“A maior gravidade das lesões vai demandar tempo de internação, cirurgias ortopédicas com colocação de órteses ou próteses, a questão da reabilitação. Tudo isso vai demandar recursos muitas vezes públicos para esses acidentados”.
O Boletim Proadess revela que dos R$ 260 milhões gastos pelo SUS em 2017 com internações por acidentes de trânsito, em torno de 63% foram destinados a motociclistas. O percentual mais elevado está no Nordeste (75,8%) e o menor na Região Sul (50,4%). Os motociclistas representavam 40% das pessoas internadas por acidentes em 2008 e passaram a representar mais de 50% em 2017. Laguardia disse que esses gastos excluem atendimento pré internação e pós-internação.
Aumento de frota
No período 2000 a 2008, houve um aumentou em 211% na frota de motos e em 261% nas mortesde motociclistas no Brasil. No período posterior, de 2008 a 2017, esses índices caíram para 96,6% e 36,6%, respectivamente. Apesar disso, permanecem números elevados da frota de motos nas regiões Norte (163,5%) e Nordeste (167,4%) entre 2008 e 2017 e também do número de óbitos, que, entretanto, permanecem os mais altos do país (122,8% e 91,5%). Já o Sudeste teve taxa negativa de óbitos (-3,2%) no mesmo período.
De acordo com o porte dos municípios, verifica-se que a proporção de mortes de motociclistas em  cidades de até 20 mil habitantes e em municípios de 20 mil a 100 mil habitantes subiu de 9,9% e 10,4%, respectivamente, em 2000, para cerca de 38% em ambos em 2017.
O Boletim Proadess destaca que a maior parte das mortes envolvendo motos abrange a população jovem entre 20 e 39 anos de idade, sendo que cerca de 45% são óbitos do sexo masculino e 35% do sexo feminino.(Agência Brasil)

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Estudantes de Petrolina pedem ajuda de Consulado brasileiro para deixarem Bolívia

Foto: Globo.com/reprodução

Duas estudantes de Petrolina que estudam medicina e moram em Cochabamba, na Bolívia, buscaram ajuda do Consulado do Brasil para voltarem ao país. Elas alegam que as aulas da universidade foram suspensas e estão impedidas de sair de casa desde que as eleições do país foram realizadas.
“Infelizmente está passando por conflito desde o dia das eleições, no dia 20 de outubro. Estamos presas em casa, não podemos sair para a rua, não estamos podendo fazer feira de mercado, não estamos tendo aula porque está muito perigoso para sair para a rua. Entramos em contato com o Consulado Brasileiro para ver o que poderia ser feito por quem está vivendo aqui, mas infelizmente a resposta que tivemos é que no momento eles não podem fazer nada”, lamentou a estudante Ápia Ferraz.
Devido aos conflitos, as estudantes enfrentam dificuldades para comprar alimentos.
A Bolívia está passando por um problema sério cívico e questões eleitorais. Está tudo fechado, a gente tem comida restrita. Eu mesma tenho comida até hoje. Meus vizinhos bolivianos estão me adotando, me acolhendo. A universidade não se pronuncia com nada, está tudo fechado, tudo complicado, a gente só dentro de casa. A cada dia as coisas pioram aqui, o Consulado Brasileiro não se pronuncia com nada e estamos aqui nessa loucura, doida para ir embora”, relatou Camila Monteiro.
Itamaraty
Em nota, o Itamaraty informou que a Embaixada acompanha a situação de segurança na Bolívia e orienta os brasileiros a permanecerem em casa e estocarem água e mantimentos:
A Embaixada em La Paz e as repartições consulares brasileiras na Bolívia continuam a acompanhar estreitamente a situação de segurança naquele país e a orientar os nacionais lá presentes, permanente ou temporariamente.
As representações têm alertado os brasileiros, por meio de seus canais na internet, a permanecer em suas residências, estocar, na medida de suas possibilidades, água e mantimentos, e evitar aglomerações e manifestações de qualquer natureza. Recomenda-se, ademais, a leitura dos alertas publicados no Portal Consular do Itamaraty, disponíveis nas páginas: http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/alertas/protestos-sociais-na-bolivia e http://www.portalconsular.itamaraty.gov.br/alertas/recomendacoes-aos-turistas-e-comunidade-brasileira-bolivia. (Fonte: G1 Petrolina)


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domingo, 27 de outubro de 2019

Alberto Fernández se elege e derrota o neoliberalismo na Argentina

Com 94,4% dos votos apurados para presidente da Argentina, o candidato Alberto Fernández aparece com 47,87%, enquanto o atual presidente Mauricio Macri tem 40,63%. Modelo neoliberal que levou a Argentina à pobreza sofre dura derrota nas urnas


247 - As primeiras informações oficiais do resultado das eleições na Argentina foram divulgados às 21h deste domingo (27).  
Com 94,4% dos votos apurados para presidente da Argentina, o candidato Alberto Fernández aparece com 47,87%, enquanto o atual presidente Mauricio Macri tem 40,63%.
Pelas regras eleitorais do país, o primeiro colocado será eleito em primeiro turno se tiver 45% dos votos ou, então, 40%, desde que tenha 10 pontos percentuais a mais que o segundo colocado.
Acompanhe a comemoração da vitória de Alberto Fernández:
Fernández nunca concorreu a um cargo majoritário. Ele é um dirigente peronista e tem ex-presidente Cristina Kirchner como sua candidata a vice-presidente. 
Nste domingo, Fernández utilizou suas redes sociais para desejar feliz aniversário ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pedir sua liberdade. O peronista foi a Curitiba visitar Lula e seu programa de governo tem projetos sociais inspirados nos governos Lula e Dilma. 
 Em 2018, o presidente Mauricio Macri recorreu ao Fundo Monetário Internacional, que concedeu a ele ajuda financeira de US$ 57 bilhões em três anos, em troca de um programa de forte ajuste fiscal. Ainda falta a liberação de US$ 13 bilhões, mas o FMI aguarda o resultado da eleição para negociar com quem for eleito.
Durante a campanha, Fernández propôs uma trégua de 180 dias para sindicatos e movimentos sociais para fazer descolar a indústria e assim o país retomar o crescimento econômico.
Por outro lado, Mauricio Macri, que fracassou na aplicação do modelo neoliberal na Argentina, pediu um voto de confiança para continuar na linha de austeridade, que, ele argumentava, deveria dar frutos muito em breve.
Leia reportagem anterior, da agência Reuters, sobre as eleições na Argentina:
BUENOS AIRES (Reuters) - Eleitores argentinos foram às urnas neste domingo para votar em uma eleição presidencial que tem o candidato peronista de centro-esquerda, Alberto Fernández, como claro favorito a tirar a Presidência do neoliberal Mauricio Macri, que foi abalado pela severa crise econômica sofrida pelo país.
Uma vitória de Fernández, um político negociador cuja candidatura foi impulsionada pela ex-presidente e companheira de chapa Cristina Kirchner, gera preocupação no mercado financeiro, que teme que isso leve a uma maior intervenção estatal na economia.
Macri é o favorito dos mercados, mas os especialistas consideram muito difícil que ele consiga recuperar a vantagem de 20 pontos percentuais que Fernández registrou nas primárias de agosto, que funcionam como uma espécie de pesquisa de intenção de voto oficial.
Se o resultado das primárias se repetir neste domingo, o líder oposicionista vencerá já em primeiro turno.
“Acredito que vai haver mais participação do que nunca, ao menos do que em várias décadas”, disse o presidente Macri a jornalistas logo depois de votar. Ele acrescentou que “é preciso se expressar através do voto com clareza, de que é aquilo que você sente”.
Apesar dos investidores já considerarem a vitória do peronismo, o triunfo da oposição pode impactar os mercados na segunda-feira e provocar uma nova queda no já combalido peso argentino, que em agosto caiu muito após o resultado das primárias.
Fernández, que foi chefe de gabinete em parte dos governos do ex-presidente Néstor Kirchner (2003-2007) e de Cristina Kirchner (2007-2015), sua candidata a vice, é um peronista moderado, que conseguiu unir seu partido numa coalizão chamada Frente de Todos.
“Estamos numa enorme crise e temos que trabalhar juntos por um país melhor”, disse Fernández depois de votar.
A forte alta na inflação, no desemprego e na pobreza são os pontos fracos de Macri e de sua aliança de centro-direita, a Juntos pela Mudança, que no entanto mantém o apoio de um grupo de eleitores que veem nele uma melhora na transparência e nas iniciativas públicas.
As urnas ficarão abertas até as 18h no horário local e a expectativa é que os primeiros resultados da contagem preliminar sejam divulgados três horas depois. Além de presidente, os argentinos devem eleger deputados, senadores, governadores e dirigentes locais.


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Parabéns, presidente Lula!

O colunista Gustavo Conde disseca a representação de Lula para o povo trabalhador brasileiro no momento em que a América Latina passa por uma gigantesca transformação social. Ele diz: "Lula é a síntese do Brasil, mas não do Brasil fraudulento das elites seculares. Lula é a síntese da resposta que o povo brasileiro produziu diante dessas elites, num misto de paciência, generosidade, inteligência, sacrifício, resiliência e apetite por soberania"
A interdição de Lula e a última ilusão
A interdição de Lula e a última ilusão (Foto: Stuckert)

De todas as qualidades de Lula, o seu apreço pela democracia é o mais impressionante. Quando decidiu combater a ditadura militar e as injustiças seculares que emperravam o desenvolvimento social de um país inteiro, Lula não organizou uma guerrilha, nem um exército paramilitar. Ele fundou um partido político. 
É por isso que sua figura não fica muito confortável no panteão dos chamados maiores revolucionários de esquerda da história: Fidel, Mao, Lenin, Che, todos tinham uma visão romântica do poder. Era pegar em armas, rechaçar o inimigo e promover a manutenção do novo sistema à força. 
Muita gente ainda acha hoje que esse é o caminho e, confesso que o Brasil, com sua imensa paciência de Jó, às vezes me faz pensar se não seria o caso.
A síndrome do totalitarismo, infelizmente, habita também os corações repletos de boas intenções – e a batalha semântica que daí decorre permanece atiçando os neurônios de muita gente que se diz progressista, incluindo os deste missivista. 
Mas o assunto é Lula e Lula é muito mais assunto do que tudo isso. A revolução que Lula promoveu nada tem a ver com as revoluções consagradas da esquerda romântica. Lula é muito maior do que todas elas juntas. 
Sem dar um tiro, sem usar a força, sem sequer usar a retórica da intimidação, Lula promoveu uma revolução muito mais profunda que as insurreições rudimentares subscritas no rol das soluções rápidas de turno. 
Lula fez uso do instrumento mais democrático da história do mundo do trabalho: a greve – este dispositivo tão demonizado por nossa elite e por nosso jornalismo de cativeiro. 
A partir das greves, Lula construiu um partido político, o único partido real de massas do país e um dos mais importantes do mundo. Goste-se ou não do PT, trata-se de um patrimônio brasileiro, tão imponente quanto a nossa música popular ou como as 160 línguas indígenas aqui faladas. 
Não bastasse, Lula mergulhou sua trajetória na odisseia do voto popular. Foi candidato a governador. Perdeu. Foi candidato a deputado constituinte. Ganhou. Foi três vezes candidato a presidência da República, perdeu. Insistiu e ganhou duas. No conjunto da obra, obteve mais de 280 milhões de votos dos brasileiros, somando-se eleições e turnos. 
Não há notícia de líder político com mais votos, a se julgar a proporção da população brasileira. 
Isso sem contar a imensa quantidade de prefeitos, deputados e governadores que se elegeram às custas de sua imagem ao longo de 30 anos da extinta democracia brasileira. 
Lula ainda foi além na compreensão de republicanismo democrático e recusou o terceiro mandato. Foi a antítese de FHC, que deu um golpe comprando o seu segundo mandato. Fica relativamente fácil de perceber por que FHC tem inveja mercurial de Lula e por que a nossa elite tende à histeria sôfrega quando o nome de Lula é pronunciado pelo povo. 
No mundo, só Mandela e Gandhi poderiam reivindicar posição similar à estatura histórica de Lula. 
E se você estranhou, praguejou ou pigarreou lendo a sentença acima, é porque seu complexo de vira-lata, caro leitor, ainda não foi totalmente superado. Porque é exatamente o complexo de vira-lata que produz a sentença invertida, tão popular nas hostes progressistas de grife: ‘Lula é tão grande quando Mandela e Gandhi’. 
Na verdade, trata-se do contrário: ‘Mandela e Gandhi são tão grandes quanto Lula’. 
Autoestima é isso. É não continuar a achar que o estrangeiro é sempre melhor, não importa se no enquadre etnocêntrico ou não. 
Hoje, ademais, é dia de Lula. Hoje e sempre. Este homem merece ter sua verdadeira dimensão reconhecida pelo mundo, até porque ele permanece generoso e humilde, com seus hábitos simples e sua lealdade à democracia. 
Lula é o produto mais extraordinário da somatória de toda a complexidade humana que estrutura essa ideia chamada Brasil. Nem a literatura foi capaz de produzir uma personagem tão complexa e tão representativa de nossa multiplicidade cultural, étnica e política. 
Lula é a síntese do Brasil, mas não do Brasil fraudulento das elites seculares. Lula é a síntese da resposta que o povo brasileiro produziu diante dessas elites, num misto de paciência, generosidade, inteligência, sacrifício, resiliência e apetite por soberania. 
Lula é a razão pela qual o Brasil ainda não explodiu em violência como tantos outros países portadores de elite genocida pelo mundo. 
Ele não foi Fidel, não foi Mao, não foi Lenin. É essa ambiguidade que faz a elite latejar em histeria permanente diante da monumentalidade de Lula: é graças a ele, Lula, que essa elite ainda não foi dizimada por uma revolta popular violenta. Paradoxalmente, Lula municia o país de diálogo e política, com todos os corolários que esse gesto pode desencadear, até o próprio sufocamento, como a prisão política tentou lhe impor até aqui. 
Mas Lula é fênix. Sua capacidade de se reinventar é tão grande que derrotas são transformadas em vitórias num piscar de olhos. Ele já deu essa aula e o hábito o coloca mais uma vez na condição de professor. 
Por outro lado, a América Latina entra em ebulição, também na esteira das injustiças cometidas contra Lula. 
Se Lula fosse argentino e estivesse na condição de preso político, a população daquele país já teria incendiado todas as ruas e praças. Se fosse chileno, já estaria nos braços do povo. Equatoriano, idem. Se fosse boliviano, já teria saído do cárcere político e conquistado, inclusive, o acesso ao mar. 
Aliás, que ninguém nos ouça, se Lula fosse argentino, já teria ganho o Nobel da Paz, porque soberania e autoestima coletiva aparentemente fazem parte do efeito de respeitabilidade internacional pressuposto na concessão daquele prêmio.  
Em tempo: o imaginário subserviente brasileiro costuma fazer piada do ego argentino buscando um efeito compensatório: diante do nosso complexo de vira-lata, a autoestima do vizinho assusta. 
Toda essa engrenagem das reações embutida na monumentalidade de Lula e no caráter macunaímico – e anímico – do brasileiro pacifista de si mesmo não significa apenas manifestar a frustração de não poder participar de uma insurreição inflamada pró Lula, mas significa, entre outras coisas, que Lula jamais seria apenas argentino, chileno ou equatoriano.
Lula é cidadão do mundo.
Mas, estruturalmente, Lula é um brasileiro de origem pobre. Sua luta é travada em uma outra dimensão, na dimensão das palavras, dos gestos, dos tempos, dos sentidos, da espiritualidade, da memória, da arte, do sonho, do amor e do exercício da inteligência. 
É por isso que América Latina e Lula se complementam. Os países latino-americanos precisam de Lula justamente por Lula ser diferente. Lula, por sua vez, precisa da América Latina, pois ela verbaliza a defesa clássica que se faz da soberania dos povos. 
Convém, nesse ínterim, não esquecer de uma coisa: Chile, Argentina, Uruguai e países irmãos não têm uma Rede Globo para massacrar sua soberania. Isso faz uma diferença considerável. A imprensa desses países pode ser mentirosa, violenta e subserviente aos EUA, mas nada se compara à Rede Globo que, a rigor, também é fruto de uma singularidade: é a representação perfeita da elite mais subdesenvolvida do planeta, potencializada pelas dimensões de um país continental.
Essa também é parte da explicação para o fato de Chile, Equador e Argentina se revoltarem contra o neoliberalismo desalmado: sem Globo, fica mais fácil. 
Mas o assunto é Lula. Lula e a América Latina. Brasil e América Latina. O que ocorre no Chile é, em grande medida, a resposta que os brasileiros não puderam-quiseram dar ao golpe de Estado contra a ex-presidenta Dilma Rousseff. 
O golpe no Brasil devastou o continente e a resposta chegou antes nos países vizinhos. O que vemos agora é o a América Latina sendo repovoada por governos soberanos de esquerda, à exceção miserável do Brasil que, por sua vez, caminha para o mesmo e irresistível destino. 
O povo latino-americano ama Lula. O povo latino-americano se inspira em Lula. O povo latino-americano sente a dor de Lula. O povo latino-americano precisa de Lula. 
Nós, brasileiros, precisamos dessa complementariedade. O momento é absolutamente alvissareiro para que, de uma vez por todas, o continente se una para produzir muita democracia e muita soberania. 
Sozinho, o Brasil é uma eterna jabuticaba. As singularidades deste país e o espírito democrático de Lula podem encontrar sua cara-metade política e aprofundar ainda mais os laços que foram construídos pelos governos soberanos do passado recente. 
Não é à toa que um dos primeiros sinais emitidos pelo novo presidente argentino seja o gesto Lula Livre, pois a Argentina precisa muito de Lula para enfrentar o desafio de lidar com herança maldita deixada por Maurício Macri. 
São essas e outras razões que me fazem, de maneira sentida, dar os parabéns a essa emanação da natureza chamada Luiz Inácio Lula da Silva. 
Lula, caros leitores, faz apenas 74 anos. Joe Biden tem 76, Roger Waters, 76, Gilberto Gil, 77, Bernie Sanders, 78 e Pepe Mujica 84. Ele é o caçula. Um caçula disciplinado que cuida da saúde como poucos. 
Dar os parabéns ao Lula é saber que ele estará presente, em vida e na política, pelos próximos 20 anos, com extrema disposição. Alguém aqui já viu um nordestino que passa dos 90 anos em ação? Tentem ver. Eles cultivam a terra, cuidam da família e apreciam tudo o que há de melhor nesta vida, da cachaça à poesia, da cantoria ao amor.  (247)
Parabéns, Lula! Celebrar sua chegada a este mundo é celebrar o próprio mundo. 

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“A sua liberdade é o que nos inspira e nos dá esperança”, diz Dilma em parabéns a Lula

Em vídeo, ex-presidente Dilma Rousseff deseja feliz aniversário ao ex-presidente Lula e enfatiza a importância de sua liberdade

(Foto: Rafael Ribeiro)

Revista Fórum - O Instituto Lula publicou um vídeo neste domingo (27), dia em que o ex-presidente completa 74 anos, com uma mensagem de Dilma Rousseff parabenizando por seu aniversário. No vídeo, Dilma enfatizou a necessidade urgente de liberdade do ex-presidente e que este seria um presente a todos os brasileiros e brasileiras.
“Querido amigo Lula, desejo de todo o coração que o seu novo ano de vida seja iluminado pela justiça e pela liberdade e pela recuperação integral e plena de sua cidadania. Este será o presente que você dará a nós, brasileiros e brasileiras, ser livre para exercer todos os seus direitos individuais e políticos”, disse a ex-presidenta.
“A sua saúde é o que nos anima. A sua liberdade é o que nos inspira e nos dá esperança. A sua felicidade será a nossa felicidade”, continuou.
Confira:




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Esquerda ganha eleições no estado alemão da Turíngia, frustrando a AfD

A Esquerda (Die Linke) ganhou as eleições no estado-federado da Turíngia, no Leste da Alemanha, com uma vantagem considerável face ao partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD)


DW Brasil - Resultados preliminares indicam a liderança da legenda A Esquerda na eleição estadual na Turíngia, no Leste alemão, que ocorreu neste domingo (27/10). O pleito deve confirmar ainda o fortalecimento dos populistas de direita da sigla Alternativa para Alemanha (AfD).
A Esquerda, que atualmente comanda o estado, deve obter 30,6% dos votos, um crescimento de 2,4 ponto percentual em relação à última eleição na região em 2014.
Em segundo lugar, estão os populistas de direita, com 23,6%. A AfD foi a legenda que mais cresceu desde a último pleito e mais do que dobrou o resultado anterior. O partido conquistou votos, principalmente, da União Democrata Cristã (CDU), que aparece em terceiro lugar, com 22,1%.
Apesar do terceiro lugar, os democrata-cristãos, da chanceler federal alemã, Angela Merkel, devem amargar a maior derrota, perdendo 11,4 pontos percentuais em relação a 2014.
O Partido Social-Democrata (SPD) também perdeu 4,1 pontos percentuais e deve conquistar 8,3% dos votos, enquanto o Partido Verde deve alcançar 5%, 0,7 ponto percentual a menos do que no pleito passado. A Assembleia Legislativa também deve contar ainda com deputados do Partido Liberal Democrático (FDP), que aparece com 5% dos votos, o dobro do conquistado em 2014.
O pleito teve uma alta  participação eleitoral, que chegou a 65,5% superando os 52,7% registrados há cinco anos.
A Turíngia foi o primeiro e único estado da Alemanha a ter um governador da legenda A Esquerda. A atual coalizão de governo, formada pela sigla, SPD e verdes, não deve, no entanto, conquistar assentos suficientes para garantir a maioria no parlamento regional e, para evitar um governo de minoria deve buscar outros parceiros.
O atual governador, Bodo Ramelow, afirmou que a eleição indica seu fortalecimento e disse que pretende assumir o mandato para governar novamente o estado.
Todos os partidos já rejeitam governar ao lado dos populistas de direita, que na Turíngia lançou como principal candidato o ultradireitista Björn Höcke, conhecido por sua posição anti-imigração e por constantemente minimizar o Holocausto.
Após a divulgação dos primeiros resultado, Höcke afirmou que sua legenda deseja participar do governo e disse que o resultado é um claro sinal de que os alemães desejam uma "nova democracia".
Resultado preocupante
Representantes de organizações judaicas e muçulmanas mostram preocupação diante do avanço dos populistas de direita. A ex-presidente do Conselho Central dos Judeus Charlotte Knobloch falou em "erosão da cultura democrática" na Alemanha. "Onde um partido como esse celebra sucesso, há um problema", acrescentou.
"Quem votou na AfD sabia exatamente o que estava fazendo. Com seu voto, muitos eleitores apoiaram um partido que há anos com sua banalização do regime nazista, seu nacionalismo aberto e seu ódio contra minorias, incluindo a comunidade judaica, prepara o terreno para a exclusão e a violência de extrema direita", destacou Knobloch.
O presidente do Conselho Central dos Muçulmanos na Alemanha, Aiman Mazyek, afirmou que o fato de quase um quatro dos eleitores terem votado "num partido de extrema direita" é "muito mais do que um sinal de alarme".


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Câmara aprova o fim da escala 6x1, numa das maiores vitórias do governo Lula

  Proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos por mudanças nas jornadas de trabalho e 19 contra...