terça-feira, 12 de maio de 2026

'Quem diria que um dia ia me casar', afirmou esposa morta por guarda municipal no dia do casamento

 

Nájylla Duenas enviou mensagem celebrando união horas antes do crime; guarda municipal segue preso por feminicídio

Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, morreu baleada no dia em que oficializou o casamento; horas antes da cerimônia, ela celebrou a união em mensagem enviada a familiares (Foto: Arquivo pessoal)


Nájylla Duenas Nascimento, de 34 anos, morreu a tiros no sábado (9), poucas horas após oficializar o casamento civil com o guarda municipal Daniel Barbosa Marinho, de 55 anos. A vítima deixou três filhos, de 15, 12 e 8 anos, que presenciaram o crime. Antes de morrer, Nájylla enviou mensagens a familiares comemorando a união. “Quem diria que um dia ia me casar”, escreveu. Os relatos foram publicados no Portal G1.

As informações sobre o caso apontam que o crime ocorreu após uma discussão entre o casal. Segundo o boletim de ocorrência, familiares conseguiram retirar as crianças do local durante uma luta corporal. Em seguida, o guarda municipal pegou a arma funcional, agrediu Nájylla e disparou contra ela antes de fugir.

Testemunhas afirmaram que Daniel retornou à residência momentos depois e efetuou novos tiros. Equipes do Samu socorreram a vítima, mas ela não resistiu aos ferimentos. O caso ganhou ainda mais repercussão por ocorrer na véspera do Dia das Mães.

De acordo com a Guarda Municipal, o próprio agente acionou a corporação após o assassinato. Policiais levaram Daniel para a 2ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde ele permaneceu preso em flagrante.

A corporação informou que abriu procedimento administrativo disciplinar e determinou o afastamento preventivo do servidor por 90 dias. O processo interno pode resultar na demissão do agente.

Histórico de agressões

A mãe da vítima, Rosilaine Alves Duenas, afirmou que o guarda apresentava comportamento agressivo quando consumia bebida alcoólica. Segundo ela, familiares alertaram Nájylla diversas vezes sobre o relacionamento, mas a filha decidiu manter o casamento.

“Não é fácil, meu filho. Só Deus”, declarou Rosilaine, emocionada, ao comentar a morte da filha.

Ela também revelou que Nájylla realizava o sonho de estudar Direito em uma faculdade on-line. “Queria se formar advogada”, contou.

A vítima era a mais velha entre quatro irmãos. A família viajou do Paraná até Campinas no domingo (10) para acompanhar os procedimentos de liberação do corpo e organizar o velório.

Defesa pede liberdade provisória

Em nota, a defesa de Daniel Barbosa Marinho afirmou que acompanhará as investigações e sustentou confiança na apuração técnica do caso.

“O que posso dizer sobre o ocorrido, enquanto defensor do Daniel, é que estarei acompanhando atentamente o caso e confiando plenamente na apuração técnica (pericial) e imparcial das circunstâncias”, afirmou o advogado.

A defesa também destacou que Daniel se apresentou espontaneamente às autoridades e colaborará com as investigações.

“Daniel se apresentou espontaneamente, em momento algum imaginou fuga, se apresentou ao comando da guarda municipal e colaborará com as investigações.”

O advogado declarou ainda que pretende insistir no pedido de liberdade provisória e afirmou que a versão apresentada pelo acusado será debatida durante o processo judicial.

“A dinâmica dos fatos, o que realmente ocorreu será debatido pela defesa nos autos, e duramente através das garantias da ampla defesa.”

Na manifestação, o defensor disse que evitará divulgar detalhes da versão do cliente neste momento, em respeito à vítima e aos familiares, além de aguardar os laudos periciais relacionados ao caso.

“É uma ocorrência extremamente sensível e grave, em especial por se tratar de feminicídio, que tem assolado nosso país, com pena que foi endurecida, portanto é fundamental que no devido processo legal se possa também lançar o olhar na ampla defesa para ao final se fazer justiça”. - 247.


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