quinta-feira, 2 de abril de 2026

Em resposta a Trump, Irã promete ataques "devastadores" e sobe o tom

 

Teerã nega enfraquecimento e afirma que ataques dos Estados Unidos e de Israel não destruíram seus principais sistemas militares


Ilustração mostra as bandeiras do Irã e dos EUA 27/01/2022 REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa (Foto: REUTERS/Dado Ruvic/Foto ilustrativa)

A escalada militar no Oriente Médio ganhou novo capítulo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na quarta-feira (1º), sobre intensificar bombardeios contra o Irã por mais duas ou três semanas. Em resposta, autoridades iranianas prometeram ações “devastadoras” contra alvos americanos e israelenses, enquanto ataques e interceptações de mísseis foram registrados na região, ampliando a instabilidade e os impactos globais do conflito, relata o jornal O Globo.

A reação de Teerã ocorreu poucas horas após o pronunciamento de Trump, em que o líder americano afirmou que pretende levar o Irã “à Idade da Pedra” caso não haja acordo. O Irã rejeitou qualquer sinal de enfraquecimento militar e reafirmou sua capacidade de resposta.

Em comunicado transmitido pela televisão estatal, o comando militar Khatam al Anbiya declarou: “Com a confiança em Deus Todo-Poderoso, esta guerra continuará até sua humilhação, desonra, arrependimento permanente e inevitável, e rendição”. A nota ainda acrescenta: “Aguardem nossas ações mais devastadoras, amplas e destrutivas”.

Durante seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos estão “muito perto” de atingir seus objetivos e reforçou a ameaça de intensificar ataques à infraestrutura iraniana, incluindo usinas elétricas. O presidente também declarou que a capacidade do Irã de lançar mísseis e drones estaria “drasticamente reduzida”.

Autoridades iranianas, no entanto, contestaram essa avaliação. A Guarda Revolucionária afirmou que os ataques conduzidos por EUA e Israel não destruíram seus principais sistemas militares. Segundo o comunicado, os adversários “não sabem nada sobre nossas vastas e estratégicas capacidades”.

O porta-voz das Forças Armadas iranianas, tenente-coronel Ebrahim Zolfaghari, reforçou que o país mantém estoques ocultos de armamentos. Ele afirmou que “os centros que vocês pensam ter como alvo são insignificantes, e nossa produção militar estratégica ocorre em locais que vocês desconhecem e jamais alcançarão”.

Já o major-general Amir Hatami, comandante do Exército iraniano, elevou o tom ao advertir sobre possíveis ações terrestres dos EUA. Em entrevista à televisão estatal, declarou que, caso haja invasão, “nenhuma pessoa” sobreviverá entre os invasores. Ele também afirmou: “A sombra da guerra deve ser dissipada do nosso país e deve haver segurança para todos, porque não é possível que haja lugares seguros e nosso povo inseguro”.

A tensão se materializou em novos ataques na região. As Forças Armadas de Israel informaram a interceptação de mísseis lançados a partir do Irã, levando moradores a buscar abrigo, inclusive durante celebrações religiosas. Em Tel Aviv, ao menos quatro pessoas ficaram levemente feridas.

Países do Golfo também registraram incidentes. Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita relataram a interceptação de drones e mísseis, enquanto o Bahrein acionou sirenes de alerta, sem detalhar a origem da ameaça.

No Irã, o Ministério da Saúde denunciou danos significativos ao Instituto Pasteur, em Teerã. O porta-voz Hosein Kermanpur afirmou que o ataque representa “um ataque direto contra a segurança da saúde internacional”.

A crise também provocou alertas de segurança. A Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá informou que milícias ligadas ao Irã podem realizar ataques nas próximas 24 a 48 horas contra alvos associados aos EUA, incluindo instalações diplomáticas, empresas e infraestrutura energética, recomendando que cidadãos americanos deixem o Iraque imediatamente.

No cenário internacional, a guerra mobiliza potências globais. O Kremlin informou que o presidente russo, Vladimir Putin, está disposto a contribuir para uma solução pacífica. Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, “se nossos serviços forem de alguma forma necessários, estamos, é claro, prontos para contribuir para garantir que a situação militar transite para um curso pacífico o mais rápido possível”.

A China também se manifestou, exigindo um cessar-fogo imediato. A porta-voz Mao Ning afirmou que Pequim considera as ações militares dos Estados Unidos e de Israel como a principal causa das tensões no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo.

Com o conflito já ultrapassando um mês, os desdobramentos seguem pressionando mercados internacionais e ampliando o risco de uma escalada ainda mais ampla no Oriente Médio. - 247.


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