segunda-feira, 8 de junho de 2020

Dilma: recontar mortos equivale ao crime de ocultação de cadáveres

"Tornar invisíveis as vítimas da Covid19 por meio de uma maquiagem estatística não vai diminuir a epidemia, abrir vagas em hospitais e esvaziar cemitérios. E é um grave insulto à memória dos mortos por uma doença que o governo se recusa a enfrentar", disse a ex-presidente Dilma Rousseff, em artigo publicado no seu blog

Dilma cobra queda de preços dos combustíveis.
Dilma cobra queda de preços dos combustíveis. (Foto: Brasil247)

Por Dilma Rousseff, em seu blog – O Brasil atingiu uma fase cada vez mais aguda da epidemia do coronavírus, com recordes de mortes, que chegaram a 1.400 vítimas fatais num único dia e com a devastadora média de um óbito por minuto.
Agora, o governo acrescentou à sua já notória negligência no enfrentamento da crise do Covid-19 um ato estarrecedor e patético de irresponsabilidade, além de absolutamente ineficaz, que é atrasar a liberação dos dados e questionar sua veracidade. No mundo da internet, apesar do Governo de Bolsonaro, os dados serão obtidos junto às secretarias estaduais de saúde, devidamente apurados, somados e divulgados. Todos sabemos que o que está por trás da recontagem dos dados é sua maquiagem, sua redução deliberada para esconder o crescimento vertiginoso dos números de contágio da doença e da perda de vidas. Essa decisão de ocultar as informações sobre os efeitos da Covid19 ocorre justamente no momento em que o Brasil acumula mais de 36 mil mortes e 650 mil contaminados, tornando-se o epicentro mundial da pandemia.
De forma precipitada, por pressão liderada por Bolsonaro, alguns governos estaduais e prefeituras passaram a liberar o acesso ao comércio e às ruas, afrouxando as medidas de distanciamento social, única maneira até agora de conter a propagação da doença num país que, como o Brasil, não tem testes, nem respiradores, leitos de UTI e equipamento hospitalar em volume suficiente para atender a população.
Esconder informações oficiais, sonegando dados que deveriam ser de domínio público, é um método típico de regimes autoritários, como a ditadura militar brasileira, que pretendeu ocultar, naquela época, o aumento das mortes por meningite. Foi um fracasso e até hoje lembramos dessa malfadada tentativa.
Recontar mortos no contexto atual equivale a cometer crime de ocultação de cadáveres, de triste lembrança para quem, durante a ditadura militar, perdeu parentes e amigos cujos assassinatos jamais foram admitidos pelo estado. Tornar invisíveis as vítimas da Covid19 por meio de uma maquiagem estatística não vai diminuir a epidemia, abrir vagas em hospitais e esvaziar cemitérios. E é um grave insulto à memória dos mortos por uma doença que o governo se recusa a enfrentar, como se, para Bolsonaro e seus apoiadores, as vidas dos brasileiros não tivessem importância, o que ele demonstra em seguidas declarações, tais como “morrer é o destino de todo mundo”, “eu não sou coveiro” e o ainda mais desdenhoso “e daí?”
Mas as vidas brasileiras importam, sim, e devem ser protegidas, não apenas da epidemia do coronavírus, mas também de um governo obscurantista e irresponsável, que não demonstra empatia pelo povo ao qual devia servir. A coincidência perversa da tragédia de uma epidemia com a catástrofe de um governo de índole e comportamento fascistas só será superada com a destituição de Bolsonaro, o combate prioritário à doença, a retomada da atenção aos direitos do povo e o restabelecimento da democracia em sua plenitude.
Dilma Rousseff foi a primeira mulher presidente da República no Brasil, eleita em 2010, reeleita em 2014 e alvo de um golpe de estado em 2016.


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Ministério da Saúde publica números divergentes sobre a Covid-19 no Brasil

Na noite de domingo (7), Ministério publicou dois balanços; o segundo balanço contabilizava 857 mortos a menos que o primeiro

                Por: AFP
Cemitério em Manaus, AM
Cemitério em Manaus, AMFoto: Michael Dantas/AFP
O Ministério da Saúde publicou na noite deste domingo (7) números divergentes de casos e mortes por Covid-19 em dois balanços divulgados com horas de diferença, em meio a uma polêmica sobre a difusão de dados sobre a pandemia. O segundo balanço apresenta 857 mortos a menos que o primeiro, mas 6 mil casos a mais de contágios.

O primeiro balanço, enviado por Whatsapp por volta das 20h30 de Brasília deste domingo, informava em uma captura de tela de um gráfico nacional que o Brasil totalizava 37.312 óbitos de Covid-19, com 1.382 mortes a mais com relação ao sábado.

O segundo balanço, atualizado quase duas horas depois no Painel Coronavírus, plataforma digital do Ministério, registrava um aumento de 525 mortes nas últimas 24 horas, sem menção ao total de falecidos na pandemia.
O número de casos confirmados nas últimas 24 horas aumentou de 12.581 no primeiro balanço para 18.912 no segundo. O Ministério não respondeu à AFP qual dos dois balanços é o correto.

Se o segundo balanço for considerado válido, o Brasil teria 691.758 casos confirmados e 36.455 mortes por Covid-19 desde o início da pandemia.

A pasta tinha informado junto com o primeiro balanço que retomaria a difusão dos números totais da pandemia, depois de fortes críticas por ter decidido dois dias antes emitir apenas boletins com os números diários, sem o balanço total.

A mudança na política de divulgação de dados gerou críticas das autoridades sanitárias, políticos e representantes dos poderes públicos, que alertaram para a necessidade de informação transparente sobre a pandemia.

O país, com 212 milhões de habitantes, é o segundo em número de casos e o terceiro no registro de óbitos. O presidente Jair Bolsonaro argumentou pelo Twitter no sábado que as cifras totais "não retratam o momento do país".

Mas o Conselho Nacional de Secretários da Saúde (Conass), que reúne os secretários regionais de saúde, acusou o governo de "invisibilizar" as mortes por COVID-19.

As secretarias regionais, por iniciativa própria, lançaram neste domingo um portal compilando os dados dos 27 estados brasileiros. Na plataforma, o país registrava 690.928 casos e 36.437 óbitos até este domingo. Os dados, preliminares, não incluíam as informações de cinco estados que ainda não haviam atualizado seus balanços.


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Após forte pressão, governo promete recuar e manter divulgação detalhada de dados da Covid-19

Após um vaivém iniciado na sexta, o Ministério da Saúde divulgou duas notas na noite deste domingo (7) afirmando que está finalizando uma plataforma que trará os números detalhados da pandemia

                 Por: Folhapress
Teste de coronavírus
Teste de coronavírusFoto: Tarso Sarraf/AFP

Após forte reação de especialistas, políticos e integrantes do Judiciário sobre a forma de divulgação dos dados do coronavírus nos últimos dias, o governo anunciou um recuo e prometeu retomar a divulgação detalhada dos impactos da doença.

Após um vaivém iniciado na sexta, o Ministério da Saúde divulgou duas notas na noite deste domingo (7) afirmando que está finalizando uma plataforma que trará os números detalhados da pandemia.

Na última delas, voltou a falar em problemas técnicos e oficializou a intenção de divulgar os dados tendo como base a data da morte e não a data em que se confirmou que a pessoa morreu por coronavírus registrado pelas autoridades.
A pasta também prometeu deixar acessível para consulta o acumulado de casos, já que havia o temor de casos cuja confirmação atrasasse sumissem dos registros oficiais.

A iniciativa sinaliza um recuo em relação à posição dos últimos dias, quando o governo passou a informar somente o número de casos e mortos computados nas últimas 24 horas (e não o total), omitindo do site informações do acumulado de casos, além do detalhamento por estados.

Agora, o governo diz que a nova plataforma mostraria dados do Brasil, de regiões, estados, capitais e regiões metropolitanas "com os respectivos gráficos de evolução diária dos novos registros".

A pasta promete colocar a página interativa no ar nos próximos dias. "Assim, será possível acompanhar com maior precisão a dinâmica da doença no país e ajustar as ações do poder público diante a cada momento da resposta brasileira à doença."

Apesar de mencionar a iniciativa, o governo não informou o horário em que as atualizações diárias ocorrerão. Nos últimos dias, os números atualizados passaram a sair quase às 22h (na gestão de Luiz Henrique Mandetta, os números era apresentados no fim da tarde).

O presidente Jair Bolsonaro, ao ser questionado sobre o horário, respondeu que não haveria mais a divulgação dos números no Jornal Nacional, da Rede Globo."Acabou matéria no Jornal Nacional", disse. "Não interessa de quem partiu, é justo sair às 22h, é o dado completamente consolidado. Muito pelo contrário, não tem que correr para atender a Globo".

As decisões do governo sobre uma nova metodologia dos casos motivou o Conass (Conselho Nacional dos Secretários de Saúde) a elaborar um painel próprio de informações, reunindo dados de contaminados e de óbitos em contagem paralela à do governo federal.

Os primeiros dados do conselho foram informados na noite deste domingo (7), conforme informou a coluna Painel, e apontava que, nas últimas 24 horas, foram registrados 1.113 mortos.Na contagem do governo federal, atualizada na noite de domingo, o número de mortos foi de 1.382 nas últimas 24 horas.

"A proposta é realizar readequações para proporcionar uma informação sobre o cenário atual com uma abordagem técnica, porém mais simples e de fácil entendimento e acesso à população em geral", afirmou o Ministério, na última nota divulgada à imprensa.

"O novo modelo de divulgação de informações sobre a COVID-19 abordará o cenário atual da doença, com análise de casos e mortes por data de ocorrência, de forma regionalizada. Dessa forma, toda a rede de atenção à saúde estará em condições de se adequar e agir com mais efetividade contra a doença. O uso da data de ocorrência (e não da data de registro) auxiliará a se ter um panorama mais realista do que ocorre em nível nacional e favorecerá a predição, criando condições para a adoção de medidas mais adequadas para o enfrentamento da COVID-19, nos âmbitos regional e nacional", acrescentou.


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CARGAS Dois caminhões com 235 mil latas de cerveja sem nota fiscal são retidos em Garanhuns

                   Via:(DP)
Um dos motoristas era reincidente nesta prática (Foto: PRF / Divulgação)
Um dos motoristas era reincidente nesta prática (Foto: PRF / Divulgação)

Dois caminhões que transportavam 235,8 mil latas de cerveja sem nota fiscal foram retidos na madrugada deste domingo (7), pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), na BR 423, em Garanhuns. As cargas haviam saído de Natal, no Rio Grande do Norte, e seriam entregues na capital paulista.

Durante a abordagem ao primeiro caminhão, que transportava 112,3 mil latas de cerveja, o motorista informou que havia adquirido a mercadoria em um supermercado e não portava a nota fiscal. Pouco depois, ele apresentou cupons de parte da compra, que não possuem valor fiscal pelo órgão tributário.

Cerca de 20 minutos depois, outro caminhão que transportava 113,5 mil latas de cerveja foi abordado na mesma situação. O motorista era reincidente nessa prática e já havia sido abordado pela PRF em janeiro deste ano com o mesmo caminhão.

Os veículos foram encaminhados junto com as cargas ao pátio. As ocorrências foram encaminhadas à Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE), para a adoção dos procedimentos legais.



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Coronavírus: com quase 700 mil infectados, Brasil registra 36,5 mil mortes

Ministério da Saúde mudou o número de infectados e mortos por causa do novo coronavírus divulgado neste domingo. Número de casos confirmados no Brasil deve superar os 700 mil ainda nesta segunda

Coveiros com trajes de proteção enterram homem morto pela Covid-19 em cemintério em São Paulo 04/06/2020
Coveiros com trajes de proteção enterram homem morto pela Covid-19 em cemintério em São Paulo 04/06/2020 (Foto: REUTERS/Amanda Perobelli)

As secretarias estaduais de saúde registraram, até a manhã desta segunda-feira (8), cerca de 692.363 casos confirmados da Covid-19 e 36.505 mortes provocadas pela doença no Brasil. O levantamento é do portal G1
Comandado por militares, o Ministério da Saúde mudou o número de infectados e mortos por causa do novo coronavírus divulgado neste domingo. Depois de anunciar 1.382 mortes por Covid-19 no país, mais tarde alterou o número para 525, uma diferença de 857 óbitos.
O último balanço do Ministério da Saúde, divulgado neste domingo (7), informa 36.455 mortes e 685.427 casos de contágio pelo novo coronavírus no país, acrescenta a reportagem. Na última quinta-feira (4), foram registradas 1.473 mortes em 24 horas. 
No Amapá, cerca de 98,8% dos leitos de UTI estão ocupados. A taxa de ocupação também supera 90% nos estados do Pernambuco (98%), Maranhão (96%) e Rio de Janeiro (90%). (247)

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Pernambuco confirma mais 881 casos, 288 curados e 35 mortes pela Covid-19

                        Via:Santanavinicius

A Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) confirmou, neste domingo (7), 881 novos casos da Covid-19 em Pernambuco. Entre os confirmados hoje, 165 se enquadram como Síndrome Respiratória Aguda Grave (Srag) e 716 como leves. Agora, o estado totaliza 40.242 casos confirmados, sendo 15.861 graves e 24.381 leves.
Além disso, o boletim registra 21.773 pessoas curadas da Covid-19 no estado. Desse total, 5.880 são de casos graves e 15.893 casos leves. Os casos graves confirmados da doença estão distribuídos por 165 municípios pernambucanos, além do arquipélago de Fernando de Noronha e da ocorrência de pacientes de outros estados e países.
Também foram confirmados laboratorialmente 35 óbitos, sendo 20 do sexo feminino e 15 do sexo masculino. Com isso, o estado totaliza 3.305 mortes pela doença. As mortes ocorreram entre os dias 17 de abril e 6 de junho, e os pacientes tinham idades entre 41 e 113 anos. As faixas etárias dos pacientes que morreram eram: 40 a 49 (3), 50 a 59 (6), 60 a 69 (6), 70 a 79 (8), 80 ou mais (12).
Os novos óbitos confirmados são de pessoas residentes nos municípios de Recife (9), Jaboatão dos Guararapes (2), Cabo de Santo Agostinho (2), Paulista (2), Palmares (2), Camaragibe (1), Abreu e Lima (1), Agrestina (1), Água Preta (1), Araçoiaba (1), Caruaru (1), Catende (1), Correntes (1), Exu (1), Ipojuca (1), Itambé (1), Ouricuri (1), Paranatama (1), Serinhaém (1), Tamandaré (1) e Vicência (1), além de dois pacientes de outros estados.
Dos 35 pacientes que vieram a óbito, 18 apresentavam comorbidades confirmadas, como hipertensão (10), diabetes (7), doença cardiovascular (6), histórico de AVC (2), doença renal (2), transplantado (1), doença hepática (1), obesidade (1), doença de Alzheimer (1), imunodeprimido (1) – um paciente pode ter mais de uma comorbidade. Um não apresentava comorbidades, e os demais casos estão em investigação pelos municípios.(DP)

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Direitos humanos Trabalhadoras domésticas são submetidas a condições degradantes na casa de empregadores

                    Por: Marcionila Teixeira/DP
 (Foto: Agência Brasil)
Foto: Agência Brasil

Os relatos são chocantes. De flagrante desrespeito à condição do ser humano. Mas acontecem todos os dias. Sob o manto de uma aparente normalidade. Até que o pior acontece. E o “normal” passa a ser inaceitável. O caso do garoto Miguel Otávio Santana da Silva, 5 anos, que caiu do nono andar do condomínio de luxo conhecido como Torres Gêmeas, no Centro do Recife, expõe a forma como são tratadas as pessoas que fazem trabalhos domésticos no estado. A lista de horrores inclui talheres e pratos separados, refeição diferenciada e de baixa qualidade, proibição de acesso a elevador, obrigatoriedade de uso de fardamento e de dormir na casa do empregador, assédio sexual, violência física e psicológica, serviços arriscados e, ainda, não suspensão do contrato de trabalho durante a pandemia do novo coronavírus.

Quem chama a atenção para a situação dramática da categoria, formada majoritariamente por mulheres negras e com baixa escolaridade, é a pernambucana Luiza Batista, presidente da Federação das Trabalhadoras Domésticas. Ela própria vítima do trabalho doméstico infantil, invisibilizado até hoje e encarado, inclusive, como uma forma de salvar a criança pobre da miséria. Como se acesso à educação de qualidade não fosse o caminho. Aos nove anos, Luiza foi obrigada a cuidar de uma outra criança menor. Ao ser mordida pela menina, reagiu. Terminou espancada pela patroa. Até hoje, aos 63 anos, Luiza chora ao contar o caso.

“O caso de Miguel traz à tona a discussão sobre o racismo institucional. A chamada casa grande, mesmo em um momento de pandemia, não quer abrir mão da trabalhadora para ela ficar em casa com os filhos, já que as escolas estão fechadas. Mirtes, mãe de Miguel, teve que levar a criança para o trabalho. Você vê a irresponsabilidade da patroa. Se fosse o filho de uma pessoa amiga, ela jamais faria aquilo, colocaria o menino sozinho em um elevador. O racismo acontece nesse caso porque o menino era filho de uma mulher negra, doméstica, com baixo poder aquisitivo e escolaridade”, destaca Luiza.

A presidente da Federação lembrou que o próprio Ministério Público de Pernambuco (MPPE) considerou o trabalho doméstico não essencial em tempos de pandemia. “A medida provisória 936, do governo federal, também prevê a possibilidade de suspensão de contrato dessas pessoas. E isso não foi feito no caso de Mirtes. A patroa jamais poderia abrir mão da servidora para não estragar as unhas. Não se considera ocupando o papel de forrar cama, lavar pratos ou preparar o próprio alimento. Isso tudo é uma herança maldita do Brasil colônia.”

Em Olinda, na beira-mar, trabalhadores domésticos de um prédio com seis andares costumam usar a escada para chegar aos apartamentos onde prestam serviço ao invés do único elevador disponível. Uma moradora, uma universitária de 22 anos que pede para não ser identificada, conta que não há uma regra no condomínio sobre o assunto, mas alguns moradores determinam, por conta própria, que seus funcionários usem as escadas. “Sempre uso as escadas porque tenho medo de andar sozinha de elevador e vejo sempre a circulação dos trabalhadores. Inclusive, tinha uma que já era idosa e mesmo assim ela subia cada degrau.”

Luiza lembra que proibir o uso de elevador para trabalhadores domésticos é atitude discriminatória. “Não existe elevador social. Elevador é para pessoas. O de serviço é para carga, onde se recolhe lixo, se faz mudança. Mas sei de edifícios de luxo que insistem no elevador social e proíbem o acesso de trabalhadoras domésticas no espaço.”

Quanto ao uso de uniforme, Luiza destaca que a decisão deve ser tomada em consentimento com o trabalhador doméstico, que precisa se sentir bem com a roupa. Além disso, lembra, o valor da roupa não pode ser descontado no salário.

Outro relato ainda comum é a obrigação de dormir no emprego. “Aqui a cultura é a da servidão. Estou pagando e a pessoa tem que fazer do jeito que eu quero. O patrão pensa: não vou pagar para eu acordar cedo e ter que preparar meu desjejum.”

Essa ideia da servidão é tão impregnada na atitude do empregador que não há, sequer, preocupação com a saúde do trabalhador doméstico. E essa perspectiva fica escancarada em meio à pandemia. A mãe, Mirtes Souza, e a avó de Miguel, Marta Santana, inclusive, se contaminaram com a Covid-19, e teriam, segundo a família, permanecido à serviço da família de Sarí Côrte Real.

As noites dormidas no emprego também remetem à distância dos filhos e ao desconforto dos chamados quartos de empregada - construídos sem janelas e minúsculos. “A grande dor da trabalhadora doméstica é que a gente não acompanha o crescimento dos nossos filhos, não tem chance de sentar, conversar, orientar para que nossos filhos não se envolvam com algo errado”, reflete Luiza. 




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