terça-feira, 15 de outubro de 2019

Armínio admite que Dilma sofreu um golpe de Estado

(Foto: Reuters | Casa da America)

O jornalista de O Globo Ancelmo Góis informa em sua coluna que o economista Arminio Fraga, figura de destaque do governo de Fernando Henrique Cardoso, disse que tem muitas críticas aos governos do PT, mas que o impeachment de Dilma e a prisão de Lula foram retrocessos democráticos.  
A afirmação foi feita durante encontro com a direção da ONG internacional Human Rights Watch (247)


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PSB dá resposta a MDB com filiação de 60 novos quadros no Sertão do Araripe

   Via:Carlos Britto
Foto: Imprensa/PSB divulgação

Se o MDB de Pernambuco busca se fortalecer no Estado com lideranças como o prefeito de Petrolina Miguel Coelho, que anunciou ontem (14) seu ingresso na legenda, o PSB do governador Paulo Câmara também vai dando respostas. Durante agenda no Sertão do Araripe, o presidente estadual do partido socialista, Sileno Guedes, promoveu uma série de filiações nesta segunda-feira (14). Sessenta novos quadros – muitos pré-candidatos proporcionais e majoritários, além do prefeito Raimundinho Saraiva (Exu) – formalizaram seu embarque no PSB.
As atividades foram realizadas nos municípios de Bodocó, Moreilândia, Exu e Cedro e contaram com a presença do deputado federal Tadeu Alencar, líder do PSB na Câmara Federal.
Uma das principais filiações foi a de Raimundinho Saraiva, que chega para deixar o PSB mais forte na cidade. “Tivemos um dia importante para o PSB no Sertão do Araripe. Seguindo com a nossa agenda de filiações, promovemos grande atos, como a chegada do prefeito Raimundinho Saraiva, que vai nos ajudar em Exu. Além disso, estamos fortalecendo o PSB em diversas cidades, como foi o caso de Bodocó, com a filiação do pré-candidato Otávio Pedrosa, de Cedro, com a empresária Riva Bezerra, e Moreilândia, onde filiamos dezenas de candidatos proporcionais na liderança do prefeito Eri“, destacou o presidente Sileno Guedes.
A agenda teve início na cidade de Bodocó, com a filiação do pré-candidato a prefeito Dr. Otávio Pedrosa e mais 16 pré-candidatos a vereador. Em seguida, Sileno visitou Moreilândia onde, ao lado do prefeito Eri, o PSB filiou 18 pré-candidatos proporcionais. A agenda de filiações foi encerrada no município de Cedro, com a chegada da pré-candidata Riva Bezerra. O ato contou com a presença da deputada estadual Roberta Arraes (PP).

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Incêndio atinge Escola de Referência Otacílio Nunes, na Areia Branca

          Via:Carlos Britto

Um incêndio ocorrido por volta das 23h30 de ontem (14) na Escola de Referência em Ensino Médio (EREM) Otacílio Nunes de Souza, localizada no Bairro Areia Branca, zona leste de Petrolina, chamou a atenção de moradores.
O fogo, que era bastante alto, começou no mato perto do ginásio, mas se espalhou e teria atingido ao menos uma sala e a área da quadra poliesportiva da instituição. Uma equipe do 4º Grupamento do Corpo de Bombeiros (CB) foi acionada ao local e conseguiu conter as chamas. As causas do incêndio ainda são desconhecidas.


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NORDESTE Golfinho é 1º mamífero morto atingido por óleo em praia de Alagoas

Segundo o Ibama, 13 tartarugas e uma ave já morreram oleadas no litoral nordestino até esse sábado (12).
  Por: Folhapress
Golfinho achado morto
Golfinho achado mortoFoto: Instituto Biota

Um golfinho com manchas de óleo foi achado morto neste domingo (13) no município de Feliz Deserto, no litoral sul de Alagoas. A informação é do Instituto Biota de Conservação, que está fazendo o recolhimento do animal para necropsia. Foi o primeiro mamífero a surgir morto desde a aparição das manchas de óleo no Nordeste, no início de setembro.

Segundo relatório do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), 13 tartarugas e uma ave já morreram oleadas no litoral nordestino até esse sábado (12). De acordo com o coordenador do instituto, Bruno Stefanis, ainda não dá para saber a causa da morte do golfinho. "Somente com a necropsia podemos saber, se ela for conclusiva", afirma.

O professor Cláudio Sampaio, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), diz que, pela foto, se trata de um boto cinza, mas confirma que somente uma necropsia poderá afirmar se há relação do óleo com a morte. "Aparentemente estava em boas condições físicas, sem sinais de baixo peso, por exemplo. Como a carcaça está fresca, será possível inferir se o animal morreu por conta do óleo ou ficou sujo depois de sua morte."

Também ontem, novas manchas de óleo apareceram no litoral sul do estado, na Barra de São Miguel, o que levantou a suspeita de que o vazamento permanece ativo em algum local no mar. "A situação é complexa, o governo pouco informa, dificultando os trabalhos de limpeza das praias petrolizadas e a prevenção de outras. A chegada de novas manchas hoje pode sugerir um outro vazamento de petróleo, mas somente a análise desse material poderá indicar que seja de um petróleo distinto daquele que já chegou às praias", disse Sampaio.

Segundo o Ibama, até ontem foram 161 praias atingidas em 72 municípios dos nove estados da região.





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MEIO AMBIENTE - Bahia decreta estado de emergência por manchas de óleo no litoral

NORDESTE

Bahia decreta estado de emergência por manchas de óleo no litoral

Governo emitiu alerta para população não entrar em contato com óleo

  Por: Folhapress
Mancha de óleo atinge o litoral do Nordeste
Mancha de óleo atinge o litoral do NordesteFoto: Adema/Governo de Sergipe

O governador em exercício do estado da Bahia, João Leão, assinou nesta segunda-feira (14) três documentos que visam ajudar o estado a conter a mancha de óleo que se espalha rapidamente pelo litoral da Região Nordeste. Entre eles, a declaração de emergência nos municípios afetados pelo desastre ambiental.
O decreto permite que verbas contingenciais sejam usadas na contenção do óleo. João Leão assinou também um termo de recebimento de ajuda da sociedade civil e uma carta pedindo apoio ao Governo Federal.
“O decreto tem o intuito de nos ajudar a resolver o problema. Ele trata da participação do Estado e dos municípios neste processo para nos habilitar a receber recursos federais. O segundo documento é sobre a cooperação dos capelães do Brasil, que nos ofereceram 5 mil pessoas [voluntários]. Já o terceiro solicita o apoio da Petrobras, que é quem entende do assunto”, explicou o governador.
De acordo com a secretaria de Meio Ambiente do Estado da Bahia, 35 toneladas de óleo já foram retiradas do litoral. A coleta do material contaminado é feita por uma força-tarefa composta por bombeiros, Defesa Civil e funcionários municipais.
“Estamos intensificando o trabalho principalmente nas regiões onde há dificuldade de acesso, porque nas zonas mais urbanas as prefeituras têm atuado junto com o Governo do Estado. Nós temos colocado para as cidades a possibilidade não somente do decreto de emergência ambiental, como também equipamentos e materiais que permitem a retirada”, declarou o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, coronel Francisco Telles.
O governo da Bahia emitiu, ainda, um alerta para a população para que não entre em contato direto com o óleo e não toque ou remova resíduos contaminados.
Manchas de óleo
A presença da manchas de óleo no litoral nordestino foi notada no fim de agosto. A primeira localidade onde, segundo o relatório do Ibama, a contaminação foi comunicada, fica na Praia Bela, em Pitimbu (PB), onde os fragmentos de óleo foram avistados no dia 30 de agosto. A partir daí, a substância escura e pegajosa se espalhou pelos nove estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).
A Polícia Federal (PF), a Marinha e os órgãos ambientais do Brasil tentam agora esclarecer como o material chegou às águas territoriais brasileiras e poluiu trechos do litoral nordestino. De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, entre as hipóteses estão um possível vazamento acidental em alguma embarcação ainda não identificada; um derramamento criminoso do material por motivos desconhecidos ou a eventual limpeza do porão de um navio.
Ao participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, na semana passada, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que análises laboratoriais confirmaram que a substância não provém da produção da estatal petrolífera.


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CONDENAÇÃO Supremo julga na quinta-feira ações sobre prisão após segunda instância

  Por: Agência Brasil
Foto: Nelson Jr./SCO/STF
Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Dias Toffoli, marcou para quinta-feira (17) o julgamento das ações que discutem a constitucionalidade da prisão de condenados em segunda instância, conforme informou nesta segunda-feira (14) a assessoria da presidência da corte.

Em pauta estão três ADCs (ações declaratórias de constitucionalidade) que pedem para o STF declarar constitucional o artigo 283 do Código de Processo Penal, que diz que ninguém pode ser preso exceto em flagrante ou se houver sentença condenatória transitada em julgado - ou seja, após o julgamento dos recursos nas instâncias superiores.

Desde 2016 a jurisprudência do Supremo tem autorizado a execução da pena de réus condenados em segunda instância, antes de esgotados os recursos nos tribunais superiores, como foi o caso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), preso em abril de 2018.

Lula foi preso após ser condenado em segundo grau por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do tríplex de Guarujá (SP). Posteriormente, o STJ (Superior Tribunal de Justiça), que é considerado uma terceira instância, manteve a condenação do petista.

As ações que serão julgadas são de relatoria do ministro Marco Aurélio e foram ajuizadas pelo antigo PEN (hoje, Patriotas), pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e pelo PC do B.

Na quinta, a análise do tema começa com as sustentações orais dos autores das ações. A expectativa é que o julgamento todo se estenda por ao menos três sessões plenárias.

As duas primeiras ações foram liberadas para julgamento em plenário pelo relator no final de 2017. Na ocasião, a então presidente do STF, ministra Cármen Lúcia, evitou pautar seu julgamento, o que gerou críticas públicas de colegas do tribunal.

Uma eventual mudança no entendimento do Supremo sobre a execução provisória da pena poderá ter impacto no caso de Lula se os ministros entenderem que, para determinar a prisão, é preciso esperar o trânsito em julgado (a análise dos recursos pelo STF).

Há uma outra hipótese em discussão, proposta em 2017 por Toffoli, que admite a execução da pena após a condenação na "terceira instância", o STJ.

No caso do tríplex, Lula foi condenado pelo STJ em abril deste ano, quando a corte baixou a pena de 12 anos e 1 mês de prisão, fixada pelo TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região), para 8 anos, 10 meses e 20 dias.

Lula ainda tem um recurso (embargos) pendente de análise no STJ. Pela proposição da "terceira instância" de Toffoli, basta que o STJ mantenha a condenação, independentemente de caberem recursos internos, para que a execução da pena seja possível.

Prevalecendo esse entendimento entre a maioria dos ministros do Supremo, Lula não seria beneficiado no caso do tríplex.

O presidente do Supremo vinha estudando julgar as ações sobre o tema há alguns meses. Desde que, em junho, vieram a público conversas de procuradores da Lava Jato e do ex-juiz Sergio Moro, obtidas pelo site The Intercept Brasil, tem aumentado no STF a percepção de que é preciso colocar um freio de arrumação na operação, corrigindo eventuais excessos.

Ministros têm dito que a prisão em segunda instância é uma possibilidade que deve ser adotada mediante uma decisão fundamentada do juiz ao analisar cada caso. Porém, segundo ministros do Supremo, o TRF-4 tem determinado a prisão indiscriminada de todos os condenados em segundo grau, o que estaria extrapolando o entendimento do STF sobre o tema.

Conforme o jornal Folha de S.Paulo noticiou em 12 de setembro, o STF prepara uma série de julgamentos que devem servir de recado à Lava Jato. As ações incluídas na pauta desta quinta-feira fazem parte desse contexto.

Recentemente, o tribunal já anulou duas condenações impostas pelo então juiz Moro por causa de uma questão técnica, a ordem de apresentação de alegações finais em processos penais. Para a maioria dos ministros, os réus delatados devem ter o direito de falar por último, depois dos réus delatores, para terem a oportunidade de se defender de todas as acusações que venham a surgir.

Esse julgamento, sobre a ordem das alegações finais, ainda não terminou. Os ministros devem fixar parâmetros para evitar uma avalanche de anulações de sentenças, mas não há data para isso.

No início do mês, Toffoli sinalizou aos colegas da corte a intenção de levar a discussão sobre as alegações finais ao plenário do Supremo no mesmo dia do debate sobre as ações que questionam a constitucionalidade da prisão após condenação em segunda instância.

Outro julgamento polêmico deve ser o de um habeas corpus pedido pela defesa de Lula, em que o petista sustenta que Moro atuou sem a imparcialidade necessária na condução do processo do tríplex. Esse julgamento será na Segunda Turma do STF, e também deve ser realizado em breve, quando o ministro Gilmar Mendes, que pediu vista, liberá-lo para análise do colegiado.

Pautas na agenda do Supremo

Suspeição de Moro
Lula pede ao STF a suspeição do ex-juiz Sergio Moro nos casos do petista que tramitam ou tramitaram no Paraná. Se o pedido for aceito, a sentença do tríplex de Guarujá (SP), que originou a prisão do ex-presidente, pode ser anulada, e Lula sairia da cadeia. O caso é julgado na Segunda Turma.

Caso Coaf
O presidente do STF, Dias Toffoli, suspendeu investigações criminais baseadas em informações detalhadas fornecidas por órgãos de controle, como o Coaf. O julgamento no plenário está marcado para 21 de novembro, mas Toffoli pode antecipá-lo.

Prisão após segunda instância
O julgamento deve decidir, de forma definitiva, se a execução da pena após a condenação em 2ª instância é constitucional. Inicialmente estava previsto para abril, mas foi adiado por Toffoli. Novo julgamento está previsto para esta quinta-feira (17).

Delatores versus delatado
A Segunda Turma anulou a condenação, proferida por Moro, do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine por entender que ele deveria ter tido mais tempo para se defender de acusações feitas por delatores julgados no mesmo processo. Fachin decidiu levar a questão ao plenário, desta vez no caso do ex-gerente da Petrobras Márcio de Almeida Ferreira.






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Após combater mineração ilegal em Terras Indígenas, coordenador da Funai é afastado


Servidor de carreira da Fundação Nacional do Índio (Funai), o indigenista Bruno Ribeiro foi exonerado do cargo de coordenador-geral de Índios Isolados, função que desempenhava desde junho de 2018. A demissão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) do dia 4 de outubro. Horas antes do afastamento, o dirigente estava combatendo mineradoras que pretendiam atuar na Terra Indígena Yanomani, em Roraima.
Ribeiro diz que não foi informado sobre o motivo da exoneração. Mas arrisca. “Nos últimos dois meses atuamos pesado junto com outras instituições contra o garimpo, fazendo inutilização de garimpo, destruindo garimpo. Fizemos, agora em setembro, a maior destruição de garimpo do ano, em região de índios isolados. A última operação de combate à mineração foi na reserva Yanomami, onde destruímos garimpos. Cheguei à tarde e recebi minha exoneração.”
A demissão ocorre no momento em que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) deve apresentar o projeto de lei que libera atividades exploratórias em terras indígenas, incluindo mineração, e legalizando garimpos.
De acordo com o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, a proposta está na Casa Civil, onde sofrerá ajustes antes de ser apresentada ao Congresso Nacional. O anúncio foi feito em Brasília em 3 de outubro, um dia antes da demissão de Ribeiro.
Reação e crise
A demissão foi criticada por seus antecessores no comando da Coordenadoria-Geral de Índios Isolados, em carta divulgada no último dia 7 de outubro. No documento, os indigenistas afirmam que a demissão do servidor é política e “sem motivos técnicos aparente.”
“Chamamos atenção ainda para o Crime de Genocídio em curso, pelos frequentes cortes e contingenciamentos impostos à Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato, e neste momento pela exoneração do Coordenador-Geral Bruno Pereira. Ressalte-se que possíveis interferências ideológicas como as que estamos presenciando nos quadros técnicos da Funai, em especial, desta Coordenação Geral, é da maior gravidade”, afirmam os ex-dirigentes no documento.
Desde a nomeação do delegado da Polícia Federal Marcelo Augusto Xavier, em 19 de julho deste ano, para a presidência da Funai, a entidade tem enfrentado uma crise. Dos 15 coordenadores do órgão, 12 foram trocados.
Xavier, que já foi assessor especial para Assuntos Fundiários de Nabhan Garcia, ex-presidente da União Democrática Ruralistas, e teve seu nome aprovado pela bancada ruralista, foi criticado por um servidor da Funai, que pediu para não ter a identidade revelada.
“Ele está colocando gente sem qualquer experiência na área, que nunca viu um índio na vida, a começar pelo presidente. O nível interno de debate despencou. Lá dentro, quem sabe o que está fazendo e tem alguns anos na Funai, está desesperado, não há como influenciar quem chegou agora e está agindo contra os indígenas”, afirma.
Ribeiro concorda. “As pessoas que estão dentro da Funai nunca trabalharam com indígenas na vida, as pessoas não entendem o que é uma discussão indigenista. Eu sinto que há um ranço, rancor, são medidas vingativas. Isso está minando o trabalho indigenista”, explica.
Um exemplo ocorreu no dia 3 de setembro deste ano, quando o ministro da Justiça Sérgio Moro nomeou para a Diretoria de Proteção Territorial da Funai Silmara Veiga de Souza, que já atuou como advogada contra o povo Ka’aguy Hovy em uma contestação na cidade de Iguape, no litoral de São Paulo. A pasta que ela coordena é responsável por demarcar terras indígenas.
Para Ribeiro, a atual política da Funai provocará o “aniquilamento dos povos indígenas, da nossa diversidade. São mais de 200, mais de 300 povos indígenas e 400 terras indígenas que terão seus territórios disputados. Eu não vejo um cenário positivo”. Confira a entrevista do indigenista na íntegra:
Brasil de Fato: A Funai já o procurou para falar o motivo de sua exoneração?
Bruno Ribeiro: Não sei, não fui informado de nada ainda. Apenas fui informado pela Diretora de Proteção Territorial, nas vésperas da publicação de minha exoneração, que era uma decisão do alto escalão, a ordem veio de cima, sem qualquer justificativa. Até porque, quem está na Funai hoje pouco compreende, ou nada compreende, de política para índios isolados.
Por quê você acha que a Funai teria interesse em intervir politicamente na Coordenadoria-Geral de Índios Isolados?
É um cargo muito técnico, é muito qualificada a discussão de índios isolados, dentro da floresta e no meio da mata. Mas há um grande interesse sim, não há como discordar. Existem várias regiões de índios isolados que são de interesse econômico. A disputa por terra na Amazônia, mineração e garimpo em terra indígena, claro que a pauta índio isolado chama a atenção. A sociedade apoia a política para índio isolado do Brasil e existe uma disputa territorial na Amazônia.
O que está acontecendo nesse momento na Funai?
É complexo falar porque os sinais existem, mas o discurso não é claro. Não há diálogo com os servidores. A sensação que tenho é que há um ranço muito grande, em relação a tudo que a Funai já foi e o trabalho que realizava. A Funai nasceu o ano no ministério da Mulher, depois uma parte da Funai foi levada para o ministério da Agricultura. Depois, o Congresso e o STF reverteram várias manobras do governo e isso não agradou o alto escalão do governo. As pessoas que estão dentro da Funai nunca trabalharam com indígenas na vida, as pessoas não entendem o que é uma discussão indigenista. Eu sinto que há um ranço, rancor, são medidas vingativas. Isso está minando o trabalho indigenista.
Qual o tamanho da influência da bancada ruralista na Funai?
Basta ver os currículos de quem entrou na Funai. Não é difícil visualizar quem está indicando quem lá dentro. Os servidores estão silenciados, servidores de carreira são retirados de cargos estratégicos. A Funai está sendo tomada por interesses que não são dos índios.
Qual a tua perspectiva para os indígenas nos próximos anos?
A perspectiva que sempre foi a deles, de muita luta. Os índios nos ensinaram a resistir, a ser resiliente e tentar sobreviver. Ninguém desse governo procurou os índios para tentar conversar, eles elegem uns dois ou três para colocar em live de rede social e acha que é isso. Será o aniquilamento dos povos indígenas, da nossa diversidade. São mais de 200 línguas, mais de 300 povos indígenas e 400 terras indígenas, que terão seus territórios disputados. Eu não vejo um cenário positivo. É caminhar para a aniquilação, com discurso de economia.
Qual a importância da Coordenadoria-Geral de Índios Isolados dentro da estrutura da Funai?
Ela é extremamente complexa. Depois de 32 anos da criação dessa coordenação, temos uma primeira intervenção do governo. Não houve qualquer diálogo. É um cargo muito sensível, todas as gestões e governos que passaram, respeitaram esse cargo porque é muito técnico. Em março desse ano, fizemos um contato com um grupo isolado (Korubo) no Vale do Javari, faziam 23 anos que a Funai não protagonizava um contato. São populações que uma simples gripe pode dizimar todos eles. Essas populações depende do Estado para ter proteção aos seus territórios, precisamos de pessoas que sabem o que está fazendo para um serviço diplomático, esses povos não sabem quem é a Funai, o que é avião, carro nem quem é o presidente da República. Então, os indigenistas sabem como fazer esse contato, são pessoas preparadas para isso. 
Você acha que alguma ação tua conflitou interesses do governo?
Nos últimos dois meses atuamos pesado junto com outras instituições contra o garimpo, fazendo inutilização de garimpo, destruindo garimpo. Fizemos, agora em setembro, a maior destruição de garimpo do ano. A última operação de combate à mineração foi na reserva Yanomami, onde destruímos garimpos, foi na sexta-feira, cheguei à tarde e recebi minha exoneração.
Outro lado
Em nota, a Funai refutou a possibilidade de que a demissão de Bruno Ribeiro tenha sido política:
Conforme artigo nº35 da Lei nº8.112/97, inciso I, a exoneração de cargo em comissão e a dispensa de função de confiança é um ato discricionário da autoridade competente. Ou seja, é algo natural quando há renovação da presidência dentro de órgãos públicos, e, muitas das vezes necessário para que novas diretrizes de gestão sejam implementadas.
A posse do senhor Marcelo Xavier, como presidente da Funai, deu-se há mais de dois meses, em 24 de julho último; assim sendo, as mudanças nos cargos de confiança estão sendo realizadas de forma gradativa.
Todas as alterações observam a legislação e a regulamentação inerentes ao ato administrativo, prezando pela lisura e transparência ao cidadão.
Reitera-se que o serviço público atua sob o princípio da impessoalidade, de modo que as atividades de proteção territorial continuarão ocorrendo.(Do Brasil de Fato)


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