domingo, 29 de setembro de 2019

BRASIL - Atitude de Janot é inaceitável, diz novo procurador-geral

Um dia após os relatos de Janot, ministro Alexandre de Moraes ordenou uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal em endereços 
ligados ao ex-PGR em Brasília

  Por: Folhapress
Augusto Aras
Augusto ArasFoto: Roberto Jayme/TSE
O novo procurador-geral da República, Augusto Aras, afirmou neste sábado (28), por meio de nota, que considera "inaceitáveis as atitudes" divulgadas por Rodrigo Janot, ex-chefe da PGR, que afirmou ter tido a intenção de matar o ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal). "O Ministério Público Federal é uma instituição que está acima dos eventuais desvios praticados por qualquer um de seus ex-integrantes", diz a nota da assessoria de Aras.

"O procurador-geral da República, Augusto Aras, considera inaceitáveis as atitudes divulgadas no noticiário a respeito de um de seus antecessores. E afirma confiar no conjunto de seus colegas, homens e mulheres dotados de qualificação técnica e denodo no exercício de sua atividade funcional. Os erros de um único ex-procurador não têm o condão de macular o MP e seus membros. O Ministério Público continuará a cumprir com rigor o seu dever constitucional de guardião da ordem jurídica", afirma a manifestação.

Um dia após os relatos de Janot, que disse ter entrado armado na corte naquele ano para assassinar Gilmar, o ministro Alexandre de Moraes ordenou uma ação de busca e apreensão pela Polícia Federal em endereços ligados ao ex-PGR em Brasília. Ele também determinou a imediata suspensão de todos os portes de arma em nome de Janot e ordenou que ele mantenha distância de no mínimo 200 metros de qualquer ministro e da sede do tribunal.
As decisões de Moraes foram tomadas no âmbito do controverso inquérito das fake news, que investiga ameaças a integrantes do STF. A investigação foi aberta em março pelo presidente da corte, ministro Dias Toffoli, e motivou críticas na ocasião inclusive da então PGR Raquel Dodge, para quem ele desrespeitou o processo legal ao abrir inquérito de ofício, sem ser provocado por outro órgão.

Janot disse na quinta (26) a veículos de imprensa que entrou no Supremo em 2017 armado com uma pistola com a intenção de matar Gilmar Mendes por causa de insinuações que ele teria feito sobre sua filha. Ele afirmou que, em seguida, pretendia se suicidar.

O ex-procurador narra o episódio num livro de memórias que está lançando neste mês -sem nomear Gilmar.






Blog do BILL NOTICIAS

ECONOMIA - Exportações de Pernambuco dependem da Argentina e eleições dificultam cenário

  Por: Luciana Morosini - Diario de Pernambuco
Reprodução/Pixabay
Reprodução/Pixabay


A eleição presidencial da Argentina está marcada para acontecer daqui a um mês, no dia 27 de outubro, e o resultado das urnas no país vizinho ao Brasil tem mais a ver com Pernambuco do que se possa imaginar. O desempenho da economia argentina pode ter influência direta com a situação econômica local, principalmente levando em consideração que, hoje, 24% de tudo que o estado exporta vai para a Argentina. Se a instabilidade sentida por lá já está refletindo aqui, com queda de 60% na exportação para a Argentina e de 41% no geral entre janeiro e agosto deste ano, o cenário não tende a ser mais favorável após a votação em terras portenhas, podendo se complicar ainda mais a depender de quem vença a eleição.

As exportações de Pernambuco ainda são muito dependentes do mercado argentino. "Somos o estado do Brasil mais dependente de exportações para a Argentina, seguido do Amazonas e de São Paulo. A gente não consegue uma retomada porque tem uma cultura exportadora muito forte que depende de um mercado que está em baixa. Nossa exportação para a Argentina caiu 60% de janeiro a agosto em relação ao mesmo período do ano passado e as exportações do estado caíram 41% de uma forma geral", explica Rafael Araújo, analista do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe).

E o cenário não tem expectativa de melhora a curto prazo, podendo, inclusive, ficar pior dependendo do resultado das eleições. Ainda que a Argentina enfrente uma forte recessão econômica, com depreciação do peso e inflação alta, que chegou a 55% no acumulado dos últimos 12 meses, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a reeleição de Maurício Macri desponta como um cenário menos negativo, mas ainda assim longe do ideal. Porém, nas eleições primárias, realizadas em agosto e que servem como prévia, a chapa de oposição formada pelo candidato de centro-esquerda Alberto Fernández e a ex-presidente Cristina Kirchner, investigada por corrupção, venceu de lavada.

"A eleição traz um cenário ruim. Se Macri vencer, pode trazer algum mínimo de estabilidade, mas nenhuma melhora em pelo menos um ano. Depois, só se ele implementar reformas mais duras e, por ser um segundo mandato, ele pode até fazer. Já com a eleição do candidato de Kirchner, a curto e médio prazos a expectativa é muito ruim. O risco de calote é alto, vão embora as reservas internacionais e o valor do peso dispara", afirma Araújo.

Desta forma, a tendência é de uma queda mais acentuada das exportações, já que o poder aquisitivo dos argentinos tende a diminuir, o que impacta diretamente nas remessas de Pernambuco para o país vizinho, já que os produtos exportados são de alto valor agregado. A indústria automotiva é um alvo relevante. Mais de 60% dos carros comprados na Argentina são do Brasil e, de janeiro a julho deste ano, a exportação de veículos brasileiros caiu 41%. Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), a queda se deve principalmente pela crise no país vizinho. No âmbito estadual, de tudo que Pernambuco exporta para os hermanos, 69% correspondem a veículos.

Apesar disso, a Jeep afirma que a sua fábrica instalada no polo automotivo de Goiana, na Mata Norte do estado, ainda não sentiu os efeitos, já que uma possível queda na demanda dos argentinos foi suprida pelo aumento do consumo no Brasil, e garante que a planta opera com a capacidade máxima de produção de mil carros por dia. "A FCA acompanha com interesse a evolução da situação na Argentina, que é o segundo maior mercado automotivo da América Latina. A economia argentina está retraída no momento, mas isso não afetou nosso nível de produção, uma vez que o mercado brasileiro cresceu e absorve nossos volumes", informou em nota.

PERSPECTIVAS
Se o cenário se mostra negativo independentemente do resultado das eleições, para Pernambuco reverter as expectativas instáveis das exportações, seria preciso uma mudança de cultura nas próprias empresas. "É preciso que elas se voltem para outros mercados. Elas têm clientes já consolidados em alguns países e não investem em novos, não estudam o mercado, não conhecem novos clientes ou buscam informações. Esse seria o único jeito de mudar o cenário da exportação do estado a curto prazo", concluiu o analista da Fiepe.

Turismo também sente efeitos

A instabilidade econômica na Argentina também afeta outro setor da economia Brasileira e também pernambucana: o turismo. O país vizinho é o que mais envia turistas para o Brasil. No ano passado, 2,5 milhões de argentinos visitaram cidades brasileiras, número muito acima dos Estados Unidos, segundo colocado do ranking, com 538 mil turistas, segundo dados do Ministério do Turismo. Só em Porto de Galinhas, foram 100 mil visitantes argentinos ao longo de 2018, número que já apresentou queda nos primeiros meses deste ano e que pode ser ainda mais afetado com o resultado das eleições.

Segundo Brenda Silveira, diretora executiva do Porto de Galinhas Convention Bureau, a queda neste ano no número de argentinos na praia do Litoral Sul foi de 12%, mas que, ainda assim, o número de turistas hermanos ainda é muito alto. "A Argentina tem uma peculiaridade que é um povo que ama muito viajar. Tudo gira em torno do dólar, teve uma desaceleração pequena, mas continua vendendo muito bem. A Argentina é o principal país emissor para Porto de Galinhas", afirma. Porém, existe um receio por conta das eleições. "O que a gente teme é que, com as eleições, haja uma mudança cambial maior e, se ela acontecer, a gente começa a se preocupar", acrescenta.




Blog do BILL NOTICIAS

Família e namorada desejam que Lula aceite o regime semiaberto

(Foto: Reprodução/Twitter)

No que depender da opinião dos filhos, netos e da namorada Rosangela Silva, com quem o ex-presidente pretende se casar, Lula deve aceitar o regime semiaberto e voltar para a casa, em São Bernardo do Campo, segundo informa a jornalista Mônica Bergamo, em sua coluna.
Lula foi preso em abril do ano passado pelo ex-juiz Sergio Moro, com a finalidade de ser impedido de disputar uma eleição presidencial que ele venceria no primeiro turno. Com sua prisão política e sua exclusão do processo eleitoral, foi aberto o caminho para a ascensão de Jair Bolsonaro, de quem Moro se tornou ministro. Ontem, os procuradores da Lava Jato pediram que Lula passe para o semiaberto, mas ele pretende ter sua inocência reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal.
Saiba mais no artigo de Helena Chagas:
Por Helena Chagas, no Divergentes e para o Jornalistas pela Democracia 
Nosso sistema penal seria uma maravilha se cada condenado cumprindo sentença tivesse do Ministério Público que o acusou a atenção que o ex-presidente Lula recebeu de Deltan Dallagnol e seus colegas nesta sexta, quatro dias depois de ter completado 1/6 da pena e ganhado direito à progressão de regime. Será que os procuradores da Lava Jato que pediram que Lula saia da cadeia de Curitiba para cumprir pena em regime domiciliar ficaram bonzinhos de repente?
Nada disso. Tudo indica que o movimento da força tarefa da Lava Jato seja uma tentativa de se antecipar a uma possível liberação de Lula no Supremo Tribunal Federal. Derrotados esta semana no plenário da Corte, que acolheu a augumentação de que o réu delatado tem direito a apresentar suas alegações finais depois das do delator, os procuradores farejaram que, muito possivelmente, o próximo passo do Supremo poderá ser soltar o ex-presidente. Antes de mais essa derrota, portanto, tentam esvaziar o habeas corpus de Lula e outros recursos de sua defesa.
E qual a diferença, alguns devem estar se perguntando. Afinal, o importante, para quem está preso, é parar de ver o sol nascer quadrado. Para Lula, que por ‘n’ razões já mostrou que não é um preso comum, não é bem assim. O próprio presidente determinara à sua defesa para não mover uma palha no rumo da progressão de regime porque, depois da revelação da chamada Vaza Jato, deflagrada pelo site The Intercept, passou a apostar numa anulação de sua sentença com base na acusação de parcialidade contra o ministro e ex-juiz Sergio Moro. No mínimo, num habeas corpus ou outro tipo de medida cautelar para que aguarde em liberdade o julgamento da imparcialidade de Moro.
Para Lula, o líder político, a forma de sair da cadeia faz toda a diferença. Sair tendo o reconhecimento do STF de que quem o julgou não foi imparcial equivale a mais do que uma absolvição. Nesse caso, estaria pronto para voltar às ruas e retomar seus planos policos de onde parou: a candidatura à presidência da República. E cheio de discurso. Coisa muito diferente, para ele, seria passar à prisão semi-aberta ou domiciliar, sujeito à vigilância e, até, ao humilhante uso de uma tornozeleira.
Todo mundo sabe que a questão hoje não é mais se Lula será solto ou não – mas em que condições e quando isso ocorrerá, com seus devidos impactos políticos. É isso que está em jogo.
O STF, que não teve coragem ainda para retomar, na Segunda Turma, o julgamemto do HC de Lula, tem dado sinais de que, quem sabe, terá chegado a hora de dar um freio de arrumação na Lava Jato. A força tarefa, após seguidas derrotas também no Legislativo, já percebeu isso e, mais uma vez, está atuando politicamente. Para Curitiba, a forma como Lula sair da cadeia também fará toda a diferença, inclusive no lugar que vai ocupar na história. (247)


Blog do BILL NOTICIAS

ACIDENTE - Colisão entre VLTs deixa 37 feridos em Fortaleza

  Por: AE
Foto: Reprodução/TV Globo
Foto: Reprodução/TV Globo

Um acidente entre composições do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) deixou 37 feridos no início da tarde deste sábado, 28, em um viaduto no Bairro de Fátima, em Fortaleza (CE).

Os metrôs, da linha Parangaba/Mucuripe, estavam em fase de testes e colidiram de frente, o que indica que, possivelmente, um dos veículos estava no trilho errado.

Por enquanto, a confirmação é de que 37 pessoas tiveram ferimentos leves e foram atendidas no local. O Corpo de Bombeiros e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados para prestar atendimento às vítimas.

De acordo com Tenente Romário Fernandes, porta voz do Corpo de Bombeiros, os dois maquinistas ficaram em situação mais grave, pois estavam presos às ferragens. “O primeiro saiu consciente e orientado. O segundo um pouco mais grave, com lesões nos membros inferiores e nas mãos, mas também consciente”, esclareceu.

Os dois maquinistas e mais sete passageiros foram encaminhados ao Instituto Doutor José Frota (IJF). À reportagem, o hospital não soube precisar o número de feridos presentes na unidade, tampouco o estado de saúde das vítimas. Os passageiros com ferimentos mais leves foram levados a hospitais mais próximos do local do acidente - Frotinha da Parangaba e Frotinha de Messejana.

Imagens que circulam na internet mostram que a parte dianteira dos metrôs ficou bem amassada. Ainda não há confirmação oficial sobre as causas da colisão. Em nota, a Companhia Cearense de Transportes Metropolitanos (Metrofor) afirmou que está dando todo o suporte às vítimas do acidente e que as causas estão sob apuração.




Blog do BILL NOTICIAS

Maduro anuncia chegada de especialistas militares russos à Venezuela

(Foto: © Sputnik / Aleksei Nikolsky)

Agência Sputnik - Duas aeronaves russas com os especialistas técnicos militares estão na Venezuela, anunciou o presidente do país, Nicolás Maduro, durante um discurso transmitido no Twitter.
Alguns dias atrás, o presidente venezuelano voltou de Moscou, onde se tinha encontrado com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
"O presidente [da Rússia Vladimir] Putin confirmou todo o seu apoio político, diplomático e militar à Venezuela e ao mundo [...] O apoio chegou alguns dias atrás", disse Nicolás Maduro durante o discurso transmitido no Twitter.
O presidente anunciou que dois aviões russos com o pessoal da comissão de apoio técnico-militar aterrissaram na Venezuela, os especialistas russos já estão no país.
"Partiram os que tinham chegado no início do ano e veio uma nova equipe", adicionou Maduro.
Antes, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou que os trabalhos na área da colaboração técnica militar entre a Rússia e a Venezuela quanto ao fornecimento de peças de reposição e à criação de centros de manutenção estão sendo realizados de acordo com o cronograma. Segundo ele, a colaboração entre os dois países está ligada, antes de tudo, às obrigações da Rússia relativamente à manutenção do equipamento militar de produção russa que foi adquirido antes pela Venezuela.

Relações Moscou–Caracas

Entre Moscou e Caracas se formaram relações diplomáticas estáveis. Em 1996, os países assinaram o Tratado de amizade e cooperação. A Rússia defende uma regulação pacífica das divergências na Venezuela e é completamente contra qualquer ingerência externa.


Blog do BILL NOTICIAS

BRASIL - Antes de ser a 'índia de Bolsonaro', Ysani curtia feminismo, LGBT e Jean Wyllys

Do povo kalapalo, no Alto Xingu (MT), Ysani começou a elevar os decibéis direitistas de seu discurso na campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL)
  
   Por: Anna Virginia Balloussier (Folhapress) 
Ysani Kalapalo
Ysani KalapaloFoto: Reprodução/Instagram

Antes de epítetos como "a índia de Bolsonaro", Ysani Kalapalo, a autoproclamada "indígena do século 21", não era tão de direita assim.
Ao menos não pela régua que costuma dar as medidas ideológicas no Brasil: falava bem de feminismo, LGBT e sexualidade "moderna" nas aldeias e mal da catequização dos povos. Até o psolista Jean Wyllys, que dizia admirar "desde a época do 'Big Brother'", tinha sua estima.
Do povo kalapalo, no Alto Xingu (MT), a youtuber começou a elevar os decibéis direitistas de seu discurso na campanha presidencial de Jair Bolsonaro (PSL), a quem apoiou com entusiasmo.
Na terça (24), num movimento que despertou a fúria de lideranças indígenas de seu Xingu natal, foi levada pelo presidente à Assembleia Geral da ONU e citada em seu discurso como aquela capaz de "externar toda a realidade vivida pelos povos indígenas do Brasil".
Tratamento simetricamente oposto teve o cacique Raoni. Chegou ao fim o "monopólio" do líder caiapó de 89 anos, referência mundial da causa, disse Bolsonaro.
Ysani, que estima ter 28 anos (sua cultura não conta idade), espelha o presidente ao afirmar que "um único cacique não fala por nós".
Foi o que disse em entrevista no Congresso, na quarta (25), enrolada numa bandeira do Brasil e ladeada por deputados do PSL. No mesmo dia, Raoni defendeu na Câmara que Bolsonaro deveria "sair para o bem de todos".
Em março, o afeto pelo cacique octogenário era maior. "Já estive algumas vezes com Raoni, ele é um senhorzinho muito interessante para bater um papinho", tuitou Ysani, tendo o cuidado de fazer a ressalva: "Gosto dele, só que ele muitas vezes já foi usado pelas ONGs e partidos de extrema esquerda".
A kalapalo respondia a uma foto que a ministra Damares Alves (Família, Mulher e Direitos Humanos) postou, ela com Raoni. Damares escreveu que os dois discutiram medidas para a proteção de tribos e acrescentou: "#ninguémficaráparatrás".
Um tópico também debatido em 2018 por Ysani e Bolsonaro. Ela tem um canal de YouTube com 283 mil inscritos, e nele publicou uma conversa com o então pré-candidato à Presidência.
Em clima cúmplice, questionou se era verdade que ele, caso eleito, expulsaria índios de suas terras e mexeria em demarcações já estabelecidas. Ele nega e atribui a "fake news" ao PT, que espalharia "o terror, como os terroristas que sempre foram".
Propõe que indígenas brasileiros "poderiam viver de exploração" do território deles assim como aqueles dos EUA usufruem de royalties de cassinos instalados nos seus.
Hoje, já presidente, Bolsonaro se diz disposto a rever terras já garantidas às tribos.
Ao passar pelo Congresso na volta de Nova York, Ysani disse que as ONGs "estão desesperadas" e "romantizam índio". "Hoje não cola mais ficarmos parados como 500 anos atrás. Hoje o índio quer ter o mesmo direito que qualquer cidadão brasileiro tem."
Um reflexo da fala presidencial para líderes mundiais: "Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas".
Na Câmara, Ysani enveredou-se por um discurso que parecia saído de um manual progressista, mas é agora reapropriado pela direita: "Querem botar índio no cabresto, o negro no cabresto, o homossexual".
A esquerda e ela já se tiveram em alta conta. Em maio de 2013, Ysani participou do 10º Seminário LGBT do Congresso Nacional, a convite do mesmo parlamentar do PSOL que, três anos depois, cuspiria no colega Bolsonaro na votação do impeachment de Dilma Rousseff (PT) na Câmara -em 2019, o segundo viraria presidente, e o primeiro abdicaria do cargo, dizendo-se alvo de ameaças num Brasil agora sob guarda de um homem "que sempre utilizou de homofobia contra mim".
A kalapalo se disse privilegiada por ter sido chamada "pelo grande deputado Jean Wyllys", cuja luta "acompanho há muito tempo, desde a época do 'Big Brother'."
Fez um discurso para esquerdista nenhum botar defeito, comparando a luta de povos indígenas à dos homossexuais, atacando a usina de Belo Monte ("Belo Monstro!") e pedindo proteção às terras kaiowás e à Aldeia Maracanã, ocupação no Rio alvejada pela PM naquele ano.
A voltagem feminista eletrizou o ambiente. Ysani evocou lendas de sua tribo nas quais as mulheres "é que eram as deusas" no passado. E "o relacionamento entre elas mesmas era normal" até "um certo homem branco" aparecer, afirmou.
"Ele disse assim: "índios, isso é coisa do diabo. Vocês, homens, têm que dominar essas mulheres. [...] Segundo a Bíblia, -estou apenas repetindo o que eles falaram para o nosso povo- o homem nasceu primeiro, e a mulher nasceu depois. Na nossa cultura, quem nasceu primeiro foi a mulher."
No último ano, seu canal audiovisual aumentou a carga política, com vídeos falando mal do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, e da esquerda em geral. Antes, mais corriqueiras eram gravações sobre "feminismo indígena", absorventes na mata e até curiosidades da vida íntima, como no título "índio faz sexo anal? ("no vídeo de hoje, vou tirar sua dúvida, safadinho").
No fórum LGBT, a youtuber dizia ter certeza de que um dia os filhos de todos ali ririam de tanto preconceito. "Todo esse pensamento vai ser considerado como o pensamento do Hitler, quando ele estava matando judeus. Vai ser tudo considerado atrasado."
É a "indígena do século 21" que agora é considerada atrasada por boa parte de seus pares. Às vésperas da assembleia da ONU, caciques de 16 povos do Xingu divulgaram uma carta que dizia: "O governo brasileiro ofende as lideranças ao dar destaque a uma indígena que vem atuando constantemente em redes sociais com objetivo único de ofender e desmoralizar as lideranças e o movimento do Brasil".
O desagravo veio do Grupo dos Agricultores Indígenas do Brasil e da tenente Sílvia Waiãpi, secretária nacional da Saúde Indígena. Primeira índia nas Forças Armadas do país, ela disse ao lado de Ysani, em Brasília, que "este governo nos deu voz".
A reportagem conversou com três indígenas do Xingu sobre Ysani, duas delas mulheres (todos pediram anonimato). Delas vieram frases como "temos várias indígenas que são nossas representantes legítimas, mas com certeza ela não está na lista".
O homem afirmou que o cacique principal dos kalapalo não quer vê-la por perto. "O povo não aceita mais ela aparecer na aldeia. Nunca mais vai pisar."
O fato de morar há anos em São Paulo fez com que muita gente tachasse Ysani de "índia fake", como se ela nunca tivesse frequentado as bandas mato-grossenses.
No Natal de 2018, ela postou um vídeo contando sobre seu 25 de dezembro de 2002. Ela e a família, disse, chegaram "sem nada" em São Carlos (SP), e num primeiro momento foram acolhidos por mórmons. Só o pai falava português.
Mudaram-se por causa de uma doença que ela, com "11 pra 12 anos", e a irmã de nove anos tinham e que o pajé não conseguia curar, afirmou. Os pais acreditavam que as duas estavam sob feitiço de inimigos deles.
Passados 17 anos, Ysani acumula desafetos próprios e fotos com Bolsonaro e a primeira-dama Michelle na ONU. Um dos motes que reproduz nas redes sociais: "Mais Ysani, menos Raoni". Por ora, ela não quer mais "papinho" com o "senhorzinho" cacique.




Blog do BILL NOTICIAS

Na ONU, vice de Maduro diz que Bolsonaro lidera 'mercantilização da Amazônia'

Venezuela, Delcy Rodríguez
Venezuela, Delcy Rodríguez (Foto: AVN)


A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou que Jair Bolsonaro lidera a "mercantilização da Amazônia". A declaração foi feita em discurso nesta sexta-feira (27) na Assembleia Geral das ONU, em Nova York. 
A reportagem do portal G1 destaca que "sem detalhar a afirmação, Rodríguez ainda acusou o presidente brasileiro de "ter trasladado sua ideologia extremista" para destruir o que ela chamou de "pulmão natural" (do ponto de vista científico, a Amazônia não pode ser considerada o pulmão do planeta)."
A matéria ainda informa que "a vice-presidente do regime chavista participa da Assembleia Geral da ONU como representante venezuelana – a organização não reconhece Juan Guaidó como presidente interino." (247)


Blog do BILL NOTICIAS

Câmara aprova o fim da escala 6x1, numa das maiores vitórias do governo Lula

  Proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos por mudanças nas jornadas de trabalho e 19 contra...