sábado, 21 de outubro de 2023

Entenda como a inteligência artificial pode ajudar no Enem

 

Ferramenta ganha cada dia mais espaço nos estudos e nas salas de aula

Arte/Agência Brasil

Chat GPT, Google Bard, LuzIA são algumas das ferramentas de inteligência artificial (IA) que ganham cada vez mais espaço no dia a dia, nos estudos e nas salas de aula. No preparo para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), elas podem ser aliadas, mas é preciso tomar alguns cuidados e, principalmente, checar as informações obtidas.   

Agência Brasil conversou com o professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Sistemas e Computação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Cláudio Miceli para entender como funcionam essas ferramentas, quais são as limitações que possuem e em quais situações podem contribuir com os estudos para a provas do Enem. 

Ferramentas de inteligência artificial estão disponíveis para o uso de forma gratuita, basta criar uma conta, inserindo alguns dados pessoais. O usuário faz perguntas e as respostas aparecem instantaneamente na tela. Uma solução rápida e fácil. O problema é quando esse mecanismo dá respostas que não são verdadeiras. O uso dessas novas tecnologias demanda também novas habilidades de quem está na frente da tela.  

“A questão é: ela não está ali para substituir o docente, substituir o professor, substitui um cursinho ou um livro. É uma ferramenta extra”, defende Miceli.

O professor compara essas ferramentas ao próprio Google. “O Chat GPT é o novo Google? Porque o Google, quando foi lançado, a gente também teve essa discussão, inclusive me lembro, eu era adolescente, o Google me foi apresentado como uma ferramenta de encontrar trabalho pronto. O Google é hoje a ferramenta que todo mundo usa e que é onipresente. Ela não invalidou o nosso conhecimento, mas a gente aprendeu a lidar com ela. A gente ainda tem que aprender a lidar com o Chat GPT”, diz.  

Miceli destaca dois grupos de inteligência artificial com as quais, provavelmente, o estudante se depara. O primeiro é o das plataformas de inteligência artificial de predição e, o segundo, das IAs generativas, entre as quais está o Chat GPT, uma das ferramentas mais populares de IA, criado pela empresa norte-americana Open IA.  

As plataformas de IA preditivas são muito usadas em sistemas de aprendizado por reforço. Um exemplo é identificar os pontos fortes e os pontos fracos do estudante. Os alunos respondem questões e, a partir das respostas, o programa identifica quais as maiores dificuldades. A partir daí, a ferramenta pode propor questões que podem ajudar o estudante a aprender aquele conteúdo que ainda está defasado. “Isso é muito comum, várias páginas para concurso usam isso”, diz Miceli. “É um uso bem tradicional dessa IA e que já vem antes da IA generativa. A gente já vinha utilizando isso, só não era muito falado. É um uso muito legal e que funciona”, diz.  

IAs generativas e o Chat GPT 

As IAs generativas são mais atuais e vêm ganhando cada vez mais espaço. Essas IAs funcionam com grandes bases de dados e, a partir delas, constroem textos usando a probabilidade. “Digamos que eu pergunte: o que é IA? Ele vai buscar, dentro da grande base de textos, todos os textos que falam de IA. Ele vai começar a construir o texto assim: ‘IA é. E vai buscar nas bases de texto qual a próxima palavra, qual o próximo conjunto de texto mais provável a aparecer dado esse conjunto de palavras-chave”, exemplifica, Miceli.  

Como as inteligências artificiais buscam as respostas que darão aos usuários em bases de dados, essas respostas dependerão da qualidade dessas bases de dados. “Um elemento de IA é tão bom quanto os dados que ele tem. Então, quando a gente fala de dados enviesados, quando a gente fala em dados incorretos, se alimenta a base dados com esses elementos, você pode ter resposta errada, com coisas que são muito atualizadas”, explica o professor. Os usuários muitas vezes não têm acesso às bases de dados e não sabem em que as ferramentas de IA estão se baseando.  

Estudar unicamente por essas ferramentas é, portanto, arriscado e exige cuidados. “Confiar cegamente como se fosse o oráculo da verdade é o problema. Mas, como guia de estudos, como um começo, é muito interessante”, diz Miceli. “Quando o aluno trabalha, ele tem que ser obrigado a se confrontar com mais de uma fonte. Isso o obriga simplesmente a não aceitar aquela resposta como a única verdade do universo. A questão é justamente isso, obrigar o aluno a pensar”, acrescenta. 

Enem 2023 

O Enem 2023 será aplicado nos dias 5 e 12 de novembro. As notas das provas podem ser usadas para concorrer a vagas no ensino superior público, pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a bolsas de estudo em instituições privadas de ensino superior pelo Programa Universidade para Todos (ProUni) e a financiamentos do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além de aplicar para vagas em instituições estrangeiras que têm convênio com o Inep. - (Por Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil  - Rio de Janeiro).

Edição: Aline Leal



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Estiagem se agrava no Amazonas e Rio Negro tem nova mínima histórica

 

Medida de 13,19 metros é a menor desde 1902

Alex Pazuello/Secom

O agravamento da estiagem que atinge o Amazonas fez o Rio Negro, um dos principais da região, atingir novo nível mínimo histórico. De acordo com o Porto de Manaus, responsável pela medição, a cota do rio chegou a 13,19 metros.

Desde o fim de abril deste ano, o nível tem se reduzido gradativamente. A previsão é que ele continue baixando até o início de novembro, quando termina o período de estiagem.

Para se ter uma ideia, o recorde de alta já medida foi 30,02 metros em 16 de junho de 2021. Atualmente, alguns rios do estado parecem estradas de barro com bolsões d’água e embarcações atoladas.

A estiagem causa efeitos em praticamente todo o Amazonas. De acordo com o último boletim do governo estadual, divulgado nessa sexta-feira (20), 59 dos 62 municípios amazonenses estão em situação de emergência. Um está em alerta e dois em normalidade. Ainda segundo o boletim, 146 mil famílias foram afetadas, o que representa 590 mil pessoas.  

Esta semana, a Marinha, por meio do Navio de Assistência Hospitalar Soares de Meirelles, em ação conjunta com o Exército e autoridades locais, distribuiu mais de 6 mil cestas básicas e 1,1 mil caixas de água mineral em municípios da região do Alto Solimões. A distribuição começou pelo município de Tabatinga, perto da fronteira com a Colômbia e o Peru. 

Segundo a Marinha, o navio é “o principal meio de transporte para distribuição de cestas básicas e suprimentos essenciais na região”. A embarcação deve percorrer 1.350 quilômetros, incluindo os municípios de Benjamin Constant, Atalaia do Norte, Amaturá, Santo Antônio do Içá e Tonantins.  

"A estiagem prolongada colocou diversas comunidades em situação de fragilidade, devido às dificuldades de abastecimento que estão enfrentando. Essa operação é muito importante por trazer uma resposta imediata e ajudá-los a superar esse momento de dificuldade”, disse o capitão de fragata Ricardo Sampaio Bastos, capitão dos Portos de Tabatinga. 

O Navio Soares Meirelles também atua no atendimento primário à saúde e distribuição de medicamentos para comunidades ribeirinhas e indígenas. 

Em outra ação de ajuda federal, o Ministério da Saúde anunciou, na segunda-feira (16), uma verba de R$ 225 milhões para reforçar o atendimento no Amazonas em razão da forte estiagem.

Na semana passada, o ministério enviou ao Amazonas sete kits calamidade, contendo 32 medicamentos e 16 insumos, com capacidade para atender a 10,5 mil pessoas por até um mês.

Na quinta-feira (19), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou, por telefone, com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro. Os dois chefes de Estado abordaram o tema da seca que atinge a Amazônia.  - (Por Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro).

Edição: Graça Adjuto



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“Parecia cidade fantasma”, contam brasileiros que chegaram de Israel

 

Voo da FAB trouxe mais 69 repatriados neste sábado

Tânia Rego/Agência Brasil


“Parecia uma cidade fantasma. A cidade entrou em lockdown. Há duas semanas, nada funciona, as escolas, o comércio, setores públicos, as empresas”. O relato é do mineiro Renato Abreu, de 33 anos, que vivia em Ashkelon, cidade no sul de Israel, a cerca de 10 quilômetros da Faixa de Gaza. 

“Tínhamos que seguir a recomendação de segurança de não sair às ruas, de forma alguma”, detalha o coordenador de projetos, que morava em Israel desde 2016, com exceção do período da pandemia de covid-19, quando ficou no Brasil.

Renato é um dos 69 passageiros que chegaram ao Brasil na manhã deste sábado (21), no avião Embraer KC-390 Millennium, da Força Aérea Brasileira (FAB). Foi o sétimo voo da Operação Voltando em Paz, realizada em conjunto com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), que decolou na noite de sexta-feira (20) de Tel Aviv.

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2023 -O coordenador de projetos, Renato Abreu, retorna ao país. Voo da Força Aérea Brasileira (FAB), com brasileiros repatriados, pousa na Base Aérea do Galeão. A Operação Voltando em Paz, do Governo Federal, realiza o oitavo voo de repatriação de brasileiros partindo de Israel. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
O coordenador de projetos, Renato Abreu, retorna ao Brasil em voo da Força Aérea Brasileira (FAB). Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A aeronave pousou primeiro no Recife, na manhã deste sábado, onde desembarcaram dois passageiros. Os demais seguiram para a Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, incluindo três bolivianas, uma mãe e as duas filhas menores de idade. Nove animais de estimação também foram trazidos de Israel. 

Mistura de sentimentos

Renato disse que só ficou sabendo que seria repatriado em voo da FAB na manhã de sexta-feira, quando recebeu um telefonema da embaixada brasileira. Ele morava com um irmão, que seguiu para Londres em um voo comercial. Na cidade que fica colada à Faixa de Gaza, ele deixou o tio e o primo. 

“Os barulhos são muito altos, a nossa rua foi bombardeada por quatro mísseis. O Sul [de Israel] realmente virou uma zona de guerra”, detalhou o brasileiro que conhecia Karla Stelzer Mendes, de 42 anos, uma das três brasileiras mortas pelos ataques do grupo palestino Hamas, há duas semanas.

Para Renato, que depois de pousar no Rio seguiu a viagem para Belo Horizonte, a volta ao Brasil é uma mistura de sensações. “Alegre por ter dupla cidadania e estar no Brasil, triste porque eu tive amigos que falaram que queriam estar no meu lugar”.

Vida parada

O brasileiro Pedro Terpins passou mais tempo da vida em Israel do que no Brasil. Aos 23 anos, ele desembarcou no Rio de Janeiro após viver 18 anos no Oriente Médio. O barman e estudante de ciência política morava em Tel Aviv e enfrentou uma rotina de exceção nos últimos dias. 

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2023 - O estudante, Pedro Terpins, retorna ao país. Voo da Força Aérea Brasileira (FAB), com brasileiros repatriados, pousa na Base Aérea do Galeão. A Operação Voltando em Paz, do Governo Federal, realiza o oitavo voo de repatriação de brasileiros partindo de Israel. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
O estudante Pedro Terpins enfrentou rotina de exceção nos últimos dias em Israel. Ele chegou neste sábado no Brasil Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Eu estava desempregado, a minha faculdade parou, toda a minha vida está parada. Eu estava havia duas semanas só no meu quarto, sem sair, sem encontrar amigos, sem trabalhar”, relata Pedro, que tem família em São Paulo. 

Ele contou que conhecia, ao menos, três das pessoas que foram mortas nos ataques de 7 de outubro, incluindo a brasileira Bruna Valeanu, de 24 anos.

“Tem mais pessoas que eu ainda não sei se estão [sequestradas] em Gaza ou se estão mortos e ainda não foram descobertos os corpos”, lamenta.

Mais de 1,2 mil repatriados

Até agora, a operação para repatriar brasileiros soma sete voos que trouxeram 1.204 passageiros e 44 pets. De acordo com o MRE, as três cidadãs bolivianas foram incluídas no avião “após constatado o não comparecimento de passageiros brasileiros”.

A administradora Michele Antunes morava havia cinco anos em Jerusalém e descreveu o cotidiano dos últimos dias na cidade. “Tivemos que, várias vezes, ir para bunkers. Mas nada que se aproximasse do que se passou perto de Gaza. Graças a Deus, a gente estava um pouco mais seguro, mas era um desespero porque não tinha ninguém nas ruas, todo mundo com medo de tudo”.

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2023 - A administradora, Michele Antunes, retorna ao país. Voo da Força Aérea Brasileira (FAB), com brasileiros repatriados, pousa na Base Aérea do Galeão. A Operação Voltando em Paz, do Governo Federal, realiza o oitavo voo de repatriação de brasileiros partindo de Israel. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
A administradora Michele Antunes morava há 5 anos em Jerusalém e voltou ao Brasil neste sábado. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Além de Bruna, Michele conhecia Ranani Nidejelski Glazer, de 24 anos, o terceiro brasileiro morto pelo Hamas. A gaúcha disse que não espera voltar logo para Israel.  “Sensação de alívio, vou poder dormir tranquila”, afirmou. A mãe de Michele ficou em Israel com o marido, mas também deve retornar ao Brasil. 

Parecia na pandemia

A estudante de engenharia Aline Engelender foi recepcionada no Rio de Janeiro por um abraço da mãe. Ela passou três meses estudando em Israel, até que foi deflagrado o confronto com o Hamas. 

Rio de Janeiro (RJ), 21/10/2023 -A estudante, Aline Engelender,  retorna ao país. Voo da Força Aérea Brasileira (FAB), com brasileiros repatriados, pousa na Base Aérea do Galeão. A Operação Voltando em Paz, do Governo Federal, realiza o oitavo voo de repatriação de brasileiros partindo de Israel. Foto:Tânia Rêgo/Agência Brasil
A estudante Aline Engelender estava em Israel há três meses e chegou neste sábado no Brasil, onde foi recebida com um abraço da mãe. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

“Os dias foram complicados, a gente estava dormindo em um bunker, porque nunca se sabe quando iria tocar uma sirene [de alerta contra foguetes]. Evitávamos sair de casa, parecia o tempo da pandemia. A gente não estava saindo para nada, nem para supermercado”, explicou a estudante que deixou familiares e amigos em Israel. 

“Quando a gente encontrou com os militares da FAB no aeroporto de Israel, e eles falaram ‘agora vocês estão em cuidados brasileiros’, foi muito emocionante”, recorda Aline.

Último voo de Tel Aviv

Um avião KC-30 da FAB deve partir de Tel Aviv no domingo (22), trazendo mais brasileiros, com chegada prevista para segunda-feira (23). A expectativa do MRE é a de que seja o último voo com repatriados de Israel. “Tendo em conta as condições locais atuais e a operação regular do aeroporto de Ben Gurion, não se preveem voos adicionais para brasileiros em Israel”, informou o ministério. 

De acordo com o Itamaraty, 14 mil brasileiros viviam em Israel até o fim do ano passado. O MRE mantém a orientação para que “todos os nacionais que possuam passagens aéreas, ou condições de adquiri-las, embarquem em voos comerciais a partir do aeroporto Ben Gurion, que segue operando”.

Brasileiros em Gaza

A Operação Voltando em Paz está de prontidão para repatriar um grupo de cerca de 30 brasileiros que está no sul da Faixa de Gaza. A aeronave VC-2 (Embraer 190), cedida pela Presidência da República, está no Cairo, capital do Egito, onde espera autorização para resgatar brasileiros. 

O governo brasileiro faz gestões com Israel, autoridades palestinas e o Egito para que os brasileiros possam deixar a Faixa de Gaza.

Cúpula da Paz

Chanceler Mauro Vieira 
13/10/2023
REUTERS/Brendan McDermid
O chanceler Mauro Vieira disse que o Brasil está pronto para apoiar os esforços de paz no Oriente Médio. Foto:  REUTERS/Brendan McDermid

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse, no Cairo, neste sábado, que o Brasil está pronto para apoiar esforços de paz na região. Ele participa da Cúpula da Paz, representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro organizado pelo Egito busca uma solução para o conflito entre Israel e Hamas, que já vitimou cerca de 4,4 mil pessoas no lado palestino e 1,4 mil no lado israelense.

O MRE disponibiliza os contatos da embaixada em Tel Aviv (+972 (54)8035858) e do Escritório de Representação em Ramallah, na Cisjordânia (+972 (59)2055510), para os brasileiros em situação de emergência. O plantão em Brasília pode ser contatado pelo número +55 (61) 98260-0610. - (Por Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil - Rio de Janeiro).

Edição: Aécio Amado



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Conflito no Oriente Médio completa 15 dias: veja como começou

 

Ações sem precedentes na história foram feitas por ar, mar e terra

ATEFSA FADI

Há 15 dias, o mundo acompanha a escalada da violência na guerra entre Israel e Hamas, no Oriente Médio. O conflito teve início com o mais grave ataque já promovido pelo grupo Hamas contra os israelenses, no dia 7 de outubro.

As ações, sem precedentes na história, foram realizadas por mar, ar e terra, envolvendo ataques ao público que participava de um festival de música, invasão de comunidades israelenses, sequestro de reféns, deixando centenas de civis israelenses mortos e feridos. Em retaliação, Israel desencadeou forte operação de bombardeios à Faixa de Gaza, área com população majoritariamente palestina e controlada pelo Hamas.

Este é o conflito mais grave desde que Israel e o Hamas se enfrentaram por dez dias em 2021. O ataque, que pegou Israel de surpresa, ocorreu um dia após os 50 anos da Guerra do Yom Kippur, conflito armado entre árabes, liderados pelo Egito e a Síria, e Israel, em 1973, pela disputa das terras perto do Canal de Suez.  

Como foi o 7 de outubro 

Eram 6h30 (horário local) do dia 7 de outubro, um sábado, quando o Hamas disparou foguetes, a partir da Faixa de Gaza, para atingir cidades israelenses.

O Hamas informou ter lançado 5 mil foguetes, conforme notícias de agências internacionais.

Em aparição pública, o líder do braço armado do Hamas, Mohammed Deif, disse que a "Operação Tempestade Al-Aqsa", iniciada no dia 7, tem como propósito “acabar com a última ocupação na Terra" e uma resposta ao bloqueio imposto por Israel aos palestinos de Gaza que já dura mais de uma década. 

Por  terra, homens armados se infiltraram no território israelense rompendo a cerca de arame farpado que separa Gaza e Israel. 

Sirenes de alerta foram acionadas nas regiões sul e central de Israel, além de Jerusalém. Imagens mostravam áreas residenciais atingidas em Tel Aviv, Kfar Aviv e Rehovot.  

Um dos primeiros alvos do ataque surpresa foi um festival de música ao ar livre, que ocorria perto da Faixa de Gaza. Segundo relatos, pessoas, a maioria jovens, correram pelo deserto, estradas, entraram nos carros estacionados ou debaixo de árvores para tentar fugir dos tiros. Estima-se que 260 pessoas morreram no local de diferentes nacionalidades, entre elas três brasileiros.  

Outro alvo do Hamas foram os kibutzim, comunidades israelenses basicamente agrícolas e geridas de forma coletiva, sendo atualmente a maior parte privatizada. São considerados uma experiência única israelense e tiveram papel importante na construção do Estado de Israel. 

Um dos invadidos foi o kibutz Kfar Aza, localizado no Sul de Israel e a cerca de dois quilômetros da fronteira com Gaza. Conforme a Agência Reuters, soldados israelenses relataram ter avistado dezenas de corpos de civis, entre eles crianças. Muitos moradores foram tomados como reféns pelo Hamas.

Segundo os militares israelenses, homens armados do Hamas incendiaram as casas ou atiraram granadas para obrigar a saída das pessoas. 

Durante todo o ataque, centenas, entre homens, mulheres e soldados, foram feitos reféns pelo Hamas.  

Ofensiva israelense 

Diante do ataque, Israel acionou as forças de segurança e declarou guerra, dando início à operação “Espadas de Ferro”, com bombardeios à Faixa de Gaza, onde ficam as bases do Hamas.  

Em mensagem ao povo israelense, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que o grupo “pagará preço sem precedentes” e prometeu exterminar o grupo que controla Gaza. 

“O Hamas pensou que iria nos demolir. Nós é que vamos demolir o Hamas”, disse no dia seguinte ao ataque. 

Estimativa de Israel é que o ataque de 7 de outubro provocou a morte de 1.400 israelenses, principalmente civis. Cerca de 200 pessoas, incluindo crianças e idosos, são mantidas como reféns em Gaza. O governo ainda busca de 100 a 200 israelenses desaparecidos e corpos de mortos no 7 de outubro.

Para Netanyahu, o ataque teve como objetivo atrapalhar as tentativas de estabelecer a paz no Oriente Médio.

Desde então, Israel tem disparado ataques aéreos diários à Gaza, estabeleceu bloqueio total – sem permissão para entrada de água, comida e combustível- e determinou que a população local, majoritariamente palestina, evacue o norte da região e se desloque para o sul.

As forças de segurança se preparam para uma incursão por terra.

"Vocês veem Gaza agora a distância, mas logo a verão de dentro. O comando virá", disse o ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, conforme a Agência Reuters. Há informações que líderes do Hamas foram mortos nos bombardeios.

A ofensiva israelense tem sido alvo de divergência na comunidade internacional, que pede garantia de proteção dos civis em Gaza, atingidos pelo conflito e ataques aéreos. 

Ao menos 4.137 palestinos morreram na Faixa de Gaza desde o início da guerra entre o Hamas e Israel - 70% das vítimas são crianças, mulheres e idosos, segundo dados do Ministério da Saúde de Gaza. - (Por Agência Brasil*- Brasília).

*Com informações das agências Reuters, Lusa e RTP. 

Edição: Graça Adjuto



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Índia realiza com sucesso primeiro teste de foguete para missão espacial tripulada (vídeo)

Espera-se que a missão Gaganyaan seja lançada do principal centro espacial do país em Sriharikota antes de 2024

Teste de foguete indiano da missão Gaganyaan 21/10/2023 (Foto: Reprodução)


A Índia completou neste sábado (21) um teste crucial para sua ambiciosa missão espacial tripulada Gaganyaan. A missão Gaganyaan tem como objetivo desenvolver uma cápsula espacial habitável que levará uma tripulação de três membros a uma órbita de 400 km (250 milhas) por três dias, antes de pousar no Oceano Índico. A Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO) disse que exploraria maneiras de alcançar uma presença humana sustentada no espaço, uma vez que Gaganyaan seja concluída.

O lançamento exitoso ocorreu horas depois de o lançamento planejado incialmente ser adiado, informou a ISRO. A agência não especificou a causa do atraso. O lançamento estava previsto para as 8h (0230 GMT), mas inicialmente não pôde ser concluído. Foi realizado com sucesso às 10h, disse a ISRO.

"A razão para a suspensão do lançamento foi identificada e corrigida", postou a ISRO no X, a plataforma anteriormente chamada de Twitter. "O Sistema de Fuga da Tripulação funcionou conforme o previsto. A missão Gaganyaan começou com sucesso."

Cerca de 90 bilhões de rúpias indianas (1 bilhão de dólares) foram alocados para a missão, que sucede o histórico pouso da sua sonda Chandrayaan-3 no polo sul lunar. Espera-se que a missão Gaganyaan seja lançada do principal centro espacial do país em Sriharikota antes de 2024, embora um cronograma não tenha sido anunciado. (Com informações da Reuters). - 247.



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Dilma e Xi debateram a criação de uma nova arquitetura financeira global

Em encontro com o presidente Xi Jinping, Dilma defendeu mudanças para ampliar a voz dos países emergentes na arquitetura financeira internacional

Dilma e Xi (Foto: Mídia chinesa )


O mundo precisa de uma nova arquitetura financeira para permitir a participação dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento. O tema foi discutido pelo presidente da China, Xi Jinping, e a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, na noite de quinta-feira, 19, em Pequim. Dilma foi recebida no Palácio do Povo, na capital chinesa, depois de participar das comemorações dos 10 anos da Nova Roda da Seda.

Xi Jinping convidou a ex-presidenta do Brasil a participar do 3º Fórum Cinturão e Rota para Cooperação Internacional, que reuniu entre os dias 18 e 19 de outubro mais de 30 chefes de Estado e de governo, além do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para celebrar as realizações promovidas pelo governo chinês na última década com a chamada Iniciativa Cinturão e Rota. Representantes de mais de 140 países e mais de 30 organizações internacionais estiveram presentes.

O líder da China pediu ao chamado Banco dos BRICS — mecanismo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e presidido desde fevereiro por Dilma — que ajude a tornar o sistema financeiro internacional mais justo e equitativo para aumentar efetivamente a representação e a voz dos mercados emergentes e dos países em desenvolvimento. “A China continuará a apoiar o trabalho do NDB e da senhora Rousseff no desempenho de suas funções na China”, disse.

“O NDB está disposto a participar ativamente da cooperação Belt and Road e fazer as devidas contribuições para promover a multipolaridade mundial e a reforma do sistema financeiro internacional”, comentou Dilma. Ela participou na quarta-feira, 19, do fórum para cooperação internacional sobre Desenvolvimento Verde, ocorrido na capital chinesa. 

“Na construção de um mundo multipolar, inclusivo, resiliente e sustentável, a Iniciativa Cinturão e Rota desempenha um papel estratégico e relevante”, destacou a presidenta do NDB. “Sem dúvida, representa um dos instrumentos mais decisivos e eficazes para construir uma comunidade global de futuro compartilhado, como proposto pelo presidente Xi Jinping. 

Novos sócios – Sobre a atuação do NDB, ela lembrou que a instituição financeira multilateral criada em 2014 e comandada por ela desde fevereiro de 2023, está expandindo seus sócios. Além dos cinco países dos BRICS, também já integram o banco Bangladesh, Emirados Árabes Unidos e Egito. Na última semana, o presidente da Argentina, Alberto Fernández, e o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, entraram com pedidos de adesão. Ela também se encontrou em Pequim com o primeiro-ministro do Egito, Mostafa Madbouly, para tratar de projetos de financiamento no país.

No 3º Fórum da Iniciativa Cinturão e Roda, Dilma disse que o banco tem buscado ampliar os investimentos nos países emergentes e que está disposto a buscar mais parceiros. “O desafio para nós é garantir o volume necessário de recursos, e para isso o Banco dos BRICS atua em duas frentes: levantando fundos em diferentes moedas e também em moedas locais, operações e, na outra frente, expandindo sua base de capital, incorporando mais mercados emergentes e países em desenvolvimento como novos acionistas”, disse Dilma, acrescentando: “Sem impor condicionalidades, é claro”.

Xi saudou a participação do NDB na Iniciativa Cinturão e Rota e na Iniciativa de Desenvolvimento Global, bem como seu papel na promoção da Agenda 2030 da ONU para o Desenvolvimento Sustentável e na ajuda na modernização de mais países em desenvolvimento. Dilma agradeceu ao governo chinês pelo apoio ao NDB e expressou a crença de que o a Nova Rota da Seda e o fórum desempenhem um papel importante no desenvolvimento sustentável global e verde. - (247).


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Preço da gasolina registra queda pela 8ª semana seguida, enquanto novos cortes entram em vigor neste sábado

 Dados são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Posto de combustível (Foto: REUTERS/Adriano Machado)


 Nos postos do Brasil, a gasolina teve redução de 0,34% no seu preço, sendo vendida a uma média de R$ 5,74 por litro. Este é o oitavo decréscimo consecutivo no valor do combustível. As informações, reveladas na sexta-feira (20), são da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), referentes à semana de 15 a 21 de outubro. O preço máximo registrado nas bombas foi de R$ 7,59.

Na última semana, o etanol manteve-se estável com um preço médio de R$ 3,61 por litro, tendo seu valor máximo registrado em R$ 6,60.

Já o diesel teve uma ligeira redução em seu preço, passando de R$ 6,05 para R$ 6,04 por litro, representando um decréscimo de 0,17%. O preço mais elevado observado para o diesel durante a semana foi de R$ 7,19.

Na quinta-feira passada (19), a Petrobrás comunicou cortes nos valores da gasolina e do diesel, que entrarão em vigor neste sábado (21). Com isso, espera-se que os preços dos combustíveis apresentem novas quedas na próxima semana. (Com informações da TV Cultura). - (247).


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Câmara aprova o fim da escala 6x1, numa das maiores vitórias do governo Lula

  Proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos por mudanças nas jornadas de trabalho e 19 contra...