Presidente destaca investimentos, energia limpa e cooperação internacional na Hannover Messe
As declarações foram feitas neste domingo (19), na Hannover Messe 2026, considerada a maior feira de tecnologia industrial do mundo. O encontro reuniu autoridades políticas e lideranças empresariais para discutir desafios econômicos e fortalecer relações bilaterais entre Brasil e Alemanha.
Defesa de novo modelo global
Lula criticou a desigualdade na distribuição dos benefícios da globalização e associou esse cenário ao crescimento do extremismo. “Sabemos que os ganhos da integração de mercados não vêm sendo igualmente distribuídos. O crescimento do extremismo é um dos reflexos das limitações de um modelo cujos benefícios não chegam a todas as pessoas. Um novo paradigma de desenvolvimento requer um multilateralismo justo e equilibrado”, declarou.
O presidente também ressaltou políticas públicas voltadas à indústria e à inclusão social. “Desde 2023, estamos reconstruindo a capacidade do Estado para impulsionar o crescimento econômico e a inclusão social. Colocamos em marcha um robusto programa de neoindustrialização, tendo como motores a economia verde e a indústria 4.0. O convite para a Feira de Hanôver consolida a posição do Brasil como parceiro confiável em um mundo de instabilidade e incerteza”, afirmou.
Impactos das tensões internacionais
Ao abordar o cenário global, Lula destacou os efeitos econômicos das guerras. “Além de inestimáveis perdas humanas, as guerras causam prejuízos econômicos palpáveis. Flutuações no preço do petróleo encarecem a energia e os transportes. A escassez de fertilizantes afeta a produção agrícola e aumenta a insegurança alimentar. São os mais vulneráveis que pagam o preço da inflação dos alimentos”, disse.
Ele também apontou contradições do momento atual. “Vivemos um momento crítico na geopolítica global, marcado por grandes paradoxos. Enquanto astronautas sobrevoam a lua, bombardeios matam indiscriminadamente civis, mulheres e crianças no Oriente Médio. A inteligência artificial nos torna mais produtivos, mas também é utilizada para selecionar alvos militares sem parâmetros legais ou morais”, afirmou.
Reformas e cooperação internacional
O presidente voltou a defender mudanças na estrutura da Organização das Nações Unidas. “Alguns membros permanentes do Conselho de Segurança agem sem amparo na Carta da ONU”, disse. Ele também criticou o protecionismo e destacou a importância da cooperação global como alternativa para o desenvolvimento econômico.
Lula mencionou o acordo entre Mercosul e União Europeia como exemplo de integração. “Diante do unilateralismo, o Mercosul e a União Europeia escolheram a cooperação. Daqui a menos de duas semanas, entrará em vigor o Acordo que cria um mercado de quase 720 milhões de habitantes, com PIB agregado de 22 trilhões de dólares”, afirmou.
Energia limpa e indústria
O presidente destacou o protagonismo brasileiro na transição energética. “Na década de 1970, os choques do petróleo evidenciaram os perigos da excessiva dependência de combustíveis fósseis. O Brasil foi pioneiro na implementação de um programa nacional de biocombustíveis”, afirmou.
“Nos últimos três anos, reduzimos em 50% o desmatamento na Amazônia e em 32% no Cerrado. Dispomos de matriz elétrica 90% limpa e temos potencial para produzir o hidrogênio verde mais barato do mundo”, ressaltou o presidente
Minerais críticos e investimentos
Lula ressaltou o potencial brasileiro na exploração de minerais estratégicos. “Minerais críticos são essenciais para a descarbonização e a transformação digital. [...] Esses insumos devem ser instrumentos de desenvolvimento econômico e social. Não repetiremos o papel de meros exportadores de commodities minerais”, afirmou.
Cenário econômico e defesa do Pix
O presidente apresentou dados sobre o desempenho econômico do país. “Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como parceiro estratégico para quem quer produzir com eficiência, tecnologia e sustentabilidade. Fomos o segundo país que mais recebeu investimento estrangeiro direto”, declarou.
Ele também mencionou propostas em discussão no Congresso, como a redução da jornada de trabalho. “Queremos pôr fim à jornada de trabalho seis por um, para permitir que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal”, afirmou.
Ao final, Lula destacou iniciativas tecnológicas do país. “O Pix tornou-se uma das maiores infraestruturas de pagamento instantâneo do planeta. O sistema é público, gratuito e referência internacional em inovação e inclusão bancária”, disse. - 247.
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