Motoristas apresentam procura intensa pelo combustível na manhã desta quarta-feira (11)
No Recife, segundo dados Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o litro da gasolina, na primeira semana de março, custava R$ 6,66 em média. Agora, os valores passam dos R$ 7,40.
A equipe de reportagem da Folha de Pernambuco fez uma ronda em postos do Centro do Recife e da Zona Norte para averiguar de perto os preços e conferir a opinião dos clientes a respeito da alta nos valores.
No Posto Recife Antigo, que atende pela bandeira da Petrobras, a gasolina está custando R$ 7,45. O piloto por aplicativo José Carlos, de 48 anos, abasteceu o tanque completo da moto dele. O investimento foi de R$ 38. Em entrevista, ele criticou o aumento e disse que vai ter que desembolsar ainda mais dinheiro para manter o equipamento de trabalho.
"Infelizmente a gente precisa para trabalhar. O pai de família tem dívidas para pagar. É complicado, porque a gasolina aumenta, mas as corridas permanecem com o mesmo valor. A tendência é diminuir mais. O aplicativo tende a favorecer mais os clientes. É uma situação complicada. O rico fica mais rico e o pobre fica mais pobre. Com esse combustível vai dar para rodar de 100 a 150 quilômetros. Tem que ser otimista e dizer que tá tudo bem. Enquanto não pensarmos assim, não trabalharemos", declarou.
Mais para a frente, no posto Shell Avenida Norte, na altura da Encruzilhada, na Zona Norte da capital pernambucana, Felipe de Siqueira, 62, abastecia o carro. Ele é auxiliar administrativo e antes conseguia abastecer o carro com gasolina comum que custava R$ 6,59. Agora, encontra o produto nesse estabelecimento a R$ 7,49.
"Ontem eu vim aqui abastecer e estava a R$ 6,99. É um absurdo isso. Já está fora do comum. Ninguém tem a ver com assuntos exteriores. Quando o salário aumenta, tudo sobe e a inflação fica lá em cima. Não tem como viver enfrentando um absurdo desse", explicou.
No bairro do Rosarinho, também na Zona Norte, o posto Petrocal vende gasolina comum a R$ 7,58. O motorista de aplicativo Paulo Venâncio, de 44 anos, acha o valor absurdo e abusivo. Ele comparou a oscilação à época da pandemia de Covid-19, quando a gasolina chegou a ser comercializada a R$ 8,59.
"Está aumentando e a gente vai trabalhando como pode para trazer o pão e sustentar a família. Está difícil esse aumento dos impostos e a gente segue sendo prejudicado. Esse posto aqui ainda tá baixo. Tem outros que eu passei onde estavam com cinco ou dez centavos a mais. No final faz diferença. Muitas vezes, não vale a pena andar tanto e não ver oferta melhor", argumentou.
"Independente de anúncio da Petrobras, os valores são atualizados com o valor dos barris de petróleo e o dólar. Consequentemente, o barril de petróleo subiu. No mundo capitalista todos dependem do estoque e do caixa, que são o coração e o pulmão da empresa. As distribuidoras vendem aos postos e quem compra é a refinaria. Os postos são repassadores de preço. Mesmo sendo grande, um posto tem um estoque pequeno. Se ele vende mais barato do que repõe o estoque, vai terminar com dificuldades financeiras e se for para o banco é pior", explicou.
Por meio de nota, o Sindicombustíveis-PE alegou categoricamente que cerca de 60% a 65% do abastecimento depende de combustíveis importados e da refinaria Acelen, que fica na Região Metropolitana de Salvador, enquanto aproximadamente 40% vêm da Petrobras. Como Acelen e importadoras seguem diretamente o preço internacional do petróleo e a variação do dólar, qualquer alta nesses fatores impacta imediatamente o custo de reposição.
"A volatilidade do mercado internacional interfere diretamente no preço final nas bombas, e muitas vezes o posto acaba sendo chamado sozinho para dar explicações. O mais adequado seria também observar por quanto as distribuidoras compraram das refinarias e por quanto estão vendendo aos postos, pois é nessa cadeia que os preços são formados antes de chegar ao revendedor", complementa o sindicato.
O barril do petróleo chegou a custar US$ 120, o que, quando convertidos em reais, ficam na casa dos R$ 630. Na cotação desta quarta-feira está na casa dos US$ 89,52, cerca de R$ 470.
"Caso seja identificado que os estabelecimentos possu íam combustível em estoque adquirido por valores anteriores e, ainda assim, realizaram aumento de forma indiscriminada, a prática poderá ser considerada abusiva, conforme prevê o Código de Defesa do Consumidor. O Procon-PE reforça que seguirá monitorando o mercado de combustíveis para garantir transparência e proteger os consumidores pernambucanos contra práticas que possam prejudicar a população", promete o órgão fiscalizador.
Caso o consumidor se senta lesado, pode fazer uma denúncia no Procon-PE, por meio do e-mail denuncia@procon.pe.gov.br. Para maiores informações, a pessoa pode ligar para o 0800 282 1512. A sede do Procon-PE fica na Rua Floriano Peixoto, 141, no bairro de Santo Antônio, Centro do Recife.