terça-feira, 1 de agosto de 2017

ZOO INTERIOR. MILHÕES DE BACTÉRIAS POVOAM NOSSO SISTEMA DIGESTIVO


 Saúde 247 Em parceria com Le Fígaro
 (photo: )

Nós não as vemos, porém milhões de bactérias moram nos diferentes órgãos do nosso sistema digestivo. Quando comemos, a microbiota (*) intestinal envia sinais de saciedade para nosso cérebro. Elas muitas vezes determinam a saúde e a doença.



Por Soline Roy – Le Figaro Santé

Psiu… Ouça. Suas bactérias estão conversando com você. Ao comer, a enorme população microscópica que mora em seus intestinos se serve em primeiro lugar. E informa o seu cérebro assim que estiver satisfeita.
«Nossas bactérias intestinais, uma vez alimentadas, produzem uma proteína que  agirá no cérebro para lhe dizer que deve ordenar à pessoa parar a ingestão de alimentos», resume Sergueï Fetissov. Professor de fisiologia na Universidade de Rouen e pesquisador no Inserm na unidade de nutrição, inflamação e disfunção do eixo intestino-cérebro, ele lidera a equipe que acaba de publicar seus resultados na revista médica  Cell Metabolism.
Primeiro em tubos de ensaio e no intestino de ratos e camundongos, a equipe de pesquisadores analisou o comportamento de várias . Esta bactéria oferece o duplo benefício de  «morar no intestino de todo mundo, e ser um modelo fácil de manipular no laboratório», diz Serguei Fetissov.
Sensor bacteriano
Primeira descoberta: os pesquisadores observaram que «as bactérias controlam seu próprio número e param de se dividir após ter produzido uma determinada quantidade de novas bactérias». Se os autores ignoram como elas «decidem» interromper seu crescimento, eles observam, contudo, que este processo dura exatamente… 20 minutos. «Em tubo de ensaio ou no intestino do rato, este prazo permanece o mesmo, encanta-se Serguei Fetissov. Testamos também outras bactérias in vitro e encontramos a mesma cinética.» Mas 20 minutos é o tempo necessário durante uma refeição normal para que surja uma sensação de saciedade. Será que nossas bactérias nos dizem quando não estão mais com fome?
No ano passado, a mesma equipe de Rouen havia identificado uma proteína (Clpb), produzida pela bactéria E. coli e semelhante a um hormônio envolvido no sentimento de saciedade. Os pesquisadores queriam saber como a Clpb se comportava. E surgiu a segunda descoberta : a proteína Clpb não age da mesma forma, conforme ela for originária de bactérias famintas ou saciadas! «Quando injetamos proteínas extraídas de bactérias em fase de crescimento em ratos, elas estimularam a produção de um hormônio que aumenta a liberação de insulina (GLP1). E ao injetarmos as mesmas proteínas, mas a partir de bactérias que pararam de crescer, elas estimularam outro hormônio que regula a saciedade (PYY)», explica Serguei Fetissov. Os ratos submetidos a estas últimas injeções comeram, em seguida, duas vezes menos que aqueles que receberam um placebo ou proteínas oriundas de bactérias não saciadas.
Uma interação extraordinária
«Trata-se de um estudo muito sofisticado, que confirma a interação extraordinária entre a microbiota e o cérebro”, entusiasma-se o Prof. Jean-Michel Lecerf, chefe do departamento de nutrição no Instituto Pasteur de Lille. “No entanto, será preciso demonstrar que o mesmo processo está em ação nos seres humanos e qual é o seu papel nos transtornos alimentares.»
Além disso, será necessário medir o peso deste «sensor bacteriano» em relação a todos os outros processos que governam nossos apetites . Porque se nossa microbiota é frequentemente considerada como nosso «segundo cérebro», poderíamos também qualificar nosso cérebro de «primeira barriga». Dilatação e esvaziamento do estômago, aumento da glicemia, várias reações hormonais …, nosso organismo envia diversos sinais, muitas vezes redundantes, para nos dizer se é para comer ou não. «Tudo está organizado em nosso organismo para não emagrecermos, é por isso que os medicamentos e dietas funcionam mal», diz Jean-Michel Lecerf. Além das várias madeleines de Proust que despertam em nós prazeres e desgostos. «A regulação do comportamento alimentar é uma usina de gás incrível, diz o Prof. Lecerf, especialmente em seres humanos, com toda uma parte psicológica e ambiental.» No entanto, concorda o médico, «essas linhas de pesquisa no eixo intestino-cérebro são promissoras ».
A equipe de Rouen vai focar nos estudos destes processos em seres humanos, dos quais a microbiota contém os mesmos aliados microbianos preciosos. E após ter «encontrado a proteína bacteriana que faz com que o rato pare de comer», Serguei Fetissov gostaria de descobrir a que faz o ser humano emagrecer. «Vamos tentar entender melhor, através deste mecanismo, a hiperfagia ligada à obesidade», diz o pesquisador, que imagina, dentre outros, a administração de probióticos ou prebióticos, para ensinar à microbiota de pacientes obesos a dizer «stop».
Enquanto isso, conclui Serguei Fetissov, há uma lição que podemos lembrar: no final de uma refeição, tenhamos um pouco de paciência antes de nos jogarmos na segunda sobremesa. «Nossas bactérias precisam de um pouco de tempo para fazer seu trabalho.»
(*) Em ecologia, chama-se microbiota o conjunto dos microorganismos que habitam um ecossistema, principalmente bactérias, mas também alguns protozoários, que geralmente têm funções importantes na decomposição da matéria orgânica e, portanto, na reciclagem dos  nutrientes. (247).


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Reformas federais deixam vulneráveis os/as trabalhadores/as do campo e podem aumentar pobreza e violência

Reforma

A reforma trabalhista foi aprovada pelo Senado no dia 11 de julho. A casa ratificou as novas regras que dilaceram o código que rege as leis trabalhistas, a CLT, depois de um acordo com o governo. A Câmara já havia aprovado o texto em abril. Com a passagem pelo Congresso, o governo sancionou a medida no dia 13 de julho. O acordo que permitiu a aprovação no Senado envolve um compromisso do governo de alterar, via Medida Provisória, as questões que os senadores e senadoras levantaram. Na prática, a manobra acelerou a aprovação das novas regras. A partir da aprovação, a reforma entrará em vigor em 120 dias (em novembro deste ano), um “presente” para todos as trabalhadoras e trabalhadores brasileiros.
No campo, quem é assalariado terá ainda mais problemas, inclusive se um conjunto de novas medidas entrar em vigor. Se a reforma geral fragiliza, o adendo para o campo proposto pelo PL 6442/2016 de autoria do presidente da bancada ruralista na Câmara, deputado Nilson Leitão (PSDB-MT), vai possibilitar a servidão rural tornando legais as práticas de muitos fazendeiros que hoje são consideradas análogas à escravidão. Por exemplo, a medida prevê, dentre outros absurdos, o contrato por moradia e comida no lugar do salário. Outros aspectos tornarão a vida das mulheres especialmente mais vulneráveis, pois permitirá pagamento por hora trabalhada e trabalho em locais insalubres mesmo estando elas lactantes ou gestantes.
Fonte: CNJ
O que os ruralistas desejam é a transferência do risco da produção para os empregados. Para o assessor jurídico da Confederação Nacional do Trabalhadores Assalariados e Assalariadas Rurais (Contar), Carlos Eduardo Chaves, a reforma é inconstitucional. “Já há um material do Ministério Público do Trabalho que fala sobre a inconstitucionalidade da reforma. Quando você tem uma situação como essa, não adianta você melhorar nada. Há pontos graves e mesmo que você mude esses pontos graves não vai mudar a essência da reforma. Ela retrocede para um momento anterior à CLT. A impressão que nós temos hoje é que essa reforma foi feita a partir da análise de jurisprudências desfavoráveis aos empresários, aos usineiros, fazendeiros para dar um jeitinho de evitar condenações na justiça e enfraquecer entidades sindicais. O que eles querem mesmo é que o empregador possa fazer o que quiser. ” Em entrevista para a ASA Brasil, Carlos Chaves esclareceu as principais mudanças que afetam os trabalhadores e trabalhadoras do campo e alerta para uma situação social que pode aprofundar a pobreza e aumentar os já crescentes casos de violência no campo.
ASACom – De um modo geral, como as regras da reforma trabalhista aprovada no dia 11 de julho pelo Congresso e sancionada dois dias depois pela Presidência da República afetam os trabalhadores e as trabalhadoras do campo?
Carlos Chaves – Essa reforma trabalhista foi construída a toque de caixa. Ela foi uma proposta feito pelo governo, uma proposta mais enxuta, e depois na Câmara, quando o relator foi analisar, ele saiu recolhendo as contribuições dos empresários e não colheu sugestões de entidades importantes que trabalham com fiscalização do trabalho como o Ministério Público do Trabalho e juízes ou sindicatos e montou um projeto gigantesco que modifica de modo considerável a CLT e as demais legislações [trabalhistas].
O grande problema dela, que é [um problema] universal e com um agravamento no meio rural, é que foi construída com uma premissa falsa de que há igualdade entre patrões e empregados. Ela está toda lastreada na livre negociação e isso é alardeado por aqueles que a aprovaram de forma quase unânime. Só que quando se fala em negociação, você precisa pressupor que haja uma igualdade nas condições de negociar. Mesmo com os sindicatos, mesmo com a nossa união, mesmo com toda a mobilização dos trabalhadores, muitas vezes só se consegue alcançar algum avanço fazendo greve. Se houvesse essa igualdade, jamais seria deflagrada qualquer greve no país.
Quando você pega vários direitos como jornada, intervalos, férias, quitação anual das verbas rescisória e transfere isso para se resolver numa relação direta trabalhador e empregador ou em outros casos até entre sindicato e empregador, mas sem a proteção da lei, aí você coloca o trabalhador que já é vulnerável numa situação de maior vulnerabilidade ainda. Por que no campo é mais grave? Porque o trabalhador rural tem um perfil socioeconômico muito inferior ao trabalhador da cidade, então são trabalhadores que têm baixa escolaridade, às vezes analfabetos, outros analfabetos funcionais, são trabalhadores que vivem muitas vezes em situação de pobreza, tanto que o trabalho escravo no meio rural é uma realidade por conta disso. Esse é o primeiro impacto e ele é gravíssimo.
Até a aprovação da reforma trabalhista não havia essa possibilidade de que o negociado podia prevalecer sobre o legislado. Havia um princípio da nossa legislação que é o de aplicar a lei da forma mais benéfica para o trabalhador. Então isso impedia que você negociasse uma jornada que desrespeitasse o limite da lei. Ou seja, você pega um trabalhador que é vulnerável e coloca para negociar diretamente com o empregador sem a proteção da lei.
Fonte: CNJ
Enfraquecimento dos sindicatos – As entidades sindicais rurais têm mais condição de fazer essa negociação. Muitos são atuantes. Se você pega a realidade de Pernambuco, por exemplo, há uma convenção estadual. Os sindicatos precisaram se unir junto com a Fetape, a Fetaeg e a Confederação [Contar] para poder negociar em pé de igualdade com os usineiros. Não bastou unir os trabalhadores de um município para negociar.
A reforma enfraquece os sindicatos. Dentre outros pontos, de uma hora pra outra, você extingue a contribuição sindical. Concordo que a contribuição sindical precisa passar por mudanças. Você tem uma quantidade de sindicatos no país, principalmente no ambiente urbano, que recebem a contribuição sindical sem fazer nenhum tipo de negociação. Mas não podia acabar de uma hora para outra, sendo péssimo para o meio rural. Existe uma realidade diferente para o meio rural e uma dificuldade muito grande de filiação, pois os trabalhadores podem trabalhar em lugares diferentes durante o ano. Outro problema é a homologação da rescisão de contratos com mais de um ano, que antes era feito nos sindicatos e agora não precisará mais desse intermédio. Você não terá como saber, por exemplo, se o trabalhador está recebendo todos os seus direitos. Há um estímulo à negociação, ao mesmo tempo você torna o trabalhador mais vulnerável e enfraquece os sindicatos.
Fonte: CNJ
Acesso à justiça e danos ao trabalhador – Os sindicatos, além da função de reivindicação, também tem uma função de mediação. Tem muita coisa que você resolve nessa relação sindicato e empresas, evitando chegar à Justiça. A nova lei estabelece uma série de obstáculos para o trabalhador ingressar com uma ação judicial. Isso dificulta o acesso à justiça. A reforma parece autorizar que o empregador possa fazer tudo sem ter uma instância de controle, nem do sindicato, nem da justiça.
Há um cardápio de danos morais, um cardápio de violações que se pode fazer sabendo já quanto o empregador vai pagar de indenização. Tem um artigo que diz que se o trabalhador receber uma ofensa leve, o empregador deverá pagar até 3 salários do trabalhador. Antes se analisava a renda do empregador, a extensão da ofensa, o sofrimento provocado, para aí sim definir um valor que tornasse aquela pena significativa. Isso é uma coisa para incentivar a impunidade. Outra medida é a reincidência, que gera multas em dobro. Agora, o empregador só é reincidente se cometer a violação com o mesmo funcionário. Significa que hoje eu ofendo um e sou processado e pago a multa desse “cardápio”, amanhã eu ofendo outro e, mesmo assim não pago a multa dobrada pois a lei não considera reincidência.
Outro exemplo de mudança é o fim da hora in itinere, que é o tempo que o trabalhador gasta se deslocando de casa para o trabalho em veículo fornecido pelo empregador que é uma remuneração que o trabalhador recebia por não haver transporte público ou não haver horário de transporte público para a função do trabalhador no local de trabalho. Para o meio rural, isso é péssimo pois era essa obrigação que fazia o empregador organizar transportes melhores [em qualidade e número]. Quanto mais tempo o trabalhador demorasse nesse transporte, mas ele tinha direito de receber. O que impedia que o empregador submetesse o trabalhador a transportes longos era justamente essas horas que ele tinha que pagar. Com isso, vamos voltar a uma realidade em que o empregador vai utilizar um mesmo ônibus, por exemplo, pra pegar todo mundo, independente do tempo que isso dure. Se considerarmos o isolamento geográfico de alguns locais de trabalho e as distâncias das moradias no meio rural isso é péssimo.
ASACom – Especialmente para as mulheres trabalhadoras do campo, o que muda?
Fonte: CNJ
Carlos Chaves – Há uma proporção de 89% de trabalhadores do campo para 11% de mulheres trabalhadoras. As mulheres geralmente trabalham em atividades que são pesadas. Por incrível que pareça no imaginário, o corte de cana não é a atividade mais pesada. Quem trabalha por exemplo em seleção de fruta é bem pior. Quando você pega essa mulher que se submete a mais de uma jornada por dia e diz que ela vai receber por aquela hora específica, é uma situação pior ainda. Quando você pega a possibilidade de lactantes e gestantes trabalharem em situações insalubres de saúde… gente, isso é um absurdo! O ambiente insalubre mais presente no campo é onde existem e são aplicados agrotóxicos. São vários e vários casos que a gente conhece de pessoas que sequer trabalhavam para as empresas, bastavam ser vizinhas, e tiveram má-formação do feto a partir do contato residual do agrotóxico. Então imagine só a possibilidade de isso acontecer com quem trabalha nesses locais… A gente não percebe a extensão dos danos que essa reforma pode causar.
ASACom – Quando a gente soma esse conjunto de leis proposto ora pelo Governo Federal, ora pelo Congresso, como a reforma trabalhista, a reforma da previdência, a lei que regulamenta a terceirização e o projeto de lei 6442/2016 do deputado Nilson Leitão (que cria uma situação de regras exclusivas para o trabalho rural), o que é possível enxergar de cenário para os trabalhadores e trabalhadoras do campo?
Carlos Chaves – É o apocalipse!! E vou te explicar por que. Estamos agora no extremo sul da Bahia para acompanhar um processo de negociação com as prestadoras de serviço de uma grande empresa. Elas são terceirizadas. A nossa luta aqui é para tentar igualar os salários. Mesmo assim, os trabalhadores, nas assembleias, já reconhecem que eles não vão ganhar os mesmos salários que a empresa contratante paga para seus funcionários diretos. É muito fácil encontrar fontes que dizem que o trabalhador terceirizado ganha muito menos que o funcionário direto. Você agora vai começar a ter demissão de trabalhador para ser contratado por empresas terceirizadas sem qualquer garantia de proteção. Você diminui os salários desse trabalho em torno de 20 a 30%. Então imagine acrescentar ao cenário da reforma trabalhista à situação de terceirização? Por exemplo, quase 90% dos casos de acidentes de trabalho, um dado de 2014, são ligados a trabalhos terceirizados. Só essas duas legislações já mostram um retrocesso gigantesco.
Fonte: CNJ
E o pior, você tem o [Projeto de Lei] 6442 [de 2016]. O 6442 é a comprovação daquele ditado popular que diz que “não há nada tão ruim que não possa piorar”. O 6442 é a reforma trabalhista piorada! O deputado Nilson Leitão diz que a atual legislação não observa os usos e costumes de cada região. Na década de 1970, quando esse discurso de usos e costumes foi revisado por um conjunto de normas, por exemplo, para fornecer água potável e banheiros pros seus trabalhadores, era a forma [de justificativa] que os empregadores encontravam para legitimar as piores práticas de trabalho. É tanta coisa absurda nesse projeto e vou citar algumas. Por exemplo, o projeto diz que o empregador ficará desobrigado a fornecer banheiros em terrenos acidentados. O que é isso? É obrigar o trabalhador a fazer suas necessidades no mato! Outro: hoje todo exame admissional gera duas vias, uma para o empregador e uma para o trabalhador. O projeto deixa essa segunda via à disposição da fiscalização, desde que seja solicitada. Ou seja, ele propõe que não se dê ao trabalhador ciência da saúde dele. Ainda tem a dupla fiscalização: o projeto propõe que a primeira visita da fiscalização seja educativa, fazendo com que se perca o efeito surpresa que muitas vezes flagra trabalho escravo no campo. A partir daí essa visita não geraria multa! O projeto é tão absurdo que ele legaliza o pagamento de salário em troca de comida e moradia. Com isso não dá pra brincar. Muita gente achava que a reforma trabalhista não passaria e passou!
E não podemos descartar a reforma da previdência, que está aí. Quando você soma as quatro legislações, é a precarização total do trabalho. É o trabalho até a morte! Com a reforma da previdência, inclusive, há notas técnicas que falam que apenas 10% da população vai conseguir se aposentar. Para o meio rural o impacto será devastador.
ASACom – Essa reforma vai de encontro com acordos internacionais trabalhistas dos quais o Brasil é signatário?
Fonte: CNJ
Carlos Chaves – Sim. Um é o Pacto de San José da Costa Rica (Convenção Americana de Direitos Humanos de 1969), no qual há um artigo que diz que você deve observar a progressão de direitos. Esse tratado proíbe que você retroceda. O direito precisa estar sempre em evolução. Você não pode acabar com o direito do trabalhador, é preciso sempre melhorá-lo. Então essa reforma é uma violação grave.
ASACom – Qual o impacto para a economia do campo de um modo geral?
Carlos Chaves – Aquele trabalhador que compra de seu José os produtos que ele vende nas feiras da agricultura familiar vai perder o poder de compra dele e vai passar a comprar menos. Há cinco anos, a Espanha fez uma reforma e o resultado disso foi que a maioria da população passou a receber menos de um salário mínimo. A precarização não é a saída. Isso vai gerar mais conflitos. O trabalhador não vai aceitar isso. Os conflitos vão aumentar. E, hoje, já é crescente a violência no campo. Infelizmente, voltaremos a reviver o período que antecede a CLT.
As empresas sempre conseguiram fazer riqueza aproveitando a nossa CLT. O Brasil já viveu taxas de emprego muito boas, inclusive recentemente, e isso é algo que sempre conviveu com a CLT. A CLT não é o problema. Eu desafio qualquer empregador do campo a abrir qualquer planilha de custo dele e me mostrar que o custo do trabalho é o seu maior gasto. Não é! Ele gasta mais com máquinas, com agrotóxicos e menos com trabalhador. O custo com mão de obra é baixo. O que eles querem é aumentar o lucro.
 (ASACOM),(C.Geral).

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Política pública que promove a Convivência com o Semiárido brasileiro é selecionada para prêmio internacional

Rio Pardo de Minas_MG, 17 de Junho de 2015 ASA - Projeto Um Milhao de Cisternas Cisternas instaladas em residencias da comunidade de Peixe Bravo. Na foto, Jandira Gomes da Silva e sua filha Janaina Foto: LEO DRUMOND / NITRO
Rio Pardo de Minas_MG, 17 de Junho de 2015.ASA – Projeto Um Milhao de CisternasCisternas instaladas em residencias da comunidade de Peixe Bravo. Na foto, Jandira Gomes da Silva e sua filha JanainaFoto: LEO DRUMOND / NITRO


O Programa Cisternas, do Brasil, é um das seis políticas públicas selecionadas em todo o mundo para receber o Prêmio Internacional de Política para o Futuro de 2017 (Future Policy Award), sendo considerada uma das melhores políticas para combater a degradação do solo. Característica marcante e diferenciada da iniciativa premiada é ter nascido no seio das experiências da sociedade civil, proposta como política pública pelas organizações atuantes no Semiárido e assumida pelo Estado. O anúncio foi feito nesta quinta-feira (20), em Berlim, na Alemanha.
Executado pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o programa promove o acesso à água para consumo humano e produção para populações dispersas do semiárido brasileiro, através do armazenamento da água de chuva. Trata-se de uma política pública de Estado, como considera o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), dado que vários governos têm interagido com ele, o Governo Fernando Henrique, de modo especial os governos Lula e Dilma e, atualmente, o Michel Temer.
A sociedade civil que atua no Semiárido, além de influenciar a concepção da política, também a executa, principalmente, através dos programas da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA): Um Milhão de Cisternas (P1MC), Uma Terra e Duas Águas (P1+2) e Cisternas nas Escolas. Segundo o coordenador da ASA pelo Estado da Bahia, Naidison Baptista, esta experiência é um modelo de política construída, executada e avaliada constantemente pela sociedade civil e o Estado, numa perspectiva democrática e participativa. “A premiação significa dizer que estamos andando no caminho certo e que devemos continuar a palmilhá-lo, ampliando ainda mais as ações que possibilitam o acesso de famílias e populações tradicionais à água para consumo humano, junto aos domicílios e escolas rurais, e para produção de alimentos e criação animal”, diz Baptista.
O prêmio – Organizada pelo World Future Council com a parceria da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a premiação escolheu seis iniciativas (Brasil, Austrália, China, Etiópia, Jordânia e Nigéria, além de uma iniciativa global) de um total de 27 analisadas de 18 países.
Entre as seis políticas selecionadas, haverá uma classificação para primeiro, segundo e terceiro lugares e menções honrosas, que será anunciada no dia 22 de agosto. A cerimônia de entrega dos prêmios acontecerá durante a 13a Sessão da Conferência das Partes da UNCCD em Ordos, na China, prevista para o mês de setembro.
Para a indicação ao prêmio, foram analisadas a capacidade destas políticas públicas de proteger a vida e os meios de subsistência nas terras áridas e de promover o combate à desertificação, a restauração da terra e do solo degradados, incluindo as terras afetadas pela desertificação, a seca e as inundações. A parte que diz respeito ao combate à desertificação e mitigação de seus efeitos faz parte do Objetivo 15 do Desenvolvimento Sustentável (meta 3).
Esta é a décima edição do prêmio e a primeira vez que aborda este tema. Edições anteriores já selecionaram, por exemplo, as melhores políticas para a Segurança Alimentar, para a Biodiversidade, para as Florestas e para o Fim das Violências contra as Mulheres.
Para a seleção, o World Future Concil e um seleto grupo de organizações internacionais indicam as melhores políticas que influenciam o desenvolvimento sustentável para as gerações atuais e futuras. Neste processo, também são considerados os “7 Princípios para Legislar para um Futuro Justo”, que abrange também dimensões como a equidade, da erradicação da pobreza, da participação e da resolução pacífica de conflitos.(C.Geral).
Disponível no site da ASA Brasil

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CUT/VOX POPULI: 93% QUEREM VER TEMER INVESTIGADO


Uma pesquisa realizada pelo Instituto Vox Populi entre 29 e 31 de julho revela que nada menos que 94% dos brasileiros desejam que Michel Temer seja investigado pela denúncia apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot.
Colocado no poder por meio de um golpe parlamentar, que destruiu a economia e a imagem do Brasil, Temer foi flagrado nos grampos da JBS e se tornou o primeiro ocupante da presidência formalmente denunciado por corrupção na história do País.
No entanto, alheio à rejeição geral que sofre, Temer promoveu a mais indecorosa compra de deputados já vista no País, numa operação que, segundo a agência alemã Deutsche Welle, poderá custar nada menos que R$ 17 bilhões (saiba mais aqui).
Abaixo, reportagem da Carta Capital:
Caso se confirmem as previsões dos analistas políticos, a Câmara dos Deputados mais uma vez tomará uma decisão completamente dissociada do desejo dos eleitores. Segundo nova rodada da pesquisa CUT/Vox Populi, 93% dos brasileiros acham que os parlamentares deveriam acatar o prosseguimento da investigação contra Michel Temer.
Os deputados decidem nesta quarta-feira 2 se autorizam ou não a abertura da investigação contra Temer. Se aprovado no Parlamento, o assunto retorna ao Supremo Tribunal Federal. Cabe aos 11 ministros da Corte decidir se o peemedebista se torna réu ou não na denúncia apresentada pela Procuradoria Geral da República. Em caso positivo, Temer seria afastado do cargo por até 180 dias. Rodrigo Maia, presidente da Câmara, assumiria interinamente a presidência da República.
Não parece ser esta a inclinação dos congressistas, tanto que a oposição cogita boicotar a sessão desta quarta-feira 2 para evitar quórum suficiente no plenário e adiar a decisão. Durante o recesso parlamentar, o Palácio do Planalto negociou a liberação de emendas e a distribuição de cargos para garantir votos suficientes contra o prosseguimento da investigação. Os oposicionistas, por sua vez, tentam prorrogar a decisão parlamentar à espera de eventuais novas denúncias capazes de enfraquecer Temer.
A pesquisa CUT/Vox Populi realizou 1.999 entrevistas entre 29 e 31 de julho em todos os estados e no Distrito Federal. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.(247).

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Recife tem suspeita de doença da “urina preta”

Casal com possível enfermidade de Haff foi notificado em serviço privado. 
Antes, BA e CE tiveram casos
Peixe contaminado por toxinas leva ao quadro, que pode evoluir com insuficiência renal
Peixe contaminado por toxinas leva ao quadro, que pode evoluir com insuficiência renalFoto: Rafael Furtado

Pernambuco registrou dois casos suspeitos da doença de Haff. A enfermidade ganhou notoriedade no País ano passado por estar relacionada ao sintoma de urina preta aliada a fortes dores musculares (mialgia aguda) e altos níveis da enzima CPK. O mal está relacionado com a ingestão de peixes contaminados por toxinas de algas ou corais. Os dois pacientes deram entrada no Real Hospital Português (RHP) no dia 14 de julho.

O policial Maviael da Silva e a professora Arleide Guerra - casados e com 49 anos de idade - compraram um pescado no bairro do Cordeiro, na Zona Oeste do Recife, o consumiram durante uma refeição em casa e horas depois apresentaram os sintomas. Ele passou sete dias internado e já teve alta. A esposa teve insuficiência renal e precisou de hemodiálise, mas tem quadro estável. 

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“Comprei um arabaiana para comer em casa. Depois de umas quatro horas ela começou a apresentar sintomas. Dor no pescoço, nas costas, nos braços. Eu só tive no outro dia. Quando cheguei no hospital já estava urinando preto, e olhe que a gente buscou ajuda rápido”, contou Maviael Silva.

O infectologista Filipe Prohaska comentou que o casal, quando deu entrada na unidade hospitalar, passou por uma triagem de leptospirose. Só depois, com a exclusão de sintomas semelhantes e o histórico de consumo de pescado, se chegou à hipótese de Haff .

“Houve uma desconfiança de leptospirose porque as duas doenças se assemelham em alguns pontos. Mas eles não tinham febre. Tinham dores no corpo, o índice de CPK muito alto (que mede lesão muscular) e a urina escura”, contou o médico, acrescentando que a professora deve se recuperar bem apesar do acometimento renal temporário, e a expectativa é que ela não fique com sequelas. 

Prohaska comentou que a doença de Haff, geralmente, aparece em surtos. Foi assim em episódios na Amazônia e mais recentemente na Bahia. Em Pernambuco, não há registros oficiais sobre a enfermidade.

O núcleo de Epidemiologia do RHP já notificou verbalmente à Secretaria Estadual de Saúde (SES) os casos suspeitos. Até o fechamento desta edição, a SES informou que não tem registro ou notificação e que é preciso discutir com o Ministério da Saúde critérios para inserção das suspeitas.

O surto da misteriosa doença do “xixi preto” na Bahia começou em dezembro de 2016. Até março de 2017, foram notificados mais de 70 casos e duas mortes. O infectologista Antônio Carlos Bandeira fez parte da força tarefa de pesquisadores que descobriram a implicação da doença de Haff nos quadros de mialgia.

“Esta foi a primeira vez que a enfermidade foi reportada na costa brasileira. Depois de casos na Bahia, tivemos alguns no Ceará. Em Salvador, a grande maioria dos casos estava relacionada ao consumo de Olho de Boi. Tudo indica que essa toxina, de algo que o peixe se alimenta, fica na carne do peixe e resiste ao cozimento ou fritura. Não se degrada pelo calor”, contou.(Folhape).



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Mãe é morta pela própria filha em Caruaru

De acordo com a Polícia Militar, filha tem problemas psicológicos
Crime aconteceu na rua La Paz, em Caruaru


Uma mulher matou a própria mãe na tarde desta terça-feira (1º), em Caruaru, Agreste pernambucano. De acordo com informações da Polícia Militar, a filha tem problemas psicológicos e atacou a mãe com uma faca. A vítima morreu no local.

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O crime aconteceu dentro de uma casa na rua La Paz, bairro João Mota, por volta das 16h. A vítima foi identificada como Maria do Carmo da Silva, de 59 anos.

A polícia também afirma que a filha, Janaína Maria da Silva, 27 anos, tentou investir contra uma criança, mas não conseguiu. A mulher foi encaminhada para a Delegacia de Plantão de Caruaru,(Folhape).



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Mercado de estágio apresenta tendência de recuperação em 2017

retomada_mercado_de_estágio

 O balanço do primeiro semestre revelou alta na oferta de vagas e as áreas que estão em ascensão nesse período
Os programas de estágio, embora também tenham sofrido os efeitos da crise, já apresentam sinais de melhora. Números demonstram que, mesmo em meio aos percalços da economia brasileira, a oferta de vagas de estágio subiu e tende a se elevar até o final do ano. De acordo com especialistas do setor, isso representa um cenário de reestabelecimento dessa modalidade, já que boa parte das contratações não se deve apenas à entressafra (período no qual muitos contratos vigentes se encerram e cresce a demanda para repor o quadro de estagiários), mas sim às novas vagas abertas. Portanto, o momento se torna mais oportuno para os estudantes que voltando das férias de Julho encontrarão mais vagas disponíveis.
Cresce número de oportunidades para estudantes
Os jovens, especialmente a faixa etária que vai até 24 anos, foram os mais afetados pela crise do emprego. Muitos, em busca da primeira experiência profissional, ficaram à margem do mercado de trabalho, no entanto, para aqueles que ainda frequentam as salas de aula, o cenário começou a mudar já no final do ano passado. É o que indica números da Companhia de Estágios, consultoria e assessoria especializada em programas de estágio e trainee. Dados da recrutadora apontam um crescimento expressivo no número de vagas ofertadas no segundo semestre de 2016. O segundo semestre tradicionalmente apresenta mais vagas comparado ao primeiro semestre, está aberta, portanto a temporada dos Programas de Estágio.
Cenário positivo eleva expectativas
Segundo Tiago Mavichian, diretor da recrutadora, desde o início da crise, em 2013, o total de vagas vinha caindo gradativamente e atingiu o declínio mais acentuado nos seis primeiros meses de 2016. Contudo, essa não é a única razão para o bom desempenho registrado pela recrutadora: para o especialista, essa virada demonstra que as empresas estão reagindo e voltando a contratar.
Dados da Companhia de Estágios apontam que já no primeiro semestre de 2017, o número de vagas ofertadas foi 30,7% maior em comparação com o mesmo período do ano passado, reafirmando a tendência favorável. “E se a expectativa de crescimento de 5% para o segundo período for confirmada, o ano fechará com um aumento real de 2,4% no número de vagas em relação a 2016. Primeiro balanço positivo desde o início da crise”- acrescenta Mavichian. Isso porque, historicamente, é no segundo semestre que as empresas costumam anunciar mais postos.
Carreiras promissoras
O balanço também revelou quais áreas mais promissoras quando o assunto é estágio. Mesmo em meio à crise, o setor de Tecnologia da Informação (TI) vem crescendo e gerando mais oportunidades. Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) essa área de atuação fechou o último ano com um saldo positivo de 1,2 mil empregos, enquanto diversos outros setores reduziram as operações e cortaram vagas. Nos programas de aprendizagem esse cenário não é muito diferente, de acordo com Mavichian, em 2016, a área de TI também aumentou as contratações de estagiários: “Em comparação com o mesmo período do ano passado, o número de vagas para os estudantes de TI mais que dobrou nesse primeiro semestre de 2017”. O especialista explica que isso se deve ao fato de que o mercado sempre demanda de novas soluções e recursos tecnológicos para o aprimoramento das rotinas corporativas, especialmente diante da crise: “A recessão fez com que as empresas buscassem ainda mais formas de racionalizar e aumentar a eficiência dos processos para reduzir os custos, o que impulsionou o ramo de TI”.
No saldo de vagas gerado até junho desse ano, a área de Administração ainda se manteve em primeiro lugar entre as contratantes, no entanto, seu crescimento foi de 13%, que, apesar de positivo, diante do cenário atual, é um número relativamente baixo se comparado a outras áreas em ascensão como Marketing e Comunicação, que aumentou suas vagas em 120% e Ciências Contábeis que cresceu 90%. Engenharia e Direito, que antes figuravam no topo das áreas com mais oportunidades para os estudantes, terminaram o primeiro semestre com uma queda de cerca de, respectivamente 36% e 26% no total de oportunidades.
Modalidade mais atrativa
Mesmo com as perdas, o estágio tem sido indiscutivelmente, a principal alternativa dos jovens diante do encolhimento das vagas formais. Desde o início da crise, a recrutadora tem registrado um aumento progressivo no número de candidatos nos processos seletivos: somente no último semestre de 2016 foram mais de 100 mil inscritos – número recorde. Tal aumento pode ser explicado, principalmente pela estagnação do mercado celetista. Dados recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam que a taxa de desemprego no país se mantém em 13,3%, indicando que o mercado formal está em fase de estabilização. Segundo especialistas do setor, na melhor das hipóteses, a recuperação só deve ocorrer a partir do ano que vem.
“Esse cenário favorece ainda mais o mercado de estágios, tanto para o jovem, quanto para o empresário, afinal, as empresas precisam buscar alternativas para seguir investindo em recursos humanos e é justamente no estágio que encontram a possibilidade de treinar colaboradores e desenvolver planos de carreira a custos reduzidos. Já o jovem, tem a oportunidade de adquirir experiência e desenvolver sua carreira profissional, concorrendo a vagas adequadas para o seu perfil” – explica Mavichian. (Agencia Carti),(C.Geral).

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