domingo, 30 de outubro de 2022

Pernambuco já foi governado por mulher: veja quem foi a pioneira Brites de Albuquerque

Será a primeira vez que o Estado elege uma governadora por voto direto

                         Por Fabio Nóbrega/Folhape

Brites de Albuquerque, primeira mulher governante nas Américas - Foto: Reprodução

Pernambuco vive um segundo turno histórico de eleição com um resultado nunca visto: será a primeira vez que o Estado elege por voto direto uma mulher como governadora. Marília Arraes (Solidariedade) ou Raquel Lyra (PSDB) ou assumirá, em 1º de janeiro de 2023, a chefia do Poder Executivo. 

Mas Pernambuco já foi governado por mulher: a esposa de Duarte Coelho, Brites de Albuquerque, e a atual vice-governadora Luciana Santos já assumiram o comando do Estado.

Brites de Albuquerque era esposa do donatário da então Capitania de Pernambuco, Duarte Coelho. Ela, inclusive, é conhecida como a primeira governante das Américas. Brites ocupou o cargo pela primeira vez em 1553, aos 35 anos, e se tornou regente durante sete anos (1554-1561) depois da morte do marido e antes da posse do seu filho. 

Atual vice-governadora, Luciana Santos também já assumiu a liderança do Palácio do Campo das Princesas em razão de ausências do governador Paulo Câmara no seu segundo mandato, entre 2019 e 2022. Nem Brites nem Luciana, no entanto, foram eleitas pelo voto popular como governante, o que reforça o caráter inédito da eleição de Raquel ou de Marília.

Segundo turno entre Marília Arraes e Raquel Lyra não é descartado por algumas campanhas
Raquel Lyra e Marília Arraes: uma das duas será a primeira governadora de Pernambuco (Foto: Divulgação)

Para a historiadora Gizelly Medeiros, Brites talvez seja uma das grandes injustiçadas da história de Pernambuco. "Ela é pouquíssimo mencionada. Na realidade, os livros antigos da história de Pernambuco tratam muito pouco dela", argumenta

Gizelly explica que Brites foi "extremamente importante" para a então Capitania de Pernambuco. A esposa de Duarte Coelho, inclusive, chefiou a porção de terra por cerca de 30 anos - Duarte Coelho exerceu a mesma função por 18. "Ou seja, ela comandou mais tempo e não é reconhecida, não é muito mencionada nos livros de História", completa a historiadora. 

Brites assumiu o comando da capitania pela primeira vez quando Duarte Coelho precisou regressar a Portugal. Ela governou com a ajuda de seu irmão, Jerônimo de Albuquerque. "Ela recebe depois o título de capitoa. Duarte Coelho volta para Portugal em 1553 e, um ano depois, ele morre. Quando ele morre, Brites assume a capitania até a maioridade dos filhos dela", prossegue Gizelly. O filho Duarte Coelho de Albuquerque então assume a capitania, mas morre em 1578 na Batalha de Alcácer-Quibir, no norte da África. Em seguida, Brites reassume a Capitania de Pernambuco.

"Juntando esse tempo que ela comandou durante a menor dade do filho e depois, quando ele morre, são cerca de 30 anos", detalha Gizelly. 

Historiadores da época perceberam a estrutura que Brites de Albuquerque deixou em Pernambuco. "Durante o governo dela, Pernambuco se tornou uma capitania extremamente próspera. O que a gente conhece da riqueza de Pernambuco naquele período do início da colonização é a maior parte do governo dela", completa a historiadora. Gizelly cita ainda que Brites de Albuquerque ficou conhecida como a "mãe dos pernambucanos" durante o seu governo. 

Gizelly cita a importância de uma mulher assumir novamente - pela primeira vez por voto direto - a chefia do Poder Executivo em Pernambuco. "Já tem 90 anos que as mulheres participam da política no Brasil. E o fato de uma mulher ainda não ter comandado o nosso Estado acaba deixando Pernambuco uma situação meio atípica. Nós, que sempre fomos o Estado do pioneirismo, acabamos ficando atrás nessa situação", observa a historiadora. 

Gizelly ainda traça um paralelo histórico ao citar o momento em que Brites de Albuquerque comandou Pernambuco com o que o Estado passa e terá como desafios em uma futura gestão de Marília Arraes ou Raquel Lyra. 

"Ela [Brites] comanda Pernambuco num momento de uma certa instabilidade, quando o marido dela volta pra Portugal e ela tem que comandar tudo aqui. De muita instabilidade e bem parecido com o que a gente está vivendo agora: um período que a economia precisa avançar, a estrutura política precisa ser organizada e a paz e a ordem precisam ser mantidas. E foi uma coisa que Brites conseguiu fazer lá atrás, então é muito legal. A gente está vivendo nesse nesse contexto, nesse momento histórico, em uma situação um pouco parecida com que a gente vivenciou no século XVI e é excepcional, é maravilhoso. Já passou da hora", arremata Gizelly.


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Parlamentares da oposição denunciam ações da PRF para impedir eleitores nordestinos de votar

Senador Humberto Costa (PE), deputada Erika Kokey (DF) e vereador Vini Castello (Olinda-PE) publicaram repúdio às ações em suas redes sociais

Humberto Costa, do PT - Foto: Camila Souza

Parlamentares brasileiros usaram suas redes sociais, neste domingo (30), para denunciar ações da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que estariam impedindo eleitores nordestinos de votar.

O senador pernambucano Humberto Costa, a deputada federal do Distrito Federal Erika Kokey e o vereador de Olinda (PE) Vini Castello, todos do Partido dos Trabalhadores (PT), publicaram vídeos e notas de repúdio ao bloqueio realizado pelos policiais. Usuários comuns do Twitter também reforçaram denúncias com relatos e imagens. 

"GRAVE DENÚNCIA! Descumprindo decisão do TSE, agentes da PRF estariam fazendo barricadas nas estradas para impedir os nordestinos de votar. Se confirmada a denúncia, isso é inaceitável! Estão tentando melar o processo democrático porque sabem que vão perder", publicou o senador.

O mesmo vídeo foi compartilhado pela deputada Erika Kokey e endossado pelo vereador olindense Vini Casltello.

"Inadmissível o que a Polícia Rodoviária Federal está fazendo. Estão impedindo diversos nordestinos de irem votar em uma ação orquestrada. O TSE precisa agir com urgência pois estão ferindo a democracia no intuito de modificar os resultados das eleições, pois sabem que vão perder!", escreveu o parlamentar.

Ações da PRF em Serra Talhada e Salgueiro, ambas no Sertão pernambucano, estariam, segundo as denúncias, impedindo ou dificultando a passagem de veículos credenciados para levar os eleitores até o local de votação. No Twitter, usuários denunciam ações em outros estados como Sergipe, Alagoas e Rio Grande do Norte.

Ações da PRF estão proibidas
Na noite do último sábado, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, proibiu a Polícia Federal (PF) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) de realizar qualquer operação que afete o transporte público de eleitores neste domingo.

Na decisão, Moraes disse que os diretores de ambas as corporações podem ser responsabilizados criminalmente em caso de descumprimento. Ele também vedou a PF de apresentar resultados de operações relacionadas às eleições.

Questionado pela Folha de Pernambuco, o secretário de Tecnologia do TRE-PE, George Maciel, comentou que, por enquanto, não há informações de ação da PRF nesse sentido no Estado. Ele reforçou que denúncias podem ser feitas pelo Disque Eleitor: (81) 3194-9400. Também é possível realizar denúncias pelo aplicativo Pardal, disponibilizado gratuitamente para Android e iPhone (iOS).

Rede
O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AM) cobrou do TSE uma atitude em relação às denúncias de intimidação aos eleitores feitas pela PRF. 

"Está havendo o descumprimento da ordem do TSE para que a PRF se abstenha de qualquer operação hoje. Recebemos vários relatos, sobretudo no Nordeste, de intimidação de eleitores. Estamos peticionando agora no TSE para que seja intimado o diretor-geral da PRF, sob pena de multa individual e a continuação do descumprimento implique em prisão. Advirto mais uma vez ao Sr. Ministro de Estado da Justiça: descumprir ordem judicial é CRIME e acarreta em PRISÃO!", escreveu o líder da Rede.

 

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sábado, 29 de outubro de 2022

Lula avança na pesquisa Atlas e cresce após vencer debate na Globo

Ex-presidente registra 53,4% dos votos válidos, contra 46,6% de Jair Bolsonaro, diferença de 6,8 pontos

Lula no debate da Globo - 2º turno (Foto: Ricardo Stuckert)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou a distância de Jair Bolsonaro (PL) na disputa à presidência da República, de acordo com a pesquisa Atlas divulgada na tarde deste sábado (29), véspera da eleição de segundo turno.

Segundo o levantamento, Lula registrou 53,4% dos votos válidos, contra 46,6% de Bolsonaro. Na comparação entre as quatro pesquisas divulgadas em outubro, a diferença entre os candidatos cresceu de 4,8 pontos (13 de outubro), 6 (24 de outubro), 6,4 (27 de outubro) e agora 6,8 pontos.

Nos votos totais, Lula tem 52,4% das intenções de voto, contra 45,6% de Bolsonaro, sendo 1,9% de não sei/indeciso. A ampliação das distâncias nesses casos foi de 4.6; 5.8; 6.4 e 6.7.

A pesquisa foi feita com 7.500 respondentes, de 1.830 municípios, entre 26 e 29 de outubro. O levantamento é realizado pela metodologia de Recrutamento digital aleatório (Atlas RDR). A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BR-04838/2022. 247.


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Ipec: Lula tem 54% dos votos válidos, contra 46% de Bolsonaro

Levantamento foi feito entre quinta-feira (27) e sábado (29), já pegando parcialmente a percepção do debate na TV Globo

Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro (Foto: Reuters)

Pesquisa Ipec divulgada neste sábado (29), a última antes do segundo turno da eleição presidencial, aponta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 54% dos votos válidos, contra 46% de Jair Bolsonaro (PL). 

O cenário é o mesmo da última pesquisa, divulgada em 24 de outubro.

O levantamento foi feito entre quinta-feira (27) e sábado (29), já pegando parcialmente a percepção do debate na TV Globo. A pesquisa foi encomendada pela emissora.

Foram entrevistadas 4.272 pessoas em 236 municípios entre quinta-feira (27) e sábado (29). A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%. 

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-05256/12. 247.





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Lula no debate: enviar uma mensagem de esperança ao povo para que compareça à urna para votar

Em entrevista na chegada à TV Globo, ex-presidente diz que vai mostrar ao povo que o Brasil tem jeito se for bem governado

(Foto: Reprodução)

Lula - Na chegada aos estúdios da TV Globo para o debate da noite desta sexta-feira (28/10), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que quer deixar uma mensagem de esperança para que o povo brasileiro compareça às urnas para voltar. “Mostrar ao povo brasileiro que esse país tem jeito na hora que for bem governado”, destacou.

 >>> Leia mais: Na chegada ao debate, Lula pede que população compareça às urnas (vídeo)

O ex-presidente chegou acompanhado das senadoras Simone Tebet (MDB-MS) e Eliziane Gama (Cidadania-MA) e da ex-ministra Marina Silva (Rede-SP). Na conversa com jornalistas, disse que volta ao governo para restabelecer a alegria e a esperança do povo.

“Tive o prazer de governar esse país num momento em que ele chegou a ser a sexta economia do mundo, em que as pessoas sorriam e eram alegres. Lembro que em 2008 a ONU fez uma pesquisa e o povo brasileiro era o mais alegre do mundo e era o que tinha mais esperança. Eu quero restabelecer isso e é isso que eu vou conversar com o povo”. Lula.


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'Bolsonaro não fez uma proposta para o futuro do Brasil e tem narrativa do derrotado', Simone Tebet

"Prefere usar o debate para provocações e acusações", disse a senadora Simone Tebet

Simone Tebet (Foto: Divulgação)


A senadora Simone Tebet (MDB) criticou a participação de Jair Bolsonaro (PL) no debate com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na noite desta sexta-feria (28). "Bolsonaro não fez uma proposta para o futuro do Brasil. Prefere usar o debate para provocações e acusações. É a narrativa do derrotado", disse Tebet. 247.



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Bebianno: Carlos Bolsonaro é responsável por esquema de fake news (vídeo)

"A pressão que o Carlos Bolsonaro faz é tão grande que o presidente não consegue se contrapor ao filho", disse o ex-secretário-geral da Presidência

Gustavo Bebianno e Carlos Bolsonaro (Foto: ABR | Renan Olaz/CMRJ/Divulgação)

O ex-secretário-Geral da Presidência da República Gustavo Bebianno (1964-2020) confirmou que Jair Bolsonaro (PL) poderia sofrer um impeachment se continuasse produzindo notícias falsas. De acordo com o ex-dirigente, o vereador da cidade do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (Republicanos) é um dos responsáveis pelo esquema de fake news contra adversários políticos do governo federal. A declaração foi concedida ao programa Roda Viva, em março de 2020. 

"A pressão que o Carlos Bolsonaro faz é tão grande que o presidente não consegue se contrapor ao filho. É como aquela criança que quer um presente no Shopping, não ganha e sai rolando pelo chão esperneando, e o pai não tem pulso suficiente para dar um basta naquilo. Um belo dia o Carlos me aparece com o nome de um delegado federal e mais três agentes, que seria uma ABIN paralela, porque ele não confiava na ABIN", afirmou o ex-secretário.

"Alertamos o presidente que a fabricação de notícias falsas não podia estar dentro do Palácio, porque pode dar um impeachment. 'E o senhor que tem tanto medo de impeachment, vai deixar que isso se instale aqui?'", disse.

O deputado federal André Janones (Avante-MG) afirmou ter obtido conteúdos explosivos do celular de Bebianno contra Bolsonaro. O parlamentar entregou ao Ministério Público "provas e testemunhas irrefutáveis" contra o atual ocupante do Planalto. 247.



 
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Câmara aprova o fim da escala 6x1, numa das maiores vitórias do governo Lula

  Proposta recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários. No segundo turno, foram 461 votos por mudanças nas jornadas de trabalho e 19 contra...