domingo, 8 de março de 2026

Ataque a escola de meninas no Irã expõe horrores da guerra

 Mulheres e meninas iranianas sofrem o impacto do conflito


                   Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

O ataque a uma escola de meninas iranianas causou a morte de 168 crianças ( AFPAMIRHOSSEIN KHORGOOEI / ISNA / AFP)

O ataque a uma escola de meninas iranianas, que causou a morte de 168 crianças, marcou o primeiro dia da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciada no último sábado (28). A tragédia expõe os horrores que o conflito no Oriente Médio pode produzir e seus impactos na vida de menina e mulheres nestes países. 

Uma multidão vestida de preto compareceu ao velório das crianças, ocorrido na terça-feira (3). As imagens das valas abertas para receber os caixões enfileirados, acompanhados por milhares de pessoas, correu o mundo.

Durante décadas, as violações de direitos humanos no Irã, inclusive contra as mulheres, foram usadas por potências ocidentais para justificar o isolamento internacional de Teerã, alvo de sanções econômicas que contribuíram para fragilizar sua economia

Em nome de uma suposta "libertação" do povo iraniano do regime dos aiatolás, um dos primeiros alvos de EUA e Israel nesta nova ofensiva foi justamente uma escola de educação infantil feminina na cidade de Minab, no sul do país persa. Além das dezenas de meninas mortas, mais de 90 crianças ficaram feridas. O caso aconteceu pela manhã, enquanto as alunas estavam em aula, segundo a agência de notícias.


Ataque contra uma escola primária para meninas no sul do Irã — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

O ataque a uma escola de meninas iranianas causou a morte de 168 crianças (AFP PHOTO / IRANIAN PRESS CENTER)


A socióloga Berenice Bento, professora da Universidade de Brasília (UnB) que estuda as relações de gênero no mundo muçulmano, afirma que o ataque revela justamente que a guerra não tem relação com direitos humanos ou democracia.

Em razão do regime do país, as mulheres sofrem uma série de restrições no Irã, como o uso obrigatório do véu (hijab) para cobrir os cabelos, além de impedimentos para viagem e mobilidade, que geralmente precisam de autorização dos pais ou maridos. O desrespeito aos códigos é duramente punido pela chamada polícia da moralidade, ou Patrulha de Orientação da República Islâmica do Irã.

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), afirma que mulheres iranianas lutam há décadas por seus direitos e destaca, em especial, o movimento Mulher, Vida e Liberdade. Ele foi criado em 2022 após a morte da estudante Mahsa Amini, detida em um protesto e espancada pela Patrulha de Orientação,

“Mulheres iranianas organizaram um grande movimento, em 2022, o Mulher, Vida e Liberdade e seguem em luta há décadas. O povo iraniano, os povos árabes, o povo palestino devem decidir seu destino, não os EUA e Israel”, comentou.

A história de luta das mulheres iranianas inclui vítimas de prisões e condenações por sua militância. Uma delas é a advogada e ativista Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz em 2023 “pela sua luta contra a opressão das mulheres”.

Narges está atualmente presa no Irã, condenada a 7 anos e meio de reclusão por “conspiração”, segundo seu advogado. Mas, a socióloga Berenice Bento reafirma que a mobilização das mulheres no Irã não pede intervenção externa.

“Quando você analisa as manifestações que aconteceram, nenhuma está dizendo que quer a volta da monarquia, ou que os Estados Unidos  e Israel vá libertá-las. Nunca. O que você tem é uma sociedade que está lutando”, ponderou.

Pesquisadora do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações do Mundo Árabe, do Departamento de Economia e Relações Internacionais da Universidade do Rio Grande do Sul (UFRGS), a professora Natália Ochôa explica que há um olhar do mundo Ocidental para a necessidade de salvar a mulher muçulmana que, no episódio da escola, foi o alvo. 

"Mulheres muçulmanas vistas e retratadas como oprimidas e sem capacidade de agência precisariam da salvação de mulheres ocidentais, sendo estas últimas o grande exemplo de liberdade a ser seguido. Ora, se um desses pilares é a educação, por que então logo uma escola de meninas, onde elas são alfabetizadas e aprendem sobre seus direitos, é um dos primeiros espaços a se tornarem alvos desses ataques? Se elas precisam de salvação, por que a última coisa que tem sido feita é salvá-las?", questiona a pesquisadora em artigo

Mulher durante o funeral das vítimas da escola de Minab. - Amirhossein Khorgooei/ISNA/WANA/ Reuters/ reprodução

Apesar dos problemas da República Islâmica, a especialista pondera que houve avanços sociais nos últimos 47 anos. Dados do Banco Mundial e da Unesco apontam que a alfabetização das mulheres passou de cerca de 30%, nos anos 1970, para cerca de 85%, nos anos 2000.

A participação das mulheres iranianas nas universidades subiu de 33%, na década de 1970, para cerca de 60%, nos anos 2000. Por outro lado, a participação delas no mercado de trabalho segue reduzida, algo em torno de 15% a 20% do total das pessoas empregadas.

Autoria do ataque

O ataque à escola de meninas de Minab foi condenado pela comunidade internacional e o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, pediu uma investigação “rápida, imparcial e minuciosa” sobre as circunstâncias do ocorrido.

Estados Unidos e Israel não reconheceram ainda a autoria do ataque. A Casa Branca diz que está investigando o caso. Já Israel informou que não encontraram “nenhuma ligação” do ataque com as operações militares de Tel Aviv.

Berenice Bento cita a chamada Doutrina Dahiya, do exército israelense, que se baseia na destruição em larga escala de habitações e estrutura, para argumentar que o ataque deve ter sido intencional.

“Com o ataque à escola, eles estão querendo dizer não vão deixar pedra sob pedra. É destruir tudo. Para que a própria população civil, diante daquela destruição, se coloque contra o poder local. Eles destruíram Gaza inteira para fazer com que a população de Gaza se posicione contra o Hamas”, avaliou.

O nome da doutrina faz referência ao bairro Dahiya, zona densamente povoada de Beirute, no Líbano, onde o Hezbollah tinha uma das suas bases, e que foi amplamente bombardeado por Israel na guerra do Líbano de 2006.

A jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh, doutora em Estudos Árabes pela Universidade de São Paulo (USP), avalia que o ataque às escolas, hospitais e infraestrutura civil em Gaza abriu espaço para novos crimes em outros países do Oriente Médio.Para Misleh, as mulheres da região não precisam ser “salvas”, e sim de apoio e solidariedade.

O jornal norte-americano New York Times (NYT), após analisar imagens de satélites, publicações nas redes sociais e vídeos verificados, indica que a escola foi severamente danificada por ataque de precisão, que ocorreu simultaneamente a ofensivas dos EUA a uma base naval da Guarda Revolucionária Islâmica. 

“As declarações oficiais de que as forças americanas estavam atacando alvos navais perto do Estreito de Ormuz, onde está localizada a base da Guarda Revolucionária Islâmica, sugerem que eles provavelmente foram as responsáveis ​​pelo ataque”, avaliou o NYT.

Levando em consideração a proximidade da escola em relação ao objetivo militar, o major-general português Agostinho Costa avalia que o bombardeio pode ter sido um erro de alvo.

“Já estive em locais submetidos a ataques com mísseis Tomahawk podendo constatar que a margem de erro existe”, comentou o especialista em segurança e geopolítica.

 

O que o novo Datafolha mostra realmente

 

Leitura mais cuidadosa da pesquisa indica que Lula mantém liderança estrutural e entra na disputa de 2026 com vantagem política e eleitoral consistente

Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

A nova pesquisa do instituto Datafolha sobre a eleição presidencial de 2026, publicada neste sábado, foi rapidamente apresentada por alguns analistas e pelo “mancheteiro” do UOL/Folha como sinal de alerta para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O argumento é simples: o senador Flávio Bolsonaro teria crescido e agora aparece tecnicamente empatado com Lula em um eventual segundo turno. Mas uma leitura mais cuidadosa dos números aponta para uma interpretação bem diferente — e, na verdade, bastante positiva para o atual presidente.

No cenário de segundo turno testado pelo Datafolha, Lula aparece com 46% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro. A diferença de três pontos configura empate técnico dentro da margem de erro, mas o dado central permanece: Lula continua numericamente à frente.

Mais importante do que isso é observar a estrutura da disputa. No primeiro turno, Lula mantém liderança consistente em todos os cenários testados, com 38% e 39% das intenções de voto, conforme o cenário, enquanto Flávio Bolsonaro oscila entre 32% e 34%. Ou seja: mesmo após a consolidação de sua candidatura no campo bolsonarista, o senador ainda aparece alguns pontos atrás.

Quando se olha para a dinâmica eleitoral brasileira, esse tipo de quadro costuma indicar algo bastante claro: o jogo já está majoritariamente definido.

Se Lula parte de algo próximo a 40% e o principal adversário da direita aparece pouco acima de 30%, o espaço real de disputa eleitoral fica restrito a uma faixa relativamente pequena do eleitorado. Em termos práticos, significa que algo em torno de 20% dos eleitores está efetivamente em disputa entre os dois polos políticos.

É justamente nesse terreno que as campanhas eleitorais produzem seus efeitos.

E nesse ponto o presidente Lula possui uma vantagem estrutural importante. Para uma parcela significativa desses eleitores ainda indecisos ou voláteis, o atual presidente representa algo muito valorizado em períodos de incerteza: estabilidade na vida cotidiana. Em um país marcado por crises políticas recentes, essa percepção tende a pesar mais do que discursos de confronto permanente.

Enquanto isso, o campo bolsonarista enfrenta um desafio mais complexo. O senador Flávio Bolsonaro tenta construir uma imagem própria, menos marcada pelos conflitos que caracterizaram o período do governo de seu pai. Mas campanhas eleitorais raramente permitem reinvenções completas de biografia. Esse verniz que está sendo buscado impor à imagem de Flávio será trincado.

À medida que o debate eleitoral avançar, as tentativas de reconstrução de imagem inevitavelmente serão confrontadas com episódios do passado político do senador. As rachadinhas, Queiroz e imóveis comprados com dinheiro vivo virão à tona. Em disputas polarizadas, a narrativa sobre trajetória e credibilidade, que sustentam a história que está sendo vendida, pesa mais do que propostas programáticas.

Nesse contexto, a atual diferença registrada pela pesquisa tende a ganhar outro significado. Se hoje Lula aparece três pontos à frente dentro da margem de erro, é plausível imaginar que, com a campanha em andamento e com maior exposição das biografias dos candidatos, essa vantagem se consolide.

Historicamente, eleições brasileiras mostram que, quando um candidato chega à campanha com liderança consistente e base eleitoral consolidada, a tendência é que a disputa se estabilize com pequena vantagem para quem já ocupa a dianteira.

Por isso, longe de indicar fragilidade, os números do Datafolha devem ser lidos como sinal de um cenário relativamente favorável ao atual presidente. O campo oposicionista conseguiu organizar um nome (ou melhor, sobrenome) competitivo, mas ainda precisa demonstrar capacidade de ampliar seu eleitorado para além do núcleo bolsonarista. E não vejo que isso acontecerá.

Se a campanha seguir essa lógica, não seria surpreendente que a disputa termine com uma diferença semelhante à registrada em outras eleições recentes: algo em torno de cinco pontos percentuais de vantagem para Lula.

Em política, pesquisas não são fotografia do resultado. Mas elas indicam tendências. E a tendência que emerge dessa nova rodada do Datafolha é a de uma eleição disputada — porém ainda com o atual presidente chegando alguns passos à frente.

* Este é um artigo de opinião, de responsabilidade do autor, e não reflete a opinião do Brasil 247.


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Em pronunciamento, Lula anuncia medidas contra feminicídio e defende mais proteção às mulheres no Brasil

 

Presidente apresenta ações de segurança, igualdade salarial e combate à violência doméstica no país


Em pronunciamento, Lula anuncia medidas contra feminicídio e defende mais proteção às mulheres no Brasil (Foto: PR/Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez neste sábado (7) um pronunciamento em razão do Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8). Na fala, o chefe de Estado destacou a gravidade da violência contra mulheres no Brasil, anunciou novas medidas de enfrentamento ao feminicídio e defendeu avanços em direitos sociais e trabalhistas.

Lula afirmou que a violência de gênero permanece como um dos principais desafios do país e citou dados alarmantes sobre assassinatos de mulheres.

“O Brasil precisa começar encarando a realidade, por mais dura que ela seja. A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil”, afirmou o presidente. Segundo ele, cada feminicídio resulta de uma sequência de violências cotidianas. “Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas”, disse.

O presidente também ressaltou que a maioria dessas agressões ocorre dentro do ambiente doméstico. “A maioria esmagadora dessas agressões acontece dentro de casa, no ambiente que deveria ser de proteção”, afirmou.

Pacto contra o feminicídio e operações policiais

Durante o discurso, Lula mencionou o lançamento do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio, assinado em fevereiro com participação dos três Poderes. O objetivo é ampliar ações de prevenção e repressão à violência de gênero.

Entre as medidas anunciadas está um mutirão nacional para cumprimento de mandados de prisão contra agressores. “Um mutirão do Ministério da Justiça, em parceria com os governos dos estados, para prender mais de dois mil agressores de mulheres que não podem e não vão continuar em liberdade”, declarou Lula.

O presidente também indicou novas operações e reforçou o compromisso do governo com a responsabilização dos agressores. “Violência contra a mulher não é questão privada onde ninguém mete a colher. É crime. E vamos, sim, meter a colher”, afirmou.

Entre as iniciativas previstas estão o rastreamento eletrônico de agressores com vítimas sob medida protetiva, ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e fortalecimento das Procuradorias da Mulher.

O governo também anunciou a criação do Centro Integrado da Segurança Pública, que reunirá dados e sistemas de monitoramento de agressores.

“A regra é clara: quem agride mulher não pode andar por aí como se nada tivesse acontecido”, disse o presidente.

Ampliação de serviços de proteção

Lula afirmou ainda que o governo pretende ampliar a rede de atendimento às vítimas de violência doméstica. A proposta inclui a expansão de unidades dos Centros de Referência e das Casas da Mulher Brasileira, que oferecem acolhimento, assistência jurídica e serviços sociais para mulheres e seus filhos.

O presidente também abordou desigualdades no mercado de trabalho e destacou a lei que garante igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função.

“Para as mulheres, todo dia é um dia de luta”, afirmou. Ele citou ainda a necessidade de discutir mudanças nas condições de trabalho. “Está na hora de acabar com a escala 6x1, pois significará mais tempo com a família, mais tempo para estudar, descansar e viver.”

Programas sociais e impacto nas famílias

No pronunciamento, Lula mencionou políticas públicas que, segundo ele, têm impacto direto na vida das mulheres. Entre elas, citou o Bolsa Família, o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida e novos programas como Pé-de-Meia, Gás do Povo e Luz do Povo.

Também destacou a ampliação do programa de distribuição gratuita de absorventes e a proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

O presidente ainda criticou o avanço de plataformas de apostas digitais no país, apontando consequências para as famílias.

“Embora a maioria dos viciados sejam homens, a conta recai sobre as mulheres. É o dinheiro da comida, do aluguel, da escola das crianças que desaparece na tela do celular”, disse.

Ele defendeu medidas contra esse tipo de atividade on-line. “Os cassinos são proibidos no Brasil. Não faz sentido permitir que os Jogos do Tigrinho entrem nas casas, endividando as famílias pelo celular.”

Segurança de mulheres na internet

Lula também abordou a violência contra mulheres nas redes sociais e o impacto do discurso de ódio no ambiente digital.

“O discurso de ódio nas redes violenta, difama, incentiva a agressão contra as mulheres e meninas e afasta lideranças femininas da vida pública”, afirmou.

Segundo o presidente, o Estatuto Digital das Crianças e Adolescentes (ECA Digital) entrará em vigor na próxima semana, ampliando a proteção de menores na internet. Ele também indicou que novas medidas voltadas à segurança digital de mulheres e meninas serão anunciadas ao longo do mês.

Ao encerrar o pronunciamento, Lula defendeu mudanças estruturais na sociedade brasileira. “O Brasil que queremos não é um país onde as mulheres apenas sobrevivam. É um país onde elas possam viver em segurança, com liberdade para se divertir, trabalhar, empreender e prosperar.”

O presidente concluiu com um apelo sobre a gravidade da violência de gênero no país. “Porque quando uma mulher é violentada, é o Brasil que sangra. E nós não aceitaremos mais sangrar em silêncio.” (247)

Conteúdo postado por: Luis Mauro Filho


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