sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Edinaldo Lima sobre desafio de ser o candidato de Lossio: “Não poderia dizer ‘não’ a minha cidade”


Indicado pelo prefeito de Petrolina Julio Lossio (PMDB) para sua sucessão, o vereador Edinaldo acabou provocando um ‘racha’ no grupo de Lossio, além de enfrentar comentários duros por parte de alguns integrantes da bancada de oposição na Casa Plínio Amorim. Apesar disso, nunca perdeu o equilíbrio que tem marcado sua postura.

Ao Blog, Edinaldo afirma que decidiu encarar o desafio de disputar a prefeitura da maior cidade do Sertão pernambucano, mesmo tendo chances reais de ser um dos mais votados para a Câmara Municipal nas eleições deste ano, porque não poderia recusar um projeto do qual ajudou a construir. “Não poderia dizer ‘não’ a esse projeto, nem a nossa cidade“, ponderou.

Confiram:

Blog do Carlos Britto – Por que o senhor quer ser prefeito de Petrolina?

Edinaldo Lima – Para continuar ajudando a nossa gente. Petrolina conseguiu avançar muito com os programas sociais. Com o Programa Nova Semente o prefeito Julio vai conseguir chegar a 9 mil crianças (atendidas) até o final do seu governo. O objetivo do nosso governo é atingir 15 mil crianças no Nova Semente. Habitação foi um programa extraordinário. Foram mais de 15 mil moradias contratadas. Nós vamos poder passar, no nosso governo, de 20 mil moradias contratadas. Isso cria um ciclo virtuoso, que garante uma cadeia produtiva de geração de emprego e renda, de fortalecimento da economia. Mas nós temos desafios importantes também, em relação à saúde e educação. Na saúde foi através do programa das AMEs que encontramos o caminho importante para a saúde básica. Até hoje o Governo Julio conseguiu implantar 17 AMEs, além das unidades de saúde básica, e nós vamos implantar mais 15. Vamos chegar a 32 AMEs. A educação é outro grande desafio, e desafio esse que também foram encontrados caminhos. Nós conseguimos melhor o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Mas nós precisamos avançar mais, e no nosso governo uma das marcas será a criação da Escola Fundamental Integral. Isso vai permitir que a criança que sai do Nova Semente continue na Educação Fundamental I e melhorar sua qualidade de ensino e assim criar uma pavimentação para o futuro da sua vida, da sua família, com mais dignidade, e apontando os caminhos do seu futuro para a universidade.

Blog – Como o senhor recebeu os comentários de alguns integrantes da oposição, quando do lançamento de sua pré-candidatura? O senhor interpretou como preconceito, por vir de uma família humilde?

E.L – Minha vida nunca foi fácil. Eu me considero um vencedor por todos os desafios que enfrentei na vida com minha família. E esses desafios me permitiram conhecer cada vez mais Petrolina. Cheguei aqui em 1985 (ele é natural de Ipubi-PE, no Sertão do Araripe). Estou aqui há 30 anos. O fato de ter que morar no fundo de uma igreja porque a família não poderia pagar aluguel…isso tudo me permitiu encarar como desafios importantes. Se existe qualquer tipo de intimidação, ou de rejeição a meu nome, isso não me abalou. Isso me fortaleceu ainda mais. Por isso estou aqui, muito feliz pela escolha que foi feita e homologada pelo meu partido, a partir da convenção, que nos garante criar uma sintonia com a sociedade a partir do momento que aqueles que não me conhecem, começam a conhecer o meu programa de governo. Isso vai fortalecer nossa caminhada e nos vai permitir aquele objetivo principal, que é ganhar as eleições.

Blog – O senhor se sente preparado para governar Petrolina, uma cidade desse tamanho e que precisa avançar?

E.L – Os mais de sete anos no Governo Julio permitiram me preparar tecnicamente. Mas tem uma preparação que não é uma preparação técnica e que eu já tenho, que o prefeito Julio tem: a sensibilidade com as pessoas. O nosso governo será um governo que cuidará ainda mais das pessoas. Isso é importante e é o que falta nos políticos. Então, é importante que com a nossa experiência de fazer projetos, captar recursos, de garantir e aplicar no orçamento sempre pensando naquele que mais precisa, isso que foi feito nos últimos anos, vai nos permitir fazer um governo exitoso, que vai trazer novos programas, novas políticas urbanas e sociais para aquilo que é necessário, a exemplo do nosso Programa ‘Petrolina Saneada’. Esse é um grande desafio nosso. Temos, por exemplo, bairros saneados, mas onde o saneamento não presta, a exemplo do Jardim Amazonas, onde já morei, ou o São Gonçalo, que sempre foi problemático o saneamento; o João de Deus, o Vila Eulália, onde moro hoje; o Henrique Leite; a própria bacia do Dom Avelar, com sete bairros saneados, mas a Compesa não consegue atender. Então, com essa retomada no serviço de água e esgoto para a prefeitura, vamos assumir esse serviço e garantir que com esse programa não permita entrar uma única gota de esgoto no Rio São Francisco, sem antes essa água ser tratada.

Blog – Candidato, o que a gente mais ouve é que a Prefeitura de Petrolina repassou a gestão de duas importantes unidades de saúde, o Hospital de Traumas e o Hospital Dom Malan (HDM). A prefeitura teria condição de assumir uma demanda imensa como a da Compesa?

E.L – A Compesa tem uma despesa no município em torno de R$ 3 milhões, mas o resultado de arrecadação das contas de água e taxas de esgoto que são arrecadados do município passam um pouco mais de R$ 5 milhões. O município tem condições, com esses recursos, de poder fazer os investimentos, financiamentos e permitir que essas redes vão até as áreas irrigadas, onde moram hoje em torno de 70 mil pessoas e que ainda não tem água tratada nem esgoto sanitário. Quem disse pela primeira vez que era necessária a retomada do serviço de água e esgoto foi o governo de 2001. Depois não conseguiu e voltou atrás e fizeram alguns acordos com o governo do estado que não deram certo. Nós já sabíamos que não ia dar certo. Então essa batalha que foi vencida judicialmente, foi importante para Petrolina. A Compesa já tentou várias vezes, mas não consegue apresentar solução para nossa situação, e que precisa ser resolvida. Nossa população tem pressa porque precisa morar com dignidade.

Blog – o senhor repete como mantra a questão social, e é importante, mas a cidade se ressente de obras estruturantes. Qual sua proposta em relação a isso?

E.L – Petrolina foi uma cidade que investiu muito nos últimos anos em infraestrutura, e investiu para quem mais precisava. Nós fizemos obras de macrodrenagem. Só é lembrar o canal do Pedro Raimundo, que foi uma obra de quase R$ 5 milhões. Obras na entrada do São Gonçalo, obras de pavimentação, residenciais com infraestrutura…foram obras em torno de R$ 1 bilhão investidos. Agora, um dado importante: quando o prefeito Julio assumiu o governo, nossa cidade tinha uma frota em torno de 60 mil veículos, isso é dado do IBGE. Hoje nossa frota para dos 128 mil veículos. Isso mostra que nossa cidade cresceu. E cresceu por que? porque teve desenvolvimento econômico, porque permitiu que as grandes obras atendessem quem mais precisava. Uma família que não tinha moradia própria e passa a ter, ela teve um poder de aquisição de financiar seu carro, mas trouxe esses desafios novos para a cidade, e nós reconhecemos. O nosso Plano de Mobilidade Urbana, que já está pronto, aprovado na Câmara, traz os caminhos que precisamos seguir para resolver os problemas de mobilidade. Alguns já estão resolvidos agora, a exemplo do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que está em tramitação a sua contratação, e será um modal importante de transporte. A ligação do VLT com os terminais integrados que vamos construir na cidade, as vias pavimentadas de circulação de ônibus, que são obras na ordem de R$ 30 milhões, o anel viário, que não será uma obra de um só governo, assim como tentamos finalizar no primeiro governo de Julio o Cacheado, e só oito anos depois conseguimos finalizar por causa de todo o processo burocrático e desapropriação da área. Mas vamos trabalhar e fazer o que aprendi, que é buscar recursos.

Blog – Em Petrolina sempre se ouviu falar em obras às vésperas de campanha, como as que acontecem agora, com a pavimentação de avenidas como a São Francisco, a Monsenhor Ângelo Sampaio, o Centro da cidade. O senhor acha que a população tem esse discernimento ou vai novamente ser conquistada com essas obras?

E.L – Essas não são obras às vésperas de campanha. São obras de nosso Plano de Mobilidade Urbana, que são as obras de pavimentação dos corredores de ônibus, que estão traçadas na Política Nacional de Mobilidade Urbana. Ela pede que seja feita dessa forma. São obras com qualidade. Se você for ver, essas obras estão executadas não só no Centro da cidade. No meu bairro onde moro, o Vila Eulália, não tinha uma única rua pavimentada, está sendo pavimentado, e com uma pavimentação que garante acessibilidade ao pedestre, ao cadeirante, à pessoa cega. Essas obras estão sendo executadas na região do Mandacaru e expandindo para outras áreas onde vai ter corredor de ônibus para atender essa necessidade para atender a cobrança por parte dos prestadores públicos, porque uma das reivindicações deles é de que não colocariam ônibus numa via que não é pavimentada, tem buraco, o ônibus vai quebrar…agora não tem mais essa desculpa, porque essa herança o Governo Julio não deixará para o nosso governo.

Blog – Nos bastidores comenta-se que o senhor trocou uma reeleição a vereador praticamente certa por uma disputa que promete ser uma das mais acirradas em Petrolina. Como o senhor pretende convencer o eleitorado de que também pode fazer um bom trabalho como prefeito?

E.L – A população de Petrolina já pôde me conhecer quando me foram apresentados os desafios de encarar uma política de habitação que praticamente não existia, e pudemos começar do zero. Claro que tivemos oportunidade de pegar do governo federal aquilo que o governo federal estava oferecendo para Petrolina e todas as cidades brasileiras. Tive a oportunidade de trabalhar dia a dia para que os investimentos chegassem para nossa cidade. Então, já fui testado nesse sentido. Com relação a trocar uma eleição de vereador pelo desafio de uma candidatura a prefeito, eu fiz isso porque recebi um convite do prefeito Julio e sou um homem que faço parte de um projeto para nossa cidade. Um projeto que tem uma cor, um propósito, que tem trazido resultados importantes para nossa cidade, e eu não poderia me acovardar, dizer não para esse projeto, e de maneira alguma dizer ‘não’ para nossa cidade. Foi um projeto que ajudei a construir e que eu acredito que é possível fazer mais. Sei como fazer.

Blog – A prefeitura alardeia números positivos em relação à Atenção Básica, mas as reclamações ainda são muitas, o que em tese não deveriam ser tantas, já que o município só cuida da Atenção Básica. No seu plano de governo o que o senhor tem para melhorar esse setor?

E.L – Na realidade não é só a prefeitura. São números, e os números não mentem. Petrolina faz parte de um grupo de 20 cidades brasileiras mais importantes, e dessas Petrolina está entre as duas que têm apontado resultados em saúde básica, que é a mais importante, do ponto de vista de cobertura. Oitenta por cento da população que precisa do Sistema Único de Saúde são atendidos na saúde básica. Quando o prefeito Julio assumiu o governo, no início de 2009, nossa cobertura era menos de 13%. Nós tínhamos nove médicos fazendo essa cobertura, e que não fazia. Hoje estamos com mais de 100 médicos nessa cobertura da saúde básica. E não é só médico. Uma equipe da Saúde da Família, com assistente social, nutricionista, pediatra, enfermeiro, agente comunitário de saúde. Hoje é uma cobertura de mais de 95%, mas precisamos chegar a 100%. Vamos abrir concurso público na área de saúde, assim como vamos abrir concurso para educação, para serviços administrativos, para Guarda Municipal, que cumprirá outro papel, que é o de agente de segurança pública. Então vamos avançar nesse sentido. Agora, a questão dos hospitais regionais, dos 55 municípios que usam esses hospitais, só Petrolina coloca recurso. Hoje, por exemplo, no Traumas (HU), estamos com 120 servidores da prefeitura, pagos pela prefeitura, que prestam serviços não só aos munícipes de Petrolina, mas dos demais municípios, já que a grande maioria tem feito a política de comprar ambulância e trazer pacientes para cá. Infelizmente também tem a omissão dos próprios parlamentares. Se você for fazer um levantamento agora no Traumas, vai encontrar zero de recursos de emenda parlamentar. Então é uma cobrança que tem de ser feita a todos. E no nosso governo nós vamos trabalhar para mudar essa realidade.

Blog – Suas considerações finais.

E.L – Queria finalizar dizendo à população de Petrolina que ela tem uma missão muito importante, assim como os eleitores das demais cidades brasileiras, que nessa eleição é escolher quem será seu prefeito e seus vereadores, e qual o futuro Petrolina quer. Na minha cabeça é muito claro qual o futuro que ela quer. Nós temos duas escolhas importantes: continuar com esse modelo de gestão, que é representado por mim, ou voltar para um modelo que Petrolina já conheceu lá atrás, e fazer essa comparação. O debate vai nos permitir que eu e os demais candidatos possa apresentar isso para nossos eleitores, e dizer a cada um que é importante participar desse debate político, envolver nossos jovens. Queria pedir muito que as pessoas pudessem conhecer minha história de vida, do ponto de vista daquilo que já fiz pela nossa cidade, para saber se sou merecedor e tenho as credenciais para ser prefeito. Dia 15 de agosto, na próxima segunda-feira, é dia da nossa Padroeira Nossa Senhora Rainha dos Anjos. Todos nós católicos, e não católicos, vamos rezar para que essa campanha e as escolhas sejam escolhas com discernimento e que possa trazer um caminho de construção para nossa cidade. Tendo Deus no coração, fé, trabalho, experiência e diálogo com a população, o trabalho vai aparecer. Fontes: por Antônio Carlos Miranda, (Carlos Brito).


Blog do BILL NOTICIAS.

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