segunda-feira, 20 de maio de 2019

Distribuição de remédios no país está normalizada, diz ministério

Remédios, comprimidos

O Ministério da Saúde informou hoje (17) que concluiu todos os processos de licitação para a compra de medicamentos adquiridos de forma centralizada pela pasta. Os remédios serão enviados ao longo do mês para as secretarias estaduais, responsáveis por distribuí-los aos municípios para abastecimento de toda a rede pública. Para contratos assinados recentemente, a distribuição deve ocorrer em até dez dias.
“Cabe esclarecer que muitos processos de compra não foram iniciados no tempo devido e, desde janeiro deste ano, o Ministério da Saúde vem se dedicando exaustivamente à regularização do abastecimento de medicamentos em todo o país. Para isso, ações propositivas vêm sendo implementadas para ordenar o planejamento das aquisições e otimizar os fluxos processuais”, destacou o ministério, por meio de nota.
Entre essas ações, segundo a pasta, está a ampliação dos processos licitatórios de compra para abastecimento de, no mínimo, um ano. A expectativa do governo federal é que a mudança proporcione maior condição de previsibilidade dos estoques, atendendo à Lei de Licitações 8.666/93. Até então, muitos processos eram feitos para abastecimento de um período curto de tempo, como de três a quatro meses.
“No último mês, medidas emergenciais também foram adotadas para garantir o abastecimento imediato, como remanejamento de estoques e antecipação da entrega de medicamentos por laboratórios com contratos vigentes”, completou o comunicado.
O ministério informou ainda que busca, junto ao Tribunal de Contas da União (TCU), autorização para ampliar para até cinco anos a renovação anual de contratos de compras de medicamentos de uso contínuo, como imunossupressores usados para diminuir o risco de rejeição a um órgão após realização de transplante Esse formato, de acordo com a pasta, já é utilizado na aquisição de fatores de coagulação.
“Por fim, o Ministério da Saúde informa que todas as informações e dificuldades relacionadas aos processos de compra foram e continuam sendo compartilhadas com o Tribunal de Contas da União e demais órgãos de controle, como recursos interpostos pelas empresas participantes, distribuidoras que assinaram contrato com o Ministério da Saúde e não cumpriram os prazos de entrega, dentre outros de origem judicial”, concluiu.(Agênia Brasil)


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Servidores públicos pernambucanos são capacitados para combate à corrupção

  Via:Folhape
Secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, diz que, em cinco meses de ação, o Draco realizou dez operações. Foto: Leo Malafaia/aqruivoDP
Secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, diz que, em cinco meses de ação, o Draco realizou dez operações. Foto: Leo Malafaia/aqruivoDP

Pernambuco será o primeiro estado a integrar o Programa de Fortalecimento das Polícias Judiciárias, do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Desta segunda-feira (20) até sexta-feira (24), 32 servidores públicos pernambucanos, com atuação no combate à corrupção, estarão reunidos com profissionais das polícias Federal e Civil de outros estados que participaram de operações como a Lava-Jato, Mensalão, Esquema PC Farias, Carne Fraca e Banestado.

A palestra inaugural de uma série de capacitações e troca de experiência, com o tema geral “Corrupção Sistêmica e Delinquência Institucionalizada”, será dada pelo secretário nacional de Segurança Pública, general Guilherme Theophilo, às 10h30 desta segunda-feira, na Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado (Seplag), na Rua da Aurora.  No penúltimo dia do evento, na quinta-feira (23), pela manhã, está prevista a participação do ministro Sérgio Moro, proferindo a aula Combate ao Crime Organizado e Corrupção Sistêmica.

Participam das capacitações 27 policiais do Draco, entre delegados e agentes, três servidores da Controladoria Geral do Estado e um representante do Ministério Público de Contas e outro do Ministério Público de Pernambuco. Entre os palestrantes, estão os delegados federais Jorge Pontes e Márcio Anselmo (Lava-Jato), autores do livro recém-lançado “Crime.Org”, Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da PF, Maurício Moscardi Grillo (Carne Fraca), Luís Flávio Zampronha (Mensalão) e Cleyber Malta Lopes, que indiciou o ex-presidente Michel Temer no Inquérito dos Portos.

“Pernambuco está sendo o primeiro estado a receber essa capacitação porque foi pioneiro na estruturação de um Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Draco), seguindo as diretrizes da lei 12.850/2013) e trazendo a expertise da Polícia Federal para a nossa atuação contra quadrilhas que se infiltram na administração pública e subtraem recursos destinados à prestação de serviços para a população. Com menos de cinco meses de atuação, o Draco já desencadeou 10 operações, desarticulando quadrilhas responsáveis por um prejuízo estimado de R$ 254 milhões ao erário, além de 38 prisões e 67 mandados de busca e apreensão”, calcula o secretário de Defesa Social, Antonio de Pádua.




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Com reabertura de fronteira, venezuelanos compram até gasolina no Brasil

O movimento permanece constante desde o momento em que o bloqueio foi retirado pelo governo da Venezuela

  Por: Folhapress
Confronto na Venezuela
Confronto na VenezuelaFoto: Juan Barreto/AFP

A reabertura da fronteira da Venezuela com o Brasil na última semana intensificou o fluxo de venezuelanos que cruzam a divisa entre os dois países para fazer compras em Pacaraima (RR) e gerou um fenômeno: os estrangeiros estão vindo ao país até para abastecer seus veículos com gasolina nacional.

O movimento permanece constante desde o momento em que o bloqueio foi retirado pelo governo do país vizinho e causou uma invasão de clientes venezuelanos no comércio da cidade fronteiriça.

As vendas de itens de cesta básica e materiais de construção foram rapidamente aquecidas com a presença dos compradores estrangeiros, segundo o representante da associação comercial e empresarial de Pacaraima, João Kléber Soares.

A circulação de dinheiro na cidade também impulsionou setores de alimentação, hotelaria, transportes e prestação de serviços logísticos, movimentando de R$ 500 mil a R$ 2 milhões diários.

"Já nos primeiros 15 dias de fronteira fechada o comércio aqui despencou. Houve demissões e alguns comércios fecharam as portas, tiraram férias. Alguns fecharam em definitivo, mas esses são empresários que a gente considera como aventureiros, de oportunidade, que estavam na cidade pelo movimento", disse Soares.

De acordo com Soares, a média de compradores em Pacaraima antes do fechamento flutuava entre 800 a 1.200 pessoas diariamente, numa cidade de 15 mil habitantes, segundo o IBGE.

Nos meses de bloqueio, o número de clientes caiu para 400 a 650 pessoas. "Como temos muitos atacadistas e agora eles [venezuelanos] podem vir de carro, essa quantidade está voltando a ser como era até fevereiro", disse.

O soldador Elwin Delgado, 32, viaja semanalmente a Pacaraima para fazer compras. Além de arroz, feijão, leite, farinha, óleo e itens de limpeza, ele e o irmão mais novo, Erismar, 28, aproveitam as viagens para levar medicamentos básicos como aspirina e ibuprofeno, que dividem com a mãe, que está doente, e outros cinco irmãos.

Parte do que ele compra na fronteira é revendida para comércios, vizinhos e amigos em San Félix de Guayana, no estado Bolívar, onde mora. Ele começou a trabalhar como atravessador de mercadorias em 2017, quando a crise do país o forçou a sair do emprego em uma siderúrgica.

"Lá [na Venezuela] você não encontra nada. Não tem comida nem remédio, todos estão doentes, magros e passando fome. A solução é vir comprar aqui no Brasil e levar, mesmo pagando mais caro", afirmou.

O fechamento da fronteira pelo governo venezuelano não impediu o trabalho informal dos dois. Segundo Delgado, ele e o irmão chegaram a caminhar cerca de 12 km sob sol escaldante em trilhas no território vizinho, algumas vezes entrando em comunidades indígenas pemón para evitar guardas nacionais bolivarianos que pedem subornos em dinheiro ou mercadorias como "pedágio".

Com a fronteira aberta, eles agora voltam à rotina anterior ao fechamento: transportam a mercadoria em táxis de cooperativa até a rodoviária de Santa Elena de Uairén -primeira cidade venezuelana após a fronteira- e a embarcam no primeiro ônibus até San Félix, distante cerca de 600 km da linha.

Além das vendas de mercadorias em armazéns, um fenômeno curioso ocorre na região. Desde sexta-feira (10), venezuelanos cruzam a fronteira para abastecer no único posto de combustíveis de Pacaraima, aberto há apenas dois meses, logo após o bloqueio da passagem.

O frentista João Paulo Queiroz, que trabalha no local, disse que desde a reabertura 8 em cada 10 clientes são do país vizinho, dispostos a pagar R$ 4,95 pelo litro da gasolina e R$ 4,25 pelo diesel. "Eles vêm, enchem o tanque e levam para o outro lado. A maioria vem de Santa Elena, mas tenho atendido muito garimpeiro de lá que leva uns dois galões a mais", disse.

Antes disso, o fluxo acontecia no sentido contrário: brasileiros tradicionalmente formavam filas quilométricas em carros de passeio e carga para abastecer os veículos em um posto gerenciado pelo governo venezuelano localizado próximo à linha de fronteira, a um preço mais barato que o vendido em Roraima.

A professora venezuelana Yurisbeth González, 43, é uma das clientes do posto brasileiro. Moradora de Santa Elena, ela relatou que há pelo menos cinco dias não há combustível em todo o estado Bolívar, que faz fronteira com o Brasil.

"Ninguém sabe o que houve, mas está faltando combustível em várias partes do país há quase uma semana. Só dizem que não tem estoque. Aqui na fronteira estamos numa situação relativamente confortável porque podemos vir para o Brasil e comprar, mas quem está mais para dentro do país está vivendo um caos", afirmou.

Apesar da explosão com a demanda reprimida e aumento súbito de clientela estrangeira, João Kléber disse acreditar que a alta rotatividade também gera transtornos para a cidade brasileira, que agora enfrenta superlotação de carros. "É um lugar muito pequeno, com poucas ruas e que não tem estrutura para comportar tanta gente e veículo ao mesmo tempo, então acaba sobrecarregando o tráfego", disse.





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Caixa anuncia Programa de Demissão Voluntária para cortar 3,5 mil vagas

  Por: AE
A Caixa tem hoje 96.361 mil funcionários. Foto: José Cruz/Agência Brasil (A Caixa tem hoje 96.361 mil funcionários. Foto: José Cruz/Agência Brasil)
A Caixa tem hoje 96.361 mil funcionários. Foto: José Cruz/Agência Brasil

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, anunciou ontem um programa de demissão voluntária estimulada (PDVE) para desligar até 3.500 empregados. De acordo com a instituição financeira, 28 mil funcionários são elegíveis e podem aderir ao plano. A Caixa tem hoje 96.361 mil funcionários, dos quais 84.952 são empregados e 11.409 são estagiários ou aprendizes. 

A iniciativa do banco público mira colaboradores que estão na matriz, em Brasília, e em escritórios regionais em todo o País. Empregados que atuam na rede de agências do campo não estão contemplados. O banco tem 4.170 agências e postos de atendimento em todo o País. 

O prazo de adesão será entre segunda-feira e o início de junho. Para atrair empregados, a Caixa vai oferecer 9,7 salários, limitados a R$ 480 mil. Esse pagamento será realizado em uma parcela única, sem incidência de imposto de renda e de encargos sociais, junto com as verbas rescisórias.

Os empregados que se aposentarem até o fim deste ano e que aderirem ao programa terão direito a permanecer no plano de saúde do banco. Já os funcionários que saírem poderão ter cobertura por 24 meses, sem possibilidade de prorrogação.

É o primeiro programa de demissão lançado na gestão de Pedro Guimarães, que assumiu o comando do banco no início do ano com foco em "governança e redução de custos".

Cortes

Nos últimos dois anos e meio, a Caixa realizou três programas de demissão voluntária. Mais de mais de 10 mil funcionários aderiram, gerando uma economia anual de R$ 2 bilhões. Como reflexo dos programas anteriores, a Caixa gastou 3,6% menos com pessoal no ano passado, ou R$ 21,635 bilhões. Somente em 2018, 2.228 empregados deixaram a empresa.

Guimarães pretende cortar R$ 3,5 bilhões em compras no banco. Nos primeiros 20 dias no cargo, ele trocou todos os vice-presidentes, 38 dos 40 diretores e 74% dos 84 superintendentes regionais.

Outra ação na linha de redução de custos anunciada na última quinta-feira, durante transmissão com o presidente Jair Bolsonaro na internet, foi a devolução de parte dos edifícios públicos que a Caixa ocupa. Em Brasília, serão devolvidos dez prédios, de um total de 15, até o fim deste ano. 

Em contrapartida, a Caixa pretende chamar parte das 6 mil pessoas aprovadas em concurso público de 2014. Os funcionários serão contratados pelo regime CLT, sem regime de estabilidade.





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Vem aí a 3ª Expoleite de Afrânio-PE. 31 de maio e 01 e 02 de junho. Prepare-se!

  Via: Vinicius de Santana
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A cidade de Afrânio-PE, está ultimando os preparativos para a realização da 3ª Expoleite, que será realizada nos dias 31 de maio e 01 e 02 de junho, reunindo criadores e investidores que já garantiram presenças na feira.
A expectativa é da realização de bons negócios e manutenção da referência da Expoleite que tem merecido atenção especial do Governo do Estado, pela qualidade do evento em negócios da caprino vinicultura   e da bacia leiteira que são destaques na região.
Paralelo a comercialização de animais, o evento também incrementa recursos na economia local, gerando renda e emprego.
Na programação artística musical, o Prefeito Rafael de Peron, confirmou em entrevista ao nosso blog, os nomes de Gabriel Diniz, Saia Rodada e Avine Vinny.
Acompanhe a entrevista do Prefeito Rafael de Peron ao blog, narrando todos os acontecimentos da 3ª Expoleite de Afrânio-PE.


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Reitor da Univasf diz que universidade pode fechar as portas no próximo mês de setembro por causa de bloqueio do MEC

  Via:Carlos Britto
Julianeli Tolentino, reitor da Univasf. (Foto: Duda Oliveira/Blog do Carlos Britto)


A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) poderá fechar as portas ainda este ano devido ao contingenciamento de 30% de seu orçamento pelo Ministério da Educação (MEC). O corte é de quase R$ 12 milhões. Em entrevista exclusiva a este Blog, o reitor Julianeli Tolentino mostrou-se preocupado com a situação e afirmou que, caso o governo faça a manutenção desse bloqueio, a Univasf vai paralisar suas atividades já no próximo mês de setembro.
A capacidade de executarmos os nossos serviços, como temos feito de ano a ano, ela diminuiu bastante. Caso não tenhamos o descontingenciamento – a liberação do recurso que estava planejado, de acordo com a Lei Orçamentária Anual -, nós temos uma grande probabilidade de descontinuarmos os nossos serviços, ou seja, parar as atividades da universidade como um todo já no mês de setembro“, afirmou Tolentino.
O reitor diz que a situação é preocupante não apenas para os estudantes. “É algo muito preocupante, porque pode levar a um dano muito grande. E não somente para a universidade como instituição, mas para quem participa, especialmente os estudantes e a população, que é diariamente beneficiada diante das várias ações que nós executamos no dia a dia, através de projetos de pesquisa e extensão, projetos que estão diretamente ligados à comunidade”, explica.
Julianeli Tolentino espera que o MEC se sensibilize com a causa e volte atrás. “Eu espero que o governo se sensibilize e o ministro da Educação volte atrás e desbloqueie esse recurso, para que todas as nossas universidades continuem oferecendo mais e melhores serviços à população, porque é através da educação que nós temos a certeza que acontecerá o verdadeiro desenvolvimento, com qualidade, das nossas regiões e consequentemente de todo o Brasil.
O contingenciamento dos recursos tingiu o orçamento de custeio e de investimento de forma direta. Além disso, as despesas básicas também serão afetadas. “Caso haja a manutenção desse bloqueio, a partir do próximo mês de setembro não teremos condições nenhuma de pagarmos as faturas de água, de energia, de continuarmos pagando as bolsas para nossos estudantes – especialmente aqueles que estão em situação de vulnerabilidade socioeconômica, que na nossa universidade chega a quase 80% do volume de estudantes, ou seja, em torno de quase 8 mil estudantes que dependem diretamente dos RU’s (Restaurantes Universitários), do sistema de transporte, das residências estudantis, dentre outros auxílios“, lamenta.
Caos
A situação tende para o caos, mas eu tenho grande esperança de que o governo se sensibilizará e irá voltar atrás e liberar os recursos que tanto precisamos“, acredita o reitor, mantendo cautela e dizendo que, caso ocorra o fechamento dos portões, “iriamos adotar alguma estratégia para reiniciarmos as atividades de forma não garantindo as ações que estamos executando“.
Papel da instituição
A nossa região precisa, e a nossa missão da Univasf é exatamente essa: oferecer educação superior de qualidade, no interior do Nordeste, o que estamos fazendo desde 2004 com muita eficiência“, finaliza Julianeli Tolentino.
Vale destacar que a Univasf possui campus nas cidades de Petrolina (PE), Juazeiro (BA), Senhor do Bonfim (BA), Paulo Afonso (BA), São Raimundo Nonato (PI) e Salgueiro (PE).
Cortes
O Ministério da Educação anunciou, no último dia 30 de abril, que todas as universidades federais do país sofrerão contingenciamento de 30% em seus orçamentos. A medida foi tomada após a pasta ser alvo de críticas por ter reduzido as verbas destinadas à Universidade de Brasília (UnB), à Universidade Federal Fluminense (UFF) e à Universidade Federal da Bahia (UFBA).
A diminuição dos recursos das três instituições tinha sido anunciada pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 29 de abril. Ele justificou que as reduções no orçamento da UnB, da UFF e da UFBA foram definidas porque as três instituições estariam com sobra de dinheiro para “fazer bagunça e evento ridículo“.


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MAIS ARMAS, MAIS CRIMES. A TEORIA DO CIDADÃO DE BEM ARMADO FOI DERRUBADA

  Via:247


(*) Por: Trace (https://www.thetrace.org/

Nas quatro décadas do movimento moderno de direito à posse e ao porte de armas, uma de suas vitórias mais significativas não aconteceu nas urnas, na mesa do presidente ou nos tribunais. Uma das maiores batalhas vencidas pelos ativistas pró-armas aconteceu na mente de milhões de norte-americanos — e outros povos influenciados por eles.


Desde o final dos anos 70, a Associação Nacional de Rifles (NRA em inglês) e outros defensores das armas de fogo conseguiram tornar a autodefesa armada cada vez mais aceitável no dia a dia. Uma riqueza de dados de pesquisa — que veio à tona graças a uma grande pesquisa do Pew no mês passado — mostra que os norte-americanos se tornaram cada vez mais confortáveis com o porte de armas em público. Defesa pessoal é a razão mais citada pelos donos de armas, que compraram sobretudo pistolas e revólveres – o tipo de arma de fogo mais popular do arsenal dos EUA. Essas atitudes e comportamentos marcam uma grande guinada: no meio dos anos 90, os norte-americanos tinham armas principalmente para recreação; já em 2005, grande parte do público achava que apenas policiais deviam carregar armas em público.
Artigo de fé também é fake
No centro dessa campanha pelos corações, mentes e coldres nos EUA está um artigo de fé que a NRA e seus aliados pregam desde os anos 90: que as pessoas podem aumentar a segurança pública carregando armas para se defender. O economista John Lott desenvolveu a teoria “Mais Armas, Menos Crime” em seu livro de 1998 de mesmo nome, e tem popularizado a ideia através de testemunhos legislativos e artigos de opinião. A NRA tem empregado o trabalho de Lott para contrariar pedidos de contenção do porte de armas. Depois do atentado na Escola Fundamental Sandy Hook, quando o líder do NRA Wayne LaPierre fez seu infame comentário de que “o único jeito de parar um bandido com uma arma é ter um cidadão de bem com uma arma”, ele estava mencionando a noção já enraizada de que armas ao alcance da mão de seu proprietário aumentam a segurança pública.
É uma ideia poderosa e sedutora, particularmente nos EUA, que favorece a tal liberdade individual sobre ideais comunitários. E também está totalmente errada, segundo uma nova análise de quase 40 anos de dados de crime.

“Por anos, a pergunta foi: há algum benefício de segurança pública no direito de carregar armas? E isso agora está claro. A resposta é não.” — John Donohue, Stanford Law School.

Num novo trabalho publicado em 21 de junho pela National Bureau of Economic Research, acadêmicos da Stanford Law School analisaram dados de quatro modelos estatísticos diferentes — incluindo um desenvolvido por Lott no livro More Guns, Less Crime — e chegaram a uma conclusão sem ambiguidades: estados norte-americanos que facilitam o acesso de armas a seus cidadãos têm níveis mais altos de crimes violentos do que estados que restringem o porte de armas. A exceção, na pesquisa, aparecia na categoria de assassinato; ali, os pesquisadores determinaram que qualquer efeito nas taxas de homicídio por políticas expandidas de porte de armas são estatisticamente insignificantes.
Outros estudos conduzidos desde 1994 minavam a tese de Lott, mas essa nova pesquisa é mais abrangente e assertiva ao derrubar a fórmula do “mais armas, menos crime”.
Donohue e os coautores do estudo observaram dados de crimes nos EUA entre os anos 1977 a 2014, nos 33 estados que implementaram a “Shall Issue” — dispositivo legal que permite o porte de armas durante o período citado. Os estatutos “Shall Issue” são trabalho da NRA, que fez lobby com políticos em vários capitólios para relaxar seus requisitos em relação ao porte de armas. Os estados da “Shall Issue”, a que Donohue se refere como right to carry (RTC), exigem que porte de armas seja garantido a qualquer pessoa que cumpra os critérios básicos. Sem surpresa, esses estados permitem inscrições em taxas maiores que estados “May Issue”, onde as autoridades têm mais discrição em decidir quem pode sair pelo mundo portando uma arma.
Acontece o oposto
Já que diminuir os critérios para porte de armas foi levando mais gente a pedir o porte (só a Flórida, há quase 1,8 milhão de pessoas com porte de armas, e na Pensilvânia e Texas há cerca de um milhão de pessoas em cada estado), e como mais armas em público deveriam reduzir a criminalidade, era esperado que esses estados vissem menos crimes desde que a “Shall Issue” entrou em vigor.
A equipe de Stanford, no entanto, descobriu exatamente o oposto: “Dez anos depois da adoção das leis de RTC”, eles escreveram, “crimes violentos são de 13 a 15% mais altos do que seriam sem essas leis”.
Avaliações anteriores dos estatutos de porte vieram logo que ondas de leis “Shall Issue” varreram os EUA nos anos 80 e começo dos 90. Uma delas foi um relatório bem conhecido de 2004 do National Research Council, que também mostrava furos na conclusão de Lott — mas que não podia dizer definitivamente que o porte de armas aumentava as taxas de crimes, porque não havia anos suficientes de dados para peneirar. Como a equipe de Stanford pôde observar, em estados com direito expandido de porte de armas por uma década ou mais, a pesquisa chegou a estimativas muito mais fortes sobre os efeitos das leis “Shall Issue” no crime.
Em sua pesquisa, a equipe de Stanford sugere que o aumento do porte de armas contribui para o aumento dos crimes de várias maneiras. Enquanto cidadãos de bem se armavam, criminosos nas mesmas comunidades também conseguiam mais armas. Pessoas armadas obedientes à lei, teorizaram os pesquisadores, podem contribuir com uma corrida armamentista nas ruas para trazer mais armas ao público, num ambiente em que essas armas têm mais chances de serem perdidas ou roubadas, alimentando assim o mercado informal. Quanto mais as pessoas se conscientizam de que seu ambiente está se enchendo de armas, mais sua percepção da sociedade se colore de medo e raiva, as levando a uma predisposição à violência.

“Não fiquei surpreso em ver crimes violentos aumentando”, disse Donohue. “Já era de se esperar que armas contribuíssem com crimes violentos.”

As descobertas de Stanford vão direto na jugular não apenas da mensagem da NRA, mas do entendimento comum sobre tendências de crime disseminadas nas últimas duas décadas. Pelas medições nacionais, os crimes violentos caíram dramaticamente depois de um pico no começo dos anos 90, e a queda coincidiu amplamente com a expansão do direito de carregar armas de fogo. Lott e outros estava ansiosos para apontar o declínio no crime nacional como evidência de sua teoria, ou, pelo menos, distrair das preocupações de que mais armas em público poderiam levar a um banho de sangue generalizado.
O problema na conexão do aumento do porte de armas e a queda na taxa nacional de crimes, como Donohue e seus coautores apontam, é que o crime não caiu igualmente em todas as partes do país. Em vez disso, o declínio nos crimes violentos foi mais pronunciado em estados que mantiveram um controle rígido sobre o porte, como Nova York e Califórnia. Quando outros estados decidiram facilitar que seus residentes carregassem armas, eles parecem ter perdido uma redução no crime na mesma magnitude. Em termos crus, o crime também declinou naqueles estados RTC — mas nem perto de quanto poderia ter caído. Examinando estatísticas do Censo Norte-Americano e do FBI, os autores estimam que estados com leis mais severas para porte viram o crime cair em 42% entre 1977 a 2014. A queda é quatro vezes maior que os 9% vistos nos estados com RTC.
Dois métodos estatísticos
Ao reunir essas análises, os pesquisadores de Stanford queriam garantir que era a diferença entre leis de porte de arma, não outro fator — economias divergentes ou contingente policial, por exemplo — fez o crime despencar em alguns lugares mais que em outros. Para descobrir, a equipe projetou o que teria acontecido em estados RTC se eles não tivessem relaxado suas exigências para o porte, considerando diferenças em demografia, policiamento e crescimento econômico.
Aqui também a equipe pôde rodar cálculos que eram impossíveis em 90 e no meio dos anos 2000, quando os estudiosos que inicialmente contrariaram a teoria de Lott tinham muitos menos dados para processar.


As descobertas de Stanford se baseiam em dois métodos estatísticos com nomes técnico que parecem obscuros: análise de dados em painel e análise de controles sintéticos. Dados em painel tentam desmontar fenômenos sociais complexos — como o crime — estudando seus componentes menores e mais fáceis de medir, como taxas de encarceramento, níveis de contingente policial, pobreza, renda e densidade populacional.
A análise de controles sintéticos permite que os pesquisadores comparem dados registrados depois da introdução de uma mudança — como as leis de porte de armas — com projeções baseadas no que teria acontecido se a mudança nunca tivesse ocorrido. As projeções de controles sintéticos são baseadas em dados demográficos e resultados em locais com demografia similar.
Diferentes pesquisadores fizeram julgamentos distintos sobre quais fatores tinham mais poder de fazer o crime subir ou cair. Em vez de basear sua análise em um grupo de variáveis, a equipe de Stanford cobriu 37 anos de dados de crimes dispostos em quatro painéis: o favorito deles, chamado DAW; um desenvolvido pelo Brennan Center; o painel usado por John Lott em More Guns, Less Crime, e um quarto favorecido por dois pesquisadores pró-armas chamados Charlisle Moody e Thomas Marvel.
Projeções feitas com esses quatro painéis mostraram que estados RTC teriam quedas ainda maiores nos crimes violentos se não tivessem afrouxado suas leis de porte de armas. “Os dados do painel não deram nenhuma dica de que algo bom estava vindo do direito de porte”, disse Donohue.
Como no Texas, por exemplo. As projeções de Donohue descobriram que dez anos depois que o Estado da Estrela Solitária colocou seu RTC em vigor, os crimes violentos aumentaram em 16% do que seriam sem a lei, como mostra o gráfico abaixo. A linha pontilhada, rotulada “unidade de controle sintético”, é uma projeção do que poderia ter acontecido com as taxas de crimes violentos no Texas se o estado não tivesse afrouxado seu estatuto de porte, baseado numa composição de estados de demografia similar.


A única diferença entre as projeções usadas pelos estudiosos pró-armas e os outros dois painéis veio ao destacar as taxas de assassinatos. O principal propósito de cidadãos armados, na ideia da NRA e vendedores de armas, é incapacitar psicopatas antes que eles tirem vidas inocentes. Mas quando a equipe de Stanford rodou as fórmulas dos pesquisadores pró-armas, os gráficos mostraram que o RTC na verdade impulsionava as taxas de homicídio.
Os painéis DAW e do Brennan Center, por outro lado, mostraram que apenas violência não fatal seria mais baixa se os estados nunca tivessem optado pela rota do “Shall Issue”. E mostraram isso em todos os 33 estados onde rodaram a simulação, sem exceções.
Mas uma pesquisa melhor realmente significa um resultado melhor no mundo real?
Para essa questão, Donohue se baseia não em matemática sofisticada, mas em anos de experiência estudando a questão das armas. “Muita gente tem ideias fixas sobre armas”, ele disse. “É difícil influenciar seu pensamento.”
Identidade e masculinidade
Donohue pode estar entendendo o desafio que eles e outros estudiosos enfrentam agora. Pesquisas sociológicas e antropológicas sugerem que o sentimento dos EUA em relação a armas de fogo e porte para defesa pessoal se baseiam em noções elementares como identidade e masculinidade, não em medidas empíricas de segurança conquistada ou perdida.
A NRA foi longe para fomentar a ideia de que o direito de carregar armas é a base da cidadania norte-americana, e que a opção de autodefesa letal é “a primeira liberdade”. Empresas de armas vendem seus produtos para tocar a necessidade de o consumidor de se sentir um protetor poderoso e, muitas vezes, hipermasculino. É difícil para um estudo acadêmico derrubar crenças assim.
Ainda assim, legisladores e juízes são um tipo diferente de público que compradores de armas ou eleitores. Donohue espera que suas descobertas cheguem a esses olhos influentes.
“A Suprema Corte vai ter que acabar decidindo se há mesmo um direito ao porte de arma”, ele disse, falando um dia depois que juízes se recusaram a ouvir um desafio às leis de porte de armas restritivas na Califórnia. “O que eles vão fazer com essas evidências?”
(*) Esta matéria foi publicada originalmente no Trace (https://www.thetrace.org/) , uma organização de notícias sem fins lucrativos cobrindo a questão das armas de fogo nos EUA.



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Incêndio de grandes proporções atinge colégio centenário em Santa Maria (RS)

  Em rede social, o prefeito de Santa Maria, Rodrigo Decimo (PSD), afirmou que está acompanhamento o caso.                                 P...