domingo, 2 de dezembro de 2018

Muro da Escola Moysés Barbosa é pichado com frases de conotação político-ideológica

  Via:Carlos Britto


Nada mais democrático do que expressar opiniões livremente, sobre qualquer assunto, independente de correntes políticas. Mas utilizar o patrimônio público para fazer isso é inadmissível.
Na Rua Pau D’Arco, localizada no Bairro Cohab II/Areia Branca, zona leste de Petrolina, algum sem noção se utilizou do muro da Escola Moysés Barbosa para deixar seu recado.
Pichação passa longe de democracia. É vandalismo puro, e quem paga essa conta é o contribuinte petrolinense.

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LÍDER DO PT E COM PALCO GLOBAL, HADDAD TRAÇA SAÍDAS PARA A DEMOCRACIA

Ricardo Stuckert


247 - Alçado à condição de liderança global, Fernando Haddad afirmou em Nova York que "as democracias estão sendo corroídas por dentro" e que "o combate deve ser feito em nível internacional". A convite de Bernie Sanders e de Yánis Varoufakis, Fernando Haddad participou do lançamento da Internacional Progressista, aliança mundial em defesa da democracia idealizada por Sanders. Realista, ele disse: ""Não vamos ficar encantados conosco. Nós estamos perdendo o jogo e temos muito trabalho a fazer."
A fala de Haddad revelou um pouco o clima que permeia a movimentação internacional em busca de um discurso de reafirmação da democracia. Ele afirmou que é preciso "reverter o atual populismo de direita identificado nos Estados Unidos, em países europeus como Áustria e Suécia e no Brasil será um desafio intelectual que vai exigir humildade, afirmou, na noite deste sábado (1º), Fernando Haddad (PT), candidato à Presidência derrotado nas eleições."
E acrescentou: "não podemos ser arrogantes de imaginar que temos as respostas prontas para desafios tão complexos. Uma dose de humildade, mas uma humildade que não paralisa, que estimula a buscar alternativas rápidas que possam ser oferecidas a uma população que deseja um mundo novo. Ela só não sabe qual."
Haddad ainda falou sobre o cenário internacional das democracias sob risco: "há uma preocupação das forças democráticas mundiais sobre o que se passa na América do Sul, na Europa Oriental, e agora a gente vê que vai chegando nos EUA e mesmo na Europa Ocidental sinais já marcantes na Áustria, na Suécia e, agora, na Itália, de que há problemas de toda ordem acontecendo".
E sobre o brexit: "se eles utilizarem os mesmos métodos que utilizaram no 'brexit' [saída do Reino Unido da União Europeia], aqui na eleição do [presidente Donald] Trump, da eleição do Bolsonaro, nós podemos ter problemas em países que são a última fronteira democrática que ainda resiste. E ninguém quer um mundo obscurantista."
Veja mais trechos da fala de Haddad em Nova York:
"Não vamos ficar encantados conosco. Nós estamos perdendo o jogo e temos muito trabalho a fazer", afirmou.
"Aumentou o medo do outro, não importa quem seja esse outro."
"A sociedade se encontra desnorteada e se vira para populistas fascistas que prometem resolver todos os problemas. Isso toma formas diferentes em lugares diferentes."
"A esquerda focou em renda, enquanto a direita focou em riqueza, em aproveitar terras e riqueza, como se discutíssemos besteira", afirmou. "Uma abordagem gradual de reforma sempre vai favorecer os ricos. Nós precisamos discutir redistribuição de riqueza."
"Do mesmo jeito que os indígenas estão inseguros, que os tratados internacionais sobre meio ambiente estão em risco, que a comunidade LGBT está em risco, hoje você não tem, no Brasil, segurança de liberdade de cátedra."
"Ou seja, há ações judiciais neste momento sendo movidas contra associações de professores, no caso do Ceará, por terem feito um grupo de combate ao fascismo."


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Bispo de Petrolina divulga carta comentado a saída de Padre Antonio Moreno da direção do Colégio Dom Bosco e pede que evitem “comentários e julgamentos inoportunos”

  Via:Carlos Britto
Dom Francisco Canindé Palhano, bspo de Petrolina. (Foto: Blog do Carlos Britto)

O bispo da Diocese de Petrolina, Dom Francisco Canindé Palhano, emitiu uma carta discurso sobre a nova direção do Colégio Dom Bosco. Segundo Dom Francisco, “isso faz parte de um processo normal, ordinário, que a igreja realiza visando sempre o bem das pessoas e instituições”.
O bispo pede que evitem “comentários e julgamentos inoportunos, inadequados e desnecessários“. Dom Francisco ainda pediu orações para Padre Antonio Moreno, para si e para a Diocese.
Acompanhe a carta, na íntegra:





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Escola sem Partido coloca uma incógnita na educação

O Projeto de Lei Escola Sem Partido tem levantado discussões sobre a relação entre alunos e professores e o eventual cerceamento à liberdade de expressão

  Por: Mirella Araújo, da Folha de Pernambuco
Proposta entrará na pauta de votação pela sétima vez na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (4)
Proposta entrará na pauta de votação pela sétima vez na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (4)Foto: Rafael Furtado

A ideia de instituir um direcionamento apartidário nas escolasbrasileiras surgiu em 2004, em São Paulo, defendida pelo advogado Miguel Nagib, coordenador nacional do Movimento Escola Sem Partido (Mesp). Mas começou a ganhar mais força e avançar em diversos estados, principalmente após o resultado da última eleição presidencial. Nagib afirma que há uma exacerbada “doutrinação ideológica” nas unidades de ensino, do básico ao superior. Dentre os artigos apresentados por ele em seu anteprojeto, está o “direito dos pais sobre a educação religiosa e moral de seus filhos, assegurados pela Convenção Americana sobre Direitos Humanos”. Também consta que é “vedado o uso de técnicas de manipulação psicológica destinadas a obter a adesão dos alunos a determinada causa”. 

Além disso, estabelece que, nas salas de aula, sejam fixados cartazes com os deveres dos professores resumidos em seis pontos como: “O professor não favorecerá nem prejudicará ou constrangerá os alunos em razão de suas convicções políticas, ideológicas, morais, religiosas ou da falta delas”; “O professor não fará propaganda político-partidária em sala de aula nem incitará seus alunos a participar de manifestações, atos públicos e passeatas”. Em 2014, o deputado federal Erivelton Santana (PATRI-BA) levou essa discussão à Câmara dos Deputados e apresentou uma proposta baseada nos direcionamentos do Mesp. 

Ela visa a alterar o artigo 3º da Lei Nº 9.394, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, incluindo justamente a questão do respeito às convicções do aluno e de seus responsáveis, não só no aspecto moral e religioso, mas sexual também. Caso seja aprovada na Comissão Especial, o projeto de lei será encaminhado diretamente para votação no Senado. A polêmica se instalou em Alagoas, primeiro estado a ter uma lei semelhante aprovada pela Assembleia Legislativa. Intitulada de “Escola Livre”, ela obriga a neutralidade ideológica e religiosa nos estabelecimentos de ensino da rede pública. No entanto, a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimento de Ensino e o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Alagoas (Sinteal) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF). Na última quarta-feira, o ministro Dias Toffoli retirou o julgamento da ação da pauta de discussão e não anunciou uma nova data para apreciação. 
Pernambuco também tem revivido a questão, inclusive com previsão de punições para os docentes que descumprirem o que está previsto na matéria. Tramitando na Assembleia Legislativa (Alepe) desde 2016, o projeto deve ser colocado outra vez em pauta pelo deputado estadual e autor do PL, Cleiton Collins (PP). Ele afirma que a partir da próxima legislatura, com o novo governo e com o forte apoio da bancada evangélica, o tema terá mais relevância na Casa. O projeto segue a mesma linha dos que já foram apresentados em outros estados, proibindo também o debate em torno de correntes políticas, ideológicas e religiosas nas salas de aula e ainda estipula uma multa de R$ 5 mil a R$ 10 mil reais para os professores. Apesar do espaço previsto no governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), o futuro ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodriguez, já afirmou que o Escola Sem Partido“será algo moderado”, mas que é uma “providência fundamental” para o Brasil. 

Já o filósofo Olavo de Carvalho, considerado guru de Bolsonaro, critica o projeto considerando que seria necessário uma pesquisa científica para identificar se há uma hegemonia esquerdista nas escolas e universidades brasileiras. “A medida que o movimento evolui na direção de um projeto de lei, a coisa complica. Não existe documento científico a respeito do problema (a doutrinação de esquerda). Acho que colocaram a carroça na frente dos bois. Nós não temos uma visão quantitativa da hegemonia comunista no ensino, e ainda estamos na esfera do argumento retórico”, declarou Carvalho, em entrevista ao O Globo.

Autonomia e liberdade

Diversos especialistas em educação acreditam que o projeto Escola Sem Partido trata especificamente da censura aos professores e desrespeita a liberdade de cátedra - que assegura o pluralismo de ideias e concepções no ensino, com a autonomia didático-científica dentro das universidades. Para a coordenadora da Frente Pernambucana Escola Sem Mordaça - grupo criado em 2016 por entidades ligadas à educação e movimentos sociais, Luciana Cavalcanti, o que existe é uma discussão precária sobre doutrinação e ideologias. “Não temos a possibilidade de a educação ser neutra, pois ela sempre apontará para algumas questões problemáticas na sociedade, e fugir do conflito é a pior maneira de se posicionar do ponto de vista educacional”, afirmou. 

Outro ponto colocado pelos educadores são os laços de confiança entre alunos e docentes, que podem passar a serem vistos como inimigos da família. Recentemente, a UFPE e a Universidade Pernambuco (UPE) foram alvos de ameaças, com panfletos citando nominalmente professores e alunos “de esquerda”. “O projeto cria um ambiente de insegurança e estimula alunos a terem posturas violentas. Não somos inimigos das famílias, estamos comprometidos com a educação cidadã voltada ao respeito à formação de pessoas éticas, e íntegras”, afirmou a professora de Direito da UFPE Liana Cirne.

Essa neutralidade debatida dentro da Escola Sem Partido, segundo a pedagoga e mestre em educação matemática e tecnológica Thaís Oliveira de Lima, não é possível “no campo de humanidades”. “Quando você faz um recorte temporal você já tendencia sua posição. Esse projeto foi idealizado por alguém que certamente não se deu ao trabalho de refletir sobre o papel de tal instituição”, defendeu. Os receios também atingem os pais. Para a jornalista e empresária Amanda Seabra, é uma ideia deturpada a de que a escola tem que exercer um papel autoritário e que os estudantes devem ser acríticos. 

“Na escola dos meus filhos, eles estão inseridos num ambiente de construção. A escola é um ambiente de debate e até de conflito de ideias, sem isso nós não evoluímos.”, defendeu. A estudante universitária Manuela Mirella, representante da União Estadual dos Estudantes/PE, afirma que outras discussões mais sérias deveriam estar no foco. “Os 22% dos estudantes que concluem o ensino médio sem saber ler direito, os 53% que não sabe resolver problemas simples de matemática. Quem mais vai sofrer são os alunos de periferia que não têm acesso a essas discussões”, argumentou.

Neutralidade e controle

Favorável ao Escola Sem Partido, o professor de história e sociologia da Academia Cristã de Boa Viagem (ACBV) Eduardo Montarroyos, afirma que seria necessário não só impor uma postura equilibrada dos professores ao apresentarem os fatos relacionados às disciplinas de ciências humanas, mas também reformular todo o conteúdo dos livros estudados. “Existe uma doutrinação nas escolas, ligada tanto de um partido quando de outro. O projeto é bom, mas os livros possuem partidos e, por causa do material didático que precisa ser apresentado em sala de aula, o professor termina promovendo um direcionamento específico”, criticou. 

Para Montarroyos é possível alcançar a neutralidade do ensino a partir do momento que os fatos são apresentados de forma equilibrada, sem que o professor expresse sua opinião pessoal. “Ele não tem que doutrinar o aluno a partir de sua filosofia. O professor é responsável por fornecer dados com prós e contras para que o aluno tire suas conclusões”, explicou. Mestre em direito pela UFPE, Cristiano Carrilho também defende que a escola resgate os processos de ensino e aprendizagem de conteúdos programáticos. “Na prática, os professores deverão difundir teorias e questões de diferentes correntes ideológicas que não necessariamente concordem, e os alunos se sentirão mais seguros para terem seus posicionamentos”, disse. 

Carrilho, que é especialista em didática do ensino superior, afirma que o projeto vem para “preservar o ambiente escolar da propaganda política, da perseguição ideológica e promove o pluralismo de ideias”. “A perda da autonomia para fazer propaganda política em sala de aula será a mais evidente restrição dos professores no ensino público. Isso não prejudica a cátedra”, concluiu. O Movimento Pelas Crianças, composto por pais contrários a temas como a legalização do aborto e discussões sobre gênero, acredita que o Mesp não vem para criar normas, mas para reforçar direitos previstos na Constituição e na Convenção Americana de Direitos Humanos. 

“Se houver doutrinação, o aluno saberá identificar tal situação e poderá se defender. Escola é lugar de ensino, não de militância. Apresentar apenas um lado da moeda não é ensinar, é doutrinar”, declarou o coordenador do movimento, Rogério Magalhães. Para a médica Silvia Cavalcanti “não há como o projeto incitar a violência, porque violência foi o que vimos nesses últimos anos nas salas de aula”, disse ela. “A doutrinação é uma terrível forma de violência intelectual. Queremos educadores éticos”, declarou.

Projeto Escola sem Partido foi discutido por educadores e professores em ato público na Faculdade de Direito
Projeto Escola sem Partido foi discutido por educadores e professores em ato público na Faculdade de DireitoFoto: José Brito
Rogério Magalhães e Silvia Cavalcanti condenam a “militância” dentro das salas de aula
Rogério Magalhães e Silvia Cavalcanti condenam a “militância” dentro das salas de aulaFoto: Arthur de Souza



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Prefeitura capacita agricultores de Petrolina e estimula uso de palma forrageira para alimentação animal

   Via Vinicius de Santana


Com a proposta de incentivar a tecnologia da ‘Sacharina de Palma’, a Prefeitura de Petrolina, promoveu nessa semana, um Dia Especial na Unidade Demonstrativa ‘Terreiros Produtivos’, na fazenda Carretão, comunidade de Atalho, zona rural do município. O evento contou com a participação de mais de 100 pessoas entre, agricultores, técnicos, estudantes e professores que puderam conhecer as técnicas utilizadas por meio da fermentação da palma forrageira.
O evento, coordenado pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agrário, também teve o objetivo de orientar e capacitar os agricultores para o uso de estratégias sustentáveis que possam garantir recursos suficientes para a segurança alimentar dos animais durante os períodos mais críticos de seca.
De acordo com o secretário executivo de Desenvolvimento Rural e Irrigação, André Jackson de Holanda, a gestão municipal vem executando vários trabalhos que irão possibilitar uma melhor infraestrutura para os produtores rurais e a ideia multiplicada e colocada em prática só vem beneficiar a todos.
 “Realizamos com êxito mais um Dia Especial, que auxiliou principalmente os pequenos agricultores na utilização da técnica da ‘Sacharina de Palma’, pois, para quem não conhece, a palma contém até 20% de proteína bruta, tendo cinco vezes o teor verificado em estado natural, a um custo bem menor que os das rações produzidas com milho ou farelo, podendo ser utilizada como alimento o ano inteiro, sem comprometer a saúde do animal”, esclareceu o secretário executivo.
Terreiros Produtivos
O projeto, realizado pela Prefeitura de Petrolina, aproveita ao máximo as águas de poços tubulares para ampliar a produção e renda dos agricultores. A primeira unidade demonstrativa foi inaugurada neste ano e utiliza a água de um poço tubular com vazão de 3.000 litros/hora e irriga, inicialmente, uma área de 0,5 hectares de palma e 0,4 hectares de sorgo forrageiro, além do umbu. Neste trabalho, os agricultores também são orientados a empregar a água salobra de forma correta, técnica e em quantidades pré-estabelecidas nas pequenas plantações de espécies características da região. Além desta, mais unidades demonstrativas serão implantadas pela prefeitura em outras localidades da zona rural. (Ascom)

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FHC: COM BOLSONARO, O SISTEMA POLÍTICO BRASILEIRO ACABOU DE QUEBRAR


247 – "A última eleição foi um tsunami que varreu o sistema político brasileiro. Terminou o ciclo político-eleitoral iniciado depois da Constituição de 1988. Ruiu graças ao modo como se formaram os partidos, o sistema de voto e o financiamento das campanhas. A vitória da candidatura Bolsonaro funcionou como um braço cego da História: acabou de quebrar o que já estava em decomposição", aponta o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Leia, abaixo, seu artigo deste domingo:
Um novo caminho
Por Fernando Henrique Cardoso
A última eleição foi um tsunami que varreu o sistema político brasileiro. Terminou o ciclo político-eleitoral iniciado depois da Constituição de 1988. Ruiu graças ao modo como se formaram os partidos, o sistema de voto e o financiamento das campanhas. A vitória da candidatura Bolsonaro funcionou como um braço cego da História: acabou de quebrar o que já estava em decomposição. Há muitos cacos espalhados e há a necessidade de reconstrução. Ela será feita pelo próximo governo? É cedo para dizer.
O sistema político-partidário não ruiu sozinho. As fraturas são maiores. Antes, o óbvio: a Lava Jato mostrou as bases apodrecidas que sustentavam o poder, sacudiu a consciência do eleitorado. Qualquer tentativa de reconstruir o que desabou e de emergir algo novo passa pela autocrítica dos partidos, começando pelo PT, sem eximir o MDB e tampouco o PSDB e os demais. Na sua maioria, os "partidos" são sopas de letras, e não agremiações baseadas em objetivos e valores. Atiraram-se na captura do erário, com maior ou menor gula.
Visto em retrospectiva, é compreensível que um sistema partidário sem atuação na base da sociedade se desmonte com aplausos populares. Os mais pobres encontram nas igrejas evangélicas – e em muito menor proporção na Igreja Católica e em outras religiões – recursos para se sentirem coesos e integrados. O povo tem a sensação de que os parlamentos e os partidos não atendem aos seus interesses. O eleitorado, contudo, não desistiu do voto e imaginou que talvez algo "novo", inespecífico, poderia regenerar a vida pública.
Não foi só isso que levou à vitória o novo presidente. Basta conhecer mais de perto a vida dos mais pobres nas favelas e nas periferias carentes de quase tudo para perceber que pedaços importantes do território vivem sob o domínio do crime organizado, violência que não se limita a essas populações, pois alcança partes significativas da população urbana e rural.
Inútil imaginar outros motivos para a vitória "da direita". Não foi uma direita ideológica que recebeu os votos. Estes foram dados mais como repulsa a um estado de coisas em geral e ao PT em particular. O governo foi parar em mãos mais conservadoras, e mesmo de segmentos abertamente reacionários, não pelas propostas ideológicas que fizeram, e sim pelo que eles simbolizaram: a ordem e a luta contra a corrupção. Não venceu uma ideologia, venceu o sentimento de que é preciso pôr ordem nas coisas, para estancar a violência e a corrupção e tentar retornar a algum tipo de coesão social e nacional.
Enganam-se os que pensam que "o fascismo" venceu. Enganam-se tanto quanto os que veem o "comunismo" por todos os lados. Essa polarização marcou a pugna política em outra época de antes da 2.ª Grande Guerra, ao fim da qual foi substituída pela polarização entre capitalismo liberal e socialismo.
Os problemas básicos do País continuarão a atazanar o povo e o novo governo. Este não será julgado nas próximas eleições por sua ideologia "direitista", mas por sua capacidade, ou não, de retomar o crescimento, diminuir o desemprego, dar segurança à vida das pessoas, melhorar as escolas e os hospitais, e assim por diante.
Com isso não quero justificar a "direita", dizendo que se for capaz de bem governar vale a pena apoiá-la, mas também não posso endossar a "esquerda", quando ela deixa de reconhecer seus erros, conclama a votar contra tudo o que o novo governo propuser, sem considerar o que realmente conta: quais os efeitos para o bem-estar das pessoas, para o fortalecimento dos valores democráticos e para a prosperidade do País.
As mudanças pelas quais passamos, aqui e no mundo, são inúmeras e profundas. Pode-se mesmo falar numa nova "era", a da conectividade. Se houve quem escrevesse "cogito ergo sum" (penso, logo existo), como fez Descartes, se depois houve quem dissesse que o importante é saber que "sinto, logo existo", em nossa época, sem que essas duas afirmativas desapareçam, é preciso adicionar: "Estou conectado, logo existo". Vivemos a era da informática, das comunicações e da inteligência artificial, que sustentam o processo produtivo e formam redes entre as pessoas.
As novas tecnologias permitem formas inovadoras de enfrentar os desafios coletivos, assim como acarretam alguns inconvenientes, como a dificuldade de gerar empregos, a propagação instantânea das fake news, a formação de ondas de opinião que mais repetem um sentimento ocasional do que expressam um compromisso com políticas a serem sustentadas em longo prazo. Elas dependem de instituições, partidos, parlamentos e burocracias para serem efetivas.
As questões centrais da vida política não se resumem, no mundo atual, à luta entre esquerda e direita. No passado o espectro político correspondia a situações de classe, interpretadas por ideologias claras, assumidas por partidos. Na sociedade contemporânea, com a facilidade de relacionamento e comunicação entre as pessoas, os valores e a palavra voltaram a ter peso para mobilizar politicamente. Isso abre brechas para um novo populismo e uma exacerbação do personalismo. O desafio está em recriar a democracia. O que chamo de um centro radical começa por uma mensagem que envolva os interesses e sentimentos das pessoas. E essa mensagem, para ser contemporânea, não deve estancar num palavreado "de direita" nem "de esquerda". Deve, a despeito das divergências de classe que persistem, buscar o interesse comum capaz de cimentar a sociedade. O País não se unirá com o ódio e a intransigência cultural existentes em alguns setores do futuro governo.
Há espaço para propostas que juntem a modernidade ao realismo e, sem extremismos, abram um caminho para o que é novo na era atual. Esse percurso deve incorporar a liberdade, especialmente a de as pessoas participarem da deliberação dos assuntos públicos, e a igualdade de oportunidades que reduzam a pobreza. E há de ver na solidariedade um valor. Só juntos poderemos mais.


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